A interoperabilidade na construção de tesauros e ontologias cida

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A interoperabilidade na construção de tesauros e ontologias cida

  1. 1. INFORMAÇÃO, FERRAMENTAS memórias científicas originais ONTOLÓGICAS E REDES SOCIAIS AD HOC: a interoperabilidade na construção de tesauros e ontologias Maria Aparecida Moura*RESUMO As mudanças tecnológicas decorrentes da digitalização da informação provocaram inúmeras alterações na produção teórica e nos experimentos empíricos da Ciência da Informação (CI). Nesse contexto, a compreensão acerca do desempenho dos usuários e de suas redes sociais tornou- se fundamental na a estruturação de instrumentos de organização da informação. A digitalização das informações, a redução dos rituais sincrônicos e a produção da informação sob demanda provocaram mudanças radicais na disseminação da informação e, consequentemente, exigem que sejam realizadas alterações nas metodologias de elaboração dos instrumentos verbais de representação da informação. Analisa-se, nesse trabalho, o surgimento dos novos instrumentos de representação da informação em ambientes digitais. Apresenta-se o conceito de ferramentas ontológicas. Analisam-se os impactos decorrentes da interoperabilidade entre as ferramentas ontológicas disponíveis na Web e as redes sociais ad hoc a elas incorporadas. Discute-se a nova configuração das garantias (literária, estrutural e de uso) no processo de construção de linguagens de indexação em * Escola de Ciência da Informação da UFMG. Professora adjunta III. Doutora ambientes digitais. Sugere-se, em termos metodológicos, em Comunicação e Semiótica pela a incorporação das novas mediações informacionais no PUC de São Paulo. Pós-doutorado em Semiótica Cognitiva e Novas processo de construção de linguagens de indexação. Mídias pela Maison de Sciences de l’ Homme. Atualmente é Coordenadora do Programa de Pós-Graduação emPalavras-chave: Ferramentas Ontológicas. Redes Sociais. Tesauro- Ciência da Informação da UFMG. metodologia. Linguagens de Indexação. Email: mamoura@eci.ufmg.br1 INTRODUÇÃO e os desdobramentos dessa ação. Busca paraA Ciência da Informação (CI) é uma área tanto compreender, do ponto de vista do sujeito, os aspectos sociais e técnicos envolvidos na ação de conhecimento que privilegia o estudo de produzir, sistematizar, organizar, disseminar dos fenômenos informacionais em seus e recuperar informação. Tais informações sãodiversos aspectos, buscando compreender sustentadas organicamente por ferramentas,e acompanhar os seus desdobramentos para objetos, processos e manifestações culturais, sociaisuma futura disponibilização em sistemas de e organizacionais. (MOURA: 2007, p. 75-76)informação. Trata-se de um campo, visivelmente Nos últimos anos as mudanças tecnológicasatravessado pelo imperativo tecnológico. O campo decorrentes da digitalização da informaçãotem por objetivo compreender a ação manifesta provocaram inúmeras alterações na produçãonas relações humanas mediadas pela informação teórica e nos experimentos empíricos da CiênciaInf. & Soc.:Est., João Pessoa, v.19, n.1, p. 59-73, jan./abr. 2009 59
  2. 2. Maria Aparecida Moura;da Informação. O campo opera em estreita o papel das mesmas na dinamização e validaçãosintonia com a idéia de relativização da noção da terminologia adotada nos domínios dede lugar para a ocorrência dos eventos sociais conhecimento e formalizada em repositórios on-linee oferece a base, através do aperfeiçoamento de percursos individuais e coletivos de informação.da fluidez informacional, na implementação Por fim, relata-se nesse trabalho, como exemploda chamada sociedade informacional. Nesse da viabilidade do método, o desenvolvimentosentido, a CI é responsável pelo aperfeiçoamento simultâneo de uma ontologia e um de tesaurotécnico da fluidez da informação, através de voltados à representação de discursos acadêmicosprocedimentos, técnicas e tecnologias que na área relacionada à mundialização e aobuscam promover a interação entre usuários e desenvolvimento sustentável no espaço deinformação, considerando a infra-estrutura digital conhecimento digital denominado Mondialisatione seus impactos na disseminação informacional. et Développement Durable (http://semioweb.msh- Nesse contexto de inovações a informação paris.fr/corpus/mdc/FR/Prog_missions.asp) eé compreendida como um signo que se atualiza apresentam-se as considerações finais.na interface com o sujeito, “algo que se forma sem Para o desenvolvimento do trabalhocessar”. foram privilegiadas as representações dos atores Atualmente, a compreensão acerca do sociais envolvidos com a temática nos inúmerosdesempenho dos usuários e de suas redes sociais dispositivos digitais disponíveis na Web, comtornou-se fundamental na a estruturação de vistas a compreender como as novas dinâmicas deinstrumentos de organização da informação. A produção e difusão do conhecimento impactamdigitalização das informações, a redução dos as garantias canonicamente estabelecidasrituais sincrônicos e a produção da informação no domínio da construção de linguagens desob demanda provocaram mudanças radicais na indexação, a saber; garantia de uso, garantiadisseminação da informação e, consequentemente, estrutural e garantia literária. Que atualizaçõesexigem que sejam realizadas alterações nas podem ser incorporadas? É possível falar que,metodologias de elaboração dos instrumentos nos ambientes digitais, tais categorias encontra-severbais de representação da informação. Hoje, justapostas?verificam-se grandes transformações nas formasde agregação e de arbitragem em torno da 2 CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO E AS MUDANÇAS NAinformação e do conhecimento. MATERIALIDADE INFORMACIONAL Assim, a CI tem sido compelida a seorientar pelo caráter processual da informação e Nos últimos anos a explosão digital e aa incorporar a máxima de Tim O’Reilly acerca do conseqüente disponibilização de informação em“beta eterno”. Isso significa dizer que no contexto rede passou a exigir soluções mais sofisticadas,da organização da informação os estudos ágeis e específicas no trato dessa documentação.tenderão à análise do fenômeno informacional Muitas iniciativas foram tomadas, mas aindapautado por uma espécie de netnografia dos traços se verifica um desequilíbrio nas articulaçõese vestígios da interação dos usuários na web. teóricas e nos conseqüentes experimentos. Ora Nesse trabalho, apresenta-se inicialmente privilegia-se o tecnológico, ora privilegia-se auma discussão teórica sobre a articulação entre experimentação decorrente da experiência e ema Web 2.0, a interoperabilidade e as ferramentas outros momentos reitera-se a distinção teóricaontológicas de representação e recuperação da envolvida na questão.informação; posteriormente apresentam-se os Assim, tem surgido uma série de estudosrepositórios on-line de percursos informacionais em que parte das soluções representa a o retornobaseados em folksonomias, seguido de um estudo aos esforços de pioneiros como Peter Luhn (1896-comparativo de suas características principais; 1964) que contribuiu significativamente para aapresenta-se um estudo da ferramenta Google compreensão do papel da computadorizaçãoTrends e sua potencialidade nos processos de da informação nos processos de recuperação daelaboração de linguagens de indexação e bases informação.ontológicas. Posteriormente apresenta-se uma Na atualidade, o debate acerca da noçãodiscussão de caráter teórico sobre as comunidades de documento expandiu e, de acordo com a redede práticas e as redes sociais ad hoc considerando pluridisciplinar de pesquisadores internacionais60 Inf. & Soc.:Est., João Pessoa, v.19, n.1, p. 59-73, jan./abr. 2009
  3. 3. Informação, ferramentas ontológicas e redes sociais ad hocreunidos em torno do tema (http://rtpcdoc. um documento, e não necessariamente, umenssib.fr), abriga três dimensões: o documento documento em sua manifestação física.como forma, como signo e como meio. O documento como forma incorpora aidéia de um objeto, material ou imaterial, que 3 WEB 2.0 E A INTEROPERABILIDADE ENTRE ASprecisa ser manipulado, utilizado e conservado. FERRAMENTAS ONTOLÓGICASEssa abordagem considera a legibilidade do O aprofundamento da discussão do caráterdocumento como elemento central. interativo da Web e da efetiva presença dos A abordagem relativa ao significado, usuários de informação no ambiente digital criouenfatiza a interpretação e se orienta para o os elementos para o surgimento da Web 2.0.documento como portador de sentido, dotado O termo foi proposto entre 2003 e 2004 ede uma intencionalidade indissociável do designa a segunda geração de produtos e serviçossujeito que o produz e utiliza. Considera ainda desenvolvidos no contexto da Internet. Pensadaque o documento e é integrante de um sistema inicialmente como uma estratégia de marketingdocumentário ou de conhecimentos. segmentado, a Web 2.0 privilegiou a efetiva A abordagem focada na mediação enfatiza colaboração do usuário no processo de organizaçãoa sociabilidade e analisa o estatuto do documento e personalização da informação e proporcionou,nas relações sociais. Nessa perspectiva, o desse modo, alteração das lógicas de organizaçãodocumento é um traço de comunicação construído da informação, agora não mais centralizadas noou encontrado e representa um elemento do papel do mediador da informação.sistema identitário e um vetor de poder. Assim, as tecnologias construídas no De acordo, com o coletivo Pedauque (2003: contexto Web 2.0, como o wiki, os blogs,p. 26) as transformações radicais pelas quais o Consumer-Generated Media (CGM) 1,passou o documento, da tecnologia impressa Really Simple Syndication (RSS) 2, Sistemasao digital, envolvem sempre a necessidade de Classificação Distribuída (Distributedde se refletir sobre o processo evolutivo que o Classification Systems -DCSs) e as folksonomiasacompanha sendo necessário pensá-lo em termos apresentam a oportunidade de compartilhar odos contratos de leitura a ele vinculado. Segundo conhecimento e ampliar o processo interativoos autores o documento é um contrato entre os entre usuários e informações.homens que funda sua humanidade e a sua A estrutura da Web semântica envolvidacapacidade de viver juntos, seja pelas qualidades na constituição da Web 2.0 requer três camadasantropológicas (legibilidade - percepção), pelo distintas: a camada lógica, a camada ontológicacaráter intelectual (compreensão-assimilação) e a camada esquema. A camada lógica envolve aou pelo aspecto social envolvido (sociabilidade- interface de conversação, os motores de busca eintegração). Nesse contexto, o aspecto digital o motor heurístico. A camada ontológica envolvese apresenta como uma modalidade de as representações semânticas presentes emmultiplicação desse contrato. estruturas taxonômicas. E a camada esquema o Verifica-se que a transformação da RDF (Resource Description Framework) e o XMLinformação analógica em digital, permitiu a (eXtensible Markup Language) no provimentoampliação da geração, estocagem e processamento das definições do documento e dos significados ados dados em tempo real. E, como conseqüência, eles associados.significou ampliar a noção de informação com a Nesse contexto, a interoperabilidade équal o campo trabalhava até então. Se antes as considerada como a capacidade de sistemasações teóricas e experimentos práticos tinham autônomos (informatizados ou não) comunicaremcomo foco o aspecto material da informação, hoje, de modo transparente entre si, devido à adoçãodevido aos intercâmbios entre os papéis sociais de padrões comuns e protocolos que permitem ode autores e receptores de informação, é possível uso compartilhado de informações.afirmar que o foco migrou para a recuperação de A interoperabilidade é desenvolvida notrechos informacionais. E devido à contigüidade contexto digital tomando como referência opresente nos acervos digitalmente dispostos emrede, o usuário de informação está interessado 1 Mídia Gerada pelo Consumidorem encontrar um trecho, ou um segmento de 2 Distribuição Realmente SimplesInf. & Soc.:Est., João Pessoa, v.19, n.1, p. 59-73, jan./abr. 2009 61
  4. 4. Maria Aparecida Moura;estabelecimento da representação estrutural, e abrangente, em contraposição a uma visãosintática, semântica e lógica, expressas, de acordo parcial e particular do mesmo, os camposcom Ribeiro (2008) nas seguintes camadas: relacionados à organização e formalização da• Unicode / URI – responsável fornece informação em ambientes digitais passaram pelo fornecimento da interoperabilidade a adotar essa terminologia. Desse modo, a no nível da codificação de caracteres, denominação “ferramentas ontológicas” tem sido do endereçamento e da nomeação de utilizada para designar os estudos conceituais recursos; específicos que visam caracterizar dada área de• XML / Namespace / XML Schema – conhecimento a partir do mapeamento das suas responsável pela interoperabilidade em categorias mais gerais. De posse desse amplo relação à sintaxe de descrição de recursos; mapeamento conceitual têm sido desenvolvidos• RDF / RDF Schema responsável pelo programas computacionais específicos, fornecimento de um framework para envolvendo inteligência artificial, com vista a representara informação (metadados) oferecer um instrumento dinâmico de produção, sobre recursos; organização e disseminação de conhecimento.• Ontologia - responsável pela integração Integram a categoria de instrumentos ontológicos da terminologia utilizada para articular a as linguagens de indexação (verbais e simbólicas), terminologia e as informações com o nível as taxonomias, os mapas conceituais, as mínimo de conflitos. ontologias, Sistemas de Classificação Distribuída• Lógica – é associada ao fornecimento de (Distributed Classification Systems-DCSs) e mais suporte para a descrição de regras que contemporaneamente as folksonomias. expressam as relações entre os conceitos As linguagens de indexação são em uma ontologia; instrumentos auxiliares no processo de• As camadas de Prova e Confiança – representação da informação e visam Disponibilizam o suporte para a execução estabelecer uma equivalência aproximativa das regras e para a avaliação da correção e entre as linguagens do autor do documento, a da confiabilidade da execução. linguagem de abordagem adotada pelo usuário da informação e aquela adotada pelo sistema de informação. Nesse sentido, busca representar3.1 As ferramentas ontológicas o assunto de maneira consistente permitindo a Nesse ambiente de inovações chamaram compatibilidade e o diálogo entre a linguagemparticular atenção do campo da organização da do autor, do indexador e a do pesquisador.informação, as chamadas ferramentas ontológicas A taxonomia é a ciência natural que sede organização informacional. Essas ferramentas dedica à descrição, identificação e classificaçãosão estruturas informacionais contextualizadas, dos organismos. Nos últimos anos, a Ciência daderivadas de esquemas intelectuais mais Computação tem nomeado as ações classificaçãocomplexos e desenvolvidas sob um ponto de informação como taxonomias. Contudo, nãode vista e com um propósito específico. Tais há uma uniformidade nessa adoção. Por vezes,ferramentas têm por objetivo orientar os sujeitos utiliza-se o método das Ciências Naturais parano entendimento acerca do conhecimento em a determinação e construção das classificaçõesáreas específicas bem como na adoção consciente em outros domínios do conhecimento e emdesses esquemas representacionais em sistemas outros momentos, incorpora-se simplesmente ade organização e recuperação da informação. denominação sem necessariamente, incorporar o Inspirados no conceito filosófico de princípio ordenador. São exemplos de taxonomia,ontologia3, categoria aristotélica que se refere a fitotaxonomia e a zootaxonomia.ao estudo das propriedades mais gerais do ser Os mapas conceituais (derivaçãoem que se enfatiza sua natureza plena, integral conceitual) baseiam-se se na teoria da aprendizagem significativa, proposta por David Ausubel nos anos 60. Foram introduzidos na3 De acordo com MORA, a ontologia é entendida “como uma ‘construção’dentro do qual adquirem sentido certos conceitos metafísicos fundamentais, educação por Joseph Novak nos anos 70 com ocomo os de realidade, essência, existência, etc. É uma disciplina fundamental objetivo de apoiar a compreensão do processo deque antecede toda a investigação filosófica e científica” (MORA, 1994: p.530). organização do conhecimento.62 Inf. & Soc.:Est., João Pessoa, v.19, n.1, p. 59-73, jan./abr. 2009
  5. 5. Informação, ferramentas ontológicas e redes sociais ad hoc No contexto da organização da informação pela a associação do termo folk (povo, gente) eesses mapas têm sido muito utilizados no processo taxonomia. Essa ferramenta tem por objetivode recuperação informação contextualizada. Eles gerar taxonomias que são utilizadas nase apresentam como esboços totalizadores de um categorização e recuperação de conteúdos nadeterminado tópico temático que visam estabelecer web decorrentes da experiência dos usuáriosa formalização computacional e o arranjo visual e de sua rede social na descrição dos recursospresentes na interface. Para tanto, articulam em um usando rótulos chamados tags (etiquetas). Osarranjo gráfico uma visão de mundo classificadora e principais recursos descritos pelos usuários sãoum esquema de visualização na forma de conceitos os bookmarks, as fotografias digitais, os vídeos, osfundamentais interligados por seus relacionamentos. blogs, as referências bibliográficas, dentre outros. É possível encontrar softwares para a Consiste, portanto em uma forma de os própriosorganização de mapas conceituais simples fixos e usuários disponibilizarem os rótulos adotadoshiperbólicos (mapas que, por serem mais amplos intuitivamente no compartilhamento, organizaçãoou complexos e com infinitas relações, contam e na recuperação futura da informação.com a animação computacional que permitem O termo folksonomia ainda não éenfatizar, na consulta, um determinado estágio amplamente utilizado e distintos autores adotamda categoria ou classe escolhida). outros conceitos tais como: ethnoclassification, A Ontologia informacional4 é a collaborative tagging, social bookmarking, socialdenominação dos softwares e bases terminológicas tagging, narrow folksonomy, taxonomia popular,verbais, articuladas por infinitas relações, que classificação social, dentre outros.visam representar contextos informacionais As folksonomias permitiram, em certaespecíficos. Dentre as principais vantagens das medida, a realização de algo já assinalado porontologias está a possibilidade de formalizar, no Lancaster nos 80, quando o mesmo enfatizounível computacional, as relações entre os termos que o uso de linguagens naturais em sistemas deem função dos agentes ou grupos de agentes que representação da informação deveria incluir asdela fazem uso. Os principais elementos que uma questões dos usuários.ontologia descreve são os indivíduos, as classes, Naquela ocasião e ainda hoje, os principaisos atributos e os relacionamentos. Atualmente problemas referentes à organização da informaçãoas ontologias têm sido adotadas na identificação em contextos automatizados eram a rapideze formalização do conhecimento explícito e/ou com que as informações sofrem obsolescência, atácito presentes em organizações. escassez de tempo nas buscas retrospectivas, a Os Sistemas de Classificação Distribuída falta de entendimento sobre o funcionamento das(Distributed Classification Systems -DCSs)5 rotinas dos sistemas de informação (falta padrãosão sistemas que possuem funcionamento em comum), a incompatibilidade entre o vocabuláriorede e permitem que a classificação temática de abordagem (usuário), o vocabulário utilizadode um dado objeto seja realizada com o apoio no sistema de informação e a morosidade node sistemas de codificações classificatórias processo de tratamento de novos documentos.determinados pelos próprios usuários. Entretanto, De posse das possibilidades tecnológicasos códigos adotados pelos DCSs, ao eliminarem a atuais e em vista dos desafios anteriormentenecessidade de negociação dos significados para assinalados, sites como o Delicious6, o Scivee7, opúblico a que se destina, tornaram ainda mais Faviki8, dentre outros, representam a iniciativacomplexo a tarefa de indexar informações em de promover a formação de comunidadescontextos digitais, pois, em tese, a classificação de cooperação segmentadas pelo uso dastornou-se um produto de orientação self-service. informações, com vistas a aprimorar tanto, o O termo folksonomia foi criado por uso compartilhado da informação quanto oVander Wal e resulta do neologismo formado marketing dirigido às características específicas dos usuários, que se pode depreender inclusive pelo vocabulário de abordagem que os mesmos4 No âmbito desse trabalho, optou-se por adjetivar a noção e estabelecer compartilham.seu escopo na CI com vistas a evitar o mal estar e a confusão conceitual eterminológica ocasionadas pela simples nomeação sem referenciar os estudosdesenvolvidos pela Filosofia, sob a mesma designação. 6 http://www.delicious.com5 MEJIAS, U. A. Tag literacy. Disponível em: http://ideant.typepad.com/ 7 http://www.scivee.tvideant/2005/04/tag_literacy.html. Acesso em: 30 mar.2008. 8 http://www.faviki.comInf. & Soc.:Est., João Pessoa, v.19, n.1, p. 59-73, jan./abr. 2009 63
  6. 6. Maria Aparecida Moura;3.2 Repositórios on-line de percursos da descrição e da validação da qualidade das informacionais baseados em informações atestada pelos seus membros. folksonomias Ao realizar uma pesquisa com a tag folksonomy, por exemplo, chegou-se a uma lista das Os repositórios on-line de percursos principais páginas que foram socialmente indexadasinformacionais são dispositivos contemporâneos utilizando o termo. As páginas são acompanhadasde organização, compartilhamento e difusão de do número de usuários que a indicaram e as demaisinformações e conhecimentos. Esses repositórios tags atribuídas a essa página.se valem das tecnologias distributivas Ao navegar nas páginas hierarquizadasdescentralizadas que se tornaram possível pela é possível identificar no universo semântico,implementação da Web 2.0. novas tags capazes de representar o conteúdo De acordo com Agamben (2007) os analisado, bem como identificar sujeitos e gruposdispositivos são conjuntos heterogêneos de coisas interessados no tema.e a rede virtual que se estabelece entre essas O Scivee TV é um site de postagem decoisas. Para o autor, os dispositivos têm função conteúdos e cooperação acadêmicos. O principalestratégica concreta e se inscrevem dentro de objetivo do site é a articulação de comunidadesuma relação de poder e de saber. de interesse científico na Web com o objetivo de Assim, para Agamben, os dispositivos contribuir para o avanço e divulgação dos resultadossão “tudo que tem a capacidade de capturar, científicos através da interação direta entreorientar, determinar, interpretar, interceptar, pesquisadores e público interessado. Através dessemodelar, controlar e assegurar o discurso dos repositório é possível organizar os pesquisadores emseres viventes.”. torno de associações científicas já reconhecidas ou De aparência meramente lingüística, os mesmo criar mecanismos associativos que permitamrepositórios on-line guardam em suas estruturas o encontro fortuito entre estudiosos que tenham oum enorme espaço para a reflexão quanto ao mesmo interesse de pesquisa.futuro da produção, organização e disseminação Em termos da organização da informação, oda informação e do conhecimento. site estimula o uso de tags, contudo as mesmas são Nesse sentido, eles podem ser estudados derivadas do MeSH (Medical Subjects Headings).tanto do ponto de vista da organização da O Faviki é um espaço virtual de trocainformação, quanto das novas lógicas de validação social de informações que tem como perspectiva ae arbitragem do conhecimento produzido na implementação de “etiquetas que fazem sentidos”.atualidade e difundido por mecanismos digitais. O repositório permite o compartilhamento de Nesse trabalho dedicou-se particular bases informacionais (expressas em bookmarkers).atenção aos repositórios Delicious, Scivee e Faviki. O diferencial do Faviki, em relaçãoBuscou-se, através da análise destes, evidenciar aos demais repositórios on-line de percursosas tendências em curso no que concerne aos informacionais, é a lista de termos do Wikipédiaaspectos referentes à organização da informação, embutida na interface. Através dessa listaà interface de interação em softwares, e a os usuários, ao iniciarem a digitação de umapotencialização de comunidades especialistas. determinada tag recebem um conjunto deAlém disso, espera-se destacar as evidências das novas tags como sugestão, denominadas “tagsnovas estratégias de cooperação informacional no semânticas”. Através desse modelo o Favikiambiente digital. pretendem romper com os problemas decorrentes O Delicious é um site de compartilhamento da livre etiquetagem e das complicaçõesde percursos de interesse temático utilizados decorrentes do uso da linguagem livre nona Web. Através dessa ferramenta o internauta processo de representação da informação.pode organizar a sua lista de bookmark que O Faviki é alimentado pelo DBpedia9fica disponível on-line podendo também ser e representa um esforço suplementar decompartilhada com a rede social a qual pertence. implementação das etiquetas semânticas atravésNesse site o usuário tem condição de realizar a da extração de informações do Wikipedia.recuperação da informação temática de formamais específica, pois ele conta com o apoio redes 9 http://dbpedia.org/Aboutsociais lá estabelecidas, através da indicação,64 Inf. & Soc.:Est., João Pessoa, v.19, n.1, p. 59-73, jan./abr. 2009
  7. 7. Informação, ferramentas ontológicas e redes sociais ad hoc3.3 Análise dos repositórios on-line de (critérios que auxiliam na compreensão da lógica percursos informacionais baseados em distributiva proposta por essas ferramentas). folksonomias Conforme se pode depreender do quadro abaixo, encontra-se em curso iniciativas que visam Com vistas a contribuir no debate acerca compatibilizar as características dos acervosdos problemas já assinalados nas décadas de 40 informacionais especializados com aquelese 50, e, retomados e acrescidos pelo gigantismo mantidos pelos usuários de acervos digitais,informacional que a Internet representa, buscou- acervos esses atravessados pelo foco no confortose explicitar as funcionalidades dos repositórios ergonômico, na plasticidade das interfaces e naon-line de percursos informacionais baseados em promoção da cooperação semiótica manifesta nosfolksonomias. acordos e negociações de sentido presentes no Assim, desenvolveu-se, no quadro abaixo, sistema simbólico adotado.uma análise tendo como pontos de referência as Grande parte desses repositórios éseguintes categorias: organização/ representação monitorada pelos próprios usuários com o intuitoda informação (critérios que permitem de torná-los mais plasticamente adequados aoscompreender a dinâmica dos repositórios em distintos percursos de navegação entre os fluxostermos da organização da informação); Interface informacionais digitais.(critério que auxilia na compreensão da interação Com relação ao compartilhamento dehomem-máquina proposta nos referidos informações e perfis, verifica-se uma preocupaçãoinstrumentos); sociabilidade e comunidades com a garantia de privacidade dos percursos,(critérios que visam compreender a dinâmica de entretanto o caráter público da informação nãointeração estabelecida nos referidos repositórios) chega a ser um impedimento no estabelecimentoe compartilhamento de informação e perfis da cooperação on-line.Categorias Repositórios on-line de percursos informacionais baseados em folksonomias Critérios Delicious Scivee Faviki Atribuição de tags compostas Não Sim SimOrganização/representação da Identificação de tags relacionadas Sim Sim Siminformação Incorpora tags já anexada aos Não Não Não sites Possui tags clouds Sim Sim Sim Permite a categorização Não Sim Não Adota ferramentas auxiliares Não Sim Sim Informa o tipo do documento Não Sim Não eletrônico Adota arquivamento em Sim Sim Sim bibliotecas personalizadas Itens que podem ser Bookmark Vídeos, Bookmark, armazenados Tags Textos, Tags PodCast TagsInterface A interface é amigável? Sim Sim SimSociabilidade e comunidades Permite a formação e a Sim Sim Não dinamização de comunidadesCompartilhamento de informações e Permite a identificação de Sim Sim Simperfis usuários/ temas de interesse Permite a criação e o Sim Sim Sim armazenamento de perfis Permite a privacidade das Sim Sim Sim informações organizadas Existe a segmentação entre Sim Sim Sim público e privado Possui código de ética sim Sim SimQuadro 1: Repositórios on-line de percursos informacionais baseados em folksonomiasInf. & Soc.:Est., João Pessoa, v.19, n.1, p. 59-73, jan./abr. 2009 65
  8. 8. Maria Aparecida Moura;4 O GOOGLE TRENDS é exibida uma coluna com o volume semanal e outra correspondente às margens de erro. Esta informação pode ser usada para calcular o O Google Trends é um aplicativo vinculado intervalo de confiabilidade para um conjunto deao Google Labs e tem por objetivo avaliar, por dados.meio de algoritmos, o interesse mundial em um Os volumes de dados são calculadosdeterminado assunto. Além disso, o software considerando o modo relativo e o fixo. No modomostra a freqüência com que os temas têm relativo, os dados são escalonados considerandosurgido na WEB em escala temporal e espacial. o tráfego do tópico pesquisado em médio prazo (representado como 1.0) durante o período determinado pelo pesquisador. Já no modo fixo, os dados são dimensionados pela média de tráfego para o tópico pesquisado no decurso de um ponto fixo (janeiro de 2004). Nesse caso, ao realizarmos uma pesquisa com o termo folksonomy em julho de 2007, verifica- se uma tendência com volume total de 7, 44, distribuída em 0,96 na primeira semana, 0,94 na segunda, 3,54 na terceira e 2,0 na última. Ao realizarmos uma pesquisa no mesmo campo temático para social bookmarks, verifica o início das manifestações de interesse no tema em agosto de 2007 na terceira e quarta semanas de agosto com um volume de 5,65 e 5,35Figura 1: Interface de consulta do Google Trends respectivamente. Entre outubro de 2007 e julhoFonte: http://www.google.com/Trends de 2008 o termo ganha estabilidade e presença no contexto digital. O algoritmo do Google opera através daanálise de pesquisas feitas no motor de busca. O Estabilização do termo Social bookmarksseu principal ganho e adotar metodologias que captado pelo Google Trends (outubro 2007 – julho 2008)permitem maior segurança em relação ao dado,na medida em que oferece as médias para além Meses Semanasdo histórico de tráfego padrão. 1 2 3 4 O Google Trends analisa uma mostra de outubro 4,75 4,8 4,35 4,35buscas na Web e calcula o volume de pesquisas novembro 4,35 5 5,6 4,9que têm sido feitas no site com o tópico proposto dezembro 4,4 5 5,3 5,3em relação ao número total de pesquisas feitas no Janeiro 5,15 6,35 6,15 5,65Google ao longo do tempo. fevereiro 5,3 6,45 6,1 5,15 A partir da geração do gráfico no Google março 3,85 5,5 5,3 4,8Trends é possível exportar os dados CVC para abril 6,1 4,9 5,8 5,65uma tabela eletrônica. Nas tabelas é possível maio 5,2 4,55 4,35 5,3acessar os percentuais de aparição do termo por junho 4,4 4,7 4,45 5,45semana e inferir a origem geográfica das buscas. julho 6,7 5,9 5,2 6,35 O arquivo inclui, juntamente com o índicede pesquisa, a margem de erro relativo para os Tabela 1: Estabilização do termo Social bookmarksdados obtidos. Desse modo, na planilha eletrônica Fonte: Google Trends (outubro 2007 – julho 2008)66 Inf. & Soc.:Est., João Pessoa, v.19, n.1, p. 59-73, jan./abr. 2009
  9. 9. Informação, ferramentas ontológicas e redes sociais ad hoc Tomando esses dados como referência, Nesse ambiente de cooperação abrem-acredita-se que o movimento, capturado pelos se também espaço para a articulação dasalgoritmos nas buscas evidencia a configuração comunidades de prática. As comunidades desobreposta das garantias de uso, literária e prática são, de acordo com McDermott (1999)10,estrutural manifestas no contexto digital para otermo pesquisado. Agrupamentos de pessoas que compartilham e aprendem uns com os A referida sobreposição se deve ao fato de outros por contato físico ou virtual, comno contexto digital estarem em ação múltiplos um objetivo de resolver problemas,atores sociais, dentre os quais usuários, autores e trocar experiências, desvelamentos, agestores de informação. construção de modelos padrões, técnicas Evidentemente, ao apresentarmos essa ou metodologias, tudo isso com previsão de considerar as melhores práticas.ponderação, não se trata de afirmar que o GoogleTrends poderá sozinho resolver o problema Essas comunidades, consideradas territóriosdas garantias preconizadas nos processo de neutros das pressões sociais e da demanda porcomposição das linguagens de indexação. produtividade, devem possuir um domínio deEntretanto, acredita-se que ele pode ser um atuação partilhado de forma colaborativa ouinstrumento auxiliar importante na medida em comunitária e compartilharem práticas comunsque tem a capacidade de evidenciar o nascedouro (experiências, problemas e soluções, ferramentas,de um termo, a representação das necessidades vocabulários e metodologias).informacionais dos sujeitos no espaço e no tempo Em sua origem, o termo foi proposto nose ainda, fornecer os indícios da obsolescência de estudos de Jean Lave e de Etienne Wenger baseadoum tópico no contexto digital. em trabalhos desenvolvidos no final dos anos De posse desse monitoramento oitenta, quando investigaram a aprendizagemterminológico de grande escala proporcionado em diversos tipos de comunidades e o papelpelo Google Trends, o elaborador da linguagem da participação periférica no fortalecimentopoderá, a partir dessas informações, obter os das práticas partilhadas. De acordo com Luegbalizadores para a tomada de decisão sobre (2008)11, em comunidades de prática a integraçãoa inclusão de um termo em um tesauro ou a partir da periferia dos processos não implicaontologia e o nível de relação proposto na sintaxe em subalternização da participação, mas podepara o mesmo, por exemplo. auxiliar ao novo membro na compreensão das formas e as dinâmicas de funcionamento do5 COMUNIDADES DE PRÁTICA E AS REDES SOCIAIS grupo. As ações dessas comunidades envolvem AD HOC simultaneamente o compartilhamento dos conhecimentos explícitos e tácitos. O O funcionamento da Internet e os diversos conhecimento explícito constitui-se em um saberprodutos e serviços a ela vinculados alteraram que pode ser formalizado em procedimentossignificativamente os padrões de agregação comuns tais como vocabulários, conceitos esocial na contemporaneidade. A relativização bases de conhecimento. O conhecimento tácito,das noções de tempo e espaço e a redução por outro lado, é um conhecimento pessoal, dedos rituais sincrônicos abriram espaço para a mais difícil formalização na medida em quemobilidade e o estabelecimento de comunidades agrega crenças, savoir-faire, histórias, anedotasnão constrangidas pela dimensão geográfica e e linguagens corporais, elementos esses queocasionou também a implementação de novos passam por sistemas difusos de codificação epadrões de cooperação. A difusão global de explicitação.informações permitiu uma série de agregaçõesque se constituem em torno do interesseinformacional, tornado fluxo. É nesse contextoque surgem as comunidades virtuais, uma 10 McDERMOTT, R. Knowing in Community: 10 critical success factors in building Communities of Practice. 2001. Disponível em: http://www.co-i-l.modalidade de agregação de sujeitos dispersos com/coil/knowledge-garden/cop/knowing.shtml. Acesso em: 18.abr.2008.geograficamente em torno de interesses 11 LUEG, Christopher. Where is the Action in Virtual Communities of Practice? Disponível em: http://www-staff.it.uts.edu.au/~lueg/papers/comuns. commdcscw00.pdf. Acesso em 20.nov. 2008.Inf. & Soc.:Est., João Pessoa, v.19, n.1, p. 59-73, jan./abr. 2009 67
  10. 10. Maria Aparecida Moura; Nesse universo podem se identificar dois As redes sociais, por seu turno, sãotipos de comunidades: as auto-reguladas e as agregações sociais organizadas em torno depatrocinadas. temáticas e interesses específicos que partilham, As comunidades auto-reguladas são produzem e disseminam conhecimento eaquelas com alto grau de informalidade e informações. Essas redes atuam aos moldes dosdescentralização, cujos principais focos de atenção colégios invisíveis e utilizam intensamente assão os interesses comuns de seus membros. Em tecnologias digitais em rede como um mecanismogeral, as trocas realizadas nesses contextos podem de agregação e produção coletivas.agregar valor às ações profissionais e intelectuais As redes possuem uma lógica de agregaçãode seus participantes. De caráter resiliente, essas que se pauta pela horizontalidade das relaçõescomunidades se conduzem pela dinâmica de sociais e, de acordo com Dias e Silveira (2007),interesse de seus membros e podem no curso de caracterizam-se por processos produtivos esuas ações alterarem seus objetivos iniciais ou de experiência, poder e cultura, dinamismomesmo assumirem a forma de uma comunidade e descentralização na tomada de decisão,patrocinada. autonomia dos membros, horizontalidade das As comunidades patrocinadas são relações e desconcentração do poder.iniciativas mantidas ou apoiadas por organizações. Além disso, elas incorporam, dePor receberem apoios institucionais o curso das acordo com Marteleto (2005) três dimensõesações é orientado a resultados mensuráveis, fundamentais: a dimensão sócio-comunicacional,as responsabilidades são partilhadas e seus a lingüístico -discursiva e a de produção demembros ocupam papéis específicos. Apesar sentidos.A dimensão sócio-comunicacionaldisso, a possibilidade de auto-regulação, próprio envolve os elos, motivações e interações entreàs comunidades de práticas, as distingue de uma os atores sociais. A dimensão lingüística eequipe de projetos comum. discursiva incorpora os aspectos cognitivos e Os principais dispositivos adotados na informacionais envolvidos no compartilhamentocondução e formalização das comunidades de social. Finalmente, a dimensão de produção deprática são os groupewares, os repositórios de sentidos explicita o fluxo e a dinâmica da açãodados e conhecimento, a gestão de documentos, colaborativa partilhada.os motores de busca, os agentes inteligentes, as No ambiente digital os provedores deintranets e os websites. soluções colaborativas em rede logo trataram Parte integrante desse mesmo universo, de programar funcionalidades aos softwaresas comunidades virtuais de prática (CoPS) são para que eles pudessem facilitar o nível demovimentos colaborativos na WEB que através cooperação já, a partir do pacto de linguagem. Emde tecnologias síncronas e assíncronas ampliaram decorrência disso, os membros das comunidadesa comunicação, interação e a produção e virtuais puderam constituir e instanciar no nívelo compartilhamento de informações entre computacional os principais eixos temáticossujeitos dispersos geograficamente em escala desenvolvidos e expressos em linguagem.internacional. As principais dificuldades para Desnecessário dizer que tal movimento,o funcionamento de uma comunidade virtual tem causado enorme impacto sobre a organizaçãode prática são: o nível de disciplina exigido, a da informação em ambientes digitais, sobretudo,natureza do conhecimento partilhado, a fluidez porque se criou uma grande expectativa de quedas relações que se estabelecem pelo meio digital as redes e seus membros seriam eles própriose o estabelecimento da confiança mútua e o capazes de coordenar os fluxos informacionaisrespeito aos acordos pactuados na comunidade. e o aprovisionamento de soluções no âmbito da Dado que a intensificação da comunicação gestão dos sistemas de informação.é o principal elemento agregador desse tipo de Nesse debate, as folksonomias ganharamcomunidade, a linguagem exerce uma função status de instrumento de representação dacentral nesses contextos. A linguagem no âmbito informação apesar de elevarem a complexidadedesse trabalho é compreendida como mediações do tratamento da linguagem verbal em contextoscompartilhadas e tacitamente construídas com de representação da informação. E, em umvistas a efetivar a expressão do pensamento ambiente em que é crescente a presença doshumano. usuários que conduzem suas pesquisas e de68 Inf. & Soc.:Est., João Pessoa, v.19, n.1, p. 59-73, jan./abr. 2009
  11. 11. Informação, ferramentas ontológicas e redes sociais ad hocautores que disponibilizam conteúdos on-line sem do processo de representação e recuperação daa intervenção de mediadores, tornou-se evidente informação.que o campo da organização da informação A experiência de construção do tesauroprecisaria rever seus métodos com vistas a sobre mundialização, diversidade viva ecompreender esse movimento de transformação desenvolvimento sustentável nasceu no âmbitointelectual inevitável. das atividades do laboratório de pesquisas Atualmente essas redes têm funcionado ESCoM – Equipe Sémiotique Cognitive e Nouveauxem torno das trocas informacionais que se Médias12, sediado na Maison des Sciences derealizam em ambientes dotados de folksonomias L’Homme, Paris, França. O Laboratório desenvolveque permitem, através da etiquetagem dos pesquisas e experimentações em linguagem einteresses informacionais, o compartilhamento representação digital de informações com vistas ae a validação de uma linguagem de referência. permitir o acesso público às unidades discursivasEvidentemente que o controle desse léxico ainda e às representações sociais de pesquisadores dasencontra-se atravessado pela intensificação Ciências Sociais e Humanas, em nível mundial.das redes de significação que se estruturam no Criado em 2001, os AAR (Archivesuso social da linguagem, mas acredita-se que a Audiovisuelles de la Recherche) têm como missãodinâmica estabelecida pode oferecer pistas, rumo a produção, digitalização, montagem, indexaçãoà atualização da linguagem de representação e publicação de registros audiovisuais dosinformacional de modo mais ágil, conforme já patrimônios culturais e científicos sob a formasalientado. de arquivos digitais on-line; a concepção e o desenvolvimento de tecnologias e ferramentas apropriadas para a produção e a gestão à5 A EXPERIÊNCIA DE ESTRUTURAÇÃO DO distância de arquivos multimídia, descrição e TESAURO SOBRE MUNDIALIZAÇÃO, exploração prática de registros audiovisuais; o DIVERSIDADE VIVA E DESENVOLVIMENTO estabelecimento de cooperação entre instituições SUSTENTÁVEL: INTEROPERABILIDADE ENTRE produtoras de conhecimento científicos e culturais, com vistas a facilitar a transferência FERRAMENTAS ONTOLÓGICAS E REDES de conhecimento científicos e culturais em SOCIAIS AD HOC audiovisuais; a realização e difusão editorial de De acordo com Svenonius (2000) existem conhecimentos científicos em meios digitais, alématualmente inúmeras linguagens de indexação de valorizar, através de parcerias, o conhecimentoque exibem um variável grau de refinamento. científico de alto nível.Essas linguagens quando utilizadas nos sistemas Parte integrante dos AAR, o espaçode recuperação da informação podem provê- de conhecimento MDD (Mondialisation elo de qualidade adicional de modo que por seu Développement Durable)13 é dedicado ao debateintermédio possamos transformar informação atual em torno do tema mundialização,em conhecimento. Segundo a autora, quando diversidade viva e desenvolvimento sustentávelisso acontece a linguagem de indexação torna-se e tem por objetivo contribuir para a preservação eanáloga ao próprio conhecimento. Nesse sentido, valorização do patrimônio mundial das culturasas linguagens de indexação, como representação materiais e imateriais; construir e acompanhardo conhecimento, são fundamentais não apenas a evolução da identidade sócio-cultural de cadana recuperação da informação, mas também em povo; e apoiar as relações do homem e seuoutros contextos que referenciam o conhecimento ambiente no nível global e local.estruturado tais como, o processamento O acervo audiovisual do site foi organizadoautomático da linguagem e a engenharia de nos seguintes grandes temas: mundialização econhecimento. preservação das identidades sociais e culturais, Em virtude da afirmativa da pesquisadora gestão de recursos naturais e do clima mundial,buscou-se nesse trabalho compreender do futuro do planeta, gestão do território eponto de vista teórico e prático as tendências urbanismo, governança e atores sociais, acesso aode representação da informação em curso nocontexto digital e experimentar novas abordagens 12 http://www.semionet.com/FR/default.htmna construção de instrumentos de mediação 13 http://www.evolutiondurable.fr/FR/about.aspInf. & Soc.:Est., João Pessoa, v.19, n.1, p. 59-73, jan./abr. 2009 69
  12. 12. Maria Aparecida Moura;conhecimento, novas tecnologias de informação, Construction Systems e realizou-se um pré-educação e difusão das especialidades culturais teste da representatividade do tesauro emlocais, dinâmicas das populações e migrações uma mostra de quarenta vídeos do acervohumanas, desigualdades, crises e catástrofes, dos AAR.segurança local e paz mundial, saúde mundial Na sexta etapa, identificaram-se ase acesso local aos cuidados, e abordagem do categorias necessárias ao desenvolvimentodesenvolvimento por regiões geopolíticas. da ontologia que requeria a formalização no nível computacional. Desse modo, foram criadas dez ontologias gerais que permitem a6 O DESENVOLVIMENTO DO TESAURO E DA combinação com a base terminológica central ONTOLOGIA MDD nomeada taxema. São elas: grafos, línguas, gêneros retóricos, tipos de documento, áreas O desenvolvimento do tesauro e de conhecimento, pessoas físicas, traduções,da ontologia partiu simultaneamente da exploração de conteúdos informacionais,compreensão das garantias literária, estrutural e recursos e autoria.de uso percebidas e identificadas na bibliografia Na etapa seguinte formalizaram-se asda área, nos documentos digitais disponíveis ontologias no software Ontoeditor e geraram-sena Web e nos discursos científicos realizados e os arquivos XML que depois foram incorporadosdisponibilizados no acervo do AAR e no MDD. ao software Interview dedicado à indexação dos Por se tratar de um tema muito discutido, acervos audiovisuais disponíveis nos espaçospolêmico, transdisciplinar e com grande de conhecimento mantidos pelo laboratórioinstabilidade conceitual, na primeira etapa ESCoM.utilizou-se o Google Trends para identificar arelevância e a rede semântica associada aotema proposto. Esse procedimento nos deu Gestão da base terminológica com a agregaçãoa possibilidade de compreender em termos das redes colaborativasgeopolíticos como estava organizada aprodução científica referente ao tema e as suasmanifestações no ambiente digital. Na segunda etapa, identificamos através Análise da literatura ------→ Análise dos termosda folksonomia Delicious as redes sociais ad hoc que novos no Google Trends (status da terminologiase organizam em torno do tema e o modo como entre os usuários – garantia de uso) -----→as mesmas categorizam os assuntos tratados, os Análise dos termos em repositórios on-lineprincipais documentos eletrônicos disponíveis (status do termo entre pesquisadores, autores,citados e as sobreposições semânticas operadasno campo. usuários e mediadores da informação - garantia Na terceira etapa, chegou-se a literária, de uso e estrutural) ----→ Extração deum léxico composto por cerca de duas termos identificados nos canais ou comunidadesmil expressões envolvendo os três focos mantidos pelos repositórios (ex: busca-setemáticos (mundialização, diversidade viva environement, encontram-se colateralmente ose desenvolvimento sustentável). Realizou-se termos relacionados, referendados e estabilizadosa categorização e descrição dos termos com a pelas comunidades: global warming, climate, ecology,redução do léxico inicial que resultou em uma energy, sustainable development, organic, recycling,base terminológica composta por 650 termos edispostos em 28 facetas. green building, carbon economy, dentre outros) ----→ Na quarta etapa, cotejaram-se os termos Cotejamento dos termos identificados nas redesidentificados e categorizados com base no sociais em relação às facetas propostas no tesaurodiscurso audiovisual dos pesquisadores ou ontologia ----→ Formalizaçãodisponíveis na base da ESCoM e nas redes sociaisad hoc identificadas a partir do Delicious. Na quinta etapa formalizou-se o Quadro 2: Síntese da elaboração de linguagenstesauro no software TCS 10 – Thesaurus com a participação de redes colaborativas70 Inf. & Soc.:Est., João Pessoa, v.19, n.1, p. 59-73, jan./abr. 2009
  13. 13. Informação, ferramentas ontológicas e redes sociais ad hoc7 CONSIDERAÇÕES FINAIS produção de conhecimento e a representação da informação. Pensar a organização da informação As garantias, literária, de uso e estrutural,na contemporaneidade parece um desafio caras à construção de linguagens de indexação noinstransponível, sobretudo em face dos âmbito da Ciência da Informação, se mostrarammúltiplos interesses e abordagens postos sobrepostas no contexto digital em virtude daem ação. Verifica-se, de acordo com Cronin ampliação da instância autoria na produção dos(2008) que as pesquisas no campo da Ciência documentos eletrônicos. Isso significa dizerda Informação estão sempre desafiadas pela que os documentos gerados e/ ou referendadostendência tecnológica do momento. Dispensa-se pelas as redes sociais forneceram nova dinâmicatempo e esforço em perscrutar e descrever, do aos processos de constituição das linguagensponto de vista informacional, o desconforto, que de indexação. Desse modo, é necessáriotais instrumentos e modismos sinalizam, sem incorporá-los aos métodos de estruturação denecessariamente, retomar a base da discussão tais linguagens, com vistas a ampliar, com apoioestabelecida pelo próprio campo. dos usuários efetivos, a legitimidade e o poder de De acordo com o que Whittaker citado representação dos instrumentos de indexação.por Swanson (1988) denominou “postulado As ferramentas verbais de representaçãoda impotência”, há sempre uma margem de da informação permanecem como excelentesindeterminação que os sistemas informacionais instrumentos de mediação no acesso àsão “incapazes” de alcançar no nível da informação em contextos digitais devido àorganização da informação. O autor convida perenidade do conjunto de regras adotadasà reflexão acerca do fato de os sistemas de no seu estabelecimento. Assim, acredita-seinformação construírem suas ações no limiar que ao incorporarmos criticamente o discursodos processos cognitivos e de significação e as práticas das redes sociais, poderemosestabelecidos pelos usuários. aprimorar as formas de acesso à informação e à Torna-se necessário, nesse contexto, o representação das informações disponíveis emestabelecimento de novos e distintos diálogos contextos digitais.teóricos e metodológicos, pois, se considerarmos Finalmente, vale lembrar que, dado aoque o contexto de busca informacional caráter onipresente do documento eletrônico emprepondera no estabelecimento da relevância nossa vida cotidiana e devido ao seu processoatribuída a uma informação, somos levados, de construção orientado pelas demandas, éimplícita e explicitamente, a incorporar a necessário transformar radicalmente o nossocolaboração expressa entre os usuários e suas modo de pensar o aspecto material, a cogniçãoredes sociais como um elemento indispensável na e a percepção empregadas pelos usuários numefetivação dos modernos sistemas de informação. contexto de interações hipertextuais. Em nosso experimento, a experiência Acredita-se, pois, que na consideração,de apropriação e utilização dos instrumentos explicitação e formalização dos mecanismos dedisponíveis na Web para fins de construção significação, presentes nos percursos e contratosde ferramentas ontológicas mostrou-se de leituras realizadas pelas redes sociais, repousamválido dado à agilidade com que os recursos as possibilidades de alterarmos as lógicas deinformacionais são disponibilizados, exigindo organização da informação e privilegiar, comouma redução drástica no gap estabelecido entre foco, a circulação social do saber.Inf. & Soc.:Est., João Pessoa, v.19, n.1, p. 59-73, jan./abr. 2009 71
  14. 14. Maria Aparecida Moura; INFORMATION, ONTOLOGICAL TOOLS AND AD HOC SOCIAL NETS: the interoperability in the construction of thesaurus and ontologiesABSTRACT The technological changes that occurred with the digital transmission of information led to innumerous alterations in Information Science in terms of theoretical production and empirical experiments. In this context, the understanding of user performance and of their social networks became essential for structuring information organization instruments. The digital transmission of information, the reduction of synchronous rituals and the production of information on demand led to radical changes in the dissemination of information and, consequently require that alterations be made in the methodologies employed to elaborate the verbal instruments of information representation. This paper will analyze the emergence of new instruments related to information representation in digital environments and will introduce the concept of ontological tools. The impacts derived from the operability between the ontological tools available on the Web and the social networks that they have incorporated will also be analyzed. The new configuration of warranty (literary, structural and of usage) in the process of constructing indexing languages in digital environments will also be discussed. Methodologically speaking it is suggested that the new informational mediations be incorporated in the construction process of indexing languages.Keywords: social networks, thesaurus-methodology, indexing languages Artigo recebido em 15/08/2008 e aceito para publicação em 28/12/2008AGRADECIMENTOS of new possibilities. Scientific American, New York, may 2001. Disponível em: http://www. Agradecimentos são devidos ao CNPq, à sciam.com/2001/0501issue/0501berners-lee.Équipe Sémiotique Cognitive et Nouveaux Médias html. Acesso em: 25. jul.2008.(ESCoM- Paris - França) e à Fondation Maisondes Sciences de l’Homme (FMSH- Paris - França) CAMPOS, M.L.de A. Linguagem documentária:pelo apoio concedido no desenvolvimento desse teorias que fundamentam sua elaboração. 5.ed.trabalho. Agradeço igualmente aos bolsistas Rio de Janeiro: Ed.UFF, 2001.133 p.de iniciação científica que integram a pesquisa“Semiótica, informação audiovisual e percurso CAMPOS, M. L. de A., GOMES, H.E. Tesaurointerpretativo: bases teóricas para organização e normalização terminológica:o termo comoda informação em contextos digitais”, Juliana de base para o intercâmbio de informações.Assis Horta, Rubeniki de Limas e Tânia Renata Datagramazero,v.5,n.6, dez.2004. Disponível em:dos Santos. http://www.dgzero.org/,dez.2004. Acesso em 24. jul. 2008.REFERÊNCIAS CRONIN, Blaise. The sociological turn in information science. Journal of information Science,AGAMBEN, Giorgio. Qu’est-ce qu’un dispositif?. 2008, n. 34. Disponível em: http://jis.sagepub.Paris: Payot e Rivages, 2007. com/cgi/content/abstract/34/4/465. Acesso em 23. jun. 2008.BERNERS-LEE, T.; et al. Semantic Web DevelopmentProposal. Disponível em: http://www.w3c. CHU, Heting. Information representation and retrievalorg/2001/sw Acesso em: 17 de jul. 2008. in the digital age. New Jersey: ASIS& T, 2005.BERNERS-LEE, T.; HENDLER, J.; LASSILA, O. DIAS, Leila Christina, SILVEIRA, RogérioThe semantic web: a new form of web content that is Leandro da (org.). Redes, sociedades e territórios.meaningful to computers will unleash a revolution Santa Cruz do Sul, 2007.72 Inf. & Soc.:Est., João Pessoa, v.19, n.1, p. 59-73, jan./abr. 2009
  15. 15. Informação, ferramentas ontológicas e redes sociais ad hocFRANCIS, Élie, QUESNEL, Odile. Indexation ideant/2004/12/a_delicious_stu.html. Acessocollaborative et folksonomies. Paris: em: 24 jul . 2008.Documentaliste Science de l’information. v.44, n. 1.février, 2007. MEJIAS, U. A. Tag literacy. Disponível em: http://ideant.typepad.com/ideant/2005/04/HOLAND, Seth Van. From spectator to annotator: tag_literacy.html. Acesso em: 30 mar.2008.possibilities by user-generated metadata fordigital cultural heritage collections. Disponível MORA, José Ferrater. Dicionário de filosofia. Sãoem: http://homepages.ulb.ac.be/~svhoolan/ Paulo: Martins Fontes, 1993.Usergeneratedmetadata.pdf. Acesso em: 23 maio.2008. MOURA, M. A. Signi-fica ou signi-vai? As teorias da significação no campo da Ciência da Informação. In: REIS, Alcenir Soares, CABRAL,LANCASTER, Frederick Wilfrid. Indexação e Ana Maria (org.). Informação, cultura e sociedade:resumo: teoria e prática. Brasília: Briquet de interlocuções e perspectivas. Belo Horizonte:Lemos/Livros, 2004. Novatus, 2007. p. 61-79.LANCASTER, Frederick Wilfrid. Vocabulary MOURA, M. A. Informação e conhecimentocontrol for information retrieval. 2.ed. Virginia: em redes virtuais de cooperação científica:1986. 270p necessidades, ferramentas e usos. DataGramaZero - Revista de Ciência da Informação - v.10, n.2LUEG, Christopher. Where is the Action in abr. 2009. Disponível em: http://www.dgz.org.br/Virtual Communities of Practice? Disponível em: abr09/Art_02.htm. Acesso em 17. abr. 2009.http://www-staff.it.uts.edu.au/~lueg/papers/commdcscw00.pdf. Acesso em 20.nov. 2008. NOVELLINO, Maria Salet Ferreira. Instrumentos e metodologias de representação da informação.MANIEZ, Jacques. Actualité des langages Informação & Informação, Londrina, v.1, n. 2, p. 37-documentaires: fondements théoriques de la 45, jul./dez. 1996.recherche d’information. Paris; ADBS, 2002. PEDAUQUE, Roger. Document: forme, signe et médium, les re-formulations du numérique.MARTELETO, R. M. . A metodologia de análise Disponivel em: http://rtpc-doc.enssib.fr.Acessode redes sociais (ARS). In: Marta Lígia Pomim em: 23 maio 2008.Valentim. (Org.). Métodos qualitativos de pesquisaem Ciência da Informação. São Paulo: Polis, 2005, RIBEIRO, Adagenor Lobato. As camadas dap. 81-100. arquitetura da Web semântica. Disponível:http:// adagenor.blogspot.com/2008/03/as-camadas-MARTINS, Rosane Maria. Web Semântica: uma da-arquitetura-da-web.html. Acesso em: 30.visão geral. Disponível em: http://www.eng. Jul.2008.uerj.br/~rosane/survey_generico.pdf. Acesso SVENONIOUS,E. The intellectual foundation ofem: Acesso em: 17 de jul. 2008. information organization. Cambridge: MIT Press, 2000.McDERMOTT, R. Knowing in Community: 10critical success factors in building Communities SWANSON, Don R. Historical note; informationof Practice. 2001. Disponível em: http://www.co- retrieval and the future of an illusion. Journal ofi-l.com/coil/knowledge-garden/cop/knowing. American Society for Information Science, 1988. v.49,shtml. Acesso em: 18.abr.2008. n. 2, p. 92-98.MEJIAS, U. A. Bookmark, classify and share: ZUCCALA, Alesia. Modeling the InvisibleA mini-ethnography of social practices in College. Zuccala A. Journal of the American Societya distributed classification community. for Information Science and Technology v. 57, n. 2.Disponivel em: http://ideant.typepad.com/ p.152-168, 2006.Inf. & Soc.:Est., João Pessoa, v.19, n.1, p. 59-73, jan./abr. 2009 73

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