UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL
CURSO DE GRADUAÇÃO EM ARTES VISUAIS - BACHARELADO
SARAH CAIRES CAVALHEIRO DA SI...
SARAH CAIRES CAVALHEIRO DA SILVA
CASA CORPO
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado ao curso de Artes Visuais -
Bachare...
SARAH CAIRES CAVALHEIRO DA SILVA
CASA CORPO
BANCA EXAMINADORA
Campo Grande, ____ de _______________ de 2014
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AGRADECIMENTOS
Ao meu pai que sempre viveu rodeado de tinta e esperou calmamente o
meu despertar para a arte. E principalm...
RESUMO
Este trabalho de conclusão de curso do bacharelado em Artes Visuais
da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul p...
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO.................................................................................................. 07
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INTRODUÇÃO
No cenário contemporâneo há várias maneiras de se registrar imagens
por meio do vídeo; além dos ajustes manua...
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1. A HISTÓRIA DA VIDEOARTE E SEU PANORAMA NO BRASIL
Na primeira metade do século XX houve grandes questionamentos no
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possibilidades estéticas diferentes daquelas exibidas na televisão. Em 1963 ele
interviu nos circuitos internos de uma t...
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ao infinito". Essas imagens poderiam ter trilha musical ou não. Outros efeitos
faziam parte dos sintetizadores, como o ...
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natureza estática do tempo, em sua série entitulada The Reflecting Pool, que
propunha a reflexão à representação da pai...
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Rush (2006, p.92), “contestou o mito da mulher como amante e trabalhadora
miraculosa, belamente esculpida”.
Figura 4 - ...
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subconsciente através dos sonhos e enfatizar o papel do inconsciente na
atividade artistíca. As principais característi...
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Segundo Arlindo Machado (1998), a videoarte no Brasil tem três fases:
na primeira nos anos 1970, era produzida exclusiv...
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novas tecnologias, o que auxiliou alguns videoartistas a realizarem e exibirem
suas produçãos no exterior, como obras d...
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Wolf Vostel, TV De-coll/ages, 1963
Fonte: www.medienkunstnetz.de/assets/img/data/499/bild.jpg
A videoinstalação compree...
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extraídas do mundo físico e do virtual". Mais tarde Oiticica cria Cosmococas
(1973) junto à Neville D'Almeida, onde tra...
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a discussão do sujeito com a vida pública e privada. Em sua videoinstalação
Cartões-postais, que apresentou em 2001 dur...
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Sobre as caracteristicas dessas linguaguens na contemporaneidade
Pinheiro (2011, p.1) explica que está associado à: "a ...
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3. A MULHER SÁBIA COMO POÉTICA DA OBRA
Este trabalho de conclusão de curso, desenvolvido com o suporte da
videoinstalaç...
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confessando que a mulher sábia nos espia do meio do bosque do cerrado. No
capitulo As ávores filhas, a autora compara a...
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Seguindo a ideia de junção da mulher com a natureza tenho como
referência artistas contemporâneos como Meghan Howland, ...
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Na linguagem da fotografia existe uma série chamada Eyes as Big as
Plates, da artista finlandesa Riitta Ikonen e da fot...
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Como referência na linguagem do vídeo fui apresentada às obras de
Joana Corona no Seminário Entre vários olhares: da pi...
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4. CASA CORPO
O Título Casa Corpo tem origem na minha maneira de compreender a
mulher sábia apresentada no livro e em c...
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4.1 O SUPORTE
Na iniciativa que a artista Joana Corona teve em captar o vídeo no mar
na obra Preamar, na imensidão das ...
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Figura 16 - Suporte II
Fonte: da autora
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Figura 18 - Suporte IV
Fonte: da autora
Para dar uma superfície mais lisa aos pedaços de madeira, optei por
passar mass...
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fosco. A Figura 20 mostra a moldura que foi feita com madeira pinus lixada e,
depois, pintada com tinta spray branco fo...
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Seguindo a orientação do Profº Renan Kubota que em uma conversa
sugeriu a disposição um pouco afasta das madeiras uma d...
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A escolha sobre a quantidade e disposição dos tocos no painel foi feita
baseada nesses exemplos, optei por deixar o pai...
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Depois da armação de ferro pronta, fiz o outro painel de mdf com as
mesmas medidas do primeiro, pintei de branco e fiz ...
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Mas dessa maneira também houve problemas com a projeção, porque
seria necessário que o projetor ficasse na posição vert...
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4.2 GRAVAÇÕES DAS IMAGENS
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primeiramente de desenhos e de peq...
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Sendo essa força que nos habita, como autora, tentei me inserir na obra,
assim como vários videoartistas já fizeram: Bi...
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Figura 33 - Aparição III
Fonte: da autora
Figura 34 - Aparição IV
Fonte: da autora
A produção e a gravação foram divida...
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Figura 36 - Negativo
Fonte: da autora
Isso justifica a estética do vídeo que especialmente pelas cores que
resultaram d...
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As cenas com a primeira modelo foram surgindo a partir da tentativa de
explorar os enquadramentos, porque o cenário já ...
39
Na sequencia gravei também minha mão nesse emaranhado de linhas. (Figura
41).
Figura 40 - Linhas
Fonte: da autora
Algum...
40
Com a terceira e última modelo quis montar cenas harmônicas, com a
raiz, o tronco, os cipós e as folhas dessa figueira ...
41
Figura 44 - Regador
Fonte: da autora
Figura 45 - Água
Fonte: da autora
As últimas cenas gravadas novamente em meu jardi...
42
4.3 EDIÇÃO
A construção do vídeo na edição foi totalmente livre, sem uma ideia pré-
formada ou roteiro final. Fui escol...
43
Para introduzir uma nova camada em alguns vídeos, adicionei uma nova
video track no projeto com um Light Leak em tons a...
44
4.4 TRILHA SONORA
A trilha do vídeo é a junção de duas músicas de artistas distintos, a
escolha veio naturalmente de ca...
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Depois levei o arquivo salvo para o Sony Vegas e dupliquei a trilha por
algumas vezes, em seguida fiz junções e cortes ...
46
CONCLUSÃO
No desenvolver desse trabalho pude me aprofundar na linguagem do
vídeo passando pelos seus gêneros e exploran...
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
ANALíVIA CORDEIRO. Obras de Videoarte e Videodança, 1973 M3x3.
Disponivel em: <http://www.an...
48
OITICICA H. Cosmococa 5 Hendrix-war, 1973. Museu Inhotim. Disponível em:
<http://www.inhotim.org.br/inhotim/arte contem...
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REFERENCIAS VIDEOGRÁFICAS
BUTTERFLY. Direção: Nam June Paik, 1986. Videoart, 2'3". Disponível em:
< http://www.youtube....
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APÊNDICE
CASA CORPO
Sarah Caires. Casa Corpo. 16:9, cor, 2’20’’. Videoinstalação.
Painel de mdf, revestidos de tocos (f...
51
CURRICULO
Sarah Caires
Campo Grande, MS, 1993
sarahcaires@yahoo.com.br / sarahcaires.blogspot.com
Exposições
2014
Expos...
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  1. 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL CURSO DE GRADUAÇÃO EM ARTES VISUAIS - BACHARELADO SARAH CAIRES CAVALHEIRO DA SILVA CASA CORPO CAMPO GRANDE 2014
  2. 2. SARAH CAIRES CAVALHEIRO DA SILVA CASA CORPO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de Artes Visuais - Bacharelado, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, como requisito parcial à obtenção do grau de Bacharel em Artes Visuais. Orientadora: Profª Drª Eluiza Bortolotto Ghizzi Co-orientador: Profº. Renan Carvalho Kubota CAMPO GRANDE 2014
  3. 3. SARAH CAIRES CAVALHEIRO DA SILVA CASA CORPO BANCA EXAMINADORA Campo Grande, ____ de _______________ de 2014 ___________________________________ Profª Dª Eluiza Bortolotto Ghizzi Universidade Federal de Mato Grosso do Sul ___________________________________ Profº Me. Renan Carvalho Kubota Universidade Federal de Mato Grosso do Sul ___________________________________ Profº Me. Joaquim Sérgio Borgato Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
  4. 4. AGRADECIMENTOS Ao meu pai que sempre viveu rodeado de tinta e esperou calmamente o meu despertar para a arte. E principalmente pela ajuda que recebi de força física no manusear das ferramentas e pelo transporte de todos os materias necessários pasa a concepção da obra. A toda minha familia que sempre me apoiou e se alegra com minhas conquistas. Ao Oswaldo Guimarães Barbosa pelo apoio emocional, companherismo e carinho neste ano inteiro de trabalho, sempre preocupado com meu bem- estar na realização deste. Ao Profº. Drº. Helio Augusto Godoy que despertou o meu interresse na área do audiovisual, engrandecendo meu olhar pelas imagens em movimento. A Priscila Rodrigues, Nayara Farias e Alline Gois, que aceitaram de imaditado em participar das gravações do vídeo. À Profª. Drª Eluiza Bortolotto Ghizzi e ao Profº Renan Carvoalho Kubota por toda a atenção na orientação. A todos que de alguma forma direta ou indiretamente contribuiram para a realização deste trabalho.
  5. 5. RESUMO Este trabalho de conclusão de curso do bacharelado em Artes Visuais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul propõe, com a videoinstalação Casa Corpo, mostrar a figura feminina em contato direto com os ciclos das árvores, por meio de elementos de composição que remetem à integração da natureza ao corpo da mulher apresentada. A obra final é a projeção de um vídeo em uma instalação fixada na parede, que é um painel composto de vários tocos cortados e pintados de branco dispostos, com inúmeros galhos distribuídos abaixo lembrando raízes. Usei como referência conceitual para essa representação da mulher a literatura da psicanalista Clarissa Pinkola Estes que em seu livro A Ciranda das Mulheres Sábias, compara a vida das mulheres com a vida das árvores. Palavras-chaves: Videoinstalação. Figura Feminina. Árvore.
  6. 6. SUMÁRIO INTRODUÇÃO.................................................................................................. 07 1. A História da Videoarte e seu panorama no Brasil.................................. 08 2. Os precursores da videoinstalação e o cenário contemporâneo.......... 15 3. A Mulher Sábia como poética da obra...................................................... 20 4. Casa Corpo.................................................................................................. 25 4.1 O suporte.................................................................................................... 26 4.2 Gravações das imagens............................................................................. 34 4.3 Edição......................................................................................................... 42 4.4 Trilha Sonora.............................................................................................. 44 CONCLUSÃO.................................................................................................. 46 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................... 47 REFERENCIAS VIDEOGRÁFICAS................................................................ 49 APÊNDICE ..................................................................................................... 50
  7. 7. 7 INTRODUÇÃO No cenário contemporâneo há várias maneiras de se registrar imagens por meio do vídeo; além dos ajustes manuais presentes nas máquinas, e também temos a possibilidade de modificar o real através dos softwares que abrem o olhar para novas expressões artísticas. Fundamentalmente, o modo de apresentação de um vídeo exige um espaço para audiência e uma tela de exibição. No caso da videoarte ou da videoinstalação a exibição ocorre nos circuitos de museu e galeria o espaço expositivo que temos é um espaço escuro como os da sala de um cinema, onde os pontos de luminância da projeção destacam-se. O video na arte contemporanea tem como característica o hibridismo de linguagens no processo criativo e a pluralidade de interpretações, sendo o foco principal a leitura do vídeo como processo. No caso de uma videoinstalação, temos um espaço criado especificamente para a projeção que nesse caso dialoga com o ambiente sensório. O título do trabalho Casa Corpo enuncia o corpo como nossa primeira casa, a mais natural, conectado as forças energéticas tanto de forma biológica quanto de forma psicológica. Pensando no deslocamento do corpo e em tudo que acontece dentro e fora dele, encontrei na psicologia de Jung e na literatura da psicanalista Clarissa Pinkola Estes um modo de entender e esclarecer algumas sensações, emoções, expressões que o corpo nos faz liberar, a partir de um arquétipo feminino que foi a base da minha criação poética na produção do trabalho final. O primeiro capítulo e o segundo discorrem sobre o surgimento da videoarte e da videoinstalação, seus modos de representações e expressões conceituais, o diálogo com o ambiente e alguns exemplos das produções dos precursores da videoarte e videoartistas contemporâneos. O terceiro apresenta a escolha do tema, referencias de outros artistas e o quarto capítulo descreve a videoinstalação que tem como tema o aspecto do feminino e sua relação com a natureza e passo à passo a realização do trabalho.
  8. 8. 8 1. A HISTÓRIA DA VIDEOARTE E SEU PANORAMA NO BRASIL Na primeira metade do século XX houve grandes questionamentos no contexto da arte, voltados principalmente para as técnicas tradicionais da arte; com isso uma postura de caracteristica experimental surge com o abstracionismo, surrealismo, conceitualismo entre outros movimentos. Vemos no inicio do séc. XX inúmeros artistas rompendo os limites, quebrando regras, incorporando novos materiais e suportes em suas obras; alguns tiveram contato com os novos aparatos tecnológicos disponibilizados para amadores e artistas independentes, entre eles, os que possibilitaram experimentações cinematográficas. Nesse periodo a arte dialoga com outras áreas de estudo, como a psicologia e a filosofia de Freud e Nietzsche; nesse diálogo coloca-se o sujeito no centro. Esta visão defendida por Marcel Duchamp, entre outros, põe, de uma nova maneira, o artista bem no centro do empreendimento artistico. Já não estando sujeito à força gravitacional da tela, ele ficou livre para expressar qualquer conceito por qualquer meio possivel. Este conceito pode se relacionar à história da arte, à política do dia, ou à política do eu. (RUSH, 2006, P.1). Depois do "Urinol" de Duchamp o conceito tornou-se uma parte fundamental na arte moderna e contemporânea. A videoarte surge por volta de 1960, contrapondo o cinema clássico que tinha como principal característica a narrativa ficcional com um começo, meio e fim. Esta proporcionava uma visão clara dos acontecimentos, envolvia e fazia o espectador acreditar que a história contada era real. O que determinava os pontos distintos de um filme era a tríade linear que, primeiramente, aparecia no ínicio da obra apresentando os personagens, destacando antagonistas e protagonistas, momento onde também o conflito aparecia. Uma segunda etapa chamada crise evidencia uma virada da narrativa, onde as decisões são tomadas e os problemas começam a ser resolvidos. No desenlace, terceira etapa, é onde o motivo da crise torna-se claro e a objetividade de resolução aparece antecendendo o clímax, onde a história finaliza com a resolução do problema. Como contrapartida dessa estrutura, o artista coreano Nam June Paik (1932-2006), pioneiro no movimento da videoarte, começa a explorar
  9. 9. 9 possibilidades estéticas diferentes daquelas exibidas na televisão. Em 1963 ele interviu nos circuitos internos de uma tv, consequentemente modificando as imagens recebidas pelo receptor; essas experiências foram nomeadas de Distorted TV set (Figura 1). Figura 1 - Distorted TV set Nam June Paik, Distorted TV set, Galerie Parnass, Wuppertal, Germany, 1963 Fonte: http://stoppingoffplace.blogspot.com.br/2010/12/t-v.html Nesses experimentos, mesmo o artista não capturando imagens, ele estava intervindo nelas, de acordo com Arlindo Machado (1988, p. 117): Se pudéssemos resumir numa frase a tendência geral que a chamada vídeo-arte perseguiu na Europa e na América nos últimos 20 anos, diríamos que se trata, antes de mais nada, de distorcer e desintegrar a velha imagem do sistema figurativo, como aliás já vinha acontecendo desde muito antes do terreno das artes plásticas. (MACHADO, 1988, p.17) Anos mais tarde, já nos EUA, Paik continuou a fazer novas experiementações e, em 1969, cria junto ao engenheiro eletrônico Suya Abe um dos primeiros sintetizadores de imagem de vídeo, um dispositivo com modulação de luminância, saturação e cor, capazes de distocer figuras permitindo a criação de imagens abstratas em constante mutação; a novidade introduzida por esse aparelho é o fato de dispensar o referente. Na primeira fase da videoarte a maioria dos artistas exploraram o efeito feedback, um dos princípios básicos dos sintetizadores, conforme Machado explica (1988, p. 125) "Quando a câmera está dirigida para a tela do mesmo monitor ao qual está ligada através do gravador, o resultado é a repetição da imagem da própria tela
  10. 10. 10 ao infinito". Essas imagens poderiam ter trilha musical ou não. Outros efeitos faziam parte dos sintetizadores, como o colorizador, que coloria artificialmente uma imagem monocromatica pré-registrada, e o chomakey que também era usado pela televisão comercial e que dava a possibilidade de inserir uma imagem no interior da outra. Eram utilizados pelos videoartistas para descostruir uma figura, criando recomposição de cena, a exemplo da obra pioneira no uso do vídeo a cores, Three Transitions (1973), executado por Peter Campus (1937), onde o artista se coloca de costas no centro do vídeo, logo é rasgado seu paletó, com isso outro ele surge, como em um renascimento do eu; em outra cena o artista apaga seu próprio rosto para que o nome surja através da sua imagem. Figura 2 - Tree Transitions Peter Campus, Three Transitions, 4:53 min, cor, som, 1973. Fonte: http://www.blogs.erg.be/art2/wp-content/uploads/2011/11/Campus-threetransitions1.jpg O que levou os artistas, como Bruce Nauman (1941), Joan Jonas (1936) e John Baldessari (1931) a utilizarem essas novas mídias eletrônicas foi o seu baixo custo, e sua transmissão instantânea. Todos eles tinham como tema o tempo e a memória. Graham (apud Rush 2006, p.78) “O vídeo devolve dados originais ao ambiente imediato, em tempo presente. O filme é contemplativo e ‘distante’, afasta o observador da realidade presente e faz dele um espectador”. Já Bill Viola (1951) trata o vídeo como expressão intensamente pessoal; a narrativa do eu e do não-eu presente no misticismo oriental o interessava e foi tema central em sua obra. Produziu vídeos altamente polidos e sofisticados. Para Rush (2006 p.106) “O que é vibrante na videoarte é o fato de que engloba tanto orçamentos grandes quanto modestos, ao menos levando-se em conta o que se vê em festivais, museus e galerias”. Entre 1977 e 1979 explorou a
  11. 11. 11 natureza estática do tempo, em sua série entitulada The Reflecting Pool, que propunha a reflexão à representação da paisagem com sensações ilusórias. Figura 3 - The Reflecting Pool Bill Viola, The Reflecting Pool. Cor, som mono, 7'' (1977 - 1979) Fonte: http://sonnart.files.wordpress.com/2010/04/bill-viola-reflecting-pool.jpg Além de se distingir da linguagem do cinema clássico a videoarte em seu início foi também um meio para criticar as comunicações de massa, sobretudo a televisão, que estava presente em 90% dos lares americanos naquela época; críticas à TV foram frequentes e dominaram como tema até 1980; para os artistas ela não passava de um entretenimento comercial, que banalizava assuntos em meio a tantos comerciais que alimentavam o consumo. Entendemos nós que o Vídeo Arte não é, por vezes, um tipo de arte que as pessoas gostariam de possuir, mas sim uma experiência, sendo esta uma das ideias principais e o objeto de reflexão deste trabalho. Com a tendência de redefinir ideias e ideais anteriores sobre arte, alguns dos artistas contemporâneos de Vídeo Arte estavam a tentar acabar com a ideia de que a arte é uma mercadoria, num contexto no qual os artistas procuram uma arte contrária à comercial. (SOARES, 2011, p. 4) O vídeo ganhou boa posição de legitimidade como arte, como pouquíssimos acreditavam. No século XX a videoarte tornou-se atraente aos jovens artistas pelo fácil acesso às novas mídias, possibilitando narrativas, experimentações e transmissão de mensagens pessoais. Houve também a luta pela livre expressão artística da mulher, e arte feminista ganhou forma. Joan Jonas (1936), com suas performances, deixava a exagerada repetição tomar conta, fragmentava e desorientava percepções do corpo feminino, como em Vertical Roll, em que ela aparece batendo a colher contra a câmera, sugerindo uma metáfora da vida doméstica que as mulheres levavam. Assim como ela, outras mulheres, como a artista Dara Birnbaum (1946), trabalharam com a arte do vídeo. Birnbaum se apropriou de imagens da Wonder Woman e, segundo
  12. 12. 12 Rush (2006, p.92), “contestou o mito da mulher como amante e trabalhadora miraculosa, belamente esculpida”. Figura 4 - Wonder Woman Dara Birnbaum, Wonder Woman, 1978-79, 5:50 min, color, sound Fonte: http://www.photography-now.com/images/Bilder/gross/B018071.jpg Podemos ressaltar que o Cinema de Vanguarda foi um movimento importante e que influenciou a videoarte, já que era associado ao cinema anticomercial, quase sempre não narrativo, contra o convencional. Esse cinema independente que ocorreu entre 1921 à 1931 denominou- se Avant-Garde, fazendo parte dos movimentos artísticos como o Expressionismo, Impressionismo, Futurismo, Cubismo, Dadaísmo, Surrealismo. Desde seu inicio o cinema despertou curiosidade entre artistas e intelectuais, pela sua capacidade de convergência de várias artes. Esse movimento não homogêneo aconteceu em diversos países e com inúmeras formas de expressão. Teóricos franceses criaram algumas categorias tentando agrupar a produção desses filmes em diversos países. É comum se falar em três fases da vanguarda cinemátografica, sendo a primeira a vanguarda impressionista, segundo Mantins (2009, p. 53): "Cujo objetivo consistia no desejo de inovar formalmente o sistema de representação cinematográfica no próprio interior da indústria". Teve como principal cineasta Avel Gance, que produziu La Roue (1921/1922). A segunda vanguarda é o cinema surrealista e dadaísta. A primeira obra dessa fase é Anecmic Cinema (1925) de Marcel Duchamp (1887-1968). Quando aconteceu o afastamento do surrealismo do dadaísmo, houve grande influência das teorias psicanalíticas de Sigmund Freud (1856-1939) no movimento surrealista, que buscava explorar emoções reprimidas no
  13. 13. 13 subconsciente através dos sonhos e enfatizar o papel do inconsciente na atividade artistíca. As principais características deste estilo são a combinação do psicológico, do representativo e do abstrato. Seus principais representantes são Salvador Dalí (1904-1989) e Max Ernest (1891-1976). Por último, temos as vanguardas de cineastas independentes ou o documental Mantins (2009, p. 53) explica que "a introdução do cinema sonoro, vem sendo utilizada como referência de encerramento da vanguarda cinematrográfica histórica." O que interessava também não era mais tanto o plano, mas os fotogramas que recebiam interversões como pintura e riscos feitos diretamente na película, colagem e sobreposição de materiais, exposição de luz, alteração de velocidade. Esse processo de produção mostra claramente a relação dos cineastas pintores com a película. Normalmente as produções eram realizadas com recursos próprios dos cineastas, não tinham divulgação e possuiam tempo de duração diferente do padrão; quase sempre eram curtas- metragens, tendo a forma de criação e realização direferente do cinema tradicional. No Brasil não se tem data exata para o começo da videoarte, mas o inicio dessa histografia começa com a obra M 3x3, gravada pela TV Cultura de São Paulo, em 1973, da coreografa e bailarina Analívia Cordeiro (1954), que em seu portfólio virtual descreve: "Os intérpretes são dispostos regularmente numa matriz 3×3, com uma imagem em alto contraste, eles movem-se mecanicamente, como uma crítica à sociedade urbana atual." Figura 5 - M 3X3 Analívia Cordeiro, M 3x3, 11' (1973) Fonte: http://www.analivia.com.br/index.php/1973-m3x3/
  14. 14. 14 Segundo Arlindo Machado (1998), a videoarte no Brasil tem três fases: na primeira nos anos 1970, era produzida exclusivamente por artistas plásticos e sua exibição se restringia apenas a museus e casas de artes; videoartistas dessa época são Andrea Tonacci, Antônio Dias, Letícia Parente e Anna Bella Geiger. Nessa primeira geração as imagens capturadas eram de performaces, um dialogo do corpo do artista com a câmera, esteticamente os videos possuiam apenas um plano único, sem uma pesquisa sobre a linguagem do vídeo. A segunda fase, em 1980, foi a geração do vídeo independente, com videoartistas como Tadeu Jungle, Marcelo Machado, Fernando Meirelles, Pedro Viera e Walter Silveira, cujas produções poderiam ser mais exploradas no campo da imagem vídeográfica de cunho crítico aos dispositivos da TV aberta. Nesse contexto surgiram à produtora Olhar Eletrônico, que na maioria de seus vídeos, parodiavam programas exibidos na televisão comercial. Um personagem que fez sucesso foi Ernesto Varela, um reporter nada convencional interpretado por Marcelo Tas; os outros integrates eram Fernando Meirelles, Renato Barbieri, Paulo Morelli e Marcelo Machado. Outra produtora, a TVDO, tinha forte ligação com movimentos vanguardistas de São Paulo que conseguia transitar entre a cultura popular e a erudita, fortemente influênciado pelo programa Abertura de Glauber Rocha, exibido pela TV Tupi, que estreou em 1979, sob direção de Fernando Barbosa Lima e que depois de um longo periodo de censura, um programa retratava os aspectos políticos reais do Brasil. Era produzido com pouca verba, mas por grandes e vários intelectuais, sendo cada um responsável pelo que dizia. Segundo Mota (2001, p. 82), "Tudo é inédito no esquema de produção do "Abertura", desde a total precariedade e liberdade de expressão de ideias, a criação do tratamento televisual, ao fenômeno de público que ele representou ". Ainda hoje esse programa parece ser atual e inovador, pelo uso da câmera ágil, pelos participantes e entrevistados, e claro pela performance do cineasta Glauber Rocha frente às cameras. Já a terceira fase aconteceu em 1990, com trabalhos mais autorais, pessoais, de temáticas universais e com a preocupação de retratar a subjetividade humana, com a exploração dos dispositivos do vídeo e suas
  15. 15. 15 novas tecnologias, o que auxiliou alguns videoartistas a realizarem e exibirem suas produçãos no exterior, como obras de Sandra Kogut e Eder Santos. 2. OS PRECURSORES DA VIDEOINSTALAÇÃO E O CENÁRIO CONTEMPORÂNEO A videoinstalação surge praticamente no mesmo periodo que a videoarte, até um pouco antes. As instalações midiáticas já estavam presentes na década de 1950 em obras de Gil Wolman, como L'anticoncept, de 1951, em que, segundo Mello (2009, p.173), "O artista expõe, de forma violenta, o efeito de abrir e fechar os olhos, por meio de imagens cinematográficas em preto e branco projetadas em uma estrutura circular. Deste modo como uma forma de desmontagem do plano fixo do cinema os artistas encontram na videoinstação mais um recurso para desenvolver na videoarte a ordem não-linear e não- narrativa das imagens em movimento, instaurando uma nova meneira de pensar o espaço e o movimento em uma obra única. Já em 1958, o artista alemão Wolf Vostel, integrante do Grupo Fluxus, iniciou seus trabalhos entitulados TV De-coll/ages, onde colocou na vitrine de uma loja em Paris televisores sobre móveis e mesas que mostravam imagens distorcidas, questionando a intrusão da televisão na vida cotidiana daquela época. Rush explica (2006, p.111) trata-se de uma: "Obra na qual a forma material é secundária às noções ou idéias que estão por tras da arte". Nam June Paik precursor da videoarte também criou videoinstações em que apropriava-se de televisores e os colocava no espaço da galeria, também projetando imagens distorcidas, na tentativa de pertubar o espectador. Nessa época criticas à televisão eram frequentes. Diferentemente da videoarte a videoinstalação inclui objetos diversos, além da incorporação de práticas como performace, arte acústica, arte corporal e efeitos esculturais à apresentação do vídeo. Figura 6 - TV De-cooll/ages
  16. 16. 16 Wolf Vostel, TV De-coll/ages, 1963 Fonte: www.medienkunstnetz.de/assets/img/data/499/bild.jpg A videoinstalação compreende a expansão do plano da imagem para o plano do ambiente, uma reorganização do espaço sensório. Quando o artista rompe a lógica material importa-se mais com processo de criação do que com a obra final. Além disso, uma dimensão temoral e processo participativos tornam-se importantes: O sentido não é mais dado só a partir do espaço material escultórico ou do espaço bidimencional da tela, mas também pela inclusão da dimensão temporal na obra, a dimensão da vivência, e por uma comunicação mais direta tanto do seu corpo quanto do corpo de quem se relaciona com a obra. (MELLO, 2008, p.170). O ambiente de imersão é um principio estético que estimula a relação com o espaço perceptivo; diferentemente do cinema, não mantém um espaço ilusionista. Em 1960, no Brasil, Helio Oiticica cria os primeiros Núcleos, nomeados também de Penetravéis e Manifestações Ambientais, trabalhos que permitem a experiência de interação sensória, sendo uma saída do plano material e pictório para um plano vivencial e de ação artística. Figura 7 - Penetrável Helio Oiticica, Penetrável PN1 [Penetrável PN1, Homemagem a Mário Pedrosa], 1960. 204 x 150 x 150 cm, Projeto Helio Oiticica (Rio de Janeiro, RJ) Fonte: www.itaucultural.org.br/bcodeimagens/imagens_publico/008587000009.jpg Os conceitos de Oiticica dialogam com as videoinstalações, segundo Mello (2008, p. 174): "Fazendo, de diferentes modos, com que o visitante as penetre por meio da imersão em espaços híbridos, mistura de realidades
  17. 17. 17 extraídas do mundo físico e do virtual". Mais tarde Oiticica cria Cosmococas (1973) junto à Neville D'Almeida, onde trabalham com instalações chamadas de "quasi-cinemas", nos quais as projeções em instalações ambientais submetem o espectador a experiências multisensoriais. Só em 1980 é que realmente as videoinstalções ganharam repercursão pelo Brasil. Assemelhando-se aos videowaals, que eram aparelhos de TV empilhados que formavam uma parede de vídeo, aparecem em obras de artistas como Rafael França, Tadeu Jungle, Walter Silveira e Roberto Sandoval. Nos anos de 1990 artistas da videoarte também produzem vídeoinstalações. Sandra Kogut desenvolve suas Videocabines, instaladas em vários locais do Rio de Janeiro; o visitante entrava na cabine individual de vídeo por trinta segundos com a capacidade de gravação e edição, tendo contato Íntimo com a TV intervindo ou apenas sendo telespectador. Eder Santos é outro artista nessa àrea que possui uma das poéticas mais densas no meio eletrônico em nosso país; suas obras já foram apresentadas em 20 países e em diversos festivais. No fim dos anos 1990 houve a passagem do analógico para o digital. Alguns vídeos que ilustram essa passagem são Web poem: vazio de ar cheio de luz (2001), de Alberto Saraiv; Macro e micro (1999) e Macro e micro II (2002), de Júlio Rodriguez; e Consolidação eletroenciclopédica (1996), de Bruno de Carvalho. A videoinstalação contemporanêa traz como poética a conexão do espaço expositivo com o espaço da vida. Ela se apresenta como um dispositivo capaz de expor movimentos entre o que é real e o que é construção, intercambiados continuamente, gerando uma ambiguidade capaz de nos fazer entrar num jogo narrativo muito mais complexo e desconcertante sobre os confrontos com a vida real e certos dilemas da sociedade. (MELLO, 2008, p.183). A videoarte e a videoinstalação ultrapassam as fronteiras entre a ficção e o documentário, o vivido e o imaginado, o visível e o sugerido. Um artista que rompe tais fronteiras é Lucas Bambozzi, que explora a poética da intimidade mediada, com a intensão de partilha e troca com o sujeito. É importante que o artista vivencie realmente a situação em que a obra o coloca, preocupado com a experiência íntima vivida no processo de execução do trabalho e promovendo
  18. 18. 18 a discussão do sujeito com a vida pública e privada. Em sua videoinstalação Cartões-postais, que apresentou em 2001 durante o evento Carlton Arts em São Paulo, Bambozi apropriou-se de cartões-postais de várias cidades do mundo mostrando e seus pontos turiscos, locais que ele também já havia visitado. Mello (2008, p.184) explica que "esses cartões foram apresentados individualmente em bases de ferro, presos entre placas de vidro suspensos a alturas variáveis em torno de 1,60 m no espaço expositivo". De um lado era visto a frente do cartão postal com a foto do cénario urbano comerciado diariamente ao redor do mundo e, ao verso, eram apresentadas imagens em movimento feitas pelo artista no ponto turístico retratado nos postais, como um documento de sua viagem por essas cidades. A sonoridade era proporcionada pelos ruídos originais da captação dos vídeos, além disso trilhas sonoras foram criadas especialmente para cada um dos postais e poderiam ser ouvidos em headfones individuais disponibilizados no local. O projeto intitulado Cartões- Postais, continua sendo executado pelo artista, caracterizando-se como obra ainda em andamento. Figura 8 - Cartões Postais Lucas Bambozzi. Cartões-Postais. Fonte: www.lucasbambozzi.net/projetosprojects/the-postcards-project É comum ver no meio contemporâneo o caráter documental nas videoartes e videoinstalações associado às experiencias íntimas do artista que são, por meio das obras compartilhadas com o público. É a própria experiência como proposição de arte, Esses trabalhos deflagram e permitem ao público viver o seu processo de criação. Tais práticas processam muito mais sua estética em termos de obra inacabada do que acabada, pois importa menos o sentido final depositado no trabalho e mais qualidade com que é empreendida a vivência dos sentidos no interior dele. (MELLO, 2008, p.187)
  19. 19. 19 Sobre as caracteristicas dessas linguaguens na contemporaneidade Pinheiro (2011, p.1) explica que está associado à: "a condição da existência pós-moderna: a identidade pessoal em contraponto com a identidade da humanidade, a culpa, o medo, o amor, a memória, a morte, a relação do homem com o seu ambiente". O que se vê são as formas de subjetividade impostas pelo tempo e efeitos inseridos, muitas vezes, na pós-produção das imagens, como a fragmentação, a ampliação e a repetição ou, simplesmente, a aparição de imagens monótonas. Na videoinstalação os artistas procuram expandir o vídeo além do limite que a tela delimita, criam ambientes na arquitetura, incluem o espectador no processo de significação, aguçando a percepção sensorial e resaltam os aspectos documentais na arte.
  20. 20. 20 3. A MULHER SÁBIA COMO POÉTICA DA OBRA Este trabalho de conclusão de curso, desenvolvido com o suporte da videoinstalação, conta com a representação do elemento da árvore, que intuitivamente já apareceu em meus trabalhos anteriores na pintura. Aqui ele é retomado tendo como principal motivação a integração da figura feminina com a natureza. Com os fragmentos da imagem da árvore elaborei uma poética sensivel de imagens que apresentaram uma fusão contemporânea feminina com a natureza, algo talvez esquecido mas que era profundamente importante para nossas ancestrais. Isso é, ao mesmo tempo, da nossa relação com a natureza, fruto de uma proposta artística e de cunho pessoal. A realização do trabalho teve como uma referência teórica a psicologia analítica de Jung, seus estudos sobre os arquétipos femininos, que fazem parte do que ele denominou de Inconsciente Coletivo. O arquétipo representa essencialmente um conteúdo inconsciente, o qual se modifica através de sua conscientização e percepção, assumindo matizes que variam de acordo com a consciência individual na qual se manifesta. (JUNG, 2000, p.17) Tive conhecimento dessa teoria em forma contos, mitos e lendas, primeiramente sob a ótica de Clarissa Pinkola Estes, analista jungiana que publicou em 1999 o livro Mulheres que Correm com os Lobos, mitos e histórias do arquétipo da Mulher Selvagem, que auxilia na recuperação da psique instintiva natural. Seu livro A ciranda das Mulheres Sábias, que me auxiliou no processo de criação, apresenta "o arquétipo irresistível da mulher sábia", como podendo pertencer a mulheres de qualquer idade e manifestando-se sob formas singulares na vida de cada uma. A grande avó é a representação desse arquétipo, possuindo atributos paradoxais "ser jovem enquanto velha e velha enquanto jovem"; não existe idade cronológica que a defina: A grande perspicácia, a grande capacidade de premonição, a grande paz, expansividade, sensualidade, a grande criatividade, argúcia e coragem para o aprendizado, ou seja, ser sábia não chega de repende perfeitamente formada e se molda como uma capa sobre os ombros de uma mulher de determinada idade. (ESTES, 2007, p.4). Estes anuncia que há uma floresta feminina interior guardada, que nos espera enviando suas raizes pela psique de todos os modos possiveis,
  21. 21. 21 confessando que a mulher sábia nos espia do meio do bosque do cerrado. No capitulo As ávores filhas, a autora compara a vida de uma árvore com a vida de uma mulher, esclarecendo que por baixo da terra toda árvore possui uma árvore oculta, onde raízes são regadas por águas invisíveis que geram energia natural e verdadeira, fazendo-a crescer e alcançar céu aberto. O mesmo acontece com uma mulher; nela também existe não uma árvore, mas uma mulher oculta que procura expandir seu espírito em busca do essencial da vida. Sinais emanados por essa mulher consistem em energias vitais que podem ser lançadas e canalizadas em forma de poesia, pintura, dança, escultura, sonhos e em diversas linguagens no campo das artes. Todas essas fontes são canais de autoconhecimento, sendo expressão da nossa força interior. Para a autora (2007, p. 41) "O fato de uma mulher em processo permanente de tornar-se mais sábia estar constantemente se enraizando na vida da alma é um extremo ato de liberação." Escolher aprender o novo é uma abertura para encontramos o significado do espirito da "grande avó", que ensina a lutar por vida nova e crescer com sabedoria, nos alertando sempre para não cairmos em um vazio de uma conformidade cuidadosamente cultivada. Quando uma arvóre é cortada, segundo a autora, o seu cepo ainda guarda a raiz, as árvores filhas provêm dessa raiz mais antiga como pequenos brotos que nascem em torno de sua borda. Isso traz um significado de ciclos, de que quando algo morre algo novo com a mesma essência nasce. Utilizando deste capítulo e da metáfora estabelecida pela autora, uso a minha própria liberdade de manifestar artisticamente a minha interpretação, em forma de imagens, nas linguagens do vídeo e da instalação. Adicionando pensamentos e conclusões sobre o tema. Pretendi alcançar um resultado estético de origem íntimo em contato com o natural. Fui guiada pelo capitulo As árvores filhas, onde a autora explica sobre a hipótese já descrita por Jung sobre o inconsciente psicóide, que seria um lugar na psique onde a psicologia e a biologia poderiam se influênciar, como se houvesse lá uma energia armazenada e residente, mas de origem misteriosa. Ela destaca que as arvóres filhas crescem direto da raiz da mãe sábia, que impulsiona e gera forças para fluir naturalmente para fora.
  22. 22. 22 Seguindo a ideia de junção da mulher com a natureza tenho como referência artistas contemporâneos como Meghan Howland, nascida em 1985 que em retratos a óleo, soprepõe um mistério que rodea a figura principal, criando uma atmosfera dramática em sua obra, como se pode ver na Figura 9 e Figura 10. Figura 9 - Ecstatica-II Meghan Howland, Ecstatica-II,60 x 48, oil on two panels, 2013 Fonte: www.meghanhowland.com/paintings-2013 Figura 10 - Folly Meghan Howland, Folly, 34 x 24, oil on linen, 2013 Fonte: www.meghanhowland.com/paintings-2013
  23. 23. 23 Na linguagem da fotografia existe uma série chamada Eyes as Big as Plates, da artista finlandesa Riitta Ikonen e da fotógrafa norueguesa Karoline Hjorth que inspiradas no folclore norueguês reunem idosos que personificam a natureza utilizando de elementos que os integram e, muitas vezes, os camuflam em paisagens naturais, como se pode ver na Figura 11 e na Figura 12: Figura 11 - Norway / Bengt Riitta Ikonen e Karoline Hjorth, Norway / Bengt I, Eyes as Big as Plates. May 2011 Fonte: www.riittakonen.com/n5bk53m0g0dzyrkf7dkmnozola4nfe Figura 12 - Norway / Bengt I Riitta Ikonen e Karoline Hjorth, Norway / Bengt, May 2011 Fonte: www.riittakonen.com/9qk70m78e5vk30ck8ltxwj6axg4yy
  24. 24. 24 Como referência na linguagem do vídeo fui apresentada às obras de Joana Corona no Seminário Entre vários olhares: da pintura a intervenção; a artista foi citada na Palestra de Marília Panitz, de Brasília, que aconteceu no MARCO. Joana, além de artista também era poeta; conheci a obra Preamar, uma videoinstalação que fez parte da Exposição Individual VERSO da artista, no museu da Gravura Cidade de Curitiba. Ela apresentou esse trabalho em uma sala escura, toda preta inclusive o chão; a projeção das imagens foi feita em uma placa de MDF inclinada distante do chão; isso dava a sensação do vídeo estar flutuando no espaço o que era reforçado pelo movimento da água. Sobre o processo de criação Joana, em seu portfólio digital, descreve: O vídeo foi feito captando-se a projeção de um poema na água do mar e na areia, à noite. Assim, há o movimento das ondas e da água indo e vindo, ao mesmo tempo em que outra imagem de água, desta vez com mais profundidade, é sobreposta àquela. São camadas de texto e águas. (CORONA, 2010.). Figura 13 - Preamar Joana Corona, Preamar, 2010 Fonte: http://joanacorona.wordpress.com/2010/06/19/preamar/
  25. 25. 25 4. CASA CORPO O Título Casa Corpo tem origem na minha maneira de compreender a mulher sábia apresentada no livro e em contato direto com a natureza. Entendo o corpo como uma primeira casa, cheia de sensações e descobrimentos; o processo todo da obra foi para mim um descobrimento. A leitura do livro aflorou em mim uma energia que eu quis explorar, porque em trabalhos anteriores algo com esse tema já invadiam minhas pinturas. Figura 14 - Floema Sarah Caires, Floema, Técnica mista s/ mdf , 2014 Fonte: da autora Tentei explorar neste trabalho final, o sentimento, as sensações, as mudanças de ciclos, a beleza da árvore e a sua forma imagética de desdobramentos das imagens por meio dos filtros, nos levando a sensações harmônicas desse interior do corpo, que chamei de Casa Corpo.
  26. 26. 26 4.1 O SUPORTE Na iniciativa que a artista Joana Corona teve em captar o vídeo no mar na obra Preamar, na imensidão das águas salgadas que movimenta-se constantemente e onde não há controle, percebi as inúmeras possibilidades de projeção de um vídeo, tanto na arquitetura quanto em suportes orgânicos e naturais. Para a o meu trabalho primeiramente escolhi compor uma tela de exibição feita de galhos de árvores cortados de modo a gerar pequenos tocos de madeira que foram colados em um painel de mdf, de modo que a área do corte servisse de suporte para a projeção e que fizesse parte da estética do vídeo. Esses tocos simbolizam cepos, que a autora do Livro A ciranda das Mulheres Sábias explica que é a parte da árvore que resta ao solo quando ela é cortada, de modo que a raiz ainda permaneça na terra. Tendo ainda esse contato direto com o solo, apesar do corte, há a possibilidade de sobrevivência dessa árvore, uma superfície onde brotos ainda possam surgir, uma nova vida nasce por metaforicamente, o vídeo se caracteriza por ser esse broto. Comecei a coletar galhos e a cortá-los. Nas Figuras 15 e 16 temos a montagem e a finalização de uma tela pequena medindo 38 centimetros de comprimento por 28 centimetros de largura, feita para as experimentações necessárias à projeção, com cortes de galhos de diferentes diâmetros. Figura 15 - Suporte I Fonte: da autora
  27. 27. 27 Figura 16 - Suporte II Fonte: da autora O primeiro teste de projeção foi feito na textura original da madeira, mas as imagens desapareceram na cor natural da superfície cortada; eram vistos apenas pontos de luz do projetor. Então para resolver o problema pintei todo o painel com spray branco fosco, como mostra a Figura 17 para criar uma superfície capaz de refletir melhor as imagens. Sem nenhum tipo de acabamento a madeira ficou áspera e a tinta spray não deu a cobertura necessária, mas mesmo assim a superfície do segundo teste atendeu as expectativas da projeção, como mostra à Figura 18. Figura 17 - Suporte III Fonte: da autora
  28. 28. 28 Figura 18 - Suporte IV Fonte: da autora Para dar uma superfície mais lisa aos pedaços de madeira, optei por passar massa pva acrílica em todos eles; alguns passaram por este processo mais de uma vez e depois, lixei um a um como ilustra a Figura 19. Depois desse processo pintei-os os com tinta acrílica branco fosco. Figura 19 - Galhos Cortados Fonte: da autora A madeira escolhida como suporte para serem colados os tocos foi o mdf, com a espessura de 12mm, também pintado com tinta acrílica branco
  29. 29. 29 fosco. A Figura 20 mostra a moldura que foi feita com madeira pinus lixada e, depois, pintada com tinta spray branco fosco. Figura 20 - Moldura Fonte: da autora Figura 21 – Painel Fonte: da autora A figura 21 mostra uma alteração feita na quantidade de tocos que seriam fixados no suporte de mdf, optando por não cobrir todo o suporte com os tocos de madeira, mas apenas parte dele, de modo que a projeção assume ora dialoga, com o suporte liso, ora com a parte escultórica.
  30. 30. 30 Seguindo a orientação do Profº Renan Kubota que em uma conversa sugeriu a disposição um pouco afasta das madeiras uma das outras, decidi fazer algumas experimentações no photoshop, sobrepondo duas fotografias: uma do painel com poucos tocos e outra no painel todo coberto deles. Com isso visualizei com clareza as duas possibilidades. As figuras 22 e 23 ilustram parte desse processo em que foram usadas à mesma fotografia do frame do vídeo com o filtro Multiply e foram alteradas as fotos do suporte em diferentes maneiras de disposição dos tocos. Figura 22 – Disposição das madeiras Fonte: da autora Figura 23 – Disposição das madeiras Fonte: da autora
  31. 31. 31 A escolha sobre a quantidade e disposição dos tocos no painel foi feita baseada nesses exemplos, optei por deixar o painel com poucas madeiras para a melhor apreciação do vídeo como na figura 22. Já que, como mostra na figura 23 o vídeo tem uma deformação grande e perda de referencias. Depois do painel pronto, repensei todo o projeto da instalação que inicialmente iria ser exposta na parede como um quadro. À principio tentei imaginar um modo diferente de fazer a projeção. Então fiz um projeto de uma mesa baixa de ferro, mais ou menos com a altura do cepo que fica aparente quando uma árvore grande é cortada. A armação da mesa foi feitamedindo 50 centimetros nos pés traseiros e 40 centimetros nos pés dianteiros, trazendo uma inclinação. E seria necessária mais uma placa de mdf, com as mesmas medidas do painel de projeção, que ficariam por baixo, e teriam furos para que galhos secos de ´rvore (finos e longos, com ramificação) cortados pudessem ser colados, simbolizando as raízes desses pequenos tocos cortados do painel. As figuras 24 e 25 mostra um esboço da ideia. Figura 24 - Projeto Dois I Fonte: da autora Figura 25 - Projeto Dois II Fonte: da autora
  32. 32. 32 Depois da armação de ferro pronta, fiz o outro painel de mdf com as mesmas medidas do primeiro, pintei de branco e fiz os furos para o encaixe dos galhos. A coleta dos galhos foi feita o ano todo, então somente selecionei aqueles que possuíam mais ramificações e tortuosidades para que saíssem do limite da medida do suporte da instalação. As figuras 26 e 27 mostram a execução e finalização do projeto. Figura 26 - Seleção dos galhos Fonte: da autora Figura 27 - Projeto Finalizado. Fonte: da autora
  33. 33. 33 Mas dessa maneira também houve problemas com a projeção, porque seria necessário que o projetor ficasse na posição vertical para que as imagens fossem projetadas para baixo. A solução cortar uns dos pés da mesa para que ficassem na mesma altura e fixar o painel na parede, o projetor então ficaria na sua posição habitual. E para que os galhos tivessem destaque fixei atrás do mdf luzes de led. A figura 29 mostra a obra exposta na sala alternativa da Unidade 8 no dia da apresentação da banca. Figura 28 – Obra finalizada e fixada na parede Fonte: da autora Figura 29 – Obra exposta Fonte: da autora
  34. 34. 34 4.2 GRAVAÇÕES DAS IMAGENS A escolha das imagens para serem inseridas no vídeo surgiu primeiramente de desenhos e de pequenas frases escritas por mim. Mesmo não executando exatamente como desenhei, esses registros serviram-me como suporte para a concretização do vídeo. Alguns desses esboços são mostrados na Figura 30. Figura 30 - Esboços Fonte: da autora A árvore e a mulher são protagonistas do vídeo, respeitando a intensão da obra de mostrar a figura feminina em contato com a árvore e sua passagem pelos ciclos naturais, sua força e vida que brotam da terra. O arquétipo da mulher sábia tem como símbolo a avó e segundo a psicanalista Clarissa Pinkola toda mulher possui uma floresta interior, com períodos de expansão e reinvenção, que dependem dos ciclos; e para explicar a energia vital de uma mulher faz-se necessário à poesia. A dança, a pintura, a escultura, os ofícios do tear e da terra, o teatro, os adornos pessoais, as invensões, escritos apaixonados, estudo em livros e nos nossos sonhos, conversas com outras que sejam sábias, o atento intuir, refletir, sentir e pressentir... Criações e realizações de todos os tipos são necessárias... Pois existem certos assuntos místicos que as palavras concretas isoladas não conseguem expressar, mas que as ciências, contemplações do que é invisível porém palpável, e as artes conseguem. (ESTES, 2007, p.28,29)
  35. 35. 35 Sendo essa força que nos habita, como autora, tentei me inserir na obra, assim como vários videoartistas já fizeram: Bill Viola, Anna Bella Geiger, Letícia Parante. A principio tentei gravar partes do meu corpo, principalmente os pés e as mãos, mas encontrei certas dificuldades, principalmente nos enquadramentos; e experimentei também a minha aparacição de corpo inteiro. Há poucas gravações nas quais estou inserida que apareceram no resultado final. A figura 31 mostra uma fotografia do frame exemplo de minha aparição no vídeo. As figuras 32,33,34 são exemplos que foram descartados na edição. Figura 31 - Aparição I Fonte: da autora Figura 32 - Aparição II Fonte: da autora
  36. 36. 36 Figura 33 - Aparição III Fonte: da autora Figura 34 - Aparição IV Fonte: da autora A produção e a gravação foram dividas em duas etapas, primeiramente foram feitas as gravações com minhas aparições e as gravações com outras mulheres. As cenas iniciais da segunda etapa foram realizadas na minha casa, no jardim de inverno alterado com a inserção no espaço, galhos da árvore do meu quintal, que caíram com o vento. O que aconteceu de diferente nessas gravações é que acrescentei na frente da lente da câmera um negativo que encontrei de fotos antigas da infância, dobrei e colei com fita crepe para ficar seguro na câmera. Como na Figura 35. Figura 35 - Negativo Fonte: da autora
  37. 37. 37 Figura 36 - Negativo Fonte: da autora Isso justifica a estética do vídeo que especialmente pelas cores que resultaram desse processo, sugere algo onírico. A partir daí a paleta de cores da estética do vídeo ficou resolvida, já que eu iria tentar algo parecido na edição, isso então facilitou e polpou muito trabalho de pós-produção. A figura 37 foi umas das primeiras imagens nessa ténica descoberta pela curiosidade de usar objetos em frente à câmera, com o foco principal na mulher como raiz, a partir dos galhos que nascem e florescem. Outros experimentos desse tipo foram executados com objetos como o vidro, em trabalhos anteriores feitos para Oficina de Vídeo do Curso de Artes Visuais. Figura 37 - Experimento com negativo I Fonte: da autora
  38. 38. 38 As cenas com a primeira modelo foram surgindo a partir da tentativa de explorar os enquadramentos, porque o cenário já estava montado. Como fiz algumas cenas no jardim de inverno em minha casa, tentei explorar ambientes externos com a atmosfera dos galhos secos, tentei algumas cenas no campus da UFMS, mas na primeira tentativa não tive sucesso e as imagens não funcionaram como eu gostaria; e isso também foi descartado na edição. Um dos motivos foi luz muito forte, razão pela qual não tive bom resultado com o negativo que estava colado na frente da camera, as informações ficaram confusas. Não consegui boa composição nos ângulos dos enquadramentos. Figura 38 - Experimento locação externa Fonte: da autora Então parti com uma segunda modelo para o primeiro cenário. Nos galhos foram pendurados barbantes que balançavam com o vento, como hastes flexíveis em movimento, sugerindo pequenos e finos cipós inventados na performance da cena em harmonia entre esses fios e a com a mão da modelo, simbolizando o movimento do fazer. Figura 39 - Experimento locação interna Fonte: da autora
  39. 39. 39 Na sequencia gravei também minha mão nesse emaranhado de linhas. (Figura 41). Figura 40 - Linhas Fonte: da autora Algumas semanas depois resolvi tentar novamente o ambiente externo da UFMS, desta vez na figueira próxima à Unidade 8, com suas raízes fartas e exuberantes. A figura 41 mostra o meu descobrimento da àrvore como cenário, no periodo do primeiro semestre do Trabalho de Concusão de Curso, foto pelo orientador dessa primeira etapa, Helio Godoy. Figura 41 - Árvore Figueira Fonte: Helio Augusto Godoy
  40. 40. 40 Com a terceira e última modelo quis montar cenas harmônicas, com a raiz, o tronco, os cipós e as folhas dessa figueira como nas figuras 42 e 43 . As cenas gravadas na àrvore dão a sensação de fertilidade, de cultivo e do descobrimento da relação entre o feminino e a natureza, e entra no vídeo como uma certa aceitação dos ciclos. A mulher descobre então uma maneira de estar em harmonia, nutrindo-se para conscientemente crescer e florescer. Toda parte seca passa e a fertilidade é reafirmada depois com a àgua que caí do regador. (Figuras 44) Figura 42 - Gravação externa na Figueira I Fonte: da autora Figura 43 - Gravação externa na Figueira I Fonte: da autora
  41. 41. 41 Figura 44 - Regador Fonte: da autora Figura 45 - Água Fonte: da autora As últimas cenas gravadas novamente em meu jardim de inverno, que recebeu inúmeras plantas após a retirada dos galhos secos. O cepo aparece no fim da edição; por fim os pés como broto dançam sobre cepo. (Figuras 45 e 46). Figura 46 - Cepo Fonte: da autora
  42. 42. 42 4.3 EDIÇÃO A construção do vídeo na edição foi totalmente livre, sem uma ideia pré- formada ou roteiro final. Fui escolhendo naturalmente cada segundo de mudança de cena. Decidi começar pelos ultimos vídeos gravados, pelas raízes da árvore em contato físico com os pés descalços, um ponto de contato comum com a terra e o chão que os pés possuem e que as raízes possuem tão profundamente. Utilizei o programa de edição de vídeo Sony Vegas (Figura 47). Figura 45 - Montagem I Fonte: da autora Grande parte das imagens passaram pelo efeito Color Curves que ajusta a luz das cenas, e Color Corrector que ajusta cores. A trasição utilizada foi Yellow Flash, assim como o nome sugere, ele tem um clarão em tom amarelado que dura alguns segundos. Figura 46 - Montagem I Fonte: da autora
  43. 43. 43 Para introduzir uma nova camada em alguns vídeos, adicionei uma nova video track no projeto com um Light Leak em tons amarelos e alaranjados com 26% de opacidade, pra criar um tom mais quente e utilizei o filtro Screen. (Figuras 47). Figura 47- Utilização Light Leak Fonte: da autora Quando houve duplicações de um mesmo vídeo também utlizei o filtro Screen, um dos vídeos duplicados teve a cor alterada e a opacidade também. No gráfico da figura 49 a opacidade é a linha azul horizontal, que corta a track do vídeo; a figura 49 mostra o processo e a figura 50 mostra o resultado final. Figura 48 - Sobreposição I Fonte: da autora Figura 49 - Sobreposição II Fonte: da autora
  44. 44. 44 4.4 TRILHA SONORA A trilha do vídeo é a junção de duas músicas de artistas distintos, a escolha veio naturalmente de canções que acompanharam o meu processo de trabalho em toda a montagem do painel de exibição. Escutei repetidas vezes os albuns Cavalo e Quebra-Azul; o primeiro de Rodrigo Amarante e o segundo da Banda Baleia. Tentei prestar atenção nas partes mais instrumentais das músicas, pois não queria o conjunto completo com a voz inserida, minha busca foi tirar exatamente essa referencia. A primeira musica escolhida foi Despertor da Banda Baleia, cortes e junções dos pedaços instrumentais da canção foram feitos no programa de edição de vídeo Sony Vegas, a Figura 50 mostra o Audio Track, onde a música aparece na cor verde e os cortes são simbolizados pelas linhas pretas e as linhas azuis com faixa cinza são as junções das partes. Figura 50- Trilha Sonora I Fonte: da autora A Segunda musica escolhida foi The Ribbon; essa passou pelo processo de edição em um programa específico pra música, o Audacity. O que me interessou nessa canção foi os primeiros 30 segundos. Usei a ferramenta alterar velocidade e essa parte ficou mais lenta, alongando a trilha em 48 segundos. (Figura 51) Figura 51 - Trilha Sonora Fonte: da autora
  45. 45. 45 Depois levei o arquivo salvo para o Sony Vegas e dupliquei a trilha por algumas vezes, em seguida fiz junções e cortes assim como na música anterior. Na figura abaixo a música aparece na cor azul escuro, as junções são as linhas azuis com as faixas cinzas; os cortes aparecem nas linhas pretas. Figura 52 - Trilha Sonora 3 Fonte: da autora Na próxima imagem os dois áudios de cada musica aparecem em cores diferentes e compondo a trilha. Figura 53- Trilha Sonora IV Fonte: da autora
  46. 46. 46 CONCLUSÃO No desenvolver desse trabalho pude me aprofundar na linguagem do vídeo passando pelos seus gêneros e explorando suas expressões artísticas por meio da videoarte e da videoinstalação, que são modos de explorar o vídeo na arte comtempônea. A principio o trabalho seria a apresentação de uma videoarte, mas estudando sobre as possibilidades que a arte contemporânea oferece, principalmente com as novas mídias, me deparei com a videoinslação, que permite pensar além do vídeo o espaço físico para a projeção, proporcionando um ambiente de imersão que estimula a relação da imagem projetada com o espaço perceptivo. Intrepretei as histórias do livro A Ciranda das Mulheres Sábias da psicanalista Clarissa Pinkola Estes; as absorvi e as transformei em imagens. A produção artística e trabalho teórico tratam de processos do íntimo feminino, do corpo que é casa, da natureza comum entre árvores e mulheres. Valorizo cada detalhe do projeto, desde os rascunhos e frases pequenas, a escolha dos lugares e das mulheres representadas no vídeo, a concepção do painel de madeira que ajudam a dar o sentido conceitual ao trabalho, o suporte feito de madeirinhas cortadas simbolizando os cepos, as raizes sugeridas pelos galhos que empurram a força em forma de brotos pra uma vida nova, até o vídeo caracterizado pela efemeridade e pela luminância que dá vida nova à um objeto cortado. O trabalho de pesquisa me fez reunir um material consistente sobre os processos da história do vídeo sobre a precariedade do começo, com as poucas câmeras, as gravações em preto e branco depois a possibilidade de gravar a cores e toda a revolução digital além dos processos de pós-produção. A utilização dessa linguagem ultrapassa fronteiras e está presente em várias áreas do conhecimento. Com essa pluralidade na arte contemporânea explorei a psicologia, a árvore e a figura feminina nas imagens em movimento, trabalhei com programas de edição de imagens e de musicas, criando uma estética que leva a observação pra dentro, para o íntimo e a subjetivade.
  47. 47. 47 REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS ANALíVIA CORDEIRO. Obras de Videoarte e Videodança, 1973 M3x3. Disponivel em: <http://www.analivia.com.br/index.php/1973-m3x3/> Acesso em: 26 Abr. 2014. CARILHO, Raquel Martins. Vídeo-Arte e Cinema – Cruzamento de Linguagens Contemporâneas. 2009, 96 f. Dissertação - Universidade de Aveiro - Departamento de Comunicação e Arte, Portugual, 2009. ESTÉS, C. P. A Ciranda das Mulheres Sábias. Trad. Waldéa Barcellos. Edição online. Rio de Janeiro: Rocco, 2007. Hélio Oicitica. In: Enciclopédia Itaú Cultural. (org.). Disponível em: <http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseac on=artistas_biografia&cd_verbete=2020> Acesso em 05 de Nov. de 2014. JUNG, C.G. Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo. Trad. Maria Luíza Appy, Dora Mariana R. Ferreira da Silva. Perrópolis, RJ: Vozes, 2000. LIMA, Marilia. Videoarte no Brasil: história e conceitos. Disponível em: <http://www2.metodista.br/unesco/1_Celacom%202010/arquivos/Trabalhos/1 Videoarte%20no%20Brarsil_Mar%C3%ADliaXavier.pdf> Acesso em: 25 Abr. 2014. MACHADO, Arlindo. A Arte do Vídeo. São Paulo: Editora Brasiliense, 1998. MANTIS, India Mara. Documentário Animado: Experimentação, Tecnologia e Design. 2009. Tese Doutorado - PUC-Rio, Rio de Janeiro 2009. MEGHAN HOWLAND. Paintings 2013. Disponível em: <http://www.meghanhowland.com/> Acesso em: 14 Abr. 2014. MELLO, Christine. Extremidades do Vídeo. São Paulo: Editora Senac, 2008. MIGUEL MARQUES. Entre o Humano e a Natureza. Disponível em: <http://comsciencia.net/2013/04/06/entre-o-humano-e-a-natureza/> Acesso em: 12 Abr. 2014. MOTA, Regina. A Épica Eletrîonica de Glauber: um estudo sobre cinema e tv. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2001.
  48. 48. 48 OITICICA H. Cosmococa 5 Hendrix-war, 1973. Museu Inhotim. Disponível em: <http://www.inhotim.org.br/inhotim/arte contemporanea/obras/galeria cosmococa/> Acesso em 05 de Nov. de 2014. PINHEIRO, Joana. Sublimação do Vazio: a fragmentação na narrativa na videoarte. 2011, 59 f. Dissertação - Universidade de Aveiro - Departamento de Comunicação e Arte. Portugual, 2009. POSTCARDS PROJECT. Lucas Bambozzi. Disponível em: <http://www.lucasbambozzi.net/projetosprojects/the-postcards-project> Acesso em 22 de Mai 2014. RIITTA IKONEN. Eyes as big as plates. Disponível em: <http://www.riittaikonen.com/> Acesso em:13 Abr. 2014. RUSH, Michael. Novas Mídias na Arte Contemporânea. São Paulo: Martins Fontes, 2006. SOARES, Ana Teresa de Lobo e. Video Arte - uma abordagem da Arte Contemporânea no ensino artístico. 2011, 99f. Dissertação - Universidade de Aveiro- Departamento de Comunicação e Arte, Portugual, 2011. ZANI, Ricardo. Cinema e narrativas: uma incursão em suas características clássicas e modernas. Conexão – Comunicação e Cultura, UCS, Caxias do Sul, v. 8, n. 15, jan./jun. 2009.
  49. 49. 49 REFERENCIAS VIDEOGRÁFICAS BUTTERFLY. Direção: Nam June Paik, 1986. Videoart, 2'3". Disponível em: < http://www.youtube.com/watch?v=a6tFsAhqMP8> Acesso em: 26 Abr. 2014. ELENA. Direção: Petra Costa, Brasil, 2012. Documentário, 82’, Cor. 35mm/DCP. M3X3. Direção: Analívia Cordeiro, 1973. Videodança, 11'. P/B. Disponível em: <http://vimeo.com/46551344> Acesso em: 27 Abr. 2014. O cinema segundo Dalí. Direção: Christopher Jones e Marie-Dominique Montel, França, 2010. Documetário. Legendado/port. PREAMAR. Direção: Joana Corona, 2010. Videoinstalação, 6′. cor. Disponível em: <http://vimeo.com/32835837> Acesso em: 14 Abr. 2014 REGEN (rain). Direção: Joris Ivens - Regen, 1929. Documentário, 14'23''. B/W 35 mm. Disponível em: <http://vimeo.com/42491972> Acesso em 02. de Nov. 2014 THE refleting pool. Direção: Bill Viola, 1977 - 1979. Videoart, 6'58''. cor. Disponível em:<http://www.youtube.com/watch?v=D_urrt8X0l8> Acesso em: 27 Abr. 2014. THREE transition. Direção: Peter Campus, 1973. Videoart, 5'04''. cor. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=Ar99AfOJ2o8> Acesso em: 27 Abr. 2014. VERMELHO. Direção: Rafael Salim, Música: Marcelo Camelo, 2012. Videoclipe, 2'49''. Cor. Disponível em: <http://vimeo.com/35016394> Acesso em: 02 Nov. 2014 VERTICALL roll. Direção: Joan Jonas, 1972. Videoart, 19'37''. B/W. Disponível em: <http://vimeo.com/16151683> Acesso em: 02 de Mai. 2014 WONDER woman. Direção: Dara Birnbaum, 1978-1979. 5'50''. Color. Disponível em: < http://www.eai.org/title.htm?id=1673> Acesso em: 02 de Mai. 2014
  50. 50. 50 APÊNDICE CASA CORPO Sarah Caires. Casa Corpo. 16:9, cor, 2’20’’. Videoinstalação. Painel de mdf, revestidos de tocos (frente), galhos (atrás), superfície pintada de acrílico branco fosco, s/ suporte de ferro, 48 cm altura x 86 largura x 40 profundidade.
  51. 51. 51 CURRICULO Sarah Caires Campo Grande, MS, 1993 sarahcaires@yahoo.com.br / sarahcaires.blogspot.com Exposições 2014 Exposição Coletiva INTRO, Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, Campo Grande-MS Exposição Coletiva Planos, Sesc Horto, Campo Grande-MS Selecionada na Chamada Criativa da Anbima "Pense no seu gerente do banco: por que ele é importante pra você?" (Ilustração) Selecionada na Chamada Criativa do Santander "Conta pra gente: O que te faz participar de uma promoção?" (Ilustração) Selecionada na Chamada Criativa da Globo "O que te inspira na relação de amor entre um casal" (Ilustração) Exposição Coletiva CLICK, Galeria Cubo de Vidro, Estação Ferroviária, Campo Grande - MS I Festival das Artes Plásticas de Campo Grande - MS 2013 Exposição Coletiva Olhares - Galeria Cubo de Vidro, Estação Ferroviária, Campo Grande - MS Exposição Coletiva - Experimentos em Vídeo Mapping, Galeria do curso de Artes Visuais da UFMS 2012 Exposição Coletiva FAT 4.0 – Festival de Arte e Tecnologia. Participação no 4º Salão de Artes Horizonte da Arte de Campo Grande com videoarte. Interversão Artística Espacial - Código Híbrido, Galeria do curso de Artes Visuais da UFMS 2011 Uma das Fotografias Vencedoras do Concurso Olhar Universitário - UFMS Mostras Audiovisuais 2014 3º Lugar no FUÁ (Festival Universitário Audiovisual) com Casa Corpo na categoria Vídeo Experimental/Arte, Campo Grande -MS Participação no Fest Cine Video America do Sul - Videoarte Casa Corpo exibido no Drive In, Shopping dos Ipês, Campo Grande -MS 2013 Selecionada na Categoria Animação na Mostra Audiovisual de Dourados -MS Finalista na Categoria Vídeo Experimental-Arte na Mostra Audiovisual de Dourados - MS 2012 Finalista na Categoria Animação no FUÁ (Festival Universitário Audiovisual), Campo Grande - MS 2011 2º Lugar no FUÁ (Festival Universitário Audiovisual) na categoria Vídeo Institucional, Campo Grande -MS Prêmios Literários e Publicações em Livro 2013 3º Lugar na categoria Microconto do 9º Premio Maximiliano de Literatura - Instituto Maximiliano Campos, Recife - PE 2012 1º Lugar no Concurso Campo Grande Sustentável na Categoria História Ilustrada.

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