Macauba em sistema consorciado com braquiaria sob pastejo domingos queiroz final

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Artigo publicado nos anais do Congresso Brasileiro de Macaúba, em 2013.

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Macauba em sistema consorciado com braquiaria sob pastejo domingos queiroz final

  1. 1. MACAUBA EM SISTEMA CONSORCIADO COM BRAQUIARIA SOB PASTEJO1 1 2 DOMINGOS SÁVIO QUEIROZ2; EDILANE APARECIDA DA SILVA2; JOSÉ MAURO 3 VALENTE PAES2; SÉRGIO YOSHIMITSU MOTOIKE3; JOSÉ REINALDO MENDES RUAS2; 4 ARISMAR DE CASTRO MENEZES2; GUSTAVO CHAMON DE CASTRO MENEZES4; 5 MARIA CELUTA MACHADO VIANA2 6 7 INTRODUÇÃO 8 A macaúba (Acrocomia aculeata) é uma palmeira arborescente, espinhosa, cujo estipe atinge 9 de 10 a 15 m de altura e 20 a 30 cm de diâmetro. As folhas, em exemplares adultos, apresentam de 10 4 a 5 m e 130 a 180 folíolos, com folíolo mediano apresentando em torno de 65 cm de comprimento 11 e 2,8 cm de largura. Em Minas Gerais a macaúba constitui importante fonte de recursos para os 12 produtores familiares, pois seus produtos são utilizados como forragem, alimento, combustível, 13 medicamentos caseiros, na cobertura de casas ou confecção de utensílios e adornos domésticos e 14 como matéria prima para pequenas indústrias (LORENZI, 2006). O relato de produtores aponta que 15 a macaúba é consumida pelos bovinos, mas que apesar disso são praticadas técnicas de controle 16 populacional para evitar que ela se torne invasora de pastagens. Atualmente ocorre a exploração dos 17 povoamentos naturais de macaúba, feita de forma extrativista e com baixa produtividade, praticada 18 em populações de plantas heterogêneas em idade, tamanho e produtividade, o que dificulta a 19 aplicação de técnicas de manejo e de colheita (MANFIO, 2010). Considerando o potencial da 20 macaúba para a produção de biodiesel, há muita discussão entre os técnicos na busca de modelos de 21 produção que sejam eficientes econômica e ambientalmente. A macaúba, por ser uma palmeira, é 22 especialmente indicada para compor sistemas agrossilvipastoris, pois a arquitetura da copa permite 23 boa passagem de luz ao sub-bosque permitindo sua consorciação com lavouras e pastos. Objetivou-24 se com este trabalho avaliar o efeito do pastejo por bovinos em área de cultivo de macaúba com 25 plantas na fase juvenil em consorcio com pasto de Brachiaria decumbens. 26 27 MATERIAL E MÉTODOS 28 O trabalho foi conduzido na Fazenda Experimental da EPAMIG, localizada em Felixlândia, 29 Minas Gerais, situada a 18°47’ de latitude Sul e 44°55’de longitude Oeste, a 590 m de altitude. O 30 clima na região, segundo Köppen, é classificado como tropical de savana, com duas estações 31 distintas, inverno seco e verão chuvoso. A precipitação média anual é 1.126 mm. O período de 32 avaliação foi de dezembro/2012 a abril/2013. Antes da implantação da macaúba a área experimental 33 1Financiado pela PETROBRAS 2Pesquisadores da EPAMIG, Membros do INCT Ciência Animal, Bolsistas da FAPEMIG: dqueiroz@epamig.br 3Professor da UFV 4Estudante de doutorado em Zootecnia/UFV
  2. 2. apresentava cobertura de Brachiaria decumbens formada há mais de 20 anos, apresentando 34 uniformidade de topografia e composição química. O plantio da macaúba foi feito em março de 35 2011 em área de cinco ha. Foram abertas covas de 40 x 40 cm no espaçamento de 6x6 m, 36 totalizando 277 plantas/ha. Na terra retirada da cova misturou-se 500 g de superfosfato simples e 37 150 g de calcário dolomítico que foram utilizadas no plantio da muda. Após o plantio foi feita a 38 capina da braquiária num raio de 1 m ao redor da muda, situação mantida até o inicio do 39 experimento. A partir de dezembro de 2011 foram feitas três adubações com intervalo de 30 dias, na 40 dose de 50, 50 e 50 g/cova de N, P2O5 e K2O, respectivamente. A partir de dezembro de 2012 41 foram feitas três adubações com intervalo de 30 dias, a primeira com 100, 50 e 100 g/cova de N, 42 P2O5 e K2O e as outras duas com 100 e 100 g/cova de N e K2O, respectivamente. Para o 43 experimento a área foi divida em três partes, sendo uma com 0,8 ha e outras duas com 2,1 ha. A 44 área de 0,8 ha constituiu o tratamento roçado e uma das áreas de 2,1 ha constitui o tratamento 45 pastejado. Adotou-se o delineamento em parcelas subsubdivididas. Para as avaliações essas áreas 46 representavam as parcelas, que foram divididas em três blocos iguais. Cada bloco foi dividido em 47 duas partes, em que foi mantido o coroamento que já vinha sendo feito e outra em que o 48 coroamento foi suspenso, que constituíram as subparcelas. Três avaliações foram realizadas e 49 representaram as medidas repetidas no tempo, caracterizando as subsubparcelas. Para avaliação da 50 macaúba 10 plantas marcadas ao acaso constituíram cada unidade experimental. Nessas 10 plantas 51 mediu-se a altura com régua graduada no ponto mais elevado da última folha completamente 52 expandida. Na porção mediana dessa folha marcou-se um par de folíolos em lados opostos que 53 também foram medidos com régua graduada. Para avaliação do pasto colheu-se três amostras rente 54 ao solo em cada unidade experimental (com e sem coroamento) com uma moldura de ferro de 1 m². 55 Após colher e pesar as três amostras, as mesmas foram misturadas para retirar uma amostra de 400 56 g que foi pesada e levada a estufa por 72 h para secagem. Foram tomadas medidas ao acaso da 57 altura do pasto, dentro e em torno do quadrado, totalizando 15 medidas por unidade experimental. 58 Após a avaliação, o piquete de 0,8 ha foi roçado e coroado ou não segundo os tratamentos e o 59 piquete de 2,1 ha destinado ao pastejo foi coroado ou não segundo os tratamentos e em seguida 60 receberam os animais. Utilizou-se 10 novilhas com peso médio de 300 kg. A altura do pasto foi 61 monitorada e assim que o pasto apresentava em torno de 10 cm de altura de resíduo, o pastejo foi 62 suspenso para rebrotação. Nenhuma adubação foi feita nos pastos roçado ou pastejado. No pasto 63 roçado a massa cortada foi mantida na área. Os dados da macaúba e do pasto foram submetidos a 64 análise de variância e as médias testadas pelo teste de Student Newman Keuls (SNK) ao nível de 65 5% de significância, utilizando o pacote estatístico SAEG. 66 67
  3. 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO 68 As estratégias de manejo influenciaram o comprimento do folíolo da macaúba (Tabela 1). O 69 coroamento foi significativo (P<0,05) apenas na parcela roçada durante a primeira avaliação. Deve-70 se destacar que todas as plantas do experimento vinham sendo coroadas desde o plantio e somente a 71 partir do inicio desse experimento, em dezembro de 2012, é que se deixou de fazer o coroamento 72 nas plantas desse tratamento. Atribui-se esse resultado ao acaso, já que se especula que o tempo 73 decorrido da suspensão do coroamento até a primeira avaliação não foi suficiente para esse efeito se 74 manifestar. Reforça esse argumento o fato de que os efeitos do coroamento não ocorreram na 75 segunda e terceira avaliação do tratamento roçado e em nenhuma avaliação do tratamento pastejado. 76 Os efeitos do pastejo foram nítidos quando expressados pelo comprimento do folíolo (Tabela 1). A 77 primeira avaliação foi feita antes da entrada dos animais e não incorpora os efeitos do pastejo, razão 78 pela qual não há diferença em relação ao tratamento roçado. A partir da segunda avaliação, em 79 março, houve intensa redução no comprimento dos folíolos decorrente do consumo pelos animais. 80 O comprimento residual em torno de 10 a 12 cm na segunda e terceira avaliações reflete a reação 81 dos animais aos espinhos presentes nas folhas, cujo comprimento alcança até 10 cm (MIRISOLA, 82 2009). Deve-se ressaltar que os animais utilizados nunca tiveram contato anterior com a macaúba, 83 sinalizando para a alta aceitabilidade de suas folhas. Os efeitos do pastejo se manifestaram na altura 84 das plantas de macaúba que reduziram ao longo das avaliações (Tabela 2). Mesmo nas plantas da 85 parcela roçada houve redução da altura entre a segunda e terceira avaliação. Atribui-se esse fato ao 86 critério usado por diferentes avaliadores. De qualquer modo fica bem caracterizado que a presença 87 do animal na área de formação do cultivo da macaúba poderá causar grande impacto no seu 88 crescimento, pela redução da área foliar e na altura das plantas. Esses resultados, embora medidos 89 por curto espaço de tempo, indicam que a introdução de macaúba em áreas de pastagem irá exigir a 90 suspensão do pastejo e imobilização dos pastos ou o cultivo para produção de grãos até que a 91 macaúba atinja altura suficiente para evitar danos em suas folhas decorrentes do pastejo. Não houve 92 efeito (P>0,05) do manejo roçado ou pastejado sobre a massa de forragem de capim-braquiária, mas 93 a altura do pasto foi maior no tratamento roçado (Tabela 3). Independente do manejo a massa de 94 forragem seca e a altura do dossel foram maiores na avaliação realizada em janeiro. 95 96 CONCLUSÕES 97 A presença de bovinos na área de plantio da macaúba em pastagens causa redução no 98 comprimento dos folíolos e na altura das plantas pela ação do pastejo. O manejo do pasto com 99 roçada ou pastejo não influencia na disponibilidade de forragem. 100 101
  4. 4. Tabela 1 – Comprimento (cm) do folíolo da última folha expandida de plantas de macaúba 102 submetidas ao pastejo ou roçada em diversas épocas de avaliação 103 Época Roçado Pastejado Coroado Não coroado Coroado Não coroado Janeiro 32,48bC 40,93aA 32,12aA 31,15aA Março 35,19aB 33,70aB 12,34aB 10,91aB Abril 40,43aA 39,53aA 10,38aB 9,13aB Médias seguidas de letras minúsculas distintas na linha, em cada estratégia de manejo e maiúsculas na coluna 104 diferem (P< 0,05) pelo teste SNK. 105 106 Tabela 2 – Altura (cm) de plantas de macaúba submetidas ao pastejo ou roçada em diversas 107 épocas de avaliação 108 Manejo Época Janeiro Março Abril Roçado 132bA 144aA 135bA Pastejado 106bB 130aB 95cB Médias seguidas de letras minúsculas distintas na linha e maiúsculas na coluna diferem (P< 0,05) pelo teste SNK. 109 110 Tabela 3 – Massa de forragem e altura do pasto de Brachiaria decumbens em consorcio com 111 macaúba em diversas épocas de avaliação 112 Época Manejo Roçado Pastejado Roçado Pastejado Altura (cm) Massa de forragem seca (kg/ha) Janeiro 54,63Aa 46,63Ab 3.736aA 2.857aA Março 43,70Ba 26,51Bb 1.812aB 1.533aB Médias seguidas de letras minúsculas distintas na linha, em cada estratégia de manejo e maiúsculas na coluna 113 diferem (P< 0,05) pelo teste SNK. 114 115 REFERÊNCIAS 116 LORENZI, G. M. A. C. Acrocomia aculeata (Jacq.) Lodd. ex Mart. - Arecaceae: bases para o 117 extrativismo sustentável. 2006. 156 f. Tese (Doutorado em Agronomia). Universidade Federal do 118 Paraná, Curitiba, 2006.. 119 MANFIO, C. E. Análise genética no melhoramento da macaúba. 2010. 52 f. Tese (Doutorado 120 em Agronomia)- Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, 2010. 121 MIRISOLA FILHO, L. A. Cultivo e Processamento do coco macaúba para produção de 122 biodiesel. Viçosa: Centro de Produções Técnicas, 2009. 336 p. 123

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