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Não ao sedentarismo, sim à saúde contribuições da educação física

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Não ao sedentarismo, sim à saúde contribuições da educação física

  1. 1. ARTIGO ORIGINAL / RESEARCH REPORT / ARTÍCULO464 O MUNDO DA SAÚDE São Paulo: 2007: out/dez 31(4):464-469Não ao sedentarismo, sim à saúde: contribuições da Educação Físicaescolar e dos esportesNo to sedentarianism, yes to health: contributions of school physical education and sportsNo al sedentarismo, sí a la salud: contribuciones de la educación física en la escuelay de los deportesUbiratan Silva Alves*RESUMO: Um dos grandes problemas enfrentados pelos povos no mundo se refere ao sedentarismo. Associado a ele, a obesidade, ascardiopatias, a diabetes e tantas outras doenças aparecem com índices muito preocupantes principalmente nas populações de jovens emidade escolar. A tecnologia parece agravar mais ainda este quadro. Entretanto, a prática da atividade física regular, com orientação, comvestimenta e espaços adequados, associada a uma alimentação saudável pode contribuir para diminuir estes índices. Devido aos riscosenfrentados pelas populações urbanas no que tange à violência, a escola parece ser ainda um dos únicos senão o único reduto e localpara esta prática nos dias de hoje. Estas práticas na escola merecem ser mais bem planejadas a fim de que o maior número de alunospossa usufruir de seus benefícios. As propostas de práticas escolares devem ir além de uma especialização esportiva tentando invadiro campo da novidade no sentido de apresentar outras atividades que não só o esporte mas também a dança, a ginástica, as atividadesrítmicas entre outras. Não obstante, quando se focar no esporte, a Educação Física escolar deve ampliar a gama de possibilidades práticaspois assim possivelmente conseguiremos minimizar este quadro tão doloroso para a saúde.PALAVRAS-CHAVE: Educação física escolar. Esportes. Sedentarismo.ABSTRACT: One of the great problems faced by people in the world relates to the sedentarianism. Obesity, cardiac troubles, diabetesand many other diseases associate with this, and their emergence have very worrying rates mainly in young populations in school age.Technology seems to aggravate even more this situation. However, the regular practice of physical activities, with orientations, adequateclothes and spaces, associated to a healthful feeding can contribute to reduce these rates. Due to the risks faced by urban populationsregarding violence, school still seems to be one of the few if not the only refuge and place for these practices nowadays. These practicesin school deserve to be more planned so that the biggest number of pupils can benefit from them. The proposals of school practicesmust go beyond a sport specialization and try to enter the field of newness in the sense of presenting other activities: not only sportsbut also dancing, gymnastics, rhythmic activities among others. Even then, when having sports as its focus, Physical Education in theschool must extend the gamma of practice possibilities for this way will we possibly to minimize this so painful picture for health.KEYWORDS: Physical education school. Sports. Sedentarism.RESUMEN: Uno de los grandes problemas que enfrenta la gente en el mundo moderno se relaciona con el sedentarismo. La obesidad, losapuros cardiacos, la diabetes y muchas otras enfermedades se asocian a esto, y su aparición produce mucha preocupación principalmenteen poblaciones jóvenes en edad escolar. La tecnología sí parece agravar aún más esta situación. Sin embargo, la práctica regular deactividades físicas, con orientaciones, ropas adecuadas y espacios, asociada a una alimentación saludable puede contribuir para reducirestos problemas. Debido a los riesgos que enfrentan las poblaciones urbanas respecto a la violencia, la escuela todavía parece ser unodel pocos si no el único refugio y lugar para estas prácticas hoy en día. Estas prácticas en la escuela merecen ser previstas de modoque el número más grande de pupilos pueda se beneficiar de ellas. Las ofertas de las prácticas en la escuela deben ir más allá de unaespecialización de deportes e intentar se incorporar el campo de la novedad en el sentido de presentar otras actividades: no solamentedeportes pero también bailar, gimnástica, actividades rítmicas entre otras. Incluso en esos casos, al tener los deportes como su foco, laeducación física en la escuela debe ampliar la gamma de las posibilidades de la práctica pues de esta manera nosotros posiblementelograremos reducir al mínimo este cuadro tan doloroso para la salud.PALABRAS LLAVE: Educación física en la scuela. Deportes. Sedentarismo.* Doutor em Educação Física pela Faculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP. Mestre em Educação pela Faculdade de Educaçãoda Universidade de São Paulo – USP. Especialização em Educação Motora pela Faculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP.Graduado em Educação Física pela Escola de Educação Física da Universidade de São Paulo – USP. Coordenador do Curso de Educação Física do Centro UniversitárioSão Camilo de São Paulo. E-mail: ubiratan@scamilo.edu.br01_Não ao sedentarismo.indd 464 21.12.07 09:08:14
  2. 2. NÃO AO SEDENTARISMO, SIM À SAÚDE: CONTRIBUIÇÕES DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR E DOS ESPORTESO MUNDO DA SAÚDE São Paulo: 2007: out/dez 31(4):464-469 465IntroduçãoA Educação Física no Brasilainda sofre resquícios de um en-tendimento que a tinha como “[...]elemento de extrema importânciapara forjar aquele indivíduo forte,saudável [...]” (Castellani Filho,1988, p. 39) quando observamosalguns locais de prática de ativida-de física onde o praticante pretendeefetivamente ficar “mais forte” ou“aumentar seu tamanho”, talvezcomo intuito de surpreender o gru-po em que está inserido, ou apenasse destacar entre indivíduos. Infe-lizmente, alguns destes praticantesseutilizamdemeiosextremamenteinadequados para que possam atin-gir o “tamanho” desejado num cur-to período de tempo, muitas vezescom a conivência e com a interfe-rência de um profissional da Edu-cação Física.Podemos supor que estes acon-tecimentos, via de regra, ocorremem locais fora da escola, até por quegrande parte das escolas (principal-mente as públicas) não oferece es-paços para uma prática de atividaderegular que atinja os gostos e an-seios de todos os seus alunos. Estepode ser um dos principais fatoresque leva os alunos buscar locais al-ternativos para prática, como, porexemplo, as academias, escolinhasde esporte, clubes, entre outros es-paços que oferecem ginásticas, trei-namentos,trabalhoscomaparelhosou piscinas que poucas escolas têmcondição de ter e de manter, ten-do, como conseqüência direta, umesvaziamento das aulas regularesde Educação Física.De acordo com Borges (1998),estas evidências têm suas raízes nosanos 70 e vêm crescendo suas for-ças nas últimas duas décadas coma inserção do paradigma de saúdee aptidão física, bem como da am-pla divulgação via mídia de modis-mos das diferentes práticas, o queampliou os espaços de intervençãofora da escola.Da mesma maneira que osplanos de saúde entram na nossasociedade pela falta de condiçõesmédicasoferecidaspelosórgãospú-blicos, e que os cursos pré-vestibu-lares surgem para suprir a carênciadeixada pela formação e prepara-ção do aluno no ensino médio parao ensino superior, acreditamos queas academias e as escolinhas de es-portes vêm preencher uma lacunadeixadapelaescolanoquetangeaooferecimento de práticas de ativi-dades físicas adequadas para nossapopulação. Conforme aponta Go-doy (1995), este contexto explicitao distanciamento que a escola fazdacomunidadee,comoconseqüên-cia, afasta o aluno do contexto edu-cacional.Assentimos a Cortella (2004,p. 16) na emergência que a escolatem em se atentar para a escolha deseus conteúdos, tornando-os sem-pre atualizados e com aderência, afim de que “[...] possibilitem aosalunos uma compreensão de suaprópria realidade e seu fortaleci-mento como cidadãos, de modo aserem capazes de transformá-la nadireção dos interesses da maioriasocial”.As aulas de Educação Física es-colar vêm perdendo sua essênciapor vários motivos, inclusive comuma certa cumplicidade dos edu-cadores que atuam, visto que osproblemas parecem entrar num“círculo vicioso” sem volta que seinicia quando o professor percebe acada ano que não consegue atingiros objetivos1propostos pela disci-plina. Posteriormente, o professorse depara com alunos indisciplina-dos2, desinteressados3pelas suaspropostas e arredios às mudançasque porventura o docente tenteapresentar.Ainda neste círculo, ele sofrecerta discriminação, às vezes ve-lada, às vezes explícita, por partedos dirigentes e colegas que o im-pedem de fazer inovações e aindainviabilizam materiais, espaços,entre outros componentes destarede. Soma-se a este círculo umacerta acomodação diante do qua-dro salarial, que, em princípio, nãose altera perante sua atuação, sejaele ousado ou tímido, empreen-dedor ou reprodutor, “arcaico” ou“moderno”, “esportivista” ou “al-ternativo”4.O quadro apresentado por es-te círculo se torna muito triste e oprofessor, muitas vezes, se entregae não mais consegue buscar forçaspara desenvolver seu trabalho nemsair desta situação. A comunidadediretamente envolvida no processo(professores, escola, pais e alunos)passa a encarar o fato como algo1. Ressalta-se que estes objetivos são estabelecidos por ele mesmo, ou seja, ele não atinge os objetivos que ele mesmo estabelece. Entretanto, há um álibi para o professorque nem sempre é percebido e nem mesmo utilizado, visto que em quase todas as instituições de ensino o planejamento deve ser feito antes do início dos trabalhos sem queo docente conheça quem serão seus alunos, bem como suas expectativas e afinidades, tendo que, subjetivamente, montar um plano baseado quase que exclusivamentena idade dos discentes. Neste sentido concordamos com Shigunov (1993, p. 55), que apresenta estudos nesta linha: “[...] Hardy e Rejeski (1989) e McAuley e Duncan(1989) sugerem que as expectativas e as aspirações dos alunos são fator importante na determinação da satisfação e sucesso nas atividades físicas.“2. Em relação à indisciplina, Cortella (2004, p. 116) aponta que “[...] fica cada vez mais evidente que parte substancial do desinteresse (e da ‘indisciplina’) encontrados emmuitos alunos pode ser atribuído ao distanciamento dos conteúdos programáticos em relação às preocupações que os alunos trazem para a escola.”3. Pierón (1988) citado por Shigunov (1993) aponta que uma das grandes frustrações do professor de Educação Física escolar é a “luta” estabelecida constantemente comos alunos para terem comportamentos aceitáveis e, conseqüentemente, tornar o trabalho mais agradável.4. Chamamos de professor “arcaico” aquele que mantém seus planos e programas há muitos anos independentemente das mudanças ocorridas na área, no mundo eprincipalmente nos seres humanos. Consideramos “moderno” aquele que sempre está inovando e muitas vezes não é compreendido pelos grupos por trazer propostasque necessariamente traria algum ônus, seja financeiro ou pessoal. Já o “esportivista” se utiliza do esporte como um fim e praticamente transforma a aula de EducaçãoFísica escolar num treinamento desportivo, e o “alternativo” é aquele que se utiliza do esporte como um meio, não único, bem como de outras manifestações culturaispara alcançar seus objetivos, como a dança, a recreação, a ginástica, entre outras.01_Não ao sedentarismo.indd 465 21.12.07 09:08:14
  3. 3. NÃO AO SEDENTARISMO, SIM À SAÚDE: CONTRIBUIÇÕES DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR E DOS ESPORTES466 O MUNDO DA SAÚDE São Paulo: 2007: out/dez 31(4):464-469normal, e tudo fica girando nestecírculo: “o salário é ruim, meus alu-nos não querem nada, a escola nãome apóia, eu não tenho condiçõesde espaço e material, portanto a au-la será deste jeito”.Quando se chega a esta situa-ção, o professor realmente entregaos planos e praticamente deixa queos alunos façam o que quiserem,como quiserem, quando quisereme o que é pior: se quiserem “nãofazer nada”, também é permitido.Sendo assim, nesta ocorrência,a aula de Educação Física escolarpassa a ser concebida apenas paraparte do grupo, o que em termoseducacionais é extremamente ina-ceitável.Para referendar uma posiçãoem relação à Educação Física es-colar, endossamos as referênciasde Piccolo (1995, p. 12), quandoaponta que: “A Educação Físicaescolar deve objetivar o desenvol-vimento global de cada aluno, pro-curando formá-lo como indivíduoparticipante; deve visar à integra-ção deste aluno como ser indepen-dente, criativo e capaz, uma pessoaverdadeiramentecríticaeconscien-te, adequada à sociedade em quevive; mas esse objetivo deve seratingido através de um trabalhotambém consciente do educador,que precisa ter uma visão aberta àsmudanças necessárias do processoeducacional.”SedentarismoQuando vamos discutir seden-tarismo atualmente, vemos a ne-cessidade de atrelar esta situaçãoà tecnologia. Marx inaugura umaidéia de tecnologia inserida em mo-dalidades complexas (abrangendoprocessos de produção, de valoriza-ção, trocas e circulação), sendo quea criação tecnológica não se resumeaos meios de produção, mas se es-tende, também, aos objetos sociaisproduzidos,comooDVD,ocd-rom,o disquete gravado, a página im-pressa. Há, também, o conceito dehipertexto, de ciberespaço, de rea-lidade virtual que são consideradosprodutos tecnológicos com novossignificados na esfera da cultura.Ao considerar a força tecnoló-gica como sendo contemporâneada revolução industrial, sua gêneseestá na própria relação de rupturacom o artesanato. A tecnologia é,em si, uma abstração de todas asartes específicas indicando que otecnológico é uma forma pela quala espécie organiza e estrutura umconjunto de procedimentos sociaisdiversificados, vinculados a açõesde produção cultural e material.Como decifrou Marx, tecnologia éum saber social objetivado.Em princípio, a tecnologia écriada com fins de ser um facili-tador da sociedade e, ainda, comouma ferramenta para se economi-zar tempo nas ações. Num mundoem que as informações chegama nós de maneira instantânea equase que tudo que temos acessoé dito “ao vivo”, em tese as pes-soas deveriam ter mais tempo paracuidar de outras coisas, como porexemplo, de sua saúde. Incoerentecom este quadro, na prática, issonão ocorre. Pelo contrário, perce-bemos que quanto mais tecnologiaé criada menos tempo as pessoastêm para se dedicar à manutençãode sua saúde.Por conta disso, o sedentarismopassa a ser uma grande preocupa-ção de praticamente todas as gran-des nações do mundo, pois designao estilo de vida moderno, em queo ser humano, devido ao grandeavanço da tecnologia, precisa depouco ou de quase nada de esforçofísico para conseguir meios neces-sários para a manutenção de suavida. Além disso, o sedentarismoestá ligado ao mesmo tempo como consumo e avanços tecnológicosna produção de alimentos, antesinexistentes na história da huma-nidade, como é o caso dos hiperca-lóricos (produtos industrializados),que aumentam consideravelmen-te o sobrepeso das pessoas. Nestemundo em que “tudo é fast”5, prin-cipalmente em alimentação, deve-mos nos atentar aos riscos que estascondições podem nos levar.Neste sentido, o pouco ou ne-nhum esforço físico atrelado como consumo contínuo de alimentoshipercalóricos leva a sérios proble-mas de saúde. Este modo de vidase torna altamente prejudicial àsaúde, já que o homem precisacolocar em funcionamento e exer-citar todas as suas células, tecidos,órgãos e sistemas, a fim de evitardoenças e atrofias.O sedentarismo já tem índi-ces considerados alarmantes. Naverdade, trata-se de um compor-tamento induzido por hábitos de-correntes dos confortos da vidamoderna e que, com a evolução datecnologia e a tendência cada vezmaior de substituição das ativida-des ocupacionais que demandamgasto energético por facilidades au-tomatizadas, o ser humano adotacada vez mais a lei do menor esfor-ço, reduzindo, assim, o consumoenergético de seu corpo. Comovemos, este cenário sinaliza qua-se que como única possibilidade5. Este termo “fast” está associado à velocidade em que as coisas acontecem, a rapidez. Pessoas dizem que não têm mais tempo e se apavoram ao ver a ampulheta de ummicrocomputador dizendo de forma camuflada: “Calma, estou trabalhando para te atender.” As informações e as mudanças ocorrem numa rapidez que parece sempreestarmos atrás de algo, como se numa eterna corrida contra o tempo. Não queremos ficar para trás, daí sempre estarmos atrás de algo. Um exemplo deste “fast” é o “FastFood” (refeição rápida), que é uma possibilidade de alimentação que invadiu nossas cidades de maneira muito intensa; podemos ver várias redes de lanchonetes atuandonesta vertente. O indivíduo consegue fazer uma refeição de forma rápida em pouco tempo. Outro exemplo do “fast” vem dos Estados Unidos onde se criaram velórios“drive thru” para que se “não perdesse tempo” e apenas passasse com o carro próximo ao cadáver, retornando rapidamente as atividades, pois, de acordo com Cortella, aspessoas dizem que não têm mais tempo para pensar em coisas como a morte e se não têm tempo, então esquecem, como se a ausência da reflexão evitasse o fenômeno.01_Não ao sedentarismo.indd 466 21.12.07 09:08:16
  4. 4. NÃO AO SEDENTARISMO, SIM À SAÚDE: CONTRIBUIÇÕES DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR E DOS ESPORTESO MUNDO DA SAÚDE São Paulo: 2007: out/dez 31(4):464-469 467da prática de atividades físicas dosnossos jovens ser feita dentro daescola.Entretanto, no Brasil, Silva eMalina (2000) chegaram a índicesque mostram que quase a metadedos escolares não tem aulas regula-res de Educação Física. Este estudo,realizado em escolas públicas doRio de Janeiro, apresenta um índi-ce de sedentarismo de 85% entreadolescentes do sexo masculinoe de 94% nos do sexo feminino.Além deste estudo, Barros e Naja(2001), em pesquisa com trabalha-dores industriais no sul do Brasil,demonstraram prevalência de ina-tividade física de 68,1%. Monteiroe colaboradores (2003) observaramque apenas 3,3% de brasileirosdesenvolviam mais de meia horadiária de AFL (Atividade Física ouLazer) durante cinco dias da sema-na. Em Pelotas, Rio Grande do Sul,Hallal e seus colaboradores (2003)observaram prevalência de inati-vidade física entre 38% e 41% deindivíduos para a faixa etária entre20 e 65 anos de idade.Dois estudos seccionais e lon-gitudinais, o de Malina (2001) eo de Janz (2000), nos chamarama atenção nesta temática, pois in-dicam que a prática da atividadefísica geralmente declina de 1% a20% por ano. Este dado pode serassociado ao próprio professor deEducação Física, que, em tese, temcomo seu produto de “venda” aprática da atividade física regular,até porque ninguém contesta que“praticar atividade física de formaregular, com orientação profissio-nal, num local adequado e comvestimenta corretas, associado auma alimentação balanceada, trazbenefícios para saúde”.Soma-se, ainda, a esse postula-do o fato de que todo ser humanopode praticar atividade física, des-de que adequada e adaptada a suaindividualidade, bem como seusobjetivos. Normalmente, o perfildo indivíduo que busca a formaçãosuperior na Educação Física temalguma afinidade com a prática daatividade física, seja por meio do es-porte, da dança ou de outras afins.Cabe que no início da formação su-perior, o discente ainda consegueconciliar sua prática com as suasobrigações acadêmicas.Não obstante, aos poucos o dis-cente passa a se envolver cada vezmais com as implicações univer-sitárias, tendo, ainda, como coad-juvante de encerramento de suaprática de atividade física regulara grande facilidade e rapidez de in-serção no mercado de trabalho daEducação Física, que, muitas vezes,ocorrelogonosprimeirossemestresdeformação.Oestudante,então,sevêobrigadoaoptarporumaatuaçãoprofissional ou pela sua prática deatividade física regular. Indicamosque,provavelmente,atéparapodermanteroscustosacadêmicos6dasuaformação,oestudantepáradeprati-car atividades físicas regulares.Posto isso, caímos numa arma-dilha! Vejamos a incoerência: se éo profissional de Educação Físicaque lida com a prática de atividadesfísicas e tem como seu “produto devenda” as diferentes culturas cor-porais de movimento, é até certoponto discordante que este profis-sional não faça uso do “produto”que ele próprio põe à venda di-zendo fazer bem para a saúde dosusuários. Infelizmente, com o pas-sar dos anos, parte dos que atuamprofissionalmente na área deixamde praticar atividades físicas regu-lares, sendo que este dado pode serobjeto de uma pesquisa. Sem que-rer justificar esta postura, tambémdeve existir médicos cardiologistasque fumam, farmacêuticos que se“auto-medicam”, nutricionistas“obesas” entre outros da área dasaúde. O fato que se refere à Educa-ção Física é a divergência do discur-so proferido pelos que atuam com asua própria atuação e uso.Se é o profissional de EducaçãoFísica que “vende” este produtochamado prática de atividade física(seja ela qual for) e os índices desedentarismo estão se elevando,ousamos afirmar que o profissionaldesta área não está conseguindoexercer um de seus grandes papéis,que é o de conscientizar a popula-ção da importância da prática daatividade física regular.Esta conscientização, não temosdúvida, deve ser iniciada nas aulasde Educação Física escolar, até porque pode ser que estas aulas sejama única possibilidade de parte danossa população em ter acesso aestas práticas regulares. Os hábitose os significados criados pelos indi-víduos durante a adolescência, ouseja, até o final do ensino médio,são aqueles que permanecerão portoda sua vida desde que tenhamsignificado.A participação em atividadesfísicas declina consideravelmentecom o crescimento, especialmen-te do adolescente que ingressana idade adulta. Alguns estudosidentificam alguns fatores de ris-co para o sedentarismo, como porexemplo, pais inativos fisicamente,escolas sem atividades esportivas,sexo feminino, residir em área ur-bana, TV e aparelhos eletrônicos noquarto da criança entre outros. To-do este contexto nos leva a crer quea Escola, que tem obrigatoriedadena educação básica constituindo-secomo um direito universal, econô-mico e social reiterado pela Cons-tituição Brasileira e por diversosdocumentos internacionais, taiscomo a Declaração do Milênio e o6. Estes custos são a mensalidade da Instituição (lembrando que as Instituições públicas não têm este custo), o transporte, a alimentação, a vestimenta, os livros, cursosextras, a moradia (quando necessário for).01_Não ao sedentarismo.indd 467 21.12.07 09:08:17
  5. 5. NÃO AO SEDENTARISMO, SIM À SAÚDE: CONTRIBUIÇÕES DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR E DOS ESPORTES468 O MUNDO DA SAÚDE São Paulo: 2007: out/dez 31(4):464-469Marco de Dacar, é, também, a basepara a realização de outros direitos,como saúde, liberdade, segurança,bem-estar econômico, participaçãosocial e política.Nocasodaatividadefísica,sete-mos um local obrigatório de se fre-qüentar até em média 18, 19 ou 20anos, esse local é a escola. A escas-sez de espaços públicos para a práti-caimpossibilitacidadãoscompoderaquisitivobaixodefreqüentarlocaisprivados, ou seja, a Educação Físi-ca escolar tem que fazer valer seupapel e seduzir seus alunos numaprática da atividade física regular,pois, assim, poderemos realizar umde nossos principais direitos, comofora citado: direito à saúde.Quando a Educação Física forefetivamente utilizada na escolacom fins de ampla divulgação dasculturas corporais de movimento,poderemos contribuir diretamen-te na diminuição dos índices desedentarismo. Quanto maior for agama de possibilidades apresenta-das para os alunos na escola comfins de prática, maior será o núme-ro de indivíduos que descobrirãoalguma atividade que possa lhedar prazer e, conseqüentemente,torná-la um hábito. Quanto maislimitado for o número de propostasde atividade física na escola, menorserá o número de alunos que con-seguirão ser abarcados, o que causaum aumento brusco do número desedentários.Considerações finaisNão é de se estranhar que aEducação Física na escola tenhacomo seu principal conteúdo osesportes, pois, quando observa-mos os currículos das Instituiçõesde ensino superior que têm cursosde Educação Física, é quase que in-continente haver na sua grade al-gunsesportes.Predominantementevemos o Futebol, Vôlei, Basquete,Handebol, Ginástica e Natação7.Aos poucos, vemos incluir nasgrades disciplinas esportivas delutas, esportes de aventura, de ra-quete, entre outros que tentam sedestacar neste mundo dominadopelos esportes coletivos com bolade quadra. Conseqüentemente, oprofessor de Educação Física temum bom álibi para justificar suaintervenção na escola apenas comestes esportes, afinal foi assim quefora formado.As propostas apresentadas pe-los blocos de conteúdos nos Parâ-metros Curriculares Nacionais deEducação Física incluem, além dosesportes, os conhecimentos sobre ocorpo, os jogos, as lutas, a ginástica,as atividades rítmicas e expressivas.Entretanto, quando se propõem osesportes nas aulas de EducaçãoFísica escolar, o foco geralmen-te fica em torno das modalidadesjá mencionadas: Futebol, Vôlei,Basquete e Handebol, limitando aatuação dos alunos, pois, quandonão se tem apreço pelas modali-dades apresentadas e não se temoutra opção, o aluno é quase queobrigado a não participar da aulae, conseqüentemente, não utili-za o curto e pequeno espaço quea escola oferece para a prática daatividade física regular.Entretanto,tratando-sedemoda-lidades esportivas, só as Olímpi-cascompõe um rol de 398diferentes.Além destas, ainda temos, no mun-do, cerca de 60 modalidades espor-tivas9com características diversas.As escolas de Educação básicanoBrasiltêmemmédiaentreumaetrês aulas de Educação Física sema-nais. O número de aulas semanaisvemcaindoprincipalmentequandose ingressa no ensino médio, fatoeste que deve ser levado em consi-deração pela fase de preocupaçõescom o vestibular e entrada no ensi-nosuperior,quandoasescolasprio-rizam áreas de conhecimento queserão cobradas nestes exames deformadireta10.Nãoobstante,ressal-tamos que quando o aluno praticaatividades físicas de forma regular,tem maior tendência a suportar ostress destas longas provas, bemcomo ter seu estado de prontidão ealerta mais apurados, o que indicaum possível melhor resultado, ouseja, podemos enfatizar que a Edu-cação Física participa dos examesvestibulares de forma indireta.7. Algumas faculdades de Educação Física estão abolindo as disciplinas que se utilizam do meio líquido, tendo como justificativa que, por se tratar de um curso de Licen-ciatura, formando professores para escola, e que estas em sua maioria não possuem piscinas, não há necessidade de uma disciplina dessa natureza. Além disso, os custos deuma piscina para um curso são elevados, o que também inviabiliza seu uso. Cabe que nosso país tem uma costa de mais de 10.000 mil quilômetros, além dos rios e lagos,e não é prudente que os habitantes da nossa nação não saibam se deslocar no meio líquido, até por uma questão de sobrevivência.8. Os dados das modalidades Olímpicas foram retirados do Atlas do esporte no Brasil. São elas: Atletismo, Beisebol, Badminton, Basquete, Boxe, Canoagem (slalom),Canoagem (velocidade), Ciclismo (estrada), Ciclismo (mountain bike), Ciclismo (pista), Esgrima, Futebol, Ginástica (artística), Ginástica (rítmica desportiva), Ginástica(trampolim acrobático), Handebol, Hipismo (adestramento), Hipismo (concurso completo de equitação), Hipismo (saltos), Hóquei na Grama, Judô, Levantamento dePeso, Lutas (livre e greco-romana), Natação, Natação Sincronizada, Pentatlo Moderno, Pólo Aquático, Remo, Saltos Ornamentais, Softbol, Taekwondo, Tênis, Tênis deMesa, Tiro, Tiro com Arco, Triatlo, Vela, Vôlei, Vôlei de Praia.9. O Atlas do esporte no Brasil também apresenta as modalidades não olímpicas: Acqua Ride, Acrobacia aérea, Aeromodelismo, Arvorismo, Automobilismo, BalonismoBike Trials, Bocha, Pesca, Bodyboard, Boia-Cross, Boliche, Bungee Jump, Canionismo, Canoa Havaiana, Capoeira, Carrovelismo, Corrida de Aventura, Corrida de Ori-entação, Culturismo e Musculação, Disco não Frisbee, Enduro a pé, Esqui Aquático, Flag Football, Frescobol, Futebol Americano, Futebol, Halterofilismo, Hóquei sobrePatins, Jet Ski, Jiu-Jitsu, Kabaddi, Kart, Karaté, Kitesurfe, Kung Fu, Luta de Braço, Mergulho, Motociclismo, Paintball, Pára-quedismo, Patinação Artística, Prancha Vela,Punhobol, Rafting, Rapel, Rugby, Sandboard & Skimboard, Sepaktakraw, Skaté, Rally, Squash, Surfe, Tamboréu, Tchoukball, Tiroleza, Trekking, Turfe, Ultraleve, VôoLivre, Wakeboard, Xadrez, Zorbing. Por conta da criatividade do ser humano e de suas necessidades de Lazer, sempre surgem novas modalidades. Hoje em dia temosevidenciado o surgimento do “Bossa Ball”, que mistura principalmente as habilidades do vôlei, capoeira, futebol.10. As áreas de conhecimento predominantemente cobradas no vestibular de forma direta giram em torno da lingüística e da matemática. Imaginem se a área de EducaçãoFísica fosse cobrada nos exames de vestibular. Quais seriam as questões a serem aplicadas: Regras dos esportes? Funcionamento dos sistemas orgânicos? Nome de ossosou músculos? História da Educação Física?01_Não ao sedentarismo.indd 468 21.12.07 09:08:18
  6. 6. NÃO AO SEDENTARISMO, SIM À SAÚDE: CONTRIBUIÇÕES DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR E DOS ESPORTESO MUNDO DA SAÚDE São Paulo: 2007: out/dez 31(4):464-469 469Temos clareza que neste curtoperíodo de tempo disponível paraas aulas de Educação Física regularseria quase que impossível fazercom que os alunos aprendessem apraticar alguma modalidade espor-tiva de forma eficiente. Neste caso,começa a se explicitar a distânciaentre aquilo que o professor ensinae efetivamente aquilo que o alunoaprende. Felizmente, como é o pro-fessor que organiza e planeja suasatividades deve pagar pelo ônus donão cumprimento de seus planos,principalmente quando objetiva fa-zer com que seus alunos aprendama praticar algum esporte.Posto isso, a Educação Físicapoderia apresentar a seus alunostodas estas modalidades esportivas,a fim de que pudessem conhecer,experimentar, tomar contato, gos-to, escolher e, por fim, praticá-la demaneira regular fora das aulas deEducação Física, na própria escolaou em alguma Instituição que asdesenvolva de forma sistematizada.Quando limitamos estas apresenta-ções às quatro modalidades coleti-vas de quadra com bola (Futebol,Vôlei, Basquete e Handebol), limi-tamostambémonúmerodealunosque por ventura se interessariampor outras opções, afinal, não sãotodos que apreciam as modalidadescitadas.Este tipo de atuação requer doprofessor de Educação Física umgrande esforço, até porque, mui-tas vezes, nem mesmo ele conhecealguma destas modalidades, o quenecessitaria de uma busca de novasinformações. Todavia, este esforçopoderia ser recompensado com umnúmero maior de alunos pratican-tes de esportes, sejam eles quaisforem, pois se o esporte é tão moti-vante e atrativo, a Educação Físicanão deveria se limitar a apresentarapenas uma pequena quantidadede modalidades.Finalmente, se a Educação Fí-sica utilizar somente os esportes11nas aulas, poderia contribuir paraa diminuição do sedentarismo e,conseqüentemente, teríamos amédio e longo prazo praticantesde outras modalidades esportivas,talvez até em alto nível no Brasil,pois achamos ser um desperdíciorevelarmos apenas grandes atletasprincipalmente no Futebol e noVôlei, especialmente tratando-sede um país com as dimensões comosão as nossas, com um grande po-tencial para o esporte.REFERÊNCIASCastellani Filho L. Educação física no Brasil: a história que não se conta. Campinas: Papirus; 1988.Barros MV, Nahas MV. “Health risk behaviors, health status self-assessment and stress perception among industrial workers”. RevSaúde Pública 2001; 35: 554-63.Borges CMF. O professor de educação física e a construção dos saber. Campinas: Papirus; 1998.Cortella MS A escola e o conhecimento: fundamentos epistemológicos e políticos. 8ª ed. São Paulo: Cortez; 2004.Costa L. Atlas do esporte no Brasil – atlas do esporte, educação física e atividades físicas de saúde e lazer no Brasil. Rio de Janeiro:Shape; 2005.Godoy JFR. “Educação física não escolar”. In: Piccolo VLN, organizador. Educação física escolar: ser … ou não ter. 3ª ed. Campinas:Edunicamp; 1995.Hallal PC, Victoria CG, Wells JCK, Lima RC. “Physical inactivity: prevalence and associatéd variables in Brazilian adults”. Med SciSports Exerc.;35: 1894-900.Jansz KF, Dawson JD, Mahoney LT.. “Tracking physical fitness and physical activity from childhood to adolescence: the Muscatinestudy.” Med Sci Sports Exer. 2000; 32: 1250-7.Malina RM. “Physical activity and fitness: pathways from childhood to adulthood”. Am J Hum Bio. 2001; 13:162-72.Monteiro CA, Conde WL, Matsudo SM, Matsudo VR, Bonsenor IM, Lotufo PA. “A descriptive epidemiology of leisure time physicalactivity in Brazil”. Rev Panam Salud Publica 2003;14:246-54.Parâmetros Curriculares Nacionais: educação física. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF; 1997.Piccolo VLN, organizador. Educação física escolar: ser … ou não ter. 3ª ed. Campinas: Edunicamp; 1995.Silva RCR, Malina RM. “Nível de atividade física em adolescentes do Município de Niterói, Rio de Janeiro, Brasil.” Cad. Saúde Pública2000; 16:1091-7.Shigunov V. Pedagogia da educação física: o desporto coletivo na escola – os componentes afetivos. São Paulo: Ibrasa; 1993.11. Se a Educação Física se utilizar apenas dos esportes como conteúdo da área escolar, que o faça de maneira mais ampla. Lembramos que os esportes fazem parte apenasde um dos conteúdos da área, mas não o único.Recebido em 18 de maio de 2007 Aprovado em 30 de junho de 200701_Não ao sedentarismo.indd 469 21.12.07 09:08:19

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