Apresentação Parto Místico. Um percurso feminino de empoderamento

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Um livro sobre o parto domiciliar desassistido de Cariny. Essa história não está sendo publicada para que seja imitada, e sim para que sirva como uma estrela-guia. Estão contidos nela elementos chaves para fazer da gravidez e do parto um processo de verdadeiro empoderamento da mulher. Que assim seja. Que essas próximas páginas contribuam para o nascimento de uma nova era para mulheres e bebês.

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Apresentação Parto Místico. Um percurso feminino de empoderamento

  1. 1. PARTO MÍSTICO UM PERCURSO FEMININO DE EMPODERAMENTO ADRIANA TANESE NOGUEIRA
  2. 2. INTRODUÇÃO Não existem receitas. Só existem as de bolo, e essas também precisam ser adaptadas em função da temperatura do ambiente, da umidade do ar, do tamanho dos ovos e da densidade da farinha. Para a autoestima, o empoderamento pessoal e o parto bem-sucedido não há receitas. Existem, porém, trilhas bem feitas que podem dar uma ideia do que é preciso para chegar “lá”. Lá, naquele lugar da mente e da alma, onde o corpo pode funcionar como deveria e a harmonia do todo assume a liderança. “Lá” é aquele espaço que toda mulher grávida que desperta para a humanização do parto quer para si, aquele bendito momento em que há o desprendimento do filho de seu ventre em paz e confiança e alegria. “Lá” é o lugar da vitória, do êxtase e do sagrado.
  3. 3. O QUE É MÍSTICO Místico remete a algo que é experimentado de forma íntima e surpreendente, que transcende as experiências do dia a dia, que mergulha os sentidos em outra dimensão, deixando marcas na consciência que se prolongam no tempo e, entretanto, toda a vivência é dificilmente ou simplesmente impossível de ser traduzida por completo em palavras e comunicada.
  4. 4. ESPIRITUALIDADE FEMININA Existe uma espiritualidade feminina? Com o multiplicar-se de experiências de parto ativo, está se prefigurando uma forma de espiritualidade feminina que se ancora no corpo, naquele corpo grávido e sábio da mulher parideira por natureza. Uma nova e antiga dimensão feminina emerge vinculada e aliada ao corpo, mas não mais coisificada nele.
  5. 5. PARTO E EMPODERAMENTO FEMININO Empoderamento é voltar-se para a mulher negra dentro de si, aquela que permaneceu nas sombras, escondida, renegada, desprezada. De uma certa forma, toda mulher é branca, independentemente da cor de sua pele, porque vive sob os holofotes da cultura branca patriarcal masculina. Dentro vive a raiz feminina negra, filha da terra, do úmido e do profundo. Essa é a mulher que precisa ser despertada, reconhecida e convidada para a festa da vida.
  6. 6. CARINY: MITO OU REALIDADE? ... toda vez que alguma de nós consegue um feito considerado arriscado pela mentalidade coletiva é destacada como um ser diferenciado e, assim, colocada num patamar inalcançável. Isolar experiências inovadoras e fechá-las em redomas de vidro é uma forma de exorcizar a possibilidade de levá-las a sério e medir-se com elas, seriamente.
  7. 7. HOSPITAL OU NÃO HOSPITAL: EIS A QUESTÃO Estarão os partos de baixo risco tornando os hospitais lugares obsoletos? Evidentemente que a resposta a essa pergunta não está isenta de interesses que vão além dos aclamados publicamente relativos à saúde da mulher e do bebê.
  8. 8. MAIS INTROVERSÃO, MENOS EXTROVERSÃO Introversão é um processo psicológico que traz a pessoa para si. Pela introversão nos centramos, meditamos, sonhamos, criamos o futuro em nossa imaginação, temos ideias, compreendemos o que estudamos, processamos as experiências do dia, do mês, do ano. Pela introversão encontramos quem somos, o que realmente gostamos, queremos ser e queremos ter em nossa vida.
  9. 9. DÚVIDAS E AUTOESTIMA Ao focar na busca por certezas e seguranças estamos traindo nossa baixa autoestima e, num círculo vicioso, alimentando a própria dúvida. Como não há certezas absolutas, fora as equações numéricas, procurar certezas eleva automaticamente o grau de nossa insegurança, além de nos iludir. Mascarados de racionalidade, bom senso e cautela, os discursos da dúvida cozinham no fogo lento e contínuo da falta de confiança em si, no que se sente, no que se pensa, no que se quer e no como se faz.
  10. 10. MARIDOS: PARA QUE SERVEM Nesta fase de transição entre uma forma de viver e entender o parto e a nova que a humanização do parto propõe, as mulheres precisam, mais do que nunca, de maridos com os quais contar. Não mais o sujeito que, empapuçado em seu suposto zelo pela prole, se alinha com o que a academia fala como se fosse a Bíblia Sagrada. Não mais homens que apontam o dedo para suas mulheres “malucas” que querem partos domiciliares. Para a alegria de todos, está surgindo um novo tipo de homem.
  11. 11. MASCULINO E FEMININO: CURANDO A FERIDA Há uma ferida no fundo da alma feminina, antiga, e, por isso, profunda. Houve uma decepção, uma traição, a repentina realização de que aquele adulto que tem poder sobre nossas vidas, aquele adulto do qual dependemos totalmente e com o qual contamos para nosso desenvolvimento, aquele adulto que amávamos com toda nossa alma – aquele adulto nos traiu. Ele foi imaturo, estúpido, ignorante, machista. Egoísta. ... Aquele adulto que segurava nossa mão vulnerável não era a força positiva e sábia que queríamos e precisávamos ter ao lado quando criança.
  12. 12. CHEGANDO Dos opostos nasce a terceira via, assim como a luz surge da união paradoxal do negativo e do positivo. Quem é capaz de sustentar a tensão entre os opostos irreconciliáveis vive a surpresa do renascimento. Surge o “milagre”, o caminho inesperado, a solução numa bandeja de prata.
  13. 13. 21 DE SETEMBRO, DIA DA ÁRVORE Eu oscilei entre chamar assistência (que viria de Porto Velho-RO, capital, a 470 km) ou ficar somente eu e meu marido. Hoje eu vejo que apenas não queria admitir para mim mesma, para a minha parcela racional e masculina, que queria mesmo era parir sozinha. Meu marido me ajudou a dar um decisivo passo me dizendo: “Ou vai ser só nos dois ou iremos pro hospital”. No fundo, eu sabia o que isso queria dizer: seríamos só nos dois, pois hospital nunca foi uma opção para mim. Há meses, quando me vi grávida, eu sabia exatamente onde e como o bebê, aquele ser de luz que estava nos escolhendo, queria nascer.
  14. 14. MATA: EM BUSCA DA MULHER SELVAGEM Encontrar-se, re-encontrar-se. Confirmar em si mesma a própria verdade, nossa verdade. Enfrentar a passagem. O tempo chegou. É hora. Mais um momento de introversão profunda, fazendo com que a psique sinta sua conexão real, palpável com sua origem, a mãe Terra, a vida, a própria natureza da qual somos todos expressões, milagres, possibilidades. É aquela mesma natureza que gritava dentro dela para ser ouvida e ser seguida, não importando os condicionamentos sociais e culturais proclamavam.
  15. 15. CASA: LUGAR DE PODER Despedi-me do dia 21, passei a madrugada em trabalho de parto. Acredito que a natureza foi muito benevolente comigo, pois em momento algum tive contrações muito próximas ou muito dolorosas. Aliás, lembro de volta e meia pensar: "Cadê a dor? Cadê o ritmo?". Cheguei a achar que sequer estava em trabalho de parto verdadeiro, já que foi tudo muito suave, muito misterioso mesmo. E muito em sintonia consigo, com a natureza, com o corpo. Como tudo funciona bem quando deixamos as coisas fluírem!
  16. 16. SINTONIA MULHER-BEBÊ Depois de cada contração o bebê se movimentava e isso me deixava ainda mais solta e relaxada. Uma comunicação mesmo, uma conexão. Estávamos juntos naquela viagem de partida e de chegada. “Deus meu, como eu sonhei com este dia...” Um sonho se realiza. Aos poucos a nova realidade gestada vai se manifestando como o abrir-se de uma flor, que finalmente desabrocha sob nosso olhar. A cada passo as dúvidas vão perdendo força e, sutil e inexoravelmente, a passagem acontece.
  17. 17. SINTONIA MULHER-HOMEM Meu marido estava sentado na minha frente, me olhou firme e disse: "Se é a hora, então vamos. Me dá sua mão". E eu dei. Confiei naquele homem que havia me dito que seria a única pessoa que não iria me decepcionar. Sim, ele foi comigo rumo ao desconhecido. Ele manchou as mãos com o sangue do meu corpo e viveu comigo o evento mais feminino do universo. Ele foi meu esteio naquilo que sequer conhecia. Ele acreditou em mim. Acreditou no invisível. Acreditou no que estava completamente fora dele. É chegada a hora de cumprir os votos...
  18. 18. O MILAGRE: A PRESENÇA DO SAGRADO ENTRE NÓS Fiquei de joelhos, exatamente onde, dia após dias, durante meses, visualizei o parto. Abracei meu amor e lembro-me de, entre os puxos, dormir de lado, profundamente. Quando eles voltavam, o meu marido me aparava e nos abraçávamos novamente. Num instante ele sussurra no meu ouvido: “Você está sentindo o bebê nascendo?”. E eu disse: “Sim, põe sua mão, amor”. E ele sentiu o bebê coroando. Eu senti o círculo de fogo e apenas respirei, completamente dominada pelas poderosíssimas forças ocultas da vida. Eu sabia, o Divino estava ali.
  19. 19. PARTO: UM ASSUNTO ÍNTIMO Não. Eu não mudaria nada no parto. Foi exatamente como eu sonhava. Mas eu demoraria mais tempo para chamar atendimento médico se tivesse mais um filho nas mesmas circunstâncias. Telefonamos para a médica uns 30 minutos depois e ela veio meio apavorada, num padrão de energia que destoou totalmente daquele que emanava no meu quarto. Disso eu e meu marido nos arrependemos! Poderíamos ter chamado horas depois. Também deixaríamos para avisar as pessoas só no dia seguinte.
  20. 20. PÓS-PARTO Senti uma euforia logo no início; uma felicidade que não se compreende. Sensações no corpo todo que eu não consigo descrever. É como se eu tivesse explodido e não cabia mais em mim... Eu sussurrava pro meu bebê no colo completamente fascinada.
  21. 21. MATERNIDADE ATIVA O que é maternidade ativa? Se uma grávida encontrar sua “mulher selvagem” não na fantasia da mente romântica, mas na carnalidade de sua realidade individual e íntima, ela será uma mãe com uma presença ativa no mundo à sua volta. Começará a ter outra consciência, não mais a bela adormecida que espera o beijo do príncipe para despertar, mas uma mulher atenta, questionadora, que faz acontecer. A maternidade ativa surge espontaneamente como resultado da mutação interior.
  22. 22. TRANSMUTAÇÃO No parto existe a possibilidade de começar a curar a ferida feminina perpetrada pelo masculino. Esta ferida é carregada na alma da mulher como conflito, dúvida sobre si mesma, angústia e insegurança. A perspectiva aberta pela humanização do parto está permitindo essa mutação, tão necessária quanto difícil.
  23. 23. UMA PÉROLA O resultado dessa mudança se sintetiza numa diferente forma de abordar a vida e de perceber-se, portanto, de ser. Não faço e nem nunca fiz do meu parto uma bandeira e detesto o rótulo de corajosa. É mais correto falarmos em fé: fé nos eventos femininos; fé nos processos fisiológicos; fé no que é da natureza humana. Então, eu acredito que se é para falar de exemplo às mulheres, o meu eu acho que é o do exercício profundo da fé na vida.
  24. 24. CONCLUSÃO Humanização é um movimento holístico na direção do desenvolvimento de todo nosso ser. Não tem como melhorar o atendimento obstétrico sem nos melhorarmos como pessoas, saindo da superficialidade e racionalidade banalizadora da cultura contemporânea. Não é um parto natural que queremos, é essa libertação das amarras de preconceitos e inseguranças castradores. Pela liberdade de ser, a mulher vai ter o melhor parto possível, que, com toda probabilidade, será um que segue as leis da natureza, porque libertando-se ela se alinha com sua natureza íntima. Nenhuma mulher livre internamente escolhe o que é contrário ao seu corpo e à sua fisiologia.
  25. 25. PARTO MÍSTICO Um percurso feminino de empoderamento Autora: Tanese Nogueira Adriana Ilustrações de Paula Cortinovis 2013 Editora Biblioteca 24 Horas Também disponível nas Livrarias Culturas ISBN: 9788541605342 Página: 115 200 gramas Preço: R$ 31,90 adrianatnogueira@uol.com.br

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