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Atividades psicomotoras como intervenção no desempenho funcional de idosos hospitalizados

  1. 1. artigo originaL / research report / artículo Atividades psicomotoras como intervenção no desempenho funcional de idosos hospitalizados Psychomotor activities as intervention in the functional performance of hospitalized old people Actividades psicomotoras como intervención en el desempeño funcional de envejecidos hospitalizados Laura Maria Koopman Ovando* Tatiana Vieira do Couto** Resumo: O objetivo desta investigação foi minimizar a perda funcional de idosos hospitalizados a partir da estimulação de aspectos psicomotores, e a influência no desempenho das atividades de vida diária dos pacientes durante a internação. Para tanto, foram realizadas 4 intervenções abordando os itens psicomotores em 30 pacientes durante o período de internação na enfermaria de geriatria Hospital do Servidor Público Estadual, entre setembro de 2008 e janeiro de 2009, e feito coleta da Medida de Independência Funcional (MIF) referente a 3 momentos: desempenho em domicílio antes da instalação patológica, na admissão da enfermaria e após a intervenção. Teve-se como resultados a melhora após intervenção em 83,33% dos pacientes, com melhora média de 8,5 pontos da MIF motora. Com maior interferência nas atividades de autocuidado, com diferença significativa nas atividades de alimentação, cuidados pessoais, banho e vestir parte superior, no entanto não houve diferença significativa entre os domínios locomoção e mobilidade. Houve, também, dimi- nuição do número de pacientes com dependência total e alta dependência, e aumento do número de pessoas com baixa dependência. Concluiu-se que o uso da estimulação psicomotora como atividade analisada pelo terapeuta ocupacional pode melhorar a capacidade funcional durante a internação. Palavras-chave: Idoso hospitalizado. Terapia ocupacional. Idoso - desempenho psicomotor. Abstract: This research aimed to reduce functional loss of hospitalized old people from the stimulation of psychomotor aspects, as well as the influence in the performance of patient daily activities during internment. For doing this, 4 interventions were done regarding the psychomotor aspects in 30 patients during the period of internment in the geriatric infirmary of Hospital do Servidor Público Estadual from September 2008 to January 2009; we also used the Functional Independence Measurement (FIM) for evaluation in 3 moments: performance at home before the pathology appeared, in the admission to the infirmary and after the intervention. The results were post- intervention improvement in 83.33% of patients, with an average improvement of 8.5 in motor FIM. Even after a greater interference in self-medication activities, with a significant difference in feeding activities, personal cares, bath and higher body parts dressing ability no significant difference was found between the domains locomotion and mobility. There was also a reduction in the number of patients with total and high dependency, as well as an increase in the number of people with low dependency. One concluded that the use of psychomotor stimulation as an activity analyzed by the occupational therapist may improve functional capacity during internment. Keywords: Hospitalized old people. Occupational therapy. Old people - psychomotor performance. Resumen: Esta investigación intentó minimizar la pierda funcional de envejecidos hospitalizados a partir de la estimulación de aspectos psicomotores, así bien la influencia en el desempeño de las actividades de la vida diaria de los pacientes durante la internación. Para eso, se realizaran 4 intervenciones acercando a los aspectos psicomotores en 30 pacientes durante el periodo de internación en la enfermería geriátrica Hospital do Servidor Público Estadual, desde septiembre de 2008 hasta enero de 2009; también se hizo una recolección de la Medida de Independencia Funcional (MIF) referente a 3 momentos: desempeño en domicilio antes de la instalación de la patología, en la admisión a la enfermería e después de la intervención. Los resultados fueron la mejoría post-intervención en 83,33% de los pacientes, con una mejoría media de 8,5 de la MIF motora. Aunque con mayor interferencia en las actividades de autocuidado, con una diferencia significativa en las actividades de alimentación, cuidados personales, baño y vestir la parte superior, no hubo una diferencia significativa entre los dominios locomoción y movilidad. Hubo también una disminución del número de pacientes con dependencia total y alta de- pendencia, así bien un aumento del número de personas con baja dependencia. Se concluyó que el uso de la estimulación psicomotora como actividad analizada por el terapeuta ocupacional puede mejorar la capacidad funcional durante la internación. Palabras-llave: Envejecidos hospitalizados. Terapia ocupacional. Envejecidos - desempeño psicomotor. * Terapeuta ocupacional. Aprimoramento multiprofissional em Terapia Ocupacional em Geriatria e Gerontologia pela Universidade Federal de São Carlos. E-mail: lauramko@yahoo.com.br ** Terapeuta ocupacional. Aprimoramento multiprofissional em Terapia Ocupacional em Geriatria e Gerontologia pela Universidade Federal de São Carlos.176 O Mundo da Saúde, São Paulo: 2010;34(2):176-182.
  2. 2. Atividades psicomotoras como intervenção no desempenho funcional de idosos hospitalizadosIntrodução provocar perda da autoestima e de seus músculos e de suas articu- profundo senso de dependência8, lações, com o objetivo de fazê-lo Projeções indicam que a po- e as Instrumentais indicam a capa- alcançar grau máximo de indepen-pulação brasileira com mais de 60 cidade do indivíduo de levar uma dência13.anos poderá ser responsável por vida independente dentro de sua Pode-se dizer que ser inde-aproximadamente 15% da popu- comunidade7,8. pendente nas atividades relacio-lação brasileira no ano de 2025. A O desempenho funcional pode nadas ao autocuidado pressupõequeda da mortalidade faz com que ser mensurado pelo desempenho que se tenha íntegro e desen-os idosos “dependentes” vivam nas atividades motoras, capacidade volvido os órgãos dos sentidos,por mais tempo1,2, necessitando, de comunicação e outros aspectos coordenação motora, esquemaassim, de mais assistência e por cognitivos, além de medir o grau de corporal e noção espacial e tempo-mais tempo. solicitação de cuidados de terceiros ral, ou seja, aspectos trabalhados na Os idosos são internados com que o paciente exige para realização psicomotricidade14,12. É comum pa-maior frequência e há permanência de tarefas motoras e cognitivas. A cientes idosos em internação hospi-hospitalar mais prolongada do que Medida de Independência Funcio- talar apresentarem uma acentuadaas observadas em outros grupos nal (MIF) verifica o desempenho do queda no desempenho funcionaletários3,4. A hospitalização é segui- indivíduo para a realização de um nas atividades básicas de vida diá-da, em geral, por uma diminuição conjunto de 18 tarefas, dividindo- ria, e durante esse período diminuí­da capacidade funcional e mudan- se em 2 domínios: parte motora rem sua apropriação corporal.ças na qualidade de vida, muitas – referentes às subescalas de auto- Portanto, a psicomotricidadevezes, irreversíveis. Muitos idosos cuidados, controle esfincteriano, foi escolhida como recurso devidoque vivem com independência na transferências, locomoção – e parte ao seu trabalho corporal, visando àcomunidade podem subitamente cognitiva – referentes às subesca- melhora na consciência corporal,se tornar dependentes ao precisa- las comunicação e cognição social. e, assim, verificar seu impacto narem internar-se5. Cada item pode ser classificado em funcionalidade do idoso. No hospital, o sujeito doente uma escala de graus de dependên-inicia um processo de ruptura com cia de 7 níveis, sendo a pontuaçãoa vida cotidiana, vivencia o descon- Material e Método variável de 1 (dependência total) aforto da doença, é dominado pela 7 (independência completa)9,20. Trata-se de uma pesquisa quan-dor, passa a sentir que sua vida está A psicomotricidade para idosos titativa, descritiva e experimental,em jogo, que depende de socorro tem como objetivo maior a manu- realizada na enfermaria de geriatriaexterno para tê-la de volta e su- tenção das capacidades funcionais, do Hospital do Servidor Público Es-cumbe à hospitalização6. melhorar e aprimorar o conheci- tadual – Francisco Morato de Oli- Entre os idosos, as condições mento de si e a eficácia das ações, veira, em São Paulo.crônicas tendem a se manifestar sobretudo das atividades de vida Foram incluídos na amostrade forma mais expressiva. Tais diária. Visa a criar consciência de pacientes internados de setembrocondições, geralmente, tendem a seu poder de sabedoria, valorizar de 2008 a janeiro de 2009, na en-comprometer de forma significa- suas capacidades e dar realce às fermaria de geriatria, que participa-tiva a qualidade de vida, afetando suas forças, incentivar o enfrenta- ram do processo trabalhando todosa funcionalidade dos idosos e, con- mento de certas limitações físicas e os itens psicomotores (tonicidade,sequentemente, o desempenho das perdas, e estimular o autocuidado equilíbrio, lateralidade, esquemaatividades de vida diária (AVDs), com o desenvolvimento de hábitos corporal, espaço temporal, e co-que se subdividem em Atividades pessoais de saúde. Essa intervenção ordenação motora), que manifes-Básicas de Vida Diária e Atividades certamente levará o idoso a ques- taram declínio no desempenhoInstrumentais de Vida Diária7. As tionar suas atitudes e, consequen- funcional na realização das Ativida-atividades básicas de vida diária temente, ter mais possibilidades des Básicas de Vida Diária (ABVD’s),(ABVD’s) são tarefas de cuidados em adaptar-se às mudanças que o no período de adoecimento e inter-pessoais, mobilidade funcional, envelhecimento acarreta11,12. nação, verificado por meio da ava-comunicação funcional, que per- No tratamento em Terapia liação referente ao período anteriormitem a um indivíduo atingir a Ocupacional é essencial levar o à internação e na avaliação inicial,independência pessoal. A perda idoso ao restabelecimento funcio- e que possuíam aspectos percepto-da capacidade de cuidar das pró- nal máximo, manter suas funções -cognitivos preservados, segundoprias necessidades pessoais pode corporais e melhorar as funções dados no prontuário.O Mundo da Saúde, São Paulo: 2010;34(2):176-182. 177
  3. 3. Atividades psicomotoras como intervenção no desempenho funcional de idosos hospitalizados Foram coletados dados clínicos reflexão e identificação das próprias intervenção e depois no momentoe pessoais, e foi utilizada a Medida capacidades, e, associando com as da admissão na internação.de Independência Funcional (MIF) atividades de vida diária, mesmo Sendo a pontuação máxima– parte motora referente a 15 dias que em ambiente hospitalar, man- total 91 pontos, a média da pon-antes da internação, na admissão ter o indivíduo ativo, e, portanto, tuação dos pacientes em domicí-da enfermaria, e após a intervenção manter funcionalidade. lio, antes da instalação patológica,proposta. foi 65,63 pontos; na admissão, foi As atividades desenvolvidas Resultados 24,7; e após intervenção, 33,7.foram: A média de ganho total na Atividade 1: uso de prendedor A amostra foi composta por 30 pontuação dos pacientes após in-de roupa – encaixe de prendedor de idosos, sendo 6 homens e 24 mu- tervenção foi de 8,5 pontos, sen-roupa colorido em varal de diferen- lheres, com média etária de 84,96 do a diferença máxima ganho detes alturas, conforme cor, membro anos, variando entre 71 e 95 anos. 31 pontos e mínima, perda de 23superior, e movimento solicitado O período de internação médio foi pontos. No entanto, apesar da re-– atividade com exploração de late- de 17,5 dias, variando entre 6 e 50 cuperação dos pacientes, ainda ob-ralidade, coordenação motora fina dias. tiveram 32,43 pontos a menos quee grossa, amplitude de movimento, Entre as comorbidades, as mais antes da instalação da patologia.dissociação de movimento, concei- encontradas foram: insuficiência As atividades que mais tiveramto de cores, atenção, compreensão cardíaca, hipertensão arterial sistê- alteração positiva após interven-de comandos, orientação têmporo- mica, insuficiência renal, infecção ção foram: banho (1,17 pontos),espacial. do trato urinário e pneumonia. alimentação (1 ponto), vestuário Atividade 2: encaixe de potes – Dos casos observados, 83,33% parte superior (0,97 ponto), hi-exposição de 9 potes de diferentes obtiveram melhora da pontua- giene corporal (0,93 ponto), sendoformas e tamanhos, de mesma cor, ção na MIF após intervenção; dos todas atividades pertencentes aosolicitação para encaixe das tampas 16,67% que obtiveram piora, so- domínio autocuidado.e agrupamento de acordo com ca- mente um caso não chegou a óbito As atividades que tiveramtegoria – atividade com exploração durante a internação. menos alteração positiva foramde lateralidade, coordenação moto- Ao comparar a soma total da controle de urina (93,33% sem al-ra fina e grossa, amplitude de mo- avaliação na MIF dos pacientes, teração), controle de fezes (86,66%vimento, atenção, compreensão de pôde-se notar que a maior pontu- sem alteração), uso do vaso sanitá-comandos, organização, raciocínio, ação é no instante que o paciente rio (80% sem alteração), vestir par-orientação espacial, identificação e está em domicílio seguido de após te inferior (73,3% sem alteração)nomeação de tamanhos e formas. Atividade 3: uso de hidratantecorporal – aplicação de hidratante Gráfico 1. Alteração da funcionalidade pós-intervençãocorporal em toda superfície corpó-rea, de acordo com parte solicitada,ou solicitação de nomeação – ati-vidade com exploração de laterali-dade, coordenação motora grossa,imagem e esquema corporal, esti-mulação sensorial. Atividade 4: jogo com bexiga –com paciente sentado, trabalhandomovimentação de membros supe-riores e inferiores – atividade comexploração de lateralidade, coorde-nação motora grossa, equilíbrio detronco, amplitude de movimento,orientação têmporo-espacial. Os objetivos das atividadesforam estimular aspectos psico-motores, permitir aos pacientes a178 O Mundo da Saúde, São Paulo: 2010;34(2):176-182.
  4. 4. Atividades psicomotoras como intervenção no desempenho funcional de idosos hospitalizados Gráfico 2. Variação da MIF nos 3 períodos de avaliação e o terceiro, diferença entre pós-in- as subdivisões da avaliação tervenção com o desempenho em domicílio. Segundo análise estatística, as avaliações de autocuidado obti- veram o nível de significância de p<5%, o que também ocorre com o valor total da MIF parte motora, excluindo-se a atividade de vestir parte inferior, na qual o ganho pós- -intervenção não foi estatisticamen- te significativo. Segundo o teste ANOVA, o ga- nho nos domínios após intervenção é significativo, com P valor 0,037. Com o intuito de verificar o do- mínio que teve maior ganho, foram utilizadas comparações pareadas de Turkey, as quais indicaram que o domínio de autocuidado possui ganho pós-intervenção maior que controle de esfíncteres com con- fiança de 95%, no entanto não houve diferença significativa com relação às atividades de mobilidade e locomoção. Todos os domínios tiveram a diferença entre o momento pós- Gráfico 3. Variação nas atividades de autocuidado -intervenção e antes da doença, com valores iguais, P valor 0,313. Agrupando os pacientes segun- do nível de funcionalidade, pôde- se observar, antes da condição patológica, que 17 pacientes eram independentes, não necessitando de auxílio de outra pessoa, com pontuação entre 66 e 91, segundo a MIF, mas nenhum deles perma- neceu nessa condição durante ad- missão e alta. No início, 8 pacientes necessitavam de até 25% de auxí- lio, com pontuação entre 65 e 40, sendo que esse número reduziu para 4 na admissão e subiu para 11 no momento da alta; os que neces- sitavam de até 75% de auxílio, com pontuação entre 39 e 14, no início eram 5, na admissão subiram parae locomoção em escada (70% sem No Gráfico 4, pode ser observa- 18 e no momento da alta eram 15;alteração). do, a alteração de cada domínio da e quanto aos totalmente depen- Segundo correlação de Pearson, MIF, sendo o primeiro item a varia- dentes, com 13 pontos, não haviaos resultados não manifestaram ção entre MIF domicílio e momen- nenhum nessas condições em seutendência e não manifestaram re- to da admissão, o segundo, variação domicílio, mas eram 8 pacientes,lação com o tempo de internação. entre admissão e pós-intervenção e restando 4 no momento da alta.O Mundo da Saúde, São Paulo: 2010;34(2):176-182. 179
  5. 5. Atividades psicomotoras como intervenção no desempenho funcional de idosos hospitalizados Gráfico 4. Alteração média de cada item por domínio da MIF e peri articulares, que conduzem a contratura; para um idoso com reserva fisiológica diminuída, mas que é capaz de realizar suas ativi- dades de vida diária, o repouso na cama de alguns dias pode provocar uma perda dessas atividades19. Dos 4 casos que obtiveram pio- ra, chegando a pontuação mínima com dependência total, 3 foram a óbito, concordando com o relato de RICCI15, em que idosos com depen- dência para sete ou mais AVD têm três vezes mais risco de morte do que aqueles indivíduos indepen- Tabela1. Nível de funcionalidade: quantidade de pacientes por grupo dentes. Pós No Gráfico 2, pôde ser obser- Domicílio Admissão Evolução vada a variação da MIF motora em intervenção Independente e seus 3 momentos e a variação de 17 0 0 0.00% cada subgrupo, podendo observar independente modificado Dependência modificada: maior alteração em autocuidado e 8 4 11 23.33% mobilidade, sendo os que mais ti- necessita até 25% de auxílio Dependência modificada: veram intervenção, visto que essa 5 18 15 -10.00% foi realizada ao leito. necessita até 75% de auxílio Totalmente dependente 0 8 4 -13.33% As atividades que mais tiveramDivisão da MIF segundo critério de Rigolin21, adaptado à MIF parte motora alteração positiva após intervenção, segundo o Gráfico 3, foram: banho, alimentação, vestuário parte supe-Discussão Quanto à soma total da MIF nos rior e higiene corporal, sendo que, 3 instantes de avaliação, o resulta- incluindo a atividade de higiene A partir da análise de atividade, do maior foi domicílio, seguido por corporal, foram as atividades emrealizada pelo terapeuta ocupacio- após intervenção e por último, no que houve maior foco durante a in-nal, pôde-se desenvolver atividades momento de admissão. O primeiro tervenção. Para que o autocuidadorelacionando aspectos psicomoto- valor da MIF, levando em conside- seja efetivado, é preciso que o pa-res, compatíveis com os desempe- ração o desempenho em domicílio ciente se sinta capacitado20.Devidonhos necessários para a realização antes da instalação do motivo de a isso, comprova-se a importânciadas atividades básicas de vida diária internação, foi coletado a partir de de uma conscientização de suas ca-(ABVD), principalmente referente relatos familiares, o que é conside- pacidades a partir da realização deao autocuidado. Durante a realiza- rado por RICCI15 como eficaz, se- atividades psicomotoras, que exi-ção das atividades, era extraído do gundo sua pesquisa. gem o desempenho físico, cogniti-paciente seu desempenho máximo O Gráfico 1 demonstra que vo e o relacionamento entre essase não usual. Além disso, também 83,44% dos casos obtiveram me- para a execução de suas atividadeshá a atuação no comportamento lhora após a intervenção, dife- de vida diária.no que diz respeito a: autoestima, rente do resultado do trabalho de As atividades que tiveram me-autoconfiança e autoimagem11,14, Kawasaki16, Samaniego17, e de Si- nor alteração foram controle devisando a criar consciência de seu queira18, em que houve declínio esfíncteres, uso do vaso sanitário epoder de sabedoria, valorizar suas durante internação, no entan­ o t locomoção, ou seja, atividades quecapacidades e dar realce às suas for- nesses trabalho não houve inter- exigiam a saída do leito, sendo queças, incentivar o enfrentamento de venção para evitar a perda. Se­ a intervenção não contemplou es-certas limitações físicas e perdas e gun­ o Creditor, o repouso na cama d ses aspectos, pois foi realizada noestimular o autocuidado com o de- provoca uma perda de massa mus- leito, estimulando principalmentesenvolvimento de hábitos pessoais cular de 10% por semana, além atividades de autocuidado, simu-de saúde11. de produzir alterações articulares lação e pouca mobilidade. Como180 O Mundo da Saúde, São Paulo: 2010;34(2):176-182.
  6. 6. Atividades psicomotoras como intervenção no desempenho funcional de idosos hospitalizadospôde ser observado nos testes esta- paciente21. A prática de uma assis- é minimizar a perda funcional dotísticos, o domínio autocuidado te- tência massificada aos pacientes, paciente internado, sendo que, porve uma diferença significativa com que ainda está presente nos espaços meio do uso de atividade analisadarelação ao controle de esfíncteres, hospitalares, é contrária à premissa como seu instrumento de trabalho,no entanto não houve o mesmo em do autocuidado, que baseia-se na pudemos observar o objetivo su-relação a locomoção e mobilidade. educação à saúde individualizada. perado, visto que pacientes podem No Gráfico 4, foi indicado a Nesse sentido, o desconhecimento, melhorar sua capacidade funcionalmédia da alteração por atividade pelos profissionais e familiares que durante a internação.de cada domínio, sendo que pôde realizam essa assistência, das ne- Como limitações da pesquisa,ser observada menor perda de au- cessidades, motivações e potencia- pode-se citar o pequeno número datocuidado e maior na locomoção. lidades dos seus pacientes, dificulta amostra e fatores ambientais quePôde ser notado, também, maior a educação à saúde e, por conse- dificultaram a mobilidade dos pa-ganho no autocuidado e menor guinte, não permite a efetivação do cientes. Sugere-se que sejam feitasganho de controle de esfíncter du- autocuidado20, diminuindo, assim, novas pesquisas, intervindo em as-rante internação. sua funcionalidade, levando-os à pectos não estimulados, como por Todos os domínios apresenta- tendência observada em outros exemplo, realização de atividadesram diferença semelhante entre o trabalhos16,17,18, de aumento ou sur- fora do leito para observar o ganhomomento após intervenção e de- funcional, bem como ampliar o nú- gimento de incapacidade durante a mero de pacientes e atuar em hos-sempenho antes da instalação da internação. No passado, esperava-se pitais de diferentes naturezas.comorbidade. que o paciente desempenhasse um Ressalta-se, ainda, a importân- Na Tabela 1, é observado que papel de doente passivo durante a cia de manter o idoso ativo, mesmonão houve pacientes indepen- hospitalização, levando-o a uma em seu período mais frágil, que édentes após intervenção, mas foi situação de dependência e deterio- a hospitalização, melhorando, as-observado diminuição do núme- ração de algumas de suas capacida- sim, seu desempenho, sua própriaro de pacientes com dependência des19, no entanto, como observado, imagem e autoestima, podendototal e alta dependência (necessita essa crença ainda permanece para contribuir não só para a qualidadeaté 75% de auxílio), e aumento do alguns familiares, profissionais e de atendimento hospitalar, masnúmero de pessoas com baixa de- inclusive para o próprio paciente; principalmente para a qualidade dependência (necessita até 25% de atitudes exacerbadas de protecio- vida de nossos pacientes, ou seja,auxílio), o que pode ser considera- nismo e zelo estimulam a depen- nosso principal objetivo.do positivo, devido à diminuição do dência funcional e comportamentalnível geral de dependência. do idoso12. Agradecimentos A ausência de manifestação Às Terapeutas Ocupacionaisde uma tendência nos resultados Conclusão Rosana Rita Laurenza Fatigati, Lu-pode ser justificada pelo fato de a ciana Vilela de O. Barreiro e Anafuncionalidade envolver aspectos Os resultados do presente es- Elisa Almeida pelas valiosas discus-ambientais, patologia, crença indi- tudo puderam comprovar que há sões e contribuições no decorrer dovidual e estimulação. melhora funcional por meio da es- trabalho. Nos fatores estruturais, arqui- timulação psicomotora em idosos À Claudia Tanaka, pela colabo-tetônicos e físicos, o ambiente de- hospitalizados, momento em que ração na tradução do resumo.sempenha um papel significativo a tendência é de fragilidade e pro- Ao Dr. Maurício de Mirandano comportamento do idoso, talvez pício à dependência. Ventura, diretor do Serviço de Ge-quase equiparando-se ao papel das Um dos objetivos de trabalho da riatria, por apoiar a realização dopróprias características pessoais do terapia ocupacional na enfermaria trabalho.O Mundo da Saúde, São Paulo: 2010;34(2):176-182. 181
  7. 7. Atividades psicomotoras como intervenção no desempenho funcional de idosos hospitalizados Referências1. Camarano AA. Envelhecimento da População Brasileira: uma contribuição demográfica. In: Freitas EV, Py L, Cançado FAX, DollJ, Gorzoni ML. Tratado de Geriatria e Gerontologia. 2ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2006.2. Ramos LR. A Mudança de Paradigma na Saúde e o Conceito de Capacidade Funcional. In: Ramos LR, Neto JT. Guia de Geriatriae Gerontologia. Barueri (SP): Manole; 2005.3. Amaral ACS, Coeli CM, Costa MCE, Cardoso VS, Toledo ALA, Fernandes CR. Perfil de morbidade e de mortalidade de pacientesidosos hospitalizados. Cad Saúde Pública, Rio de Janeiro, 2004;20(6):1617-26.4. Chaimowicz F. Epidemiologia e o Envelhecimento no Brasil. In: Freitas EV, Py L, Cançado FAX, Doll J, Gorzoni ML. Tratado deGeriatria e Gerontologia. 2ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2006.5. Caldas CP. O Auto-cuidado na Velhice. In: Freitas EV, Py L, Cançado FAX, Doll J, Gorzoni ML. Tratado de Geriatria e Gerontologia.2ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2006.6. Rocha EF, Mello MAF. Os Sentidos do Corpo e da Intervenção Hospitalar. In: Carlo MMRP, Luzo MCM. Terapia Ocupacional:reabilitação física e contextos hospitalares. São Paulo: Roca; 2004.7. Duarte YAO, Andrade CL, Lebrão ML. O Índex de Katz na avaliação da funcionalidade dos idosos. Rev Esc Enferm USP.2007;41(2):317-25.8. Foti D. Atividades da Vida Diária. In: Pedretti LW, Early MB. Terapia Ocupacional: capacidades práticas para disfunções físicas. SãoPaulo: Roca; 2004.9. Riberto M, Miyazaki MH, Filho DJ, Sakamoto H, Battistella LR. Reprodutividade da Versão Brasileira da Medida de IndependênciaFuncional. Acta Fisiátrica. 2001;8(1):45-52.10. Riberto M, Miyazaki MH, Jucá SSH, Sakamoto H, Pinto PPN, Battistella LR. Validação da Versão Brasileira da Medida de Inde-pendência Funcional. Acta Fisiátrica. 2004;11(2):72-6.11. Levy D. Psicomotricidade e Gerontomotricidade na Saúde Púplica. In: Ferreira CAM. Psicomotricidade – Da Educação Infantil àGerontologia. São Paulo: Editora Lovise; 2000.12. Vasconcelos MM. A Psicomotricidade como Promotora da Qualidade de Vida na Terceira Idade. Rev Iberoam PsicomotricidadTécnicas Corporales. 2003 Nov;12:51-60.13. Motta MP, Ferrari MAC. A Intervenção Terapêutico-Ocupacional Junto a Indivíduos com Comprometimento no Processo deEnvelhecimento. In: Carlo MMRP, Luzo MCM. Terapia Ocupacional: reabilitação física e contextos hospitalares. São Paulo: Roca;2004.14. Barros DR. Gerontomotricidade e as Condutas Psicomotoras. In: Ferreira CAM. Psicomotricidade – Da Educação Infantil à Ge-rontologia. São Paulo: Editora Lovise; 2000.15. Ricci NA, Kubota MT, Cordeiro RC. Concordância de Observações sobre a Capacidade Funcional de Idosos em Assistência Do-miciliar. Rev Saúde Pública. 2005;39(4):655-62.16. Kawasaki K, Diogo MJDE. Impacto da Hospitalização na Independência Funcional do Idoso em Tratamento Clínico. Acta Fisi-átrica. 2005;12(2):55-60.17. Samaniego PG. Consecuencias de la Hospitalización en el Anciano. Rev Soc Peru Med Inter. 2001;14(2):90-8.18. Siqueira AB, Cordeiro RC, Perracini MR, Ramos LR. Impacto funcional da internação hospitalar de pacientes idosos. Rev SaúdePública, São Paulo. 2004 Out;38(5).19. Creditor MC. Hazards of hospitalization of the elderly. Ann Int Med. 1993 Feb 1;118:N3.20. Ferrero SH, Cintra FA. Limitações para o Autocuidado de Idosos Reinternados, Portadores de Vasculopatias. Saúde Debate.2004;68(28):233-42.21. Rigolin VOS. Avaliação Clínico-Funcional de Idosos Hospitalizados [dissertação]. São Paulo: Universidade Federal de São Paulo;2001. Bibliografia consultadaBarreto KML, Tirado MGA. Terapia Ocupacional Gerontológica. In: Freitas EV, Py L, Cançado FAX, Doll J, Gorzoni ML. Tratado deGeriatria e Gerontologia. 2ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2006.Coelho Filho JM. Modelos de serviços hospitalares para casos agudos em idosos. Rev Saúde Pública, São Paulo. 2000 Dez;34(6). Recebido em 24 de fevereiro de 2010 Aprovado em 30 de março de 2010182 O Mundo da Saúde, São Paulo: 2010;34(2):176-182.

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