Feliciano C, Christen K, Velho MBRev. enferm. UERJ, Rio de Janeiro, 2010 jan/mar; 18(1):75-9. • p.75Recebido em: 26.01.200...
Realização do exame colpocitológicoRecebido em: 26.01.2009 – Aprovado em: 21.11.2009p.76 • Rev. enferm. UERJ, Rio de Janei...
Feliciano C, Christen K, Velho MBRev. enferm. UERJ, Rio de Janeiro, 2010 jan/mar; 18(1):75-9. • p.77Recebido em: 26.01.200...
Realização do exame colpocitológicoRecebido em: 26.01.2009 – Aprovado em: 21.11.2009p.78 • Rev. enferm. UERJ, Rio de Janei...
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Câncer de colo uterino realização do exame colpocitológico e mecanismos que ampliam sua adesão

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Câncer de colo uterino realização do exame colpocitológico e mecanismos que ampliam sua adesão

  1. 1. Feliciano C, Christen K, Velho MBRev. enferm. UERJ, Rio de Janeiro, 2010 jan/mar; 18(1):75-9. • p.75Recebido em: 26.01.2009 – Aprovado em: 21.11.2009Artigo de PesquisaOriginal ResearchArtículo de InvestigaciónINTRODUÇÃOO câncer de colo uterino é a neoplasia malignamais encontrada no mundo em toda a populaçãofeminina, com exceção do câncer de pele. Anual-mente tem-se diagnosticado 465.000 casos novos e200.000 óbitos devido a ele1. Estima-se que o câncerde colo uterino seja responsável por 15% de todosos cânceres femininos no mundo2.RESUMO:RESUMO:RESUMO:RESUMO:RESUMO: Pesquisa estatística descritiva com o objetivo de identificar o perfil e os mecanismos que ampliam aadesão das mulheres na realização do exame colpocitológico no Sistema Único de Saúde. Os sujeitos foram 264mulheres residentes no município de Rio do Sul, SC, que realizaram o exame colpocitológico em 2007. A coleta dedados ocorreu entre junho e julho de 2008, através de entrevista a partir de um roteiro estruturado contendo perguntasabertas e fechadas. Os dados da pesquisa foram analisados com base em métodos estatísticos. Os resultados mostra-ram os fatores de risco presentes para o desenvolvimento do câncer de colo uterino. Conclui-se que houve um bomentendimento das mulheres entrevistadas sobre o tema e que a realização do exame colpocitológico possui intuitopreventivo. Há necessidade de os profissionais de saúde individualizarem a assistência prestada.Palavras-Chave:Palavras-Chave:Palavras-Chave:Palavras-Chave:Palavras-Chave: Prevenção de câncer de colo uterino; esfregaço vaginal; fatores de risco; enfermagem.ABSTRACTABSTRACTABSTRACTABSTRACTABSTRACT::::: The aim of this descriptive statistical study was to identify patient profiles and mechanisms that increasewomen’s adherence to Pap smear screening in Brazil’s national health system. The subjects were 264 women residentin Rio do Sul, Santa Catarina State, who had Pap smear tests in 2007. Data was collected between June and July 2008through structured interviews using a script of open and closed questions. Research data were analyzed statistically.Results show the risk factors present for development of uterine cervical neoplasms. We conclude that the womeninterviewed understood the issue well and that their intention in having the test was preventive. There is a need forhealth care professionals to individualize the care they give.Keywords:Keywords:Keywords:Keywords:Keywords: Prevention of cervical neoplasms; vaginal smear; risk factor; nursing.RESUMEN:RESUMEN:RESUMEN:RESUMEN:RESUMEN: Investigación estadística de carácter descriptivo con el objetivo de identificar el perfil y los mecanismosque aumentan la adhesión de las mujeres para la realización de la citología vaginal en el Sistema Único de Salud. Lossujetos fueron 264 mujeres que viven en el municipio de Rio do Sul, SC, Brasil, que realizaron la prueba de Papanicolaouen 2007. La recopilación de los datos se produjo entre junio y julio de 2008, a través de entrevistas estructuradas conpreguntas abiertas y cerradas. Los datos se analizaron con base en métodos estadísticos. Los resultados mostraron losfactores de riesgo presentes para el desarrollo del cáncer de cuello uterino. Se concluye que las mujeres entrevistadascomprendieron el tema y que la realización de la citología vaginal tiene un propósito preventivo. Es necesario que losprofesionales de la salud individualicen la atención prestada.Palabras Clave:Palabras Clave:Palabras Clave:Palabras Clave:Palabras Clave: Prevención de câncer de cuello uterino; frotis vaginal; factores de riesgo; enfermería.CÂNCER DE COLO UTERINO: REALIZAÇÃO DO EXAMECOLPOCITOLÓGICO E MECANISMOS QUE AMPLIAM SUA ADESÃOUTERINE CERVICAL NEOPLASMS:PAP SMEAR SCREENING AND MECHANISMSTHAT INCREASE ADHERENCEEL CÁNCER DE CUELLO UTERINO: LA REALIZACIÓN DE LA CITOLOGÍAVAGINAL Y LOS MECANISMOS PARA AUMENTAR SU ADHESIÓNCleusa FelicianoIKelly ChristenIIManuela Beatriz VelhoIIIIAcadêmica do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí. Rio do Sul, Santa Catarina, Brasil.E-mail: cleusafeliciano@ibest.com.br.IIAcadêmica do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí. Rio do Sul, Santa Catarina, Brasil.E-mail: kelly.christen@ig.com.br.IIIEnfermeira obstétrica. Professora do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí. Rio do Sul,Santa Catarina, Brasil. Integrante do Grupo de Pesquisa em Enfermagem na Saúde da Mulher e do Recém-Nascido da Universidade Federal de SantaCatarina. E-mail: manuelavelho@hotmail.com.A doença acarreta mudanças ao indivíduo emseu estilo de vida e alterações psicológicas significati-vas, principalmente por seu estigma negativo, neces-sita de tratamento agressivo e ocasiona desconfortosque refletem na reorganização pessoal e familiar3.Quando o rastreamento através do examecolpocitológico apresenta boa cobertura (80%) e seRecebido em: 26.01.2009 – Aprovado em: 21.11.2009
  2. 2. Realização do exame colpocitológicoRecebido em: 26.01.2009 – Aprovado em: 21.11.2009p.76 • Rev. enferm. UERJ, Rio de Janeiro, 2010 jan/mar; 18(1):75-9.Artigo de PesquisaOriginal ResearchArtículo de Investigaciónras vantagens, a saber: baixo custo, fácil realização,tratamento adequado com possibilidade de cura ecoleta da amostra ser realizada por profissionaismédicos e enfermeiros5.Destaca-se esta atividade entre as principaisexecutadas pelos profissionais enfermeiros no aten-dimento à mulher no Programa Saúde da Família8.Todas as mulheres que iniciaram vida sexual de-vem fazer o exame, incluindo mulheres na menopausa,submetidas à histerectomia parcial sem vida sexual ati-va, as gestantes e as virgens que apresentem sintomas5.Não se tem determinado a idade quanto ao tér-mino do rastreamento do câncer de colo uterino. Amulher que atinge os 65 anos de vida, com váriascitologias negativas, terá o risco reduzido de desen-volver qualquer alteração neoplásica, porém se acei-ta o fato de a realização em idade avançada aindareduzir a mortalidade em tal faixa etária1.METODOLOGIAEsta pesquisa foi desenvolvida a partir do levan-tamento de dados na modalidade de pesquisa descriti-va estatística, que resultou em análise das suas variá-veis. Para a delimitação da amostra, utilizou-se o méto-do estratificado aleatório proporcional do universo de21.592 mulheres residentes no município de Rio doSul-SC, na faixa etária de 15 anos ou mais9.Consideraram-se, para a delimitação do tama-nho da amostra, tipo probabilística, os seguintes itens:nível de confiança, porcentagem com a qual o fenô-meno se verifica, porcentagem complementar, tama-nho da população, erro máximo permitido de 6%;com uma amostra total de 264 mulheres, proporcio-nais a suas respectivas faixas etárias10.Os critérios de inclusão dos sujeitos desta pes-quisa foram: sexo feminino, residente no municípiode Rio do Sul-SC, que realizaram o exame colpo-citológico em 2007. A coleta de dados ocorreu noperíodo de junho a julho de 2008, turno vespertino,mediante entrevista com aplicação de um roteiroestruturado contendo perguntas abertas e fechadas,durante a procura das mulheres pela assistência pres-tada no Centro de Atendimento à Mulher (CAM),vinculado à Secretaria Municipal de Saúde, referên-cia para o atendimento em saúde da mulher na aten-ção primária e secundária à saúde.Pela dificuldade de alcance da amostra na faixaetária de 15 a 19 anos e 80 anos ou mais, a buscapelos sujeitos da presente pesquisa também foi efetu-ada nas escolas municipais e asilos do município.Os dados foram analisados pelo método estatístico,calcularam-se as frequências absolutas e percentuais.O projeto recebeu parecer favorável do Comitêde Ética em Pesquisa da Universidade para o Desen-realiza dentro dos padrões de qualidade, com efetivadetecção precoce, pode-se modificar as taxas de inci-dência de mortalidade por este câncer e a sua dimi-nuição em até 90%4.As altas taxas de mortalidade, a possibilidadede detecção e tratamento precoce, a busca por publi-cações sobre o tema e os baixos índices de coberturana realização do exame colpocitológico no Municí-pio de Rio do Sul–SC instigaram a realização destapesquisa. Para tanto, foi traçado como objetivo: iden-tificar o perfil das mulheres que realizam o examecolpocitológico no Sistema Único de Saúde, nomunicípio de Rio do Sul–SC, bem como os mecanis-mos que ampliam sua adesão.A presente pesquisa justifica-se pela contribui-ção na prevenção e promoção da saúde das mulheresresidentes no município de Rio do Sul-SC, pois, comoenfermeiras e acadêmicas de enfermagem, visa-seaumentar a demanda da realização do examecolpocitológico com repercussão na redução dos al-tos índices de mortalidade pelo câncer de colo uterino.REVISÃO DA LITERATURAAs células humanas possuem mecanismos decombate na divisão celular e mutações no conteúdogenético das células, que podem interromper as defe-sas, o que contribui para a formação de um câncer5.Considera-se o câncer de colo uterino uma do-ença de crescimento lento e silencioso. Existe umafase pré-clínica na qual não se observam sintomas,no entanto há transformações intraepiteliais progres-sivas que podem ser precursoras do câncer eidentificadas pelo exame colpocitológico periódico4.O exame colpocitológico consiste no estudo dascélulas descamadas, esfoliadas do conteúdo cérvico-vaginal. Para a realização da coleta, deve-se expor acérvice através de um espéculo vaginal e proceder acoleta tríplice, ou seja, a raspagem por meio da espátulade Ayre do fundo de saco vaginal posterior eectocérvice, além da coleta do material da endocérvicecom o auxílio da escova de Campos da Paz6.Entre os procedimentos propostos até hoje, orastreamento do câncer de colo uterino em popula-ções sem sintomas constitui-se em sucesso inequívo-co, já que se verifica um declínio significativo damortalidade por essa causa específica1.Como fator de risco para o desenvolvimento docâncer de colo uterino, relacionam-se as baixas condi-ções socioeconômicas, o início precoce das atividadessexuais, múltiplos parceiros, gravidez precoce, tabagis-mo, infecções repetitivas pelo papilomavírus humano(HPV) e uso prolongado de anticoncepcionais7.Atualmente, a colpocitologia é utilizada comomeio de diagnóstico indispensável e possui inúme-
  3. 3. Feliciano C, Christen K, Velho MBRev. enferm. UERJ, Rio de Janeiro, 2010 jan/mar; 18(1):75-9. • p.77Recebido em: 26.01.2009 – Aprovado em: 21.11.2009Artigo de PesquisaOriginal ResearchArtículo de Investigaciónvolvimento do Alto Vale do Itajaí (UNIDAVI), sob oProtocolo número 708. Todos os sujeitos assinaramo Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.RESULTADOS E DISCUSSÃOIdentificou-se o perfil das mulheres que fizeramo exame colpocitológico na cidade de Rio do Sul–SC com dados socioeconômico-demográficos e al-guns fatores de risco associados ao desenvolvimentodo câncer de colo uterino, apresentados a seguir.No que diz respeito à escolaridade das mulheresentrevistadas, constatou-se que, na faixa etária acimade 30 anos, predomina a escolaridade do ensino fun-damental incompleto; este dado relaciona-se às difi-culdades financeiras e repressão relatada por grandeparte das entrevistadas. Foi possível observar, com oavanço das décadas, uma melhor integração da mu-lher ao meio socioeducacional, visto que, na faixaetária dos 20 aos 29 anos, 60% das mulheres entrevis-tas já iniciaram o ensino médio ou o concluíram.Houve diversidade quanto aos bairros de proce-dência das mulheres entrevistadas, com destaque paraa realização do exame colpocitológico no CAM. Ape-sar da distância de suas residências, o CAM permanececomo referência no atendimento à saúde da mulherneste município e o exame colpocitológico observa alivre demanda e é realizado pela equipe de enferma-gem. A pequena utilização das Estratégias de Saúde daFamília (ESF) para este procedimento, justificaram asentrevistadas, são as restrições como a falta de profissi-onais capacitados ou necessidade de agendamento.Entre os fatores de risco relacionados ao câncerde colo uterino, percebe-se que 57% das mulheresentrevistadas apresentaram a primeira menstruaçãoentre os 11 e 13 anos. Tal dado pode estar associadoao início precoce das atividades sexuais ainda no perí-odo do adolescer; 79% das mulheres têm este iníciona faixa etária dos 12 aos 19 anos. Ver Tabela 1.Uma das principais estratégias na Atenção In-tegral à Saúde da Mulher é promover a adesão deadolescentes ao exame colpocitológico, pela ocorrên-cia do câncer de colo uterino cada vez mais precoce.Ocorre o declínio da primeira menstruação, inícioprecoce da puberdade, a progressiva antecipação davida sexual ativa e, consequentemente, instala-se acapacidade reprodutiva4.Alguns cânceres, entre eles o de colo uterino,podem ser prevenidos em 40% com uma alimentaçãosaudável que inclua frutas, legumes, verduras, cereaise pouca ingesta de alimentos gordurosos, enlatados esalgados; devendo a dieta conter, diariamente, pelomenos cinco porções de frutas, verduras e legumes4.Observa-se o alto consumo de frutas entre asmulheres entrevistadas, com valor de 76%. Faz-se umaressalva às mulheres que residem no asilo, com quei-xas que consistem na dificuldade de acesso e limita-ção do consumo de frutas, por vezes atrelada a pato-logias como o Diabetes Mellitus.Em uma população, é possível identificar osgrupos com maior risco para o desenvolvimento decâncer de colo uterino, tais como mulheres sexual-mente ativas, que possuem múltiplos parceiros, ní-vel socioeconômico baixo e uso de tabaco1.Estudos apontam a associação entre nível deescolaridade e condição socioeconômica como umacaracterística de todas as regiões do mundo, para odesenvolvimento do câncer de colo uterino11.Nota-se que o tabaco e a multiplicidade de par-ceiros são fatores de risco relativamente pequeno en-tre os sujeitos deste estudo, apenas 11% das mulherespossuem o hábito de fumar e 80% relatam somenteum parceiro sexual no último ano. Ver Tabela 1.TTTTTABELAABELAABELAABELAABELA 11111: Fatores de risco para o desencadeamento docâncer de colo uterino nas mulheres entrevistadas. Rio doSul-SC, junho/julho, 2008.VVVVVariáveisariáveisariáveisariáveisariáveis fffff %%%%%Menarca8 a 10 anos 10 411 a 13 anos 151 5714 a 16 anos 88 3317 a 18 anos 11 4Não lembram 4 2Início das atividades sexuais12 a 19 anos 208 7920 a 29 anos 43 1630 anos ou mais 2 1Não responderam 11 4Consumo de frutasSim 203 76Não 57 22Dificuldade de acesso 4 2FumantesNão 224 85Sim 30 11Ex-Fumante 10 4Número de parceiros sexuais no último ano1 Parceiro 213 802 Parceiros 8 33 Parceiros 2 1Não tiveram relações sexuais 31 12Não responderam 10 4Métodos ContraceptivosNão utiliza 111 42Contraceptivo Hormonal 94 36Métodos Definitivos 26 10Métodos de Barreira 24 9Métodos Combinados 7 3Métodos Naturais 1 0Dispositivo Intrauterino 1 0
  4. 4. Realização do exame colpocitológicoRecebido em: 26.01.2009 – Aprovado em: 21.11.2009p.78 • Rev. enferm. UERJ, Rio de Janeiro, 2010 jan/mar; 18(1):75-9.Artigo de PesquisaOriginal ResearchArtículo de InvestigaciónEm relação aos métodos contraceptivos, 33%das mulheres utilizam apenas o anticoncepcionalhormonal oral, 9% o método de barreira, bem como42% não utilizam nenhum método contraceptivo, oque acarreta maior exposição e riscos para o câncerde colo uterino. Ver Tabela 1.Dessa forma, concorda-se com a literatura aodescrever estudos que indicam as mulheres jovensmais expostas às causas do câncer, em idade cada vezmais precoce. A maior liberdade sexual predispõe ocontato com algum agente infeccioso, transmitidovia sexual. Outro fator a ser citado é o aumento douso do contraceptivo hormonal oral e a diminuiçãodo uso de métodos de barreira1.Entre as mulheres que fizeram o examecolpocitológico em 2007, constatou-se que 63% rea-lizam a coleta com a finalidade de prevenção e con-sideram que, através de sua realização periódica, épossível evitar o agravamento das lesões precursorasdo câncer de colo uterino. Ver Tabela 2.No que tange às dificuldades para a realizaçãodo exame, manifestadas por 43% das mulheres en-trevistadas, identificam-se divergências específicas acada faixa etária. As mulheres mais jovens, que fa-zem parte do mercado de trabalho, relatam dificul-dade em sair do emprego para o referido controle,acrescida da informação de que as empresas não in-centivam a realização do exame colpocitológico. Entrea faixa etária mais avançada, há relato das limitaçõesimpostas pela idade, como as dificuldades físicas.É importante que as queixas enfatizadas pelasmulheres sejam consideradas e não desvalorizadaspela equipe de saúde. Os profissionais não devem seeximir da responsabilidade do acompanhamento damulher, ao longo do tempo4.Sabe-se que muitas mulheres não realizam acoleta do exame rotineiramente, cerca de 40% dapopulação feminina brasileira nunca fez o examecolpocitológico2.Frente ao questionamento sobre dúvidas oumedos quanto ao exame colpocitológico, 85% dasmulheres disseram não possuir dúvidas, pois reali-zam periodicamente o exame e sempre as esclare-cem com os profissionais de saúde. Verifica-se certograu de entendimento das mulheres, que pode estarrelacionado ao critério de inclusão para a entrevista,sobre a realização do exame colpocitológico.Os dados desta pesquisa, referentes ao resulta-do do último exame colpocitológico, foram relata-dos pela maioria das mulheres entrevistadas, tendoos pesquisadores acesso somente aos exames que se-riam apresentados ao profissional médico, após omomento da entrevista, conforme mostra a Tabela2. Não foi possível mensurar dados referentes àprevalência de infecções pelo HPV.Cabe assinalar que, ao questionar o histórico decâncer nas mulheres entrevistadas, foram encontra-das quatro delas que identificaram o câncer de colouterino, na faixa etária de 39 a 59 anos. Isso corrobo-ra o Instituto Nacional de Câncer ao destacar queesta incidência predomina na faixa etária de 40 a 60anos, sendo reduzida no grupo abaixo dos 30 anos2.Com o desenvolvimento da presente pesquisa,pode-se descrever alguns fatores que repercutem naadesão das mulheres ao exame colpocitológico.Os profissionais de saúde devem estar capacita-dos e habilitados para a realização do referido exa-VVVVVariáveisariáveisariáveisariáveisariáveis fffff %%%%%Motivo pela procura do exame colpocitológicoPrevenção 164 63Medo de câncer 25 9Sintomatologia 24 9Pedido do médico 13 5Outros motivos 38 14Dificuldades relatadas pelas mulheresem relaçãoà realização do exame colpocitológicoNão relataram dificuldades 152 57Vergonha/nervosismo 60 23Dor na hora da coleta + desconforto+ posição desconfortável 23 9Dificuldade para o trabalho liberar 6 2Distância da unidade 3 1Idade avançada 2 1Sangramento após a coleta 2 1Outras dificuldades 16 6Resultado do último exame colpocitológicoSem alterações 164 61Inflamação 49 19Não pegaram o resultado 18 7Gardnerella 10 4Cândida 9 3Lactobacilos 4 2LIE(lesãointra-epitelial) 4 2Ferida no colo uterino 3 1Material inadequado 3 1Dúvidas ou medos em relaçãoao exame colpocitológicoNão possuem dúvidas ou medos 223 85Medo de possuir alguma doença 14 5Dúvidas de como é realizado o exame 10 3Dúvidas quanto à limpeza do material 5 2Sentimentos de vergonha e insegurança 4 2Dúvidas quanto à fidelidade do resultado do exame 3 1Dúvidas se o resultado do examepode mostrar câncer ou ferida 2 1Dúvidas se há necessidade de realizar o examequando se tem filhos ou realizou histerectomia 2 1Todas as dúvidas possíveis 1 0TTTTTABELAABELAABELAABELAABELA 22222: A realização do exame colpocitológico pelasmulheres entrevistadas. Rio do Sul-SC, junho/julho, 2008
  5. 5. Feliciano C, Christen K, Velho MBRev. enferm. UERJ, Rio de Janeiro, 2010 jan/mar; 18(1):75-9. • p.79Recebido em: 26.01.2009 – Aprovado em: 21.11.2009Artigo de PesquisaOriginal ResearchArtículo de Investigaciónme. As mulheres precisam receber orientações sobrea coleta do exame, tais como: no que consiste a suarealização, finalidade e importância de fazê-lo perio-dicamente, apresentar os materiais utilizados, escla-recimentos sobre a posição da mulher no momentoda coleta, a população alvo e informações sobre oresultado do exame.Deve ser dada atenção às condições de acesso erecepção da clientela ao promover um ambiente aco-lhedor e que forneça privacidade; a oferta de estabeleci-mentos de saúde e horários flexíveis para a realizaçãodo exame, verificando a proximidade de sua residênciaou trabalho; e, principalmente, o respeito às limitaçõesimpostas pela individualidade das mulheres.A garantia de acesso à atenção à saúde deveestar adequada às necessidades de assistência, comdisponibilidade conforme a demanda e distribuiçãogeográfica, tanto em áreas urbanas como rurais12.Um estudo que abordou o tema adesão das mu-lheres ao exame colpocitológico identificou que orastreamento para a prevenção é conhecido, é ofereci-do gratuitamente e o Ministério da Saúde se empenhaem alcançar toda a população feminina. Entretanto,pode existir abordagem que não corresponda às expec-tativas e singularidade de cada cliente, ao desrespeitara sua cultura e seus valores13.Os profissionais de saúde, por estarem mais pró-ximos da população no contexto familiar, devem cons-truir um vínculo de confiança para discutirem os fa-tores de sexualidade, cultura e explanar a importân-cia da prevenção do câncer de colo uterino, atravésde formas alternativas que buscam compreender cadaindivíduo14,15.Salienta-se que é preciso haver profissional ca-pacitado para planejar, organizar e desenvolver ativi-dades que respondam às necessidades das mulherese assim estimular sua participação e envolvimento8.CONCLUSÃOA elaboração deste estudo permitiu conheceras mulheres que realizam o exame colpocitológico ecompreender suas posturas, dificuldades e anseiosrelativos a esse controle. Foi possível observar que aprevenção está entre as principais justificativas dasmulheres para a realização periódica do referido exa-me. Isso reflete as ações governamentais derastreamento como efetivas na detecção precoce,apesar de ser notória a exigência do aumento dosíndices de cobertura deste procedimento.A identificação dos fatores de risco para o de-senvolvimento do câncer de colo uterino proporcio-nou uma reflexão sobre a atuação dos profissionaisda saúde, frente à prevenção deste câncer. Acredita-se que os mencionados profissionais, tantas vezesrepresentados pelos enfermeiros, possam interagirmelhor com a mulher, individualizar a assistência eestabelecer um vínculo de confiança que garanta seuretorno à unidade. Isso proporciona segurança, quepode resultar na busca, em sua rede familiar e deamizades, de maior número de mulheres para a rea-lização do exame colpocitológico periódico.Espera-se que o estudo forneça subsídios paraos processos de formulação, gestão e avaliação depolíticas e ações públicas de importância estratégicapara o sistema de saúde brasileiro, com vistas à redu-ção da morbimortalidade pelo câncer de colo uterino.REFERÊNCIAS1.Oliveira HC, Lemgruber I. Tratado de ginecologia. Riode Janeiro: Revinter; 2001.2.Instituto Nacional de Câncer. Coordenação de Preven-ção e Vigilância (Conprev). Falando sobre câncer do colodo útero. Rio de Janeiro: MS/INCA; 2002.3.Salci MA, Sales CA, Marcon SM. Sentimentos de mu-lheres ao receber o diagnóstico de câncer. Rev enfermUERJ. 2009; 17:46-51.4.Ministério da Saúde (Br). Secretaria de Atenção à Saú-de. Controle dos cânceres do colo do útero e da mama.Departamento de Atenção Básica. Brasília (DF): Ministé-rio da Saúde; 2006.5.Freitas F. Rotinas em ginecologia. 4aed. Porto Alegre(RS): Artmed; 2003.6.Zampieri MFM, Garcia ORZ, Boehs AE, Verdi M,organizadoras. Enfermagem na atenção primária à saúdeda mulher: textos fundamentais. Florianópolis (SC):UFSC/NFR; 2005.7.Silveira LA. Câncer ginecológico: diagnóstico e tratamen-to. Florianópolis (SC): UFSC; 2005.8.Primo CC, Bom M, Da Silva PC. Atuação do enfermei-ro no atendimento à mulher no programa saúde da famí-lia. Rev enferm UERJ. 2008; 16:76-82.9.Ministério da Saúde. Departamento de Informática doSUS [site de Internet]. População Residente – SantaCatarina [citado em 04 jun 2008]. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/deftohtm.exe?ibge/cnv/popsc.def10.Barbetta PA. Estatística aplicada às ciências sociais. 4aed. rev. e ampl. Florianópolis (SC): UFSC, 2001.11.De Menezes AF, De Castro ME, Diógenes MAR.Autocuidado para a cicatrização da ferida de colo de úte-ro. Rev enferm UERJ. 2006; 14:214-20.12.Mandú ENT, Antiqueira, VMA, Lanza RAC. Mortali-dade materna: implicações para o programa saúde da fa-mília. Rev enferm UERJ. 2009; 17(2):278-84.13.Cruz LMB, Loureiro RP. A comunicação na aborda-gem preventiva do câncer do colo do útero: importânciadas influências histórico-culturais e da sexualidade femi-nina na adesão às campanhas. Saúde Soc São Paulo. 2008;17(2):120-31.14.De Paula A. Câncer cérvico-uterino: ameaça (in)evi-tável? Rev enferm UERJ. 2006;14:123-9.15.De Oliveira MM, Pinto IC. Percepções das usuáriassobre as ações de prevenção do câncer do colo do úterona estratégia de saúde da família em uma distrital de saúdeno município de Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil. RevBras Saude Mater Infant. 2007; 7:31-8.

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