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Perfuração intestinal por arma de fogo relato de caso

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Perfuração intestinal por arma de fogo relato de caso

  1. 1. 140 | PÓS EM REVISTA DO CENTRO UNIVERSITÁRIO NEWTON PAIVA 2012/2 - EDIÇÃO 6 - ISSN 2176 7785 PERFURAÇÃO INTESTINAL POR ARMA DE FOGO: relato de caso Tatiana Bedran1 Bruna Lívia Bento2 Camila Daiana2 Claudiomara Kelly Camargo2 Cibelle Martinez Carneiro Araújo2 Daniel Arthur Sales2 Glauciane Oliveira Magalhães Carvalho2 Jakeline Gomes Alves2 Kênia Fernanda Oliveira2 RESUMO: A violência tem crescido no país elevando os indicadores de morbidade e mortalidade por causas externas. O abdome representa o terceiro lugar da região corporal mais atingida por trauma e a lesão por projétil de arma de fogo é a causa mais comum lesando órgãos ou estruturas vitais. O objetivo desse trabalho foi descrever com base na literatura e no caso estudado, os cuidados de enfermagem ao paciente vítima de perfuração intestinal e suas complicações. Trata-se de um estudo de caso de paciente admitido em um hospital público da região metropolitana de Belo Horizonte vítima de perfuração por arma de fogo em abdome. Conclui-se que a perfuração intestinal por arma de fogo é um trauma comum, de difícil resolução e requer cuidados intensivos de enfermagem para evitar maiores complicações que podem levar o paciente a óbito. PALAVRAS-CHAVE: Perfuração abdominal. Laparotomia. Cuidados de Enfermagem. INTRODUÇÃO Observa-se, cada vez mais, o aumento do número de pes- soas, especialmente jovens, vítimas de violência, principalmente pelo uso de arma de fogo. “O crescimento exponencial da violên- cia no Brasil nas últimas décadas vem ocupando cada vez mais espaço nos meios de comunicação e fazendo parte do cotidiano da população brasileira” (SANCHES; DUARTE; PONTES, 2009). Essa violência se reflete no âmbito hospitalar, através das lesões por arma de fogo que constituem, entre as internações por causas externas, a maior taxa de mortalidade com aproxi- madamente 10 óbitos por 100 internações e com o custo 34% mais elevado em relação aos outros tipos de agressões devido às complicações que podem surgir (SOUZA, 2005). De acordo com Onofre, Torres e Aguilar (2006) o abdome representa o terceiro lugar da região corporal mais atingida por trauma, sendo que as lesões por projétil de arma de fogo são a causa mais comum de trauma penetrante e sua gravidade é de- terminada pela lesão de órgãos ou estruturas vitais do abdome. O sucesso no atendimento do trauma abdominal é caracte- rizado pela eficiência da abordagem inicial que permite instituir o diagnóstico precoce e o tratamento oportuno das lesões intra- -abdominais, quando presente (JUNIOR; LOVATO; CARVALHO; HORTA, 2007). Com o abdome traumatizado, podem ocorrer lesões nos di- versos órgãos e estruturas intra-abdominais, levando a ruptura de vísceras ocas, o que causa liberação de secreções digestivas como suco gástrico ou intestinal, bile, fezes e urina, podendo levar à peritonite (DRUMOND, 2010). O atendimento inicial aos pacientes com trauma abdominal é diretamente proporcional à gravidade do trauma, sendo que as avaliações laboratoriais e radiológicas dependem das condi- ções e necessidades de cada doente e, muitas vezes, a laparo- tomia exploradora se impõe de imediato (RIBAS-FILHO, 2008). Os ferimentos por arma de fogo podem resultar em vítimas com lesões irreversíveis, inaptas ao trabalho ou que necessitem de cuidados com a saúde por meio de internação hospitalar, uso de medicações, reabilitação física e mental (SANCHES; DU- ARTE; PONTES, 2009). Considerando que este tipo de trauma é a segunda causa de morte no país, muitas vezes evitáveis quando o indivíduo re- cebe atendimento adequado, nota-se a necessidade de mais estudos relativos ao tema para subsidiar a assistência da equi- pe de enfermagem para prestar um atendimento de qualidade capaz de reduzir o risco de complicações e atingir o restabele- cimento de suas funções vitais de forma que proporcione uma maior qualidade de vida, uma vez que a incidência desse tipo de trauma tem aumentado em nosso meio. Diante do exposto e da importância de uma adequada assis-
  2. 2. PÓS EM REVISTA DO CENTRO UNIVERSITÁRIO NEWTON PAIVA 2012/2 - EDIÇÃO 6 - ISSN 2176 7785 l 141 tência de enfermagem ao paciente com complicações decorren- tes da perfuração intestinal, julgou-se oportuna à realização do presente trabalho que teve como objetivo descrever, com base na literatura e no caso estudado, os cuidados de enfermagem ao paciente vítima de perfuração intestinal e suas complicações. 2 METODOLOGIA Trata-se de estudo de caso de um paciente admitido em um hospital público da Região Metropolitana de Belo Horizonte, vítima de Perfuração por Arma de Fogo (PAF) em abdome. Após realização de anamnese e exame físico do paciente em ques- tão, realizou-se a consulta no prontuário médico para coleta de dados significativos sobre a evolução de seu quadro de saúde. No período de março a abril de 2011 foi realizada a pesquisa bibliográfica, com recorte temporal no período de 06 anos, de 2005 a 2011. Como fonte de consulta utilizou-se periódicos nacionais e internacionais indexados nas bases de dados MEDLINE, SCIE- LO E LILACS. Foram selecionados artigos em língua portuguesa e espanhola, por serem as línguas de domínio dos estudantes. Após a consulta aos bancos de dados, os artigos foram lidos e analisados, considerando-se principalmente os que abordavam a perfuração abdominal por projétil de arma de fogo e suas com- plicações, intervenções realizadas e o cuidado de enfermagem ao paciente com abdome aberto. Dos 30 artigos analisados, 11 foram excluídos - 07 por serem de data anterior a 2005 e 4 por se tratar de estudo de caso diferente do tema abordado. Foi necessário também a consulta a livros das áreas médica e de enfermagem, da Biblioteca da Faculdade Newton Paiva, Cam- pus Silva Lobo para definição de conceitos. 3 CASO CLÍNICO Trata-se de J.L.S., 28 anos, sexo masculino, faiodermo, sol- teiro residente em Contagem – MG, admitido em um hospital municipal da região metropolitana de Belo Horizonte vítima de Perfuração por Arma de Fogo (PAF). História da Moléstia Atual: Paciente apresentou lesões em mão esquerda, ombro e região para lombar direitos (nível de L5 ao RX). História Familiar: Nega qualquer tipo de doenças hereditárias e / ou crônicas na família. História Pregressa: Nega ser portador de Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus. Moradia: Reside em uma casa (barraco) nos fundos da casa da tia. Em 20/01/2011, o paciente foi submetido à laparotomia ex- ploradora de emergência onde encontrou-se lesões de delgado e sigmóide que foram rafiadas e lesões de ureter D que levaram à ureterectomia e anastomose após passar cateter duplo J. Foi transferido para a clínica cirúrgica onde evoluiu com febre e leu- cocitose. Realizou-se exame de Tomografia Computadorizada do abdome que não apresentou alterações importantes, iniciou- -se tratamento com oxacilina, gentamicina e metronidazol. Seu quadro evoluiu para inapetência, dor abdominal e secreção fe- calóide no dreno. Foi realizada nova laparotomia com visualiza- ção de três fístulas, realizado ileostomia, anastomose do jejuno proximal com inserção de novo dreno, fechamento primário de sigmóide e confecção de bolsa de bogotá. Em seguida foi admi- tido no CTI onde permaneceu por 11 dias. Outras duas revisões se fizeram necessárias para direcio- namento de fístula, lavagem da cavidade abdominal devido se- creção de aspecto bilioso. Sua dieta iniciou-se por jejunostomia na admissão no CTI. Em 31/01, foi prescrito NPT. Coletou-se he- mocultura dia 11/02 cujo resultado em 21/02 detectou presença da bactéria multirresistente Klebsiella pneumoniae, o quadro foi atribuído à peritonite / sepse abdominal por esse microrganismo e iniciado tratamento antimicrobiano, instituiu-se a partir de en- tão, medidas de precaução por contato. EXAME FÍSICO: 28/03/2011 Neurológico: Paciente consciente, bem orientado no tem- po e espaço. Estado geral: Ictérico, acianótico, hipocorado (+3/+4), desidratado, temperatura axilar 38,5°, pupilas isocó- ricas e fotorreativas. Habito alimentar: Dieta administrada por jejunostomia. Higienização corporal e bucal adequada realizada no leito pela equipe de enfermagem. Aparelho Respiratório: Ex- pansividade torácica simétrica, frequência respiratória (FR): 21 incursões respiratórias por minuto (irpm), ausência de ruídos ad- ventícios. Aparelho cardiovascular: taquicárdico (103 batimentos por minuto), hipertenso (PA: 160 x 110 mmHg), Bulhas cardíacas normo rítmicas e normo foneticas (BNRNF), ausência de sopros. Abdome: não foi realizado o exame físico do abdome devido às condições do paciente: ferida operatória (laparotomia), dreno tubular em região epigástrica. Habito urinário preservado. Habito intestinal: utilização de bolsa de colostomia. Membros: acesso venoso periférico em membro superior esquerdo. Extremidades hipotérmicas e perfusão capilar normal (3 segundos). 4 RESULTADOS E DISCUSSÕES O paciente acompanhado apresentou lesões por projétil de arma de fogo, que é o tipo mais comum de trauma penetrante de abdômen (ONOFRE; TORRES; AGUILAR, 2006). Segundo Ri- bas-Filho, et al (2008), as vísceras mais atingidas nesses casos são intestino delgado, seguido de cólon, fígado e rins. “Os ferimentos abdominais por arma de fogo comportam uma taxa de lesão interna de até 97% [...] deste modo, a lapa-
  3. 3. 142 | PÓS EM REVISTA DO CENTRO UNIVERSITÁRIO NEWTON PAIVA 2012/2 - EDIÇÃO 6 - ISSN 2176 7785 rotomia exploradora é mandatória neste tipo de trauma, para o controle de sangramentos e contaminação intestinal.” (JUNIOR; LOVATO; CARVALHO; HORTA, 2007). Esta cirurgia consiste na abertura do abdome, tendo como finalidade sua exploração exame e/ou tratamento. O procedi- mento consiste na realização de uma incisão mediana xifopu- biana que permite o acesso à cavidade peritonial. Após esse acesso, faz-se a evisceração do intestino para avaliação e repa- ração de danos (JÚNIOR; LOVATO; CARVALHO; HORTA, 2007). Segundo Junior, Lovato, Carvalho e Horta (2007) a lapa- rotomia é indicada também nas seguintes situações durante a evolução de pacientes com ferimentos penetrantes: instabilida- de hemodinâmica, sinais evidentes de irritação peritoneal, lesão de víscera oca, sangramento evidente e hipotensão recorrente apesar da reposição de fluidos. Alguns indivíduos podem evoluir para sepse abdominal de- pendendo de fatores como: condições gerais, conteúdo intesti- nal no momento da lesão, tempo decorrido entre o ferimento e o tratamento recebido, choque ou instabilidade hemodinâmica, grau de contaminação peritoneal, lesão do cólon e de múltiplos órgãos (JUNIOR, 2002). O termo “sepse ou septicemia designa a presença de orga- nismos e de lipolissacarídeo bacteriano – LPS (endotoxinas) no sangue e associa-se mais frequentemente a infecção por bacté- rias gram-negativas” (PORTH; KUNERT, 2004, p. 548). Quando uma infecção bacteriana grave leva a essa condi- ção, os níveis de citocinas circulantes aumentam e a forma do hospedeiro responder é alterada, uma vez que o LPS estimula diretamente a liberação de diversas citocinas, tais como inter- leucina 1 (IL-1) e fator de necrose tumoral (TNF) além de ativar diretamente os macrófagos (ABBAS; LICHTMAN; PILLAI, 2008). As alterações sistêmicas observadas nesses pacientes, al- gumas vezes denominadas Síndrome de Resposta Inflamatória Sistêmica - SIRS são reações a essas citocinas: neutrofilia, febre e elevação nos reagentes de fase aguda no plasma que pode resultar em coagulação intravascular disseminada (ABBAS; LI- CHTMAN; PILLAI, 2008). O microrganismo identificado no paciente em estudo, iso- lado na cultura coletada em 11/02/2011 – Klebsiella pneumo- niae – é um bastonete gram-negativo anaeróbico facultativo da família enterobacteriaceae (entérica) que faz parte da microbiota endógena do cólon intestinal (TORTORA; CASE, 2000). Numerosos fatores de virulência têm sido descritos na Kleb- siella sendo o principal a cápsula extracelular que cobre a super- fície da bactéria protegendo-a da fagocitose. Além da cápsula, há por volta de 5 antígenos somáticos e adesinas - como as fimbrias - que mediam a ligação do microorganismo nas células da mucosa do trato intestinal (TRABULSI; ALTERTHUM, 2005). A infecção causada por essa bactéria multirresistente está associada com significante morbimortalidade. Devido à resistên- cia a numerosos agentes antimicrobianos, o tratamento pode ser desafiador, pois há uma limitada opção de tratamento dispo- nível. Os carbapenêmicos (Imipenem e Meropenem) geralmente se mostram seguros e eficazes (TRABULSI; ALTERTHUM, 2005). O tratamento para sepse abdominal é prioritariamente cirúr- gico e visa controlar a fonte de infecção, remover e drenar seus produtos, aliado a antibioticoterapia e suporte ventilatório que promovem um estado hemodinâmico adequado (INAGUAZO; ASTUDILLLO, 2002). Neste caso, como abordagem cirúrgica foi realizada em J.L.S. peritoneostomia com confecção de Bolsa de Bogotá para tratamento da infecção intra-abdominal. A Bolsa de Bogotá é uma técnica utilizada para cobrir tem- porariamente a cavidade abdominal com o objetivo de promo- ver o seu fechamento mais precocemente. De acordo com Dru- mond (2010) a utilização desde dispositivo é indicado devido ao baixo custo, proteção adequada da cavidade abdominal e por permitir a visualização de acúmulo de sangue e secreção na cavidade, além de evitar o aumento da pressão intra-abdominal causado pelo edema das alças intestinais. Sua confecção consiste no posicionamento de um grande plástico sobre a parede abdominal aberta sem fixação. Sobre este plástico, é colocado um dreno para aspiração contínua, e em seguida outro plástico deve ser suturado à pele utilizando fio de nylon, garantido que a bolsa fique presa sobre o abdômen (DRUMOND, 2010). Algumas complicações decorrentes da utilização deste mé- todo são: evisceração, dificuldade de mobilização do paciente, surgimento de fístulas devido à aderência das vísceras ao peri- tônio e a retração da fáscia se as bordas da parede abdominal não se aproximarem após um período de sete a dez dias (DRU- MOND, 2010). Com a ocorrência de sepse, ocorre aumento da proteólise muscular esquelética, mobilização de aminoácidos da periferia para as vísceras para gliconeogênese, além do aumento de ca- tabolismo em 3 a 5 vezes. Por isso, é necessário a implantação de uma terapia nutricional efetiva para preservar ou recuperar o estado nutricional e as reservas corporais do paciente além de diminuir o hipercatabolismo evitando, assim, um quadro de des- nutrição que leva ao agravamento do estado geral do paciente (MARTINS; CARDOSO, 2000). O manejo nutricional desses pacientes é complexo e, ao estimar as suas necessidades deve ser levado em considera- ção fatores diversos como resposta ao estresse, processo de
  4. 4. PÓS EM REVISTA DO CENTRO UNIVERSITÁRIO NEWTON PAIVA 2012/2 - EDIÇÃO 6 - ISSN 2176 7785 l 143 cicatrização e infecções associadas (VELAZQUEZ; et al, 2007). Quando o trato intestinal não pode ser utilizado de maneira segura e efetiva, é indicado a nutrição parenteral (NP) que é o fornecimento de nutrientes por via endovenosa. Essa via deve ser utilizada em pacientes com sepse devido ao alto catabolis- mo e, assim, tentar melhorar as condições nutricionais e imuno- lógicas do paciente. Concomitantemente pode-se iniciar dieta enteral (se o paciente não apresenta íleo paralítico) pela sonda de jejunostomia, reduzindo-se assim a chance de translocação bacteriana. Após a adequação da dieta enteral em relação as necessidades energéticas e proteicas do paciente retira-se a NP (WAITZBERG, 2009). A via enteral apresenta algumas limitações como distúrbios de motilidade intestinal devido ao edema, diminuição da absor- ção pela isquemia das vísceras e alteração no transporte intra- celular. Apesar de todos esses fatores limitantes, deve-se tentar priorizar esta opção devido aos benefícios principalmente no pa- pel à ressposta inflamatória sistêmica (VELAZQUEZ; et al 2007). Segundo Inaguazo e Astudillo (2009) existem duas estra- tégias atualmente disponíveis para o tratamento das infecções intra-abdominais: a utilização do abdome aberto (bolsa de bo- gotá) ou a lavagem diária da cavidade peritoneal até a esteriliza- ção da mesma aliado à antibioticoterapia que utiliza esquemas de amplo espectro visando gram-positivos, gram-negativos e anaeróbios (NETO, et al. 2007). Foram utilizados no paciente diversos esquemas de antimi- crobianos variando de acordo com a persintência ou reicidiva de infecção, foi administrado metronidazol da classe dos imidazóis sendo um anaerobicida de primeira escolha que altera a perme- abilidade celular das bactérias, mostrando muita eficácia por via oral, ampicilina uma penicilina semi-sintética, vancomicina um antimicrobiano da classe dos betalactâmicos, glicopeptídicos e meropenem um betalactâmico carbapênico de largo espectro todos atuam inibindo a síntese da parede celular bacteriana. Além destes, a oxacilina uma penicilina semi-sintética betalac- tamase, gentamicina um antimicrobiano da classe aminoglico- sídeos que inibe a síntese protéica bacteriana e ceftriaxona da classe cefens betalactâmicos e subclasse cefalosporina de ter- ceira geração (TORTORA, 2000). De acordo com o Instituto Neurológico, Cardiológico e de Terapia Intensiva (2010), os principais cuidados de enfermagem em relação ao paciente com sepse são: avaliação do padrão respiratório, saturação de oxigênio, coloração da pele; solicita- ção do laboratório, quando necessário, coleta de amostra para exames laboratoriais e culturas; controle do balanço hídrico, si- nais vitais e PAM (65mmHg); observar sinais de sangramento: hematúrias, sangramento gengival, ferida operatória ou catete- res, derrame de esclerótica, petéquias, hematoma e enterorra- gias; utilizar decúbito a 45º; controle rigoroso do gotejamento dos soros, drogas vasoativas e hemoderivados; profilaxia de trombose venosa profunda; atentar para a integridade da pele e das mucosas: edemas, hiperemia, icterícia, lesões ou palidez; avaliação quanto a possibilidade de mudança de decúbito a cada duas horas; manter precaução de contato; monitorização cardíaca: atentar às alterações do traçado; observar distensão abdominal; administração de medicamentos seguindo os horá- rios prescritos; atentar para controle da administração da dieta e verificar a fixação da sonda; limpeza da região em volta da bolsa de bogotá. Esses cuidados foram dispensados ao paciente per- mitindo a melhora de seu quadro clínico. Para prestar uma adequada assistência de enfermagem ao paciente em questão, elaborou-se um plano de cuidados com os principais diagnósticos de enfermagem a fim de fornecer cui- dados integrais e individuais a ele baseando-se na sistematiza- ção da assistência de enfermagem – SAE. A SAE constitui um meio para o enfermeiro aplicar seus conhecimentos técnico-científicos, caracterizando sua prática profissional. É através do processo de enfermagem - PE que as ações são desenvolvidas visando assistência ao ser humano (TANNURE; GONÇALVES, 2010). De acordo com as autoras, o PE é dividido em quatro fases que, primeiramente, identifica os problemas do paciente através da investigação do caso e em uma segunda fase, evidencia as suas necessidades ao formular os diagnósticos de enfermagem adequados ao paciente. Em um terceiro momento, com o plane- jamento, são traçados os resultados esperados a partir dos pro- blemas reais ou potencias e na implementação são prescritas ações para que os resultados esperados sejam atingidos. Por fim, a fase de avaliação consiste em perceber e contabilizar as respostas do cliente às intervenções de Enfermagem. Cada indivíduo reage de uma maneira ao ambiente em que está inserido, e por isso, o cuidado de enfermagem deve ser uma ação planejada, individualizada, deliberada do enfermeiro resultante da percepção, observação e analise da condição do paciente. Diante do que foi exposto, foram elaborados alguns diag- nósticos e prescrições de enfermagem relacionados ao estado de saúde do paciente em questão visando minimizar os descon- fortos vivenciados pelo mesmo. Os referidos diagnósticos são descritos a seguir: 1. Integridade da pele prejudicada relacionada com fa- tores mecânicos (PAF) caracterizado por invasão de estru-
  5. 5. 144 | PÓS EM REVISTA DO CENTRO UNIVERSITÁRIO NEWTON PAIVA 2012/2 - EDIÇÃO 6 - ISSN 2176 7785 turas do corpo e destruição de todas as camadas da pele, seguido de perfuração do peritônio com lesão em intestino delgado e cólon (NANDA, 2010). 1.1 Resultado esperado: O paciente apresentará melhora da integridade de pele após 60 dias. Prescrições de enfermagem: Fazer higiene no local da ferida operatória, inserção do dre- no e acesso venoso quatro vezes ao dia avaliando a cor e odor da ferida e se há presença de secreção, anotar e comunicar qualquer alteração. Cuidado a ser realizado pelo técnico de en- fermagem ou enfermeiro; Utilizar coxins e travesseiros para aliviar as áreas de proemi- nências ósseas do trocanter, tornozelo e calcâneo. Cuidado a ser realizado pelo Técnico de Enfermagem. 2. Dor aguda relacionada a perfuração abdominal por arma de fogo com o desenvolvimento de sepse caracteri- zada por relato verbal da dor, taquipnéia (21 irpm), taqui- cardia (103 bpm) e expressão facial de dor. 2.1 Resultado esperado: O paciente apresentará diminuição da intensidade da dor (relatando uma pontuação menor do que 10 na escala de avalia- ção da dor) em até 1 hora. Prescrições de enfermagem: Administrar medicamento analgésico conforme a prescrição médica e avaliar se houve melhora do quadro. Cuidado a ser realizado pelo técnico de enfermagem. Manter o paciente em posição confortável e observar melhora do quadro. Cuidado a ser realizado pelo técnico de enfermagem. 3. Hipertermia relacionada ao processo inflamatório (sepse), aumento da taxa metabólica, desidratação e ex- posição a ambiente quente caracterizado por taquicardia (103 bpm) e aumento da temperatura corporal (38,5ºC). 3.1 Resultado esperado: O paciente apresentará normalização da temperatura cor- poral em até 1 hora. Prescrições de enfermagem: Administrar antipirético conforme prescrição médica e avaliar melhora do quadro comunicando qualquer anormalidade ao en- fermeiro. Cuidado a ser realizado pelo técnico de enfermagem. Fazer o controle dos sinais vitais avaliando possíveis alterações em FC, FR e no pulso. Cuidado a ser realizado pelo enfermeiro. 4. Mobilidade física prejudicada relacionada a ansie- dade, desconforto, desnutrição diminuição da massa mus- cular, dor, medicamentos e metabolismo celular alterado caracterizado por amplitude limitada de movimento, capa- cidade limitada para desempenhar as habilidades motoras e dificuldade para mover-se. 4.1 Resultado esperado: O paciente apresentará melhora da mobilidade física após 30 dias. Prescrições de enfermagem: Realizar massagem de conforto nos membros superiores e inferiores 1 vez ao dia no mínimo. Cuidado a ser realizado pelo enfermeiro. Realizar exercícios passivos nos membros. Fazer os exercí- cios lentamente, para permitir que os músculos tenham tempo de relaxar e apoiar extremidades acima e abaixo da articulação para prevenir lesões nas articulações e nos tecidos. Cuidado a ser realizado pelo enfermeiro. 5. Nutrição desequilibrada: menos que as necessida- des corporais relacionada à capacidade prejudicada de absorver alimentos caracterizada por lesão abdominal, relato de ingestão inadequada de alimentos menor que a PDR e mucosas pálidas. 5.1 Resultado esperado: O paciente apresentará melhora da nutrição desequilibrada após início da dieta por via oral, enteral ou parenteral. Prescrições de enfermagem: Encaminhar para nutricionista avaliar o quadro e solicitar à equipe médica a prescrição de dieta enteral em até 24 h. Checar as solicitações. Cuidado a ser realizado pelo enfermeiro. Verificar se a sonda (jejunostomia) está fixada corretamente e se a dieta está sendo administrada corretamente. Cuidado a ser realizado pelo enfermeiro. 5 CONCLUSÃO A perfuração intestinal por arma de fogo é um trauma muito comum e de difícil resolução, pois o derramamento do conteúdo intestinal no peritônio pode levar a complicações como a sepse e isso requer uma série de cuidados intensivos de enfermagem para evitar maiores complicações que podem levar o paciente a óbito. Após três meses de internação pode-se observar melhora do quadro clinico do paciente que já estava se alimentando por via oral, não sentia dor e deambulava pela enfermaria assumin- do ações para seu autocuidado. As intervenções aplicadas no tratamento do paciente es- tudado foram de suma importância para a recuperação o que
  6. 6. PÓS EM REVISTA DO CENTRO UNIVERSITÁRIO NEWTON PAIVA 2012/2 - EDIÇÃO 6 - ISSN 2176 7785 l 145 culminou na alta hospitalar. Conseguiu-se o controle da infecção intra-abdominal, com o uso da bolsa de Bogotá, um método com risco de complica- ções e com elevados índices de mortalidade não apenas devido à utilização da cirurgia, mas também a complicações locais ou gerais devidas à gravidade desse tipo de paciente. 6 REFERÊNCIAS ABBAS, A.K.; LICHTMAN, A.H.; PILLAI, S. Imunologia celular e mole- cular. 6. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. 564 p. DIAGNÓSTICOS de Enfermagem da NANDA: definições e classifi- cação 2009/2011. Porto Alegre: Artmed, 2010. xi, 452 p. DIRETRIZES assistenciais: sepse. São Paulo: INETI - Instituto Neuroló- gico, Cardiológico e de Terapia Intensiva, [4--]. 8 p., 2010. Disponí- vel em: <http://www.sbcp.org.br/revista/nbr222/9121132.htm>. Acesso em: 25 abr. 2011. DRUMOND, D.A.F. Fechamento de laparostomia com descolamen- to cutâneo-adiposo: uma técnica simples e eficaz para um problema complexo. Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgia, Rio de Janeiro, v.37, n. 3, mai/jun. 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo. php?script=sci_arttext&pid=S0100-6991201000030000 >. Acesso em: 19 abr. 2011. INAGUAZO, D.S.; ASTUDILLLO, M.J.A. Abdomen abierto en la sepsis in- traabdominal severa: ¿Una indicación beneficiosa?. Revista Chilena de Cirurgia [online]. 2009, vol.61, n.3, p. 294-300. Disponível em: <http:// www.scielo.cl/pdf/rchcir/v61n3/art14.pdf>. Acesso em: 12 abr. 2011. MARTINS, C.; CARDOSO, S.P. Terapia nutricional enteral e parente- ral: manual de rotina técnica. Curitiba: Nutroclínica, 2000. 445 p. NETO, J.R.T.; et al. Uso da peritoneostomia na sepse abdominal. Revis- ta Brasileira de Coloproctologia, Sergipe, v.27, n. 3, mar/jun, 2007, p. 278-283. Disponível em: <http://www.sbcp.org.br/pdfs/27_3/05.pdf> Acesso em: 12 abr. 2011. ONOFRE, J.A.P.; TORRES, L.G.; AGUILAR, J.M.S. Trauma abdominal penetrante. Cirugía y Cirujanos, México, v. 74, n. 6, nov/dez 2006, p. 431-442 . Disponível em: <http://redalyc.uaemex.mx/pdf/662/66274605. pdf> Acesso em: 10 abr. 2011. PEREIRA JUNIOR, G.A.; LOVATO, W.J.; CARVALHO, J.B.; HORTA, M. F.V. Abordagem Geral Trauma Abdominal. Medicina, Ribeirão Preto, v. 4, n. 40, p. 518-30, out/dez. 2007. Disponível em: <http://www.fmrp.usp. br/revista>. Acesso em: 19 abr. 2011. PORTH, C.M.; KUNERT, M.P. Fisiopatologia. 6. ed. Rio de Janeiro: 7 Letras 2004. 1451p. RIBAS-FILHO, J.M.; et al. Trauma abdominal: estudo das lesões mais frequentes do sistema digestório e suas causas. ABCD, Arquivo Bra- sileiro de Cirurgia Digestiva. [online], São Paulo, v. 21, n. 4, out/ dez. 2008, p. 170-174. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo. php?script=sci_arttext&pid=S0102-67202008000400004> Acesso em: 10 abr. 2011. SANCHES, S.; DUARTE, S.J.H.; PONTES, E.R.J.C. Caracterização das Vítimas de Ferimentos por Arma de Fogo, Atendidas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência em Campo Grande-MS. Saúde e So- ciedade, São Paulo, v.18, n.1, 2009, p.95-102. Disponível em: <ttp:// www.scielo.br/pdf/sausoc/v18n1/10.pdf>. Acesso em: 10 abr. 2011. SANTOS JUNIOR, J.C.M. Lesões Penetrantes traumáticas e Iatrogênicas do Intestino Grosso. Revista Brasileira de Coloproctologia, São Pau- lo, v. 22, n. 2, p.121-132, 2002. SOUZA, E.R. Masculinidade e violência no Brasil: contribuições para a reflexão no campo da saúde. Ciência e Saúde Coletiva, Rio de Janei- ro, v. 10, n. 1, 2005, p. 59-70. TANNURE, M.C.; GONÇALVES, A.M.P. SAE: sistematização da assis- tência de enfermagem : guia prático . 2. ed. - Rio de Janeiro: Guana- bara Koogan: LAB, 2010. 298 p. TORTORA, G.J.; CASE, C.L. Microbiologia. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2000. 827 p. TRABULSI, L.R.; ALTERTHUM, F. Microbiologia, 4. ed. São Paulo: Athe- neu (Biblioteca Biomédica), 2005 VELAZQUEZ, J.; et al. Soporte nutricional en pacientes con abdomen abierto. Nutrição Hospitalar. [online], Venezuela, v. 22, n.2, mar. 2007, p. 217-222. Disponível em: <http://scielo.isciii.es/pdf/nh/v22n2/origi- nal3.pdf > Acesso em: 10 abr. 2011. WAITZBERG, D.L. Nutrição oral, enteral e parenteral na prática clíni- ca. 4.ed. São Paulo: Atheneu, 2009. 2 v. NOTAS DE RODAPÉ 1 Mestre em Enfermagem. Especialista em Nefrologia e Terapia Intensiva. Docente do Curso de Enfermagem do Centro Universitário Newton Paiva. Endereço eletrônico: tatiana.bedran@newtonpaiva.br 2 Acadêmicos do Curso de Enfermagem do Centro Universitário Newton Paiva

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