Exercício e qualidade de vida

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Bom dia pessoal, posto mais um artigo que considero importante
" A importância do exercício físico à qualidade de vida dos idosos"
A longevidade está aumentando nos países em desenvolvimento, fato que não acontecia em décadas passadas. Diversos declínios funcionais são em virtude do estilo de vida , portanto são extrínsecos ao envelhecimento, no entanto modificáveis, através de exercícios e alimentação saudável.
Podemos organizar a processo do envelhecimento por escalas:
45 a 59 anos meia-idade
60 a 79 anos ancião
80 a 90 anos velhice extrema

Este estudo teve como objetivo, avaliar a percepção de qualidade de vida em idosos praticante de atividade física e os não praticantes. Concluiu-se que os idosos praticantes apresentam melhores resultados, tanto em relação ao nível de atividade física, quanto nas prevalências de problemas de saúde e, sobretudo na qualidade de vida.
Muito interessante não acham? Outro ponto relevante é que 60% o problema de saúde detectado com maior prevalência foi a Hipertensão. Aconselho a leitura

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Exercício e qualidade de vida

  1. 1. 597 Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício ISSN 1981-9900 versão eletrônica Periódico do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino em Fisiologia do Exercício w w w . i b p e f e x . c o m . b r / w w w . r b p f e x . c o m . b r A IMPORTÂNCIA DO EXERCÍCIO FÍSICO PARA Á QUALIDADE DE VIDA DOS IDOSOS Jucicleide Herculano Merquiades1, Jucineide Herculano Merquiades Agra1, Kamila Maria Dantas Albuquerque1, Ruthnea Cordeiro Costa1, Antonio Coppi Navarro1,2RESUMO ABSTRACTO objetivo central deste artigo, descritivo The importance of physical exercises to thecorrelacional, foi comparar a percepção da quality of live the seniorqualidade de vida entre idosos praticantes enão-praticantes de exercícios físicos que The central objective of this article,freqüentam os programas oferecidos pela correlacionaly description, was to comparedUFPB para idosos. Materiais e Métodos: A the perception of the quality of life betweenamostra intencional foi constituída por 30 senior practitioners and not-practitioners ofidosos voluntários, com 60 ou mais anos de physical exercises that frequent the programsidade, praticantes e não-praticantes de offered for the UFPB for aged. The intentionalexercícios físicos. Resultados: Os dados foram sample was constituted by 30 aged volunteers,coletados através de entrevista. Na análise with 60 or more years of age, practitioners anddos dados foi utilizado o pacote estatístico not-practitioners of physical exercises. TheSPSS-10.0 e adotou-se um nível de data had been collected through interview. Insignificância de 5%. Destacam-se as the analysis of the data were used statisticalcaracterísticas sócio-demográficas: maior package SPSS-10.0 and adopted a level ofproporção do gênero feminino (55%), significance of 5%. Are distinguished theaposentados (68,3%), casados (43,3%). O partner-demographic characteristics: biggerproblema de saúde detectado como de maior ratio of the feminine sex (55%), pensionersprevalência foi a hipertensão (60%). (68.3%), married (43.3%). The problem ofConstatou-se que os melhores resultados da health detected as of bigger prevalence waspercepção da qualidade de vida foram dos the hypertension (60%). Evidenced that theidosos praticantes, em comparação aos idosos best ones resulted of the perception of thenão-praticantes para todos os Domínios quality of life had been of the aged(físico, psicológico, relações sociais, meio- practitioners, in comparison to the aged not-ambiente). Conclusão: Conclui-se que os practitioners for all the Dominion (physicist,idosos praticantes apresentam melhores psychological, social relations, half-resultados tanto em relação ao nível de environment). Are concluded over all that theAtividade Física, quanto nas prevalências de aged practitioners present in such a way betterproblemas de saúde e, sobretudo na qualidade resulted in relation to the level of Physicalde vida. Activity, how much in the prevalence of health problems and, in the quality of life.Palavras-chave: Idosos; Qualidade de Vida; Key words: Senior; Quality of Life; PhysicalExercícios Físicos; UFPB. Exercises; UFPB.1 – Programa de Pós-Graduação Lato-Sensu Endereço para corrspondência:da Universidade Gama Filho - Exercício Físico cleide.mequiades@ig.com.braplicado à Reabilitação Cardíaca e a Grupos jucineideagra@hotmail.com.brEspeciais. kamila.albuquerque@uol.com.br2 – Programa de Pós Graduação Stricto Sensu ruthneapersonal@hotmail.com.brda Universidade de Mogi das Cruzes - UMC. Rua Golfo de Guiné 68 – apto 303. Intermares – Cabedelo – Paraíba. 58310 - 000.Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.3, n.18, p.597-614. Nov/Dez. 2009. ISSN 1981-9900.
  2. 2. 598 Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício ISSN 1981-9900 versão eletrônica Periódico do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino em Fisiologia do Exercício w w w . i b p e f e x . c o m . b r / w w w . r b p f e x . c o m . b rINTRODUÇÃO ao envelhecimento e, portanto modificáveis. Desse modo, a adoção de um estilo de vida O aumento da população de idosos mais saudável, com o aumento das atividadesvem ocorrendo nos países em físicas habituais ou até mesmo a inclusão dedesenvolvimento num espaço de tempo mais exercícios físicos na rotina dos idosos,curto do que em relação aos países poderão ser eficazes para um envelhecimentodesenvolvidos (Mazo, 2006). Este bem sucedido, minimizando as incapacidadesenvelhecimento nas regiões menos associadas ao envelhecimento (Barros Neto,desenvolvidas do planeta fará com que, 2007). Por outro lado, o baixo nível depossivelmente no ano 2025, dos 11 países de atividades físicas habituais e a falta demaior população de idosos em números exercícios físicos na vida dos idosos podemabsolutos (todas acima de 16 milhões), a trazer vários problemas à saúde, dentre osmaioria pertença ao terceiro mundo. O Brasil quais se destacam: apatia; perda de força, deserá o sétimo país em números absolutos, flexibilidade, de agilidade; além de podercom mais de 30 milhões de idosos (IBGE, contribuir para a obesidade, problemas2001). As razões que estão levando à cardiovasculares; assim como geraralteração demográfica no mundo, dentre problemas sociais; como dificuldade deoutras, são: redução da mortalidade, redução relacionamento com as pessoas, isolamento,da fecundidade e migração (Mazo, 2006). desinteresse, estresse, entre outros (Barros A redução da mortalidade sobreveio Neto, 2007).com a Revolução Industrial, que ocasionou um A atividade física é comumentemaior desenvolvimento sócio-econômico das definida como qualquer movimento corporalsociedades. Essa redução não foi provocada produzido pelos músculos esqueléticos, quepelo processo social e econômico, mas sim resulta num gasto energético acima dos níveispela tecnologia avançada (vacinas, de repouso (Lima, 2002).antibióticos, remédios, equipamentos, etc.). A A atividade física abarca a totalidadequeda da fecundidade e sua conseqüente do ser, ultrapassando as melhoriasbaixa na natalidade, decorrente dos processos aparentemente só motoras, associando-se aosde urbanização e industrialização, que facilitou desenvolvimentos cognitivos, volitivos eo acesso à educação e saúde vêm sociais (Ramos, 2005).contribuindo também para o envelhecimento Enquanto o exercício físico deve serpopulacional (Ramos, 2005). Outro fator é a compreendido como uma das formas demigração provocada pelas pessoas jovens atividade física planejada, estruturada,que, à procura de melhores condições de vida, sistemática, efetuada com movimentosmigram para regiões e países mais ricos; corporais repetitivos, a fim de manter ouquando se deslocam deixam, nas regiões ou desenvolver um ou mais componentes dapaíses para os quais emigraram, os familiares aptidão física (Lima, 2002).idosos, aumentando a proporção destes em Estudos experimentais (Lima, 2002)relação às demais faixas etárias (Paschoal, têm sugerido que a prática, de exercícios2006). físicos por parte dos idosos atua na redução Chaimowics (2008), estabelece que de taxas de mortalidade e do risco decom o aumento elevado do número de idosos, desenvolvimento de doenças degenerativasocorrem modificações no perfil desta como as cardiovasculares, hipertensão,população que, ao aumentar sua expectativa osteoporose, diabetes, enfermidadesde vida, torna mais freqüente o aparecimento respiratórias, dentre outras. São relatadosde doenças crônico-degenerativas ainda, efeitos positivos da atividade física e(hipertensão, doença coronariana, diabetes exercícios físicos no processo demellitus não insulínico dependente e envelhecimento, no aumento da longevidade,osteoporose) e também os índices de no controle da obesidade e em alguns tipos deincapacidade aumentam rapidamente, câncer (Matsudo e Matsudo, 2001).reduzindo a aptidão dos idosos para a vida Observa-se que os idosos queindependente. praticam atividades físicas mostram-se mais Diversos declínios funcionais abertos, emocionalmente equilibrados, bemdecorrentes do aumento da idade são devidos humorados com atividades positivas medianteao estilo de vida adotado, que são extrínsecos os fatos da vida, o que contribui para oRevista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.3, n.18, p.597-614. Nov/Dez. 2009. ISSN 1981-9900.
  3. 3. 599 Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício ISSN 1981-9900 versão eletrônica Periódico do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino em Fisiologia do Exercício w w w . i b p e f e x . c o m . b r / w w w . r b p f e x . c o m . b rencontro de uma identidade e uma melhor (60 a 79 anos); ancião: (75 a 90 anos); e,qualidade de vida (Pellegrinotti, 2008). velhice extrema: (90 anos em diante). Para (Nahas, 2001) qualidade de vida O envelhecimento é a alteraçãodeve ter um conceito amplo, e que deve ser irreversível da substância viva em função dointerpretado de modo contínuo, não como uma tempo (Beauvoir, 2004). A soma de todas asdicotomia (ter ou não ter qualidade de vida). A manifestações de desgaste durante a vida,qualidade de vida é resultante de inter-relação processo biológico em evolução regularde fatores que modelam e diferenciam o dia-a- múltiplo, que leva, inevitavelmente, à limitaçãodia dos Indivíduos, sob os aspectos das das possibilidades de adaptação do organismopercepções, relacionamentos e pelas (Barry, 2004), em conseqüência de alteraçõessituações vivenciadas. que os indivíduos demonstram, de forma Consideração de importância é a de característica, com o progresso do tempo daque os benefícios do exercício são comuns a idade adulta, até o fim da vida (Clemente,todos os tipos de atividades físicas, esportivas 2008).ou laborativas, desde que, os esforços não Segundo a definição anterior, o idososejam excessivos em relação à condição física está sujeito a constantes mudanças,da pessoa. O exercício é uma forma de referentes aos aspectos biológicos,sobrecarga para o organismo. Sobrecargas psicológicos e sociais, como também tende abem dosadas estimulam adaptações de enfrentar dificuldades com relação ao estadoaprimoramento funcional de todos os órgãos de saúde e seu ambiente social. Taisenvolvidos, mas quando excessivas, mudanças relacionadas aos aspectosproduzem lesões ou deterioração da função. biológicos, psicológicos e sociais. O sedentarismo caracteriza-se por Assim como o desenvolvimento inicial,uma ausência de sobrecargas para todo o o processo de envelhecimento biológico estásistema neuro-músculo-esquelético e geneticamente programado e é inevitável, jámetabólico, levando ao enfraquecimento que praticamente todos os sistemas do corpoprogressivo de estruturas com funções decaem, tornando-se mais acelerados a partirbiomecânicas, e a alterações funcionais e dos 70 anos de idade (Clemente, 2008).estatisticamente se correlacionam com maior Com o avanço da idade ocorremincidência ou gravidade de doenças (Beauvoir, alterações e perdas em funções do organismo2004). como: cardiovasculares, imunológicas, Com base em estudos endócrinas, pulmonares, renais e anatomo-epidemiológicos e fisiopatológicos, formou-se fisiológicas; bem como nos diversos sistemas.o consenso de que os exercícios estimulam a No sistema cardiovascular ocorre osaúde em diversos aspectos e com isso aumento do colágeno, onde no miocárdio háajudam para o alcance de uma melhor degradação das fibras musculares, com atrofiaqualidade de vida (Pellegrinotti, 2008). e hipertrofia das remanescentes; limitação do Dados de estudos que enfatizaram a ATP; aumento da pressão arterial sistólica;relação entre atividade física e qualidade de maior incidência de aterosclerose;vida demonstram que os idosos mais ativos estreitamento do diâmetro das artériasvivem com maior qualidade de vida e (Clemente, 2008).satisfação, onde encontram na prática da De acordo com Hayflick (citado poratividade física a maneira de terem em suas Mazo e colaboradores 2006), o sistemavidas a ausência de doenças, um bem estar imunológico tem como objetivo detectar,físico e mental, aumento da auto-estima e inativar e eliminar microorganismos e outrosmelhor convívio social, como também maior corpos estranhos do organismo. Com odisposição para a realização das tarefas processo de envelhecimento as respostasdiárias (Lima, 2002). imunológicas se tornam menos eficientes. Com relação ao sistema endócrino,O Processo de Envelhecimento verifica-se uma redução na produção de hormônios, onde como conseqüência, pode-se Para classificar melhor o observar a redução da capacidade deenvelhecimento a Organização Mundial de recuperação de feridas, traumas cirúrgicos,Saúde separa em quatro estágios esta etapa redução da capacidade de respostas aoda vida: meia-idade de (45 a 59 anos); idoso: estresse do calor e frio e redução daRevista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.3, n.18, p.597-614. Nov/Dez. 2009. ISSN 1981-9900.
  4. 4. 600 Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício ISSN 1981-9900 versão eletrônica Periódico do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino em Fisiologia do Exercício w w w . i b p e f e x . c o m . b r / w w w . r b p f e x . c o m . b rcapacidade de manter a concentração normal desconfiança, aversão ao novo, autoritarismo,de glicose no sangue (Gonçalves, 2005). depressão, isolamento, diminuição da Com o envelhecimento, no Sistema atividade sexual e busca de satisfaçõesmúsculo-esquelético ocorre uma redução do sociais.número de células musculares e da Segundo (Mazo, 2006), devido aoelasticidade dos tecidos, onde o tecido declínio do organismo os idosos, dãomuscular é substituído por colágeno e ocorre preferência a atividades que requer menosdiminuição da massa óssea (aos 50 anos, esforço físico e se interessam por aquelas quemulheres perdem em torno de 30% e, homens, se desenvolvem em grupos e em contato comem torno de 17%); alterações posturais; as outras pessoas. Ressaltam ainda que, com ocostas tendem a ficar arqueada, curvadas e passar dos anos, as pessoas desenvolvemcorcunda-cifose; redução na mobilidade uma imagem de si através da estrutura socialarticular (Leite, 2006). em que estão inseridas. Criam limites próprios No Sistema nervoso observa-se a que podem estar acima ou abaixo de sua realdiminuição do encéfalo em torno de 20% de capacidade pessoal, muitas vezes,seu peso, comparando um indivíduo de 20 a ocasionando ilusões ou frustrações. O prazerum idoso de 90 anos (Mazo, 2006), diminuição de achar, defeitos em si e de se criticar a todoe/ou alteração das sinapses nervosas, instante, demonstra sua insegurança,diminuição das substâncias químicas insatisfação e culpa, caracterizando uma baixaassociadas à atividade neurotransmissora e auto-estima.diminuição dos receptores cutâneos. A auto-estima, segundo Mosquera Observa-se no sistema respiratório (2002), decorre das atitudes positivas oudiminuição da elasticidade e complacência dos negativas do ser perante si mesmo, sendopulmões pelas modificações nos tecidos atribuído um valor ao “eu”. Esta pode ser altacolágenos e elásticos; dilatação dos ou baixa; quando é alta, decorre debronquíolos, duetos e sacos alveolares; atrofia experiências positivas com a vida e,quando édos músculos esqueléticos acessórios na baixa, de fatores negativos. A auto-estima estárespiração; redução na caixa torácica. interligada a auto-imagem, sendo uma No sistema gastrointestinal ocorre uma dependente da outra, e refletem os papeisdiminuição da produção de enzimas e sucos sociais ocupados pelo indivíduo.gástricos; diminuição da produção da secreção Com o envelhecimento, há tendênciassalivar; diminuição da mobilidade do na modificação da auto-imagem, eperistaltismo; atrofia da mucosa gástrica; conseqüentemente da auto-estima, tornando-diminuição da capacidade de absorção de as menos positivas, e que de acordo comnutrientes (Carvalho Filho, 2006). Mazo (2006), ainda tais motivos são Verifica-se que as mudanças ignorados.fisiológicas que ocorrem com os idosos, fazem Portanto, as alterações psicológicasparte do processo natural da vida, e as decorrentes da velhice devem ser enfrentadasenfermidades são variadas e podem ou não se com uma vida mais saudável, através daagravar, onde as mesmas estão relacionadas preparação e orientação sobre ascom a qualidade de vida e a saúde do idoso modificações nesta fase, para que o processo(Mazo, 2006). de envelhecimento seja natural e com As alterações psicológicas sofrem inúmeras possibilidades, apesar dos limites jáinfluência das alterações biológicas que citados.ocorrem no organismo da pessoa idosa. A realidade da velhice no BrasilEmbora tais alterações não ocorram de convive com uma ideologia de velhicemaneira igual em todos os seres, já que segundo a qual esta é considerada comoexistem diferenças genéticas e ambientais invalidez, doença, incerteza, um períodoentre as pessoas de mesma idade. dramático para viver. De acordo com Beauvoir (2004), com Uma análise social da velhice permitea ocorrência do envelhecimento normal, apontar como um dado muito significativo oacontecem transformações no comportamento problema da marginalização do idoso emgeral do idoso, como: intensificação dos traços decorrência da questão da aposentadoria, ade personalidade, fixação no passado, qual leva o indivíduo a se afastar de suairritabilidade, rigidez, dogmatismo, atividade profissional. Tal desligamento doRevista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.3, n.18, p.597-614. Nov/Dez. 2009. ISSN 1981-9900.
  5. 5. 601 Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício ISSN 1981-9900 versão eletrônica Periódico do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino em Fisiologia do Exercício w w w . i b p e f e x . c o m . b r / w w w . r b p f e x . c o m . b rtrabalho pode se tornar angustiante, pois a lutas, esportes, exercícios físicos e outrosfalta de ocupação acarreta um sentimento de (Lima, 2002).inutilidade, de exclusão como membro A confirmação da relação entreprodutivo e útil de seu grupo social. A falta de atividade física e saúde não é recente, já erater o que fazer aumenta sua marginalização mencionada na cultura chinesa, indiana e nosperante si mesmo, a sociedade e a família. textos clássicos de gregos e romanos. Com o Seguindo a idéia de Mosquera (2002), passar do tempo, aproximadamente 30 a 40o ancião é considerado aquele que não pode anos, com ensaios clínicos experimentais emais produzir. uma melhor abordagem epidemiológica, pôde- Numa sociedade onde o homem vale se afirmar que a inatividade é um fatorpelo que produz no ciclo produção-consumo, importante para o desenvolvimento deacaba não concebendo a aposentadoria como diversos tipos de problemas relacionados àdireito adquirido para fazer opções e viver com saúde. Essa relação entre atividade física eliberdade dentro dela, longe dos freios dos saúde torna-se importante uma vez que ashorários e hierarquias; ao contrário, passa a doenças crônicas degenerativas da populaçãoviver marginalizado socialmente. Muitas vezes são abrandadas com a utilização de medidasé na própria família que se inicia essa adotadas por programas de atividade física,marginalização, quando, por exemplo, o pai é contribuindo para a diminuição da obesidadedeixado de lado por considerá-lo inútil. Outras na faixa etária jovem, influenciandovezes, passa a prestar pequenos serviços dos possivelmente na qualidade de vida adultafilhos ou babá dos netos, o que nem sempre (Beauvoir, 2004).atende aos seus desejos e interesses (Mazo, Os modelos conceituais que procuram2006). explicar as relações observadas entre Conforme Mazo e colaboradores atividade física, aptidão física e saúde vêm(2006), outros problemas relacionados à sendo constantemente utilizados como objetofamília podem surgir, tais como: a falta de de estudo, destacando: a) o paradigmaadaptação/preparação dos familiares para o centrado nos níveis de Aptidão Física; b) ocotidiano do idoso no lar, conflitos de paradigma orientado à prática de Atividadegerações; divergências do comportamento Física.esperado pelo idoso; falta de amizades; falta O paradigma orientado à prática dede contato com a vizinhança, etc., para o idoso atividade física apresenta uma aceitação muitoque teve uma vida construída no mundo do mais ampla do que o centrado nos níveis detrabalho. No entanto, afirmam ainda os aptidão física. Visto que o segundo aborda amesmos autores que, a família é considerada prática de atividade física com a finalidade decomo lugar de cuidados, proteção, afetividade; garantir índices mais elevados de aptidãosocialização e formação de personalidades e física, procurando adotar esforços físicos nacontinua a ser a melhor garantia do bem-estar busca de um melhor estado de saúde cadamaterial e espiritual de seus idosos. vez mais exigente no que se refere à Portanto, torna-se necessário que o intensidade, volume e freqüência. Enquantoidoso se ajuste criativamente à realidade que o paradigma voltado à orientação dapresente, atendendo as suas necessidades, prática de atividade física procura privilegiarcom seus direitos e deveres garantidos, esforços físicos mais moderados, realizadosparticipação e integração com outras pessoas, de acordo com o consumo de energia. asegurança, renda própria e cuidado adequado. vantagem desse modelo é a compatibilidade com aqueles menos condicionadosAtividade Física e Saúde fisicamente (Meirelles, 2007). Este mesmo autor (Meirelles, 2007), A atividade física pode ser definida afirma que os maiores benefícios à saúdecomo qualquer movimento corporal; mediantes a prática de atividade física sãodesenvolvido pela musculatura esquelética alcançados quando se desloca do estágio deque resulta num gasto energético acima dos sedentarismo a níveis moderados de práticaníveis de repouso, destacando componentes de atividade física, ou de baixos a moderadosde ordem bio-psico-social, cultural e índices de aptidão física relacionado à saúde.comportamental; como por exemplo: jogos, No entanto, os benefícios tendem a diminuir quando se passa de níveis moderados a altosRevista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.3, n.18, p.597-614. Nov/Dez. 2009. ISSN 1981-9900.
  6. 6. 602 Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício ISSN 1981-9900 versão eletrônica Periódico do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino em Fisiologia do Exercício w w w . i b p e f e x . c o m . b r / w w w . r b p f e x . c o m . b rníveis de prática da atividade física, ou de A vida sedentária provoca o desusomoderados a elevados índices de aptidão dos sistemas funcionais, o aparelho locomotorfísica. e os demais órgãos e sistemas solicitados Portanto, o aumento da prática de durante as diferentes formas de atividadeatividade física constitui uma opção para a física entram em um processo de regressãoredução do peso corporal, mas algumas vezes funcional, caracterizando, no caso dosnão se dá valor à participação dos exercícios músculos esqueléticos, um fenômenofísicos no controle do peso corporal, limitando associado à atrofia das fibras musculares, àsua contribuição apenas à demanda perda da flexibilidade articular, além doenergética do trabalho mecânico realizado comprometimento funcional de vários órgãos(Guedes e Guedes, 2008). (Barros Neto, 2007). Ainda de acordo com Guedes e O sedentarismo é a principal causa doGuedes (2008) apenas uma única sessão de aumento da incidência de várias doençasexercícios físicos, quando comparados com como: Hipertensão arterial, diabetes,dietas mais rigorosas, resulta em menos obesidade, ansiedade, aumento do colesterol,participação no gasto energético; mas, a partir infarto do miocárdio são alguns dos exemplosde um programa regular de exercícios físicos das doenças às quais o indivíduo sedentáriopoderá induzir a mudanças substanciais em se expõe. O sedentarismo é considerado olongo prazo, com uma diminuição de até 10 kg principal fator de risco para a morte súbita,de peso corporal em um ano, mesmo com o estando na maioria das vezes associadasconsumo energético permanecendo constante. direta ou indiretamente às causas ou aoEstudos prospectivos mencionam que níveis agravamento da grande maioria das doençasde prática de atividade física e aptidão física (Barros Neto, 2007).estão agregados lia menores índices de Para atingir o mínimo de atividadesmortalidade nos indivíduos com sobrepeso ou físicas semanais, e consequentemente deixarobesos ativos quando comparados com seus de ser sedentário, segundo (Matsudo, 2001),pares sedentários. Dessa forma, embora a existem várias propostas que podem seratividade física não possa deixar todos os adotadas de acordo com as possibilidades ouindivíduos magros, pode tornar uma pessoa conveniências de cada um, como: praticarmais ativa no cotidiano e, conseqüentemente, atividades esportivas como andar, correr,constitui em importante benefício à saúde, pedalar, nadar, fazer ginástica, exercícios comainda que permaneçam com sobrepeso ou pesos ou jogar bola é uma proposta válidaobeso (Guedes e Guedes, 2008). para evitar o sedentarismo e importante para Beauvoir (2004) cita que os dados melhorar a qualidade de vida.estatísticos sobre o sedentarismo da Também, recomenda-se a realizaçãopopulação brasileira, que estão disponíveis, de exercícios físicos de intensidade moderadaembora cientificamente limitados, revelam que durante 30 a 60 minutos de três a cinco vezes60-65% de indivíduos dessa população por semana, onde com a soma dos minutosapresentam comportamentos sedentários. O durante os dias da semana, deve-se obter 150sedentarismo é definido como a falta ou a minutos por semana, sendo consideradogrande diminuição da atividade física. Na assim uma pessoa ativa. E reagir aosrealidade, o conceito não é associado confortos da vida moderna, como subir dois ounecessariamente à falta de uma atividade três andares de escada ao chegar em casa ouesportiva. Do ponto de vista da medicina no trabalho, dispensar o interfone e o controlemoderna, o sedentário é o indivíduo que gasta remoto, estacionar o automóvel intencional-poucas calorias por semana com atividades mente num local mais distante, dispensaraocupacionais. escada rolante são algumas alternativas que Segundo um trabalho realizado com podem compor uma mudança de hábitos.ex-alunos da Universidade de Harvard, o gasto A vida nos grandes centros urbanoscalórico semanal define se o indivíduo é com a automatização progressiva, além desedentário ou ativo. Para deixar de fazer parte induzir o indivíduo a gastar menos energia,do grupo dos sedentários o indivíduo precisa geralmente impõe• grandes dificuldades paragastar no mínimo 2.200 calorias por semana encontrar tempo e locais disponíveis para aem atividades físicas (Mcardle, 2008). prática das atividades físicas espontâneas. A própria falta de segurança urbana acabaRevista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.3, n.18, p.597-614. Nov/Dez. 2009. ISSN 1981-9900.
  7. 7. 603 Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício ISSN 1981-9900 versão eletrônica Periódico do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino em Fisiologia do Exercício w w w . i b p e f e x . c o m . b r / w w w . r b p f e x . c o m . b rsendo um obstáculo para quem pretende fazer não apenas a condição das pessoas não seatividades físicas. Diante dessas limitações, sentirem limitadas para as tarefas quetornar-se ativo pode ser uma tarefa mais difícil, desejam realizar pôr falta de condição física,porém não de todo impossível (Mendes, onde é evidente que se uma pessoa tem2007). aptidão física desenvolvida, a mesma estará Nas cidades, a solução mais habitual preparada para qualquer tipo de esforço. Mas,para o sedentarismo imposto pelo trabalho ter uma boa qualidade de vida é sim, assumirintelectual são as atividades esportivas. o controle das situações que colocam a vidaClubes, academias e empresas que fabricam em risco; manter a harmonia corpo mente eequipamento profissional e doméstico para espírito, todas as dimensões do ser humano;ginástica proliferam nas regiões urbanizadas estar atento à obesidade, ao colesterol, àde todo o planeta, em consonância com a pressão arterial, ao tabagismo e ao estresseconsciência das pessoas quanto à diário; fazer uso de hábitos saudáveis comonecessidade de atividade física. Atividades manter uma boa alimentação, manter as horasrecreacionais como: caminhadas, passeios de sono e principalmente, praticar atividadesciclísticos, pescarias, camping e náutica físicas (Jacques, 2006).também envolvem razoável e benéfica Para que possamos entender aatividade física, mas devido ao seu caráter relação que a atividade física tem com ageralmente esporádico, devem ser promoção da saúde e qualidade de vida doscomplementadas com outras formas de idosos é necessário analisarmos a correlaçãoexercício mais freqüente (Mendes, 2007). entre atividade física e saúde na populaçãoIndependentemente do tipo de atividade, humana em geral.aspecto de alta relevância é adequar o grau de Atividade física sempre esteve ligada àesforço do exercício à condição física atual da imagem de pessoas saudáveis e vigorosas.pessoa. Qualquer tipo de exercício pode ser Durante muito tempo coexistiram duasgraduado nas suas características de interpretações para a associação de saúderealização, podendo então ser classificado com atividade física. Alguns imaginavam quecomo suave, moderado ou exaustivo, de pessoas geneticamente privilegiadas seriamacordo com o nível de sobrecargas impostas mais propensas à atividade física porao organismo. Evidentemente as pessoas apresentarem constitucionalmente boa saúde,descondicionadas devem iniciar as atividades vigor físico e disposição mental. Outroscom exercícios suaves (Guedes, 2005). acreditavam que a atividade física poderia ser O exercício regular também pode o estímulo ambiental responsável peladiminuir a gordura corporal e aumentar a força ausência de doença, boa aptidão física emuscular, assim como melhorar a aptidão saúde mental (Jacques, 2006). A literaturaaeróbica. As pessoas idosas treinadas atual permite concluir que a verdadefisicamente podem se cuidar mais aparentemente associa as duas hipóteses.adequadamente e se envolver nas atividades, No caso da atividade física, emboracomuns da vida. As pessoas idosas que se nem todos possam ou queiram destacar-seexercitam regularmente relatam que dormem como modelos de desempenho, existe hojemelhor são menos vulneráveis às doenças documentação científica de que as pessoasvirais e possuem uma melhor qualidade de ativas diminuem a probabilidade devida do que as sedentárias (Mazo, 2006). desenvolverem importantes doenças crônicas Segundo trabalhos científicos e melhoram os seus níveis de aptidão física erecentes, praticar atividades físicas por um disposição mental (Nahas, 2001). Estudosperíodo mínimo de 30 minutos diariamente, populacionais criteriosos permitiramcontínuos ou acumulados, é a dose suficiente estabelecer relações de causa e efeito entrepara prevenir doenças e melhorar a qualidade atividade física e a menor incidência dede vida, acabando com o sedentarismo algumas doenças, destacando-se a doença(Nahas, 2001). coronariana, a hipertensão arterial, diabetes do tipo II, obesidade, osteoporose, neoplasiasAtividade física e qualidade de vida em do cólon, ansiedade e depressão (Faria Junior,idosos 2008). No caso das pessoas idosas, a Entende-se por boa qualidade de vida importância da atividade física é grande eRevista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.3, n.18, p.597-614. Nov/Dez. 2009. ISSN 1981-9900.
  8. 8. 604 Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício ISSN 1981-9900 versão eletrônica Periódico do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino em Fisiologia do Exercício w w w . i b p e f e x . c o m . b r / w w w . r b p f e x . c o m . b rdeve ser avaliada em vários aspectos, tais vida “tem sido usados como sinônimos e acomo: profilaxia de doenças; tratamento de própria definição de qualidade de vida nãodoenças e melhoria na qualidade de vida consta na maioria dos artigos que utilizam ou(Mendes, 2007). propõe instrumentos para sua avaliação” Com o declínio da aptidão física, o (Jacques, 2006).impacto do envelhecimento e das doenças, o Qualidade de vida relacionada com aidoso tende a ir alterando seus hábitos de vida saúde (Health-related quality of life) e Estadoe rotinas diárias por atividades e formas de subjetivo de saúde (Subjective health status)ocupação pouco ativas. Os efeitos associados são conceitos afins centrados na avaliaçãoà inatividade e a má adaptabilidade são muito subjetiva do paciente, mas necessariamentesérios e podem acarretar numa redução no ligados ao impacto do estado de saúde sobredesempenho físico, na habilidade motora, na a capacidade do indivíduo viver plenamente.capacidade de concentração, de reação e de Deps (2003) considera que o termocoordenação, gerando processos de qualidade de vida é mais geral e inclui umaautodesvalorização, apatia, insegurança, variedade potencial maior de condições queperda da motivação, isolamento social e a podem afetar a percepção do indivíduo, seussolidão (Faria Junior, 2008). sentimentos e comportamentos relacionados Os efeitos da diminuição natural do com o seu funcionamento diário, incluindo,desempenho físico podem ser atenuados se mas não se limitando, à sua condição deforem desenvolvidos com os idosos, saúde e às intervenções médicas.programas de atividades físicas que visem à Duas tendências quanto àmelhoria das capacidades motoras que conceituação do termo na área de saúde sãoapóiam a realização de sua vida cotidiana, identificadas: qualidade de vida como umdando ênfase na manutenção das aptidões conceito mais genérico, e qualidade de vidafísicas de principal importância no seu bem relacionada à saúde.estar, como: a força muscular; a flexibilidade; a No primeiro caso, qualidade de vidamobilidade articular e a resistência (Bohme, apresenta uma acepção mais ampla,2003). aparentemente influenciada por estudos A pratica regular de atividades físicas sociológicos, sem fazer referência atraz vários benefícios para os idosos. Dentre disfunções ou agravos.os benefícios destacam-se: melhoria da auto- Fleck e colaboradores (2004), Ilustraeficácia, contribuição para aumento da com excelência essa conceituação a que foidensidade óssea, auxílio no controle do adotada pela Organização Mundial de Saúdediabetes, da artrite, doenças cardíacas, (OMS), em seu estudo multicêntrico que tevemelhora da ingestão de alimentos, diminuição por objetivo principal elaborar um instrumentoda depressão, redução da ocorrência de que avaliasse a Qualidade de vida em umaacidentes (Nahas, 2001). perspectiva internacional e transcultural. A A promoção da saúde e a qualidade Qualidade de vida foi definida como umade vida são os objetivos mais importantes percepção do indivíduo sobre a sua posiçãonuma atividade física realizada com idosos. É na vida, e em relação a seus objetivos,fundamental que o idoso aprenda a lidar com expectativas, padrões e preocupações (Fleckas transformações de seu corpo e tire proveito e colaboradores, 2004).de sua condição, prevenindo e mantendo em A avaliação da qualidade de vida ébom nível sua plena autonomia. Para isso é baseada na percepção do indivíduo sobre onecessário que se procure ter, estilos de vida seu estado de saúde, a qual também éativos, integrando atividades físicas a sua vida influenciada pelo contexto cultural em que estecotidiana (Faria Junior, 2008). indivíduo está inserido. A avaliação da saúde engloba aspectos gerais da vida e do bem-Instrumentos de avaliação da qualidade de estar do indivíduo, portanto, experiênciasvida subjetivas contribuem de forma importante como um parâmetro de avaliação e julgamento O termo qualidade de vida como vem dos próprios indivíduos (Lima, 2002).sendo aplicado na literatura médica não A avaliação de qualidade de vidaparece ter um único significado. “Condições de relacionada à saúde (QVRS) é um modo desaúde”, funcionamento social “e” qualidade de análise de todos os aspectos que merecemRevista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.3, n.18, p.597-614. Nov/Dez. 2009. ISSN 1981-9900.
  9. 9. 605 Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício ISSN 1981-9900 versão eletrônica Periódico do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino em Fisiologia do Exercício w w w . i b p e f e x . c o m . b r / w w w . r b p f e x . c o m . b rser considerados na avaliação dos indivíduos psicométricas satisfatórias, fez com que oe tem se tornado uma ferramenta importante, Grupo de Qualidade de Vida da OMSparticularmente como uma variável de medida desenvolvesse uma versão abreviada docapaz de verificar o impacto da doença, saúde WHOQOL-100, o WHOQOL-bref (WHOQOLe tratamento (Okuma, 2008). GROUP, 1998b). O WHOQOL-bref consta de Os indicadores de qualidade de vida 26 questões, sendo duas questões gerais de erelacionada à saúde são multidimensionais, as demais 24 representam cada uma das 24permitindo inúmeras condições de avaliação facetas que compõe o instrumento original.em que os indivíduos com a mesma doença Assim, diferente do WHOQOL-100 em quepossam apresentar diferentes níveis de saúde cada uma das 24 facetas é avaliada a partir dee de bem-estar físico e emocional. Uma das quatro questões, no WHOQOL-bref é avaliadaformas mais empregadas de avaliação são os por apenas uma questão. Os dados quequestionários, que têm por finalidade deram origem à versão abreviada foramtransformar medidas subjetivas em dados extraídos do teste de campo de 20 centros emobjetivos que possam ser quantificados e 18 países diferentes.analisados de forma global ou específica O critério de seleção das questões foi(Lima, 2002). tanto psicométrico como conceitual No nível Não existe um único instrumento conceitual, foi definido pelo Grupo decapaz de avaliar todas as situações de doença Qualidade de Vida da OMS de que o caráterou saúde, assim a escolha desses abrangente do Instrumento deveria serinstrumentos também é um item importante preservado. Assim, cada uma das 24 facetasque deve estar associado ao objetivo do que compõe o instrumento original (Oestudo e também de sua disponibilidade no WHOQOL-100) deveria ser representada poridioma e no contexto cultural onde possa ser uma questão.empregado. Os instrumentos podem se No nível psicométrico foi entãoapresentar nas formas de escalas, inventários selecionada a questão, que mais altamente seou índices e podem ser genéricos ou correlacionasse com o escore total, calculadoespecíficos (Okuma, 2008). pela média de todas as facetas. Após esta O objetivo dos instrumentos genéricos etapa, os itens selecionados foramé estimar o impacto global de uma condição examinados por um painel de experts paramórbida na vida de uma pessoa, abordando estabelecer se representavamaspectos físicos, emocionais, psicológicos, conceitualmente cada domínio de onde associais e funcionais e eles permitem a facetas provinham. Dos 24 itens selecionados,comparação do impacto de várias doenças em seis foram substituídos por questões queuma mesma população. Esses instrumentos definissem melhor a faceta correspondente.se apresentam em dois modos de avaliação: Três itens do domínio meio-ambiente foramperfil de saúde (descreve as condições de substituídos por serem muito correlacionadossaúde) e medidas de utilidade (mede a com o domínio psicológico. Os outros trêspreferência do paciente por determinado itens foram substituídos por explicarem melhorestado, tratamento ou intervenção). São bons à faceta em questão.métodos de triagem diagnóstica e, como Uma análise fatorial confirmatória foiexemplo, podemos citar o SF - 36 e realizada para uma solução a quatro domínios.WHOQOL-100. Assim o WHOQOL-bref é composto por quatro Os instrumentos específicos avaliam domínios: Físico, Psicológico, Relaçõesfunções particulares tais como sono e apetite. Sociais e Meio-ambiente.Avaliam populações específicas ou a Entretanto, observa-se que poucosrepercussão de uma queixa e permitem avaliar estudos são realizados com o intuito deo impacto de uma doença na vida, pois levam verificar a relação entre indivíduos queem conta todo o universo de sintomas da praticam e não praticam exercícios físicos comdoença. São mais sensíveis na avaliação de a qualidade de vida. Para tanto, tem-se comoresultados após intervenção terapêutica objetivo geral comparar a percepção da(Hayfllck, 2005). qualidade de vida entre idosos praticantes e A necessidade de instrumentos curtos não-praticantes de exercícios físicos queque demandem pouco tempo para seu freqüentam os programas oferecidos pelapreenchimento, mas com características UFPB para idosos.Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.3, n.18, p.597-614. Nov/Dez. 2009. ISSN 1981-9900.
  10. 10. 606 Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício ISSN 1981-9900 versão eletrônica Periódico do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino em Fisiologia do Exercício w w w . i b p e f e x . c o m . b r / w w w . r b p f e x . c o m . b rMATERIAIS E MÉTODOS mais de 60 anos de idade, constituída de idosos de nível sócio-econômico semelhante, O intuito da pesquisa foi comparar a possuindo uma renda familiar de seis ou maispercepção da qualidade de vida entre idosos salários, que praticam exercícios físicospraticantes e não-praticantes de exercícios regularmente a mais de seis meses e idososfísicos que freqüentam os programas que não praticam exercícios físicos também háoferecidos pela UFPB para idosos. Vale pelo menos seis meses; sendo selecionadossalientar que se trata de uma pesquisa 30 idosos de forma não-probabilística edescritiva do tipo correlacional. intencional, com participação voluntária dos Segundo Thomas (2002), a pesquisa mesmos. Destes, 15 são praticantes dedescritiva é uma técnica que procura exercícios físicos regularmente e 15 que nãodeterminar práticas presentes ou opiniões de praticam exercícios físicos regularmente.uma população específica, pode tomar a forma Utilizou-se um roteiro de entrevista aplicadode um questionário ou entrevista. individualmente a cada sujeito pelo próprio A população deste estudo incluiu pesquisador. Os dados foram coletados nopessoas idosas de ambos os gêneros com período de 18/08 a 18/09 de 2008.Tabela 1 - Descrição dos aspectos sócio-demográficos de acordo com % das variáveis qualitativas Variaveis Geral (%) Praticantes (%) Não-Praticantes (%) GÊNERO Masculino 45,0 46,7 43,3 Feminino 55,0 53,3 56,7 LOCAL Academia 50,0 100 – Região 50,0 – 100 OCUPAÇÂO Aposentado 68,3 60,0 76,7 Outros 31,7 40,0 23,3 Estado Civil Casado 43,4 46,7 40,0 Solteiro 3,3 6,7 – Viúvo 33,3 33,3 33,3 Divorciado 20,0 13,3 26,7 MORADIA Sozinho 2 3,0 - Familiares 98 97,0 45Aspectos sócio-demográfico aumento no excedente de mortalidade masculina em relação à mortalidade feminina. Nos aspectos sócio-demográficos para Com relação as variáveis quantitativasas variáveis qualitativas (gênero, ocupação, (idade, série, renda e número de pessoas),estado civil e moradia) observados na Tabela Tabela 2, os resultados apontaram o seguinte1 os resultados apontaram o seguinte perfil perfil para os idosos praticantes de atividadespara os praticantes de atividades físicas a físicas: média de idade de 64 ± 5,41 anos;maioria dos indivíduos é do gênero feminino com média de 11 anos de estudo formal; e(53,3%); sendo grande parte aposentados com renda familiar em média de 13,53 ± 6,11(60%), casados (46,7%) e 97,3% moram com salários mínimos; morando em média comfamiliares. Já para os não-praticantes quatro pessoas na mesma casa. Para osobservou-se um perfil semelhante: a maioria idosos não-praticantes de atividades físicasdos indivíduos também é do gênero feminino observou-se o seguinte perfil: média de idade(56,7%), aposentados (76,7%), casados (40%) de 68 ± 6,94 anos; a maioria com média de 9e todos moram com fami1iares. anos de estudo formal e, com renda familiar Observa-se, que nos dois grupos, o média de 11,68 ± 6,54 salários mínimos;número de mulheres, aposentados e casados morando em média com, quatro pessoas nacorresponde a mais da metade dos mesmos. mesma casa. Observa-se que os idososDe acordo com o IBGE (Viera, 2000), o praticantes de atividades físicas obteve médianúmero de idosos do gênero feminino em de idade menor que os idosos não-praticantesrelação à expectativa de vida é de 21,8% para de atividades físicas e que também o nível deo feminino e 18,7% do gênero masculino na escolaridade e renda familiar foi maior.faixa etária de 60 a 70 anos, levando a umRevista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.3, n.18, p.597-614. Nov/Dez. 2009. ISSN 1981-9900.
  11. 11. 607 Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício ISSN 1981-9900 versão eletrônica Periódico do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino em Fisiologia do Exercício w w w . i b p e f e x . c o m . b r / w w w . r b p f e x . c o m . b rTabela 2 - Descrição dos aspectos sócio-demográficos de acordo com a média e desvio padrão dasvariáveis qualitativas Variaveis Geral (%) Praticantes (%) Não-Praticantes (%)IDADE 66,23 ± 6,55 64,03 ± 5,41 68,43 ± 6,94SÉRIE 10,48 ± 2,99 11,47 ± 2,36 9,50 ± 3,26RENDA 12,57 ± 6,35 13,53 ± 6,11 11,60 ± 6,54Nº de Pessoas 4,43 ± 1,39 4,23 ± 1,33 4,63 ± 1,45Fonte: Coleta de dados 2008. Os resultados estão expressos em Média ± Desvio PadrãoProblemas de saúde Observando as respostas em relação a prevalência dos problemas de saúde, Segundo Nieman (2003), Gráfico 1, verificou-se relação com os dadosaproximadamente 85% das pessoas idosas citados por Nieman (2003), onde no geral 60%apresentam uma ou mais doenças ou dos indivíduos entrevistados possuemproblemas de saúde, sendo mais freqüentes hipertensão, sendo este o problema de saúdeos problemas músculos-esqueléticos (artrite e mais prevalente; 36,7% possuem problemasartrose); em segundo lugar vêm à hipertensão músculos-esqueléticos (artrite e artrose) ecom 36%; em terceiro as doenças cardíacas 33,3% possuem problemas metabólicoscom 32%. (diabetes, obesidade e osteoporose) . 40 Hipertensão 35 Colesterol 30 Infarto 25 Angina 20 AVC 15 Respiratórios 10 Músc.-Esquel. 5 Sensoriais 0 Metabólicos 1° Trim OutrosGráfico 01 - Prevalência de problemas de saúde na amostra Analisando os dados do Gráfico 2, problemas, sempre foi maior nos idosos não-observou-se que 60% dos indivíduos dos praticantes de atividades físicas com relaçãoidosos praticantes de atividades físicas são aos idosos praticantes. Com isso pode-sehipertensos, sendo a mesma porcentagem observar que entre os idosos que praticampara os idosos não-praticantes de atividades exercícios físicos os problemas de saúdefísicas; 53,3% das pessoas dos idosos não- foram menos prevalentes em comparaçãopraticantes de atividades físicas possuem àqueles que não praticam exercícios físicos.problemas músculos-esqueléticos, sendo esta Segundo Nieman (2003), um ingredi-porcentagem mais que o dobro dos idosos ente fundamental para um envelhecimentopraticantes de atividades físicas que é de saudável é o exercício físico regular, e de23,2%. Verificou-se também, que 37,7% dos todos os grupos etários, as pessoas idosasindivíduos dos idosos não-praticantes de são as mais beneficiadas pelo exercício, ondeatividades físicas possuem doenças o risco de muitas doenças e problemas demetabólicas, sendo esta porcentagem maior saúde comuns na velhice (doenças cardiovas-que a dos idosos praticantes de atividades culares, hipertensão, osteoporose, diabetes)físicas que é de 30%. diminui com a atividade física regular. Isto foi Com relação aos outros problemas de observado quando comparamos a prevalênciasaúde, tais como, doenças sensoriais, de problemas de saúde dos idosos praticantesdoenças respiratórias e alguns problemas de atividades físicas com relação aos idososcardiorrespiratórios, a prevalência destes não-praticantes de atividades físicas.Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.3, n.18, p.597-614. Nov/Dez. 2009. ISSN 1981-9900.
  12. 12. 608 Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício ISSN 1981-9900 versão eletrônica Periódico do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino em Fisiologia do Exercício w w w . i b p e f e x . c o m . b r / w w w . r b p f e x . c o m . b r 60 Hipertensão Colesterol 50 Infarto 40 Angina 30 AVC Respiratórios 20 Músc.-Esquel. 10 Sensoriais 0 Metabólicos Praticantes Não-Praticantes OutrosGráfico 02 - Prevalência de problemas de saúde de acordo com os gruposAtividades físicas habituais Qualidade da atividade física Em relação às atividades físicas Para classificar a qualidade dahabituais foram analisadas as atividades atividade física considerou-se a freqüência e afísicas moderadas, vigorosas, e a caminhada e duração dos diferentes tipos de atividadesas respectivas freqüência (semanal) e duração (caminhada + atividade física moderada +realizadas pelos idosos, nos diferentes atividade física vigorosa), adotando-se acontextos: casa, lazer, trabalho e transporte seguinte classificação: Ativos: Aqueles(IPAQ-8). indivíduos que realizam atividades físicas de As atividades físicas vigorosas são intensidade moderada ou vigorosa por noaquelas que precisam de um grande esforço mínimo 150 minutos por semana;físico e fazem você respirar muito mais forte Insuficientemente ativo: não atinge o critérioque o normal, enquanto as atividades físicas citado acima.moderadas são aquelas que precisam de Analisando os dados do Gráfico 3,algum esforço físico e fazem você respirar um observou-se que apenas 36,7% dos indivíduospouco mais forte que o normal (Nahas, 2001). dos idosos praticantes de atividades físicas Observando os dados da tabela 3, foram classificados como ativos, enquanto queverificou-se que apenas 26,6% dos indivíduos os idosos não-praticantes apenas 13,3% dosdos idosos praticantes de atividades físicas indivíduos foram classificados como ativos.realizam atividades vigorosas, com uma Um fato importante apontado por esses dados;freqüência de 2 vezes por semana, com uma é que apesar dos idosos praticantes demédia de 66,25 minutos. Foi constatado que atividades físicas ser composto por praticantesnenhum indivíduo dos idosos não-praticantes de exercícios físicos, mais da metade foramde atividades físicas realiza atividades classificados como insuficientemente ativosvigorosas. (Gráfico 1). Isso se deve ao fato de muitos Com relação à prática de atividades desses indivíduos, apesar de realizaremmoderadas, todos os indivíduos praticantes de exercícios físicos, os realizam com umaatividades físicas realizam esse tipo de intensidade leve e que muitas vezes a duraçãoatividade, com uma média de 5,0 vezes por destas atividades não atinge 150 minutos porsemana e uma duração média de 76 minutos. semana.Já nos não-praticantes, 83,3% dos indivíduos Outro dado interessante, e jápraticam atividades moderadas, em média 5,0 esperado, é que a quantidade de indivíduosvezes por semana, 71,60 minutos. insuficientemente ativos dos idosos não- Verificou-se também que 53,3% dos praticantes de atividades físicas (86,7%) éindivíduos de cada grupo realizam bem superior do que com relação aos idososcaminhadas, sendo em média 4 vezes por praticantes de (63,3%), inclusive comparandosemana e com duração média de 52 minutos o número de indivíduos ativos com ospor dia nos idosos praticantes de atividades insuficientemente ativos, onde a proporçãofísicas e 4 vezes por semana e 46,25 minutos dos idosos não-praticantes é bem maior que ade duração por dia para os idosos não- dos idosos praticantes.praticantes de atividades físicas.Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.3, n.18, p.597-614. Nov/Dez. 2009. ISSN 1981-9900.
  13. 13. 609 Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício ISSN 1981-9900 versão eletrônica Periódico do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino em Fisiologia do Exercício w w w . i b p e f e x . c o m . b r / w w w . r b p f e x . c o m . b rTabela 3 - Descrição da variável atividade física de acordo com o tipo, freqüência, duração equantidade de indivíduos praticantes Variaveis Geral (%) Praticantes (%) Não-Praticantes (%)ATIVIDADE FÍSICA VIGOROSA FREQÜÊNCIA (VEZES/SEMANA) 2,50 2,50 0 DURAÇÃO (MINUTOS) 66,25 66,25 0Nº. DE INDIVÍDUOS PRATICANTES 8 8 0ATIVIDADE FÍSICA MODERADA FREQÜÊNCIA (VEZES/SEMANA) 4,67 4,77 4,56 DURAÇÃO (MINUTOS) 74,00 76,00 71,60Nº. DE INDIVÍDUOS PRATICANTES 55 30 25ATIVIDADE FÍSICA CAMINHADA FREQÜÊNCIA (VEZES/SEMANA) 4,19 4,31 4,06 DURAÇÃO (MINUTOS) 49,06 51,88 46,25Nº. DE INDIVÍDUOS PRATICANTES 32 16 16Fonte: Coleta de dados 2008. 100 80 60 Ativo 40 Insuficientemente Ativo 20 0 Não Praticantes Praticantes GERALGráfico 03 - Percentual de sujeitos de acordo com o nível de atividade físicaComparação entre qualidade de vida dos atividades físicas, com relação ao Domínio I osidosos praticantes de exercícios físicos resultados médios foram de 67,97 (desviocom os idosos não-praticantes padrão de 17,70), sendo considerado positivo, mesmo levando em consta o desvio padrão. O instrumento utilizado para analisar a Para o Domínio II ocorreu o mesmo, onde osqualidade de vida foi o WHOQOL-bref, resultados médios foram de 59,58 (desvioproposto pela OMS, onde o mesmo está padrão de 16,01), apesar de que sedividido em quatro Domínios O Domínio I considerarmos o desvio padrão ele pode(físico) analisa variáveis relacionadas com dor chegar a ser negativo. Com relação aoe desconforto; energia e fadiga; sono e Domínio III os resultados médios foramrepouso. O Domínio II (Psicológico) está positivos com 63,88 (desvio padrão de 11,85).relacionado com imagem corporal e aparência; Para o Domínio IV também os resultadossentimento de auto-estima e capacidade de médios foram positivos com 65,83 (desvioconcentração. O Domínio III (relações sociais) padrão de 15,08) (Tabela 4).analisa as relações pessoais; suporte social e Analisando os resultados dos idososatividade sexual. E por fim, o Domínio IV não-praticantes de atividades físicas observou-(meio-ambiente) analisa o ambiente no lar; se que para o Domínio I, os resultados foramambiente físico; lazer e transporte. positivos com 55,11 (desvio padrão de 17,76), O instrumento tem um escore de 0- apesar de que se considerarmos o desvio100, mas que ainda não tem um critério de padrão ele pode chegar a ser negativo. Jáclassificação. Resolveu-se adotar o seguinte para o Domínio II o resultado foi negativo comcritério de classificação: como o escore é de 0- 48,05 (desvio padrão de 12,84). Para os100 e sua mediana é 50, os resultados obtidos Domínios III e IV os resultados foram positivos,acima de 50 foram considerados positivos e sendo 52,18 (desvio padrão de 13,44) para oaqueles resultados abaixo de 50 considerados Domínio III e 52,45 (desvio padrão de 12,19)negativos. para o Domínio IV. Seguindo o critério adotado, observou-se que para os idosos praticantes deRevista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.3, n.18, p.597-614. Nov/Dez. 2009. ISSN 1981-9900.
  14. 14. 610 Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício ISSN 1981-9900 versão eletrônica Periódico do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino em Fisiologia do Exercício w w w . i b p e f e x . c o m . b r / w w w . r b p f e x . c o m . b rTabela 4 - Teste t para grupos independentes, para indicadores/domínios da qualidade de vida entreos idosos praticantes de atividades físicas e não praticantesIndicadores de Qualidade de Vida Praticantes (%) Não-Praticantes (%) Teste T X (DP) X (DP) tDOMÍNIO I: Físico 67,97 17,70 55,11 17,16 2,80*DOMÍNIO II: Psicológico 59,58 16,01 48,05 12,84 3,07*DOMÍNIO III: Relações Sociais 63,88 11,85 52,18 13,44 2,88*DOMÍNIO IV: Meio Ambiente 65,83 15,08 52,45 12,19 3,85*Fonte: Coleta de dados 2008. *P<0,05 Na comparação entre os Grupos de relação a outros problemas de saúdeacordo com os resultados do teste “t” para (músculos-esqueléticos, metabólicos, doençasdados independentes, observou-se resultados sensoriais, doenças respiratórias; problemassignificativos (p<0,05) para todos os Domínios cardíacos), observou-se uma menor(físico, psicológico, relações sociais e meio prevalência nos idosos praticantes deambiente) entre os dois grupos. De modo que atividades físicas em comparação aos não-os melhores resultados da percepção da praticantes.qualidade de vida foram dos idosos praticantes Nas atividades físicas habituais,de atividades físicas em comparação com os verificou-se que apenas indivíduos praticantesidosos não-praticantes. Estes dados de atividades físicas (26,6%) realizamconfirmam a hipótese deste estudo, onde os atividades vigorosas; e que todos osidosos que praticam exercícios físicos têm indivíduos praticantes de atividades físicasmelhor qualidade de vida do que aqueles que realizam atividades moderadas, em média 5não praticam. vezes por semana com duração média de 76 A prática regular de atividades físicas minutos. Já nos idosos não-praticantes detêm vários benefícios para os idosos. Dentre atividades físicas constatou-se que 83,3% dosos benefícios destacam-se: melhoria da auto- indivíduos realizam atividades moderadas, emeficácia, contribuição para o aumento da média 5 vezes por semana, com uma duraçãodensidade óssea, auxílio no controle do média de 71 minutos.diabetes, da artrite, doenças cardíacas, Na classificação do nível de atividadediminuição da depressão, redução da física considerando as atividades habituaisocorrência de acidentes, onde irá influenciar realizadas nos vários contextos (casa,diretamente na qualidade de vida (Nahas, trabalho, lazer e transporte), observou-se que2001). 36,7% dos indivíduos são idosos praticantes de atividades físicas e 13,3% dos não-Considerações finais praticantes foram classificados como ativos. Um fato importante apontado por esses dados, As conclusões deste estudo são é que apesar dos idosos praticantes dereferentes à amostra constituída de 30 idosos, atividades físicas ser composto por ativosSendo 15 praticantes de exercícios físicos e praticantes de exercícios físicos, mais da15 não praticantes de exercícios físicos, que metade foram classificados comotem atuação freqüente aos programas de insuficientemente ativos. Isso se deve ao fatoeducação física ofertados pela UFPB. A média de muitos desses indivíduos, apesar dede idade foi de 66 anos, com renda familiar realizarem exercícios físicos, os realizam commédia de 12,57 salários mínimos, tendo em uma intensidade leve e que muitas vezes amédia 10 anos de estudo formal, morando em duração destas atividades não atinge 150média com quatro pessoas na mesma casa, minutos por semana.sendo a maioria do sexo feminino (55%), Para a percepção da qualidade deaposentados (68,3%), casados (43,3%) e vida, comparando os idosos praticantes deresidindo (98,3%) com familiares. atividades físicas com os não-praticantes, Com relação à prevalência dos constatou-se que os resultados foramproblemas de saúde observou-se que tanto significativos (p<0,05) para todos os Domíniosnos praticantes quanto nos idosos não- (físico, psicológico, relações sociais, meiopraticantes de atividades físicas O problema ambiente) entre os dois grupos, sendo que osmais prevalente foi a hipertensão (60%), em melhores resultados foram dos idososRevista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.3, n.18, p.597-614. Nov/Dez. 2009. ISSN 1981-9900.
  15. 15. 611 Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício ISSN 1981-9900 versão eletrônica Periódico do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino em Fisiologia do Exercício w w w . i b p e f e x . c o m . b r / w w w . r b p f e x . c o m . b rpraticantes de atividades físicas, podendo 8- Faria Junior, A. Anais do II Seminárioesses resultados terem ocorridos devido aos Internacional sobre Atividades Físicas para aindivíduos serem praticantes de exercícios Terceira Idade. Rio de Janeiro: UNATI/UERJ.físicos, apesar de não ter sido verificada uma 2008.relação de causa e efeito, este fato pode tercontribuído na qualidade de vida. 9- Fleck, M. P. A.; Lousada, S.; Xavier, M.; Chamovich; E.; Vieira, G.; Santos, L.; Pinzon,CONCLUSÃO V. Aplicação da Versão em Português do Instrumento de Avaliação de Qualidade de Conclui-se que os idosos praticantes Vida da Organização Mundial da Saúdede atividades físicas apresentam melhores (WHOQOL - Bret). Revista Saúde Pública. Vol.resultados tanto em relação ao nível de 33. Num. 2. 2004. p. 198 - 205.atividade física, quanto na prevalência deproblemas de saúde e, sobretudo na 10- Gonçalves, M. T. F. Efeitos da Imobilidadepercepção da qualidade de vida. Prolongada no Idoso. Nursing (edição Vale a pena ressaltar limitações portuguesa). Ano 8, n. 93, out/2005. p. 16-21.referentes a este estudo e diante destassugestões para outras investigações, algumas 11- Guedes, D. P. Controle de Peso Corporal:análises foram limitadas em função da composição corporal, atividade física epequena quantidade de sujeitos, recomenda- nutrição. Londrina: Midiograf. 2008.se a realização de outros estudos com umnúmero maior de sujeitos. 12- Guedes, D. P.; Guedes, J. E. R. P. Atividade Física, Aptidão Física e Saúde.REFERÊNCIAS Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde. Vol.1. Num.1. 2005. p. 18-35.1- Barros Neto, T.L.. Exercício, Saúde eDesempenho Físico. São Paulo. Atheneu. 13- Hayflick, L. Como e Por Que2007. Envelhecemos. Rio de Janeiro: Campus, 2005.2- Barry, H.C.; Eathorne, S.W. Exercício e 14- IBGE. População por sexo, e Total de 65Envelhecimento. Revista Médicas da América anos e mais/Brasil. Censo 2001. Fonte:do Norte. Vol.3. p. 367-387. 2004. Disponível em: <http://wvvw.mpas.gov.br/12_ 01_18.htm>. Acesso em 03/09/2008.3- Bohme, M.T. S. Aptidão Física: AspectoTeórico. Revista Paulista de Educação Física. 15- Jacques, W.C.A. Qualidade de Vida: algoSão Paulo. Vol. 7. Núm 2. 2003. p.52-65. mais do que um elenco de benefícios. Revista de treinamento e Desenvolvimento, ano 4.4- Carvalho Filho, E. Fisiologia do Num. 43, p.31-33, 2006.Envelhecimento. In: PAPALEO NETTO, M.(ORG.). Gerontologia. São Paulo: Atheneu, 16- Lima, M.D.O. Qualidade de Vida1996. p. 60-70. Relacionada as Atividades Física. Recife: ED/UFPE, 2002.5- Chaimowics, F. Os Idosos Brasileiros noSéculo XXI: demografia, saúde e sociedade. 17- Leite, P.F. Exercício, Envelhecimento eBelo Horizonte: Postgraduate. 2008. Promoção de Saúde. Belo Horizonte: Health, 2006.6- Clemente, E. Aspectos Biológicos eGeriátricos do Envelhecimento. Porto Alegre: 18- Mazo, G.Z.; Lopes, M.A.; Azher, T.B.Editora Edipucrs, 2008. Atividade Física e o Idoso. Porto Alegre: Sulina. 2006.7- Deps, V.L. Atividade e Bem-estarPsicológico na Maturidade. In Néri, Anita L. 19- Matsudo, S. M.; Matsudo, V. K. Efeitos(org). Qualidade de vida e idade madura. Benéficos da Atividade Física na AptidãoCampinas, SP: Papirus. 2003. Física e Saúde Mental Durante o Processo de Envelhecimento. Revista Brasileira deRevista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.3, n.18, p.597-614. Nov/Dez. 2009. ISSN 1981-9900.
  16. 16. 612 Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício ISSN 1981-9900 versão eletrônica Periódico do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino em Fisiologia do Exercício w w w . i b p e f e x . c o m . b r / w w w . r b p f e x . c o m . b rAtividade Física & Saúde. Vol. 5. Num. 2. 25- Okuma, S. S. O Idoso e a Atividade Física:2001. p. 60-76. fundamentos e pesquisa. Campinas: Papirus, 2008.20- Mcardle, W. D. Fisiologia do Exercício,Energia, Nutrição e Desempenho Humano. Rio 26- Paschoal, S.M.P. Autonomia ede Janeiro: Guanabara. Koogan. 2008. Independência. São Paulo: Atheneu. 2006.21- Meirelles, M. A. E. Atividade Física na 27- Pellegrinotti, I.L. Atividade Física eTerceira Idade: uma abordagem sistemática. Esportes: a importância no contexto saúde doRio de Janeiro: Sprint, 2007. ser humano. São Paulo: Manole. 2008.22- Mendes, M. Atividade Física na Terceira 28- Ramos, A.T. Atividade Física. Rio deIdade. Rio de Janeiro: Sprint. 2007. Janeiro: Sprint. 2005.23- Nahas, M. V. Atividade Física, Saúde e 29- Thomas, J. R. Método de Pesquisa emQualidade de Vida: conceitos e sugestões Atividade Física. Porto Alegre: Artmed, 2002.para um estilo de vida ativo. Londrina:Midiograf. 2001. 30- Vieira, E. B. Manual de Gerontologia: um guia teórico-prático para profissionais,24- Nieman, D. C. Exercício e Saúde: como se cuidadores e familiares. Rio de Janeiro: 2000.prevenir de doenças usando o exercício comoseu medicamento. São Paulo: Manole. 2003. Recebido para publicação em 14/03/2009 Aceito em 10/08/2009 Anexo A: Instrumento de Coleta de Dado UNIVERSIDADE GAMA FILHO Especialização em Exercício Físico Aplicado à Reabilitação Cardíaco e Grupos Especiais ROTEIRO DE ENTREVISTAA entrevista ora apresentada tem por objetivo colher dados para o desenvolvimento de um estudo deespecialização sobre o tema “A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA À QUALIDADE DE VIDA DOSIDOSOS: um estudo de caso na UFPB”. A ser dissertada pelas alunas: Jucicleide Herculano Merquiades,Jucineide Herculano Merquiades Agra, Kamila Maria Dantas Albuquerque e Ruthnea Cordeiro Costa, daUniversidade Gama Filho. Salientamos que a identidade dos entrevistados será preservada no corpo do estudo.DESCRIÇÃO SÓCIO-DEMOGRÁFICOData: ____/______________/2008.Nascimento: ____/_____/______.Sexo: [ ] Masculino [ ] Feminino.Ocupação: ____________________Estado Civil: [ ] Casado(a) [ ] Solteiro(a) [ ] Viúvo(a) [ ] Divorciado(a)/Separado(a).Aposentado(a): [ ] Sim [ ] Não.Número de pessoas em casa: [ ]Renda Familiar: [ ] salários mínimos.Escolaridade: Fundamental [Comp.] [Incomp.] Médio [Comp.] [Incomp.] Superior [Comp.] [Incomp.]Condição de moradia: Sozinho [ ] Familiares [ ] Instituição [ ] Outros__________________________PROBLEMA DE SAÚDE:1 – Algum Médico de Saúde diagnosticou que você é acometido de:Pressão alta: [ ] Sim [ ] Não [ ] Não sei responderDiabetes: [ ] Sim [ ] Não [ ] Não sei responderColesterol elevado: [ ] Sim [ ] Não [ ] Não sei responderRevista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.3, n.18, p.597-614. Nov/Dez. 2009. ISSN 1981-9900.

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