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A hipertensão arterial sob o olhar de uma população carente estudos exploratórios a partir dos conhecimentos, atitudes e práticas

  1. 1. 1079Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 20(4):1079-1087, jul-ago, 2004ARTIGO ARTICLEA hipertensão arterial sob o olhar de umapopulação carente: estudo exploratórioa partir dos conhecimentos, atitudes e práticasHigh blood pressure from the perspectiveof a low-income population: an exploratorystudy of knowledge, attitudes, and practices1 Assessoria de Comunicaçãoe Educação em Saúde,Coordenação Regional doCeará, Fundação Nacionalde Saúde, Fortaleza, Brasil.2 Mestrado em Psicologia,Universidade de Fortaleza,Fortaleza, Brasil.3 Departamento de SaúdePública, Centro de Ciênciasda Saúde, UniversidadeEstadual do Ceará,Fortaleza, Brasil.CorrespondênciaM. T. LimaAssessoria de Comunicaçãoe Educação em Saúde,Coordenação Regionaldo Ceará, FundaçãoNacional de Saúde.Rua Azevedo Bolão 2.445,Fortaleza, CE60455-160, Brasil.marcia.theophilo@ig.com.brMárcia Theophilo Lima 1Julia Sursis N. Ferro Bucher 2José Wellington de Oliveira Lima 3AbstractKnowledge, attitudes, and behaviors related tohigh blood pressure among adults in a low-in-come community in Caucaia, Ceará, Brazil, aswell as factors influencing their attitudes to-ward behavioral risk factors (smoking, alcoholconsumption, salt and fat consumption, andlack of physical exercise) were studied. A total of228 individuals were interviewed using a struc-tured interview protocol. Thirteen focus groupsprovided a more in-depth analysis of attitudes.According to the findings, the reasons behindbehaviors and attitudes are linked to emotionsand socioeconomic issues. Behavioral changesinvolve giving up certain pleasures, for peoplewho are struggling to survive in living condi-tions imposed by poverty. Living in poverty in-terferes with the possibility of behavioral change.Hypertension; Behavior; Risk Factors; FocusGroupIntroduçãoA hipertensão arterial (HA), associada a fatoresdo estilo de vida, é um fator de risco importantepara a ocorrência de doenças cardiovascularescomo doenças isquêmicas do coração, insufici-ência cardíaca a acidente vascular cerebral 1.No Brasil, alguns estudos de base popula-cional estimaram a prevalência da HA entre20,0% a 30,0%. Um estudo feito na região urba-na de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil,para avaliar a prevalência de HA e sua associa-ção com fatores biológicos, sócio-econômicose de exposição ambiental encontrou uma pre-valência de 19,2% pelo critério de 160/95mmHg,incluindo os indivíduos que usavam medica-mentos anti-hipertensivos, e, pelo critério de140/90mmHg, a prevalência foi de 29,8% 2. Umoutro trabalho feito no Rio de Janeiro, na Ilhado Governador, encontrou como resultado umaprevalência de 24,9% pelo critério de 160/95mmHg 3.São atribuídos como riscos ou causas paraelevação da pressão arterial fatores constituci-onais (idade, sexo, raça, obesidade); fatores am-bientais (ingestão de sal, cálcio e potássio, ál-cool, gorduras e tabagismo); fatores ambien-tais ligados ao trabalho (estresse, agentes físi-cos e químicos) e fatores ligados à classe sociala qual o indivíduo pertence 4,5. Dessa forma,para o seu tratamento, além da medicação pres-crita, os profissionais de saúde recomendam a
  2. 2. Lima MT et al.1080Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 20(4):1079-1087, jul-ago, 2004adoção de práticas que possam minimizar osfatores de risco acima citados. Assim sendo, oindivíduo hipertenso, para tratar ou prevenir-se das complicações da HA, deve, além de me-dicar-se, ter atitudes para mudar antigos com-portamentos ou adotar novos hábitos.A importância da relação entre conheci-mentos, atitudes e práticas para o planejamen-to e elaboração de intervenções educativas jun-to a pacientes portadores de doenças cardio-vasculares é reconhecida por pesquisadores,porém os mesmos consideram a relação entreessas variáveis complexa porque envolve fato-res sociais, ambientais e emocionais 6,7,8.Serão apresentados, a seguir, os resultadosde um estudo empírico, realizado no Estado doCeará, Brasil, que foram analisados à luz de ou-tras pesquisas sobre o mesmo tema. Dessa for-ma, discutiremos os resultados de uma investi-gação sobre os conhecimentos, as atitudes e oscomportamentos de risco para a HA em umaamostra de indivíduos moradores de uma co-munidade carente, que tem uma prevalênciade 23,96%, pelo critério de 140/90mmHg, paraa HA na população adulta a partir de trintaanos 9. Além disso, também investiga os moti-vos norteadores das atitudes dos indivíduospesquisados com relação aos comportamentosde risco para HA: o sedentarismo, a ingestão desódio e gorduras na dieta, o uso do álcool e otabagismo.O métodoTrata-se de um estudo exploratório sobre a HA,realizado em uma população urbana de baixarenda do Conjunto Habitacional Metropolita-no, situado no Município de Caucaia, em umaárea da periferia de Fortaleza, Ceará. Buscou-se, através da articulação das metodologiasquantitativa e qualitativa, levantar conheci-mentos sobre a doença hipertensiva, identifi-car comportamentos de risco e conhecer atitu-des com relação a esses hábitos. Além disso, fo-ram acrescentados à investigação das razõessentimentos e crenças que envolvem o com-portamento das pessoas com relação ao taba-gismo, ao consumo de bebidas alcoólicas, à in-gestão de sal e gorduras na dieta e à prática deexercícios físicos.A escolha dos participantes da pesquisa foifeita através de uma tabela de números aleató-rios. Para tanto, buscou-se o cadastro indivi-dual dos indivíduos moradores do ConjuntoHabitacional Metropolitano, com idade acimade trinta anos, utilizado na pesquisa Epidemio-logia da Hipertensão Arterial em uma Popula-ção Urbana de Baixa Renda 9 realizada na mes-ma população cuja publicação encontra-se noprelo. Foram entrevistados 118 mulheres e 110homens, fazendo um total de 228 pessoas. Oscritérios de inclusão para entrevista foram osseguintes: ser morador do Conjunto Habitacio-nal Metropolitano, ter idade igual ou superiora trinta anos e igual ou inferior a sessenta anos.A coleta de dados ocorreu em duas etapas.Na primeira, os dados foram coletados a partirde entrevista individual, por meio da aplicaçãode um questionário composto com questõesfechadas e abertas, caracterizando uma pes-quisa quantitativa. Nesse momento, foram in-vestigados aspectos sócio-demográficos, os co-nhecimentos sobre a doença hipertensiva, aprática dos comportamentos anteriormente ci-tados e as atitudes dos indivíduos com relaçãoaos mesmos.Para verificar as atitudes, usamos a escalade Linkert 10 com pontuação variando de um acinco. Através de respostas a itens que apre-sentavam graus diferentes de reação positivaou negativa frente ao comportamento espera-do, verificou-se a atitude. Foram elaboradasquestões compostas por uma série de afirma-ções, relacionadas ao comportamento que pre-tendíamos investigar. Cada item era seguido decinco alternativas, indo desde o muito de acor-do ao total desacordo.Os dados obtidos através da aplicação doquestionário foram arquivados e analisadospara obtermos uma descrição da populaçãoquanto aos aspectos sócio-demográficos, co-nhecimentos, práticas e atitudes. Esses resulta-dos nos permitiram aprofundar a investigaçãosobre os comportamentos de risco porque nossubsidiaram com informações importantes quenortearam os roteiros de entrevistas nos gru-pos focais.Na segunda etapa, usamos, como meio decoleta de informações qualitativas, a técnica degrupos focais de discussão. Foram feitos 13grupos, divididos por temas, utilizando um ro-teiro básico para cada tema, a partir do qualaprofundamos as questões de interesse para oestudo. Os grupos focais nos deram a oportu-nidade de obter, através das falas dos indiví-duos, informações mais apuradas para que pu-déssemos compreender as razões, os significa-dos e as crenças que poderiam explicar as ati-tudes identificadas.O grupo focal é uma entrevista com umgrupo de pessoas sobre um tópico específico.Ele busca colher informações que possam pro-porcionar a compreensão de percepções, cren-ças, atitudes sobre um tema, produto ou servi-ços. Difere da entrevista individual por basear-
  3. 3. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 20(4):1079-1087, jul-ago, 2004se na interação entre as pessoas para obter osdados necessários à pesquisa. A sua formaçãoobedece a critérios previamente determinadospelo pesquisador, de acordo com os objetivosda investigação, cabendo a esse a criação deum ambiente favorável à discussão, que propi-cie aos participantes manifestar suas percep-ções e pontos de vista 11,12,13.A seleção dos participantes dos grupos sepautou na análise quantitativa realizada naprimeira fase da pesquisa. Foi feita a partir dosomatório dos pontos dos itens sobre cada umdos comportamentos analisados neste estudo.Foram chamados a participar aqueles sujeitosque tinham pontos mais baixos na escala, de-monstrando atitude negativa para o tratamen-to, dieta e prática de exercícios físicos e atitudepositiva para o uso de bebida alcoólica e taba-gismo.Todo o material coletado a partir dos gru-pos focais de discussão foi analisado com a fi-nalidade de buscar, a partir de sua organiza-ção, a compreensão das razões que norteiamas atitudes manifestadas pelos indivíduos. Paratanto, os resultados dos grupos focais foramtranscritos, lidos e organizados em mapas deassociação de idéias, nos quais todo diálogo foitransposto e ordenado em modelos de acordocom cada tema de discussão dos grupos. Par-tindo dessa ordenação, foram retirados trechosdo diálogo nos quais os argumentos construí-dos permitiram uma melhor compreensão dossentidos buscados nos objetivos da pesquisa.Esses trechos formam os diagramas de signifi-cações que visam entender a construção dosargumentos e produzir o sentido no contextodo diálogo 14.Os indivíduos foram esclarecidos quantoaos objetivos dessa pesquisa, respeitando-se arecusa daqueles que decidiram não participar,em qualquer de suas etapas. Antes de obter-mos o consentimento individual informadopelos participantes, realizamos, na sede da As-sociação Comunitária do Conjunto Habitacio-nal Metropolitano, uma reunião com seus inte-grantes para apresentar o projeto. Nesse mo-mento, as intenções foram divulgadas, e as dú-vidas, esclarecidas.ResultadosCom relação aos conhecimentos sobre a HA, osresultados demonstram que a população estu-dada tem suas próprias percepções. De acordocom as respostas dadas na entrevista indivi-dual, encontramos que os entrevistados esta-belecem relação entre as emoções e a ocorrên-HIPERTENSÃO ARTERIAL: CONHECIMENTOS, ATITUDES E PRÁTICAS 1081cia da HA. Entretanto, não há clareza se esta re-lação é de causa, efeito ou se os problemas emo-cionais representam a doença em si. Além dis-so, encontramos que a pressão alta é concebi-da, ao mesmo tempo, como problema de cora-ção, alteração da temperatura do corpo e umproblema circulatório.Quando indagamos sobre o conceito, as cau-sas, conseqüências e os sintomas da doença hi-pertensiva, os entrevistados citaram os proble-mas emocionais: “ansiedade, depressão, angús-tia, desânimo, agitação dos nervos, estado denervo, raiva, preocupação, aperreio, estresse,loucura, quentura no corpo, dor de cabeça, dorna vista, tontura, vexame no coração”. Alémdisso, encontramos que a pressão alta tambémé concebida como problema de coração, alte-ração da temperatura do corpo e como umproblema circulatório – “um sangue grosso que-rendo parar”, “o sangue esquentando e sobe pracabeça”, “movimento do sangue alterado” e “agi-tação do sangue”.Sobre os comportamentos de risco para HA,os resultados encontrados (Tabela 1) demons-tram que a maior parte dos entrevistados nãofuma, não consome bebidas alcoólicas e nãopratica exercícios físicos. Com relação à inges-tão de gorduras na dieta, observamos que é umhábito para 56% dos entrevistados, e que o usodo sal de cozinha é uma prática predominanteentre os sujeitos entrevistados.As atitudes e significações manifestadasA atitude para o tabagismo está coerente com aprática manifestada. Sobre a satisfação imedi-ata relacionada ao fumo, 65% dos entrevista-dos afirmaram que não gostam de cigarro. Parao grau de satisfação, encontramos que 46% dosentrevistados afirmaram que se sentem malem estar com alguém que fuma, e 21%, que sesentem muito mal.Através das informações obtidas nos gru-pos focais, o tabagismo está relacionado ao pra-zer e ao vício. Os depoimentos de indivíduosfumantes demonstraram que o hábito de fu-mar, no início, é “(...) um divertimento, mas sóque não é divertimento, é uma doença pra gen-te, só que a gente não pensa em função da doen-ça (...)” Nesse momento, não existe a devidapercepção de que o fumo traz males para a saú-de. O vício ao tabagismo é abordado como avontade de fumar que “deve vim do sangue”.Além disso, o viciado “(...) em todo canto ele fu-ma, ele tá em qualquer canto... é mal-educado”.Observamos também que as justificativasapontadas para não abandonar o fumo se rela-cionam à ausência de desconforto e ao prazer
  4. 4. Lima MT et al.1082Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 20(4):1079-1087, jul-ago, 2004sentido ao fumar um cigarro“(...) eu não tinhatosse, eu não tinha fraqueza, eu não tinha faltade apetite de comer, tem gente que fuma muito etem falta de apetite, aí eu sempre dizia quandoeu vê que o cigarro tá fazendo mal eu deixo defumar (...). Não deixo não que não tá fazendomal e eu acho bom, é um divertimento que eutenho (...)” (Grupo focal sobre tabagismo).A ingestão de bebida alcoólica também nãoé uma prática para a maioria dos entrevistadosneste estudo. Ao serem questionados sobre asatisfação sentida em ingerir bebida alcoólica,67% afirmaram não gostar do álcool. Quanto aograu de satisfação em conviver com a bebidaalcoólica, 57% afirmaram que se sentem mal, e33%, muito mal.Da mesma forma que no tabagismo, quemconsome o álcool “(...) é o viciado que num po-de ver a bebida que quer beber”. Além disso, apopulação estudada considera que “(...) pro-blema incentiva muito, conta muito pra levaruma pessoa à bebida”. Nesse sentido, os pro-blemas apontados foram a “falta de emprego” e“(...) muita dívida aí às vezes nem tem dinheiropra pagar”.Por outro lado, também observamos queexistem representações diferentes sobre a for-ma de beber. A bebida pode ser “só por esporte”ou “bebida social”, “bebida alterada”, “bebidacalma” e “bebida viciada”. A “bebida por espor-te” está relacionada à festa e à diversão com afamília e os amigos. A “bebida alterada” se rela-ciona com o delírio provocado pela embria-guez. Com a “bebida calma”, o indivíduo só fazmal a si próprio, não perturba os que estão asua volta, e, finalmente, o viciado bebe todosos dias.Um aspecto importante sobre a bebida al-coólica é que o álcool é uma droga legal, ou se-ja, sua produção não é clandestina e sua pro-paganda aparece livremente em todos os mei-os de comunicação. Então, ao mesmo tempoem que a bebida alcoólica provoca tantos ma-les, ela também é aceita socialmente. Na dis-cussão de grupo sobre o tabagismo com ho-mens, encontramos uma fala que demonstracom clareza que esse fato é percebido e quepode ser um fator mobilizador para o hábito deusar a bebida alcoólica. “(...) a bebida não é tãoruim não, ela tá no meio da sociedade, se segurequem quiser” (Grupo focal sobre tabagismo).Portanto, observamos que, pelo fato de exis-tir a aceitação social da bebida, cabe ao indiví-duo controlar o seu uso. Nesse sentido, a suautilização é um hábito complexo por estar rela-cionado a questões sociais e emocionais. Emtorno dessa prática, encontramos opiniões quea defendem e outras que a condenam. Nesteestudo, não achamos evidências de que, sob oponto de vista dos entrevistados, a bebida alco-ólica, em si, seja prejudicial. Os prejuízos apon-tados por essas pessoas estão mais relaciona-dos à forma e à freqüência de como é usada.A prática de exercícios físicos não surgiu co-mo um hábito freqüente entre os sujeitos queparticiparam da pesquisa. Por outro lado, ao se-rem perguntados sobre a satisfação em se exer-citar, 51% dos entrevistados afirmaram gostarde praticar exercícios, 39% não gostam, e 10%ficaram no nível intermediário. Para o grau desatisfação, encontramos que 119 (52%) se sen-tem bem quando fazem exercícios físicos, e 24(11%) se sentem muito bem.Para o grupo pesquisado, praticar exercíciosfísicos é importante para a saúde, porque mo-vimenta o corpo e “queima” os excessos de gor-duras; traz o preparo físico, prolongando a vi-da; é bom para os nervos, sangue, cérebro eproporciona mais disposição. Sob o ponto devista do grupo, o sedentarismo prejudica o cor-po, porque “cria” colesterol e aumenta a gordu-ra do corpo. O quadro abaixo apresenta as sig-nificações dos grupos sobre a prática de exercí-cios físicos (Figura 1).Tabela 1Distribuição dos indivíduos de acordo com a prática de comportamentos de risco para hipertensão arterial.Comportamentos Sim % Não % TotalHábito de fumar 76 33 152 67 228Hábito de beber 42 18 186 82 228Prática de exercícios físicos 61 27 167 73 228Come com sal 221 97 7 3 228Come gorduras 128 56 100 44 228Consulta ao médico (últimos dois meses) 54 24 174 76 228Verificação da pressão arterial (último mês) 43 19 185 81 228
  5. 5. HIPERTENSÃO ARTERIAL: CONHECIMENTOS, ATITUDES E PRÁTICAS 1083Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 20(4):1079-1087, jul-ago, 2004Da mesma forma que esses sujeitos, o cam-po biomédico também concebe que a práticade exercícios físicos proporciona ao indivíduomelhor qualidade de vida, porque ativa a circu-lação sangüínea através do movimento, melho-rando o funcionamento cardiovascular, auxiliana redução do peso corporal, além de propor-cionar o relaxamento, diminuindo o estresse 15.Uma outra informação relevante obtida foia de que o trabalho doméstico – “a luta de ca-sa” – e a atividade profissional, no caso dos ho-mens, eram os exercícios físicos mais pratica-dos. Entendemos que a “luta de casa” compre-ende os trabalhos domésticos de lavar e passarroupas, cozinhar, limpar a casa e cuidar dascrianças. Nesse sentido, podemos citar o diálo-go na Figura 2.Ao se esforçarem para fazer o trabalho decasa, estão desprendendo energia física. Ne-cessitam de coragem para enfrentar uma “luta”que se repete dia a dia, que é uma obrigação etoma todo o seu tempo. Nesse caso, para prati-car outras atividades físicas, elas teriam quebuscar mais coragem e gastar mais energia físi-ca. Percebemos que a “luta de casa” é um fatordesmobilizante para o comportamento em dis-cussão, porque toma o tempo da dona-de-casae, também, provoca o desgaste físico. Para de-sempenhar o trabalho doméstico, essas mulhe-res se dedicam e têm que empregar esforço eempenho.Com relação aos hábitos alimentares, aoverificarmos a satisfação relacionada com a in-gestão de alimentos com sal, encontramos 109(48%), e 32 (14%) afirmaram que se sentiriammal e muito mal em deixar de ingerir comidascom sal.Ao perguntarmos sobre a ingestão de gor-duras, buscamos identificar a predisposiçãodesses sujeitos para deixar de comer comidasgordurosas e a satisfação pessoal em degustaresse tipo de alimento. Nesse caso, para a ques-tão sobre a sensação em deixar de ingerir co-midas gordurosas, 126 (55%) pessoas afirma-ram se sentir bem, e 28 (12%), muito bem.Quando questionamos sobre o grau de satisfa-ção em comer esse tipo de alimento, as respos-tas se distribuíram em 119 (52%) no item “mal”,16 (7%) “muito mal”, 32 (14%) no nível inter-mediário.O uso do sal de cozinha nos alimentos foiressaltado como necessário, porque dá maissabor à comida, e, além disso, o sal fortalece ocorpo. Também percebemos que “comer frio asal” não dá o mesmo prazer de comer. Vejamosa fala a seguir: “É porque a comida bem boa desal é tão gostoso (...).Você passa pra comer fria asal não tem gosto nenhum” (Grupo focal mas-culino sobre dieta alimentar).A relação entre alimentação e saúde foi en-focada de duas formas. Na afirmação – “(...) mesinto com um pouco de saúde porque realmenteeu gosto de frutas, eu gosto de leite, eu gosto decomer abacate” – percebemos que a saúde estárelacionada com o tipo de alimento ingerido.Por outro lado, a ausência de qualquer sintomaFigura 1Significações sobre a prática de exercícios físicos.“(...) então você correndo queima aquela gordura, acaba, diminuia barriga e fica outra pessoa, fica totalmente diferente”Pra se movimentar “Ficar muito parada é muito ruim”“Porque quando ela tá se movimentando o sanguetá circulando nas veias”“(...) o cabra andando, o sangue vai se movimentandodentro do corpo da gente, esquenta”Ele traz saúde e ânimo “Sinto mais melhor com mais vontade de fazer as coisa.” “(...) porque é bom para os nervos, ébom para o sangue, para o cérebro”“(...) isso aí é uma grande saúde pra gente porqueprincipalmente pra quem sente dor no coração aí vaidesintupindo veia, vai fazendo tudo, tudo pra saúde da gente.”Porque traz o “Você vai ter resistência, (...) prolonga sua resistência”preparo físico“Eu acho que emagrece, a pessoa pode aprumar mais o corpo”vvvvvvvv
  6. 6. Lima MT et al.1084Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 20(4):1079-1087, jul-ago, 2004significa estar bem, com saúde, e poder comerqualquer coisa: “Eu como carne de criação, comtoicinho, feijão, rapadura, eu encho a barriga enão sinto nada. Eu acho que é saúde”.Neste estudo, identificamos três fatores im-portantes que influenciam na adoção das prá-ticas alimentares. O fator econômico, impedin-do a liberdade para escolher o alimento maisadequado, o aspecto emocional ligado ao pra-zer em degustar determinados alimentos e oshábitos alimentares arraigados na vida dessessujeitos. Vejamos o diálogo abaixo realizadocom grupo focal sobre dieta alimentar:“Qual a dificuldade que a Sra. tem para fa-zer dieta?”“Tem uns que come com sal e uns que comesem sal. Aí eu acho ruim né?”“Qual daquelas comidas ali [ambiente pre-parado com representação de alimentos] seri-am mais saudáveis para a Sra. que tem pressãoalta?”“O leite né? Verdura, arroz né? Macarrão,pão...Ghuchuzinho é bom pra pressão alta né?”“A Sra. compra na sua casa essas comidasque são melhores para a Sra.?”“Às vezes eu compro né? Quando tá melhorné? Quando as condições tão melhor”DiscussãoOs comportamentos em saúde têm sido estu-dados com o intuito de nortear as estratégiasde Educação em Saúde, para mudar práticasconsideradas insalubres pelas instituições desaúde. Sobre esse aspecto, os pesquisadorestêm feito trabalhos para investigar os conheci-mentos, as atitudes e práticas para diversas do-enças. Um estudo na Ilha de Mahé, Repúblicade Seychelles, feito com a população adulta(504 homens e 563 mulheres, com idade entre25 e 64 anos) para examinar conhecimentos,atitudes e práticas para HA demonstra que,apesar das pessoas terem conhecimento sobrea doença, poucos mostram motivação real pa-ra mudar de hábitos. São apontadas como ex-plicações para justificar esse fato a evolução si-lenciosa e a natureza crônica da hipertensão. Aexistência de modelos de estilos de vida feitospor comportamentos, atitudes, crenças, hábi-tos comuns a todos e condições sociais quetendem a ser estáveis através do tempo, o pra-zer individual por comportamentos agradáveiscomo o tabagismo, comida farta, salgada e osedentarismo são um poderoso impedimentopara a adoção de comportamentos como ativi-dade física regular, moderação no sal, álcool,ingestão de calorias e abstinência de fumo 7.Um outro estudo, feito para determinar seo conhecimento sobre a doença cardiovascularnuma população de 187 adultos americanos ti-nha relação com a redução de comportamen-tos de risco para essas doenças, mostrou que,entre os indivíduos estudados, os conhecimen-tos sozinhos não se traduziam em práticas sau-dáveis para reduzir os riscos 8.Com relação à HA, a ciência tem um discur-so competente que mostra com clareza as suascausas conhecidas ou ainda em estudo, mani-festações clínicas, conseqüências e define asformas de tratamento adequadas. Entretanto,neste estudo, percebemos que o discurso damedicina sobre esta doença não é absorvidopelos indivíduos em sua integridade, mas deuma forma que somente podemos compreen-der quando nos despojamos de seu conteúdopara entender a compreensão internalizadapelos hipertensos ou por aqueles que tentamse proteger da sua ocorrência.Quanto aos sintomas, a literatura médicaafirma que esta patologia não tem sintomato-logia própria. É uma doença que permaneceassintomática e que, quando aparecem as quei-xas do paciente, se referem às conseqüênciasFigura 2Significações sobre o trabalho doméstico e a prática de exercícios físicos.“A Sra. faz exercício?” “Eu não faço porque eu não “Quem é que faz exercício “Eu não faço”tenho esse tempo (...) físico?”Eu trabalho muito é o diatodim quando eu me deitoé 10h da noite”“Nem eu. Meu exercício é dentrode casa (...) a minha luta é muitogrande em casa aí num tenhocondição de fazer. Se eu tivessetempo fazia mesmo”vvvv
  7. 7. HIPERTENSÃO ARTERIAL: CONHECIMENTOS, ATITUDES E PRÁTICAS 1085Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 20(4):1079-1087, jul-ago, 2004das tensões alteradas sobre outros órgãos. AHA pode se arrastar por décadas e, se não sur-girem complicações, apresenta algumas modi-ficações clínicas de pouca importância. Nessesentido, este autor afirma que as queixas maisimportantes são: ansiedade e irritabilidade, la-bilidade emocional, palpitações, perturbaçõesvisuais, vertigens, tonteiras, cefaléia e sangra-mento pelas narinas 16.Porém, este estudo demonstrou que as pes-soas, ao serem questionadas sobre o que senteum indivíduo que tem pressão alta, se referi-ram a sintomas como dores de cabeça, doresno peito, tontura, alterações nos batimentoscardíacos, alterações visuais e agitação. Umoutro trabalho, feito em Niterói, no Estado doRio de Janeiro, também apresentou como re-sultado que sujeitos hipertensos atribuem àHA sintomas claramente definidos. Pessoas hi-pertensas, ao serem questionadas sobre o quesentem quando a pressão está alta, se referema sintomas como dores de cabeça, dores no pei-to, tontura, alterações nos batimentos cardía-cos, alterações visuais e agitação. Percebemosque, apesar da medicina caracterizar os sinto-mas da doença hipertensiva como inespecífi-cos, as pessoas apresentam como sintomatolo-gia sensações corpóreas bem específicas 17.Sobre a apreensão do discurso teórico pe-los grupos populares, a literatura coloca queessas pessoas são perfeitamente capazes deaprender a significação do discurso teórico. Eisso é apreendido em outra linguagem, comoutra vestimenta, porque é acrescido de hábi-tos e habilidades arraigados no corpo e de re-presentações construídas no interior do coti-diano aprendidas através de práticas, das rela-ções interpessoais e da interação das pessoascom seu meio 18,19,20.De acordo com os resultados apresentados,consideramos que as explicações aos compor-tamentos e atitudes manifestadas giraram emtorno de dois pontos fundamentais: o prazerem vivenciar os comportamentos questiona-dos e a situação social e econômica vivida pelogrupo.Sobre o hábito de fumar, encontramos queo tabagismo está relacionado à necessidade daobtenção de prazer e ao vício. A ingestão de be-bida alcoólica está relacionada ao prazer, nãosendo o álcool, em si, um “vilão”. A forma e afreqüência com que é usado é o que lhe confe-re a característica de insalubridade.Dias 21, ao discorrer sobre o tema compul-sões e dependências, refere que são comporta-mentos difíceis de serem eliminados, que atra-palham a vida de um indivíduo e que há poucoou nenhum controle para impedir a sua ocor-rência. Nesse sentido, atos como o tabagismo,comer, alcoolismo e drogadição são práticasque aliviam uma situação de angústia vividapelo indivíduo ou advém de um vínculo com-pensatório estabelecido pelo sujeito para su-prir as funções de cuidar, proteger e orientar.Com relação ao hábito de ingerir sal e gor-duras na alimentação, observamos que, sob oponto de vista dos entrevistados, a eliminaçãodo excesso de sal e dos alimentos gordurosos éuma alternativa importante para a saúde, po-rém esbarra na falta de condições econômicase nos sentimentos de prazer vividos por essesindivíduos ao ingerir comidas com sal e as gor-duras.Brunner et al. 22 consideram que a aderên-cia à dieta pode ser influenciada por fatores co-mo a percepção de risco de doença no futuro epela natureza da intervenção junto ao pacien-te. Para esses pesquisadores, o grande desafio émanter a dieta pelo maior tempo possível. Des-sa forma, a recomendação dietética deve viracompanhada de estratégias de educação emsaúde voltadas à população em geral ou queenvolvam o aconselhamento individual.Concordamos que a manutenção da ali-mentação dietética é muito difícil. Porém, con-sideramos que entra em questão a disponibili-dade individual para arcar com o ônus do com-portamento solicitado. Sob quais limites estãovivendo as pessoas que precisam mudar seushábitos alimentares. Encontramos, na literatu-ra, que o hábito de um indivíduo ou grupo tam-bém é gerado através de condições socialmen-te determinadas. Porém, é também dito que damesma forma que um hábito explica os com-portamentos regulares, também é produtor daimprovisação, permitindo a adaptação a umanova realidade social. O indivíduo tem consigoestruturas construídas interiormente que lhepermitem exteriorizar práticas de convivênciasocial e que também são orientadas por suasaspirações e afetos 23.A atividade física fora da rotina de trabalhonão foi uma prática observada nesta pesquisa.Os homens e mulheres dessa comunidade co-nhecem as vantagens da prática de exercíciosfísicos para a saúde. Existe uma tendência à va-lorização da atividade laboral como atividadefísica por ser uma realidade no cotidiano des-ses sujeitos o desgaste de energia no trabalhodoméstico e profissional.De acordo com a literatura sobre esse as-sunto, podemos dizer que, para o conhecimen-to biomédico, as duas formas de atividade físi-ca, no trabalho e de lazer, são fatores que pro-tegem o indivíduo para a ocorrência de doen-ças cardiovasculares. Os indivíduos mais ativos
  8. 8. Lima MT et al.1086Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 20(4):1079-1087, jul-ago, 2004fisicamente no trabalho têm taxas mais baixasde doença coronariana se comparados às pes-soas que têm empregos sedentários. Tambémencontramos que a prática regular de ativida-des de lazer é um fator de proteção para a ocor-rência de eventos cardiovasculares 24,25,26,27.A nossa investigação não tem dados paraafirmar qual a quantidade de calorias perdidaspelos indivíduos entrevistados no seu cotidia-no de trabalho. Para tanto, seria necessário umestudo específico sobre esse tema. Porém, nãoconsideramos os indivíduos que participaramdeste estudo sedentários. Tanto os homens,através das suas atividades profissionais, comoas mulheres, em suas tarefas domésticas, des-prendem energia física.Considerações finaisOs objetivos que nortearam esta pesquisa pro-curaram ir além do que um levantamento deconhecimentos, atitudes e práticas podemmostrar como resultado de investigação. Atra-vés das informações colhidas na entrevista in-dividual, nos grupos focais e das observaçõesfeitas no decorrer do trabalho de campo, foipossível chegar a algumas conclusões. Perce-bemos que as características sócio-econômi-cas desse grupo determinam os seus estilos devida e podem ser um dos obstáculos para amudança de comportamentos. Conforme ob-servamos no trabalho de campo, os moradoresdesse conjunto habitacional vivem com priva-ções financeiras, de serviços públicos e infra-estrutura para moradia que dificultam a ade-são a um estilo de vida saudável.Além disso, um outro fator observado comodeterminante na escolha de estilos de vida é oprazer, sentido individualmente, ao praticarcomportamentos como fumar, beber bebidasalcoólicas e comer. Nesse sentido, o abandonode um desses hábitos pode significar a perdade um prazer, em um contexto de vida no qualas oportunidades de satisfação pessoal sãomuito poucas.Um outro aspecto importante a ser relata-do é o de que a população investigada conhecea HA e os fatores comportamentais de riscoque estão relacionados a sua ocorrência. Esseconhecimento está muito relacionado a vivên-cias no próprio corpo, entre os membros da fa-mília ou no ambiente onde vivem e difere, emalguns pontos, do conhecimento elaboradopela ciência.A análise feita neste trabalho traz contri-buições importantes para a saúde pública e de-monstra a importância que os conhecimentose emoções, que compõem as significações ma-nifestadas pela população investigada, têm pa-ra o processo de mudança em estilos de vida.Sem compreender como as pessoas pensam ese sentem diante de seus problemas não pode-mos concretizar um processo educativo quevislumbre a mudança e sustentação de estilosde vida saudáveis.Sob esse ponto de vista, caberia aos profis-sionais que atuam no campo da saúde a defesade propostas de educação em saúde pautadasna capacitação de indivíduos e comunidades,considerando o sujeito em seu ambiente, suacompreensão e significações sobre a realidadeem que está inserido. Consideramos esses as-pectos fundamentais para o desenvolvimentode habilidades que lhes permitam uma postu-ra mais crítica diante de seus problemas de sa-úde, com capacidade de exercer um controlesobre si mesmo e o ambiente em que vivem.ResumoEste trabalho investiga conhecimentos, atitudes ecomportamentos para hipertensão arterial entre adul-tos de uma comunidade de baixa renda, situada emCaucaia, Ceará, Brasil, e as razões que norteiam as su-as atitudes com relação aos fatores de risco comporta-mentais – tabagismo, hábito de ingerir bebidas alcoó-licas, ingestão de sal e gorduras na dieta e a prática deexercícios físicos. Foram entrevistadas 228 pessoas,utilizando um questionário estruturado e feitos 13grupos focais de discussão para aprofundar as atitu-des manifestadas. Os achados revelam que as razõesnorteadoras dos comportamentos e atitudes investiga-das estão ligadas a emoções, a questões sociais e eco-nômicas. As mudanças comportamentais representamo abandono de alguns prazeres para pessoas que lu-tam para sobreviver em condições de vida de pobreza.Viver em situação de pobreza interfere nas possibili-dades de mudança de comportamentos.Hipertensão; Comportamento; Fatores de Risco; Gru-pos Focais
  9. 9. HIPERTENSÃO ARTERIAL: CONHECIMENTOS, ATITUDES E PRÁTICAS 1087Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 20(4):1079-1087, jul-ago, 2004Referências1. Stokes J 3rd, Kannel WB, Wolf PA, D’Agostinho RB,Cupples A. Blood pressure as a risk factor for car-diovascular disease. The Framingham Study – 30years of follow-up. Hypertension 1989;13:113-8.2. Fuchs FD, Moreira LB, Moraes RS, Bredemeier M,Cardoso SC. Prevalência de hipertensão arterialsistêmica e fatores associados na região urbanade Porto Alegre. Estudo de base populacional.Arq Bras Cardiol 1995; 63:473-9.3. Bloch KV, Klein CH, Silva NAS, Nogueira AR,Campos LHS. Hipertensão arterial e obesidadena Ilha do Governador – Rio de Janeiro. Arq BrasCardiol 1994; 62:17-22.4. Ford ESE, Cooper RS. Risk factors for hyperten-sion in a national cohort study. Hypertension1991; 18:598-606.5. Lessa I. Epidemiologia da hipertensão arterial. In:Lessa I, organizador. O adulto brasileiro e as doen-ças da modernidade. 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Lima participou na elaboração do projeto, cole-ta e análise de dados. W. O. Lima colaborou na análi-se de dados. Todos os autores contribuíram na revi-são de literatura e revisão final do artigo.

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