Espaço diabetes nutrição

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Espaço diabetes nutrição

  1. 1. Rosalina Grilo «A s escolhas alimentares de um doente diabético são as que, efectivamente, qualquer pessoa devia fazer. A ingestão de alimentos açucarados, com alto teor de gordu- ra, refeições abundantes e em número reduzido (duas ou três por dia) são comportamentos ali- mentares totalmente desaconselhados a qualquer um», garante o Dr. Fernando Pichel, nutricionista do Serviço de Endocrinologia do Hospital de San- to António, no Porto. É que uma alimentação, somada a estilos de vida poucos saudáveis, pode facilitar o desenvol- vimento de uma diabetes tipo 2, doença que está a ganhar contornos de pandemia, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Em consonância com este receio está a Fede- ração Internacional da Diabetes: estima-se que, dos actuais 194 milhões de diabéticos no mundo, se cresça até aos 330 milhões em 2025. Cerca de 90% destes casos são de diabetes tipo 2, intima- mente ligada ao também aumento exponencial da obesidade no mundo ocidental. Porém, ressalve-se, não é exactamente pela boca que morre o peixe. «Não se pode afirmar que a obesidade e/ou alimentação são directamente os factores causadores da diabetes tipo 2, têm é um peso muito grande no seu desenvolvimento», adverte o nutricionista. O que se passa é que o peso corporal exces- sivo e, principalmente, a gordura abdominal, têm um papel importante no aparecimento da doença. Nestas pessoas, «há uma diminuição da eficácia da utilização da glicose, entre outros motivos, de- vido à diminuição da sensibilidade à insulina», diz Fernando Pichel. E, embora não se possa afirmar que através da alimentação se consegue impedir o apareci- mento da diabetes tipo 2, o nutricionista esclare- ce que, «se houver adesão a determinados com- portamentos alimentares, poder-se-á atrasar o aparecimento da doença, fazer com que esta não se manifeste ou surja numa fase muito avançada da vida, mesmo em indivíduos com predisposição genética». Mas, então, qual é o truque? Fazer cinco a seis refeições por dia, não deixar passar mais de três horas entre as refeições, comer muitos produtos hortícolas, ingerir fruta diariamente (entre três a cinco peças por dia), reduzir a momentos esporá- dicos a ingestão de produtos açucarados, diminuir a quantidade de gordura alimentar e de sal. E, basicamente, de um modo geral, toda a gen- te devia fazer este tipo de alimentação, ou seja, não comer mais do que aquilo que o organismo necessita e, por outro lado, preferir alimentos saudáveis. Simples em teoria, muito difícil na prática Aos 19 anos, Fátima quis desistir. «Já não aguentava mais fazer aquilo todos os dias, tudo me custava muito, sobretudo dar as picadas no dedo. Então decidi deixar de fazer insulina», lem- bra hoje, aos 21 anos, carregando um Francisco já de seis meses na barriga. É diabética tipo 1 desde os 7 anos. Na escola sentia-se diferente, as outras crianças «comiam doces à minha frente para me fazer inveja». O que fez aos 19 anos foi uma proeza arriscada: naquela altura, Fátima precisava de quatro injec- ções de insulina por dia, a hormona que nos permi- te arranjar energia. Parar podia ter sido o seu fim. E, para além de ter parado com a insulina, deixou de fazer as sete habituais refeições por dia, equili- bradas, saudáveis, para passar a fazer duas ou três. «Às vezes até almoçava um bolo cheio de cre- me, mais nada, só pelo prazer que me dava. Havia momentos em que só queria comer doces.» Mas, um ano mais tarde, a vontade de ser mãe foi mais forte do que a força que lhe puxava os braços para baixo. «A minha mãe e o meu marido obrigaram-me a tratar de mim. Mas, antes, sen- tia-me um fardo, queria era morrer», analisa. Agora só pensa no nascimento do Francisco, em Junho, e sente que, assim, «nem custa nada» andar controlada, fazer a alimentação correcta, administrar as doses de insulina de que necessita para viver. «Tudo me passa ao lado, quero é que ele nasça bem e isso só vai acontecer se eu estiver bem.» Na diabetes tipo 1, a alimentação não é um factor desencadeante. As causas, embora ain- da não reveladas, passam por uma componente genética de predisposição e são factores como grandes momentos de stress que podem promover o aparecimento da doença. Contudo, uma vez feito o diagnóstico da dia- betes tipo 1, o doente terá de adoptar os mesmos cuidados com a alimentação que um diabético tipo 2. Para estar bem controlado, é fundamental que o diabético conheça a sua doença e o respectivo tratamento. Esperam-no um mundo de descober- tas, isto porque a dimensão nutricional é apenas uma das vertentes da terapêutica, para além da medicação e da actividade física. No que toca à alimentação após o diagnóstico, é preciso perceber como a alimentação é impor- tante, capaz de afectar o desenvolvimento da do- ença e influenciar o respectivo controlo. É preciso identificar os alimentos fornecedo- res de hidratos de carbono, conhecer a quanti- dade média de hidratos de carbono dos referidos alimentos e interiorizar um princípio fundamen- tal: o modo como o diabético gere a ingestão dos alimentos influenciará, positivamente ou não, a respectiva glicemia (quantidade de açúcar no sangue). Após a aquisição destas informações básicas, o diabético tem de saber ser rigoroso nas quanti- dades que ingere e no cumprimento de horários e número de refeições por dia. «Não há alimentos proibidos para o diabético, há é modos e quantidades correctas de os comer. Acresce a necessidade de fazer uma ingestão adequada de proteínas e de gorduras na sua ali- mentação para que consiga um balanço energé- tico equilibrado entre os três nutrientes», adianta Fernando Pichel, aconselhando: «A família do diabético deverá igualmente fa- zer esta alimentação, porque é também a melhor para eles.» Empowerment: com a faca e o queijo na mão Açúcar a mais no sangue. É este o problema que dá origem à diabetes, comum aos dois tipos. E, se no tipo 1 há açúcar a mais porque cessou a produção de insulina, no tipo 2, o organismo não consegue usar a insulina de que dispõe, há resis- tência à acção desta substância. E, sem insulina, o organismo não consegue processar a sua fonte de energia, o açúcar: não é à toa que esta substância é apelidada de hormona da vida. Mas, mesmo assim, ainda há um problema DR. FERNANDO PICHEL, NUTRICIONISTA DO SERVIÇO DE ENDOCRINOLOGIA DO HOSPITAL DE SANT «Não há alimentos proibidos para e quantidades correctas O diabético deverá comer o que toda a gente deveria comer. Nem mais, nem menos. E, embora esta seja uma verdade que está bem-demonstrada pela Medicina, o senso comum teima em ignorá-la, vaticinando, do alto da sua popular sabedoria, que os diabéticos passam a vida em sacrifício porque «não podem comer quase nada». Quando, na realidade, os não-diabéticos é que não deviam comer quase tudo. SÁBADO, 1 DE ABRIL 200616 Espaço diabetes É preciso identificar os alimentos fornecedores de hidratos ingestão dos alimentos influenciará, positivamente ou não, Dr. Fernando Pichel, nutricionista Fátima Silva, 21 anos, diabética tipo 1 É preciso identificar os alimentos fornecedores de hidratos de carbono, conhecer a quantidade média de hidratos de carbono dos referidos alimentos e interiorizar um princípio fundamental: o modo como o diabético gere a ingestão dos alimentos influenciará, positivamente ou não, a respectiva glicemia. J.C.L. R.G. ArquivoJASFarma®
  2. 2. TO ANTÓNIO, NO PORTO: a o diabético, há é modos s de os comer» 17 maior nesta história: é que a diabetes pode apa- recer em qualquer altura, em qualquer lugar, a qualquer hora. Contudo, ao contrário do que acontece com aquelas visitas indesejadas que nos invadem a casa sem pedir licença, os diabéticos não podem convidar a sua doença a sair. É um compromisso para toda a vida: não há divórcio possível. Por isso, é mesmo bom que se entendam. O Tiago, por exemplo, é diabético tipo 1 desde os 3 anos. Aos 18, este caloiro de Enfermagem – cujo grande sonho é ser cirurgião geral –, não se sente diferente das pessoas da sua idade. Nem nunca sentiu, já lá vão tantos anos. Até, astuta- mente, acabou por usar a diabetes para se nota- bilizar entre os seus pares. «Às vezes ele chegava a casa, vindo de acam- pamentos de escuteiros, e contava que os colegas lhe pediam para mostrar como é que administrava a insulina. À noite, faziam uma roda à volta do Tiago e ele mostrava, sem problemas, como fa- zia», conta a mãe, Ana Pisco, sob o olhar concor- dante do terceiro membro activo desta equipa, o pai, José Pisco. Claro que, nas primeiras administrações de in- sulina, «o coração partia-se», a luta era grande para convencer o pequeno Tiago de que aquilo era coisa boa. As birras e as fugas eram uma cons- tante. Mas, antes de completar 4 anos, ele tomou, autonomamente, uma decisão. «Uma manhã, estávamos a arranjar maneira de lhe dar a insulina sem o acordar e, de repente, ele, que já estava acordado, estende o braço na nossa direcção, muito firme, e diz: “Vá, se tem de ser, tem de ser!”. Aceitou a doença», lembra a mãe. Passaram-se 15 anos e este rapaz, alto, atlético, sorriso franco, nunca deixou de comer uma fatia de bolo nas festas de anos ou em ocasiões especiais. «Só tinha de fazer insulina a seguir», sublinha. E o seu aspecto saudável deixa ainda transpa- recer a intensa actividade física que sempre teve: 14 anos de rancho folclórico, 10 de natação, 8 de escuteiros e 4 de ténis. Embora felizes, casos como o do Tiago não constituem a maioria. Por isso, a educação do doente com diabetes tem sido uma preocupação fundamental na área da Diabetologia. «Mais do que diagnosticar ou prescrever a te- rapêutica, é preciso ensinar o doente a lidar com a doença», defende o Dr. José Boavida, director clínico da Associação Protectora dos Doentes Diabéticos (APDP), avançando números descon- certantes: «A adesão a todas as medidas terapêuticas na diabetes não atingirá 10% de todos os doentes. E a adesão às diferentes medidas isoladamente, insulina, antidiabéticos orais, alimentação e ac- tividade física varia, segundo os estudos, entre 20% e 80%.» de carbono, conhecer a quantidade média de hidratos de carbono dos referidos alimentos e interiorizar um princípio fundamental: o modo como o diabético gere a , a respectiva glicemia (quantidade de açúcar no sangue). O que é a diabetes? A maior parte dos alimentos que ingeri- mos é transformada em glicose, uma forma de açúcar, que o nosso organismo usa como fonte de energia. O pâncreas, um órgão próximo do estômago, produz uma hormo- na chamada insulina, a qual permite aos nossos músculos e outros tecidos retirar a glicose do sangue para ser utilizada ou ar- mazenada. A diabetes mellitus é uma doença cróni- ca que surge quando o pâncreas não produz insulina suficiente ou quando o organismo não consegue usar a insulina que produz. Em resultado disso, a pessoa não conse- gue usar a glicose dos alimentos que inge- re. Esta situação pode levar a uma concen- tração anormalmente elevada de glicose no sangue, também designada por hiper- glicemia. Diferenças entre tipos 1 e 2 Tipo 1 • Pessoas que não produzem insulina suficiente; • A insulina é uma medicação vital; • Cerca de 10% do total de casos de dia- betes; • Desenvolve-se mais frequentemente em crianças e adolescentes, mas também pode surgir em adultos; • Factores genéticos ou ambientais po- dem desencadear o seu aparecimento. • Surge, geralmente, de forma súbita e dramática e pode ser anunciada por sinto- mas como sede excessiva, necessidade fre- quente de urinar, cansaço, perda de peso inexplicada e infecções recorrentes. Tipo 2 • Há produção de insulina, mas esta não é usada de forma eficaz; • Representa cerca de 90% dos casos; • Factores de risco incluem obesidade, idade avançada, história familiar de diabe- tes ou de diabetes gestacional, sedentaris- mo, etnia e baixo peso à nascença. • Os sintomas da diabetes tipo 1, embo- ra de forma menos acentuada, também po- dem afectar as pessoas com tipo 2. O apa- recimento deste tipo é gradual, sendo, por vezes, difícil de detectar. Algumas pessoas com diabetes tipo 2 não têm sintomas ini- ciais, só sendo diagnosticada a doença vá- rios anos após o seu aparecimento, quando já podem estar presentes complicações da diabetes. Que consequências? Complicações agudas • Hipoglicemia: quando os níveis de gli- cose (açúcar) no sangue ficam baixos; • Coma diabético: também designado por cetoacidose, é provocada por falta de insulina; • Infecções: mal controlada, a diabetes pode potenciar infecções bacterianas e fún- gicas. Complicações crónicas • Retinopatia diabética: é a principal causa de cegueira nos adultos; • Insuficiência renal: a diabetes é a sua principal causa; • Lesões nos nervos: afecta, pelo me- nos, 50% dos diabéticos. Pode produzir in- sensibilidade nas pernas, levar à ulceração e amputação. Pode também causar impo- tência; • Doenças cardiovasculares: o risco de insuficiência cardíaca ou enfarte é duas a cinco vezes maior nos diabéticos. Em muitos países, as doenças do aparelho circulatório são a principal causa de morte destes do- entes. ABC da diabetes A diabetes pode aparecer em qualquer altura, em qualquer lugar, a qualquer hora. Contudo, ao contrário do que acontece com aquelas visitas indesejadas que nos invadem a casa sem pedir li- cença, os diabéticos não podem convidar a sua doença a sair. SÁBADO, 1 DE ABRIL 2006
  3. 3. Mas, de acordo com este especialista, não é com mensagens negativas que se vai lá. Há doen- tes que negam, pura e simplesmente não aceitam a doença, outros sentem-se inseguros, perdidos. Neste casos, «não é a agressividade ou o con- fronto com a realidade que ajuda as pessoas a en- tender e a adaptar a doença à rotina da sua vida. É preciso haver reforços positivos». Assim, a APDP, a primeira associação de diabé- ticos do mundo - fundada em 1926, com o objec- tivo de fornecer insulina gratuita aos diabéticos pobres -, tem vindo a defender a necessidade da educação terapêutica como sendo tão fundamen- tal como os medicamentos. «Não basta dizer ao doente aquilo que deve fazer. É preciso acompanhá-lo e ajudá-lo. A isto chama-se empowerment, ou seja, é o processo de acompanhamento em que os doentes se tornam senhores de si próprios, ficam capazes de gerir a sua doença. Claro, sempre com a necessária aces- sibilidade aos profissionais que o poderão ajudar a ajustar ou a adaptar a sua terapêutica a novas situações», argumenta José Boavida, defendendo uma linha de pensamento que vai de encontro à apresentada pelo Prof. Robert Anderson, da Uni- versidade do Michigan, que esteve recentemente em Portugal durante o 7.º Congresso Português de Diabetologia, no Algarve. De acordo com este reputado especialista, tudo se resume a três conceitos: escolhas, con- trolo e consequências. «Primeiro, as escolhas diárias que o doente faz têm muito mais impacto do que as decisões tomadas pelo médico, no seu gabinete. Segundo, porque, quando regressam a casa, são eles que têm o controlo da sua doença e, terceiro, porque quando as consequências aparecem, quem as sente na pele é o doente», clarifica o psicólogo norte-americano, reflectindo: «É o doente que vai prevenir ou precipitar as complicações. Assim, a diabetes, incluindo o con- trolo diário, é da responsabilidade da pessoa que tem a doença.» Diz Robert Anderson, que é tentador para o médico motivar os seus doentes através de re- forços negativos (por exemplo, criticando, usan- do o medo como arma, etc.). Mas, para produzir alterações comportamentais e, sobretudo, man- tê-las, a motivação é mais efectiva quando vem de dentro, parte do doente e é canalizada para produzir mudanças significativas e valorizadas pela pessoa. «A motivação interna leva à adopção e ma- nutenção de melhores e mais prolongados au- tocuidados do que a motivação externa, isto é, aquela que os move para evitar criticas ou conquistar a aprovação do médico», defende Anderson. Saúde Pública® , em Atlanta De acordo com os resultados do estudo Ex- TRACT-TIMI 25, da autoria da Brigham and Women’s Hospital, apresentado a 14 de Março na 55.ª Reunião Anual do American College of Car- diology, em Atlanta (EUA), o uso de enoxapari- na permite reduzir significativamente o risco da ocorrência de eventos cardiovasculares e morte em doentes com história prévia de enfarte. Este trata-se de um estudo randomizado, duplamente cego e double-dummy, que compa- rou duas estratégias terapêuticas no combate à coagulação. O ExTRACT-TIMI 25 (Enoxaparin and Thrombosis for Acute Myocardial Infarction Tre- atment - Thrombosis in Myocardial Infarction), realizado com o apoio de uma bolsa da sanofi- -aventis, foi efectuado a 20.000 doentes em 48 países, cujo primeiro tratamento para o ataque cardíaco passa pela injecção de um medicamento para reduzir a formação de coágulos de sangue (terapia fibrolítica). A nova estratégia terapêutica, usando eno- xaparina, uma heparina de baixo peso molecular, foi utilizada em doentes hospitalizados devido a ocorrência de enfarte do miocárdio, e foi compa- rada com a estratégia convencional de tratamen- to (heparina não fraccionada), por um período mínimo de 48 horas. Este estudo pretendeu determinar que estra- EM DOENTES COM ENFAR N e r Os cardiologistas que estejam a tratar doentes que tenham sofrido um ataque cardíaco podem, a partir de agora, aplicar uma estratégia terapêutica mais eficaz, para prevenir a formação de coágulos sanguíneos nas artérias coronárias, usando uma substância que se designa por enoxaparina. Espaço diabetes Camarão, lagosta e cerveja são coisas a que se habituou e são as que mais gosta de comer e beber. Toda a vida de Daniel Cardoso, desde que começou a trabalhar, foi passada rodea- do destes e de outros petiscos: era empregado de mesa em paquetes de luxo. Portanto, é fácil de ver: a tentação e a vontade de co- mer andaram sempre de mãos dadas com horários pouco certos e, a maioria das vezes, imprevisíveis. «Só podíamos comer depois de terminar de servir as refei- ções», corrobora Daniel. A sua diabetes é tipo 2 e foi-lhe diagnosticada por vol- ta dos 40 pela médica de fa- mília. Não tem antecedentes familiares, nunca teve problemas de maior de saúde. Mas, com os anos, foi aumentando gra- dualmente de peso, sem se aperceber ou preocupar mui- to com isso. E, um dia, a diabetes ba- teu-lhe à porta, há cerca de 15 anos atrás, estava ainda em plena actividade profis- sional. Nessa altura, passa- va grandes temporadas no mar em sítios tão longínquos como Timor, Macau ou Índia. «Quando soube que era diabético, não passei cartão, continuei a fazer a vida que sempre fiz, achava que não era nada», afirma, pesaroso. «Agora tenho medo, já faço uma alimentação regrada, tenho muito cui- dado comigo», garante. É que os problemas de visão que, desde há 10 anos, o vão maçando (já não vê bem ao longe nem ao perto) e a hipertensão que tem de con- trolar com dois comprimidos por dia, fizeram-no pensar. As duas feridas nos pés que também já teve, e que custaram a curar, também contribuíram para não esquecer o grande poder destrutivo da diabetes. Agora, já passados tantos anos de despreo- cupação, a atenção que dispensa a si mesmo e à sua saúde, é muito diferente e parte de dentro, é voluntária: «Tenho muito cuidado com a ali- mentação hoje em dia, como sete vezes por dia, muitos legumes e fruta, tento não abusar dos doces nem das gorduras. Tenho muito cuidado comigo. Não faço insulina e não quero fazer tão depressa.» «Quando soube que era diabético, não passei cartão» Daniel Cardoso desenvolveu diabetes tipo 2 por volta dos 40 anos Cantinas escolares nos Açores só vendem água Um projecto pioneiro está em marcha no arquipélago dos Açores: sumos, refri- gerantes e pacotes de fritos foram banidos das cantinas escolares. A iniciativa partiu do Programa Regional de Nutrição e Controlo da Diabetes nos Açores (PRNCDA), que foi junto da Direcção Regional de Educação, no âmbito do Programa Regional de Controlo e Prevenção da Obesidade, apresentar os seus argumentos. «Nos Açores já está diagnosticado um problema de obesidade infantil: 31,5% das crianças tem excesso de peso ou obesidade. É por este motivo, e numa lógica de preven- ção e promoção da saúde, que tomámos esta iniciativa. A mudança de comportamentos é fundamental para a saúde da população e as boas práticas devem começar a ser apli- cadas desde a infância», defende o Dr. Rui César, coordenador do PRNCDA e director do Serviço de Endocrinologia e Nutrição do Hos- pital do Divino Espírito Santo, em S. Miguel. Da conversa nasceu uma saudável e pio- neira parceria, que tenta incutir aos mais novos hábitos alimentares mais saudáveis. «Consideramos que as unidades de saúde do arquipélago, 16 centros de saúde e três hospitais, devem ser solidários com esta ini- ciativa e abolir, também nos seus bares e cantinas, a venda destes produtos», defende Rui César, acrescentando: «Não nos limitámos a retirar os sumos e os refrigerantes das escolas, temos progra- madas acções de promoção dos benefícios da água, não só dirigidos aos estabeleci- mentos de ensino, como também aos centros de saúde do arquipélago», reforça o endo- crinologista. Antes da implementação desta iniciati- va, o PRNCDA foi igualmente responsável por uma campanha de sensibilização para os benefícios de comer pão de qualidade e, por uma outra, alertando para os malefícios do sal da alimentação, tão frequente na gas- tronomia da região. Projecto pioneiro em Portugal Família Pisco: Ana e José, os pais do Tiago, diabé- tico tipo 1 desde os 3 anos 18 SÁBADO, 1 DE ABRIL 2006 Dr. José Boavida A nova estratégia terapêutica, usando enoxaparina, uma h hospitalizados devido a ocorrência de enfarte do miocárdio R.G. R.G. DANIEL CARDOSO, DIABÉTICO TIPO 2: R.G. ArquivoJASFarma®

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