Dermatose ocupacional educação médica continuada

1.175 visualizações

Publicada em

0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
1.175
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
2
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
22
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Dermatose ocupacional educação médica continuada

  1. 1. An Bras Dermatol. 2010;85(2):137-47.137LDermatoses ocupacionaisOccupational dermatosisAlice de Oliveira de Avelar Alchorne 1Maurício Mota de Avelar Alchorne 2Marzia Macedo Silva 3Resumo: Dermatose ocupacional é qualquer alteração da pele, mucosa e anexos, direta ou indireta-mente causada, condicionada, mantida ou agravada por agentes presentes na atividade ocupacional ouno ambiente de trabalho. Os autores referem a importância do tema, a epidemiologia e a etiopatoge-nia das principais dermatoses ocupacionais: dermatites de contato irritativas e alérgicas, fitodermatites,acnes (elaioconiose e cloracne), ceratoses, cânceres, granulomas de corpo estranho, infecções,oníquias e ulcerações. A clínica da dermatose ocupacional é apresentada em diferentes profissões.Analisam-se os exames laboratoriais pedidos nessas dermatoses, com especial destaque para testes decontato, que são o padrão ouro, e fornecem-se dados do tratamento e prevenção; quanto à prevençãoda dermatose ocupacional, informam-se as medidas coletivas e individuais, especialmente, no querespeita ao uso adequado dos equipamentos de proteção individual.Palavras-chave: Barbearia; Ceratose; Cloracne; Dermatite de contato; Dermatite ocupacionalAbstract: Occupational Dermatosis is described as any alteration in the skin, mucosa or annexes thatis directly or indirectly caused, conditioned, maintained or aggravated by agents present in the occu-pational activity or work environment. The authors of the present study describe the importance of thetopic and the epidemiology and etiopathogeny of the main forms of occupational dermatoses: aller-gic and irritative contact dermatitis, phytodermatitis, acne (elaioconioses and chloracne), keratosis,cancers, foreign body granuloma, infections, onychias, and ulcerations.Clinical findings of occupational dermatosis are presented in relation to various professions.Laboratory tests used to diagnose this condition are analysed, with special emphasis on patch testing,which is the gold standard. Information about the treatment and prevention of this disorder is provi-ded. Collective and individual measures, especially regarding the proper use of individual protectionequipment for the prevention of occupational dermatosis, are detailed.Keywords: Barbering; Chloracne; Dermatitis, contact; Dermatitis, occupational; KeratosisAprovado pelo Conselho Editorial e aceito para publicação em 07.12.2009.* Trabalho realizado na Universidade Nove de Julho (Uninove) e na Faculdade de Medicina do ABC - São Paulo (SP), Brasil.Conflito de interesse: Nenhum / Conflict of interest: NoneSuporte financeiro: Nenhum / Financial funding: None1Professora livre docente de Dermatologia da Universidade Nove de Julho (Uninove) - São Paulo (SP), Brasil.2Professor livre docente de Dermatologia da Universidade Nove de Julho (Uninove) - São Paulo (SP), Brasil.3Mestre em Ciências da Saúde da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) - Escola Paulista de Medicina - São Paulo (SP), Brasil.©2010 by Anais Brasileiros de DermatologiaEDUCAÇÃO MÉDICA CONTINUADAINTRODUÇÃOEste trabalho tem por objetivo fazer uma revi-são das dermatoses ocupacionais (DO) que englobe amaioria delas quanto ao conceito, à epidemiologia eaos quadros clínicos, de modo a destacar a importân-cia desse diagnóstico correto, na prática.DO é qualquer alteração da pele, mucosa e ane-xos, direta ou indiretamente causada, condicionada,mantida ou agravada por agentes presentes na ativida-de ocupacional ou no ambiente de trabalho.1,2,3,4,5,6EPIDEMIOLOGIAEstudos epidemiológicos sobre DO no Brasilsão raros; não há notificação obrigatória e o subdiag-nóstico é alto, pois muitos trabalhadores não procu-ram os serviços de saúde, temendo a perda do empre-go e do salário. Nos países industrializados, as DOscorrespondem a 60% das doenças ocupacionais. Osagentes químicos são as causas mais relevantes e fre-quentes de DO.1,7,8Cerca de 90% das DOs são derma-tites de contato (DC), no Ocidente,9,10e sua frequência
  2. 2. 138 Alchorne AOA, Alchorne MMA, Silva MMAn Bras Dermatol. 2010;85(2):137-47.está aumentando pelo contato com novos produtos.Na área laboral, a dermatite de contato irritativa (DCI)é mais comum que a dermatite de contato alérgica(DCA), na proporção de 4:1.5Em geral, as mãos são asáreas mais atingidas pela DC, em virtude da manipu-lação de muitas substâncias, de excesso de umidade ede atrito. Apesar de, na maioria dos casos, as DCs nãoproduzirem quadros considerados graves, são, nãoraro, responsáveis por desconforto, prurido, ferimen-tos, traumas, alterações estéticas e funcionais queinterferem na vida social e no trabalho. A prevalênciado câncer cutâneo ocupacional é pouco estudada,pela dificuldade de se estabelecer o nexo causal(exposição fora do trabalho, tempo de latência gran-de, utilização de vários químicos).ETIOPATOGENIAAs DOs são determinadas pela interação de doisgrupos de fatores:Causas indiretas ou predisponentes – idade,etnia, gênero, antecedentes mórbidos e doenças con-comitantes, como dermatoses preexistentes (dermati-te atópica11), fatores ambientais, como o clima (tempe-ratura, umidade), hábitos e facilidades de higiene;Causas diretas constituídas pelos agentes bioló-gicos, físicos, químicos ou mecânicos presentes no tra-balho, que atuariam diretamente sobre o tegumento,produzindo ou agravando uma dermatose preexistente.CAUSAS INDIRETASEm relação à idade, sabe-se que os jovens sãoos mais acometidos por dermatoses ocupacionais,pela inexperiência no trabalho e pelo fato de acamada córnea ainda não estar espessada. A DC ocu-pacional diminui com o treinamento profissional,1,8é mais rara em negros e mais comum no gêneromasculino do que no feminino (79%:21%).Os indiví-duos de pele amarela e negra são os mais protegidosda ação degenerativa dos raios solares, e os negrosapresentam respostas queloideanas com maior fre-quência.As substâncias sensibilizantes variam segundo ogênero. No masculino, as mais encontradiças estão nocimento e na borracha dos equipamentos de proteçãoindividual (EPI). No gênero feminino, em geral, osensibilizante mais frequente é o níquel, por contatonão relacionado ao trabalho, mas ao uso de bijuterias,o que, muitas vezes, torna a pessoa incapacitada paradiversas ocupações. As dermatoses preexistentespodem facilitar a penetração de agentes sensibilizan-tes. Os trabalhadores que apresentam maior probabi-lidade de desenvolver DCs são os que têm contatocom produtos de limpeza.CAUSAS DIRETASAs DOs podem ser causadas por inúmeros agen-tes durante o trabalho, que podem ser químicos, físicosou biológicos. Os mais comuns são: químicos – metais,ácidos e álcalis, hidrocarbonetos aromáticos, óleos lubri-ficantes e de corte, arsênico; físicos12– radiações, trau-mas, vibração, pressão, calor, frio; biológicos – vírus,bactérias, fungos, parasitas, plantas, animais. Alteraçõespsíquicas podem causar a autoindução de lesões (derma-tites factícias), para a obtenção de algum benefício.13O processo inflamatório da DCI se inicia quan-do o agente (álcalis, ácidos e solventes), em contatocom a pele, provoca a lesão da camada córnea, comaumento da permeabilidade e entrada de produtosque lesam os queratinócitos,14produzindo citocinasinflamatórias que estimulam outras células. Na DCA,a reação inflamatória é do tipo imunológico IV (imu-nidade celular) em três fases: a) indução, imunizaçãoou sensibilização; b) elicitação ou desencadeamento;c) resolução (término da reação inflamatória).15,16No câncer cutâneo, pode haver dificuldade noestabelecimento do nexo ocupacional. Os principaisagentes carcinogênicos ocupacionais são: físicos – radia-ções ionizantes e não ionizantes (RX, raios ultravioletase infravermelhos) e traumas; químicos – arsênico inor-gânico (pesticidas e contaminação ambiental), hidrocar-bonetos aromáticos, nitrosaminas (fluidos de corte);biológicos – vírus HPV.CLASSIFICAÇÃO E CLÍNICA1. Dermatites de contatoAs dermatites de contato (DCs) classificam-seem dermatite de contato irritativa (DCI) e dermatitede contato alérgica (DCA).17,18,19As DCIs são as maisimportantes nas DOs, pela frequência com que ocor-rem (80% das DCs) . As lesões surgem após exposi-ções à substância irritante, sucessivas ou não, restri-tas às áreas de contato. As lesões ocorrem de acordocom a frequência e a duração da exposição. A DCIpode ser causada por irritante relativo ou absoluto(Figuras 1 e 2). O irritante relativo induz ao apareci-mento gradual de lesões após sucessivas exposições,ao passo que o absoluto leva ao aparecimento ime-diato de lesões. Dependendo de sua concentração,uma mesma substância pode ser irritante absoluto(concentração alta) ou irritante relativo (concentra-ção baixa). Uma única exposição a uma substânciaem concentração baixa, porém de duração prolonga-da, também pode induzir a uma irritação absoluta.Quando ocorre acometimento das mãos, este é maisintenso na mão dominante e mais frequente nasregiões palmares.Na DCA, as lesões ocorrem nas áreas de conta-to com a substância sensibilizante, onde são maisintensas, e também à distância, podendo ser dissemi-
  3. 3. Dermatoses ocupacionais 139An Bras Dermatol. 2010;85(2):137-47.nadas. Após a exposição prévia, as lesões surgem emperíodos de tempo variáveis, sendo necessário umperíodo mínimo de uma semana para a sensibilização,e podem ocorrer após meses ou anos de contato. ADCA pode surgir de forma abrupta após contato pré-vio com o sensibilizante. A cada reexposição, a inten-sidade e a extensão das lesões podem piorar e surgirmais rapidamente.17,18,19,20,21A DCI facilita o desencadea-mento da reação alérgica (DCA).22DCs eczematosasAs lesões eczematosas podem ter evoluçãoaguda (eritema, edema, vesículas, bolhas e exsuda-ção), subaguda (exsudação e crostas) e crônica (xero-se, descamação, queratose, infiltração, liquenificaçãoe fissuras). Em geral, a DCI relativa é crônica e a DCIabsoluta é aguda, e esta se manifesta como uma “quei-madura” com: eritema, edema, necrose, bolhas, cros-tas e ulcerações. A DCA pode apresentar as três fasesevolutivas. As fotodermatites são causadas por agentesfototóxicos e o aspecto é o de uma DCI absoluta(sumo de frutas cítricas)23ou fotoalérgicos com aspec-to de DCA (drogas modificadas pela luz ultravioleta) epredominam em áreas expostas.24,25DCs não eczematosasAs dermatites de contato não eczematosas sãomais raras. As mais frequentes são: disidrose (metais,óleos de corte); dermatite liquenoide de contato(reveladores fotográficos, resina epóxi, Ni e Cu); urti-cária de contato não imunológica e imunológica(mediada por IgE), que ocorrem minutos depois docontato (látex, alimentos, plantas, medicamentos,conservantes, fragrâncias)26; vitiligo químico – leuco-dermia de contato (hidroquinona); erupção purpúri-ca de contato (produtos da borracha e branqueadoresde roupas); eritema polimorfo – símile de contato(plantas, madeiras, medicamentos e pesticidas); erup-ção pustulosa (metais e pomadas); dermatite querató-sica de contato (DCA por borracha); DC hipercro-miante pós-eczematosa ou não (cremes, conservantesde óleos, perfumes, corantes, madeira, sabão em pó elimão).232. Outras DOs2.1. Acnes: elaioconiose – acomete áreas expos-tas ou cobertas por vestimentas sujas, frequente emmetalúrgicos (óleos de corte) e mecânicos (graxas);cloracne – forma grave de acne ocupacional, causadapor contaminação ambiental ou uso industrial dehidrocarbonetos clorados, presentes nos defensivosagrícolas (Figura 3). Ocorre por obstrução dos folícu-los pilosos, com irritação e infecção secundária.272.2. Ceratoses: traumáticas e pré-cancerosas(solar, arsenical e por óleos de corte) (Figura 4).2.3. Cânceres: estão relacionados a agentes físi-cos, virais e químicos.27Os carcinomas basocelular eespinocelular são os mais comuns e, em geral, mani-festam-se como lesões papulosas, nódulo-tumoraise/ou ulceradas em áreas expostas. Mais raramente,ocorrem melanomas. É controverso se linfomas (emespecial, de células T) podem estar relacionados àdermatite crônica actínica.2.4. Granuloma de corpo estranho: plantas,limalha de metais e pêlos de humanos ou animais –“fístula pilosa”28(Figura 5).2.5. Infecções: em geral, é difícil estabelecer arelação ocupacional (riscos fora da ocupação). Doençascomo erisipeloide (açougueiro), carbúnculo ou antraxe nódulo dos ordenhadores (pecuaristas) e esporotri-cose (floristas) são eminentemente profissionais.2.6. Oníquias: infecciosas, traumáticas e discrô-micas (melanoníquias e leuconíquias) (Figura 6).2.7. Ulcerações: inespecíficas (acidentes de tra-balho) e específicas (infecciosas).COMPLICAÇÕESAs complicações são as relacionadas a cada der-matite ocupacional. As principais consistem em: infec-ções secundárias, sequelas (hipercromia, hipocromiaFIGURA 1:Dermatite decontato porirritanteprimáriorelativo porsolventes emfrentistaFIGURA 2:Dermatitede contatoirritativaabsoluta porsodacáustica emfaxineira
  4. 4. 140 Alchorne AOA, Alchorne MMA, Silva MMAn Bras Dermatol. 2010;85(2):137-47.e cicatrizes), diminuição da produção e incapacidadeprofissional. As queratoses pré-cancerosas e os cânce-res ocupacionais apresentam as complicações pró-prias da malignidade de cada tipo histológico, basica-mente, ulcerações, sangramentos e metastização. Asinfecções ocupacionais podem ter as complicações dapatogenia de cada agente e de sua localização.DOs nos profissionais da construção civilA construção civil tem mais de duzentas ocupa-ções. Em geral, os pedreiros apresentam DCIs e 50%deles apresentam DCAs, principalmente, pelas condi-ções de trabalho e pela falta de equipamentos de pro-teção individual (EPI).29Os riscos são: metais contami-nantes do cimento (cromo hexavalente e cobalto), vul-canizadores da borracha das luvas (tiurans, carbama-tos, mercaptobenzotiazóis, parafenilenodiamina ehidroquinona)30e madeiras. A pele ressecada e a pre-sença de DCIs facilitam a sensibilização. Os EPIs de bor-racha podem desencadear DCIs (suor, pH das luvas,irritantes do produto), DCAs (vulcanizadores de borra-cha) e urticária de contato (mediada por IgE, pelolátex). O pó de cimento é muito irritante (alcalino,higroscópico e abrasivo) e, quando molhado (pH >12), torna-se mais irritante, podendo acarretar desdeDCI relativa até absoluta (quando permanece, pormuito tempo, sob pressão, atrito e oclusão), levando àformação de “queimaduras”, com bolhas, necrose e“ulcerações do cimento”31,32,33(Figura 7). A composiçãobásica do cimento (silicatos e aluminatos de cálcio, óxi-dos de ferro e magnésio, álcalis e sulfatos) não é sensi-bilizante, mas, como o produto é contaminado pormetais muito alergizantes, provenientes de seu prepa-ro, desencadeia DCA.34DOs nos profissionais da saúdeNa área da saúde, a DO é muito comum, maiscomumente localizada nas mãos. É possível ocorre-rem dermatoses de origem química, infecciosa e físi-ca.7O trabalho úmido predispõe a DOs nesses traba-lhadores. A DCA é causada por materiais de trabalho(luvas, metais, resinas epóxi e acrílicas) e outros quí-micos, por exemplo, agentes de desinfecção parahigiene, como glutaraldeído35e medicamentos, quetambém podem ser irritantes. A urticária pelo látexdas luvas não é rara20e os aditivos da vulcanização daborracha das luvas (dialquil tioureias) têm sido consi-derados como os sensibilizantes mais comuns nosprofissionais da saúde.36Os medicamentos deixaramde ser os principais sensibilizantes.Em alguns países, os profissionais da saúderepresentam os maiores grupos ocupacionais e as DOsmais estudadas neles são as relacionadas à Medicina eà Odontologia. Os tipos de dermatoses e sua incidên-cia variam muito conforme a categoria profissional e,mesmo nas diferentes especialidades médico-odonto-lógicas, variam de acordo com os diferentes tipos deexposições dos radiologistas, clínicos, cirurgiões oulaboratoristas. Os profissionais mais susceptíveis sãoenfermeiros e membros de equipes de centro cirúrgi-co, pelo uso de muitas substâncias irritantes (antissép-ticos), seguidos pelos dentistas. Estima-se que 5% a10% desses profissionais sejam alérgicos ao látex.DOs nos profissionais da estéticaNa área estética, as atividades profissionais sãoinúmeras e, no Brasil, representam o segundo setorFIGURA 4:Calosidade naregião lateral damão direita emlustrador deautomóvelFIGURA 5:Granuloma decorpo estranhopor fragmentos depelos de animaisem tosador(fístula pilosa)FIGURA 3:Cloracne
  5. 5. Dermatoses ocupacionais 141An Bras Dermatol. 2010;85(2):137-47.empresarial em número de trabalhadores. Nos cabe-leireiros profissionais, a DCA chega a quase 50%; nosajudantes e aprendizes, por terem como função prin-cipal o trabalho úmido, a DCI é mais frequente. Comoos cabeleireiros executam várias funções, são numero-sos os produtos com que entram em contato e osmaiores riscos são os agentes irritantes: xampus, águaoxigenada, persulfato de amônia, materiais úmidos, arquente e luvas.37As substâncias mais sensibilizantessão: metais (Ni e Co); p-fenilenodiamina das tinturasde cabelos e tatuagens de henna; tioglicolato de sódiode produtos envolvidos no processo de ondulação ealisamento de cabelos; látex e vulcanizadores de bor-racha das luvas; persulfato de amônia, que acelera adescoloração dos cabelos; fragrâncias; cremes compreservativos (formaldeído); esmaltes de unhas; pró-teses e colas acrílicas para unhas; cosméticos (metildi-bromoglutaronitrila).38,39DOs nos profissionais da metalurgiaNa indústria metalúrgica, as DOs mais comunssão as DCIs por fluidos de corte e, menos frequente-mente, DCAs por metais da galvanização (Figuras 8 e 9)e pelos fluidos de corte (Figura 10), podendo ocorrermais raramente a acne ocupacional – elaioconiose pelosóleos40e cloracne pelos hidrocarbonetos clorados.41DOs nos profissionais da alimentacãoNo setor de alimentação, os trabalhadores quemanipulam alimentos podem desenvolver DOs pormanterem contato com agentes irritantes e sensibili-zantes e por trabalharem com materiais úmidos. Empadarias ou doçarias, o contato sensibilizante podeser com: farinha, adoçantes, emulsificantes, espuman-tes, branqueadores, fermento, corantes e aromatizan-tes; na cozinha: trabalho com materiais úmidos e ali-mentos irritantes (frutas, temperos);42sensibilizantes(alho, cebola)43e fotossensibilizantes (cascas de laran-ja e limão, aipo).44DOs nos profissionais da limpezaNo setor de limpeza, a DCI é comum por causado contato com umidade, sabões e detergentes quecontêm ácidos graxos e álcalis.45Os agentes sensibili-zantes são os produtos de limpeza e a borracha dasluvas. Os detergentes enzimáticos raramente causamdermatite de contato.20DIAGNÓSTICO CLÍNICOPara o diagnóstico e o estabelecimento dascondutas adequadas às DOs, confirmadas ou suspei-tas, é importante considerar os seguintes aspectos:Quadro clínico;História de exposição ocupacional, observan-do-se concordância entre o início do quadro e o inícioda exposição, bem como a localização das lesões emáreas de contato com os agentes suspeitos;Melhora com o afastamento e piora com oretorno ao trabalho.DIAGNÓSTICO LABORATORIALExames laboratoriais podem contribuir para odiagnóstico das DOs, porém, nenhum desses recursossubstitui uma boa anamnese, o exame físico cuidadosoe o conhecimento por parte do profissional dos princi-pais produtos e seus riscos, potencialmente presentesno trabalho, capazes de provocar dermatoses.O teste de contato (TC) ou teste epicutâ-neo (patch test) é o principal recurso laboratorial,que permite diferenciar DCI de DCA.41Os TCs sãofeitos mediante a colocação de substâncias jápadronizadas, preferencialmente, no dorso do indi-víduo, com leitura após 48 e 96 horas.46,47Seu obje-tivo é confirmar o diagnóstico clínico, conhecer aprevalência dos agentes sensibilizantes e satisfazerrazões médico-legais. O TC positivo só tem relevân-cia quando há nexo causal entre as substânciaspositivas e a DC, podendo ser sensibilização pre-gressa ou relacionada ao quadro atual (DCA) e a ati-vidade do paciente, para caracterizar dermatoseocupacional.FIGURA 6:Leuconíquiaocupacionalpor meta-hemoglobinemiapor corantestêxteisFIGURA 7:Dermatite decontato irritativaabsoluta porcimento molhado(“ulceraçõesdo cimento”)
  6. 6. 142 Alchorne AOA, Alchorne MMA, Silva MMAn Bras Dermatol. 2010;85(2):137-47.No setor de limpeza, os testes são realizados emsoluções diluídas a 1% ou 2%, para evitar o efeito irritati-vo. No setor metalúrgico, os TCs que utilizam óleos origi-nais podem apresentar resultados negativos, ao passo queos que são realizados com óleos já utilizados, contendoaditivos preservativos (inibidores de corrosão e antimicro-bianos), podem dar resultados positivos. Tanto os óleosnovos como os já usados podem causar irritação. Os TCscom alimentos na pele não lesada podem ser negativos.O teste intradérmico de leitura imediata (prick test)pode ser positivo para látex, vegetais e medicamentos.8Oteste de ingestão pode ser negativo na DCA a alimentos, emvirtude do cozimento ou da ação do suco digestivo.Pode ser necessária a realização de examesmicológicos e bacteriológicos. O exame histopatológi-co de lesão cutânea pode ser importante para o diag-nóstico da DO; na DC, não é específico, como ocorrenos eczemas, mas pode auxiliar para diferenciá-la deoutras dermatoses. Esses exames demonstram aimportância do diagnóstico correto nas dermatosesocupacionais.DIAGNÓSTICO DIFERENCIALOs diagnósticos diferenciais são próprios decada dermatose ocupacional.Na DC, são diagnósticos diferenciais os demaiseczemas (atópico, microbiano, numular, estase, neu-rodermite, disidrose), psoríase, infecções.TRATAMENTOErros diagnósticos de nexo ocupacional eiatrogenias são desastrosos para o paciente, para asempresas e para os órgãos governamentais. A iden-tificação e o afastamento do agente causal sãomedidas de fundamental importância.48,49O trata-mento deve ser orientado claramente, fornecendo-se por escrito os nomes dos produtos e das subs-tâncias com os quais o paciente não pode entrar emcontato. O tratamento precoce pode diminuir otempo de evolução das lesões e evitar complica-ções. Deve-se considerar que o EPI, as infecçõessecundárias e os medicamentos utilizados pelodoente podem provocar irritação ou sensibilizaçãoe as dermatoses autoinduzidas mascaram e piorama dermatose ocupacional.O tratamento depende da extensão e da inten-sidade das lesões. Nas lesões agudas, isto é, exsudati-vas, devem ser utilizadas compressas de água borica-da a 2% ou 3%, ou permanganato de potássio a1:40.000 e cremes à base de corticoide. Nas formaslocalizadas de DC crônicas, isto é, com lesões desca-mativas e liquenificadas, preconiza-se o uso de cremese pomadas à base de corticoides de potência variável,conforme a região afetada. Nas lesões extensas, usam-se corticoides sistêmicos, de preferência, prednisona,em doses iniciais de 0,5mg-1mg/kg/dia, com reduçãogradual. Se houver infecção secundária, deve ser asso-ciado antibiótico tópico e/ou sistêmico. Os anti-hista-mínicos sistêmicos sedativos podem ser utilizadospara tratar o prurido. As infecções ocupacionais sãotratadas de acordo com cada agente etiológico. Oscânceres relacionados a atividades profissionais sãotratados de acordo com cada tipo histológico e esta-diamento tumoral.As DOs que causam incapacidade requeremreadaptação profissional, com orientação médica,vocacional e psicotécnica.FIGURA 8: Dermatite decontato alérgica porcromo e borracha doEPI em cromadorFIGURA 10:Dermatite decontato alérgicapor fluidos decorteFIGURA 9:Teste de contatopositivo porbicromato depotássio
  7. 7. Dermatoses ocupacionais 143An Bras Dermatol. 2010;85(2):137-47.PREVENÇÃOAs medidas de prevenção nas DOs são extrema-mente importantes. As empresas devem adotar medi-das coletivas para proteção, como exames médicosperiódicos e orientações ao trabalhador, para evitarrecidivas e o aparecimento de novos casos de DOs,pois estas geram desconforto para o trabalhador, inca-pacidade para a profissão, mudança de função, dimi-nuição da produção e, consequentemente, dos rendi-mentos do trabalhador e da empresa, e aumento doscustos médicos e previdenciários.A higiene pessoal deve ser cuidadosa e é indi-cado o uso de emolientes. As vestimentas devem sermantidas limpas. As áreas do corpo contaminadascom agentes nocivos devem ser lavadas imediata-mente e hidratadas com cremes sem fragrância. Aorientação mais importante na prevenção das DCs éo afastamento do fator irritante ou alergênico. Noque diz respeito à DO, pode-se enfatizar como cui-dados pessoais o uso de EPIs adequados (botas,gorro, máscara, avental e luvas), roupas especiais econscientização da higiene pessoal. Os cremes debarreira são comumente utilizados, embora sua efi-cácia seja questionada.18Devem ser usados antes dea dermatite se desenvolver, uma vez que seus com-ponentes podem causar dermatite de contato irrita-tiva e alérgica, especialmente, se usados na pelelesada.50A fotoproteção por roupas e tópicos foto-protetores é fundamental nos que se expõem araios ultravioleta.O uso de luvas adequadas é necessário na pre-venção de DOs (exceto nos trabalhos em que a destre-za manual é necessária e quando a utilização de luvasimplica riscos de acidente de trabalho). Os alérgicos àborracha devem utilizar luvas de vinil ou poliuretano.Os alérgicos ao látex das luvas também podem utilizara borracha sem látex. Os alérgicos a acrilatos devemusar luvas de nitrila.Apesar dos efeitos benéficos de medidas prote-toras individuais aliadas à educação, na prevenção deDCAs ao cromo nos trabalhadores da construção civil,é necessário adicionar sulfato ferroso ao cimento, oqual reduz o cromo hexavalente a cromo trivalente,menos sensibilizante.51A melhora no conhecimento da epidemiologia dasDOs pode levar a estratégias preventivas que reduzam aincidência desse frequente problema de saúde.9PROGNÓSTICOO prognóstico é variável, pois são muitas asDOs e cada uma tem o seu próprio. A DCA tem prog-nóstico pior do que a irritativa. A cronicidade do qua-dro é mais comum na alergia ao cromo e ao níquel.52A morbidade, geralmente, é alta, especialmente, emrelação à qualidade de vida, nas modalidades crôni-cas; muitas DOs levam à incapacidade laboral tempo-rária ou definitiva.53As DCs podem se cronificar e/outer recidivas, com taxas de mortalidade praticamentenulas. As infecções e cânceres relativos a atividadesprofissionais terão evoluções específicas de cada tipo,de morbidade geralmente alta e, para algumas delas, ataxa de mortalidade pode ser significativa.
  8. 8. 144 Alchorne AOA, Alchorne MMA, Silva MMAn Bras Dermatol. 2010;85(2):137-47.REFERÊNCIAS1. Alchorne AOA, Alchorne MMA. Dermatosesocupacionais. In: Borges DR, Rothschild HA, eds.Atualização terapêutica: manual prático de diagnósticoe tratamento. 22 ed. São Paulo: Artes Médicas;2007. p. 252-3.2. Ali AS. Dermatoses ocupacionais. In: Ferreira MJ, ed.Saúde no trabalho. São Paulo: Roca; 2000. p. 176-226.3. Ali SA. Dermatoses ocupacionais. São Paulo:FundaCentro; 2001.4. Ali SA, Oliveira HR. Dermatoses ocupacionais /Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde,Departamento de ações programáticas estratégicas.Brasília: Editora do Ministério da Saúde; 2006. (Série A.Normas e Manuais Técnicos - Saúde do Trabalhador).5. Sampaio SAP, Rivitti EA. Dermatoses ocupacionais. In:Sampaio SAP, Rivitti EA, eds. Dermatologia. 3 ed. SãoPaulo: Artes Médicas; 2007. p. 1367 - 75.6. Alchorne AOA, Alchorne MAA. Dermatosesocupacionais. In: Lopes AC, ed. Diagnóstico etratamento. São Paulo: Manole; 2006. p. 543.7. Trindade MAB, Alchorne AOA, Maruta CW.Dermatoses ocupacionais. In: Lopes AC, ed. Tratado declínica médica. São Paulo: Roca; 2006. p.271-.82.8. Alchorne AOA, Alchorne MMA, Macedo MS.Dermatoses Ocupacionais. In: Schor N, ed.; Rotta O,coord. Guias de Medicina Ambulatorial e Hospitalar daUNIFESP - EPM. Guia de Dermatologia Clínica,Cirúrgica e Cosmiatrica. Barueri: Manole;2008. p. 205-12.9. Keegel T, Moyle M, Froen K, Nixon R. Theepidemiology of occupational contact dermatitis(1990 - 2007): a systematic review. Intern J Dermatol.2009; 48: 571 - 8.10. Diepgen TL, Coenrads PJ. The epidemiology ofoccupational contact dermatitis. In: Kanerva L, ElsnerP, Wahlberg JE, Maibach HI, ed. Handbook ofoccupational dermatology. Heidelberg: Springer-Verlag; 2000. p. 1.11. Kalimo K, Lammintausta K. The role of atopy inworking life. In: Kanerva L, Elsner P, Wahlberg JE,Maibach HI, ed. Handbook of occupationaldermatology. Heidelberg: Springer-Verlag; 2000.12. Uter W, Kanerva L. Physical causes - heat, cold andother atmospheric factors. In: Kanerva L, Elsner P,Wahlberg JE, Maibach HI, ed. Handbook ofoccupational dermatology. Heidelberg: Springer-Verlag; 2000. p. 148.13. Angelini G. Occupational dermatitis artefacta. In:Kanerva L, Elsner P, Wahlberg JE, Maibach HI, ed.Handbook of occupational dermatology. Heidelberg:Springer-Verlag; 2000. p. 141.14. Alchorne AOA, Macedo MS. Dermatite de contato. In:Lopes AC, ed. Diagnóstico e Tratamento. São Paulo:Manole; 2006. p. 423.15. Frosch PJ, Menne T, Lepoittevin JP. Contactdermatitis. 4th ed. Berlim: Springer; 2006.16. Alchorne AOA, Alchorne MMA. Dermatoses alérgicas.In: Borges DR, Rothschild HA, eds. Atualizaçãoterapêutica: manual prático de diagnóstico etratamento. 22 ed. São Paulo: Artes Médicas;2007. p. 206-11.17. Guin JD. Practional contact dermatitis: a handbook forthe practioner. New York: McGraw-Hill; 1995.18. Li LY, Cruz Júnior PD. Allergic contact dermatitis:pathophysiology applied to future therapy. DermatolTher. 2004;17:219-23.19. Rietschel RL, Fowler JF. FISHERs Contact Dermatitis.5th ed. Philadelphia: Lippincot Williams & Wilkins;2001.20. Alchorne AOA, Macedo MS. Dermatite de contato. In:Lopes AC, ed. Diagnóstico e tratamento. São Paulo:Manole; 2006. v. 2. p. 423-8.21. Alchorne AOA, Alchorne MMA, Macedo MS. Dermatitede Contato. In: Schor N, editor. Rotta O, coordenadordo Guia. Guias de Medicina Ambulatorial e Hospitalarda UNIFESP - EPM. Guia de Dermatologia Clínica,Cirúrgica e Cosmiatrica. Barueri: Manole;2008. p. 195-203.22. Basketter DA, Evans P, Gerberick GF, Kimber IA. Factorsaffecting thresholds in allergic contact dermatitis:safety and regulatory considerations. ContactDermatitis. 2002;47:1-6.23. Alchorne AOA, Macedo MS. Fitodermatoses. In: SchorN, ed. Rotta O, coord. Guias de Medicina Ambulatoriale Hospitalar da UNIFESP - EPM. Guia de DermatologiaClínica, Cirúrgica e Cosmiatrica. Barueri: Manole;2008. p. 223-6.24. Sampaio SAP, Rivitti EA. Erupções eczematosas. In:Sampaio SAP, Rivitti EA, eds. Dermatologia. 3 ed. SãoPaulo: Artes Médicas; 2007. p. 189 - 226.25. Costa EB, Alchorne AOA. Fotodermatoses. In: Schor N,Ed; Rotta O, coord. Guias de Medicina Ambulatorial eHospitalar da UNIFESP - EPM. Guia de DermatologiaClínica, Cirúrgica e Cosmiatrica. Barueri: Manole;2008. p. 227-31.26. Souza PC, Alchorne AOA. Urticária. In: Schor N, ed;Rotta O, coord. Guias de Medicina Ambulatorial eHospitalar da UNIFESP - EPM. Guia de DermatologiaClínica, Cirúrgica e Cosmiatrica. Barueri: Manole;2008. p. 219-22.27. Alchorne AOA, Trindade MAB, Maruta CW. Dermatosesocupacionais. In: Ramos-e-Silva M, Castro MCR,editoras. Fundamentos de Dermatologia. Rio deJaneiro: Atheneu; 2008. p. 587- 96.28. Pigatto PD, Bigardi AS. Occupational skin granulomas.In: Kanerva L, Elsner P, Wahlberg JE, Maibach HI. ed.Handbook of occupational dermatology. Heidelberg:Springer-Verlag; 2000. p. 135.29. Conde-Salazar LG, Alayón AA. Dermatosisprofesionales. Madrid: Signament Edicions; 2000.30. Geier J, Schnuch A. A comparision of contact allergiesamongy construction and nonconstruction workersattending contact dermatitis clinics in Germany -results of the information network of Departaments ofDermatology from November 1989 to July 1993. Am JContact Dermat. 1995; 6:86-94.31. Alchorne AOA, Calafiori JR, Kitamura S, Wakamatsu CT.Alguns aspectos das dermatoses profissionais pelocimento na construção civil. Rev Bras Saúde Ocup.1975;11(III):1 -12.
  9. 9. Dermatoses ocupacionais 145An Bras Dermatol. 2010;85(2):137-47.32. Rietschel RL, Fowler Jr JF. Fishers contact dermatitis.Ontario: BC Decker Inc; 2008.33. Skogstad M, Levy F. Occupational irritant contactdermatitis and fungal infection in constructionworkers. Contact Dermatitis. 1994;31:28-30.34. Pérez AG, Conde-Salazar L, Camarasa JMG. Tratado dedermatosis profesionales. Madrid: EudemaUniversidad/ Manuales; 1987.35. Shaffer MP, Belsito DV. Alergic contact dermatitis fromglutaraldehyde in health - care workers. ContactDermatitis. 2000;43:150.36. Anderson BE. Mixed dialkyl thioreas. Dermatitis.2009;1:3-5.37. Crotlin E, Kullavanijaya P. Hand dermatitis inhairdressers. Acta Derm Venereol. 1979; 59:48.38. Mortz CG, Andersen KE. New aspects in allergiccontact dermatitis. Curr Opin Allergy Clin Immunol.2008;8:428-32.39. Schnuch A, Uter W. The role of clinical epidemiology inthe study of occupational contact dermatitis. In:Kanerva L, Elsner P, Wahlberg JE, Maibach HI, ed.Handbook of Occupational Dermatology. Heidelberg:Springer-Verlag; 2000. p. 17.40. Belliboni NB. Considerações sobre as causas maiscomuns de dermatoses ocupacionais em São Paulo(698 casos). Rev Bras Saúde Ocup. 1979;7:30 - 2.41. Marks Jr JG, Elsner P, DeLeo V. Contact & OccupationalDermatology. 3 ed. St. Louis: Mosby; 2002.42. Mendes E . Alergia no Brasil. Alergenos regionais eimunoterapia. São Paulo: Editora Manole Ltda;1989. p. 186.43. Lovell CR. Plants and the skin. London: BlackwellScientific Publications; 1993. p. 217.44. Avalos J, Maiback HI. Botany Dermatology. UnitedStates of America: Clinical & Basic Science series;2000. p. 40.45. Adams RM. Occupational skin disease. 3rd ed.Philadelphia: W. B. Saunders Company; 1999. p. 357.46. Marks Jr JG, Belsito DV, DeLeo V, et al. North AmericanContact Dermatitis Group patch-test results, 1996-1998. Arch Dermatol. 2000;136:272-3.47. Macedo MS, Alchorne AOA. Testes Alérgicos. In: SchorN, editor. Rotta O, coordenador do Guia. Guias deMedicina Ambulatorial e Hospitalar da UNIFESP - EPM.Guia de Dermatologia Clínica, Cirúrgica e Cosmiatrica.Barueri: Manole; 2008. p. 105 - 6.48. Cohen DE, Heidary N. Treatment of irritant andallergic contact dermatitis. Dermatol Ther.2004;17:334-40.49. Pontes de Carvalho LC, Rios JBM. Dermatite deContato - Diagnóstico e Tratamento. Rio de Janeiro:Revinter; 2004.50. Lushniak B, Mathias CG, Taylor JS. Barrier creams: factor fiction. Am J Contact Dermatol. 2003;14:97-9.51. Kanerva L, Elsner P, Wahlberg JE, Maibach HI.Handbook of Occupational Dermatology. Heidelberg:Springer-Verlag; 2000.52. Bourke J, Coulson I. English J. British Association ofDermatologists. Guidelines for care of contactdermatitis. Br J Dermatol. 2001;145:877-85.53. Grupo Brasileiro de Estudo em Dermatite de Contato(GBEDC). Departamento de Alergia da SociedadeBrasileira de Dermatologia. Estudo multicêntrico paraelaboração de uma bateria-padrão brasileira de teste decontato. An Bras Dermatol. 2000;75:147-56.Como citar este artigo/How to cite this article: Alchorne AOA, Alchorne MMA, Silva MM. Dermatoses ocupa-cionais. An Bras Dermatol. 2010;85(2):137-47.ENDEREÇO PARA CORRESPONDÊNCIA / MAILING ADDRESS:Alice de Oliveira de Avelar AlchorneRua Iraúna, 46904518 060 São Paulo, SP - BrasilTel./Fax: 55 11 4127 3755 55 11 5904 2447E-mail: a.alchorne@terra.com.br
  10. 10. 146 Alchorne AOA, Alchorne MMA, Silva MMAn Bras Dermatol. 2010;85(2):137-47.LQUESTÕES1) Sobre as dermatoses ocupacionais nãoeczematosas, é errado afirmar:a) Podem se manifestar com lesões eritemapolimorfo - símileb) Perfumes, corantes, madeira e sabão em pó sãocausas de dermatite de contato hipercromiantec) Ocorrem comumented) A borracha pode causar lesões queratósicas2) As dermatoses ocupacionais podem ser causadas por:a) Metais, ácidos e álcalis, hidrocarbonetosaromáticos, arsênicob) Óleos lubrificantes e de cortec) Vírus, bactérias, fungos, parasitas, plantas, animaisd) Todos os agentes acima3) Em relação ao câncer cutâneo ocupacional, éerrado afirmar:a) Agentes físicos oncogênicos: radiaçõesionizantes e não ionizantes (raios ultravioletae infravermelhos)b) Agentes químicos oncogênicos: arsênicoinorgânico, hidrocarbonetos aromáticos,nitrosaminasc) Agentes biológicos oncogênicos: vírus HPVd) É fácil estabelecer o nexo causal4) As dermatoses ocupacionais podem ser causadaspelos seguintes agentes físicos:a) Radiaçõesb) Traumas, vibração e pressãoc) Calor, friod) Todos os agentes acima5) Sobre a fisiopatologia das dermatosesocupacionais, é errado afirmar:a) Dermatites factícias podem ser provocadaspara a obtenção de algum benefíciob) O processo inflamatório da dermatite de contatoirritativa se inicia quando o agente em contatocom a pele provoca a lesão da camada córnea,com aumento da permeabilidade e entrada deprodutos que lesam os queratinócitosc) Na dermatite de contato alérgica, a reaçãoinflamatória é do tipo imunológico II (citotóxico)d) A etiopatogenia da dermatite de contatoalérgica é dividida em três fases: a) indução;b) elicitação; c) resolução6) Assinale a alternativa errada:a) A elaioconiose não ocorre em metalúrgicos emecânicosb) A cloracne ocorre pelo uso industrial dehidrocarbonetos cloradosc) Carcinomas basocelular e espinocelularpodem ser dermatoses ocupacionaisd) "Fístula pilosa dos barbeiros" é um granulomade corpo estranho por pelos7) Sobre as dermatoses ocupacionais, é errado afirmar:a) Na indústria metalúrgica, os riscos mais comunsde dermatologia ocupacional são fluidos de cortee substâncias da galvanoplastiab) No setor de alimentação, as dermatosesocupacionais podem ocorrer pelo contatocom agentes irritantes e sensibilizantes e pelaumidadec) Na área da saúde, a dermatose ocupacional émais frequentemente localizada na mãod) Nos ajudantes e aprendizes de cabeleireiro, adermatite de contato alérgica é mais frequenteque a dermatite de contato irritativa8) Sobre as medidas preventivas da dermatologiaocupacional, é errado afirmar:a) Pacientes alérgicos aos acrilatos deverão usarluvas de látexb) Pacientes alérgicos à borracha deverão utilizarluvas de vinila ou poliuretanoc) A orientação mais importante na prevençãoda dermatite de contato ocupacional é oafastamento do irritante ou do alérgenod) Alérgicos ao látex deverão usar luvas devinila, poliuretano ou borracha sem látex9) É errado afirmar que:a) Os componentes dos cremes de barreirapodem causar dermatite de contato irritativae/ou alérgicab) O creme de barreira é usado comotratamento tópico das dermatites de contatoc) Além de tópicos fotoprotetores, é importanteo uso de roupas adequadas para se evitar aradiação ultravioletad) Medidas coletivas da empresa são eficazes naprevenção de dermatoses ocupacionais10) Para o setor de estética, é errado afirmar:a) É o segundo grupo de trabalhadores no Brasilb) O tioglicolato é empregado nas tinturas decabeloc) A dermatite de contato alérgica pela tatuagemde henna pode ser devida àparafenilenodiaminad) O persulfato de amônia é irritante esensibilizante11) Quanto à dermatite de contato alérgica, é erradoafirmar:a) Ela atinge quase 80% dos cabeleireirosprofissionaisb) Ocorre após fase prévia variável de sensibilizaçãoc) É frequente na construção civild) Os principais alérgenos na construção civil
  11. 11. Dermatoses ocupacionais 147An Bras Dermatol. 2010;85(2):137-47.são os metais12) Em relação ao diagnóstico laboratorial dasdermatoses ocupacionais, é correto afirmar:a) O teste de contato é o principal recurso labo-ratorial para a suspeita de dermatite de contatob) A leitura do teste de contato se faz após 20 a30 minutos da colocação dos alérgenosna pelec) O prick test é um teste útil para a dermatitede contato alérgicad) O exame histopatológico é útil paradiferenciar a dermatite de contato irritativa daalérgica13) Assinale a resposta incorreta:a) O principal diagnóstico diferencial dadermatite de contato são os demais eczemas,psoríase, infecção e dermatite artefatab) São complicações das dermatosesocupacionais as infecções secundárias esequelasc) As dermatites de contato nas dermatosesocupacionais são sempre eczematosasd) O tratamento tópico das dermatites decontato depende das lesões elementarespresentes14) É errado afirmar:a) O uso de corticosteroides sistêmicos é indicadonas dermatites de contato ocupacionais extensasb) Nas dermatoses ocupacionais com infecçãosecundária, podem-se empregar antibióticostópicos e/ou sistêmicosc) Os anti-histamínicos são úteis nas dermatitesde contato, pois são mediados por IgEd) As nitrosaminas são agentes oncogênicos15) É errado afirmar:a) A borracha e o cimento são os maiores riscosocupacionais no gênero masculinob) As dermatoses ocupacionais são menosfrequentes nos idososc) As dermatoses ocupacionais são maisfrequentes no gênero femininod) As dermatoses ocupacionais são menosfrequentes na raça amarela16) É errado afirmar:a) A urticária de contato ao látex é mediada por IgEb) As dermatoses ocupacionais são menosfrequentes em negrosc) As dermatites de contato alérgicasocupacionais são menos frequentes que asdermatites de contato irritativasd) O alérgeno mais frequente no gênerofeminino são os cosméticos17) Os agentes causadores de dermatosesocupacionais mais frequentes são:a) Físicosb) Virais e fungosc) Químicosd) Plantas18) É errado afirmar que as dermatoses ocupacionaismais comuns nos diferentes setores são:a) No setor de limpeza, as dermatites de contatoirritativasb) Dermatite de contato alérgica pormedicamentos na área da saúdec) No setor de alimentos, as dermatites decontato irritativas, dermatites de contatoalérgicas e as fitodermatosesd) Dermatites de contato irritativas e dermatites decontato alérgicas por cimento na construção civil19) Para o teste de contato no setor de limpeza, aconcentração utilizada é:a) 10% a 12%b) 22,5% a 25%c) 1% a 2%d) 0,025% a 0,5%20) Os óleos da metalurgia originais podem dartestes de contato negativos e os usados podemdar positivos, porque:a) Os óleos usados podem estar contaminadospor bactériasb) Nos óleos usados são colocadosantimicrobianos como conservantesc) Os óleos usados podem estar contaminadospor fungosd) Os óleos usados podem sofrer oxidaçãoGabaritoImunossupressores na Dermatologia.2010; 85(1):9-22.1 b2 a3 d4 c5 c6 c7 a8 b9 d10 b11 c12 d13 d14 b15 b16 c17 d18 a19 c20 cAVISOCaros associados, para responder aoquestionário de EMC-D, por favor, acessem aosite dos Anais Brasileiros de Dermatologia. Oprazo para responder é de 60 dias a partir dapublicação online no link a seguir,www.anaisdedermatologia.org.br

×