Efeito do Tomate na Prevenção do Câncer de Próstata

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Efeito do Tomate na Prevenção do Câncer de Próstata

  1. 1. 50REVISÃO / REVIEW PAPER / REVISIÓNRevista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.5, n.2, p.50-54, Abr-Mai-Jun. 2012.Submissão: 05/01/2012Aprovação: 28/02/2012Efeito do licopeno do tomate na prevenção do câncer de próstataLycopene’s effect of tomato on prevention of prostate cancerEl efecto del lipoceno del tomate en la prevención del cáncer de próstataRESUMOEstudos apontam o licopeno como eficiente inibidor da proliferação celular, evidenciando seu fatorpreventivo ao câncer de próstata. Neste levantamento bibliográfico, foram utilizadas dissertações,teses, artigos originais e de revisão com o objetivo de abordar o efeito do licopeno presente no to-mate e seus derivados como preventivo ao câncer de próstata. Foram incluídos estudos publicadosnos idiomas português, inglês e espanhol, no período de 2001 a 2011. Para a busca, os termos deindexação utilizados foram: alimentos funcionais, câncer, licopeno, tomate. Cerca de 85% do licope-no consumido vem do tomate ou de seus derivados, e muitos estudos têm comprovado seu efeitoprotetor ao câncer de próstata. O tratamento térmico e a homogeneização mecânica do tomate au-mentam a absorção do licopeno nos tecidos corporais. O tomate possui antioxidantes que atuam naproteção do organismo, podendo impedir a formação de radicais livres, interceptar os radicais livresgerados pelo metabolismo celular ou por fontes exógenas, evitando a formação de lesões e perda daintegridade celular. Também podem reparar lesões causadas pelos radicais livres, removendo danosda molécula de DNA e reconstituindo membranas celulares danificadas. Assim, considera-se que oconsumo de tomates e de seus produtos está associado à redução do risco de câncer.Descritores: Alimento funcional. Câncer. Próstata.ABSTRACTSearches lead that lycopene as an effective inhibitor of cell proliferation emphasizing the preventivefactor of prostate cancer. On this bibliographic research has been used reports, theses, original arti-cles and reviews which the main purpose is approach the effect of lycopene attendant on tomatoand itself derivatives in prevention of Prostate Cancer. It has been seen in Portuguese, English andSpanish languages between 2001 and 2011. For the researches the used terms were: functionalfood, Cancer, lycopene, Tomato. There about 85% of consumed lycopene comes from tomatoesand itself derivatives and plenty of studies have verified the powerful effect to prevent prostatecancer. The thermal treatment and mechanical homogenization of tomato increase the lycopene’sabsorption in our skin.Tomato has antioxidant effect that helps to protect our organism, so it maysprevent formation of free radicals, to intercept the free radicals made by cellular metabolism or evenexogenous sources avoiding the formation of injuries and also losing cellular integrity. We can alsorepair injuries caused by the free radicals removing damage from DNA molecule and rebuilding cellmembrane which was damaged. In short, we can consider the consumption of tomatoes and itselfproducts is associated to the reduction of the risk to get cancer.Descriptors: Functional foods. Neoplasms. Prostate.RESUMENLos estudios demuestran lipoceno como inhibidor eficaz de la proliferación celular, demostrando sufactor de prevención de cáncer de próstata. Este estudio bibliográfico utilizó tesis, trabajos originalesy de revisión a fin de abordar el efecto del lipoceno en tomates y sus derivados como preventivo parael cáncer de próstata. Se incluyeron los estudios publicados en idioma: portugués, inglés y español,Ademar Pereira Soares JúniorGraduando do curso de Nutrição da FaculdadeNOVAFAPI. E-mail: ademarpjunior@gmail.comLuciana Melo de FariasEspecialista em Distúrbios Metabólicos e Nutrição.Nutricionista. Docente do curso de Nutrição daFaculdade NOVAFAPI. e-mail: lmfarias@novafapi.com.br
  2. 2. 51Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.5, n.2, p.50-54, Abr-Mai-Jun. 2012.del periodo de 2001 hasta 2011. Para la búsqueda, los términos de la inde-xación utilizados fueron: alimentos funcionales, cáncer, lipoceno, tomate.Aproximadamente 85% del lipoceno se consume del tomate o sus deriva-dos, y muchos estudios han probado su efecto protector para el cáncer depróstata. El tratamiento térmico y homogenización mecánica del tomateaumentan la absorción de lipoceno en tejidos corporales. El tomate tieneantioxidantes que trabajan en la protección del cuerpo, puede impedir for-mación de radicales libres e interceptar los generados por el metabolismocelular o por fuentes exógenas, evitando al mismo tiempo la formación delesiones y pierda de la integridad celular.También puede reparar los dañoscausados por los radicales libres, quitando daños de la molécula de DNAy reconstituyendo las membranas celulares dañadas. Por lo tanto, se con-sidera que el consumo de tomates se asocia con menor riesgo de cáncer.Descriptores: Alimentos funcionales. Neoplasia. Próstata.1 INTRODUÇÃOO licopeno é um carotenóide antioxidante de cor avermelhadaencontrado em vegetais como tomate, goiaba, pitanga, melancia, etc.(LEMOS JÚNIOR, BRUNELLI e LEMOS, 2011). Existem em média 600 pig-mentos carotenóides encontrados na natureza e 25 no plasma e tecidoshumanos, estando o licopeno incluído em ambos. Este caracteriza-sepor estrutura simétrica e acíclica, constituído por átomos de carbono ehidrogênio, com 11 ligações duplas conjugadas e 2 ligações não conju-gadas. Sendo ainda um pigmento sem atividade pró-vitamina A, apesardo seu efeito protetor contra radicais livres. (WALISZEWSKI e BLASCO,2010).Estudos apontam uma ação antioxidante dessa substância, sen-do portanto, sugerido na prevenção de câncer e doenças cardiovascu-lares (SHAMI e MOREIRA, 2004; PALOMO et al. 2010). Cerca de 85% dolicopeno consumido vem do tomate ou seus derivados, com evidênciade que 80 a 90% dos carotenóides presentes nesse vegetal é de licope-no, servindo assim como corante natural ou como um complementonutricional (MORITZ e TRAMONTE, 2006; GALICIA et al. 2008).O câncer de próstata (CaP) é a neoplasia mais diagnosticada en-tre homens nos países desenvolvidos, apresentando-se como a segun-da causa de morte por câncer nesses países. É uma patologia relaciona-da com o avanço da idade e sua incidência aumenta progressivamentecom esse processo (FONTANA et al. 2009). Esses autores apontam tam-bém que há evidências de que o aparecimento do câncer de próstataé favorecido pelos hábitos alimentares ocidentais, como o consumo dealimentos hipercalóricos e hiperlipídicos, ricos em ácidos graxos satura-dos, assim como pobre em vitamina E, selênio, licopeno e fibras.Este estudo de revisão bibliográfica tem como objetivo abordar oefeito do licopeno presente no tomate e seus derivados como preventi-vo ao câncer de próstata, usando textos, dissertações, teses, artigos ori-ginais e de revisão selecionados em bases de dados como Scielo, Lilacs,Bireme e Pubmed, no período de agosto a outubro de 2011, inseridosno recorte temporal dos últimos 10 anos. Foram incluídos estudos ex-perimentais envolvendo animais, selecionando publicações científicasnas línguas espanhol, inglês e português que se inseriam de algumaforma na discussão do tema proposto. Para a pesquisa foram usados ostermos de indexação: tomate, licopeno, biodisponibilidade e câncer depróstata, isoladamente e associados, nas três línguas delimitadas parao estudo.2 BIODISPONIBILIDADE DO LICOPENO A biodisponibilidade representa a parte do nutriente ingeridoque tem o potencial de suprir as necessidades fisiológicas dos tecidos; eem geral não corresponde à quantidade ingerida do nutriente. Estando,assim, relacionada a vários fatores, entre eles a forma de apresentação doalimento, a digestão, a captação intestinal e sua absorção, distribuiçãopara os tecidos e sua utilização por eles (MOURAO et al. 2005). Muitos fatores podem influenciar na biodisponibilidade doscarotenóides, entre eles podem ser citados a matriz alimentar; a quantida-de do carotenóide na dieta; a presença de fatores inibidores ou facilitado-res da absorção; a forma isomérica em que ele se apresenta; a quantidadee tipo de gordura dietética; o processo de absorção; as interações entreos carotenóides; a presença de fibra alimentar na dieta; o processamentode alimentos fontes; o estado nutricional do indivíduo; fatores genéticos;fatores relacionados com o indivíduo e interação entre estas variáveis. Des-ses fatores aqueles relacionados à dieta têm sido os mais estudados, sendoo principal deles o tipo de alimento em que o nutriente em questão estápresente (CAMPOS e ROSADO, 2005). A absorção do licopeno se processa da seguinte forma: apósser consumido, o licopeno se incorpora às micelas dos lipídios da dieta esão absorvidos na mucosa intestinal através de difusão passiva, onde seincorporam aos quilomícrons e são liberados para o sistema linfático paraserem transportados ao fígado. Assim, o licopeno é transportado pelas li-poproteínas através do plasma para a distribuição a vários órgãos. Por pos-suir natureza lipofílica, o licopeno pode ser encontrado também em partesdas lipoproteínas LDL,VLDL e HDL. Sendo que essa absorção por humanosé de 10 a 30%, o restante é excretado pelo organismo (WALISZEWSKY eBLASCO, 2010). Moritz e Tramonte (2006) falam de uma pesquisa sobre a bio-disponibilidade do licopeno de diferentes matrizes alimentares com 22mulheres não-fumantes – fator que também influencia na biodisponi-bilidade dessa substância bioativa –, divididas em três grupos, aos quaisforam submetidas à ingestão diária de 5mg de licopeno durante seis se-manas. O grupo 1 ingeriu cápsulas de licopeno oleaginoso (lic-o-mat); ogrupo 2 ingeriu uma quantidade equivalente de tomate cru; e o grupo 3ingeriu suco de tomate. Verificaram que a absorção foi semelhante nosgrupos que recebeu as 5mg do licopeno administrado em cápsula olea-ginosa e em suco de tomate. Já no grupo que ingeriu o tomate cru, nãofoi observado diferença estatisticamente significativa em sua biodisponi-bilidade, se comparado aos demais grupos, sendo essa menor absorçãodevida à presença da matriz alimentar, que pela presença de outros caro-tenóides, diminuiu a biodisponibilidade do licopeno. Esses autores ainda ressaltam que a absortividade do licope-no pode ser aumentada quando se utiliza derivados do tomate em detri-mento ao produto in natura. O calor, o processamento e a associação comlipídios favorecem esse aumento. Isso é mostrado através de um estudoem que o consumo de molho de tomate cozido em óleo resultou em umaumento, um dia após a sua ingestão, de duas a três vezes da concentra-ção sérica de licopeno, embora nenhuma alteração tenha sido observadano consumo do suco de tomate fresco.3 OS RADICAIS LIVRES E O CÂNCER DE PRÓSTATAO câncer é definido como uma doença crônica de várias etiologias,que se caracteriza pelo crescimento descontrolado das células. É apon-Efeito do licopeno do tomate na prevenção do câncer de próstata
  3. 3. 52tada como uma das principais causas de mortalidade no mundo e suaprevenção se tornou uma meta importante no campo da ciência. O de-senvolvimento do câncer está associado a fatores endógenos, ambien-tais e da interação entre eles, sendo a dieta um dos principais fatores(GARÓFOLO et al. 2004).O CaP envolve a proliferação de células epiteliais localizadas nazona periférica da glândula prostática. No entanto, a causa exata dessapatologia ainda é desconhecida. Pode ir de uma lesão latente focal paraum estágio avançado, ou ainda para uma doença metastática sem a for-mação de nódulos no interior da glândula (BOZZETTO, 2009).Os radicais livres são átomos ou moléculas produzidas nos pro-cessos metabólicos. Eles atuam como mediadores para a transferênciade elétrons nas reações bioquímicas. As mais relevantes fontes de radi-cais livres são as organelas citoplasmáticas que geram grande quantida-de de metabólitos. Metabolizam o oxigênio, o nitrogênio e o cloro e oseu alvo celular (proteínas, lipídeos, carboidratos e moléculas de DNA)está relacionado com seu sítio de formação. O desequilíbrio no organis-mo pela geração excessiva de radicais livres ou redução da velocidadede remoção destas espécies, é conhecida como estresse oxidativo epode conduzir à oxidação maciça de substratos biológicos. A cronici-dade desse estresse oxidativo pode estar envolvida, além do próprioprocesso de envelhecimento, com o aparecimento e desenvolvimentode um grande número de doenças, entre elas o câncer e a aterosclerose(SHAMI e MOREIRA; SCHNEIDER e OLIVEIRA, 2004).Como fontes exógenas de radicais livres encontramos as radia-ções gama e ultravioleta, os medicamentos, a dieta, o cigarro e os po-luentes ambientais. As modificações oxidativas do DNA são uma dascausas mais importante da mutagenicidade. Com isso, as moléculas deteor antioxidante se mostram como potenciais preventivos dos proces-sos oxidativos na oncogênese. Muitos estudos mostram que o consumode frutas e verduras reduzem o risco de aparecimento de alguns tipos decâncer. Nisso, pesquisas demonstram que o licopeno do tomate diminuiespecialmente o risco do CaP (PALOMO et al. 2010).Bozzeto (2009) realizou um ensaio clínico, randomizado, contro-lado com 156 homens, com idade entre 45 e 75 anos, com diagnósticohistológico de hiperplasia prostática benigna (HPB) e níveis séricos doantígeno protástico específico (PSA) entre 4 e 10 ng/ml. Foram distri-buídos em três grupos de tratamento: licopeno (15 mg/dia), extrato detomante (50 g/dia) e placebo. Ao final o único grupo em que os va-lores séricos de PSA total não se elevaram foi o do extrato de tomate.Encontrou-se também efeito dos três grupos de tratamento sobre asvariáveis estudadas, evidenciando um efeito placebo. No entanto, o es-tudo mostra uma redução dos níveis séricos de PSA livre nos indivíduosque utilizaram extrato de tomate, em comparação ao grupo que rece-beu licopeno. O autor evidencia a necessidade de ensaios clínicos quecomparem indivíduos ingerindo extrato de tomate com indivíduos querestrinjam esse alimento por longo tempo, para assim determinar se aingestão de extrato de tomate tem impacto em desfechos clínicos, emhomens com HPB.Um estudo semelhante foi realizado por Edinger e Koff (2006)com 43 homens, com idade de 45 a 75 anos, histologicamente diagnos-ticados com HPB e PSA de 4 a 10 ng/ml. Todos os pacientes receberam50 g de pasta de tomate por dia durante 10 semanas consecutivas, sen-do que os níveis de PSA foram analisados antes, durante e após o con-sumo da pasta de tomate. A ingestão diária de 50 g de pasta de tomatedurante as 10 semanas reduziu significativamente os níveis de PSA noplasma dos pacientes com HPB, provavelmente como resultado da altaquantidade de licopeno na pasta de tomate. O desenvolvimento de CaPé tipicamente acompanhado por um aumento nos níveis plasmáticosde PSA, portanto, qualquer intervenção que afeta esses níveis pode su-gerir um impacto na progressão da doença. Em outro estudo realizado por Sendão (2004), investigou-seo efeito mutagênico de diferentes doses do licopeno e o seu possívelefeito protetor sobre as aberrações cromossômicas induzidas pela cis-platina (cDDP), que é um agente antineoplásico usado para o trata-mento de pacientes com cânceres, mas que está associada com váriosefeitos colaterais, incluindo indução de aberrações cromossômicas. Osanimais tratados de forma aguda e subaguda com diferentes doses dolicopeno e com o antitumoral cDDP, mostraram uma redução significa-tiva no total de aberrações cromossômicas e no número de metáfasescom aberrações cromossômicas, comparado com os animais tratadosapenas com a cDDP. Esta proteção do licopeno sobre os danos cromos-sômicos induzidos pela cDDP pode ser atribuída à capacidade destecarotenóide de seqüestrar radicais livres.4 O FATOR ANTIOXIDANTEOs antioxidantes são substâncias que mesmo em baixas concen-trações, quando comparadas a um substrato oxidável, reduzem ou ini-bem a oxidação desse substrato. O sistema de anti-oxidação é compostopor agentes enzimáticos e não-enzimáticos, podendo estar presentesno organismo ou nos alimentos ingeridos. Os carotenóides reagem comradicais livres, em especial com os radicais peróxidos e com o oxigêniomolecular, sendo essa a base de sua ação antioxidante. Carotenóides,incluindo o licopeno, exercem funções antioxidantes em fases lipídicas,bloqueando os radicais livres que danificam as membranas lipoprotéicas(SHAMI e MOREIRA, 2004).Embora as defesas antioxidantes endógenas sejam efetivas, nãosão infalíveis, e constantemente há formação de radicais livres que in-teragem em diferentes níveis com o ambiente celular antes de seremeliminadas. A eliminação desses radicais não é favorecida em condiçõesfisiológicas normais, devido às baixas concentrações dos agentes antioxi-dantes, que são a principal forma de eliminação e interrupção de reaçõesem cadeias propagadas pelos radicais livres (CERQUEIRA, MEDEIROS eAUGUSTO, 2007).Matos et al. (2006), mostraram através de um estudo in vivo oefeito de proteção do licopeno e do ß-caroteno contra danos causadospelo estresse oxidativo induzido por ferro na próstata de ratos. Para oestudo eles se utilizaram da análise de 8­oxo­7,8­dihidro­2´­desoxiguanosina (8­oxodGuo), um importante marcador de estresse oxidativo do DNA.Segundo eles os ratos suplementados com licopeno ou ß-caroteno por05 dias antes do tratamento de oxidação induzida mostrou uma reduçãode cerca de 70% dos níveis de 8-oxodGuo. Concluindo-se que o pré-tra-tamento com o Licopeno ou ß-caroteno impediram quase que comple-tamente o dano lipídico nesses animais.Devido ao seu sistema de ligações duplas conjugadas, o licopenoé uma substância rica em elétrons, susceptíveis de serem atacados porreativos eletrofílicos. Assim, o licopeno pode se unir ao oxigênio singleto eaos radicais livres como o radical hidroxila (HO) e vários radicais peróxidos.Este comportamento é a base de sua ação antioxidante nos sistemas bio-lógicos, sendo, portanto, um eficiente agente quimiopreventivo (VITALE,BERNATENE e POMILIO, 2010; CARVALHO et al. 2005).Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.5, n.2, p.50-54, Abr-Mai-Jun. 2012.Júnior, A. P. S.; Farias, L. M.
  4. 4. 535 O USO PREVENTIVO E A RECOMENDAÇÃO DIÁRIAO principal objetivo dos oncologistas no tratamento de pacientescom câncer é tentar melhorar a taxa de sobrevida dos pacientes, o queinclui a combinação quimioterápica com ou sem terapia de radiação. De-vido a constante sensação de tristeza, medo, raiva, como resultado do altoíndice de mortalidade, os pacientes freqüentemente optam também porterapias complementares e alternativas. Entre elas o uso de substânciasantioxidantes, recomendada para pacientes oncológicos durante o trata-mento neoplásico citoredutor. Sabe-se que os antioxidantes podem serúteis na redução dos efeitos colaterais da quimioterapia e radioterapia,por reduzir sua toxicidade. No entanto, há a necessidade de mais estudospara avaliar se os antioxidantes podem ou não reduzir a eficiência dos tra-tamentos radio ou quimioterápico sobre as células cancerosas (SENDÃO;ZAPATERO, 2004). Fontana et al. (2009) , realizaram um estudo com o objetivo deanalisar e comparar o índice de massa corporal (IMC) e o histórico alimen-tar, especialmente o consumo de gorduras e antioxidantes, em sujeitosdiagnosticados com CaP e sujeitos sem a patologia. Observou-se que oIMC foi maior nos sujeitos com CaP em comparação ao grupo controle,porém sem variações significativas. Embora tenha sido observada umacorrelação direta entre o IMC e a agressividade do tumor. O consumo degorduras totais, saturadas, monoinsaturadas e poliinsaturadas foi signifi-cativamente maior pelos sujeitos com CaP. Enquanto que o consumo deácidos graxos ω3, vitamina C e licopeno foi significativamente menor. Osautores concluíram que um peso saudável e uma alimentação pobre emgorduras totais, saturadas, monoinsaturadas e poliinsaturadas; e ricas emácidos graxos ω3, vitamina C e licopeno se associam a um menor risco deCaP.Atualmente não se sabe a quantidade exata da ingestão diária delicopeno. Estudos epidemiológicos podem trazer informações importan-tes sobre os níveis de licopeno que se pode utilizar, ainda que não se tenhachegado a uma dose padrão devido à grande variedade de concentraçãode licopeno em suas diversas fontes. Alguns estudiosos não reconhecema importância do licopeno para a saúde por sua falta de atividade pró--vitamina A. No entanto a evidência do efeito preventivo do licopeno paraa saúde humana despertou um grande interesse por parte dos nutricionis-tas e outros profissionais da saúde que sugerem níveis de ingestão diáriabaseados em conhecimentos científicos (WALISZEWSKI e BLASCO, 2010).Lemos Júnior et al. (2011), sugerem que o consumo de uma porçãopor dia de tomate ou derivados pode apresentar um efeito protetor con-tra danos ao DNA. É sabido também que altas concentrações de licopenono sangue estão associadas ao menor risco de desenvolvimento de CaP(SANTILLO e LOWE, 2006; NUNES e MERCADANTE, 2004).No entanto, não existe uma quantidade específica, mínima oumáxima, prescrita de licopeno a ser considerada segura para ingestão.Estudos apontam que consumir entre 05 e 10 mg de licopeno por dia ésuficiente para a obtenção dos benefícios desse nutriente. Alguns autoressugerem o consumo médio de 04 mg/dia de carotenóides, não ultrapas-sando 10 mg/dia. Contudo, pesquisas foram realizadas utilizando umadose de licopeno de 25 mg/dia, sendo que 50% desse valor foi obtidoatravés da ingestão de tomates frescos. Devido ao fato de os tomates fres-cos serem menos biodisponíveis que os processados, os autores aconse-lham uma maior ingestão de alimentos processados. Com isso, sugere-seo consumo de 35 mg/dia de licopeno (SHAMI e MOREIRA, 2004; MORITZe TRAMONTE, 2006).O uso de tomate na prevenção ao câncer é facilitado pelo fatodesse ser um alimento comum, presente em muitas dietas e preparaçõestípicas. Tanto o tomate in natura como seus derivados são consideradosalimentos saudáveis pelo baixo teor calórico e lipídico, estando portan-do livre de colesterol e por ser uma boa fonte de fibra e proteína. (WA-LISZEWSKI e BLASCO, 2010).6 CONSIDERAÇÕES FINAISMuitos estudos evidenciam a importância de se estudar o efeito dolicopeno sobre o organismo humano, principalmente no que diz respeitoao seu efeito preventivo a diversas patologias. Em análise dos estudos járealizados é possível observar os benefícios do licopeno proveniente dotomate, que é um produto largamente consumido em todo o mundo.Estudos experimentais e clínicos destacam a propriedade antioxi-dante dessa substância, assim como seu papel na prevenção de algunstipos de câncer, em especial ao câncer de próstata. Ainda que se reco-nheça a importância do licopeno para a saúde humana, mesmo este sen-do um carotenóide sem atividade pró-vitamina A, não se tem nenhumconsenso sobre seus reais efeitos no câncer, sendo considerado apenas ofator preventivo. Não há também consenso sobre a quantidade mínima oumáxima da substância a ser ingerida por dia, fazendo-se necessários maisestudos com esse fim.Neste estudo foi apresentado um levantamento bibliográfico acer-ca do efeito do licopeno na prevenção do câncer de próstata, evidencian-do seu fator antioxidante. Estudos dessa natureza têm sua importânciapelo fato de alertar os profissionais da Nutrição para a correta prescriçãode alimentos ricos em licopeno, que é encontrado em um número limi-tado de fontes alimentares. Considera-se importante o incentivo ao con-sumo de tomates e derivados, visando a redução do risco de desenvolvi-mento do câncer de próstata e de outras doenças crônicas.Diante disso, deve ser fortalecido o incentivo a novos estudos quevisem complementar o conhecimento acerca do licopeno e seus efeitossobre o organismo humano, em especial para se chegar a um valor derecomendação diária; novos esclarecimentos acerca de sua biodisponibili-dade e sua ação sobre o sistema imunológico.Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.5, n.2, p.50-54, Abr-Mai-Jun. 2012.Efeito do licopeno do tomate na prevenção do câncer de próstata
  5. 5. 54REFERÊNCIASBOZZETTO, M. E. S. Efeito do Licopeno e do Extrato de TomateSobre os Níveis Séricos de PSA Total e Livre, Testosterona,IGF-1 e Sintomas Prostáticos em Pacientes com Hiperpla-sia Prostática Benigna: Um Ensaio Clínico RandomizadoControlado. 2009. 111 f. Tese (Doutorado em Ciências Médicas)– Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Rio Grande doSul, Rio Grande do Sul. 2009.CAMPOS, F. M.; ROSADO, G. P. Novos fatores de conversão de caro-tenóides provitamínicos A. Ciênc. Tecnol. Aliment. Campinas, v.25, n.3, p. 571-578, jul.-set. 2005.CARVALHO, W. et al. Estimativa indireta de teores de licopeno emfrutos de genótipos de tomateiro via análise colorimétrica. Hortic.Bras. Brasília, v. 23, n.3, p.819-825, jul.-set. 2005.CERQUEIRA, F. M.; MEDEIROS, M. H. G.;  AUGUSTO, O. Antioxidantesdietéticos: controvérsias e perspectivas. Quím. Nova. São Paulo, v.30, n. 2, p. 441- 449, mar.- abr. 2007.EDINGER, M. S.; KOFF, W. J. Effect of the consumption of tomatopaste on plasma prostate-specific antigen levels in patients withbenign prostate hyperplasia. Braz .J. Med Biol. Res. RibeirãoPreto, v.39, n.8, p. 1115-1119, ago. 2006.FONTANA, C. M. L.; et al. El índice de masa corporal y la dietaafectan el desarrollo del cáncer de próstata. Actas Urol Esp. Ma-drid, v.33, n.7, p. 741-746, jul.-ago. 2009.GALICIA, R. M. et al. Stability of lycopene in cv. Saladette tomatoes(Lycopersicon esculentum Mill.) stored under differente conditions.Rev. Mex. Ing. Quím. México, v.7, n.3, p. 253-262, dez. 2008.GARÓFOLO, A. et al. Dieta e câncer: um enfoque epidemiológi-co. Rev. Nutr. Campinas , vol.17, n.4, p. 491-505, out.-dez. 2004LEMOS JÚNIOR, H. P.; BRUNELLI, M. J.; LEMOS, A. L. A. Licopeno.Diagn Tratamento. São Paulo, v. 16, n.2, p.71-74, out.-dez, 2011.MATOS, H. R. et al.Lycopene and ß-carotene protect in vivo iron-induced oxidative stress damage in rat prostate. Braz J Med BiolRes. Ribeirão Preto, v. 39, n. 2, p.203-210, fev 2006.MORITZ, B.; TRAMONTE, V. L. C. Biodisponibilidade do licope-no. Rev. Nutr. Campinas., vol.19, n.2, p. 265-273. Mar.-abr. 2006MOURAO, D. M. et al. Biodisponibilidade de vitaminas lipossolú-veis. Rev. Nutr. Campinas v.18, n.4, p. 529-539, jul.-ago, 2005.NUNES, I. L.; MERCADANTE, A. Z. Obtenção de cristais de licopeno apartir de descarte de tomate. Ciênc. Tecnol. Aliment. Campinas,v. 24, n. 3, p. 440-447, jul.-set. 2004.PALOMO, I. et al. El consumo de tomates previene el desarrollo deenfermedades cardiovasculares y cáncer: antecedentes epidemio-lógicos y mecanismos de acción. Idesia. Chile, v. 28, n. 3, p.121-129, set.-dez. 2010.SANTILLO, V. M.; LOWE, F. C. Role of vitamins, minerals and supple-ments in the prevention and management of prostate cancer. Int.braz j urol. Rio de Janeiro, v.32, n.1, p. 3-14, jan.-fev. 2006.SCHNEIDER, C. D.; OLIVEIRA, A. R. Radicais livres de oxigênio eexercício: mecanismos de formação e adaptação ao treinamentofísico. Rev. Bras. Med. Esporte. v. 10, n.4, p. 308-313, jul.-ago.2004.SENDÃO, M. C. Efeito do Licopeno na Mutagenicidade Induzi-da pela Cisplatina em Ratos. 2004. 98 f. Dissertação (Mestradoem Alimentos e Nutrição) – Faculdade de Ciências Farmacêuticas,Universidade Estadual Paulista, Araquara. 2004.SHAMI, N. J. I. E.; MOREIRA, E. A. M. Licopeno como agente antioxi-dante. Rev. Nutr. Campinas, v. 17, n.2, p. 227-236, abr.-jun, 2004.VITALE, A. A.; BERNATENE, E. A.; POMILIO, A. B. Carotenoides enquimioprevención: Licopeno. Acta bioquím. clín. Latinoam, LaPlata, v. 44, n. 2, p.195-238, mar.-jun. 2010.WALISZEWSKI, K. N.; BLASCO, G. Propiedades nutraceúticas dellicopeno. Salud pública Méx, Cuernavaca, v.52, n.3, p. 254-265,jun. 2010.ZAPATERO, A. Cáncer de próstata. Oncología (Barc.). Madrid, v. 27,n.7, p. 55-58, jul. 2004.Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.5, n.2, p.50-54, Abr-Mai-Jun. 2012.Júnior, A. P. S.; Farias, L. M.

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