Sedentarismo x qualidade de vida

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Sedentarismo x qualidade de vida

  1. 1. EditorialPontodevistaArtigosInstruçõesparaosautoresConScientiae Saúde, 2008;7(4):441-447. 441Análise da influência dosedentarismo sobre a qualidadede vida de pacientes portadoresde dor lombar crônicaAnalysis of sedentariness influence on the quality of life of chronic lowback pain patientsGabriela Bazzo Mancin1, Cristiane Bonvicine2, Claus Gonçalves3, Marcelo Adriano IngraciBarboza41Fisioterapeuta, Especialista em Traumato-Ortopedia – Unicastelo – Descalvado/SP2Fisioterapeuta, Mestre em Ciências da Saúde Famerp- São José do Rio Preto/SP3Fisioterapeuta, Mestrando em Ciências da Saúde - Famerp – São José do Rio Preto/SP4Fisioterapeuta, Doutor em Ciências da Saúde – Famerp – São José do Rio Preto/SPEndereço para correspondência:Cristiane BonvicineR. Otávio Pinto César,690. Bl A. Apto 04- Cidade Nova15010-310 – São José do Rio Preto – SP [Brasil]e-mail:crbonvicine@uol.com.brRecebido em 6 jul. 2008. Aprovado em 21 out. 2008ResumoNeste artigo, objetivou-se estudar o efeito do sedentarismo como causador dedores, por meio da análise de sua relação com a dor lombar. Foram selecionadas30 mulheres, sedentárias e praticantes de atividades físicas, entre 20 e 50 anos.O instrumento utilizado foi o questionário SF-36, aplicado nos meses de maioa julho de 2008. As voluntárias que realizam atividade física obtiveram signifi-cância estatística, apresentando melhores resultados nas variáveis avaliadas. Acapacidade funcional foi 16% maior nas voluntárias ativas; limitação por aspectosfísicos, 19% e dor 33%, maior nas sedentárias; estado geral de saúde, 24% e vita-lidade, 30% e aspecto social, 28%, maior nas ativas; limitação por aspectos emo-cionais, 39% maior nas sedentárias, e a saúde mental foi 28% melhor nas ativas.As pacientes que realizam algum tipo de atividade física tendem a apresentarmelhor qualidade de vida, tanto nos aspectos funcionais e relacionados à dorquanto nos aspectos emocionais.Descritores: Atividade física; Fisioterapia; Lombalgia; Sedentarismo.AbstractThis paper aimed to study the effect of inactivity as cause of pain, through theanalysis of its relation with lumbar pain. We selected 30 women, sedentary andphysical activities practitioners, aged between 20 and 50 years. The instrumentused was the SF-36, implemented from May to July 2008. The volunteers whoperform physical activity were statistically significant, showing better results invariables. The functional capacity was 16% higher in active volunteers; limitationby physical characteristics, 19%, and pain 33% higher in sedentary; general stateof health, 24% and vitality, 30% and social aspect, 28%, higher in active; limitationby emotional aspects, 39% higher in sedentary volunteers, and mental health wasbetter in 28% of active women. The patients who perform some type of physicalactivity tend to have better quality of life both in the functional aspects related topain and on the emotional aspects.Key words: Low back pain; Physical activity; Physiotherapy; Sedentariness.
  2. 2. ConScientiae Saúde, 2008;7(4):441-447.442Análise da influência do sedentarismo sobre a qualidade de vida…IntroduçãoAs disfunções da coluna vertebral, causa-doras de incapacidades funcionais, são de altaincidência no mundo, sendo a lombalgia um dosdistúrbios mais comuns no Ocidente, afetandode 70 a 80% da população, em alguma época desua vida1. Em países industrializados, a lombal-gia é a principal causa de incapacidade laboraldos indivíduos com menos de 45 anos e suaprevalência é estimada em 70%2, 3. Sua incidên-cia equipara-se em homens e mulheres, estas sequeixam mais de dor após 60 anos de idade2.A lombalgia é uma condição comum quepode afetar atletas e não atletas. Por se mani-festar sob várias condições, torna-se difícil umaetiologia precisa. Sua causa associa-se a acome-timentos degenerativos ou traumáticos no discointervertebral ou no corpo vertebral, provocadospor elevada sobrecarga nas atividades laborais,inatividade física, fatores psicológicos, flexibi-lidade e força reduzidas, obesidade e fumo4. Ador lombar de origem específica é encontradaem apenas 2% da população, e o restante (98%)revela um mecanismo fisiopatológico de dordesconhecido. Estima-se que apenas 10% dapopulação com essa dor, sem causa específica,desenvolva dor crônica5. Nos casos crônicos delombalgia, independentemente da presença ounão de patologias preexistentes, é observada hi-potrofia muscular, associada à fraqueza ou lesãode tecidos moles da região6.Entre os fatores de risco, encontram-se osindividuais, tais como a falta de condicionamen-to físico, a fraqueza dos músculos abdominais eespinhais, o ganho de peso, a obesidade, a alturae a má postura, e os ocupacionais, como o des-locar de objetos pesados, o permanecer sentadopor um longo período, o expor-se a estímulosvibratórios prolongadamente, de forma isola-da ou combinada e, cada vez mais freqüente,o sedentarismo2, 7.A atividade física tem sido estudada paraconsolidar um saber científico sobre a saúdecoletiva. A vida sedentária é reconhecida, maisfortemente, como importante contribuinte paraausência de saúde, já que a inatividade físicapode exercer efeito deletério sobre o sistemamusculoesquelético, além de comprometer obem-estar psicossocial8, 9.Já existem programas de atividade físicapara tratar e prevenir disfunções crônico-de-generativas, porém são poucos os estudos queincluem aqueles relacionados à saúde no tra-tamento da dor lombar. Há também pouca in-formação referente à atividade física/aptidão efísica diária dos indivíduos que apresentam dorlombar crônica5, 9. A grande divulgação sobre osbenefícios da prática de atividade física tem le-vado uma considerável quantidade de indivídu-os às academias esportivas10.São encontradas na literatura evidênciaspositivas que sugerem uma abordagem maisagressiva para o tratamento da dor lombar crô-nica. Esse tratamento consiste em exercícios deresistência que visam ao fortalecimento6. O ob-jetivo, neste trabalho, foi analisar a relação entresedentarismo e dor lombar e verificar se os seusefeitos são causadores de dores.Casuística e métodoForam selecionadas, de forma aleatória, 30voluntárias (15 sedentárias e 15 praticantes deatividades físicas), com idade variando entre 20e 50 anos. Consideraram-se praticantes de ativi-dades físicas as voluntárias que as realizavamregularmente ou, pelo menos, três vezes na se-mana. O critério para inclusão foi a capacidadede responder ao questionário, apresentar dorlombar crônica e executar as Atividades de VidaDiária (AVDs). Excluíram-se as que tinham ida-de inferior a 20 anos ou superior a 50 anos, por-tadoras de doenças neurológicas que provocamalteração da sensibilidade e problemas mentais.O projeto foi submetido ao Comitê deÉtica na Universidade Castelo Branco – CampusDescalvado - SP. Após esclarecimentos, todasas voluntárias assinaram o termo de consenti-mento livre.
  3. 3. EditorialPontodevistaArtigosInstruçõesparaosautoresConScientiae Saúde, 2008;7(4):441-447. 443Mancin GB et al.O instrumento utilizado nesta pesquisa foio questionário SF-36 – The Medical OutcomesStudy 36-item Short-form, já traduzido e va-lidado para o português. Trata-se de um instru-mento multidimensional, formado por 36 itens,cujo somatório de pontos é transformado emuma escala de zero a 100, na qual zero corres-ponde a um pior estado de saúde, e 100, a ummelhor estado. Os itens são englobados em oitoescalas ou componentes: capacidade funcional,aspectos físicos, dor, estado geral de saúde, vi-talidade, aspectos sociais, aspectos emocionaise saúde mental11. O questionário foi aplicado àsparticipantes da pesquisa nos meses de maio ajulho de 2008, e os resultados, avaliados quanti-tativamente por meio do teste “t” para amostrasequivalentes.ResultadosPara interpretação dos resultados, utiliza-ram-se os termos voluntárias sedentárias paraas participantes não praticantes de atividade fí-sica e voluntárias ativas, para aquelas que a re-alizavam. Os resultados encontrados no estudoencontram-se na Tabela 1, voluntárias sedentá-rias, e na Tabela 2, voluntárias ativas.As voluntárias, divididas por faixa etária,apresentaram os resultados que seguem nasFiguras 1, 2, 3 e 4:As voluntárias que se enquadravam entre21 e 30 anos apresentaram os seguintes resulta-dos: capacidade funcional foi 13% maior nas vo-luntárias ativas; limitação por aspectos físicos,27% maior nas sedentárias; dor, 36% maior nassedentárias; estado geral de saúde, 30% melhornas ativas; vitalidade, 37% maior nas ativas; as-pecto social, 28% maior nas ativas; limitação poraspectos emocionais, 59% maior nas sedentárias,e a saúde mental, 35% melhor nas ativas.As voluntárias que se enquadravam entre31 e 40 anos apresentaram os seguintes resul-tados: capacidade funcional foi 23% maior nasvoluntárias ativas; limitação por aspectos físicosnão apresentou resultado significativo entre asativas e as sedentárias; dor, 25% maior nas se-dentárias; estado geral de saúde, 19% melhor nasativas; vitalidade, 28% maior nas ativas; aspectosocial, 34% maior nas ativas; limitação por as-pectos emocionais, 20% maior nas sedentárias, ea saúde mental, 32% melhor nas ativas.Tabela 1: Voluntárias sedentáriasIdade CF LF DOR ES Vit. AS LE SMT.Z.S. 22ª 65 100 40 30 50 37,5 100 60P.S. 30ª 95 75 64 67 60 62,5 0 68O.C. 50ª 95 75 72 80 85 100 66,6 92A.C.B. 23ª 100 50 100 67 45 50 0 32M.A.S. 35ª 90 100 51 30 60 62,5 100 60F.C.Z. 40ª 55 100 31 32 20 0 100 20A.A.M. 47ª 85 50 41 52 45 50 33,3 68E.K. 50ª 60 25 41 62 25 50 0 36E.V.C. 29ª 100 50 52 60 45 87,5 0 52E.C. S. 28ª 85 75 31 70 30 87,5 66,6 52D.B.M. 22ª 60 50 41 45 45 50 33,3 36V.C. 36ª 50 100 64 77 60 62,5 66,6 68C.B.G 32ª 70 75 51 67 60 66,6 33,3 60K.Z.C. 33ª 70 75 51 57 65 66,6 66,6 68M.C.S. 44ª 85 100 41 57 65 62,5 100 60
  4. 4. ConScientiae Saúde, 2008;7(4):441-447.444Análise da influência do sedentarismo sobre a qualidade de vida…Tabela 3: Média - Voluntárias sedentárias divididas por faixa etáriaFaixa etária CF LF DOR ES Vit. AS LE SM21 a 30 84,17 66,67 54,67 56,50 45,83 62,46 33,32 50,0031 a 40 67,00 90,00 49,60 52,60 53,00 51,54 73,30 55,2041 a 50 81,25 62,50 48,75 62,75 55,00 65,56 49,98 64,00Geral 77,67 73,33 51,40 56,87 50,67 59,65 51,09 55,47Tabela 4: Média: Voluntárias ativas divididas por faixa etáriaFaixa etária CF LF DOR ES Vit. AS LE SM21 a 30 96,67 91,67 85,33 80,22 72,78 88,53 81,46 76,4431 a 40 87,50 90,00 66,00 65,25 73,75 78,13 91,65 81,0041 a 50 85,00 87,50 57,50 72,00 67,50 68,63 83,30 68,00Geral 92,67 90,67 76,47 75,13 72,33 82,71 84,42 76,53Tabela 5: Diferença de porcentagem de cada item entre as voluntárias sedentárias e as ativasFaixaetáriaCF LF DOR ES Vit. AS LE SM21 a 30 0,13 0,27 0,36 0,30 0,37 0,28 0,59 0,3531 a 40 0,23 0,00 0,25 0,19 0,28 0,34 0,20 0,3241 a 50 0,04 0,29 0,15 0,13 0,19 0,04 0,40 0,06Geral 0,16 0,19 0,33 0,24 0,30 0,28 0,39 0,28Tabela 2: Voluntárias ativas (Praticam atividade física por no mínimo 3x/ semana)Idade CF LF Dor ES Vit. AS LE SMJ.C.L. 26ª 100 100 84 77 70 100 100 92G.S.D. 25ª 90 75 84 67 75 100 66,6 64M.F.S. 28ª 100 100 100 90 75 100 100 88C.S. 26ª 100 100 84 82 50 66,6 33,3 52D.A.B. 24ª 90 100 84 82 80 87,5 100 60F.S. 24ª 100 100 84 95 80 100 100 100J.B. 23ª 100 75 84 82 85 75 66,6 84C.L.B. 50ª 85 75 74 67 75 75 66,6 68F.B. 37ª 85 100 84 62 75 75 100 88D.T. 50ª 85 100 41 77 60 62,5 100 68A.P.C. 27ª 90 75 64 67 60 66,6 66,6 60G.B.M. 25ª 100 100 100 80 80 100 100 88E.S. 35ª 85 75 64 77 75 75 100 84C.S.B. 36ª 90 100 52 55 70 87,5 100 84I.L. 40ª 90 85 64 67 75 75 66,6 68• Legenda: CF (capacidade funcional); LF (limitação por aspectos físicos); DOR (dor); ES (estado geral desaúde); Vit. (vitalidade); AS (aspectos sociais); LE (limitação por aspectos emocionais); SM (saúde mental)• A unidade dos dados da pesquisa está em porcentagem (%); em que Zero é o pior valor e 100 (cem) o melhor
  5. 5. EditorialPontodevistaArtigosInstruçõesparaosautoresConScientiae Saúde, 2008;7(4):441-447. 445Mancin GB et al.As voluntárias que se enquadravam en-tre 41 e 50 anos apresentaram os seguintes re-sultados: capacidade funcional foi 4 % maiornas voluntárias ativas; limitação por aspectosfísicos, 29% maior nas sedentárias; dor, 15%maior nas sedentárias; estado geral de saúde,13% melhor nas ativas; vitalidade, 19% maiornas ativas; aspecto social, 4% maior nas ativas;limitação por aspectos emocionais, 40% maiornas sedentárias, e a saúde mental, 6% melhornas ativas.Após o resultado do teste “t”, pode-se afir-mar, com 95% de confiança, que existe diferençasignificativa entre as médias de quem praticaatividade física (voluntárias ativas), com quemnão a pratica (voluntárias sedentárias). Pois “t”observado (-4,82) é maior que “t” crítico (2,14) aonível de significância de 0,05.As voluntárias, no geral, obtiveram osseguintes resultados: capacidade funcional foi16% maior nas ativas; limitação por aspectosfísicos, 19% maior nas sedentárias; dor, 33%maior nas sedentárias; estado geral de saúde,24% melhor nas ativas; vitalidade, 30% maiornas ativas; aspecto social, 28% maior nas ativas;limitação por aspectos emocionais, 39% maiornas sedentárias, e a saúde mental, 28% melhornas ativas.SedentáriasCF ES VitLF Dor AS LE SMAtivas020406080100Figura 1: Voluntárias ativas x voluntáriassedentárias de 21 a 30 anos de idadeSedentáriasCF ES VitLF Dor AS LE SMAtivas020406080100Figura 2: Voluntárias ativas x voluntáriassedentárias de 31 a 40 anos de idadeSedentáriasCF ES VitLF Dor AS LE SMAtivas020406080100Figura 3: Voluntárias ativas x voluntáriassedentárias de 41 a 50 anos de idadeSedentáriasCF ES VitLF Dor AS LE SMAtivas020406080100Figura 4: Comparação das médias obtidaspelas voluntárias sedentárias e ativas
  6. 6. ConScientiae Saúde, 2008;7(4):441-447.446Análise da influência do sedentarismo sobre a qualidade de vida…DiscussãoApesar das numerosas causas e fatores derisco relacionados à lombalgia, vários pesquisa-dores a caracterizam como uma doença de pes-soas com vida sedentária, ou seja, a inatividadefísica estaria relacionada direta ou indiretamentecom dores na coluna8. O sedentarismo está asso-ciado ao enfraquecimento da musculatura envol-vida na extensão do tronco e, conseqüentemente, éconsiderado fator de risco para lombalgia7.Estudos apontam que há mais sedentaris-mo entre mulheres do que entre homens (daí, aamostra se resumir ao sexo feminino) e que a ati-vidade física pode ser realizada por pessoas comlombalgia crônica, sem comprometer suas fun-ções ou desencadear mais manifestações de dor4.Os resultados mostraram diferenças signi-ficativas na qualidade de vida das voluntáriasativas, que apresentaram uma resposta melhorquando comparadas às sedentárias. A atividadefísica pode beneficiar as pessoas nos seguintesaspectos: redução do porcentual de gordura, di-minuição da pressão arterial em repouso, con-trole dos níveis de glicose e colesterol total nosangue, melhora da relação LDL-C/HDL-C e dafunção cardiorrespiratória. Exercício físico tam-bém pode trazer benefícios para a saúde men-tal, pois proporciona a liberação de endorfinas,melhora da circulação cerebral, da capacidadede avaliação de diversas situações e do geren-ciamento do estresse, além de auxílio na absti-nência às drogas12. As vantagens da atividadefísica não se restringem apenas à parte orgâni-ca, ocorrem também efeitos positivos no aspectopsicológico, como o aumento da auto-estima eda confiança, permitindo, assim, maior integra-ção na sociedade13.Estudos epidemiológicos e documentosinstitucionais sugerem que a prática regular deexercício físico está associada à menor mortali-dade e melhor qualidade de vida da populaçãoadulta. Não são poucos os trabalhos científicosque destacam o sedentarismo e o estresse comoresponsáveis por doenças hipocinéticas e redu-ções do bem-estar dos indivíduos. Existem cadavez mais dados demonstrando que a atividadefísica está relacionada com a prevenção, com areabilitação de doenças e com a qualidade devida. Em um número crescente de pesquisas naliteratura é demonstrado que a participação emdiferentes formas de atividade física está asso-ciada positivamente com a saúde mental14.A prática regular de exercícios físicos temsido associada a mudanças significativas nos es-tados psicológicos de humor, tanto nos aspectosnegativos quanto nos positivos, gerando bem-estar psicológico e aumentando a resistência doindivíduo ao estresse psicossocial15.Com relação à dor lombar crônica, pesqui-sas realizadas na Austrália mostraram que ospacientes, embora tenham sido tratados por vá-rias terapias, possuíam algo em comum: o multí-fidus e transverso do abdome fracos16.Hayden et al.17, em uma revisão sistemá-tica, concluíram que o exercício físico tende adiminuir e melhorar a função em adultos comdor lombar crônica. Bréder et al.18concluíram,em seus estudos, que exercícios para prevençãode lombalgia precisam ser incorporados à vidadiária, mas, ao se prescreverem atividades físi-cas, deve-se conhecer as condições de saúde econdicionamento físico de cada indivíduo paraque tais atividades sejam adequadas e seguras.Macedo et al.19realizaram um ensaio clínicorandomizado, apresentando, como proposta detratamento para dor lombar crônica, o exercíciofísico, o qual, no entanto, não é sugerido comoum tratamento isolado. Ressaltam, ainda, que avariedade de atividades traz benefícios diferen-tes aos pacientes.Polito et al.20afirmam que a prática de ati-vidade apenas nos fins de semana não traz be-nefícios evidentes para a melhora da dor lombar,ao contrário do exercício físico regular que pro-duz resultados positivos. Uma boa flexibilidadeno movimento de flexão de tronco parece exer-cer um efeito preventivo, enquanto a elevadaflexão de quadril tende a contribuir para o apa-recimento dos incômodos. De forma simples, in-divíduos com elevada flexão de quadril não de-vem realizar exercícios de alongamento para a
  7. 7. EditorialPontodevistaArtigosInstruçõesparaosautoresConScientiae Saúde, 2008;7(4):441-447. 447Mancin GB et al.musculatura extensora dessa articulação com oobjetivo de ganho de amplitude de movimento.No entanto, indivíduos que apresentam poucaflexão de tronco devem ser alongados de formaadequada para proporcionar ganho de ampli-tude. Procedimento que deve ser evitado pelosindivíduos que têm boa flexibilidade no movi-mento de flexão de tronco, já que a hiper-mobili-dade dele pode aumentar o risco de lombalgia.As comprovações dos efeitos positivos daatividade física são inúmeras, sendo apresenta-das sob diferentes formas de pesquisa. O presen-te estudo concorda com investigações existentes,uma vez que houve diferença significativa naqualidade de vida entre as voluntárias pratican-tes de atividade física e as sedentárias.ConclusãoAs pacientes que realizam algum tipo deatividade física tendem a apresentar uma me-lhor qualidade de vida, tanto nos aspectos fun-cionais e relacionados à dor quanto nos aspectosemocionais. As comprovações dos efeitosbenéficos do exercício físico são inúmeras; noentanto, estudos científicos sobre a atividade fí-sica atuando no alívio da dor ainda necessitamser mais bem explorados para que se encontrem,cada vez mais, evidências científicas.Referências1. Bréder VF, Dantas EHM, Silva MAG, Barbosa LG.Lombalgia e fatores psicossociais em motoristasde ônibus urbano. Fitness & Performance Journal.2006;5:294-9.2. Imamura ST, Kaziyama HHS, Imamura M.Lombalgia. Rev Med. 2001;80:375-90.3. Silva MC, Fassa AG, Valle NCJ. Dor lombarcrônica em uma população adulta do Sul do Brasil:prevalência e fatores associados. Cad Saúde Pública.2004;20:377-85.4. Polito MD, Neto GAM, Lira, VA. Componentes daaptidão física e sua influência sobre a prevalência delombalgia. Rev Bras Ciên Mov. 2003;11:35-40.5. Fernandes R. Síndrome do desuso e dor crônicalombar. EssFisiOnline. 2006;2:4-37.6. Costa D, Palma A. O efeito do treinamento contraresistência na síndrome da dor lombar. Rev PortCien Desp. 2005;2:224-34.7. Kolyniak IEG, Cavalcanti SMB, Aoki MS. Avaliaçãoisocinética da musculatura envolvida na flexão eextensão do tronco: efeito do método Pilates. RevBras Med Esporte. 2004;10:487-90.8. Toscano JJO, Egypto EP. A influência dosedentarismo na prevalência de lombalgia. Rev BrasMed Esporte 2001; 7:132-136.9. Sponchiado P, Carvalho AR. Descrição dos efeitos doprotocolo “escola de coluna moderna” em portadoresde lombalgia crônica. Fitness & Performance Journal.2007;6:283-8.10. Lima FFZ, Salate ACB. Incidência de lombalgia emmulheres que praticam atividade física. [acesso em2008 set.]. Disponível em URL:http:/www.fisionet.com.br/monografias11. Ciconelli RM. Tradução para o português e validaçãodo questionário genérico de avaliação e qualidade devida ‘Medical Outcomes Study 36-item Short formHealth survey (SF-36)”.[tese]. São Paulo (SP): EscolaPaulista e Medicina, Universidade Federal de SãoPaulo; 1997.12. Sanches JG, Bruno LA. Atividade física e qualidadede vida. Revista Científica da FAMINAS – Muriaé.2005;1(1):11.13. Machado CSM, Aragão QF,Volpe CRG, AlcântaraVCS. Qualidade de vida das pessoas que realizamatividade física em centros de saúde. RevistaEletrônica de Enfermagem do UNIEURO.2008;1(1):34-50.14. Araujo DSM, Araújo CGS. Aptidão física, saúde equalidade de vida relacionada à saúde em adultos.Rev Bras Med Esporte. 2000;6(5).15. Nunomura M, Teixeira LAC, Caruso MRF. Nível deEstresse em adultos após 12 meses de prática regularde atividade física. Revista Mackenzie de Ed. Física eEsporte. 2004;3(3):125-34.16. Comerford MJ, Mottram SL. Movement and stabilitydysfunction contemporary developments. Man Ther.2001;6(1):15-26.
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