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2Keywords: Self-examinations; underreporting; north.1. INTRODUÇÃOO câncer é um termo genérico usado para designar o cresci...
3doença em populações de alto risco (GUIMARÃES et al., 2008). A localização do melanomacutâneo pode ser em qualquer parte ...
42. METODOLOGIAO presente trabalho é um estudo do tipo retrospectivo e quantitativo, onde os dadosforam coletados nos arqu...
5Figura 1 – Representação da distribuição da Radiação Solar no período do Verão (A) eInverno (B). Fonte: Atlas Brasileiro ...
6De acordo com o comprimento de onda, os raios ultravioletas (raios UV) sãoclassificados em raios UV-A, 320-400 nm, e em r...
7Fonte:SBD, 2006.Figura 1 – Representação da freqüência percentual de incidência de câncer de pele douniverso considerado ...
8diminuição da morbidade e aumento da sobrevida do paciente, sendo de grande importânciapara a população tocantinense.A co...
9Melanoma maligno e um caso referente a outro tipo de dermatose cânceres (tumor maligno).A idade média de pacientes com câ...
10A distribuição dos pacientes segundo câncer de pele e cor ficou distribuído nasseguintes proporções: (9,6% - 11/115) bra...
11população brasileira. Sem dúvida, o câncer da pele não melanoma é mais freqüente empessoas de pele mais clara e mais sen...
12Figura 6 – Representação da freqüência percentual de incidência de câncer de pele em função daexposição dos pacientes. F...
13danos mais graves aos pacientes e elevados custos ao sistema público de saúde. Pois amaioria dos casos são tratáveis e c...
14FREEMAN, S.E., GANGE, R.W., SUTHERLAND, J.C., SUTHERLAND, B.M. Pyrimidinedimer formation in the human skin. Photochem Ph...
15SOUZA, Sonia R. P., FISHER, Frida M, SOUZA, José M. P., Bronzeamento e risco demelanoma cutâneo: revisão da literatura. ...
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Risco de câncer de pele associado à incidência da radiação solar em palmas

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Risco de câncer de pele associado à incidência da radiação solar em palmas

  1. 1. 1RISCO DE CÂNCER DE PELE ASSOCIADO À INCIDÊNCIA DA RADIAÇÃOSOLAR EM PALMASCarolinne Teixeira Moraes Guimarães, Farmacêutica, Especialização em VigilânciaSanitária pela Universidade Católica de Goiás, GO. e-mail: carolinnetmg@gmail.comPedro Binsfeld (PhD), Docente do Programa de Pós-Graduação em Vigilância Sanitária, peloInstituto de Estudos Farmacêuticos e Universidade Católica de Goiás, GO. e-mail:pedro.binsfeld@terra.com.brRESUMOAs neoplasias malignas da pele são os tumores mais comuns adquiridos pelos humanos aolongo da vida. No Brasil, o câncer de pele gira em torno de 25% entre todos os tumoresdiagnosticados em todas as regiões geográficas. Para apurar a frequência de novos casos decâncer de pele em Palmas-TO, fez-se um estudo das notificações dos anos 2006 e 2007, naregião de Palmas. Os dados do trabalho foram coletados na Secretaria Municipal de Saúde,Sociedade Brasileira de Dermatologia e Instituto de Meteorologia de Palmas. A região Norterecebe menor incidência de radiação solar no Verão comparado a região Sul, ocorrendo,porém, o inverso durante o inverno. No ano de 2006 foram diagnosticados 14 novos casos decâncer de pele, destes, 12 foram diagnosticados como Carcinoma Basocelular, um caso deCarcinoma Espinocelular, e um caso referente a outro tipo de dermatose. Já em 2007 houveapenas 7 notificações, sem especificação o tipo de câncer de pele. A exposição à radiaçãoultravioleta é um dos principais fatores de risco de câncer de pelo, mas não foi possívelestabelecer correlação entre incidência de radiação na região de palmas e o surgimento decâncer de pele, visto que esta radiação é semelhante a outras regiões do país. Especula-se quepossa haver um grande número de subnotificações o que dificulta estabelecer a relaçãocausa/efeito e definir estratégias para prevenção.Palavras-chave: Carcinoma, radiação ultravioleta, neoplasia, tumores cutâneos.ABSTRACTMalignant neoplasms of skin, are the most commom tumors acquired by humans along thecourse of your life.In Brazil, skin cancer accounts about 25% of all tumors diagnosed in allgeographic regions, thus the need to analyse the number of notifications of skin cancer newtypes in Palmas in 2006 and 2007 and to correlate this index of solar radiation in the Northarea.It was performed a retrospective and quantitatively study, where data were collected atMunicipal Health Department, Dermatology Brazilian Society and Palmas MeteorologyInstitute. Norht area receives a lower incidence of solar radiation during the summer than thesouth area, while the opposite occured during the winter.During the year 2006 werediagnosed 14 cases of skin cancer, 12 cases of basal cell carcinoma(BCC), one case ofsquamous cell carcinoma(SCC) and one referring case to another type of skincancer.Exhibition to ultraviolet radiation(UVA and UVB radiation along many years) is amajor risk factor for skin tumors, but there’s no correlation for the incidence of radiation inthe north area and appearance of skin cancer, since this radiation in other regions of thefederation. It was also observed that there may be a lot of underreporting of malignantmelanoma and nonmelanoma (carcinomas) in Palmas, requiring more prevention campaigns.
  2. 2. 2Keywords: Self-examinations; underreporting; north.1. INTRODUÇÃOO câncer é um termo genérico usado para designar o crescimento celulardescontrolado, que pode surgir de uma única célula que se torna insensível ao mecanismo deinibição por contato e divide-se rapidamente, originando novas células também insensíveis aesse mecanismo (LIMA, 1996).Assim, forma-se uma massa de células em crescimento que afasta as células normaispressiona mecanicamente tecidos sadios e absorve nutrientes disponíveis para eles. Quando otumor é limitado ao local que se formou, ele é denominado benigno, mas quando as célulascancerosas caem na circulação sanguínea ou linfática e são levadas a outros órgãos ondeoriginam novos tumores é chamado maligno. Ao processo de migração das células malignasdá-se o nome de metástase (LIMA, 1996).De modo geral, uma célula cancerosa é uma célula somática com mutações (pode seruma apenas) acumuladas em diferentes genes, resultando em perda do controle daproliferação celular. O crescimento contínuo das células cancerosas leva a dano tecidualgrave, falência de múltiplos órgãos e, eventualmente, morte (PASTERNAK, 2002; SPENCEet al., 2003).O câncer esta se tornando um problema cada vez maior para a humanidade, ou seja,um problema de saúde pública, onde as neoplasias malignas de pele são os tumores maiscomuns adquiridos pelo ser humano no curso de sua vida. A incidência de Carcinomas(Basocelular ou Espinocelular) de pele supera a incidência de cânceres de pulmão, mama,cólon, reto, próstata, bexiga e todos os linfomas combinados (MILLER et al., 1994). Como omelanoma é um tipo de câncer pouco freqüente se comparado a outros tipos como o depulmão ou de mama, as medidas preventivas terão mais êxito se forem dirigidas diretamenteaos grupos de maior risco (AZEVEDO et al., 1992).O autoexame de lesões de pele deve-se atentar para alterações na cor, forma, tamanhoe bordas de lesões cutâneas existentes (ABCD – assimetria, bordas, cor, diâmetro),(GUIMARÃES et al., 2008).O Melanoma cutâneo, também conhecido como Melanoma maligno, origina-se dosmelanócitos (células produtoras de melanina, substância que determina a cor da pele),afetando principalmente a população adulta jovem e de pele clara. Pelo fato de um de seusfatores de risco, a exposição solar, ser um fator mutável, essa patologia tem chamado atençãode médicos e provedores de saúde, no sentido de prevenir e diagnosticar precocemente essa
  3. 3. 3doença em populações de alto risco (GUIMARÃES et al., 2008). A localização do melanomacutâneo pode ser em qualquer parte do corpo, sendo mais comum no tronco (nos homens) enas extremidades inferiores (nas mulheres), (ROSENTHAL et al., 1995; FORONES et al.,2005; GUIMARÃES et al., 2008).Os tumores de pele do tipo não melanoma (Carcinoma Basocelular e Espinocelular) éo tipo de câncer mais freqüente (MILLER et al., 1994). O tipo não melanoma é de fácildiagnóstico, sendo freqüentemente identificado no exame de inspeção da pele(GUIMARÃES et al., 2008).O Carcinoma Basocelular é uma neoplasia maligna derivada de células originadas dacamada basal da pele (epiderme e apêndices cutâneos, acima da camada basal, como os pêlos,por exemplo), sendo o tipo de câncer mais comum, que compreende 75% dos cânceres depele não melanomas. Sua localização mais comum é na cabeça (principalmente nariz) epescoço (LOPES et al., 2005). Geralmente manifesta-se como lesão nodular assintomática ouulcerativa mais elevada do que a pele ao seu redor (GUIMARÃES et al., 2008).O Carcinoma Espinocelular é o segundo tipo de câncer mais comum na pele, o riscorelativo é mais alto em pessoas de pele clara. Geralmente as lesões são da mesma coloraçãoda pele, róseas ou marrons (LOPES et al., 2005).No Brasil, o câncer de pele corresponde a cerca de 25% de todos os tumoresdiagnosticados em todas as regiões geográficas , o que pode ser explicado pelo alto índice deraios solares, a falta de consciência do uso de proteção solar, o baixo índice de campanhas deprevenção agregadas com a pouca cultura preventiva da população brasileira (SOUZA et al.,2004; INCA 2008).A exposição á radiação solar é um dos principais fatores de risco aos tumorescutâneos. A região Norte recebe menor incidência de radiação solar durante o Verão do que aregião Sul, apesar de sua localização próxima à linha do Equador. Durante os meses deInverno, ocorre o inverso e a região Amazônica recebe maior irradiação solar global. Isso sedeve as características climáticas da região Amazônica que apresenta fração de cobertura denuvens e precipitação elevadas durante o Verão devido à forte influência da Zona deConvergência Intertropical (PEREIRA et al., 2006). O objetivo do presente estudodiagnóstico foi analisar o número de notificações dos novos casos de câncer de pele emPalmas e correlacionar este índice com a incidência da radiação solar nesta região.
  4. 4. 42. METODOLOGIAO presente trabalho é um estudo do tipo retrospectivo e quantitativo, onde os dadosforam coletados nos arquivos de notificação da Secretaria Municipal de Saúde de Palmas,Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), no período de janeiro de 2006 a dezembro2007, este recorte temporal decorre das datas de campanhas nacionais de prevenção, os dadosde insolação foram obtidos junto ao Instituto de Meteorologia de Palmas, localizado naUNITINS e Universidade Federal do Tocantins (UFT).Os dados foram coletados no acervo bibliográfico em bases de dados disponíveis embibliotecas virtuais e sítios da rede mundial de computadores, entre os quais Portal daCAPES, Scientific Eletronic Library Online (Scielo), da Literatura Latino Americana emCiência da Saúde (LILACS), e Descritores em Ciências da Saúde (DECs/BIREME) e emoutras fontes de dados como livros.Os dados coletados no presente trabalho, foram processados e os resultadosapresentados na forma de gráficos que foram interpretados e apresentados de forma didática ede fácil compreensão.3. RESULTADOS E DISCUSSÃOA radiação solar é, sem dúvida, um dos mais importantes agentes envolvidos naetiologia do câncer de pele. E o Brasil situa-se geograficamente numa zona de alta incidênciade radiação solar em especial os raios ultravioletas. As pessoas mais sensíveis que se expõemmuito ao sol, desprotegidas, seja por trabalho ou por lazer, são as que apresentam maior riscode contrair câncer de pele, principalmente aquelas de pele clara. Segundo estatísticas doInstituto Nacional do Câncer, o câncer de pele é o de maior incidência no Brasil e estádiretamente relacionado à exposição ao sol. Somente no ano passado, cerca de 55 milbrasileiros foram acometidos pelo mal.3.1. Principais riscos em relação à radiação solarA incidência da radiação solar durante as estações do verão e inverno é variávelconforme se pode observar na Figura 1. A região Norte recebe menor incidência de radiaçãosolar durante o verão em relação à região Sul, e na estação de inverno ocorre o processoinverso. A variação média da incidência de radiação solar entre as estações de inverno everão é menor na região Norte do que nas regiões Sul e Sudeste.
  5. 5. 5Figura 1 – Representação da distribuição da Radiação Solar no período do Verão (A) eInverno (B). Fonte: Atlas Brasileiro de Energia Solar 2006.Segundo PEREIRA et al (2006) a variação da incidência de radiação solar entre oInverno e o Verão é menor na região Norte, mesmo sendo uma região próxima a linha doEquador, do que nas regiões Sul e Sudeste. Sendo que a região Norte recebe maior incidênciade radiação solar durante as estações secas, particularmente entre os meses de Julho eSetembro, quando o número de dias de céu claro é maior. O que é de grande relevância naregião Norte são: a) as temperaturas elevadas, b) o grande número de dias de céu claro, c) ohábito de maior exposição ao sol pela população, seja pelas vestimentas que expõem mais ocorpo ao sol ou pelo lazer e atividades esportivas ao ar livre. Já na região Sul, as temperaturassão mais amenas e as pessoas protegem mais o corpo, devido ao frio, e usam mais roupas,deixando o corpo menos exposto a radiação solar (PEREIRA et al., 2006).Estudos realizados afirmam que a exposição aos raios ultravioleta é um dos principaisfatores de risco para desenvolver tumores cutâneos, seja para Melanoma maligno ou tumoresde pele do tipo não melanoma como o Carcinoma Basocelular ou Espinocelular (MAIA et al.,1995; MARGHOOB, 1997; COSTA et al., 2004; RHEE et al., 2004). Embora o dano celularpossa ocorrer nas fases iniciais da vida, geralmente passam-se muitos anos entre a exposiçãoà dose iniciadora de radiação e o surgimento de uma neoplasia maligna. Isso sugeriria que aexposição a agentes promotores está envolvida na proliferação de células lesadas pelaradiação e no desenvolvimento final do tumor (SPENCE et al., 2003).A BA B
  6. 6. 6De acordo com o comprimento de onda, os raios ultravioletas (raios UV) sãoclassificados em raios UV-A, 320-400 nm, e em raios UV-B, 280-320 nm. Em decorrência dadestruição da camada de ozônio, os raios UV-B (principal comprimento de ondacarcinogênico), que estão intrinsecamente relacionados ao surgimento do câncer de pele, têmaumentado progressivamente sua incidência (SPENCE et al., 2003; DERGHAM et al., 2004;SOUZA et al., 2004; INCA, 2008).Além disso, os raios UV-A independem da camada de ozônio, e causa câncer de peleem quem se expõe a eles em horários de alta incidência, continuamente e, ao longo de muitosanos, as pessoas de pele clara que vivem em locais de alta incidência de luz solar são as queapresentam maior risco (INCA 2008). Portanto, a radiação é mutagênica e acredita-se quecause transformação maligna por lesão do DNA (SPENCE et al., 2003; SOUZA et al., 2004).A confirmação da mutagenicidade da radiação ultravioleta ocorreu em 1960, com adescoberta da formação do fotodímero ciclobutano, após a irradiação da base timina porcomprimento de onda de 254 nm (DAVIES, 1996). Estudos posteriores identificaram aquiloque seria a assinatura do ultravioleta: a produção de mutações em pontos específicos do DNA(onde existam duas bases pirimidinas adjacentes), levando à formação do dímero depirimidina ciclobutílica e de fotoprodutos pirimidina-pirimidona, segundo DAVIES (1996) eLEFFELL et al., (1997). A produção de fotodímeros em pele humana, mais especificamenteem queratinócitos e melanócitos, de acordo com YOUNG et al., (1999), pode ser induzidatanto pelo UVA quanto pelo UVB (FREEMAN et al.,1987; YOUNG et al., 1999).Os serviços meteorológicos já mostram consciência da importância do aumento daexposição a raios UV, ao divulgar diariamente os níveis de exposição para diferentes regiõesdo país (SBD 2006).3.2. Incidência de Câncer de Pele em 2006 e 2007Os dados aqui apresentados referem-se as das notificações do ano de 2006 de casosconfirmados de Câncer de Pele, obtidos da Pesquisa Nacional de Controle de Câncer de Pele,realizada em dezembro de 2006 pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD)juntamente com a Secretaria Municipal de Saúde em Palmas, Tocantins.Os dados referem-se a 286 pessoas (100%), sendo que 14 (4,9%) apresentaram câncerde pele e 272 (95,1%) não tinham nenhum tipo de câncer de pele (Figura 2).
  7. 7. 7Fonte:SBD, 2006.Figura 1 – Representação da freqüência percentual de incidência de câncer de pele douniverso considerado no ano de 2006 pela Sociedade Brasileira deDermatologia juntamente com a Secretaria Municipal de Saúde em Palmas,Tocantins. Fonte: SBD, 2006.Já os resultados referentes ano de 2007 relativos à incidência de Câncer de Pele emPalmas são de difícil análise, pois não especificam o diagnóstico clínico destes pacientes, seeram casos de Melanoma maligno ou não-melanoma (Carcinoma Basocelular ouEspinocelular). Ressalta-se que neste ano não houve campanha de prevenção ou controle deCâncer de Pele, como ocorrido no ano de 2006. Pois, no ano de 2007 houve apenas 7 (sete)casos de Câncer de Pele notificados pela secretaria de saúde, da cidade de Palmas-TO, masnão foram especificados os tipos de câncer apresentados. Suspeita-se que de que existirnotificações da ocorrência de câncer, é possível que seja necessário aprimorar o sistema denotificação e registro dos casos para poder efetuar estatísticas de maior confiabilidade e poderfazer inferências mais seguras sobre a incidência de câncer de pele na cidade.Depoimentos de profissionais da saúde do Hospital Padre Luso, Instituto do Câncerde Palmas, e Hospital Geral de Palmas (HGP), os casos de câncer eram apontados em umlivro de registro, para que os pacientes após triagem fossem submetidos á exames clínicos elaboratoriais para confirmação de diagnóstico. Todavia, em muitos casos os pacientes devidoao medo ou até por esquecimento, deixavam de retornar ao Hospital para confirmação dodiagnóstico. Isso pode resultar em subnotificação dos casos de Melanoma maligno e nãomelanoma (Carcinoma Basocelular e Espinocelular).Campanhas frequentes de prevenção de Câncer de Pele seriam atividades derastreamento para o diagnóstico precoce dessa doença, possibilitando tratamento rápido,Sim4,9%Não95,1%Sim4,9%Não95,1%
  8. 8. 8diminuição da morbidade e aumento da sobrevida do paciente, sendo de grande importânciapara a população tocantinense.A consciência da gravidade sanitária do câncer da pele é pequena entre osprofissionais de saúde em várias partes do mundo. Para ampliá-la, são geradas iniciativascomo intervenções educacionais para profissionais envolvidos com a atenção básica sobrepráticas para o controle de câncer da pele (MIKKILINENI et al., 2001) ou a inclusão deprofissionais de enfermagem no processo de suspeição e encaminhamento de casos(GELLER et al.,2003).No Brasil, a consciência da gravidade do problema entre os responsáveis pela saúdepública é influenciada pela percepção de que a mistura racial determinaria um baixo riscopara a população brasileira. Sem dúvida, o câncer da pele não melanoma é mais frequente empessoas de pele mais clara e sensível ao sol, o que não invalida o risco naquelas de pele maispigmentada.A maioria dos estudos realizados no Brasil e no exterior baseia-se em rastreamento depopulações selecionadas por meio de campanhas para prevenção de diagnóstico precoce decâncer de pele, segundo LUCCIOLA et al., (1993); BRANDT (1996); TARLÉ (1998). Ouseja, as campanhas de saúde pública procuram atingir a população, primeiro, no sentido deevitar o aparecimento da doença, prevenção primária, e depois chamando atenção para odiagnóstico precoce, prevenção secundária (MAIA et al., 2006).A prevenção primária do câncer da pele deve ter como principal população-alvo ainfantil, uma vez que as crianças se expõem ao sol três vezes mais que os adultos, e aexposição cumulativa durante os primeiros 10 a 20 anos de vida determinam o risco decâncer da pele, mostrando ser a infância uma fase particularmente vulnerável aos efeitosnocivos do sol (SBD, 2006).A prevenção secundária na população adulta pode e deve ser realizado na rotina daatenção à saúde, o que, porém, requer maior engajamento dos profissionais de saúde e dapopulação em geral na ação preventiva. A divulgação dos riscos da exposição solar pelamídia vem aumentando a consciência do problema entre os brasileiros, criando pouco apouco um ambiente favorável a iniciativas de prevenção primária na infância (SBD, 2006).3.3. Tipo de Câncer de Pele diagnosticado em função da idade dos pacientesDe acordo com o Diagnóstico Clínico, houve 12 casos (4,2%) de CarcinomaBasocelular (CBC), um caso (0,3%) de Carcinoma Espinocelular (CEC), nenhum caso de
  9. 9. 9Melanoma maligno e um caso referente a outro tipo de dermatose cânceres (tumor maligno).A idade média de pacientes com câncer de pele foi em torno de 60 anos (Figura 3).FIGURA 3 – Representação da idade média dos pacientes com Câncer de Pele. Fonte:SBD,2006.De acordo com estudo realizado por DERGHAM et al., (2004), o CarcinomaBasocelular (câncer de pele não-melanoma), acomete mais os indivíduos durante a sextadécada, ou seja, em torno dos 60 anos, ocorre mais no sexo feminino, e a ocorrência maisfrequente na região cefálica. O câncer de pele melanoma é raro antes da puberdade, o pico deacometimento está entre os 40 e 60 anos, informações compatíveis com este estudo, quedemonstrou média de 60 anos. A ocorrência maior no sexo masculino é discutível. Paraalguns autores, o predomínio está no sexo feminino (AZULAY, 1997).A percepção do estado de saúde e da qualidade de vida dos pacientes, bem como oimpacto tanto de sua doença como de seu respectivo tratamento, estão sendo amplamentereconhecidos como um elemento importante de avaliação de resultados, sendo tópico depesquisa em estudos clínicos e epidemiológicos (FERRAZ, 1998).O paciente portador de câncer de pele, seja na face ou no pescoço (CarcinomaBasocelular ou Espinocelular), exceto o Melanoma cutâneo, possui menor autoestima (a faixaetária dos pacientes com idade igual ou inferior a 55 anos foi a que mais apresentou os efeitosnegativos sobre a autoestima), do que os pacientes sem câncer (CARVALHO et al., 2007).3.4. Incidência de câncer em função da pigmentação da pele dos pacientes27214N =Câncer de PeleNãoSimIDADE100806040200-20
  10. 10. 10A distribuição dos pacientes segundo câncer de pele e cor ficou distribuído nasseguintes proporções: (9,6% - 11/115) brancos, (2,2% - 3/138) de pardos, sendo que os depele negra (0,0% - 33) não apresentaram câncer de pele (Figura 4).Figura 4 – Representação da freqüência percentual de incidência de câncer de pele em funçãoda pigmentação (cor) da pele das pessoas avaliadas pela Sociedade Brasileira deDermatologia juntamente com a Secretaria Municipal de Saúde em Palmas,Tocantins. Fonte: SBD, 2006.A evidência de que as pessoas de pele clara (branca) e de ascendência européia têmmaior pré-disposição para o desenvolvimento de câncer de pele é fortalecida ao se verificarque os coeficientes de ocorrência, em populações de raça negra e amarela, são inferiores àsde raça branca (DERGHAM et al., 2004; LOPES et al., 1992; WATERHOUSE, 1990).Há no país grupos populacionais de maior risco para o câncer de pele, em geral,representadas por descendentes de europeus, principalmente nas regiões sul e sudeste, ondefoi mais intensa a concentração de imigrantes europeus, onde existem comunidades que, porrazões geográficas, sociais e culturais sofreu pouca ou quase nenhuma miscigenação racial.Conseqüentemente, estas comunidades expressam risco mais elevado, por suascaracterísticas, para o desenvolvimento de câncer de pele (AZEVEDO et al., 1992).A percepção da gravidade sanitária do câncer da pele é ainda pequena entre osprofissionais de saúde em várias partes do mundo. Para aumentar essa consciência são feitasinúmeras iniciativas orientadoras para profissionais da atenção básica sobre práticas para ocontrole de câncer de pele ou a inclusão de profissionais de enfermagem no processo detriagem diagnóstica e encaminhamento de casos.No Brasil, a consciência da gravidade do problema entre os responsáveis pela saúdepública é influenciada pela idéia de que a mistura racial determinaria um baixo risco para a
  11. 11. 11população brasileira. Sem dúvida, o câncer da pele não melanoma é mais freqüente empessoas de pele mais clara e mais sensível à radiação solar, o que não significa a ausência derisco naquelas de pele mais pigmentada.3.5. Interação entre exposição ao sol e sexo dos pacientesOs indivíduos do sexo masculino apresentaram maior índice de câncer de pele (9,4% -11/117), em relação ao sexo feminino (1,8% - 3/169), como demonstra a Figura 5.Figura 5 – Representação da freqüência percentual de incidência de câncer de pele em função do sexodos pacientes pessoas avaliadas pela Sociedade Brasileira de Dermatologia juntamentecom a Secretaria Municipal de Saúde em Palmas, Tocantins. Fonte: SBD, 2006.Já na Figura 6 observa-se que os pacientes do sexo masculino (76,9%) pela sua maiorexposição ao sol e sem proteção comparada ao sexo feminino (60,9%), que se protege maisquando fica exposto ao sol.
  12. 12. 12Figura 6 – Representação da freqüência percentual de incidência de câncer de pele em função daexposição dos pacientes. Fonte: SBD, 2006.Apesar da exposição maior das mulheres ao sol, elas se protegem mais ou têm maiorpercepção do risco de câncer de pele e são mais propensas a mudar o seu comportamento,comparadas aos homens. A baixa percepção do próprio risco e a menor propensão a mudar oseu comportamento explicaria a maior frequência de danos solares entre os homens (SOUZAet al., 2004).É muito importante perceber que em cerca de 75% dos casos de melanoma, as lesõesforam descobertas por leigos, seja o próprio paciente, o cônjuge, outro membro da família ouamigo. As mulheres não foram mais eficientes do que os homens em encontrar suas lesões depele, apesar da literatura referir o contrário. Já quando o melanoma foi descoberto porterceiros, de forma significante, os pacientes já tinham mais de 60 anos (MAIA et al., 2006).4. CONSIDERAÇÕES FINAISO estudo aponta para algumas considerações conclusivas, como a de que ascampanhas de prevenção ao câncer de pele poderiam ser um meio promotor do diagnósticoprecoce dessa doença. Pois, em sendo a pele um órgão de fácil acesso ao autoexame e ainspeção médica facilitada, há a possibilitaria do diagnóstico precoce e por isso diminuir aseveridade e o número de casos de câncer de pele sem cura.Durante a campanha realizada em Palmas, detectou-se que os pacientes do sexomasculino foram os mais acometidos em função da maior exposição aos raios solares (UVA eUVB), e também pouco se protegem em relação ao sexo feminino. O uso adequado de filtrosolar é ainda muito baixo, não apenas por questões econômicas, mas também por percepçõesequivocadas por parte da população. Além disso, é preciso superar a concepção de que oscuidados com a pele têm apenas finalidade estética.Os profissionais da área da saúde mencionam a imprecisão das notificações dos casosde câncer de pele em Palmas, pois em geral os médicos não têm o hábito de proceder anotificação da doença. A obrigatoriedade do registro do câncer de pele junto a Secretária daSaúde, campanhas de prevenção para a conscientização da população para aumentar apercepção dos riscos de câncer de pele entre a população, são medidas necessárias paraampliar as estatísticas e a partir dessas traçar estratégias e políticas públicas que permitamavançar na adoção de medidas preventivas, assim como, o diagnóstico precoce a fim de evitar
  13. 13. 13danos mais graves aos pacientes e elevados custos ao sistema público de saúde. Pois amaioria dos casos são tratáveis e curáveis desde que diagnosticados em tempo hábil.5. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAAZEVEDO, Guinar, MENDONÇA, Silva. Risco crescente de melanoma de pele no Brasil.Revista de Saúde Pública v.26, n.4, São Paulo, agosto 1992.AZULAY, D. R., Oncologia Dermatológica. Dermatologia 2ª ed. Rio de Janeiro: GuanabaraKoogan: 1997. p.320-77.BRANDT, T.P. Skin cancer screening. Med Clin North Am 1996 ;80:99-114.BRASIL, Instituto Nacional do Câncer (INCa). Melanoma Disponível em:http://www.inca.gov.br/conteudo_view.asp?id=335> Acessado em: 15/04/2008BRASIL, Instituto Nacional do Câncer (INCa). Estimativa 2006: Incidência de câncer noBrasil. Disponível em: http://www.inca.gov.br/vigilancia/ Acessado em 10/03/2008BRASIL, SBD - Sociedade Brasileira de Dermatologia. Investigação Clínica,Epidemiológica, Laboratorial E Terapêutica. Anais Brasileiros de Dermatologia. v.81, n.06, Rio de Janeiro, novembro/dezembro 2006.CARVALHO, Marcelo Prado de, OLIVEIRA, Renato Santos de Filho, GOMES, HeitorCarvalho, VEIGA, Daniela Francescato, JULIANO, Yara, FERREIRA, Lydia Masako. Auto-estima em pacientes com carcinomas de pele. Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões,vol.34, n. 06, Rio de Janeiro, novembro/dezembro de 2007.COSTA, Francine B.; Weber, Magda B. Avaliação dos hábitos de exposição ao sol e defotoproteção dos uiversitários da Região Metropolitana de Porto Alegre, RS. AnaisBrasileiro de Dermatologia. V.79 n.02 Rio de Janeiro março/abril 2004.DAVIES, R.J.H. Ultraviolet radiation damage in DNA. Sci Am 1996; 275:38-43.DERGHAM, Ana Paula, MURARO, Caren Cristiane, RAMOS, Elisângela Aparecida,MESQUITA, Lismary Aparecida de F., COLLAÇO, Luiz Martins. Distribuição dosdiagnósticos de lesões pré-neoplásicas e neoplásicas de pele no Hospital UniversitárioEvangélico de Curitiba. Anais Brasileiro de Dermatologia. V.79 n.05 Rio de Janeirosetembro/outubro 2004.FERRAZ, M. B. Qualidade de vida: Conceito e um breve histórico. Joven Médico. 1998.p.219-20.FORONES, Nora Manoikian, GARCIA, Reynaldo Jesus, TADOKORO, Hakaru, FREIRE,Carlos Alberto Reis. Guia de medicina ambulatorial e hospitalar de oncologia. Barueri,SP: Manole, 2005, p.191-193.
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