Prevalência de disfonia e refluxo gastroesofágico

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Prevalência de disfonia e refluxo gastroesofágico

  1. 1. ________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________966 NUTRIR GERAIS, Ipatinga, v. 6 n. 11, p. 966-982, ago./dez. 2012. PREVALÊNCIA DE DISFONIA E REFLUXO GASTROESOFÁGICO EM PROFESSORES DE UMA ESCOLA PÚBLICA DO LESTE DE MINAS GERAIS PREVALENCE OF GASTROESOPHAGEAL REFLUX AND DYSPHONIA IN TEACHERS OF A PUBLIC SCHOOL IN THE EAST OF MINAS GERAIS FERDINANDO TEODORO SOARES Graduando em Nutrição pelo Centro Universitário do Leste de Minas Gerais – Unileste E-mail: ferdts@ymail.com LAÍS BARBOSA AMENO Graduanda em Nutrição pelo Centro Universitário do Leste de Minas Gerais – Unileste E-mail: laisbarbosameno@gmail.com MILYANE NICOLINI JORGE Docente do Curso de Nutrição do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais – Unileste E-mail: mnjorge@yahoo.com.br FELIPE CHAVES INÁCIO Docente do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais – Unileste E-mail: fecin2001@gmail.com NILMA MARIA VARGAS LESSA Docente do Curso de Nutrição do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais – Unileste E-mail: nilmanut@yahoo.com.br
  2. 2. ________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________967 NUTRIR GERAIS, Ipatinga, v. 6 n. 11, p. 966-982, ago./dez. 2012. RESUMO A disfonia acomete profissionais que utilizam a voz como instrumento de trabalho, estando entre eles, os professores. Fatores nutricionais, como uma alimentação desbalanceada pode agravá-la. Os principais sintomas da disfonia são pirose e regurgitação que conciliados às dificuldades vocais constituem a Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE). O objetivo deste estudo foi verificar a prevalência de disfonia e refluxo gastroesofágico em docentes de uma instituição pública de ensino, correlacionando-os com fatores nutricionais. A amostra abrangeu 30 professores entre 23-63 anos e, para coleta de dados, foi utilizado um questionário adaptado de Fornari et al. (2004). A Classificação da DRGE baseou-se nos dados da Sociedade Médica Brasileira. Utilizou-se a estatística descritiva para a análise dos dados. A prevalência de disfonia foi de 30%, sendo que a alimentação, com ingestão de fast foods, refrigerantes e salgados fritos, apresentou prevalência considerável nos professores. O hábito de ingerir bebidas alcoólicas e deitar após as grandes refeições foram fatores que contribuíram para o diagnóstico da DRGE, mesmo quando a alimentação era saudável. Conclui-se que, a prevalência da DRGE foi considerável nesse grupo de professores e que a alimentação com fast foods, a ingestão de álcool e o hábito de deitar após as refeições foram fatores contribuintes para o aumento dessa prevalência. Palavras-chave: disfonia, refluxo gastroesofágico, professores. ABSTRACT Dysphonia affects professionals who use the voice for their work, and among them, the teachers. Nutritional factors such as an unbalanced nutrition, can exacerbate it. The main symptoms are heartburn and regurgitation of dysphonia that reconciled vocal difficulties constitute the gastroesophageal reflux disease (DRGE). The objective this study was to ascertain the prevalence of gastroesophageal reflux and dysphonia in teachers of a public institution of higher education, correlating them with nutritional factors. The sample covered 30 teachers between 23-63 years. Was used for collecting, a questionnaire adapted from Fornari (2004). The classification of DRGE based on data of the Brazilian Medical Society. We used the descriptive statistics for data analysis. The prevalence of dysphonia found was 30%, with food, with intake of fast foods, soft drinks and fried salted, presented considerable prevalence in teachers. The habit of ingesting alcohol and go to after the great meals were factors that contributed to the diagnosis of DRGE, even when food was healthy. It concluded that the prevalence of DRGE was considerable in this group of teachers and that feed with fast food, alcohol intake and the habit of lying down after meals were contributing factors to the increase prevalence. Key words: dysphonia, gastroesophageal reflux, teachers.
  3. 3. ________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________968 NUTRIR GERAIS, Ipatinga, v. 6 n. 11, p. 966-982, ago./dez. 2012. INTRODUÇÃO A disfonia é um fator relacionado a toda dificuldade de emissão vocal, impedindo a produção da voz natural. Um dos principais fatores causadores é a esofagite de refluxo. A mesma ocorre frequentemente pela regurgitação, ou seja, a passagem do conteúdo refluído gástrico para a faringe oral ocasionando sintomas e lesões teciduais compostas pelas erosões no epitélio escamoso, além de ulcerações, estenoses e metaplasia colunar. Além disso, o material refluído pode atingir áreas do trato digestivo e respiratório, ocasionando sintomas extraesofágicos (ACCIOLY; SAUDERS; LACERDA, 2009; ASSOCIAÇÃO MÉDICA BRASILEIRA, 2006). O fumo e o álcool também são fatores importantes e muito agravantes quando se relacionam à disfonia, inclusive aquela que é causada por pólipo (VIEIRA et al., 2007). Segundo a Diretriz da Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina (2006), tanto o refluxo quanto o fumo e álcool levam, se não forem tratadas a tempo, ao desenvolvimento da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE), processo multifatorial que envolve a disfunção dos mecanismos que normalmente previnem o refluxo excessivo. A disfonia recebe um grande enfoque ocupacional quando relacionada a seu uso profissional, abrangendo, entre outros, os professores (VIEIRA et al., 2007). A voz é considerada como o instrumento fundamental para esses profissionais, pois com ela os mesmos conseguem convencer e influenciar o seu público, porém, é observado que fatores como o tipo de público (alunos imaturos, pessoas com deficiência auditiva, etc), a idade dos alunos, os ruídos presentes nas salas de aulas ou até a ingestão de água gelada durante o esforço vocal podem agravar a disfonia. Frequentemente, professores reclamam três vezes mais estas queixas que outros profissionais (FUESS; LORENZ, 2003). As causas para o surgimento da disfonia são diversas: refluxo esofágico, esforço exagerado, desvios na qualidade vocal, baixa resistência, alergia a giz ou produtos químicos, alimentação desbalanceada, tabagismo e bebidas alcoólicas (VIEIRA et al., 2007). Já os sintomas abrangem a rouquidão crônica ou intermitente, desconforto na garganta, pigarro e/ou tosse crônica e disfagia cervical (CAPELLA et al., 2009). Além da dor e cansaço ao falar, falhas e
  4. 4. ________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________969 NUTRIR GERAIS, Ipatinga, v. 6 n. 11, p. 966-982, ago./dez. 2012. dificuldades em falar com maior intensidade levam ao quadro significativo de queixas, licenças médicas e afastamentos, gerando-se prejuízos não apenas para o docente, mas também para a comunidade escolar e toda a sociedade (PENTEADO, 2007). Sabe-se que alguns problemas nutricionais podem agravar a disfonia e, um deles é a alimentação desbalanceada. Este fator se torna ainda mais preocupante naquelas pessoas que deixam a preocupação com a imagem corporal atrapalhar sua alimentação. Outras pessoas apresentam o hábito de ingerir alimentos muito calóricos, agravando-se dessa forma, os fatores de risco para o desenvolvimento de transtornos alimentares (OLIVEIRA; STRACIERI, 2008). Há muitos que não apresentam fome consistente durante a refeição, seja por ansiedade ou falta de tempo disponível, outros comem muito rápido (DRENT; PINTO, 2007). Portanto, com o presente estudo, pretendeu-se verificar a prevalência de disfonia e refluxo gastroesofágico em docentes do ensino médio de uma escola da rede pública de ensino do leste de Minas Gerais e correlacioná-la a fatores nutricionais. MATERIAIS E MÉTODOS Trata-se de uma pesquisa descritiva, com abordagem quantitativa e delineamento transversal. A amostra foi composta por 32 professores de uma escola pública de ensino médio, de um município do leste de Minas Gerais, de ambos os sexos e idade entre 23 e 63 anos. A coleta de dados foi realizada pelos autores, no mês de março de 2012, na própria instituição, durante o intervalo dos professores. Utilizou-se, para a coleta, um questionário elaborado por Fornari et al. (2004), com adaptações para a realidade do público pesquisado. O questionário contém 37 questões individuais, abertas e de múltiplas escolhas, com explicações entre parênteses de termos incomuns para os docentes que não fossem da área biológica. A divisão do mesmo abrangeu três partes distintas: identificação, alimentação e presença de
  5. 5. ________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________970 NUTRIR GERAIS, Ipatinga, v. 6 n. 11, p. 966-982, ago./dez. 2012. sintomas da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE), definidos pela Associação Médica Brasileira (2006). Para a realização do estudo, foi esclarecido aos participantes o objetivo do projeto e, somente após a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), os mesmos preencheram o questionário proposto. A identidade dos professores foi preservada. A pesquisa iniciou-se somente após a assinatura da Carta de Autorização pelo diretor da escola. Foram incluídos na pesquisa os professores que assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e que estavam na escola no mês da pesquisa nos turnos: manhã, tarde e noite. Considerou-se como critério de exclusão a recusa em participar da pesquisa, não assinatura do Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE) e/ou o não preenchimento do questionário. Utilizou-se a estatística descritiva para a análise dos dados coletados. Os resultados foram apresentados na forma de tabelas e gráficos. RESULTADOS E DISCUSSÃO A amostra abrangeu 30 professores do ensino médio de uma escola pública do leste de Minas Gerais, sendo 21 do gênero feminino e 9 do gênero masculino. Excluiu-se 2 professores por não aceitarem participar da pesquisa. A média de idade, tempo de profissão e carga horária diária estão na Tabela 1. Segundo Vieira et al. (2007), as alterações vocais entre docentes ocorrem, em média, após 10-20 anos de trabalho, porém fatores associados à mudança de ambiente, tempo de horas/aulas ministradas, a disciplina e o público podem predispor para que a disfonia se agrave em menor tempo. O não conhecimento dos sintomas e sinais vocais também é um fator preocupante, que pode sugerir subestimação de desordem vocal por parte dos docentes. A grande maioria não recebe, durante a formação ou carreira profissional, nenhuma informação
  6. 6. ________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________971 NUTRIR GERAIS, Ipatinga, v. 6 n. 11, p. 966-982, ago./dez. 2012. sobre o cuidado vocal e/ou dos fatores prejudiciais que causam a disfonia (PENTEADO, 2007; VIEIRA et al., 2007). Tabela 1 - Caracterização dos professores de uma escola pública de um município do leste de Minas Gerais, quanto à idade, tempo de profissão e carga horária diária No presente estudo, constatou-se que, a prevalência de disfonia nos docentes da instituição de ensino foi de 30%. Oliveira et al. (2005) afirmaram, em seu estudo que, em países ocidentais, a prevalência dos sintomas que levam à disfonia varia de 31,6% a 38%, enquanto que no Brasil, em 2001, foi de 48,2%. Segundo Oliveira et al., (2005), indivíduos que relatavam menor frequência na ingestão de bebidas alcoólicas apresentaram menor prevalência aos fatores a doença do refluxo gastroesofágico. Deve-se observar que, neste estudo, quase a metade dos participantes faziam uso de bebidas alcoólicas (Tabela 2). O tabagismo está profundamente envolvido em câncer, como o de boca, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e destruição do esmalte dentário. Esse fator é relevante, pois está associado à disfonia, além de estimular a secreção de ácido gástrico, principalmente Características Professores x DP Idade (anos) 43 23-63 Tempo de profissão (anos) Carga horária diária (horas) 16 5 1,5-38 2-12 Fonte: dados da pesquisa
  7. 7. ________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________972 NUTRIR GERAIS, Ipatinga, v. 6 n. 11, p. 966-982, ago./dez. 2012. pela nicotina, levando ao refluxo gastroesofágico. Pode ocorrer também uma má higiene vocal e, consequentemente, isolamento do convívio social e/ou baixa autoestima (ALVES; ARAÚJO; NETO, 2010; VIEIRA et al., 2007; BRASIL, 2005). No presente estudo, observou-se um pequeno percentual de tabagismo (3,3%) (Tabela 2). Tabela 2 - Fatores relacionados à saúde dos professores de uma escola pública de um município do leste de Minas Gerais, incluindo prevalência de doença, tabagismo e ingestão de bebidas alcoólicas Características Professores Prevalência de doença N % Sim 5 16,7 Não 25 83,3 Fumante Sim 1 3,3 Não 29 96,7 Ingestão de bebidas alcoólicas Sim 14 46,7 Não 16 53,3 Fonte: dados da pesquisa
  8. 8. ________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________973 NUTRIR GERAIS, Ipatinga, v. 6 n. 11, p. 966-982, ago./dez. 2012. Pôde-se observar, na Tabela 3, que a maioria dos professores fazem mais de 3 refeições/dia. Isso é positivo, pois no estudo de Vinholes; Assunção; Neutzling, (2009), os autores afirmaram, baseados no guia da alimentação brasileira, que o ideal para adultos seria, em média, três refeições e um lanche, sem pular algumas destas, apreciando e comendo devagar, longe da televisão (MINAS GERAIS, 2006). Uma alimentação saudável deve ser baseada em práticas alimentares que possuam significado cultural e social, pois os alimentos têm cor, gosto, aroma, forma e textura, sendo considerados como uma fonte de prazer e identidade familiar, portanto, jamais pode ser desprezada (BRASIL, 2005). Uma proposta de alimentação saudável é que, os alimentos estejam ao alcance de todos, preenchendo os requisitos nutricionais. Um exemplo é o consumo elevado de frutas, legumes e verduras (SICHIERI et al., 2000), prática afirmada por 15 (50%) dos professores entrevistados. Dentre eles, 26 (86,7%) relataram consumir fast foods, salgados fritos e/ou refrigerantes 1-2 vezes por semana, principalmente nos finais de semana, enquanto 4 (13,3%) alegam não consumir (Tabela 3). A recomendação da Sociedade Brasileira de Hipertensão (2010), é que se reduza a frequência de ingestão desses alimentos, pois além de elevar a Pressão Arterial (PA), estão associados com a incidência de doenças cardiovasculares (VINHOLES; ASSUNÇÃO; NEUTZLING, 2009; SOCIEDADE BRASILEIRA DE HIPERTENSÃO, 2010).
  9. 9. ________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________974 NUTRIR GERAIS, Ipatinga, v. 6 n. 11, p. 966-982, ago./dez. 2012. Tabela 3 - Consumo alimentar dos professores de uma escola pública de um município do leste de Minas Gerais, caracterizando o número de refeições diárias, tempo gasto para as refeições, local, hábitos e tipos de alimentação Características Professores Número de refeições diárias N % 1-2 3 10,0 3-4 19 63,4 5-6 8 26,6 Tempo gasto para cada refeição (minutos) 10-20 18 60,0 30-40 11 36,7 50 1 3,3 Local para refeição Casa 22 73,4 Restaurante 1 3,3 Trabalho 7 23,3 Refeições realizadas em frente a TV ou computador Sim 13 44,8 Não 17 55,2 Hábito de deitar após as refeições Sim Não Ingestão de fast foods, salgados fritos e/ou refrigerantes Raramente (1-2 vezes/semana) Não Hábito de ingerir frutas, legumes e verduras diariamente Sim Não 11 19 26 4 15 15 36,7 63,3 86,7 13,3 50 50 Fonte: dados da pesquisa
  10. 10. ________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________975 NUTRIR GERAIS, Ipatinga, v. 6 n. 11, p. 966-982, ago./dez. 2012. Quanto aos sintomas apresentados pelos entrevistados, 18 (60%) relataram sentir queimação/azia diariamente, clinicamente definida por pirose. Esse é o sintoma mais referido por pacientes acometidos pela Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) (ASSOCIAÇÃO MÉDICA BRASILEIRA, 2006) seguido por regurgitação, apresentado por 10 (33,3%) dos professores (Figura 1). Segundo a Diretriz da Associação Médica (2006), os dois sintomas referidos anteriormente, conciliados com qualquer dificuldade vocal, são considerados como disfonia e refluxo gastroesofágico. As dificuldades vocais desse estudo se apresentam na Figura 2. Figura 1 – Números de professores de uma escola pública de um município do leste de Minas Gerais que apresentaram sintomas associados à doença do refluxo gastroesofágico. Fonte: Dados da pesquisa Figura 2 - Números de professores de uma escola pública de um município do leste de Minas Gerais que apresentaram dificuldades vocais associados à doença do refluxo gastroesofágico. Fonte: Dados da pesquisa
  11. 11. ________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________976 NUTRIR GERAIS, Ipatinga, v. 6 n. 11, p. 966-982, ago./dez. 2012. Com relação à tosse seca, sintoma relatado por 5 (16,7%) dos entrevistados (Figura 1), há associação com a doença do refluxo gastroesofágico, até mesmo em pessoas que apresentaram história de tabagismo ausente e radiografia de tórax normal (GURSKI et al., 2006). Também a associação de tosse seca e a disfonia causada por refluxo tem sido sustentada, tendo por hipótese a ser considerada, a relação entre abuso vocal secundário e a exposição ácida na laringe, ocasionada também pela má alimentação (CAPELLA et al., 2009). A erosão dentária, relatada por 1 (3,3%) dos entrevistados (Figura 1), pode ter como fonte extrínseca, hábitos alimentares e estilo de vida e intrínseca, provocadas por doenças sistêmicas. Em ambos, as manifestações clínicas decorrem da exposição prolongada da mucosa esofágica ao ácido clorídrico, consequência da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) (BRANCO et al., 2008; BRETAN; TAGLIARINI, 2001). As bebidas ácidas ou carbonadas, café, cerveja, coca-cola, pastilhas e alguns medicamentos apresentam um potencial erosivo, dependente do pH, frequência, intensidade e maneira de ingestão, associados a perda dentária. É interessante ressaltar que, a erosão dental em dentes posteriores, constitui, pelo fato da frequência e intensidade do refluxo, um importante achado para a DRGE (BRANCO et al., 2008). Outros sintomas como bronquite (10%) e apneia do sono (30%) também foram relatados, conforme a Figura 3. Dentre as manifestações de sobressalto para a DRGE, inclui a odinofagia, bronquite, apneia do sono e dor torácica, além de história familiar de câncer, náuseas e vômitos (ASSOCIAÇÃO MÉDICA BRASILEIRA, 2006). Os entrevistados que possuíam esses sintomas (Figura 3), porém sem pirose, regurgitação e problemas agravantes de saúde, devem estar em alerta quanto à doença, pois estão propensos a terem a mesma.
  12. 12. ________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________977 NUTRIR GERAIS, Ipatinga, v. 6 n. 11, p. 966-982, ago./dez. 2012. Figura 3 - Números de professores de uma escola pública de um município do leste de Minas Gerais que apresentaram sintomas alarmantes associados à doença do refluxo gastroesofágico. Fonte: Dados da pesquisa Ao correlacionar os dados dos professores com a prevalência da disfonia ocasionada pela Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE), levou-se em consideração a diretriz da Sociedade Médica Brasileira (2006), que possui como critério de determinação, a apresentação dos principais sintomas (pirose e regurgitação) adicionados a qualquer dificuldade vocal (dificuldade em elevar a voz, necessidade de raspar/limpar a garganta frequentemente e voz pior no final do dia). Dentre os 30 professores entrevistados, 26 (86,6%) deles ingeriam fast foods, refrigerantes e/ou salgados fritos e, destes, 23,3% apresentavam a prevalência da DRGE, pois possuíam 2 sintomas e 1 dificuldade vocal. Entre os 4 (13,4%) que não ingeriam, a prevalência foi igual a 6,6% (Tabela 4). Dos 18 (60%) professores que afirmaram ter o tempo de refeição entre 10-20 minutos, 10% se enquadram como portadores da disfonia proveniente da DRGE, segundo os critérios da Sociedade Médica Brasileira (2006) enquanto que, dos 12 (40%) que relataram ter um tempo de refeição superior a esse tempo, a prevalência abrangeu 20% (Tabela 4). Uma explicação cabível para estes últimos baseia-se no fato de que, 66,6% destes possuíam o hábito de deitar após as grandes refeições, como o almoço, além da conciliação com a ingestão frequente de bebidas alcoólicas (50%).
  13. 13. ________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________978 NUTRIR GERAIS, Ipatinga, v. 6 n. 11, p. 966-982, ago./dez. 2012. Dos 15 (50%) docentes que possuíam uma dieta equilibrada, incluindo consumo de frutas, legumes e verduras diariamente, apenas 6,6% se enquadram como portadores da disfonia proveniente da DRGE, enquanto 23,3% dos 15 (50%) que afirmaram não ter esse hábito, podem se encaixar neste diagnostico (Tabela 4). Isso corrobora com os dados do estudo de Oliveira e Stracieri (2008), onde os autores afirmam que o comportamento e hábito alimentar interferem diretamente no estado nutricional e saúde dos indivíduos, além do fato de que hábitos alimentares inadequados podem ser prejudiciais à voz (ALVES; ARAÚJO; NETO, 2010). É importante ressaltar que, uma das possíveis causas dos 2 (6,6%) professores que afirmaram ter o hábito de ingerir frutas, legumes e verduras diariamente, porém apresentaram a DRGE, pode ser a ingestão de bebidas alcoólicas. Essa ingestão não é recomendada, por motivos nutricionais e sociais (BRASIL, 2005). Um estudo realizado por Oliveira et al. (2005), apresentou que, os indivíduos que relatavam menor frequência na ingestão de bebidas alcoólicas apresentaram menor prevalência aos fatores a doença do refluxo gastroesofágico. Tabela 4 - Números e percentual das características alimentares dos professores de uma escola pública de um município do leste de Minas Gerais associados à doença do refluxo gastroesofágico. n % Prevalência da DRGE (%) Ingestão de fast foods, refrigerantes e/ou salgados fritos Sim 26 86,6 Não 4 13,4 23,3 6,6 Tempo de refeição até 20 minutos Sim 18 60 Não 12 40 10,0 20,0 Consumo de frutas, legumes e verduras diariamente Sim 15 50 Não 15 50 6,6 23,3 Fonte: dados da pesquisa
  14. 14. ________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________979 NUTRIR GERAIS, Ipatinga, v. 6 n. 11, p. 966-982, ago./dez. 2012. CONCLUSÃO Conclui-se que a prevalência de disfonia encontrada nos docentes entrevistados foi baixa (30%), correspondendo a, aproximadamente, 1/3 do grupo avaliado. Os fatores de risco, como o tempo de docência, o número de horas/aulas ministradas, o local e o tempo gasto para as refeições, apresentados pela população estudada, assemelham-se com os estudos já realizados sobre o tema. A alimentação, fator nutricional fundamental para a prevenção de diversas patologias, entre elas a DRGE, interferiu diretamente nos resultados obtidos. A ingestão de fast foods, refrigerantes e salgados fritos frequentemente se mostrou prejudicial, com uma prevalência considerável de professores que realizavam o consumo desses alimentos. Quanto aos professores que afirmaram ter tempo para refeição superior a 20 minutos e apresentaram a DRGE, a provável explicação baseia-se no fato dos mesmos possuírem o hábito de deitar logo após as refeições, além da conciliação com a ingestão de bebidas alcoólicas. Observou-se que, alguns professores, mesmo afirmando ter uma alimentação balanceada, incluindo a ingestão de frutas, legumes e verduras diariamente, fatores positivos que, em conjunto, previnem a disfonia, apresentaram a DRGE. Isso pode ser devido ao consumo de bebidas alcoólicas e a ingestão de fast foods, refrigerantes e salgados fritos. Deve-se ressaltar que as medidas preventivas para esse grupo seriam salutares, devendo-se abranger a reeducação alimentar, bem como a conscientização dos docentes quanto à importância de uma boa alimentação na prevenção da DRGE e preservação de uma vida com qualidade. Além disso, deve-se reforçar que, com o surgimento da disfonia, há modificações prejudiciais na voz, instrumento de trabalho dos docentes. Isso seria possível através de palestras educativas, orientações pessoais, incentivos da instituição onde trabalham e desejo de viver bem, viver melhor.
  15. 15. ________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________980 NUTRIR GERAIS, Ipatinga, v. 6 n. 11, p. 966-982, ago./dez. 2012. REFERÊNCIAS ACCIOLY, E.; SAUNDERS, C.; LACERDA, E.M.A.; Nutrição em obstetrícia e pediatria. 2. ed. Rio de Janeiro: Cultura Médica, 2009. p. 135-150; 428. ALVES, L.P.; ARAÚJO, L.T.R.; NETO, J.A.X. Prevalência de queixas vocais e estudo de fatores associados em uma amostra de professores de ensino fundamental em Maceió, Alagoas, Brasil. São Paulo: Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, 2010. p. 168-175. Disponível em: < www.fundacentro.gov.br/rbso/BancoAnexos/RBSO%20121%20 Preval%C3%AAncia%20de%20queixas%20vocais.pdf>. Acesso em 22/09/2011. ASSOCIAÇÃO MÉDICA BRASILEIRA E CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Projeto Diretrizes. Refluxo gastroesofágico: diagnóstico e tratamento. Porto Alegre: Revista AMRIGS, 2006. Disponível em: < http://www.projetodiretrizes.org.br/projeto_diretrizes/ 084.pdf>. Acesso em 21/09/2011. BRANCO, C.A. et al.; Erosão dental: diagnóstico e opções de tratamento. 3. ed. São Paulo: Revista de Odontologia da UNESP, 2008. p. 235-242. Disponível em: < http://rou.hostcentral. com.br /PDF/v37n3a06.pdf>. Acesso em 20/09/2011. BRASIL. Guia Alimentar para a População Brasileira: promovendo a alimentação saudável. Brasília: Ministério da Saúde, 2005. Disponível em: < http://dtr2001.saude.gov.br/editora /produtos/livros/pdf/05_1109_M.pdf>. Acesso em 28/09/2011. BRETAN, O.; TAGLIARINI, J.V. Mecanismos das Manifestações Otorrinolaringológicas da Doença do Refluxo Gastroesofágico, 2001. Disponível em: <http://www.arquivosdeorl.org.br/ conteudo/acervo_port.asp?id=162>. Acesso em 29/09/2011. CAPELLA, N.M. et al.; Doença do refluxo gastroesofágico: sintomas otorrinolaringológicos e achados videoendoscópicos. Santa Cantarina: Arquivos Catarinenses de Medicina, 2009. Disponível em: <http://www.acm.org.br/revista/pdf/artigos/28.pdf>. Acesso em 22/09/2011.
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