RESUMONos últimos anos tem-se assistido aum aumento significativo na prevalên-cia da Obesidade Infantil, particular-mente ...
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Obesidade infantil, actividade física e sedentarismo

  1. 1. RESUMONos últimos anos tem-se assistido aum aumento significativo na prevalên-cia da Obesidade Infantil, particular-mente nos países desenvolvidos, atin-gindo, em alguns casos, proporçõesepidémicas. Para tal facto concorreo termo “Doença da Civilização” asso-ciado à Obesidade é claramente indi-ciador de uma situação dramática.Com o objectivo de procurar a ocor-rência de obesidade e sobrepeso emcrianças da cidade de Bragança, foirealizado um estudo de corte, trans-versal, compreendendo 226 alunosmatriculados em escolas do 1º Ciclodo Ensino Básico, com idades com-preendidas entre os 6 e os 9 anos.Para tal, procedeu-se à aplicação deum questionário sócio-demográficoassociado à medição de parâmetrossimples – peso e altura – assim comoà determinação do Índice de MassaCorporal (IMC), de modo a determinaros Índices de Sobrepeso e de Obe-sidade nos elementos da amostra. Otratamento estatístico foi realizadocom o apoio do programa SPSS Ver-são 12.0.Os resultados apontam para aquelesque têm sido demonstrados pelosdiferentes trabalhos publicados, ouseja, a prevalência de excesso de pesoe obesidade em taxas preocupantesjunto de alunos do 1º Ciclo do EnsinoBásico. De qualquer modo, os resul-tados obtidos acompanham tambéma tendência de existência de valoresde IMC superiores em crianças dosexo feminino e em particular nasfaixas etárias entre os 8 e 9 anosde idade.ABSTRACTDuring last years we’ve been assis-ting to a significant increase on theindexes of prevalence of childhoodobesity, particularly in developed coun-tries, conducting, in some cases, toepidemic proportions. Concerning thisfact, the term “Disease of Civilization”associated to Obesity is clearly indi-cative of a dramatic situation.With the aim of searching the occur-rence of obesity and over-weight inchildren in Bragança, a coorte studywas held with 226 enrolled studentsin 1st Cycle Schools, aged 6 to 9.A social and demographic question-naire was used, associated to themeasurement of simple parameters –weight and height – as well as thedetermination of Body Mass Index(BMI), in order to determine Over--Weight and Obesity Indexes in theelements of the sample. Statistical pro-cedures were realized with the supportof SPSS Version 12.0 software.Results are similar to the ones thathave been presented by most of thepublished studies; the relevance of theprevalence of overweight and obesityamong students enrolled in the 1stCycle Basic Schools. Anyway, resultspoint out also the known tendency ofhigher BMI values among girls, parti-cularly in ones aged 8 and 9.OBESIDADE IINFANTIL, AACTIVIDADE FFÍSICA EE SSEDENTARISMOEM CCRIANÇAS DDO 11.º CCICLO DDO EENSINO BBÁSICO DDA CCIDADEDE BBRAGANÇA ((66 AA 99 AANNOOSS))investigaçãoAUTORESL. F. Campos1J. M. Gomes2J. C. Oliveira31Professor Auxiliar, Director de Cursoda Licenciatura em Educação Física eAnimação Social (ISLA - Bragança)2Assistente na Licenciatura em EducaçãoFísica e Animação Social (ISLA - Bragança)3Licenciada em Educação Físicae Animação Social (ISLA-Bragança)OBESIDADE IINFANTIL, AACTIVIDADEFÍSICA EE SSEDENTARISMO EEMCRIANÇAS DDO 11.º CCICLO DDO EENSINOBÁSICO DDA CCIDADE DDE BBRAGANÇA((66 AA 99 AANNOOSS))4(3): 117-24PPAALLAAVVRRAASS--CCHHAAVVEEobesidade; sobrepeso; actividadefísica; índice de massa corporal;sedentarismo; lazer.KKEEYYWWOORRDDSSobesity; over-weight; physicalactivity; body mass index;sedentarism; leisure.data de submissãoSSeetteemmbbrroo 22000077data de aceitaçãoDDeezzeemmbbrroo 22000077
  2. 2. 18|19|investigação técnico original opinião revisão estudo de caso ensaioINTRODUÇÃOO presente estudo foi delineadode modo a procurar verificar se apopulação escolar da cidade deBragança com idades compreen-didas entre os 6 e os 9 anos temsido vítima dos malefícios dassociedades modernas, particular-mente nos hábitos alimentaresincorrectos, de actividade físicadiminuta e de sedentarismo.Segundo um estudo realizado em2003 pela Faculdade de Ciênciasda Nutrição e Alimentação daUniversidade do Porto, Portugalapresenta-se como o segundo paíseuropeu com maior prevalênciade sobrepeso e obesidade na popu-lação infantil.O excesso de peso é consideradopela Organização Mundial de Saúde1uma epidemia global, pelo que aobesidade infantil se tornou umadas prioridades de acção da SaúdePública sendo actualmente a preva-lência e os riscos de obesidade alvode uma crescente atenção.De acordo com Coutinho (1999), aobesidade “é o resultado de umdesequilíbrio permanente e prolon-gado entre ingestão calórica egasto energético, onde o excessode calorias se armazena comotecido adiposo”2.A obesidade infantil apresenta ca-rácter epidémico e prevalência cres-cente nos países desenvolvidos,mas também em sociedades menosdesenvolvidas nas quais a desnu-trição costumava ser prevalente3.A Europa apresenta taxas de so-brepeso e obesidade superiores a10% entre crianças com 10 anossendo particularmente preocupan-tes os índices superiores a 30%apresentados por países como aGrécia, Itália ou Malta4. Sabendoque o excesso de peso é a doençainfantil mais comum na Europa,com prevalência acentuada e que,em Portugal, uma em cada trêscrianças já sofre de obesidade5,deve ser iniciado nestas idades oprocesso preventivo, para evitar oaumento do tamanho e número decélulas adiposas6.O crescimento infantil não se res-tringe ao aumento de peso e daaltura, mas caracteriza-se por umprocesso complexo que envolve adimensão corporal e a quantidadede células e é influenciado porfactores genéticos, ambientais epsicológicos7.Um estudo efectuado pela Facul-dade de Ciências da Nutrição eAlimentação da Universidade doPorto em 2003 veio confirmar quePortugal é o segundo país europeucom maior prevalência de excessode peso e de obesidade infantil.Numa amostra de 4500 criançascom idades compreendidas entreos 7 e os 9 anos, 31,5% apresen-tam excesso de peso e obesidade8.Um outro estudo realizado em Bra-ga com 1000 crianças entre os 3e os 15 anos veio comprovar, se-gundo os autores, excesso de pesoe obesidade num elevado númerodos indivíduos observados9.Nestas faixas etárias, a obesidadetem vindo a tornar-se preocupantedevido ao risco aumentado da suapersistência na idade adulta e pelosriscos patológicos associados, cau-sadores de situações incapacitantesna vida diária e morte prematura.Se a morbidade não é frequenteem menores, os potenciais obesossujeitam-se a desenvolver patologiascomo a Diabetes Mellitus Tipo II,HTA, Enfarte de Miocárdio e Aciden-tes Vasculares Cerebrais diversos10.A etiologia tem por base factoresnutricionais inadequados, conse-quentes de um aumento exageradono consumo de alimentos ricos emgordura e com elevado valor calórico,redução no consumo de proteínasde origem vegetal, de alimentosricos em fibras e em vitaminas11,associados a um excessivo seden-tarismo, condicionado pela reduçãoda prática de actividade física eaumento de hábitos que não geramgasto calórico como ver televisão euso de videojogos e computadores.A Associação de Doentes Obesos eEx-Obesos (ADEXO) assegura quemetade das crianças com idadescompreendidas entre os 6 e os 10anos, serão adultos com excessode peso e classifica esta situaçãocomo uma epidemia juvenil. Tal de-ve-se ao facto de passarem tempoexcessivo em frente ao computadorou à televisão e terem uma vidasedentária12.Um estudo realizado por Gortmakere col. (1996) demonstrou que aprobabilidade de ser obeso é trêsvezes superior em adolescentesque assistem a televisão mais de 5horas por dia, quando comparadocom aqueles que o fazem até 2horas diárias. Outros investigado-res concluem ainda que existe umarelação causa-efeito clara entre otempo gasto perante a assistênciaà televisão e a obesidade infantil13.Apesar de algumas opiniões contra-ditórias, vários estudos sugeremum maior risco de obesidade emcrianças precocemente alimenta-das com biberão, assim como emcrianças em que a introdução dealimentos sólidos é efectuada maiscedo. A habituação das crianças aalimentos doces, mais densos calo-ricamente, causa perversão do ape-tite, desviando-o da alimentação nor-mal em favor daqueles alimentos14.Nas crianças com idade inferior a6 anos, a obesidade poderá insta-lar-se devido à obesidade dos pro-genitores. Crianças com 1 e 2 anose um dos pais obesos, podem apre-sentar um aumento de 28% do
  3. 3. RReevviissttaa ddee DDeessppoorrttoo ee SSaaúúddeeda Fundação Técnica e Científica do Desporto irisco de obesidade, em comparaçãocom crianças cujos progenitoressão normoponderais15.O ambiente escolar influencia tam-bém o aumento de peso da criançaisto porque nos bares escolaresexiste a facilidade em adquiriralimentos doces e caloricamentedensos. A rejeição da criança obesapelos colegas implica menor parti-cipação em jogos e, como tal, menorprática de actividade física, aju-dando ao desenvolvimento e manu-tenção do excesso de gordura.São objectivos do presente trabalhoa identificação de padrões de obe-sidade e sobrepeso na populaçãoescolar da cidade de Bragança (6 a9 anos de idade) a partir da avalia-ção de diferentes parâmetros sim-ples (peso e estatura), da determi-nação do IMC e da sua relaçãocom a actividade física desenvol-vida pelos sujeitos, em contextoescolar e fora dele, assim comocom a prevalência de hábitos desedentarismo junto desta camadapopulacional (visionamento de tele-visão, prática de jogos de computa-dor e consola).Para tal foram estabelecidas asseguintes hipóteses:HH11 -- Crianças do sexo masculinopossuem valores de IMC supe-riores a crianças do sexo feminino;HH22 -- Crianças que praticam Edu-cação Física em contexto escolarapresentam valores de IMC maisbaixos relativamente àquelas quea não praticam;HH33 -- Crianças que praticam Edu-cação Física fora do âmbito escolarapresentam valores de IMC maisbaixos relativamente àquelas quea não praticam;HH44 -- Crianças que despendem maistempo com a televisão apresentamvalores de IMC mais elevados rela-tivamente àquelas que despendemmenos horas nesse visionamento;HH55 -- Crianças que despendem maistempo com jogos de computadore consola apresentam valores deIMC mais elevados relativamenteàquelas que despendem menos tem-po com tais actividades;HH66 -- Crianças que praticam maishoras de exercício físico apresen-tam valores de IMC mais baixosrelativamente àquelas que praticammenos horas de exercício físico.METODOLOGIAAAmmoossttrraaA amostra é constituída por crianças(6-9 anos) (N=226) em frequênciado 1º Ciclo do Ensino Básico no anolectivo de 2004/2005 em cincoescolas da cidade de Bragança,quatro delas de carácter oficial eoutra de natureza particular. Dos288 sujeitos iniciais foram excluídosdo estudo 62 por apresentarem àdata idade superior ao limite máxi-mo considerado de 9 anos.A amostra ficou então constituída daseguinte forma (ver tabelas 1 e 2).PPrroocceeddiimmeennttoossO método utilizado foi suportadopela aplicação de um questionáriosócio-demográfico composto por14 questões de resposta fechada(p.e sexo, número de irmãos) e deresposta aberta (p.e idade e moda-lidades praticadas ou preferenciais),complementado pela recolha demedidas simples – peso e altura –e determinação do IMC.O questionário foi preenchido di-rectamente pelos sujeitos com au-xílio dos docentes das respectivasescolas na resolução de algumasMFTToottaall (M+F)8271153NEEssccoollaass OOffiicciiaaiiss EEssccoollaa PPaarrttiiccuullaarr53,646,4100%363773N49,350,7100%TTAABBEELLAA1Caracterização da Amostra.6789TToottaall33294447153NEEssccoollaass OOffiicciiaaiissIIddaaddee (anos)EEssccoollaa PPaarrttiiccuullaarr21,618,928,830,7100%1029181673N13,739,724,721,9100%TTAABBEELLAA2Idade dos Indivíduos.
  4. 4. 20|21|investigação técnico original opinião revisão estudo de caso ensaiodúvidas susceptíveis de surgir. Asquestões encontram-se agrupadasem quatro itens:GGRRUUPPOO IISócio-Demografia - Idade, número deirmãos, residência, naturalidade,disponibilidade de recursos, ocupa-ção dos pais.GGRRUUPPOO IIIIActividade Física - Actividade físicarealizada em contexto escolar, acti-vidade física realizada em contextoextra-escolar, frequência semanalde prática de actividade física.GGrruuppoo IIIIIILazer e Ocupação de Tempos Livres -Tempo dispendido com televisão (ho-ras), tempo dispendido com jogosde computador/consola (horas).GGRRUUPPOO IIVVParâmetros de Análise - Peso, Esta-tura, IMC.A recolha das medidas foi feita daseguinte forma:Peso: o indivíduo foi pesado (balançadigital calibrada) com roupa ligeirae sem calçado sendo o resultadoexpresso em kilogramas com apro-ximação ao hectograma;Altura: o indivíduo foi medido comfita métrica fixa (em plano vertical– parede) com resultados expressosem centímetros.O IMC (ou Índice de Quetelet) foicalculado com base nas medidasanteriores – peso e altura – atra-vés da fórmula IMC = Peso (kg)//Altura2(m)16. Este índice represen-ta a relação entre o peso corporalcom a altura dos sujeitos, identifi-cando excesso ponderal para umdado valor de estatura.EEssttaattííssttiiccaaA análise estatística foi feita comauxílio do SPSS 12.0 for Windowsno qual foram processadas asvariáveis relacionadas com o sexodos sujeitos, idade, número de ir-mãos, actividade física escolar eextra-escolar, frequência de prática,frequência de assistência a diferen-tes programas de televisão e tempodispendido em jogos de computa-dor/ consola. Esta análise versouparticularmente as medidas detendência central nomeadamentea média, desvio padrão, nível designificância e frequência. A utiliza-ção do Microsoft Excel ficou reser-vada para as variáveis residência,naturalidade, profissão dos pais,disponibilidade de recursos (TV,computador, consola, telefone, tele-móvel) e modalidades praticadaspelos sujeitos.RESULTADOSPor uma questão de simplicidade efacilidade de leitura, os resultadosforam agrupados em diferentescategorias em função dos diferen-tes campos de análise em que cadavariável se inscreve. Assim, proce-deu-se ao agrupamento dos resul-tados em quatro grupos diferencia-dos em função da tipologia doestabelecimento de ensino (oficial//particular), distribuídos pelos dife-rentes itens referidos: sócio-demo-grafia, parâmetros de análise, acti-vidade física e lazer.Os resultados obtidos apontampara as seguintes constatações:AANNÁÁLLIISSEE SSOOCCIIAALL EE DDEEMMOOGGRRÁÁFFIICCAAA distribuição por género não é si-gnificativa sendo os valores muitoaproximados em cada categoriaindependentemente do tipo de es-cola frequentado.A maioria dos inquiridos apresentaà data da avaliação uma idade de 8a 9 anos (27,9% e 27,4%, respec-tivamente) sendo que no ensinopúblico a prevalência seja a idadede 9 anos (30,7%) e no privado de8 anos (24,7%). Relativamente aonúmero de irmãos 22,2% dos alu-nos do ensino público referem nãoter quaisquer irmãos assim comoo fazem 38,6% dos inquiridos noensino privado, no entanto, a maio-ria dos indivíduos (38,6 e 49,3%,respectivamente para o ensino ofi-cial e privado) referem a existênciade um único irmão. Tal constataçãopermite certamente alvitrar a pos-sibilidade de uma maior disponibi-lidade de recursos para ocupaçãodos tempos de lazer dos indivíduos.Mais de 80% dos inquiridos resi-dem na área urbana da cidade deBragança, sendo de nacionalidadePortuguesa. No entanto, são tam-bém referidos países de origemcomo Brasil, Espanha, França e An-gola embora em valores marginais.Outro parâmetro com interesseindirecto refere-se à ocupação dospais dos inquiridos e das disponi-bilidades de que estes são possui-dores nas suas casas. Assim semais de 90% dos inquiridos têmaparelho de televisão em casa, nãodeixa de ser relevante o facto de ocomputador e as consolas seremtambém peças-chave nas habita-ções dos alunos com valores de61,4 e 41,2%, respectivamente,para os alunos do ensino oficiale de 84,9 e 49,3% para os alunosdo ensino particular. A ocupaçãodos progenitores dos inquiridosapresenta uma grande dispersãoem termos de categorias sendoque os pais dos alunos do ensinopúblico são maioritariamente ope-rários não-especializados (no casodo progenitor) ou doméstica oufuncionária pública (no caso daprogenitora). Já relativamente aosalunos do ensino particular, muitosdos progenitores paternos incluem--se nas actividades do sector secun-
  5. 5. RReevviissttaa ddee DDeessppoorrttoo ee SSaaúúddeeda Fundação Técnica e Científica do Desporto idário enquanto as mães dos inqui-ridos são maioritariamente comer-ciantes e funcionárias públicas.AACCTTIIVVIIDDAADDEE FFÍÍSSIICCAAA realização de actividade física emcontexto escolar ou de sala de aulareveste-se de suma importânciapara a aquisição de hábitos de vidasaudáveis assim como no desenvol-vimento cognitivo e motor de indiví-duos destas idades. Relativamentea este campo, enquanto 3 das 4escolas de ensino oficial alvo deestudo não dispõem de docentesde Educação Física, a escola parti-cular apresenta essa valência.Nas escolas oficiais, dos 153 indi-víduos, 88 (57,5%) respondeu afir-mativamente à existência de práticade actividade física em contextoescolar o que revela que é aindaelevado o número de crianças semacesso a práticas deste âmbito. Éde relevar que um dos grupos(n=17) refere a existência de aulasde Educação Física na própriaescola, leccionadas pela docentedo ensino regular enquanto osrestantes se deslocam a espaçosespecíficos na cidade para rece-berem as mesmas aulas (estasituação surge apenas nas turmasde 3º e 4º anos).Relativamente aos inquiridos doensino particular, todos são unâni-mes em referir que existe no esta-belecimento de ensino um professorde Educação Física, comum a todasas turmas, sendo as aulas lecciona-das bissemanalmente em espaçospróprios da instituição.No que concerne às modalidadespraticadas pelos indivíduos, os 88alunos das escolas oficiais referemparticularmente a Natação (24,3%),o Atletismo (19,1%) e o Futebol(18,4%). No entanto, modalidadescomo o Voleibol, a Ginástica e oAndebol são também referidasatendendo a que as actividadesfísicas envolvem ao longo do anolectivo mais que uma modalidade.Relativamente aos alunos do esta-belecimento de ensino particular,as respostas obtidas são similares,com valores próximos dos apresen-tados para as mesmas três moda-lidades de eleição.Já quando inquiridos acerca dasactividades físicas realizadas forado contexto escolar, as respostassão notoriamente diferentes. 52,9%dos alunos das escolas oficiais re-ferem não praticar qualquer acti-vidade física fora das aulas assimcomo 49,3% dos alunos da escolaparticular o fazem. Muito emboraas diferenças sejam pouco relevan-tes, é notório o elevado número decrianças que não se dedica a qual-quer tipo de actividade física depoisde terminado o dia de aulas o quepermite certamente uma maiordisponibilidade para actividadessedentárias. Fora do contexto es-colar, a faixa de inquiridos que res-ponde afirmativamente à práticade actividade física refere parti-cularmente o Futebol como moda-lidade de eleição (51,9 e 40,0% deadesão nas escolas oficiais e par-ticular, respectivamente). Questio-nados acerca da periodicidade se-manal da prática fora do contextoescolar, 26,2% (ensino público) e34,2% (ensino particular) refereentre 1 a 2 vezes por semana.LLAAZZEERR EE OOCCUUPPAAÇÇÃÃOO DDEE TTEEMMPPOOSS LLIIVVRREESSJá os aspectos relacionados com otempo gasto no visionamento detelevisão ou perante o computa-dor/consola de jogos reflecte atendência conhecida de uma prefe-rência clara dos indivíduos nestasfaixas etárias. As constataçõessão claras partindo da simples aná-lise das tabelas seguintes.De relevar o número significativo(24,8%) de inquiridos do ensinooficial que se encontra por perío-dos superiores a 3 horas perantea televisão em contraste com os9,8% que despendem esse tempoem jogos de computador ou conso-la. No caso do ensino particular atendência inverte-se sendo os valo-res obtidos para o mesmo período detempo despendido com a televisãoou com o computador e consola de16,4% e 19,2%, facto a que não écertamente alheia a maior dispo-nibilidade de recursos e equipa-mentos referidos por estes alunos.0-11-22-33-4>4Sem referênciaTToottaall567732262411226N24,834,114,211,510,64,9100%CCoommppuuttaaddoorrHHoorraass ddeeVViissiioonnaammeennttoo////JJooggooCCoommppuuttaaddoorr//CCoonnssoollaaOOffiicciiaall PPaarrttiiccuullaarr OOffiicciiaall PPaarrttiiccuullaarr15341139173N20,546,615,14,112,31,4100%753917101966226N33,217,37,54,48,429,2100%23149771373N31,519,212,39,69,617,8100%TTAABBEELLAA3Visionamento de televisão e de jogos em computador/consola (horas/dia).
  6. 6. 22|23|investigação técnico original opinião revisão estudo de caso ensaioPPAARRÂÂMMEETTRROOSS:: PPEESSOO,, AALLTTUURRAA EE IIMMCCFeitas as avaliações relativas aopeso e estatura e procedendo aocálculo do IMC, procurou-se compa-rar a idade dos inquiridos com ovalor obtido para este parâmetrode modo a procurar avaliar a exis-tência ou não de obesidade e so-brepeso. Seguindo as recomenda-ções da OMS, sobrepeso e obesi-dade foram definidos como IMCsuperior ou igual aos percentis 85e 95 para idade e sexo, adoptando--se para o presente estudo os pon-tos de corte obtidos pelos traba-lhos promovidos pelo InternationalObesity Task-Force (IOT) tal comoapresentados na tabela seguinte(ver tabela 4).Tendo em conta a tabela 4, apóscomparação do IMC dos indivíduosem função da idade apresentada,verificou-se que num total de 118indivíduos do sexo masculino, 22apresentam sobrepeso e 15 obe-sidade enquanto que num total de108 indivíduos do sexo feminino,esses valores são de 27 e 10, res-pectivamente para indicadores desobrepeso e obesidade. Assim, dos226 indivíduos, 49 apresentam so-brepeso (21,68%) enquanto 25(11,06%) apresentam obesidade.Estes valores são particularmentesentidos nas faixas compreendidasentre os 8 e os 9 anos de idade.DISCUSSÃOOs resultados permitem agoraproceder à discussão das hipóte-ses anteriormente colocadas.HH11 -- Crianças do sexo masculinopossuem valores de IMC superioresa crianças do sexo feminino. (Vertabela 5).Os resultados evidenciam que osindivíduos do sexo masculino apre-sentam uma média de IMC de17,69, inferior à média verificadano sexo feminino (17,76) pelo queH1 não se confirma, ou seja, crian-ças do sexo masculino não possuemum IMC superior às do sexo femi-nino. A amostra relativamente aoIMC revela-se bastante heterogé-nea e estatisticamente não se veri-ficam diferenças significativas entreo grupo de inquiridos de cada sexoem relação ao mesmo parâmetro.HH22 -- Crianças que praticam Educa-ção Física em contexto escolarapresentam valores de IMC maisbaixos relativamente àquelas quea não praticam. (Ver tabela 6).Após correlação entre as duas va-riáveis verifica-se que os indivíduosque praticam actividade física emcontexto escolar apresentam umvalor de IMC (17,76) mais elevadoque aqueles que não a praticam.Estatisticamente não existem diferen-ças significativas entre cada grupo.Posto isto, a hipótese não se veri-fica pois os indivíduos que praticamactividade física em contexto esco-lar não apresentam valores de IMCmais baixos relativamente àquelesque não realizam tal actividade.HH33 -- Crianças que praticam Edu-cação Física fora do âmbito escolarapresentam valores de IMC maisbaixos relativamente àquelas que anão praticam. (Ver tabela 7).Os indivíduos que praticam acti-vidade física fora do contexto esco-lar, apresentam valores de IMC678917,617,918,419,1MasculinoPPeerrcceennttiill 8855(Sobrepeso)IIddaaddee (anos)PPeerrcceennttiill 9955(Obesidade)17,317,818,319,1Feminino19,820,621,622,8Masculino19,720,521,622,8FemininoTTAABBEELLAA4Classificação de Sobrepeso e Obesidade de acordo com o IMC.SimNãoTotalPPrrááttiiccaa16165226NN17,761217,647817,7286MMééddiiaa0,813NNSSTTAABBEELLAA6Relação entre a Prática de Actividade Física Escolar e o IMC.MasculinoFemininoTotalSSeexxoo118108226NN17,691217,769417,7286MMééddiiaa3,277623,221253,24382ssdd0,857NNSSTTAABBEELLAA5Comparação do IMC Masculino e IMC Feminino.
  7. 7. RReevviissttaa ddee DDeessppoorrttoo ee SSaaúúddeeda Fundação Técnica e Científica do Desporto i(18,24) mais elevados que os indi-víduos que a não praticam nessascondições (17,34). Estatisticamen-te não existem diferenças signifi-cativas entre o grupo de indivíduosque pratica actividade física eaquele que a não pratica. Comotal H3 não é aceite.HH44 -- Crianças que despendem maistempo com a televisão apresentamvalores de IMC mais elevados rela-tivamente àquelas que despendemmenos horas nesse visionamento.(Ver tabela 8).É notório que os indivíduos queassistem à televisão em períodosinferiores a 1 hora, apresentamum IMC mais baixo quando compa-rados com aqueles que têm perío-dos de permanência de 2 a 3 horas.Do mesmo modo, indivíduos queassistem a mais de 4 horas diáriasde televisão apresentam um IMCmais baixo quando comparadoscom aqueles que referem um pe-ríodo de 2 a 3 horas. Assim H5 nãoé aceite uma vez que aqueles queassistem a mais horas de televisãonão apresentam valores de IMCmais altos relativamente aquelesque referem períodos inferioresnesse visionamento.HH55 -- Crianças que despendem maistempo com jogos de computador econsola apresentam valores deIMC mais elevados relativamenteàquelas que despendem menostempo com tais actividades. (Vertabela 9).Perante o exposto, indivíduos quedespendem até 1 hora perante ocomputador ou consola, apresentamum IMC baixo quando comparadoscom aqueles que despendem perío-dos de 3 a 4 horas diárias.Paralelamente, aqueles que despen-dem mais de 4 horas apresentamum IMC mais baixo quando compa-rados com aqueles que referem 1a 2 horas de permanência.SimNãoSem referênciaTotalPPrrááttiiccaa9811711226NN18,243017,343217,245517,7286MMééddiiaa0,113NNSSTTAABBEELLAA7Relação entre a Prática de Actividade Física Extra-Escolar e o IMC.0-11-22-33-4>4Sem referênciaTotalHHoorraass567732262411226NN17,403617,690118,241317,910818,042117,046417,7286MMééddiiaa3,018903,184954,096403,317442,945942,786013,24382ssddTTAABBEELLAA8Horas de visionamento de Televisão e IMC.0-11-22-33-4>4Sem referênciaTotalHHoorraass753917101966226NN17,892818,265417,001819,700017,155317,278317,7286MMééddiiaa3,798083,359652,087103,595541,904472,879833,24382ssddTTAABBEELLAA9Horas de jogos em computador e consola e IMC.123Sem referênciaTotalHHoorraass2540231098NN18,681618,089518,746516,602018,2430MMééddiiaa4,418402,614563,418262,75533,36606ssddTTAABBEELLAA10Horas de prática de actividade física e IMC.
  8. 8. 24|25|Assim, H5 não é aceite uma vezque aqueles que despendem maishoras perante o computador ouconsola não apresentam valoresde IMC mais elevados relativa-mente àqueles que referem umtempo de permanência menor.HH66 -- Crianças que praticam maishoras de exercício físico apresentamvalores de IMC mais baixos rela-tivamente àquelas que praticammenos horas de exercício físico.(Ver tabela 10).Os indivíduos que praticam apenas1 hora de actividade física apresen-tam um IMC de 18,68, mais baixoquando comparado com aqueles quereferem uma prática de 3 horasque apresentam um IMC de 18,74.Assim, H6 não é também verificadapelo que indivíduos que praticammais horas de exercício físico nãoapresentam valores de IMC maisbaixos relativamente àqueles quetêm uma prática de menos horas.Relativamente à prevalência de ex-cesso de peso nesta população,o estudo acompanha a tendênciade outros estudos nomeadamenteos de Pereira (2000)17, Maia eLopes (2002)18e Sousa (2003)19.Do mesmo modo, os indivíduos dosexo feminino apresentam valoresmédios de IMC superiores aos indi-víduos do sexo masculino, tambémcongruentes com as conclusões dostrabalhos de Maia e Lopes (2002).Assim, não deixa de ser importantesalientar que poucas escolas apre-sentam actividades físicas organi-zadas e periódicas pelo que será damaior pertinência a implementaçãode programas adequados e siste-máticos de actividade física nasEscolas do 1º Ciclo do Ensino Bá-sico, orientados por profissionaisqualificados, paralelamente à pro-moção de hábitos de ocupação detempos livres e, em particular, daadopção de estilos de vida e hábitosalimentares saudáveis como causascontribuintes para a prevenção dosobrepeso e da obesidade. Tal con-junto de operacionalizações nãodeixa de ser alvo das políticas edu-cativas governamentais, condu-cen-tes ao bem-estar e à melhoria dasaptidões dos indivíduos, a par dodesenvolvimento biopsicossocial har-monioso que se exige.CORRESPONDÊNCIAFilipe de Campos - ISLA-BragançaRua Professor Gonçalves Rodrigues5300-238 BragançaEmail:pinheirodecampos@gmail.comREFERÊNCIAS1. WHO (1998). Report of a WHOConsultation on Obesity. Preventingand managing the global epidemic.WHO. Geneva.2. Coutinho, WF (1999). ConsensoLatino Americano de Obesidade. ArqBrás Endocrinol Metab. Vol. 43 (1).3. Seidell, JC (1999). Obesity: agrowing problem. Acta Pediatric.Suppl. 88: 46-50.4. Obesidade Infantil: atenção redo-brada. Disponível em www.pas.pt(25 Mai 2005).5. IOTF (International Obesity Task--Force) in Jornal Público, 16Out2003.6. Dâmaso, AR e tal (1994). Obesi-dade: subsídios para o desenvolvi-mento de actividades motoras. Re-vista Paulista de Educação Física.8 (1): 98-111.7. Vitolo, Márcia (2003). Da gestãoà adolescência. Parte 2, Infância.Reichmann & Affonso Editores Ltda.8. Disponível emwww.mediativa.org.br/index.php//midiativa/content/view/full/669(25 Mai 2005).9. In Jornal Público, 22 Nov 2002.10. WHO (1998). Report of a WHOConsultation on Obesity. Preventingand managing the global epidemic.WHO. Geneva.11. Comité Científico para a Alimen-tação Humana da União Europeia(1997). Relatório sobre o aportede energia e nutrientes para aComunidade Europeia. Revista Por-tuguesa de Nutrição. In Marujo, Me tal (2004). Obesidade das Crian-ças dos 11 aos 13 anos - realidadeou mito? Rev Port Clin Geral, 20::457-9.12. Crianças afectadas pela Obe-sidade. Disponível em:www.adexo.pt (28 Ago 2005).13. Gortmaker et al (1996). Televi-sion viewing as a cause of increa-sing obesity among children in theUnited States, 1986-1990. Arch.Pediatr.Adolesc.Med.150:356-362.14. Lima Reis, JP (1989). ObesidadeInfantil. In A Obesidade: comporta-mentos, alimentação e saúde. TextoEditora: 67-98.15. Whitaker, RC et al (1997). Pre-dicting obesity in young adulthoodfrom childhood and parental obe-sity. N Engl J Med; 337: 869-873.16. ACSM (2003). Directrizes doACSM para os testes de esforçoe sua prescrição. ACSM. EditoraGuanabara Koogan.17. Pereira, AMR (2000). Cresci-mento somático, aptidão física emcrianças com idades compreen-didas entre os 6 e os 10 anos – umestudo no concelho da Maia. Dis-sertação de Mestrado. FCDEF-UP.18. Maia, J et al (2002). Estudodo crescimento somático, aptidãofísica, actividade física e capaci-dade de coordenação corporalde crianças do 1º Ciclo do EnsinoBásico da Região Autónoma dosAçores. FCDEF-UP.19. Sousa, M (2003). Níveis deaptidão física associados à saúde,prevalência do excesso de peso eobesidade, na população infanto--juvenil portuguesa dos 10 aos 18anos. Dissertação de Mestrado.FCDEF-UP.investigação técnico original opinião revisão estudo de caso ensaio

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