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Saneamento

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Saneamento - Doenças, Vinculação Hídrica



O cozimento inadequado ou o armazenamento impróprio, assim como condições sanitárias
deficientes durante o preparo dos alimentos, podem causar de um simples desconforto
intestinal a doenças graves, devido à presença de microrganismos patogênicos. A
contaminação da água com materiais contendo microrganismos patogênicos, tais como, fezes,
também podem causar doenças. Segundo a OMC- Organização Mundial de Saúde, temos
umquadro assustador de deficiências em relação a água.

A água é um dos elementos fundamentais para a existência do homem. Grande parte das
atividades humanas necessita de água para se realizarem. Essa água, depois de utilizada para
vários fins, é devolvida para o meio ambiente parcialmente ou totalmente poluída (carregada
de substâncias tóxicas, materiais orgânicos ou microrganismos patogênicos), de tal forma a
comprometer a qualidade dos recursos hídricos disponíveis na natureza aumentando o risco
de doenças de transmissão hídrica e de origem hídrica.



Doenças de Transmissão Hídrica: São aquelas em que a água atua como veículo de agentes
infecciosos. Os microorganismos patogênicos atingem a água através de excretas de pessoas
ou animais infectados, causando problemas principalmente no aparelho intestinal do homem.
Essas doenças podem ser causadas por bactérias, fungos, vírus, protozoários e helmintos.

Doenças de origem Hídrica: São aquelas causadas por determinadas substâncias químicas,
orgânicas ou inorgânicas, presentes na água em concentrações inadequadas, em geral
superiores as especificadas nos padrões para águas de consumo humano. Essas substâncias
podem existir naturalmente no manancial ou resultarem da poluição. São exemplos de
doenças de origem hídrica: o saturnismo provocado por excesso de chumbo na água - a
metemoglobinemia em crianças - decorrente da ingestão de concentrações excessivas de
nitrato, e outras doenças de efeito a curto e longo prazo.

Várias doenças conhecidas podem ser transmitidas através da água, como cólera, febre tifóide,
tuberculose, disenteria amebiana, hepatite e outras. O problema é que algumas dessas
doenças têm um longo período de incubação (de 2 a 3 semanas) e são, por isso, raramente
associadas com a ingestão de água contaminada. Algas, fungos e outros microorganismos
nocivos à saúde também usam água como meio de propagação.

Infecções transmitidas por água ocorrem quando um microrganismo infeccioso é adquirido por
meio da água contaminada por matéria fecal, contendo patógenos humanos ou de animais.
Quando esses patógenos contaminam a rede de abastecimento público ou outras fontes de
água potável utilizadas por muitas pessoas, podem aparecer surtos epidêmicos de doenças
intestinais, afetando um grande número de pessoas em um curto período de tempo. A
detecção da fonte de contaminação, associada a vários casos, auxilia na determinação da
origem de tais epidemias.
Bactérias, vírus, protozoários e helmintos têm sido implicados como responsáveis por doenças
transmitidas por água e alimentos. Não existe diferenciação entre infecções transmitidas por
alimentos e as transmitidas por água, pois alguns patógenos, por exemplo da febre tifóide,
podem ser transmitidos tanto por água como por alimentos. Métodos de saneamento podem
evitar a disseminação dessas doenças, prevenindo a contaminação de fontes de água e
alimentos.

Diferentes tipos de doenças transmitidas por meio de água e alimentos já foram descritos,
cada um apresentando aspectos próprios.

Nas infecções bacterianas transmitidas por água e alimentos, os microrganismos são
veiculados ao organismo humano por meio de consumo de água e alimentos contaminados
por fezes humanas ou de animais. Essas doenças afetam geralmente o trato intestinal, embora
algumas vezes outras áreas do corpo também possam ser afetadas.

Algumas dessas infecções e seus agentes etiológicos serão descritos a seguir:



FEBRE TIFÓIDE

Agente:                                                                        SalmonellaTyphi.
Reservatório:       Fezes       e       urina       de        portadores      e      pacientes.
Veículos:     Água      contaminada,       leite,   lacticínios,    alimentos     e    moscas.
Sintomas: Infecção geral, caracterizada por febres contínuas, manchas rosadas, diarréias.
Incubação:              Geralmente                7             à           14            dias.
Prevenção/controle: Proteger e purificar as águas de abastecimento, pasteurizar o leite,
disposição sanitária dos esgotos, controle de alimentos, moscas, caramujos e imunização.

CÓLERA

Agente:                                                                           VíbrioComma.
Reservatório:         Descargas        intestinais,       vômitos        e          portadores.
Veículos:       Água         contaminada,         alimentos        crús         e       moscas.
Incubação:                      Geralmente                       três                      dias.
Sintomas: Diarréia, fezes semelhantes a água de arroz, sede, dores e coma.

HEPATITE TIPO A

É um vírus que pode passar do trato intestinal para a corrente sanguínea e são levados a
outras áreas do organismo. O poliovírus infecta o intestino, posteriormente, pode invadir o
sistema nervoso e é um tipo de infecção viral transmitida por água e alimentos. Os poliovírus
são eliminados nas fezes de seres humanos infectados, e a sua principal via de transmissão é a
água e alimentos contaminados com fezes humanas.

É a mais contagiosa, mas a menos grave. Estima-se que no Brasil 95% da população adulta já
tenha anticorpos contra esse tipo de hepatite. O que mostra, que muita gente já foi infectada
pela doença.
Os sintomas iniciais são perda de apetite, fadiga, desconforto abdominal, febre e possível
vômitos. Mais tarde ocorre icterícia, o que indica dano no fígado. A hepatite tipo A raramente
é fatal, e a recuperação ocorre gradualmente num período de duas a seis semanas.

Prevenção/controle: Disposição sanitária de esgotos, saneamento de alimentos, higiene
pessoal e proteção da água. É uma doença que não há necessidade de tratar com remédios, o
corpo se defende sozinho da infecção.

LEPTOSPIROSE

Doença causada por uma bactéria (a leptospirassp), afetando a maior parte dos animais
inclusive o homem. É transmitida através da urina, água e alimentos contaminados pelo
microorganismo, pela penetração da pele lesada, e pela ingestão. O cão e outros animais como
por exemplo rato, bovino e animais silvestres também podem contrair a doença e transmití-la.
A doença é causada principalmente pela urina que os ratos e camundongos deixam, de
preferência próximo a lugares onde encontram algo para comer: restos de comida de
cachorros, lixo, osso, etc.

O homem infecta-se ao pisar descalço no solo ou fazer uso da água e alimentos contaminados.
O número de casos de leptospirose aumenta quando enchentes, devido ao fato de que o
esgoto pode abrigar animais portadores da doença e eliminá-la pela urina no local , e quando
extravasam atingem as pessoas contaminando-as.

Sintomas: Febre, dores de cabeça, náuseas, dores musculares, cefaléia, vômitos, sede,
prostração e icterícia, dores difusas, principalmente panturrilhas, conjuntivas congestas, às
vezes                                  difusões                                  hemorrágicas..
Incubação:            Em            média            9           à           10           dias.
Prevenção/ controle: Destruir ratos, proteger os alimentos, evitar águas poluídas, tratar
abrasões das mãos e braços, desinfetar utensílios e tratar cachorros infectados.

VERMINOSES

A verminose é um tipo de parasitose, intestinal provocada pelos vermes. A verminose é muito
comum, atingindo todas as pessoas adultas e crianças, de todas as idades, tanto na cidade
como no campo. As consequências representam graves danos à saúde de todos, às vezes até
fatais.

A seguir, alguns tipos de verminoses mais frequentes, os vermes causadores, os sintomas que
elas provocam e os cuidados para evitá-las.

Ascaridíase                                                                                :
Definição: É uma infecção produzida pelo Ascaris lumbricóides, vulgarmente denominado
lombriga. Possuem um corpo longo e cilíndrico com o comprimento entre 10 e 40 centímetros.
As fêmeas são maiores que os machos. O verme possui uma coloração amarelada ou rósea, e
seu corpo é revestido por uma cutícula dura e elástica. A fêmea põe aproximadamente 200 mil
ovos por dia. Dentro do hospedeiro, o número de Ascaris lumbricóides presentes no intestino
delgado pode variar de quatro a seiscentos exemplares. O verme vive entre seis à dezoito
meses e se distribui amplamente através dos trópicos e se estende pelas regiões temperadas.
Como as crianças se expõem com maior facilidade, mantendo maior contato com o solo, onde
evacuam comumente e desrespeitando as normas de higiene, constituem o grupo mais
acometido por esta parasitose. Calcula-se que 14% da população mundial está contaminado
com a parasitose. Os maiores índices de parasitismo no Brasil são observados nos estados de
Alagoas,          Sergipe         e           litoral          de           São         Paulo.
Sintomas: Quando as larvas migram para os pulmões, o indivíduo infectado apresenta tosse,
febre de pequena intensidade e insuficiência respiratória. Já no intestino o verme causa dores
abdominais em cólica, diarréia, náuseas e vômito, anorexia, palidez e perda de peso. Isso
ocorre porque os vermes adultos localizados no intestino consomem as proteínas ingeridas
pelo         hospedeiro,       o         que          pode          causar        desnutrição.
Infecção: Se dá através da ingestão dos ovos infectantes do parasita, procedentes do solo,
água ou alimentos contaminados com ovo embrionado ou fezes humanas. O período de
transmissibilidade dura o tempo em que o indivíduo portar o verme e estiver eliminando ovos
pelas fezes.

No interior do intestino delgado(duodeno) ocorre eclosão do ovo com liberação de uma larva (
Rabiditóide). Essa larva passa para a corrente sanguínea, para o fígado, coração e pulmão. No
interior dos pulmões as larvas Rabiditóide perfuram os alvéolos pulmonares sofrendo mudas,
se tornando resistentes e maiores, provocando irritação. Dos pulmões as larvas passam para o
intestino delgado, irritam o sistema respiratório e digestivo, transformando-se em vermes
adultos. No interior do intestino delgado ocorre reprodução sexuada com liberação de
milhares de ovos que serão eliminados através das fezes.

Para prevenir a parasitose, todas as infecções devem ser tratadas, a higiene pessoal deve ser
reforçada e deve-se providenciar recursos sanitários adequados. É fundamental lavar as mãos
antes das refeições e lavar bem os alimentos antes de consumí-los.

Ancilostomíase ( amarelão): É causada por vermes (Ancylostoma, nematelminte) que atacam o
intestino delgado, quando adultos, causando inúmeras feridas, que através destas o indivíduo
parasitado perde sangue, tornando-o anêmico.

O veículo de transmissão do agente infeccioso é o próprio verme que está na terra e penetra
na pele das pessoas quando há contato direto. O habitat natural do verme é água
doce/salgada e o solo.

A reprodução se dá no intestino do indivíduo parasitado. O verme adulto põe ovos e estes
saem com as fezes, e por falta de saneamento, se espalham pela terra.

Essa doença é atuante, pois o maior meio de infecção é pelo fato de pisar descalço na terra,
onde foi depositada as fezes de um indivíduo parasitado.

Sintomas: Fraqueza, palidez, tontura, febre alta e cólicas intestinais

O verme só é combatido depois da infecção por vermifugos. Como o meio de transmissão
dessa doença é através das fezes, sendo deixada em local desapropriado, a melhor maneira
que se tem de combatê-la é saneando adequadamente sobretudo a periferia de cidades
grandes e o campo e sempre andar calçado e usar luvas para manipular a terra.
Tricuríase: É um parasita do aparelho digestivo. A infecção se dá pela ingestão de água e
alimentos contaminados com ovos do parasita.

As manifestações clínicas podem variar desde casos assintomáticos até casos graves com
diarréia crônica, disenteria, anemia.



As                verminoses               podem                 ser               evitadas:
Lavando bem as mãos sempre que usar o banheiro e antes das refeições;
Manter limpa a casa e o terreno ao redor, evitando presença de moscas e outros insetos;
Beber             somente           água             filtrada          ou            fervida;
Conservar as mãos sempre limpas, as unhas aparadas, e evitar colocar as mãos na boca;
Não deixar as crianças brincarem em terrenos baldios com lixo ou água poluída; andar sempre
com os pés calçados.

Em regiões onde há muitos casos de verminose, recomenda-se o uso do Mebendazol 500mg
em dose única, Pantelmin 500mg dose única 3 vezes ao ano.

Giardíase: Infecção por protozoários que atinge, principalmente, a porção superior do
intestino delgado. A infecção sintomática pode apresentar-se através de diarréia,
acompanhada de dor abdominal. Esse quadro pode ser de natureza crônica, caracterizado por
dejeções amolecidas, com aspecto gorduroso, acompanhadas de fadiga, anorexia, flatulência e
distensão abdominal. Anorexia, associada com má absorção, pode ocasionar perda de peso e
anemia. Não há invasão intestinal.

É causada pela Giárdia lamblia, o único protozoário flagelado conhecido como responsável por
doença intestinal humana. A doença tem distribuição mundial e ocorre frequentemente nas
pessoas que consomem água não tratada e alimentos lavados ou preparados com água
contaminada. Os cistos infecciosos do protozoário são normalmente transmitidos por água
contaminada com fezes e atinge, principalmente, a porção superior do intestino delgado..

Características epidemiológica: É doença de distribuição universal. Epidemias podem ocorrer,
principalmente, em instituições fechadas que atendam crianças, sendo os grupos etários mais
acometidos menores de 5 anos e adultos entre 25 e 39 anos.

A prevenção da doença está baseada na boa higiene pessoal e na eliminação dos cistos da
água de abastecimento. A cloração pode destruir os cistos, mas não é sempre confiável porque
vários fatores podem diminuir a sua eficiência. Por essa razão a água de abastecimento deve
também ser tratada para a remoção de matéria em suspensão (filtração).

Medidas                                     de                                     controle:
a) Específicas: Em creches ou orfanatos deverão ser construídas adequadas instalações
sanitárias e enfatizada a necessidade de medidas de higiene pessoal. Educação sanitária , em
particular desenvolvimento de hábitos de higiene – lavar as mãos após o uso do banheiro;
b)       Gerais:      Filtração     de     água      potável.      Saneamento        básico;
c) Isolamento: pessoas com giardíase devem ser afastadas do cuidado de crianças. Com
pacientes internados, devem ser adotadas precauções entéricas através de medidas de
desinfecção concorrente para material contaminado e controle de cura, que é feito com
exame parasitológico de fezes até 21 dias após o término do tratamento.

Tratamento: Secnidazol; Tinidazol; Metronidazol.

Amebíase: (Entamoebahistolytica- protozoário que causa a amebíase). Infecção causada por
um protozoário que se apresenta em duas formas: cisto e trofozoíto. Esse parasito pode atuar
como comensal ou provocar invasão de tecidos, originando, assim, as formas intestinal e extra-
intestinal da doença. O quadro clínico varia de uma diarréia aguda e fulminante, de caráter
sanguinolento ou mucóide, acompanhada de febre e calafrios, até uma forma branda,
caracterizada por desconforto abdominal leve ou moderado, com sangue ou muco nas
dejeções. Pode ou não ocorrer períodos de remissão. Em casos graves, as formas trofozoíticas
se disseminam através da corrente sangüínea, provocando abcesso no fígado (com maior
freqüência), nos pulmões ou no cérebro. Quando não diagnosticadas a tempo, podem levar o
paciente ao óbito.

A transmissão se faz pela ingestão de água ou alimentos contaminados com cistos da
E.histolytica (parasita do intestino grosso). Em outras ocasiões apresenta-se sob a forma da
chamada disenteria amebiana aguda, com acometimento do estado geral, febre, às vezes
desidratação e fezes mucopiossanguinolentas.

A amebíase pode apresentar localização extra intestinal, como: hepática, pleural, pulmonar,
pericárdica, cerebral, esplênica e cutânea. As formas extra-intestinais são extremamente raras
na infância.

Características epidemiológicas - Estima-se que mais de 10% da população mundial está
infectada por E. dispar e E. histolytica, que são espécies morfologicamente idênticas, mas só a
última é patogênica, sendo a ocorrência estimada em 50 milhões de casos invasivos/ano. Em
países em desenvolvimento, a prevalência da infecção é alta, sendo que 90% dos infectados
podem eliminar o parasito durante 12 meses. Infecções são transmitidas por cistos através da
via fecal-oral. Os cistos, no interior do hospedeiro humano, se transformam em trofozoítos. A
transmissão é mantida pela eliminação de cistos no ambiente, que podem contaminar a água e
alimentos. Sua ocorrência está associada com condições inadequadas de saneamento básico e
determinadas práticas sexuais.

Medidas de Controle

a) Gerais: impedir a contaminação fecal da água e alimentos através de medidas de
saneamento básico e do controle dos indivíduos que manipulam alimentos.
b) Específicas: lavar as mãos após uso do sanitário, lavagem cuidadosa dos vegetais com água
potável e deixá-los em imersão em ácido acético ou vinagre, durante 15 minutos para eliminar
os cistos. Evitar práticas sexuais que favoreçam o contato fecal-oral. Investigação dos contatos
e da fonte de infecção, ou seja, exame coproscópico dos membros do grupo familiar e de
outros contatos. O diagnóstico de um caso em quartéis, creches, orfanatos e outras
instituições indica a realização de inquérito coproscópico para tratamento dos portadores de
cistos. Fiscalização dos prestadores de serviços na área de alimentos, pela vigilância sanitária.
c) Isolamento: em pacientes internados precauções do tipo entérico devem ser adotadas.
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Saneamento

  • 1. Saneamento - Doenças, Vinculação Hídrica O cozimento inadequado ou o armazenamento impróprio, assim como condições sanitárias deficientes durante o preparo dos alimentos, podem causar de um simples desconforto intestinal a doenças graves, devido à presença de microrganismos patogênicos. A contaminação da água com materiais contendo microrganismos patogênicos, tais como, fezes, também podem causar doenças. Segundo a OMC- Organização Mundial de Saúde, temos umquadro assustador de deficiências em relação a água. A água é um dos elementos fundamentais para a existência do homem. Grande parte das atividades humanas necessita de água para se realizarem. Essa água, depois de utilizada para vários fins, é devolvida para o meio ambiente parcialmente ou totalmente poluída (carregada de substâncias tóxicas, materiais orgânicos ou microrganismos patogênicos), de tal forma a comprometer a qualidade dos recursos hídricos disponíveis na natureza aumentando o risco de doenças de transmissão hídrica e de origem hídrica. Doenças de Transmissão Hídrica: São aquelas em que a água atua como veículo de agentes infecciosos. Os microorganismos patogênicos atingem a água através de excretas de pessoas ou animais infectados, causando problemas principalmente no aparelho intestinal do homem. Essas doenças podem ser causadas por bactérias, fungos, vírus, protozoários e helmintos. Doenças de origem Hídrica: São aquelas causadas por determinadas substâncias químicas, orgânicas ou inorgânicas, presentes na água em concentrações inadequadas, em geral superiores as especificadas nos padrões para águas de consumo humano. Essas substâncias podem existir naturalmente no manancial ou resultarem da poluição. São exemplos de doenças de origem hídrica: o saturnismo provocado por excesso de chumbo na água - a metemoglobinemia em crianças - decorrente da ingestão de concentrações excessivas de nitrato, e outras doenças de efeito a curto e longo prazo. Várias doenças conhecidas podem ser transmitidas através da água, como cólera, febre tifóide, tuberculose, disenteria amebiana, hepatite e outras. O problema é que algumas dessas doenças têm um longo período de incubação (de 2 a 3 semanas) e são, por isso, raramente associadas com a ingestão de água contaminada. Algas, fungos e outros microorganismos nocivos à saúde também usam água como meio de propagação. Infecções transmitidas por água ocorrem quando um microrganismo infeccioso é adquirido por meio da água contaminada por matéria fecal, contendo patógenos humanos ou de animais. Quando esses patógenos contaminam a rede de abastecimento público ou outras fontes de água potável utilizadas por muitas pessoas, podem aparecer surtos epidêmicos de doenças intestinais, afetando um grande número de pessoas em um curto período de tempo. A detecção da fonte de contaminação, associada a vários casos, auxilia na determinação da origem de tais epidemias.
  • 2. Bactérias, vírus, protozoários e helmintos têm sido implicados como responsáveis por doenças transmitidas por água e alimentos. Não existe diferenciação entre infecções transmitidas por alimentos e as transmitidas por água, pois alguns patógenos, por exemplo da febre tifóide, podem ser transmitidos tanto por água como por alimentos. Métodos de saneamento podem evitar a disseminação dessas doenças, prevenindo a contaminação de fontes de água e alimentos. Diferentes tipos de doenças transmitidas por meio de água e alimentos já foram descritos, cada um apresentando aspectos próprios. Nas infecções bacterianas transmitidas por água e alimentos, os microrganismos são veiculados ao organismo humano por meio de consumo de água e alimentos contaminados por fezes humanas ou de animais. Essas doenças afetam geralmente o trato intestinal, embora algumas vezes outras áreas do corpo também possam ser afetadas. Algumas dessas infecções e seus agentes etiológicos serão descritos a seguir: FEBRE TIFÓIDE Agente: SalmonellaTyphi. Reservatório: Fezes e urina de portadores e pacientes. Veículos: Água contaminada, leite, lacticínios, alimentos e moscas. Sintomas: Infecção geral, caracterizada por febres contínuas, manchas rosadas, diarréias. Incubação: Geralmente 7 à 14 dias. Prevenção/controle: Proteger e purificar as águas de abastecimento, pasteurizar o leite, disposição sanitária dos esgotos, controle de alimentos, moscas, caramujos e imunização. CÓLERA Agente: VíbrioComma. Reservatório: Descargas intestinais, vômitos e portadores. Veículos: Água contaminada, alimentos crús e moscas. Incubação: Geralmente três dias. Sintomas: Diarréia, fezes semelhantes a água de arroz, sede, dores e coma. HEPATITE TIPO A É um vírus que pode passar do trato intestinal para a corrente sanguínea e são levados a outras áreas do organismo. O poliovírus infecta o intestino, posteriormente, pode invadir o sistema nervoso e é um tipo de infecção viral transmitida por água e alimentos. Os poliovírus são eliminados nas fezes de seres humanos infectados, e a sua principal via de transmissão é a água e alimentos contaminados com fezes humanas. É a mais contagiosa, mas a menos grave. Estima-se que no Brasil 95% da população adulta já tenha anticorpos contra esse tipo de hepatite. O que mostra, que muita gente já foi infectada pela doença.
  • 3. Os sintomas iniciais são perda de apetite, fadiga, desconforto abdominal, febre e possível vômitos. Mais tarde ocorre icterícia, o que indica dano no fígado. A hepatite tipo A raramente é fatal, e a recuperação ocorre gradualmente num período de duas a seis semanas. Prevenção/controle: Disposição sanitária de esgotos, saneamento de alimentos, higiene pessoal e proteção da água. É uma doença que não há necessidade de tratar com remédios, o corpo se defende sozinho da infecção. LEPTOSPIROSE Doença causada por uma bactéria (a leptospirassp), afetando a maior parte dos animais inclusive o homem. É transmitida através da urina, água e alimentos contaminados pelo microorganismo, pela penetração da pele lesada, e pela ingestão. O cão e outros animais como por exemplo rato, bovino e animais silvestres também podem contrair a doença e transmití-la. A doença é causada principalmente pela urina que os ratos e camundongos deixam, de preferência próximo a lugares onde encontram algo para comer: restos de comida de cachorros, lixo, osso, etc. O homem infecta-se ao pisar descalço no solo ou fazer uso da água e alimentos contaminados. O número de casos de leptospirose aumenta quando enchentes, devido ao fato de que o esgoto pode abrigar animais portadores da doença e eliminá-la pela urina no local , e quando extravasam atingem as pessoas contaminando-as. Sintomas: Febre, dores de cabeça, náuseas, dores musculares, cefaléia, vômitos, sede, prostração e icterícia, dores difusas, principalmente panturrilhas, conjuntivas congestas, às vezes difusões hemorrágicas.. Incubação: Em média 9 à 10 dias. Prevenção/ controle: Destruir ratos, proteger os alimentos, evitar águas poluídas, tratar abrasões das mãos e braços, desinfetar utensílios e tratar cachorros infectados. VERMINOSES A verminose é um tipo de parasitose, intestinal provocada pelos vermes. A verminose é muito comum, atingindo todas as pessoas adultas e crianças, de todas as idades, tanto na cidade como no campo. As consequências representam graves danos à saúde de todos, às vezes até fatais. A seguir, alguns tipos de verminoses mais frequentes, os vermes causadores, os sintomas que elas provocam e os cuidados para evitá-las. Ascaridíase : Definição: É uma infecção produzida pelo Ascaris lumbricóides, vulgarmente denominado lombriga. Possuem um corpo longo e cilíndrico com o comprimento entre 10 e 40 centímetros. As fêmeas são maiores que os machos. O verme possui uma coloração amarelada ou rósea, e seu corpo é revestido por uma cutícula dura e elástica. A fêmea põe aproximadamente 200 mil ovos por dia. Dentro do hospedeiro, o número de Ascaris lumbricóides presentes no intestino delgado pode variar de quatro a seiscentos exemplares. O verme vive entre seis à dezoito meses e se distribui amplamente através dos trópicos e se estende pelas regiões temperadas.
  • 4. Como as crianças se expõem com maior facilidade, mantendo maior contato com o solo, onde evacuam comumente e desrespeitando as normas de higiene, constituem o grupo mais acometido por esta parasitose. Calcula-se que 14% da população mundial está contaminado com a parasitose. Os maiores índices de parasitismo no Brasil são observados nos estados de Alagoas, Sergipe e litoral de São Paulo. Sintomas: Quando as larvas migram para os pulmões, o indivíduo infectado apresenta tosse, febre de pequena intensidade e insuficiência respiratória. Já no intestino o verme causa dores abdominais em cólica, diarréia, náuseas e vômito, anorexia, palidez e perda de peso. Isso ocorre porque os vermes adultos localizados no intestino consomem as proteínas ingeridas pelo hospedeiro, o que pode causar desnutrição. Infecção: Se dá através da ingestão dos ovos infectantes do parasita, procedentes do solo, água ou alimentos contaminados com ovo embrionado ou fezes humanas. O período de transmissibilidade dura o tempo em que o indivíduo portar o verme e estiver eliminando ovos pelas fezes. No interior do intestino delgado(duodeno) ocorre eclosão do ovo com liberação de uma larva ( Rabiditóide). Essa larva passa para a corrente sanguínea, para o fígado, coração e pulmão. No interior dos pulmões as larvas Rabiditóide perfuram os alvéolos pulmonares sofrendo mudas, se tornando resistentes e maiores, provocando irritação. Dos pulmões as larvas passam para o intestino delgado, irritam o sistema respiratório e digestivo, transformando-se em vermes adultos. No interior do intestino delgado ocorre reprodução sexuada com liberação de milhares de ovos que serão eliminados através das fezes. Para prevenir a parasitose, todas as infecções devem ser tratadas, a higiene pessoal deve ser reforçada e deve-se providenciar recursos sanitários adequados. É fundamental lavar as mãos antes das refeições e lavar bem os alimentos antes de consumí-los. Ancilostomíase ( amarelão): É causada por vermes (Ancylostoma, nematelminte) que atacam o intestino delgado, quando adultos, causando inúmeras feridas, que através destas o indivíduo parasitado perde sangue, tornando-o anêmico. O veículo de transmissão do agente infeccioso é o próprio verme que está na terra e penetra na pele das pessoas quando há contato direto. O habitat natural do verme é água doce/salgada e o solo. A reprodução se dá no intestino do indivíduo parasitado. O verme adulto põe ovos e estes saem com as fezes, e por falta de saneamento, se espalham pela terra. Essa doença é atuante, pois o maior meio de infecção é pelo fato de pisar descalço na terra, onde foi depositada as fezes de um indivíduo parasitado. Sintomas: Fraqueza, palidez, tontura, febre alta e cólicas intestinais O verme só é combatido depois da infecção por vermifugos. Como o meio de transmissão dessa doença é através das fezes, sendo deixada em local desapropriado, a melhor maneira que se tem de combatê-la é saneando adequadamente sobretudo a periferia de cidades grandes e o campo e sempre andar calçado e usar luvas para manipular a terra.
  • 5. Tricuríase: É um parasita do aparelho digestivo. A infecção se dá pela ingestão de água e alimentos contaminados com ovos do parasita. As manifestações clínicas podem variar desde casos assintomáticos até casos graves com diarréia crônica, disenteria, anemia. As verminoses podem ser evitadas: Lavando bem as mãos sempre que usar o banheiro e antes das refeições; Manter limpa a casa e o terreno ao redor, evitando presença de moscas e outros insetos; Beber somente água filtrada ou fervida; Conservar as mãos sempre limpas, as unhas aparadas, e evitar colocar as mãos na boca; Não deixar as crianças brincarem em terrenos baldios com lixo ou água poluída; andar sempre com os pés calçados. Em regiões onde há muitos casos de verminose, recomenda-se o uso do Mebendazol 500mg em dose única, Pantelmin 500mg dose única 3 vezes ao ano. Giardíase: Infecção por protozoários que atinge, principalmente, a porção superior do intestino delgado. A infecção sintomática pode apresentar-se através de diarréia, acompanhada de dor abdominal. Esse quadro pode ser de natureza crônica, caracterizado por dejeções amolecidas, com aspecto gorduroso, acompanhadas de fadiga, anorexia, flatulência e distensão abdominal. Anorexia, associada com má absorção, pode ocasionar perda de peso e anemia. Não há invasão intestinal. É causada pela Giárdia lamblia, o único protozoário flagelado conhecido como responsável por doença intestinal humana. A doença tem distribuição mundial e ocorre frequentemente nas pessoas que consomem água não tratada e alimentos lavados ou preparados com água contaminada. Os cistos infecciosos do protozoário são normalmente transmitidos por água contaminada com fezes e atinge, principalmente, a porção superior do intestino delgado.. Características epidemiológica: É doença de distribuição universal. Epidemias podem ocorrer, principalmente, em instituições fechadas que atendam crianças, sendo os grupos etários mais acometidos menores de 5 anos e adultos entre 25 e 39 anos. A prevenção da doença está baseada na boa higiene pessoal e na eliminação dos cistos da água de abastecimento. A cloração pode destruir os cistos, mas não é sempre confiável porque vários fatores podem diminuir a sua eficiência. Por essa razão a água de abastecimento deve também ser tratada para a remoção de matéria em suspensão (filtração). Medidas de controle: a) Específicas: Em creches ou orfanatos deverão ser construídas adequadas instalações sanitárias e enfatizada a necessidade de medidas de higiene pessoal. Educação sanitária , em particular desenvolvimento de hábitos de higiene – lavar as mãos após o uso do banheiro; b) Gerais: Filtração de água potável. Saneamento básico; c) Isolamento: pessoas com giardíase devem ser afastadas do cuidado de crianças. Com pacientes internados, devem ser adotadas precauções entéricas através de medidas de
  • 6. desinfecção concorrente para material contaminado e controle de cura, que é feito com exame parasitológico de fezes até 21 dias após o término do tratamento. Tratamento: Secnidazol; Tinidazol; Metronidazol. Amebíase: (Entamoebahistolytica- protozoário que causa a amebíase). Infecção causada por um protozoário que se apresenta em duas formas: cisto e trofozoíto. Esse parasito pode atuar como comensal ou provocar invasão de tecidos, originando, assim, as formas intestinal e extra- intestinal da doença. O quadro clínico varia de uma diarréia aguda e fulminante, de caráter sanguinolento ou mucóide, acompanhada de febre e calafrios, até uma forma branda, caracterizada por desconforto abdominal leve ou moderado, com sangue ou muco nas dejeções. Pode ou não ocorrer períodos de remissão. Em casos graves, as formas trofozoíticas se disseminam através da corrente sangüínea, provocando abcesso no fígado (com maior freqüência), nos pulmões ou no cérebro. Quando não diagnosticadas a tempo, podem levar o paciente ao óbito. A transmissão se faz pela ingestão de água ou alimentos contaminados com cistos da E.histolytica (parasita do intestino grosso). Em outras ocasiões apresenta-se sob a forma da chamada disenteria amebiana aguda, com acometimento do estado geral, febre, às vezes desidratação e fezes mucopiossanguinolentas. A amebíase pode apresentar localização extra intestinal, como: hepática, pleural, pulmonar, pericárdica, cerebral, esplênica e cutânea. As formas extra-intestinais são extremamente raras na infância. Características epidemiológicas - Estima-se que mais de 10% da população mundial está infectada por E. dispar e E. histolytica, que são espécies morfologicamente idênticas, mas só a última é patogênica, sendo a ocorrência estimada em 50 milhões de casos invasivos/ano. Em países em desenvolvimento, a prevalência da infecção é alta, sendo que 90% dos infectados podem eliminar o parasito durante 12 meses. Infecções são transmitidas por cistos através da via fecal-oral. Os cistos, no interior do hospedeiro humano, se transformam em trofozoítos. A transmissão é mantida pela eliminação de cistos no ambiente, que podem contaminar a água e alimentos. Sua ocorrência está associada com condições inadequadas de saneamento básico e determinadas práticas sexuais. Medidas de Controle a) Gerais: impedir a contaminação fecal da água e alimentos através de medidas de saneamento básico e do controle dos indivíduos que manipulam alimentos. b) Específicas: lavar as mãos após uso do sanitário, lavagem cuidadosa dos vegetais com água potável e deixá-los em imersão em ácido acético ou vinagre, durante 15 minutos para eliminar os cistos. Evitar práticas sexuais que favoreçam o contato fecal-oral. Investigação dos contatos e da fonte de infecção, ou seja, exame coproscópico dos membros do grupo familiar e de outros contatos. O diagnóstico de um caso em quartéis, creches, orfanatos e outras instituições indica a realização de inquérito coproscópico para tratamento dos portadores de cistos. Fiscalização dos prestadores de serviços na área de alimentos, pela vigilância sanitária. c) Isolamento: em pacientes internados precauções do tipo entérico devem ser adotadas.
  • 7. Pessoas infectadas devem ser afastadas de atividades de manipulação dos alimentos. d) Desinfecção: concorrente, com eliminação sanitária das fezes. Para ser consumida, a água precisa estar limpa, sem bactérias e protozoários, pois ela pode nos transmitir muitas doenças. No Brasil 80% do esgoto é jogado nos rios, lagos e outros lugares de onde a água poderia ser usada para consumo, fazendo com que a pouca água que resta seja poluída.Este recurso está cada vez mais escasso, além do desperdício humano, a água que foi usada muitas vezes não tem como ser reaproveitada, pois está poluída demais ou acaba de perdendo no meio das águas dos oceanos. http://www.simae.com.br/index.php?page=doencas-vinculacao-hidrica acesso em 12/10/2012 16:26