Maciel; fernanda rodrigues fenômenos urbanos

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Maciel; fernanda rodrigues fenômenos urbanos

  1. 1. 9 INTRODUÇÃO A cada minuto são produzidos milhares de produtos visando suprir as necessidades da sociedade de consumo, e ao mesmo tempo milhares deles são descartados. A arte pode usá-los como matéria prima na sua produção, suprindo dessa maneira problemas de ordem básica no meio em que vivemos, uma vez que ela possibilita o desenvolvimento da percepção e imaginação, a apreensão da realidade e do meio ambiente e desenvolve a capacidade crítica. Este trabalho de conclusão de curso enfoca as relações entre o cotidiano e a arte, evidenciando a apropriação de objetos e a migração de elementos e linguagens para a produção em artes visuais. Desta maneira, tais objetos se colocam potencializados para novas possibilidades de apresentação, e é por meio desses materiais banais e já descartados, que se desenvolve este trabalho. Este consiste em grandes painéis de ferro, sustentando um entrelaçado dos mais diversos objetos do cotidiano. As obras buscam trazer à tona a situação da sociedade atual, que vive num mundo cheio de coisas, que se tornam rapidamente supérfluas e que são descartadas, entrelaçando essa idéia com os diversos fenômenos naturais, por vezes provocados pelas atitudes do homem, e que são de grande magnitude. Foi definido como tema os fenômenos naturais, e as obras se apresentam sob formas, cores e títulos de: Tempestade Urbana, Desertificação Cotidiana, Nevasca de Rotineira, e Terremoto Diário. A produção faz assim relação entre arte e consumo, enfocando e remetendo-nos a uma reflexão sobre nosso compromisso com o meio ambiente, buscando despertar atitudes de consumo mais conscientes, além de possibilitar uma diversidade de materiais à arte. Os pressupostos do Novo Realismo, movimento que se deu em Paris no ano de 1960, fundamentam essa idéia, e utilizando do seu método de apropriação direta da realidade, este trabalho apresenta uma reciclagem poética do urbano real industrial, através dos objetos recolhidos pela artista. Neste caso a escolha foi orientada pela preocupação com os fatores ambientais e implicações causadas ao meio ambiente pelos resíduos sólidos e matérias de desperdícios. A técnica de construção das obras utiliza do Assemblage, termo incorporado à arte em 1953 por Jean Dubuffet (1901-1985) e está ligado à “estética da acumulação” de Arman (1928-2005). As obras também atualizam a ação Ready
  2. 2. 10 Made de Marcel Duchamp (1887-1968), ampliando o conceito de apropriação de objetos. Este trabalho está dividido em dois capítulos. No primeiro encontra-se um apanhado de idéias acerca de sociedade de consumo e o quanto ela exige e consome da natureza para manter-se satisfatoriamente. Apresenta alguns fenômenos naturais que vem se agravando devido a essas exigências da indústria contemporânea e traz ainda o contexto histórico do Novo Realismo, movimento artístico que teve início em 1960, que foi responsável por interpretar e expressar-se perante a fábrica, a indústria e a cultura de massa. O segundo capítulo é a demonstração da criação visual, esboços e etapas de produção, do inicio até o fim, fazendo uma relação com o primeiro capítulo.
  3. 3. 11 2- CONSUMINDO O MUNDO 2.1. Sociedade de Consumo Há muito tempo o mundo sofre as consequências da revolução industrial. A grande indústria moderna nasceu na Inglaterra no final do século XVIII, visando a produção de mercadorias e objetos necessários ao consumo, que não são fornecidos diretamente pela natureza. Com isso iniciou-se a utilização das máquinas movidas por forças como as do vento e da água, posteriormente a vapor, carvão mineral e eletricidade, o que permitiu a produção incessante numa velocidade e quantidade sem limites. Conforme Mantoux(s/d), a quantidade de objetos lançados no mercado fez com que os preços abaixassem, o que por sua vez aumentou a demanda, e juntamente com os meios de transporte, proporcionou o início do fenômeno de industrialização mundial. A revolução industrial foi a chave na consolidação do capitalismo, um sistema econômico voltado para a produção e acumulação constante de bens e riquezas. Davide Mota sobre o capitalismo explica: Sistema econômico que considera a liberdade de empreendimento como impulsionadora da atividade econômica necessária ao bem- estar da sociedade. Defende a propriedade privada dos meios de produção, a separação das classes sociais em assalariados e capitalistas, a liberdade de iniciativa e concorrência econômica. O capitalismo depende de um sistema financeiro eficiente para financiar a produção, e aceita as forças do mercado como reguladoras de economia. (Mota, 1997 p.13) Desde então o atendimento dessa demanda vem gerando impactos ambientais negativos, seja pela extração de minérios, desmatamento das florestas para plantio, até o aumento da emissão de gases poluentes pelas indústrias, que ocasionam o acréscimo da temperatura global, provocando incêndios, derretimento da calota polar, alagamentos, enchentes, mudanças de clima e desertificações.
  4. 4. 12 Segundo Moreno (2002, p 14) “as cidades consomem três quartos da energia de todo o globo, causando também três quartos da poluição mundial. São imensas parasitas que sugam os recursos naturais”. Inúmeras são as consequências da evolução da atividade industrial, e uma delas que será abordada neste trabalho é a da produção ilimitada de objetos de consumo. Nos últimos anos o crescimento populacional se deu de uma forma muito desordenada, resultando em maior consumo e por conseqüência, maior volume de resíduos, ou seja, o consumismo aliado aos produtos descartáveis aumentou o volume diário de lixo. A proposta deste trabalho de conclusão de curso é incorporar estes objetos de consumo à arte, não só como uma maneira de reutilizá-los diminuindo a quantidade de resíduos, mas também possibilitando uma reflexão acerca de atitudes e hábitos da sociedade de consumo. As obras vêm a contextualizar o momento em que vivemos representando o caos e as conseqüências da industrialização para o meio ambiente e retratam como a sociedade foi configurada por sua evolução. A sociedade de consumo pós-moderna é influenciada pela mídia e meios de comunicação em geral que estimulam uma mentalidade consumista através das propagandas que criam novas necessidades e manipulam desejos associando aos produtos valores e conceitos. O consumo é incentivado pela necessidade do “ter”, e pela associação dos produtos às imagens de beleza e sedução, como nos casos das propagandas de desodorante masculino aonde a idéia de aquisição do produto vem junto a da conquista do sexo oposto; e até mesmo de qualidade de vida, como em comerciais de margarina “vendendo” sempre uma família feliz e saudável. Consumir é uma forma de ter. (...) Consumir apresenta qualidades ambíguas: alivia ansiedade, por que o que se tem não pode ser tirado; mas exige que se consuma cada vez mais, porque o consumo anterior logo perde sua característica de satisfazer (Fromm, 1984, p.45). FROMM (1974, p.37), afirma que “a publicidade e todos os demais meios de pressão psicológica estimulam poderosamente a necessidade de um consumo maior”. Ao se deixar seduzir pelas propagandas, o consumidor está também
  5. 5. 13 buscando por prestígio social, realização pessoal, aceitação em determinados grupos, além de compensarem faltas inconscientes, porém estes aspectos psicológicos e sociais não serão discutidos a fundo neste trabalho. O importante então é nos atentarmos ao mercado e sua produção acelerada e desmedida, seus objetos baratos, que não podem ser consertados, e que apresentam baixa durabilidade para que o consumo tenha um aumento contínuo. Esta é a era da efemeridade, do descartável, do instantâneo e do obsoleto e volátil, que produz um contingente excessivo de resíduos. São produtos descartados, uma quantidade incontável de embalagens, uma infinidade de peças, enfim, restos que estão sem destino, senão interferir no desequilíbrio ambiental, já ameaçado desde a produção destes objetos nas grandes fábricas. A capacidade de rapidez do mercado em explorar novas necessidades e apresentar novos produtos é que coloca o planeta nesta situação, pois é a natureza que fornece toda matéria prima (solo, água, energia, minérios, etc.) necessária à indústria e é ela também que abriga o volume de lixo do consumismo e o descarte da indústria, ou seja, é a natureza, submetida a transformações, que arca com produtos, subprodutos e resíduos. O planeta já tem demonstrado sinais de esgotamento alarmantes, devido ao aumento do consumo provocado pelo crescimento populacional, pela intervenção profunda no meio ambiente, já há escassez de muitos recursos não renováveis, e as estimativas para os próximos anos são preocupantes. Como grande agravante na questão dos resíduos, segundo a Revista Veja (07/2008) está o descarte de objetos no mar. São três milhões de toneladas de detritos concentrados em um ponto do Oceano Pacifico sinalizando a ação devastadora do ser humano sobre os oceanos. A Grande Mancha de Lixo (fig. 01), como é chamada fica entre as ilhas do Hawaii e a Califórnia, e ali são encontrados pedaços de plástico, roupas, garrafas, redes de pesca e outros detritos produzidos pelo homem.
  6. 6. 14 Fig. 01 Depósito de lixo do Oceano Pacífico. Fonte:<http://www.apolo11.com/meio_ambiente.php?posic=dat_20090805-094013.inc> Acesso em: 20 Jun. 2010. Ainda em Veja: Cerca de 70% dos sacos plásticos, latas, garrafas e pneus são depositados no fundo do mar. O restante navega pela superfície ou fica preso nos grandes giros oceânicos. Esses lixões são devastadores para a vida marinha. Golfinhos, focas e tartarugas ficam presos em redes de pesca e morrem sufocados. Peixes e pássaros engolem pedaços de plástico e de metal e também perdem a vida. Estima-se que o lixo acumulado nos mares seja o responsável direto pela morte de 1 milhão de aves e mamíferos marinhos por ano. Quase todo esse lixo chega aos oceanos levado pelas águas dos rios ou é arrastado pela maré de praias emporcalhadas. São despejadas 675 toneladas de resíduos sólidos por hora no mar — e 70% desse total é constituído de objetos feitos de plástico.(Veja, 2008, p.96). Diversos são os problemas causados pelo excesso de lixo que não tem destino certo, e mesmo os depósitos de lixo que servem ainda de destinos, já estão saturados. A verdade é que não cabem mais tantas matérias descartadas no planeta. Embora haja a reciclagem, nem todos seguem essa política e não reutilizam embalagens e nem reduzem o consumo. São necessárias políticas de desenvolvimento sustentável nas cidades brasileiras, promovendo principalmente mudanças nos padrões de produção e consumo, principalmente reduzindo desperdícios.
  7. 7. 15 Deve-se considerar o ciclo de vida dos produtos desde as fontes de matéria-prima, na produção, distribuição, utilização e rejeitos, bem como os impactos ambientais que acompanham esse ciclo: resíduos, contaminação de solos, água e ar, consumo de energia, ruído e hábitat natural, e, ainda, a reciclagem e descarte final,(Moreno, 2002, p.93). Segundo o IBOPE, uma das maiores empresas de pesquisa de mercado da América Latina, há uma tendência favorável a assuntos ligados às questões ambientais, embora a prática seja muito diferente: 63% dos consumidores do século XXI estão dispostos a mudar seu estilo de vida para beneficiar o meio ambiente. No âmbito da arte, este lixo pode ser encarado como matéria prima, que é muito bem vinda, tamanha sua diversidade, tanto de formato, quanto de cores e possibilidades de construções. Há a necessidade de contribuir com o meio ambiente reutilizando resíduos, principalmente plásticos, que demorariam muitos anos para se decompor (fig. 02) fazendo com que as pessoas reflitam sobre o destino do lixo, que por sua vez resulta no destino do planeta. Fig. 02 Tabela de tempo de decomposição de materiais.Fonte: Site www.clickeducacao.com.br.
  8. 8. 16 Segundo FAJARDO (2003, p.21), “o conjunto das alterações produzidas no meio ambiente por atividades naturais, ou pela ação do homem é o que se denomina impacto ambiental” e os impactos causados pela atual sociedade, fazem com que os fenômenos naturais, aqueles que ocorrem sem intervenções humanas, se tornem desastres naturais, pois o homem desestruturou o meio ambiente para suportá-los. 2.2 Fenômenos Climáticos Os fenômenos climáticos são popularmente conhecidos como “clima”, ou “tempo”, tratam-se de eventos meteorológicos comuns, como chuvas, ventos e a neve, mas também incluem os desastres naturais como tornados, ciclones, tempestades de gelo levando á inúmeras catástrofes. Uma mudança climática de larga escala está alterando a freqüência e a intensidade de diversos fenômenos naturais no planeta, é o chamado “aquecimento global”. O aumento da temperatura média da Terra vem acontecendo nos últimos 150 anos, o que nos leva a investigar as causas antropogênicas, ou seja, provocadas pelo homem, que expliquem esses acontecimentos extremos. O aquecimento global é ocasionado principalmente, pela ação do homem sobre a natureza, através do consumo irracional de recursos naturais, modificação de paisagens e poluição excessiva. Como explanado anteriormente acerca da revolução industrial, comprova-se que desde então o homem está proporcionando aceleradamente as condições para que os fenômenos naturais nos atinjam, pois o meio ambiente é uma constante manifestação da transformação da natureza e da sociedade. “O aquecimento global deve intensificar furacões e tempestades. Os efeitos das mudanças climáticas causadas pelo aquecimento global são diversos e tem potencial de causar vários impactos na vida terrestre”. (Trebesqui, 2008. O aquecimento global e suas tempestades em http://www.webartigos.com). 2.2.1 Tempestades As tempestades são caracterizadas por uma precipitação intensa, acompanhada de ventos fortes, muitas vezes também por relâmpagos e trovões,
  9. 9. 17 causando uma situação agitada e de desordem, pois tem como conseqüências: enchentes repentinas que causam prejuízos e danos materiais; podem provocar deslizamento de terra, deixando pessoas desabrigadas além da perda de vidas humanas. Não é raro, acompanharmos notícias relacionadas a este tipo de catástrofe, como é o caso das chuvas na região metropolitana de São Paulo. A chuva é um fenômeno natural, mas pode causar uma enchente e configurar um desastre natural devido às inundações provocadas pelo mau escoamento da água, principalmente pelo lixo que impede a função dos bueiros. E a conversão do solo de campos e bosques em estradas ou estacionamentos faz com que este solo perca sua capacidade de absorver a água da chuva. 2.2.2 Desertificação A desertificação é um fenômeno de transformação de terras com potencial produtivo, em terras inférteis, que ocorre geralmente em regiões de clima árido e semi-árido; devido às mudanças climáticas isso não tem sido uma constante. Todo solo que é explorado inadequadamente e perde sua vegetação através da ação do homem, está sujeito a este processo. Este fenômeno está ocorrendo com freqüência, definido por Fajardo (2003, p. 81) como “deficiência aguda de água e ausência crescente de vegetação” que também vem se tornando um desastre natural, pela ação do homem. No Brasil ocorre, já com certa intensidade, no chamado “Nordeste Seco” que corresponde ao planalto central e estados como Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, rio Grande do Norte e Piauí. No planeta há centenas de focos de desertificação, causados pelo uso incorreto do solo incluindo sua exploração excessiva pelas indústrias; e novamente voltamos ao problema do mundo contemporâneo: o modelo de desenvolvimento atual, centrado no consumismo extremo de bens e serviços. 2.2.3 Nevasca
  10. 10. 18 Nevasca é uma tempestade de neve intensa, geralmente acompanhada por fortes ventos, ocorrendo principalmente nas regiões de montanhas. A neve cai mais seca, demorando mais para derreter, o que facilita seu acúmulo, e durante este fenômeno o frio é intenso, quase não há visibilidade, a probabilidade de deslocamento de gelo, as avalanches, aumenta, podendo descarrilar trilhos e soterrar pessoas. 2.2.4 Terremoto Terremoto é um abalo violento do solo, que pode variar, geralmente entre 1 a 2 minutos. O chão treme, provocando desmoronamento de casas, os móveis caem, vidros de janelas se quebram, e às vezes até prédios e pontes acabam sendo destruídos. Os terremotos são causados pelos choques das placas da crosta terrestre, ou outros motivos como deslizamento de gases ou atividades vulcânicas. Eles também podem ser naturais, ou induzidos. A maioria dos abalos é de origem natural da terra, chamados sismos tectônicos. Os sismos induzidos são aqueles ligados a ação do homem e originam- se de explosões, extração de minérios, água ou fosseis, ou até mesmo por queda de edifícios, embora estes obtenham escala menor em relação ao naturais. Os efeitos do terremoto são: deslizamento de terra, vibração do solo, tsunamis, além de danos prejudiciais ao homem como ferimentos, morte, prejuízos financeiros e sociais, desabamento de construções, entre outros. 2.3 Referências Históricas - O Novo Realismo: Objetos do Real. O Novo Realismo, ou Noveuaux Realisme, em francês, é um movimento artístico fundado pelo crítico Pierrre Restany, com um manifesto escrito em abril de 1960, onde proclamou “ um novo enfoque perceptivo do real”. Foi assinado em 27 de outubro de 1960 por nove pessoas: Yves Klein, Arman, François Rufrêne, Raymond Mains, Martial Raysse, Daniel Spoerri, Jean Tinguely e Jaques Villege. Outros se uniram ao grupo posteriormente: César, Mimmo Rotella, NikKi de Saint Phalle, Deschamps e Christo.
  11. 11. 19 Os novos realistas pediam por uma nova expressividade perante a nova realidade sócio-cultural em que estavam inseridos: a hegemonia norte-americana pós-guerra, a máquina, a cultura de massa e informação, os novos eletrodomésticos e avanços tecnológicos que modificavam a vida cotidiana. Uma descrição do próprio Restany a respeito das características do movimento: A linguagem do novo realismo toma todo seu vocabulário do realismo social contemporâneo. Emprega meios específicos de expressão para comunicar seu significado – quantidade, repetição, acúmulo, aumento – e se serve de objetos banais tanto novos como de segunda mão. Todos esses elementos fascinantes fazem parte do mundo da mudança social, da comunicação direta entre os seres humanos, dos aspectos mais dinâmicos da nossa civilização, do mundo do comércio, da indústria e das public relations. A expressão quantitativa mais que qualitativa e o respeito pela lógica intrínseca do material empregado são os denominadores comuns das interpretações extremamente diversas desenvolvidas pelos novos realistas, (Restany, Apud Argullol, 1997, pg. 73). Os membros do grupo procuravam unir o máximo possível a vida e a arte, para isso utilizavam um método de apropriação direta da realidade e não sua representação, opondo-se ao lirismo da pintura abstrata. O novo realismo traz outra metodologia de percepção fazendo uso dos objetos disponíveis, geralmente provenientes do ambiente urbano, repleto de objetos industrializados, de máquinas e que sofre permanentes modificações de acordo com o progresso. Constata-se assim o quase desaparecimento de materiais nobres, utilização de bronze e pedra, restringindo-se na maioria das vezes aos materiais industriais. Algumas influências e conceitos estão inseridos nesta proposta, entre elas a noção do Assemblage e os Ready mades, de Duchamp (1887 – 1968). A definição de Assemblage nos dada por Argullol (1997, p.54) é: “(...) ação e resultado de incorporar na obra de arte materiais diversos, inclusive objetos ou fragmentos de objetos heterogêneos arrancados de seu contexto habitual ou utilitário.” O Assemblage deriva das colagens cubistas e surrealistas, consiste em recolher todo tipo de objetos, incluindo os encontrados nas latas de lixo, e reuní-los pelos mais diversos meios atribuindo-lhes novas significações. A escolha do tipo de material pode ser determinada e específica ou aleatória guiada pela sensibilidade do
  12. 12. 20 artista que determinará quais objetos serão guardados, rejeitados e onde encontra- los de acordo com o seu interesse. Trata-se tanto sobre uma criação sobre a base da composição de formas heterogêneas, do dinamismo de volume e planos, quanto de uma provocação intelectual nascida da natureza dos objetos envolvidos e seus contrastes: desperdícios, sucatas mecânicas, elementos publicitários, etc. (Argullol 2001 p.54). Archer também fala sobre Assemblage, explicando duas das principais idéias que o cercam: A primeira é de que por mais que a união de certas imagens e objetos possa produzir arte, tais imagens e objetos jamais perdem totalmente sua definição com o mundo comum cotidiano onde foram tirados...a segunda é de que esta conexão deixa um caminho livre para uma vasta gama de materiais e técnicas até então não associados ao fazer artístico (Archer 2001, p.3). Observamos então que todo e qualquer objeto é utilizado na arte, a partir do momento que o artista os exibe de acordo com princípios pessoais, criando outra idéia para os objetos que apresentam embora estes nunca deixem de ser o que são, objetos do mundo real. Uma vez que o mundo está cheio destes objetos por que não utilizá-los, pautando-se nos conceitos de originalidade e valorização do gesto criador do artista? Entre os artistas denominados Novos Realistas, cabe aqui apresentar Arman e Tinguely, que levaram a cabo a realização e montagem de diversos objetos e a utilização dos materiais da indústria dos bens de consumo; e destacar as obras contemporâneas do artista brasileiro Vik Muniz, que também se libertou dos condicionamentos convencionais na arte. 2.3.1 Arman e a Acumulação Armand Pierre Fernandes, nasceu em 17 de novembro de 1928 em Nice, na França, e logo no início da sua trajetória se uniu aos Novos Realistas, já utilizando materiais manufaturados e Objets Trouvés (objetos encontrados prontos). Influenciado tanto pela comoditização da cultura quanto pelo horror da Segunda Guerra Mundial, compôs suas acumulações com os mais variados itens, desde objetos de consumo de luxo até grupos de máscaras de gás e dentaduras que faziam lembrar as fotografias dos escombros do holocausto. (Farthing 2009 p.483).
  13. 13. 21 Além de escultor, Arman era pintor e gravador, embora tenha ficado conhecido como “o fazedor de objetos”, seja por conta de suas acumulações/construções de objetos prontos, esculturas gigantescas de peças automotivas embutidas em concreto (Fig. 03) ou suas destruições/composições, fragmentos de instrumentos musicais (Fig. 04) e principalmente pelas inúmeras obras públicas espalhadas pelo mundo. Fig.03 Long Term Parking. Arman , 1982. Técnica: Acumulação. Fonte: http://www.arman-studio.com/. Fig. 04. O Waterloo de Chopin. Arman 1962. Fonte: http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com.
  14. 14. 22 2.3.2 Tinguely e as “Esculturas- Máquinas” Jean Tinguely (22 de maio de 1925- 30 de agosto de 1991), foi um pintor e escultor suíço que se mudou para França quando adulto para perseguir a carreira artística, foi um dos artistas que assinou o manifesto realista em 1960. Sua arte satiriza a produção dos bens materiais na sociedade industrial avançada, e ele ficou mais conhecido por suas obras que se assemelham à máquinas (Fig.05), obras estas de formas complexas e diversas, mas geralmente inúteis e absurdas, com movimentos desordenados e funcionamento ruidoso. Tinguely ao observar a sociedade constatou que o futuro não haveria de ser promissor e ao longo do tempo suas esculturas foram se tornando mais escabrosas e sons mais insuportáveis, apresentando um cenário quase apocalíptico. Este artista é reconhecido também por desenvolver uma arte cinética, explorando os efeitos visuais por meio de movimentos físicos, truques e posicionamento de peças (Fig. 06). Fig. 05 Jean Tinguely .Baluba III, 1951. Fig. 06 J.Tinguely. Narva, 1961. Fonte:http://blogs.artinfo.com Fonte: http://blogs.artinfo.com
  15. 15. 23 2.3.3 Vik Muniz Vicente José Muniz nasceu em São Paulo em dezembro de 1961. Farting (2009 p.600) a respeito de seu trabalho nada convencional, diz: “Inspira-se numa cultura governada pela mídia e pela tecnologia, trazendo a tona uma consciência a respeito da memória, do reconhecimento e da percepção”. Em uma das suas obras mais conhecidas, Vik Muniz utilizou uma foto de Jackson Pollock trabalhando, feita pelo fotógrafo Hans Namuth (Fig. 07), e a reproduziu em calda de chocolate (Fig. 08) Fig. 07 Foto: Hans Namuth. Fonte: http://landeira-educablog.blogspot.com/
  16. 16. 24 Fig. 08 Ação I. Vik Muniz, 1997. Fonte: http://landeira-educablog.blogspot.com/ Esta pintura exemplifica as palavras de Farthing (2009, p.600) a respeito dos materiais usados por Muniz, dizendo que “para alcançar essas ilusões, recorre a materiais insólitos como chocolate, ketchup, algodão, lantejoula, poeira e lixo industrial”. Outro autor que cita a vasta utilzação de materiais por Muniz é Farias (2002) que escreve que as obras do artista: ...brotam do café derramado, chocolate liquido, açúcar, chiclete mascado, lixo, pó, arame, fio de cabelo, linha, algodão.. até mesmo um prato de espaguete serviu como mote para a realização da medusa, figura mitológica grega que petrifica aqueles que desafiam seu olhar. (Farias 2002, p, 75). A obra a qual o texto se refere:
  17. 17. 25 Fig 09. Medusa Marinara. Vik Muniz, 1999. Fonte: http://organismo.art.br/blog/?p=939 Muniz reinventou seu trabalho, pela necessidade de registrar suas obras de caráter efêmero então, o produto acabado são as fotografias que faz e que vão além das esculturas e pinturas em si. Ele é fotógrafo desenhista, pintor e gravador. Desde 1983 vive e trabalha em Nova Iorque, mas suas obras já percorreram Europa, Japão e as Américas do Norte, Central e América Latina. Atualmente no Brasil, podemos apreciar seu trabalho, na abertura da novela Passione, exibida pela emissora Globo. (Fig.10), todo confeccionado em lixo. Fig.10 Abertura da novela Passione, Vik Muniz, 2010. (Foto: Divulgação/TV Globo)
  18. 18. 26 “Sou filho da cultura de massa, ter meu trabalho na abertura da novela é como exibi-lo numa exposição pra 80 milhões de pessoas” são as palavras de Vik Muniz (2010, http://g1.globo.com) a respeito das três instalações feitas para a novela, usando 4,5 toneladas de lixo. Estes são alguns dos artistas que tomaram como tema de sua arte a sociedade industrial pós-guerra, se apropriando de produtos e resíduos e incorporando esses objetos da realidade em suas obras como forma de materializar seu posicionamento perante o consumo e a produção em massa. Considerando as conseqüências atuais da Revolução Industrial sobre a natureza constata-se uma necessidade maior de reflexão sobre a rapidez com que o mercado lança novos produtos e conseqüentemente maior quantidade de lixo, esgotando os recursos não renováveis e agravando os problemas de ordem ambiental.
  19. 19. 27 3- PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Toda produção foi realizada sobre suporte de ferro, sendo quatro diferentes formatos de armações. Estas foram confeccionadas segundo estudos prévios para determinação das formas e medidas e executadas por um serralheiro. Na parte interna dessas armações foram trabalhados pequenos objetos do cotidiano e da sociedade de consumo obedecendo a um padrão de cores e direção pré-definidas de acordo com o tema de cada obra: tempestade, desertificação, nevasca, terremotos. Estes objetos foram amarrados em fios de nylon tensionados e presos às armações. Os objetos utilizados foram recolhidos através de uma caixa de coleta deixada na universidade, resgatados do lixo, encontrados nas ruas ou por vezes comprados. 3.1 Tempestade Urbana Seguindo o tema dos desastres naturais, a primeira obra concebida foi “Tempestade Urbana”. A idéia que deu início a essa obra foi a chuva, por isso deveria ser construída com objetos azuis, representando a água, e objetos da cor prata, referindo-se ao cinza das tempestades, também espelhos, que indicariam reflexos da água. Todos esses objetos e elementos deveriam ser trabalhados em diagonal, para que expressassem idéia da precipitação chuvosa com fortes ventos. A reunião dessa idéia resultou em um primeiro esboço, que seria a primeira obra dessa série. (fig.11). Um profissional serralheiro foi procurado para que executasse as armações em ferro, sendo dois painéis individuais de 1,46 x 0,60, que seriam sobrepostos.
  20. 20. 28 Fig.11 Esboço da primeira obra. Foto: Fernanda R. Maciel. Deu-se então, a coleta e seleção dos materiais, sempre pensando em escolher aqueles que representassem o cotidiano urbano, entre diversos objetos, destacam-se um celular, fios de computador, CD, preservativo masculino, esmalte. (fig. 12). Após a seleção, foram amarrados um a um por fio de nylon e presos à armação de forma diagonal. Fig.12 Painel Montado. Foto: Fernanda R. Maciel.
  21. 21. 29 Durante a apresentação dessa peça para a pré-banca, definiu-se que o suporte seria repensado, então, novamente o serralheiro foi procurado para que tirasse os pés que serviam de base e unisse através de uma correia dentada e solda, as duas partes, resultando numa peça única. Vários fios se soltaram, “Tempestade Urbana” (fig. 13) passou por uma reforma e hoje constitui uma obra de arte que representa uma enxurrada de produtos industrializados que compramos e descartamos, além de retirar de circulação objetos que poderiam obstruir os bueiros e intensificar as inundações, agravando os transtornos causados pelas enchentes. Fig 13. Tempestade Urbana Dimensões: 120x50x20. Materiais: Ferro, Objetos e Correias Dentadas. Foto: Luma.
  22. 22. 30 3.2 Desertificação Cotidiana “Desertificação Cotidiana” é a segunda obra desenvolvida para o trabalho de conclusão e faz alusão ao sol escaldante do deserto. Por isso, foi realizada sob forma cilíndrica, com eixo central, onde os objetos são expostos em forma de raio, partindo do centro para as extremidades. A fim de transmitir essa energia, foram utilizadas as cores quentes, vermelho, laranja e amarelo. O projeto inicial contava a princípio com dois painéis independentes; mais uma vez o serralheiro foi necessário para a execução das armações, foi quando este sugeriu o tipo de ferro que melhor se adequaria ao formato pretendido. Neste projeto, a intenção era preencher um dos painéis com objetos nas cores quentes e outro com objetos cobertos de areia. Para obtenção de objetos para construção dessa obra, foi deixada uma caixa de coleta na UFMS (fig.14) onde os colegas pudessem colaborar depositando os materiais nas cores pedidas. Fig.14 Caixa de Coleta de Materiais. Foto: Fernanda R. Maciel. Diante da insuficiência de objetos doados, a maioria destes tiveram que ser comprados, (fig.15) principalmente em lojas de aviamentos e artigos populares,
  23. 23. 31 conhecidas como lojas de “R$ 1,99”, onde há uma variedade de produtos a baixo custo, induzindo o consumo de descartáveis. Fig.15 Seleção de materiais. Foto: Fernanda R. Maciel. Aos poucos os fios de nylon foram tomando forma (Fig.16), assim que os objetos foram sendo combinados, sempre seguindo um padrão onde o vermelho fica no centro, seguido pelo laranja e o amarelo nas extremidades (Fig. 17). Fig. 16 Construção. Fig. 17 Construção. Foto: Fernanda R. Maciel. Foto: Fernanda R. Maciel. Quando essa peça foi apresentada à pré-banca, assim como a anterior, definiu-se ser necessário repensar seu suporte e a quantidade de objetos, para um
  24. 24. 32 preenchimento maior do seu espaço. Desde então sua construção ficou suspensa, até que em um ferro velho, foi encontrada uma janela com vitral (fig.18), que coincidiu com as medidas exatas do suporte, que então foram acoplados após a janela ser lavada, as grades serradas e os vidros de cores indesejadas retirados, mantendo os da cor amarela. Fig.18 Janela com vitral. Foto: Fernanda R. Maciel. Voltando a trabalhar na construção da obra, foi preciso comprar mais brinquedos, botões, miçangas, arames para preencher todos os espaços formando os raios que representam o sol.(Fig.19) Fig.19 Etapa final de construção. Foto: Fernanda R. Maciel.
  25. 25. 33 Para que muitos destes produtos existissem e chegassem até nós em uma demanda tão grande, a fábrica tem explorado cada vez mais o meio ambiente, principalmente o solo fazendo com que o fenômeno de desertificação se alastre pelo mundo (Fig. 20) Fig. 20 Desertificação Cotidiana Dimensões: 80x80x13. Materiais: Janela com Vitral, Objetos e Ferro. Foto: Fernanda R. Maciel. 3.3 Nevasca Rotineira A terceira obra, Nevasca Rotineira segue os mesmos procedimentos anteriores, os esboços foram feitos seguindo a idéia de “montanhas” e a armação confeccionada pelo serralheiro em ferro chato, sob a forma de dois morros superpostos (Fig.21).
  26. 26. 34 Fig. 21 Estrutura de ferro. Foto: Fernanda R.Maciel. Os matérias recolhidos dessa vez foram objetos transparentes e os que correspondem a cor branca (Fig.22) A estrutura foi revestida por fita “veda-rosca”, para que transmitisse uma sensação de neutralidade aos objetos trabalhados na direção vertical. A construção conta com matérias plásticos e pedaços de vidro que representam respectivamente a neve e cristais de gelo (Fig. 23). Fig. 22 Seleção de materiais transparentes e na cor branca. Foto: Fernanda R. Maciel.
  27. 27. 35 Fig.23 Nevasca Rotineira Dimensões: 70x120x20. Materiais: Ferro e Objetos de Plástico. Foto: Fernanda R. Maciel. 3.4 Terremoto Diário A última peça, denominada Terremoto Diário conta com uma estrutura tridimensional que teve como inspiração as conseqüências do próprio fenômeno terremoto. Apresenta formas quebradas e pedaços sobressalentes (Fig. 24). Fig. 24 Armação em ferro. Foto: Fernanda R. Maciel.
  28. 28. 36 Assim como as demais peças, foi executada pelo serralheiro, porém, a partir de uma maquete. Com o suporte pronto, foi necessário furá-lo com utilização de furadeira (Fig. 25) para iniciar o trabalho de construção. Fig.25 Trabalho de perfuração. Foto: Fernanda R. Maciel. A obra aparenta o caos, a desordem, a confusão e outros efeitos dos tremores terrestres, que são também efeito do exagero do consumo, do descarte, do desperdício e do excesso de lixo, apresentando objetos quebrados, inutilizados, cortados e fragmentos. A cor preta é predominante, contribuindo com um tom obscuro que traz fechamento à obra (Fig. 26) Fig.26 Terremoto Diário Dimensões: 65x125x65. Materiais: Ferro e Objetos de Consumo. Foto: Fernanda R.Maciel.
  29. 29. 37 As dificuldades encontradas foram quanto a obtenção de mão de obra qualificada que cumprisse os prazos e executasse as peças conforme o projeto, e a arrecadação de materiais. Mas conforme o trabalho foi sendo levado adiante, as adversidades foram se dissipando e o resultado são as 4 obras que apresento como trabalho de conclusão do curso de artes visuais.
  30. 30. 38 CONCLUSÃO No decorrer deste estudo, algumas idéias foram expostas, tendo como foco a sociedade de consumo e a produção em massa, e as conseqüências desta configuração econômica e social para o meio ambiente. A partir do levantamento de informações que cercam este tema determinado, é possível fazer uma a análise das obras em um contexto geral e apresentar algumas conclusões específicas. A primeira constatação a qual não se pode negar é a afirmação de que consumimos muito mais do que precisamos. Isto se torna evidente a qualquer momento enquanto andamos pelas ruas ou mesmo quando observamos nossos lares com o mínimo de minúcia e nos deparamos com infinitos produtos que já não tem utilidade, ou talvez nunca tivessem, preenchendo tudo ao redor. Um fato mais preocupante, é que estamos tão acostumados a esse mundo cheio de coisas que é quase como se incorporássemos o consumo, o descarte e o desperdício como um hábito. Durante a realização deste trabalho, este foi um fato muito observado, pois embora houvesse, na universidade, mais especificamente na sala de escultura, uma caixa de coleta de materiais considerados já inúteis para as pessoas, houve uma dificuldade muito grande para que elas identificassem estes produtos para o reaproveitamento. Outra conclusão, esta que contribui satisfatoriamente para o campo das artes plásticas, é que os materiais utilizados, apesar de serem de reaproveitamento, encontrados nas ruas ou nos lixos, acabaram por adquirir um caráter estético um tanto agradável, não configurando uma crítica agressiva, que gera aversão ou angústia. Este fator, amalgamado à necessidade de redução e utilização de resíduos sólidos cabe perfeitamente à arte, seja qual for a temática da obra.
  31. 31. 39 REFERÊNCIAS ARCHER, Michel. A Arte Contemporânea: Uma História Concisa. São Paulo. Editora Martins Fonte, 2001. ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna. São Paulo. Editora Compania das Letras, 1992. BAER, Warner. A industrialização e desenvolvimento econômico no Brasil. Rio de Janeiro: Ed. Fundação Getulio Vargas, 1966. BARROS, Liliam R.. A Cor no Processo Criativo: Um Estudo Sobre a Bauhaus e a Teoria de Goethe. São Paulo. Editora Senac Nacional, 2006. BATTCOCK, Gregory. A Nova Arte. São Paulo. Editora Perspectiva, 2002. CARVALHO, Benjamim. Ecologia e arquitetura. Ecoarquitetura: onde e como vive o homem. Rio de Janeiro: Globo, 1984.p. 176-188. CHILVERS, Ian. Dicionário Oxford de Arte. Tradução Marcelo Cipolla. São Paulo. Martins Fontes, 1996. CLÉRIN, Philippe. La Sculpture, Toutes les Techiques. Paris. Dessain & Tolra, 1995. P. 367-68. FAJARDO, Elias. Ecologia e cidadania: Se cada um fizer a sua parte. Rio de Janeiro: Editora Senac Nacional, 2005. FARIAS, Agnaldo. A Arte Brasileira Hoje. São Paulo. Publifolha, 2002. FARTNING, Stephen. 501 Grandes Artistas. Rio de Janeiro. Sextante, 2009 MANTOUX, Paul. A Revolução industrial no século XVII. Rio de janeiro: Ed. Unesp, s/d. MORENO, Julio. O futuro das cidades. São Paulo. Editora Senac, 2002.
  32. 32. 40 MOTA, Davide. Formação e Trabalho: Uma viagem pela história do trabalho. Rio de janeiro. Ed.Senac Nacional, 1997. 96p. PEDROSA, Israel. O Universo da Cor. Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. Editora Senac Nacional, 2003. PERAZZO, LF. Elementos da Forma. Rio de Janeiro: Editora Senac Nacional, 1997. RESTANY, Pierre. Os Novos Realistas. São Paulo. Editora Perspectiva S/A, 1979.

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