Boletim Informativo do Centro de Combate ao Câncer
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O câncer na gestação e os cuidados no tratamento

  1. 1. Boletim Informativo do Centro de Combate ao Câncer Ano 1 - número 2 - maio/junho de 2009Comunica O Câncer na gestação e os cuidados no tratamento A gestação é um período de alegria e planejamento do futuro de conforto e segurança para o bebê que está por chegar. Por isso é importante, antes de decidir engravidar, que a mulher saiba como está sua saúde e evite problemascomoaocorrênciadocânceraolongo da gestação. Mulheres com câncer na gravidez são aquelas acometidas pela doença durante o período gestacional propriamente dito, ou até 12 meses após o parto, independente de estarem ou não amamentando. Os cânceres mais diagnosticados em gestantes são de mama, ginecológico, leucemia, linfoma e melanoma. Apesar de não ser tão comum, com incidência de 0,07% a 2,8%, o câncer de mama durante a gravidez é uma realidade, principalmente nos últimos anos, com cada vez mais mulheres engravidando entre 30 e 35 anos. Marcelo Santos, médico associado ao Centro de Combate ao Câncer, fala sobre a relação entre gestação e câncer de mama. “Durante a gravidez a mama sofre grande estímulo hormonal estrogênico, com dilatação dos vasos sanguíneos, fazendo com que aumente o risco de disseminação das células. Nessa fase, as mamas são mais intumescidas, podendo mascarar e dificultar a palpação de um nódulo”. Diagnóstico precoce - O importante é a rápida identificação de um nódulo suspeito, pois tumores diagnosticados na fase inicial têm o mesmo prognóstico e chance de cura dos detectados em não grávidas. A partir do segundo trimestre de gestação, as pacientes já podem receber alguns agentes quimioterápicos com segurança. O que se recomenda é que não se retarde o início da quimioterapia. A melhor forma de evitar doença na gravidez são os exames preventivos antes de entrar no período de gestação. “O papanicolau e a ultrassonografia devem ser realizados periodicamente e sempre que se tenha suspeita do desenvolvimento da doença”, ressalta o médico. No caso de diagnóstico positivo, existem estudos específicos para encontrar as melhores práticas de administração de drogas durante a gravidez. A mudança do metabolismo nas gestantes altera a forma como a droga reage com o organismo e é preciso saber exatamente como ajustar a dosagem, sem diminuir a eficácia do tratamento. "É difícil administrar drogas quimioterápicas durante o tratamento sem prejudicar o feto”, explica Marcelo Santos. E completa: "na gestação, as mulheres já têm enjoos. O tratamento pode intensificar essas reações e o uso de antieméticos deve ser algo muito bem planejado pela equipe médica e farmacêutica”. Diagnóstico precoce aumenta as chances de cura e de sucesso do tratamento em gestantes Mulheres com câncer na gravidez são aquelas acometidas pela doença durante o período gestacional propriamente dito, ou até 12 meses após o parto, independente de estarem ou não amamentando.
  2. 2. Prevenção Diagnóstico precoce salva uma em cada três mulheres 2 Comunica - boletim informativo do Centro de Combate ao Câncer “O melhor momento para o autoexame é logo após a menstruação, quando a mama está menos inchada e menos dolorida" Ariel Kann O câncer de mama é ainda o que mais preocupa as mulheres pela alta incidência e pelas mudanças estéticas que os procedimentos cirúrgicos podem causar. Números do INCA (Instituto Nacional do Câncer) estimam que no ano passado a incidência de câncer de mama foi de 51 casos a cada 100 mil mulheres, sendo o tipo de câncer mais frequente entre elas. O diagnóstico precoce e o combate aos fatores de risco podem ajudar na diminuição desses números e trazer mais qualidade de vida para as pacientes. A mamografia ainda é o método mais indicado para a identificação precoce de tumores e deve ser realizada a partir dos 40 anos. “A realização anual da mamografia diminui em 34% a chance de mortalidade específica do câncer de mama. Ou seja, uma em cada três mulheres é salva pelo diagnóstico precoce”, detalha o médico da equipe do CCC, Ariel Kann. Dependendo da densidadedamama,fatoresderiscooupresença de prótese mamária, o médico poderá solicitar, além da mamografia, uma ultrassonografia e até ressonância magnética das mamas. O exame clínico da mama feito pelo médico e o autoexame são instrumentos importantes no diagnóstico precoce da doença. “O melhor momento para o autoexame é logo após a menstruação, quando a mama está menos inchada e menos dolorida. A mulher deve estar atenta tanto à mama como às axilas. Nódulos endurecidos, mudança do aspecto da pele, abaulamentos, retrações ou saída de secreção pela papila mamária deverão ser reportados ao médico”, explica. Mas é importante ressaltar que o autoexame é um complemento à mamografia. Só assim ele apresenta alguma vantagem. A história familiar de câncer de mama deve ser semprevalorizadapelomédicoepelapaciente. Mulheres com histórico familiar de câncer de mama ou ovário, principalmente acometendo jovens, devem intensificar os cuidados com a prevenção. “Às vezes, é necessário aumentar a frequência da realização de exames, solicitar exames antes dos 40 anos, realizar testes genéticos e utilizar outros métodos de diagnóstico, como a ressonância magnética das mamas. Individualizar o risco e oferecer o melhor tratamento preventivo é a forma mais eficaz de evitar futuras dores de cabeça”, conclui Ariel Kann. Mulheres com histórico familiar de câncer de mama e ovário devem intensificar cuidados com a prevenção
  3. 3. 3 Ano 1 - número 2 - maio/junho de 2009 Artigo Comentado Viver com qualidade O principal estudo sobre segurança da preservação do ovário em mulheres com câncer endometrial em estágio inicial apontou que as taxas de sobrevivência em pacientes que têm os ovários removidos são similares àquelas que os têm preservados. Preservar os ovários pode poupar as mulheres dos efeitos secundários da menopausa induzida por cirurgia, como sensação de calor, secura vaginal, aumento a longo prazo de doenças cardíacas, osteoporose e fraturas do quadril. O estudo foi publicado no Jornal da Oncologia Clínica (www.jco.org). Aremoçãocirúrgicadoútero(histerectomia)éo tratamento padrão para o câncer endometrial. Durante o procedimento, os cirurgiões geralmente removem os ovários. Isso é feito para diminuir os riscos do câncer se espalhar pelo ovário e reduzir os níveis de estrógeno que podem estimular o crescimento de células endometriais cancerosas. O estudo mostra, entretanto, que esses riscos são pequenos. O trabalho comparou a sobrevida em cinco anos entre 402 mulheres de até 45 anos, que tiveram o diagnóstico precoce do câncer e nas quais o ovário não foi removido, e 3.269 mulheres na mesma faixa etária, que tiveram o ovário removido. Todas foram diagnosticadas entre 1988 e 2004. A sobrevida global em cinco anos foi similar nos dois grupos. Entre as mulheres que tiveram os ovários removidos, de 89% a 98% continuam vivas, dependendo do tamanho inicial do tumor. Nas mulheres que tiveram os ovários preservados foi observada uma sobrevida global de 86% a 100% em cinco anos, também variando de acordo com o tamanho inicial do tumor. Em 2008, aproximadamente 40 mil mulheres foram diagnosticadas com câncer endometrial nos Estados Unidos e 7.470 morreram da doença, sendo que 8% desse total tinham menos de 45 anos. A pesquisa sugere que os cirurgiões não precisam remover o ovário durante a cirurgia na maioria das mulheres mais jovens e com doença em estágio inicial, procedimento que foi padrão por muitos anos. Essas pacientes podem discutir a opção com seus médicos e decidir pela não remoção do ovário, o que pode ajudar a manter a qualidade de vida, evitando a menopausa induzida por cirurgia. Estudo publicado no Jornal de Oncologia Clínica sugere que a preservação dos ovários em mulheres com câncer endometrial em estágio inicial pode ser uma alternativa para manter qualidade de vida. Fonte: www.jco.org / janeiro de 2009 "Hoje, a programação de tratamento em oncologia não considera apenas os índices de cura ou o aumento do tempo de sobrevida,mastambémaqualidadedevida do paciente durante e após o tratamento. Para isso, as pesquisas médicas buscam desenvolver técnicas menos invasivas, porém não menos eficazes. O artigo ilustra muito bem essa linha de raciocínio. O câncer de endométrio (câncer do corpo do útero) acomete aproximadamente 40 mil mulheres por ano. Dessas, 15% têm a doença ainda na pré-menopausa, com seus ovários ativos e produzindo, principalmente, estrógenos. Desse grupo, mais de 50% estarão com seu tumor em estágio inicial, confinado ao útero, com evolução mais favorável. O tratamento do tumor de endométrio é, salvo exceções, cirúrgico. Remove-se o útero e os ovários. Esses últimos para evitar que metástases ocultas nos ovários ou tumores primários de ovário possam se desenvolver ou, ainda, que células tumorais residuais fora do útero possam serestimuladasacrescerpelosestrogênios. Com a remoção dos ovários, as pacientes jovens passam por menopausa precoce induzida cirurgicamente. A diminuição dos níveis de estrogênio coloca as mulheres em risco para o aparecimento de diversos transtornos que podem ser imediatos, como as ondas intermitentes de calor intenso, secura vaginal e atrofia - ocasionando dor durante o ato sexual -, sangramento e maior suscetibilidade a infecções ginecológicas pela fragilidade e falta de proteção do epitélio da parede vaginal, além de instabilidade emocional e alterações de humor e da libido. E há as sequelas tardias, que serão tanto mais frequentes e graves quanto maior for o tempo de privação hormonal, sendo as mais importantes o aumento do risco de doenças cardiovasculares, a osteoporose - levando a dor e fraturas - e as alterações da cognição - atenção, memória, percepção e raciocínio, entre outros. Nesseestudo,ospesquisadoresconcluíram queapreservaçãodosováriosempacientes na pré-menopausa, com tumores iniciais e de baixo grau (é importante ressaltar que no grupo de alto grau esse benefício foi menos significativo), não parece trazer risco de aumento das mortes por câncer, parecendo haver uma leve tendência a um aumento da sobrevida. Concluindo, o importante desse trabalho é que ele deixa muito clara uma tendência atual quando se trata de escolha do tratamento oncológico: a individualização dos casos, com discussão entre médico e paciente dos riscos e benefícios de cada tipo de tratamento, levando-se em consideração não só a programação de tratamento que proporcione melhores resultados, mas também aquele que mais se aproxime do que cada pessoa define para si como é viver com qualidade." Alba Valéria de Oliveira, da equipe médica do CCC, comenta:
  4. 4. 4 Comunica é um boletim informativo bimestral do Centro de Combate ao Câncer. Coordenação: Andrea Teissen w Jornalista responsável: Ricardo Pinheiro 27.464 w Textos: Ricardo Pinheiro e Fernando Bella Edição: Maura Hayas w Projeto gráfico, editoração e diagramação: Publixx Arte & Texto / PressTexto Comunicação w Impressão: Gráfica Mais Coração merece atenção “Certos esquemas terapêuticos para o câncer de mama elevam em até 27% o risco de se desenvolver problemas cardiológicos” Marcelo Goulart Paiva Médicos devem redobrar cuidados em pacientes mulheres entre 40 e 50 anos Multidisciplina A atenção dos oncologistas em pacientes mulheres entre 40 e 50 anos precisa ser redobrada. Elas estão no grupo de maior risco quantoaoaparecimentodetumoresdemama e, também, de problemas cardiovasculares. Muitas vezes, o diagnóstico do câncer pode levar as pacientes a negligenciarem alguns cuidados para reduzir os fatores de risco que afetam o coração. Por isso, a melhor saída é o trabalho conjunto entre equipe oncológica e cardiologista. O tratamento do câncer de mama pode aumentar ainda mais as chances das mulheres apresentarem distúrbios cardíacos. A primeira etapa é conhecer o histórico de cada paciente e saber de que forma o tratamento pode ser menos prejudicial para as que já apresentam hipertensão, diabetes e obesidade, entre outros fatores. Os números são emblemáticos para mostrar como é importante não deixar para depois a atenção com o coração. Em mulheres que não passam por tratamento oncológico, mas apresentam um dos fatores de risco citados acima, a chance do desenvolvimento de problemas cardíacos é de até 17%, subindo para 50% na presença de dois fatores de risco. “Certos esquemas terapêuticos para o câncer de mama elevam em até 27% o risco de se desenvolver problemas cardiológicos”, revela o médico cardiologista associado ao CCC, Marcelo Goulart Paiva. Prevençãoeacompanhamento-Asmulheresem tratamento do câncer de mama inicial possuem mais 90% de possibilidade de cura. “De nada adianta estar curada do câncer e passar a ter problemas cardíacos em consequência do tratamento oncológico ou por falta de cuidado com outras doenças. Por exemplo, mulheres que diagnosticam tumores com 40 anos podem estar curadas aos 45 e com a vida comprometida por graves problemas no coração, que podem surgir anos após o término da quimioterapia. Nesse caso, troca-se uma doença por outra”, exemplifica o médico. As dicas de prevenção dos fatores de risco de doenças cardíacas são bem conhecidas: controle da pressão arterial, da glicemia e do colesterol, exercícios físicos e dieta balanceada. Com o aparecimento do câncer, o médico cardiologista pode auxiliar no controle dos fatores de risco com orientações que diminuam o impacto sobre o coração. Quando há necessidade da prescrição de medicamentos cardiotóxicos é importante o acompanhamento da paciente pelo cardiologista, que participará do planejamento terapêutico e fará acompanhamento após o tratamento. “Não podemos focar apenas na doença e esquecer o indivíduo”, conclui Marcelo Paiva.

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