Um Ano de Berro 365 dias de fúria
BARBOSA, Fabio da Silva. VASCONCELLOS, Alexandre Mendesde. GUEDES JÚNIOR, Winter Bastos. Um ano de Berro: 365dias de fúria...
APRESENTAÇÃO        Foi em outubro de 2008 que nasceu o fanzine O Berro,fruto do esforço comum de três amigos que acredita...
O Aumento                                     Por Fabio da Silva Barbosa       Nos chuveiros da fábrica, Tarciso e Genival...
coisa.          _Por favor, gostaria de falar com o senhor Gervázio.          _Qual seu nome?          _Tarciso. Sou funci...
_Meu nome é Tarciso e já trabalho a quinze anos nasua fábrica. Nunca faltei um dia sequer. Mesmo quando doente.Nem atrasad...
por algum tempo. – Sabe de uma coisa, senhor Narciso. Umacoisa que me incomoda é a visão errada que as pessoas têmde mim. ...
para alguém como o senhor. Qualquer empresa ficaria satisfeitaem recebê-lo em seu quadro de funcionários.         _Não é t...
emprego.A festa                                       Por Fabio da Silva Barbosa        _Volta aqui, menino - Milne corre ...
_Problema dele.        _Mas ele não é seu amiguinho?        _Não.        _Desgraça de menino. Só me faz passar vergonha.  ...
Do padre                                        Por Fabio da Silva Barbosa        Padre Eurípides já se impacientava. Os o...
_Xxxiiiii... Não fale. Não fale- apoiou a cabeça no ombrode sua querida tentação, tentando capturar todo frescor juvenilqu...
introduziu nos mistérios da fé.        _Ah...Padre Francis...Ah...        _?        _Xxxiiiii... Não fala... Não fala. - A...
nome do rigoroso padre Francis, com doçura angelical.Atravessou a porta por onde meia hora antes havia entrado.Subiu a rua...
cima do balcão. Zinda levantou-se e foi buscar. Pegou a cervejaencheu o copo e já veio bebendo. Gonzaga apreciou o trajeto...
tudo que ganhava. Ninguém respeitava mais seu nome.          _Torpedo prometeu que cuidaria de meus negócios.          _Na...
ensinei a viver por você. Sem precisar de nada nem deninguém. O que vai conseguir sabendo ler? O que importa é teruma vira...
que dizia:          “Agora, meu chapa, é a hora da macaca manca”.Vidinha                                     Por Fabio da ...
ato de levantar.        Tudo começou a girar. A dor de estômago competiacom a da cabeça. Conseguiu ficar de joelhos. Olhou...
algum tempo. Levantou irritado. Precisava de um banho. Olhoupara o pequeno quintal procurando a solução. Só encontrou lixo...
para olhar pela janelinha com aquela cara de tarado e mesaudar com suas frases feitas. Balancei a cabeça com umsorriso cín...
bonito e tinha dinheiro. Nunca entendi porque precisava demeus serviços. Qualquer mulher poderia aprender a manusearos con...
danada. Se pelo menos tivesse juízo naquela cabeça... Paraque beber assim? Mas também, se não beber, fica pior.Ninguém agu...
registrava algo terrível. Disparei pelo cômodo, abrindo a portaque me separava do meu amor. O corpo estava caído. Semvida....
Bush.Mãe: Coitado... Um rapaz tão bonito.Pai: Quem??? O Bush?Mãe: Não. Que Bush... Tô falando do marido da Suzana.Filho de...
Não                                    Por Fabio da Silva Barbosa        Fico pensando, atordoado, em como o sistema criad...
colégio público que deveria atender satisfatoriamente a grandemaioria da população, pobre e desprovida de recursos, virouu...
contar do antigo império romano.        Então essa minoria está bem? Na verdade não. Osistema não deixa brecha para felici...
substituídos por locais repletos da frieza que a arrogância dorequinte consegue oferecer melhor que ninguém.        A prim...
substituíram o copo americano por tulipas finas.       Coitadas das pessoas. Vão perder um reduto onde ainteração com a di...
vendedoras e até sozinhas por entre as mesas.        Um garotinho se aproximou e ofereceu umas balas.Dissemos que não quer...
Língua rica ou confusa?                                      Por Fabio da Silva Barbosa        Certas coisas não entram em...
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A coisa flui naturalmente quando é agradável aousuário. Assim como o k, w e y foram retirados do nossoabecedário, a coisa ...
Por que o jornalista vive em uma camisa deforça?                                       Por Fabio da Silva Barbosa         ...
Las Vegas”, lançado no Brasil em 1984 pela editora Animacomo “Las Vegas na Cabeça”), originalmente uma matériasobre uma co...
Além do gonzo existem diversos outros tipos deresistência a esse engessamento da notícia, que não garantede forma alguma a...
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comportar de um jeito x. Seus movimentos, gestos e falas sãominuciosamente regulados. O indivíduo se torna um boneco,abrin...
aos que morreram na sarjeta, por não serem admitidos nesseclubinho alienante, formado por eruditos e pessoas manipuláveise...
A endemonização do erro nos leva apenas ao co-modismo e nos causa um pânico paralisante. Temos deentender que o erro faz p...
da música, que serve mais como estímulos sensoriais, quecomo uma forma contemplável.       Ao seguir uma lei baseada no co...
Partido dos Panteras Negras e assumiu uma posturarevolucionária. Em seu auge, ainda nos anos 60, tinha mais dedois mil mil...
http://www.abu-jamal-news.com/Violência contra jornalistas                                     Por Fabio da Silva Barbosa ...
bermuda branca e camisa preta se aproximou e disparou. Emnenhum momento foi anunciado assalto.Foram disparados 3tiros. Um ...
A Shaninha é um Show a parte. A mascote do bar éuma gata cinza que brinca entre as pernas dos freqüentadoresque retribuem ...
sempre conseguiam se aproveitar do prestigio do programapara fazer sua publicidade. O caso mais explicito foi o docigarro,...
O Circo chegou                                    Por Fabio da Silva BarbosaO Grande Circo Eleitoral chegouTemos O Candida...
Atrações nacionalmente importadasVocês não podem perderAs novas flores                                      Por Fabio da S...
se não nos aventurarmos pela vida aforase não abraçarmos o desconhecido,lascando um beijo na bocaestaremos apenas andando ...
estou cansado da mentira peçonhentaque nos enfraqueceenquanto os alimentaque nos mutila em forma de graduaçãoque nos castr...
cantarem e rodopiarempor todas as praças e camposdespidoscompletamente nusonde os excessossejam adoradosos certos estejam ...
Entrevista com Latuff                                      Por Fabio da Silva BarbosaTenho muita satisfação de trazer até ...
político e profissional graças à imprensa sindical. Lá pudeexercer com maior liberdade minhas inquietudes. Emborativesse o...
movimentos pelo mundo.Vi uma homenagem que você fez ao dia da mulher anarcopunk.O movimento punk anarquista influenciou em...
já passou por lá. Então resta saber o que nesse site, que é umblog de charges, chama tanta atenção dos organismos dedefesa...
que entre Democratas e Republicanos o que se tem é ummodelo de imperialismo e neoliberalismo brutal, hard line (linhadura)...
pequenos buraquinhos aqui e ali. Isso faz a diferença.As doutrinas como o Marxismo e o Anarquismo ainda dão contado mundo ...
essa ignorância. Existe um sistema que mantém as pessoas naignorância. Esse sistema se dá através da televisão, das igreja...
alienação faz com que as pessoas queiram olhar para o seupróprio umbigo, e o artista não está sendo diferente. Está maisin...
doente em um hospital precisa de um tratamento e não dealguém perguntando se tem plano de saúde ou cheque calção.Não adian...
terra... Este tipo de coisa que eu acredito poder produzirmudanças e transformações. E o artista deve se juntar a essesmov...
país a excursionar pela Europa. Em 1989, gravações dessesshows viraram um disco ao vivo. No mesmo ano, a bandalançaria o L...
E depois que a banda deu certo, o que mudou?Mudou todo o cenário nacional. Nosso desbravamento dospossíveis caminhos do so...
Nunca vai mudar”. O por que disso?Bem, o termo que consolida isso é: SUPRESSÃO, ou seja,quando alguém vê sua conquista em ...
A atual situação política brasileira: Desrespeito. Faço meu dia adia. Nem perco tempo vendo noticiário, vejo os cataclismo...
cineclube e começou suas atividades como cineasta. Aindacomo estudante, dirigiu o jornal da UME (União Metropolitanade Est...
Não sei. Talvez aquilo que diferencia o Brasil do resto domundo. Mas o que é esse elemento diferenciador? É difícilexplica...
O desejo de ter uma personalidade própria, e de descobrir oBrasil através do cinema.Para finalizar, vamos tirar um pouco o...
que minha janella para a vida commum seria fechada pelacegueira progressiva. Foi uma sahida existencial, umaescapatoria.Qu...
Portanto, nada de extranho no facto de eu ser mais louco comopersonagem que como pessoa.Você se venderia para ter uma vida...
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que devemos participar das assembléias no sindicato(SINTRONAC), reivindicar pelo que acharmos necessário.Os rodoviários es...
Como foi esse momento de transformação?No momento que conheci a Sociologia e a Antropologia, vi quehavia chegado a hora de...
lançado independente. Atualmente continua na estrada.Contatos: enemycross_@hotmail.com ,www.mayspace.com/enemycross. Tel:[...
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colocamos no final o aviso de que faríamos a continuação. Masainda não gravamos. O cara que aparece no trailer fazendopape...
UM ANO DE BERRO - 365 dias de fúria
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Rascunho do que viria a ser o livro comemorativo de 1 ano do fanzine O BERRO. O livro saiu impresso pela Editora Independente, de Brasília.

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UM ANO DE BERRO - 365 dias de fúria

  1. 1. Um Ano de Berro 365 dias de fúria
  2. 2. BARBOSA, Fabio da Silva. VASCONCELLOS, Alexandre Mendesde. GUEDES JÚNIOR, Winter Bastos. Um ano de Berro: 365dias de fúria. Brasília: Editora Independente, 2010.Colaborou: Francisco Bragança, Anita Rink, Tânia Roxo, AlineNaue, Renata Machado Seti Rodrigues e Eduardo Marinho.Organização: Fabio da Silva Barbosa e Winter Bastos GuedesJúnior.Capa: arte de Alexandre Mendes Vasconcellos.Impresso na Gráfica Bandeirantes.Permitida a reprodução integral ou parcial, desde que citadosos seus autores e a Editora. Todos os direitos estãoreservados.Abril de 2010.www.editoraindependente.com.br
  3. 3. APRESENTAÇÃO Foi em outubro de 2008 que nasceu o fanzine O Berro,fruto do esforço comum de três amigos que acreditaram numveículo de comunicação inovador, plural, crítico e participativo.Àquele despretensioso número 0, seguiram-se outros. Apublicação continuou independente e mensal, apesar de todasas dificuldades de se manter um meio de comunicaçãoalternativo. Continuou produzida por Fabio Barbosa, AlexandreMendes e Winter Bastos, mas teve vários colaboradores. E,graças a todos, já ultrapassou um ano de vida. Este livro reúne textos presentes no fanzine O Berro emseu primeiro ano de luta. Foram 12 números de revolta, arte,crítica, poesia, política, cinema, literatura, vida: 365 dias defuror, fibra e fúria. E, ao que tudo indica, é só o início. Winter Bastos ÍNDICE Textos Desenhos Capas
  4. 4. O Aumento Por Fabio da Silva Barbosa Nos chuveiros da fábrica, Tarciso e Genival sebanhavam no final do expediente. _E aí, Tarciso? Vamos tomar uma? _Hoje não. Tenho um compromisso importante. _Quando compromisso foi motivo para não beber? _Mas hoje é sério. _Motivo de doença? _Não. _Então é papo de mulher. _Também não - sorriu Tarciso, enquanto se enxugava. _Depois te conto. Agora não dá. Tarciso se arrumou apressado e seguiu rumo àsescadas. Ao subir os degraus, seus passos começaram a ficarlentos e vacilantes. A cabeça girava tentando formular frases egestos. Passou a semana remoendo se deveria ou não tomaraquela atitude. Enfim decidiu. Daquele dia não passaria. Terceiro andar. Passou a mão pela testa suada.Lembrou que deveria ter pego o elevador. Já avistava a mesada secretária, que com ar entediado, falava ao telefone.Começou a fazer promessas a todos os santos e orixás que lhevinham a cabeça. De pé, Tarciso aguardou por quinze minutosaté ser percebido. Contrariada, a secretária disse que teria dedesligar. Voltou-se para ele e perguntou se desejava alguma
  5. 5. coisa. _Por favor, gostaria de falar com o senhor Gervázio. _Qual seu nome? _Tarciso. Sou funcionário. _Vou ver se ele pode atender - discou o ramal. Passadoalgum tempo, anunciou: -Senhor Gervázio, Tem um funcionáriode nome Tarciso querendo falar com o senhor. _E então? Posso entrar? _Ele pediu que o senhor aguarde um pouquinho. Podesentar. _Indicou, com a caneta, as cadeiras de espera. Exatos cinquenta minutos se passaram. Tarciso jáachava melhor deixar aquilo tudo de lado. A úlcera começava adoer e a cabeça girava mais que pião. A secretária juntoualguns papéis que estavam sobre sua mesa. Bateu na porta dasala ao lado. Senhor Gervásio, com a habilidade que só aprática dá, fechou a página erótica que minuciosamenteanalisava na tela do computador. Ela entrou. Lembrou dofuncionário que aguardava do lado de fora. _Que funcionário? Vem cá, dona Marisa. Senta aqui. _Mais quarenta minutos se passaram. Tarciso já selevantava quando ela voltou. _Pode entrar. Agora não tinha mais jeito. _Com licença. _Pode entrar. Sente-se. Em que posso ajudá-lo?
  6. 6. _Meu nome é Tarciso e já trabalho a quinze anos nasua fábrica. Nunca faltei um dia sequer. Mesmo quando doente.Nem atrasado cheguei. _Hum... _Se o senhor verificar minha ficha, poderá ver que nãohá nada que me desabone. Então gostaria de pedir... _Hum... _Gostaria de pedir um aumento. _Aumento? _Sim... Afinal são quinze anos... A família cresceu... Osenhor sabe como é... _Claro. Entendo. Tarciso quase saltou da cadeira. _Entende mesmo? Então quer dizer que... Senhor Gervázio o olhou de forma penetrante. Parecialer sua alma. Pegou o telefone e pediu que a secretária levassea pasta com os documentos de Tarciso. _O senhor deseja uma bebida? _Não, obrigado. _Cigarros? _Parei de fumar. _Sábia decisão, senhor Narciso. Folgo em saber quetemos alguém com tanta perspicácia como o senhortrabalhando aqui. _Tarciso. _Tarciso, claro, Tarciso – estudou o rosto do funcionário
  7. 7. por algum tempo. – Sabe de uma coisa, senhor Narciso. Umacoisa que me incomoda é a visão errada que as pessoas têmde mim. Às vezes percebo que alguns funcionários me vêemcomo uma pessoa fria e sem coração. _Que absurdo. A conversa continuou descontraída, circulando porassuntos leves, até dona Marisa cortar a sala com a esperadapasta na mão. O chefe agradeceu com cerimônia. Ela seretirou. Ele passou os olhos pelos documentos. Fechou a pastae a jogou sobre a mesa. _Realmente sua visita foi providencial. Tarciso estavacompletamente aliviado. Deveria ter tomado a mais tempoaquela decisão. _Eu realmente estava querendo falar-lhe – continuou ochefe, tomando nesse ponto um ar grave, que deixou ofuncionário confuso. – Nossa fábrica está passando por ummomento difícil e estamos pensando em fazer alguns cortes. _Cortes? _Infelizmente. E teremos de começar por funcionárioscomo o senhor, que estão muito além de nossas posses nomomento. _Mas... não pode ser... _Lamentamos muito. _Mas... se conversarmos com calma... podemos... _Não nos sentiríamos à vontade pagando tão mal aalguém tão capacitado. Com certeza isso não será problema
  8. 8. para alguém como o senhor. Qualquer empresa ficaria satisfeitaem recebê-lo em seu quadro de funcionários. _Não é tão fácil... Emprego está difícil... E... _Não para o senhor. Tenho certeza. _Por favor, senhor... Sejamos razoáveis... Esqueçamosessa história de aumento... _Mas não é só o caso do aumento. Seu salário éinviável. _Conversando... com certeza chegaremos a um acordo. _A fábrica no momento só pode pagar a metade que osenhor recebe atualmente. _A metade? _Sabia que o senhor não iria aprovar. Acho inclusivebem compreensivo. Não tomarei mais seu tempo. _Tudo bem. tudo bem. Eu aceito. _Tem certeza? _Claro. _Então faça o favor de se retirar. Ainda tenho muito quefazer. _Muito obrigado e desculpe o incômodo. O senhor érealmente um bom homem. Tem um ótimo coração. Ao ver Tarciso fechar a porta, o garboso senhorGervázio girou a cadeira, pondo-se de frente para ocomputador, onde iria voltar a analisar alguns corpos nus,enquanto Tarciso descia as escadas orgulhoso. Queria chegarem casa e contar a mulher como heroicamente defendeu seu
  9. 9. emprego.A festa Por Fabio da Silva Barbosa _Volta aqui, menino - Milne corre atrás do filho com atoalha na mão - a casa está ficando toda molhada. _Me solta... Sai daqui! - grita o menino ao ser agarradoe embrulhado na toalha. _Fica quieto, diabo. Deixa eu te enxugar. Isso... assim... _Ai...tá me machucando. _Tem que secar o cabelo direito. Agora vamos colocar aroupinha nova. _Não quero. Não gostei dessa roupa. _Como não? Conjunto tão bonitinho! _Não quero. Tira isso. _Deixa de ser bobo, Paulinho. Enfia o braço. Levanta.Vai . Chegando na festa, Milne deu um leve empurrão nascostas do filho. _Leva o presente para o amiguinho. _Não quero. _Olha a falta de educação. _Não vou entregar nada. _Assim ele vai ficar triste.
  10. 10. _Problema dele. _Mas ele não é seu amiguinho? _Não. _Desgraça de menino. Só me faz passar vergonha. _Oi, Milne. Que bom que vocês vieram! Paulinho, ondeestá o beijo da tia? _Fala com a tia Vera, menino. Paulinho mostra a língua. _Dando língua para a tia? Que coisa feia! _Desculpe, Vera. Não sei mais oque fazer com essemenino. Nem parece meu filho. _Vem sentar. Daquela mesa você consegue vigiar ele. _Pára de correr, garoto. Está ficando todo suado. Olhaa atracação. Que inferno de criança. O conjuntinho novo estáamassando. Senta um pouco. _Me larga. Não quero sentar. No caminho de volta, Milne dirigia o carro com atenção.Passado algum tempo, resolveu quebrar o silêncio. _Gostou da festa, meu filho? Paulinho? Você poderiapelo menos fazer o favor de me responder? - Milne viralevemente a cabeça para o lado e se depara com o meninodormindo - Que gracinha, dorme como um anjinho.
  11. 11. Do padre Por Fabio da Silva Barbosa Padre Eurípides já se impacientava. Os olhospasseavam pelas linhas da Bíblia, escorregando rumo a discretaporta lateral da capela e de lá para o relógio. Já fazia um quartode hora que aguardava pela chegada de Eulálio. _Ó senhor! Depositou o livro sobre as coxas. A mão direita tateou,até achar o terço que repousava, desengonçado, sobre ocomprido banco de madeira. Fechou os olhos e começou amurmurar alguma coisa, enquanto os dedos alisavam as contasdo sagrado cordão. A porta lateral rangeu. Padre Eurípides selevantou com um salto. A Bíblia caiu. _A pontualidade é uma virtude muito apreciada -repreendeu o sacerdote, com ar severo. _Desculpe, padre. Mamãe demorou a dormir. _Não tem problema. _Estudou o rapaz de cima a baixo. _Venha. _Pediu com delicadeza, estendendo os braços. _Padre... _Xxxiiiii... Não diga nada. Não é hora de falar-murmurou o padre, apertando Eulálio contra o corpo. _Porque demorou tanto? _Mamãe...
  12. 12. _Xxxiiiii... Não fale. Não fale- apoiou a cabeça no ombrode sua querida tentação, tentando capturar todo frescor juvenilque exalava de seu pescoço. A voz estremeceu, embriagadapelo prazer. _Vamos para o altar. _No altar? _Não seja bobo - sorriu, segurando a mão de Eulálio -Vem. _Chegando ao último degrau pôs-se de quatro,escobrindo as nádegas brancas. _Vem, Eulálio! Vem! _Eulálio desviou o olhar. Deparou-se com o cristocrucificado. _Vem, Eulálio! Vem! Eulálio pousou as mãos tremulas sobre as nádegasflácidas do padre. _Vem! Vem! - Padre Eurípides virou a cabeça, fitandoseu objeto de desejo. A suplica em seus olhos lhe dava um arinfantil. _Ai, padre... _Vem! Anda! Vem! Eulálio abriu rapidamente o fechecler, descendo a causaaté os joelhos. O membro, já meio endurecido, penetrou semdificuldade no sacrossanto orifício. Padre Eurípides foi sacudidopor bizarros frenesis. Começou a recordar os tempos deseminário. Do padre Francis. De como esse rigoroso mestre o
  13. 13. introduziu nos mistérios da fé. _Ah...Padre Francis...Ah... _? _Xxxiiiii... Não fala... Não fala. - As lembranças oembalavam. Como era bondoso o padre Francis. Tão amigo.Tão paciente com os que ainda tinham tanto a aprender.- VemEulálio... Eulálio... Eulálio e Eurípides... Vem... Ah...PadreFrancis... Oh... O ritmo dos corpos acelerava. Padre Eurípides apertavaos olhos, misturando passado e presente. Um estremecimentorepentino jogou os corpos no chão. Após curto silêncio, oslábios do padre se entreabriram, deixando escapar umgemidinho agudo. _O dinheiro está no lugar de sempre. Cuidado quandofor. Ninguém pode ver - a voz do padre saía ofegante. Os olhos sacerdotais ainda estavam fechados. Eulálioaproveitou para apreciar um pouco mais aquela criaturadantesca, com que acabara tão bestialmente de se satisfazer.Não era só o padre que sentia prazer naquela atividade. Elepróprio já sentia falta daqueles encontros noturnos quandodemoravam um pouco mais a acontecer. Mas o padre nãopoderia desconfiar, pois inventaria de não pagar e dinheiro eramuito bem vindo. Eulálio saiu em silêncio. Ao pegar opagamento, aproveitou para levar uma garrafa de vinho pelametade que o sacerdote havia esquecido ali por perto. Aopassar pelo padre deitado no altar, pode escutá-lo sussurrar o
  14. 14. nome do rigoroso padre Francis, com doçura angelical.Atravessou a porta por onde meia hora antes havia entrado.Subiu a rua tomando um gole do vinho, pensando que teria deacordar cedo para levar sua velha mãe a igreja, assistir a missado santo padre Eurípides.A hora da macaca manca Por Fabio da Silva Barbosa Já fazia mais de uma hora que estava ali. O suorescorria pelo pescoço. O ventilador de teto espalhava o arquente pelo lugar. Seu rô olhava Gonzaga com desconfiança. _Tá olhando o que, português? Não tô agradando avisa.Se não fosse por mim essa porcaria tava vazia. Seu Rô estalou os lábios e foi arrumar o freezer.Preferia estar só a ter aquele tipo como único freguês. Massegunda-feira era um dia fraco e as contas não paravam dechegar. _Pensei que não viesse.- Gruniu Gonzaga ao ver Zindaentrar no botequim. _Só consegui chegar agora. O que você quer?-Perguntou Zinda sentando. _Ô português, sai aquela gelada e um copo para amoça aqui. Seu Rô, com ar contrariado, pôs a cerveja e o copo em
  15. 15. cima do balcão. Zinda levantou-se e foi buscar. Pegou a cervejaencheu o copo e já veio bebendo. Gonzaga apreciou o trajetodela com incontido interesse e admiração. Ela ainda era umamenina. Dezesseis? Dezessete? Quem sabe? Nem ela, sabiaao certo. Todos os documentos que tinha, foi ele quem arrumoucom um amigo. Do nome ele não gostou. Nome feio aquele.Podia escolher o nome que quisesse. Mas essa era a únicarecordação que tinha. O único pedaço de história pessoal quepossuía. Não sabia de mais nada. Pai...mãe...nada... _Não posso demorar. Se Carboniere descobre que meencontrei com você, vai se aborrecer. Prometi que nunca maisnos veríamos. _Então é ele? É por causa desse sujeito que você meabandonou? _Ele tem sido bom para mim. Quer me tirar da rua. Mepediu em casamento. _Tudo que você tem fui eu que dei. Sabe o que é estaragarrado naquele buraco, sem dinheiro e sem pertencer anenhuma facção? Sabe o que acontece com um homem nessascondições? Ele deixa de ser homem. Ele vira um escravo. Viraum... _Tentei levar o dinheiro, mas ele não deixava. Disseque teria de escolher. Queria me transformar numa mulherséria. Não podia continuar sendo a prostituta protegida por umpreso sem nenhum tipo de poder aqui fora. Estavam tomando
  16. 16. tudo que ganhava. Ninguém respeitava mais seu nome. _Torpedo prometeu que cuidaria de meus negócios. _Na primeira semana em que esteve preso ele mequebrou três costelas e disse que se te falasse me mataria ebotava a culpa na polícia. Gonzaga era um baiano baixinho e troncudo. Tinhaquarenta e dois anos. Aos sete era engraxate. Aos nove vendiadoce no ônibus. Dos onze aos dezoito saiu pelo Brasil a fora econheceu os horrores das instituições para menores, ao serpego roubando uma bolsa em São Paulo. Participou de umafuga aos quinze, mas em menos de seis meses estava de volta.Aos vinte veio para o Rio de Janeiro começar carreira de rufião.Ao ouvir essas palavras, tomou conhecimento da traição docolega de profissão, tornando o rosto rígido e trincando osdentes. _Ele me paga. _Paga nada. Isso é besteira. Se fizer qualquer coisa te trancam de novo. _Volta a colar comigo e esqueço tudo isso. Te perdôo. Prometo. Vai ter vida de rainha. _Não posso. _Claro que pode. Deixa o maldito gringo comigo. _Você não entende. Pela primeira vez alguém querrealmente melhorar minha vida. Ele realmente está cuidando demim. Tem um professor me ensinando a ler. _Ensinando a ler? Eu te dei muito mais que isso. Eu te
  17. 17. ensinei a viver por você. Sem precisar de nada nem deninguém. O que vai conseguir sabendo ler? O que importa é teruma viração.- Argumentou Gonzaga atordoado. _Não, baiano. Não quero mais isso - Zinda pegoualgumas notas e depositou sobre a mesa.- Isso deve dar parapagar a cerveja. - _E nós? - Suplicou Gonzaga- Sempre fizemos umadupla infernal. Sabe que ninguém vai conseguir dar oque tedou. Juntos podemos tudo. _Não me procure mais. Não quero contrariarCarboniere. _E você pensa que é assim? - Gonzaga levantou-seagarrando Zinda pelo braço. Sacou rapidamente da faca e aenfiou com ferocidade na barriga da mulher, que de olhosarregalados escorreu pelo ar, até cair sentada de volta nacadeira. _Parado, se não eu atiro. _Abaixa essa arma, português. Com um movimento rápido, Gonzaga desarmou ocomerciante passando a faca pela sua garganta.Foi até a porta.Conferiu se não vinha ninguém. Metendo na cintura o trinta eoito que acabara de adquirir, deu a volta por trás do balcão epegou todo dinheiro do caixa. Ao sair esvaziou os bolsos dovelho português e pegou a bolsa de Zinda que foi esvaziandopelo caminho. Ao passar por uma esquina, leu no muro uma pichação
  18. 18. que dizia: “Agora, meu chapa, é a hora da macaca manca”.Vidinha Por Fabio da Silva Barbosa Vinha se arrastando pelos muros. Pedras e buracosgolpeavam seus pés. Um grupo de mulheres conversava naesquina. Tentou se afastar da parede. Quase caiu. Chegoumais perto do grupo. Não eram mulheres. Um cachorro invisívellatia em algum lugar. Quando reparou, já haviam passadoalguns quarteirões. Faltava pouco. Só restava descobrir ondeestava. _“Será que eram mulheres?” – resmungou. O Sol iluminava seu mal-estar. Tomou conhecimento deque existia. Os olhos entreabriram. A dor entrou pelas pálpebrasatingindo o topo do crânio. Sentiu chegar à nuca. Fechounovamente os olhos. Um cheiro azedo invadiu as fossas nasais.Fez força para se levantar. As mãos tremiam com o esforço.Parecia impossível desgrudar o corpo do chão. Tentounovamente abrir os olhos. Olhou para um lado e depois para ooutro. Tentava entender o que acontecia. Se localizar. Sentiualgo esquisito colado ao rosto. Olhou para o chão e viu o vômitoque servira como travesseiro por toda a noite. Vomitou de novo.Depois do último espasmo estomacal, tentou acelerar o difícil
  19. 19. ato de levantar. Tudo começou a girar. A dor de estômago competiacom a da cabeça. Conseguiu ficar de joelhos. Olhou para suacasa. Caiu bem na esquina. Se tivesse dado mais algunspassos, teria conseguido dormir em casa e evitar mais essevexame. Reuniu toda a energia que havia em seu corpo parasegurar no poste e ficar de pé. Jogou a cabeça para trás.Quase caiu de costas. Tentou ajeitar seu esqueleto. Deu doispassos a frente. Respirou fundo e foi. Com o corpo pendendode um lado para o outro conseguiu chegar em casa. O portão, como sempre, estava encostado. Parou dianteda porta. Pensou um pouco. Tinha de pegar a chave no bolso.Mas, em qual deles estaria? Depois de revistar todo lugarpossível, respirou fundo mais uma vez e bocejou: “Merda!” Aoencostar-se à porta, essa cedeu. Quase caiu de cara nocômodo que funcionava como sala, quarto e cozinha. Banheironão havia. Olhou para o velho fogão à frente. Uma ratazanacorreu derrubando a lata que estava com um resto de sopavelha. A parede da direita era o quarto, porque nela ficavaencostada a cama. A da esquerda era onde o sofá rasgado,que encontrara na rua, indicava ser a sala. Se jogou no sofá, soltando um suspiro de dor. Esqueceuque as madeiras do móvel velho estavam expostas. Ficou alipor algum tempo tentando organizar as idéias. Quando pareciamelhorar, o teto rodava. O mal-estar voltava incapacitandonosso herói de qualquer ação. Uma mosca o aborreceu por
  20. 20. algum tempo. Levantou irritado. Precisava de um banho. Olhoupara o pequeno quintal procurando a solução. Só encontrou lixoe bingas de cigarro rodeando a casa. Pensou em juntaralgumas e enrolar um cigarro. A idéia fez subir um calafrio deojeriza. A baba grossa encheu a boca de nojo. Deixou o corpocair sobre a cama. A ratazana correu para o quintal. Sentia-sefraco e doente. Os olhos foram fechando. Der repente, dormiu.1701 Por Fabio da Silva Barbosa Acordei ainda inebriada pela manhã de prazer comMorgana. Morgana... Era assim que gostava de ser chamada.Minha machinha. Passei as mãos pelo seu corpo nu. Tomeibanho e me arrumei. Tinha cliente marcado cinco da tarde.Queria sair antes que ela acordasse. Se me visse indo, poderiaestragar tudo com suas crises de ciúme. Sabia que meusclientes tinham algo com que não poderia competir. Isso adeixava louca. Mas, ela se esquecia do mais importante. Eramapenas clientes. Depositei o dinheiro da cerveja em baixo docinzeiro que transbordava de bingas e saí. Ao abrir a porta, o senhor que mora em frente abriu ajanelinha. _Boa tarde, princesa! Coitado. Deve passar o dia esperando eu abrir a porta
  21. 21. para olhar pela janelinha com aquela cara de tarado e mesaudar com suas frases feitas. Balancei a cabeça com umsorriso cínico e prossegui. O elevador ainda estava com defeito.A proprietária deveria abater isto no aluguel. Um dosargumentos usados para cobrar esse absurdo por mês, foi ofato do prédio ter elevador. Ratos e baratas disputavam oscantos. O porteiro está sempre dormindo, bêbado. _Como é Seu Oligário? Assim vai cair da cadeira. Ele abriu os olhos assustado. _Oi Dona Clarice... Bom dia... _Boa tarde! Respondi com o mesmo sorriso que havia usado paracumprimentar meu vizinho. Era uma forma de agradar. Sabiaque eles gostavam quando usava esse artifício. Descendo osdegraus que desembocavam na rua, ainda pude ouvir seususpiro. _Gostosa!!! Deve ter voltado a cochilar logo que dobrei a esquina.Veio um táxi. Fiz logo sinal. O motorista parou. Entrei séria.Disse o endereço acompanhado de um discreto sorriso. Cínico,como todos os outros. Desci no restaurante combinado. Ocliente já estava me esperando na varanda, tomando suatequila com limão e petiscando algo que daquela distânciapareciam azeitonas. Assim que cheguei, me elogiou, comosempre. Esqueci de conferir se eram mesmo azeitonas nopratinho. Conversamos sobre bana-lidades. Ele era jovem,
  22. 22. bonito e tinha dinheiro. Nunca entendi porque precisava demeus serviços. Qualquer mulher poderia aprender a manusearos consolos de que tanto gostava, sem maiores sacrifícios. Pedisuco de laranja. Dentro de meia hora estávamos no motel. Eram por volta das vinte e uma quando pedi que medeixasse na boate. Foi uma noite movimentada. Morganaapareceu perto da hora de fechar. O segurança criou problemapor ter ordens de não deixá-la entrar. Na última vez abriu umgringo a facadas e deu a maior merda. Conversei com ela, masnão adiantou. Deve ter bebido a tarde toda. Saiu meamaldiçoando e disse que quando voltasse conversaríamos.Suspirando, entrei. Ela sabia que ficaríamos na pior searranjasse um desses empregos de salário mínimo. Atendi maisdois clientes e fui para o banho. Algumas meninas dormiam porlá, mas se não fosse para casa, ia ter problemas. O táxi que havia pedido já estava esperando. Omotorista tentou puxar assunto, mas eu não estava para muitopapo. Só pensava em Morgana e na chateação que iria terquando chegasse em casa. Estava torcendo para que elaestivesse na rua. Pelo menos chegaria bêbada, em vez de mealugar com suas crises de ciúmes. Às vezes penso que seriamelhor morar sozinha. Ou então voltar para minha terra. Afamília ficaria feliz em me ver voltar. Mas agora não dava paraisso. Tinha de juntar mais dinheiro. Estava pensando emcomprar um carro. Mas carro era perigoso. O último que tiveMorgana estraçalhou contra o poste. Quase perdi aquela
  23. 23. danada. Se pelo menos tivesse juízo naquela cabeça... Paraque beber assim? Mas também, se não beber, fica pior.Ninguém aguenta. Ô coisinha braba que fui arrumar. Quando nos conhecemos, se vestia de cigana e botavacartas. Fui por indicação de uma amiga e realmente encontreimeu destino. A própria cartomante. Aqueles brincos enormes...Ficava linda com aqueles lenços. O nome havia tirado nãosabia bem de onde. Disse que lembrava ter ouvido em algumlugar. Coisas daquela cabeça maluca. O porteiro estava dormindo. Passei em silêncio. Nãoestava para sorrisos cínicos. Abri a porta do apartamento. Ovizinho da frente também estava dormindo àquela hora. Tomaraque Morgana não resolva acordar todos os sonolentos comsuas gritarias. A casa estava escura. Ouvi o barulho dochuveiro. Fui para o quarto. Estava tudo revirado. Uma bagunçasó. Deitei e fiquei esperando. Fechei os olhos para, noúltimo caso, fingir que dormia. Ela não veio. Muito tempo sepassou. Talvez mais de uma hora. Levantei devagar. O queestaria tramando? Às vezes me assustava com seu ladosombrio. Nunca sabia o que esperar. Bem devagar, fui até aporta do banheiro. Estava entreaberta. Empurrei com cautela.Qual loucura desta vez? _Morgana? Ninguém respondia. Dei uma espiada. Não poderia ser.A silhueta, que vi através das paredes plásticas do box,
  24. 24. registrava algo terrível. Disparei pelo cômodo, abrindo a portaque me separava do meu amor. O corpo estava caído. Semvida. Parecia uma marionete esquecida por seu dono. Abarriguinha, inchada pelo álcool, tapava parte de sua xotacabeluda. Abracei-a em prantos sem saber o que fazer. Era oterror jamais sentido. A água nos molhava, enquanto pedia paraque se levantasse. Só depois observei o sangue tingindo o chãodo banheiro. Ainda não tinha me recuperado quando os policiaischegaram. Não saberia dizer quanto tempo passou, ou comosouberam que precisávamos de ajuda. Agora, estou aqui.Tomando banho de sol no pátio. Nunca saberei o que sepassou em nosso apartamento. O número 1701 de um prédio,no centro da cidade. Fui à única suspeita. Seu Oligário nãohavia visto ninguém entrar ou sair do prédio. Os vizinhosdisseram que brigávamos muito, por isso não estranharamaquela gritaria. Uma coisa é certa e só eu sei. Eu não estava lá.A hora do jantar Por Fabio da Silva BarbosaMãe: Viu o marido da Suzana Vieira?Pai: Que merda ele fez agora?Mãe: Morreu de overdoseFilho de saco cheio: E daí? Muita gente morre de overdose.Pai: Isso já é nota fria. Bom foi o sapato voando na cabeça do
  25. 25. Bush.Mãe: Coitado... Um rapaz tão bonito.Pai: Quem??? O Bush?Mãe: Não. Que Bush... Tô falando do marido da Suzana.Filho de saco cheio: Tinham era que matar esse sacana.Pai e mãe: O marido da Suzana Vieira?Filho de saco cheio: Marido de quem? O Bush.Mãe: O marido do Bush. Então ele é gay?Pai: Está dando merda na Grécia.Mãe: Mas o Bush não é americano? Aaaaah... O namoradodele é grego?Pai: O Bush está tendo um caso com um grego? Então é isso.Filho se animando: Espera, vai falar da Madona.De repente falta luz.Pai irritado: Puta que o pariu... Só faltava essa.Filho que correu ao telefone para ligar escondido para onamoradinho: Armando, faltou luz aqui em casa. Me conta oque ta falando da Madona no repórter.Mãe desesperada: Onde vai parar esse mundo. O Bush tem umnamorado grego.
  26. 26. Não Por Fabio da Silva Barbosa Fico pensando, atordoado, em como o sistema criadopelos homens e que deveria servir a ele mesmo, se tornou tãopredatório que está caçando seu próprio criador. O ser humanoestá sendo chacinado por sua própria sociedade; por suaprópria máquina de matar. A situação está insustentável.Estamos à beira do invivível. O sistema atual virou um predadortão eficaz, que não permite a mínima chance de vida. Somos educados, a partir de nosso nascimento, asermos perdedores implacáveis. Nos agrupam, rotulam,vendem.. Fumar e beber se torna o auge da rebeldia. Aplayboizada acende seu baseado achando que está afrontandoas regras. Mas na verdade, é isso que o sistema quer. É aí queele começa a matar. Ele tira as chances de sua sobrevivência sob as regras criadas por seus pais ou avós paragarantir sua segurança. Uma segurança falsa e inviável. Queexige uma perfeição imprópria do homem. Você se torna seupior inimigo, assim como as regras criadas pelos antigos setornaram inimigas deles. Ambos sufocam sua essência de formadiferente. Como se não fosse suficiente, o sistema de ensino quedeveria abrir nossa mente e nos levar a lugares inexplorados,se mostra como algo massificante e sacal. Aqui no Brasil, porexemplo, podemos observar um fenômeno no mínimo insólito. O
  27. 27. colégio público que deveria atender satisfatoriamente a grandemaioria da população, pobre e desprovida de recursos, virouuma espécie de amostra grátis do que acontece nosparticulares. As escolas públicas são providas de um ensinoralo e insuficiente. Depois, chegando à época da faculdade,essas pessoas não podem continuar no ensino público, pois aprova para uma universidade pública é para quem estudou emescola particular, que o pobre não tem acesso. Ou seja, ele nãotem dinheiro para um ensino superior particular, nem apreparação para um vestibular público. Preciso continuar essaexplanação? É difícil ver que é tudo feito para impossibilitar aascensão dos que estão em baixo? Que é muito mais fácil paraquem já está em cima subir ainda mais? DEPOIS AINDA MEVEM COM ESSA ESTORINHA DE COTAS COMO SE FOSSESOLUÇÃO. BLA BLA BLA A saúde pública está um caos. Se não tem plano desaúde... Sem chance. E olha que na verdade o atendimentopúblico não é gratuito, já que pagamos inúmeros impostos paratermos garantidos esses direitos. Enquanto nosso massacre acontece diariamente, somosludibriados com partidas de futebol, onde os jogadores ganhamfortunas. O professor, que é o responsável pelo conhecimento,é mais um a viver com dificuldade. A sobreviver na verdade.Realmente é de dar nojo esse animal que vive satisfeito com apolítica de pão e circo aplicada até os dias atuais. Chafurdandonas próprias fezes. Política essa imposta por uma minoria a
  28. 28. contar do antigo império romano. Então essa minoria está bem? Na verdade não. Osistema não deixa brecha para felicidade. Esses estão commedo e acuados. Vivendo em um mundo ilusório, onde tudo émentira. Se trancam na futilidade hipócrita da artificialidade quesó o dinheiro pode comprar. Fazem as tais leis que promovem asegurança, mas que são desprezadas por eles mesmo. Não quero mais falar. Chega. Não vou corrigir nem releresse texto. Ele vai como está. Sem ser repensado ou preso aqualquer norma pré estabelecida. Vai como um grito de raiva.Como a verdadeira revolta. Algo a mais que se dar por vencidoe deixar uma carreira de pó, ou uma pedra de crack roubar suavontade de lutar. Chega de mentir para si mesmo. Chega dedar o que nossos assassinos querem. CHEGA!!!S.O.S. Botequins Por Fabio da Silva Barbosa Não sei se isso está ocorrendo em todo Brasil, mas aquiem Niterói eu posso me lamentar, sem medo de estarenganado; os botequins estão acabando. Esses locais onde anata da cultura e da contracultura de nosso país sempre sereuniu para animadas conversas em um ambiente descontraído,sem o moralismo dos “bons costumes”, estão sendo
  29. 29. substituídos por locais repletos da frieza que a arrogância dorequinte consegue oferecer melhor que ninguém. A primeira grande mudança observada é a televisãoprendendo a atenção das pessoas que costumavam estar aliem uma extravagante troca de idéias. Depois podemos observaros petiscos que antes ficavam expostos na vitrine e que agoravem em cardápios trazidos por garçons. Chouriço, moela,batatinha a calabresa, cu de galinha frito... Tudo isso ésubstituído por uma pálida porção de batatas fritas (daquelascongeladas, que vêm num saquinho) ou vá lá saber o quê. Os que ainda ostentam esse nome não lembram emnada aquele balcão super confortável, onde nos debruçávamose muitas vezes conversávamos com pessoas que estávamosacabando de conhecer. Um enriquecedor papo de balcão, ouconversa de botequim, como muitos gostam de chamar. Desde moleque sempre freqüentei os botecos deNiterói. Outro dia fui caminhar com meu parceiro deelucubrações Alexandre Mendes, e fizemos uma verdadeiraperegrinação por Santa Rosa em busca de um botequim ondepudéssemos encostar a pança e colaborar com o burburinho devozes que fazem a sinfonia desses lugares. De vez em quandouma gargalhada sempre corta o ar. AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA... Estávamosprecisando de algo assim para reorganizar as ideias. Mas, paranossa surpresa, todos os botequins de verdade foramreformados. Agora eles têm toalhas sobre as mesas e
  30. 30. substituíram o copo americano por tulipas finas. Coitadas das pessoas. Vão perder um reduto onde ainteração com a diversidade característica do ser humano estádando lugar à uniformidade das ilhas mesas. E a conversa quese começava com um e terminava com outro? Essa está sendotravada apenas com a televisão.Alegria e tristeza sob um sol escaldante Por Fabio da Silva Barbosa Mal cheguei do trabalho, Severino me chamou parairmos à feira de São Cristóvão (Feira do Paraíba, RJ).Chegamos lá sem muita dificuldade por volta de 11h. Nocaminho passamos por um corpo estendido no chão. Pelo queas pessoas comentavam, tratava-se de uma senhora que tinhasido atropelada aproximadamente 2h da manhã. “Isso é umabsurdo: a coitada está cozinhando nesse chão quente desde amadrugada”, comentava uma moça que estava próxima aocorpo coberto. Fiz a cobertura da primeira caravana organizada pelo“Ministério do Baião” ao lugar. Entre a festa, a pobrezadesfilava pelos animados dançarinos de forró. Enquanto o “TrioSeverino” arrebentava no palco, mulheres transitavam comcrianças no colo, que nem ao menos sei se eram seus filhos.Em um calor escaldante, crianças derretiam nos braços dessas
  31. 31. vendedoras e até sozinhas por entre as mesas. Um garotinho se aproximou e ofereceu umas balas.Dissemos que não queríamos. Ele me abraçou e falou comdengo: “Compra, tio”. Retribuí o carinho com um afago em suacabeça e disse que não compraria. Agradeci e ele foi fazer seucharme para ocupantes de mesas próximas. Todos recusaram.Ele se debruçou sobre a mesa e fez cara de choro. Aquilo jáme cortava o coração. Bati uma foto. Ele tentou fugir e batioutra. Chamei-o e prometi não bater mais nenhuma. Mostrei oresultado. Expliquei como tinha ficado bonita a imagem. Eleparece ter gostado. Pedi para ficar com ela. Se nãoconcordasse, excluiria no ato. Ele fez um gesto que entendicomo afirmativo. Como já tinha feito vários registros do evento,resolvi fotografar engraxates e outras figuras do gênero. Oimpacto daquelas pessoas sofrendo, naquele calor, entre osfelizes, deu um contraste gritante às fotos. Saí do lugar com aquilo transitando em minha mente.Por volta das 16h estava fazendo a cobertura do Bloco Um diaSai. E mal aquele paradoxo felicidade/tristeza começava a seafrouxar de minha lembrança, passamos todos sambando, poronde horas antes, uma senhora, que nem sei o nome, foiatropelada.
  32. 32. Língua rica ou confusa? Por Fabio da Silva Barbosa Certas coisas não entram em minha rude cabeça. Porexemplo: Se o ch tem o mesmo som do x, qual a necessidadedo ch? Questiono o ch por terem unido duas letras para fazer osom de uma que já existe. Eu sei que muitos irão falar sobre aorigem da palavra e toda essa história, que embora seja muitointeressante para estudiosos do assunto, não serve muito paraos que usam a língua em sua real finalidade, a comunicação. O fato é que sou um grande oxigenador. Sou a favordas mudanças. Mudar sempre. Só o que está morto não precisade oxigênio e mesmo assim muda. De um jeito ou de outromuda. Apodrece. Muda a forma, a consistência, o cheiro... É amudança que resta aos que se mantêm firmes às velhasnormas: o apodrecimento e o mofo. Cérebros engessados nãoproduzem, apenas repetem o que já foi dito, tocado e feito. O falar serve como um meio de comunicação assimcomo o escrever. Não é mais que isso. É apenas uma forma dese comunicar. E a língua muda como muda o povo que a usa.Ela tem de atender a necessidade do povo, ao em vez do povoatender as suas necessidades. . Para não acharem, os simplistas, que apenas abolindo och se resolverá a questão, vou citar também o caso do s. Deuma forma geral, s faz som de z e ss, som de ç. Precisocontinuar o raciocínio? Preciso ainda falar que, na prática,
  33. 33. essas regras têm exceção? Que, por vezes, o s faz outro som?E de que serve isso? Isso é riqueza da língua? Precisoperguntar a utilidade de uma letra que faz som de outra?Preciso chegar ao cúmulo de passar pelo h antes de umapalavra como o nome Hugo? Há países em que isso faz umagrande diferença. Mas vamos falar de Brasil. Qual a diferençade Ugo e Hugo? A não ser o h, é claro. E o g com som de j, ouvice versa? Poderia ficar o dia inteiro na frente do PC desfiando asbanalidades lingüísticas que nos são impostas, mas acho (ouaxo, tanto faz) que já consegui passar a idéia geral da coisa. Ahistória ou etimologia da palavra não é camisa de força paraprender um povo a um sistema confuso de signos que perde ofoco de sua real função. Dizer que ia ser complicado mudartudo agora seria uma grande besteira. Não seria dificuldadenenhuma uma pessoa, independente da idade, ser informada deque a partir de agora apenas o x fará som de x. Olha que coisadifícil de explicar. A internet trouxe mudanças muito mais complexas aocotidiano da escrita, e todos absorveram muito mais rápido doque essa linguagem empolada que nos empurram goela a baixodesde a alfabetização, sem conseguir nunca que nós fiquemosconfortáveis ao usá-la. Somos sempre vítimas dela, que nosassalta com dúvidas criadas por suas regras arbitrárias.Engraçado que nunca vi aula de MSN para ensinar que vcsignifica você, ou qualquer outra coisa do tipo.
  34. 34. A coisa flui naturalmente quando é agradável aousuário. Assim como o k, w e y foram retirados do nossoabecedário, a coisa tem de continuar caminhando. Odesengorduramento lingüístico tem de persistir. Nunca vai estarbom o suficiente ao ponto de não precisar mudar mais. Aperfeição é utópica. . Ainda bem que existem as gírias para nos salvar dessaestagnação que tanto agrada a alguns senhores do saber. Agíria é o enriquecimento da língua. Isso sim é riqueza. O povocriando e transformando o que é seu. Dia após dia. Palavra porpalavra. Mudando conceitos sem nenhum tipo de preparação ouaviso, nem por isso deixando de compreender o significado dapalavra assim que é dita. É por isso que o teórico fica tãoaborrecido com essas mudanças. Porque ele fica de fora. Não éconsultado. Quando sabe... Já foi. Aí só resta desfiar seuconhecimento ultrapassado, com cheiro azedo, tentando provarque tudo que escapa ao seu controle é blasfêmia. VIVA A LITERATURA MARGINAL! VIVA AS TRANSGRESSÕES LIGÜISTICAS! VIVA O VIVO!
  35. 35. Por que o jornalista vive em uma camisa deforça? Por Fabio da Silva Barbosa Ao contrário do que muitos acreditam, o jornalista viveem uma apertada e sufocante camisa de força. Sua liberdadede escrita e de estilo é limitada ao máximo pelas empresas decomunicação. Um jornalista não pode ter visão diferente doveículo que o contrata. Ele vive sob uma ditadura ideológicasem precedentes. A imparcialidade é uma utopia, já que tem de prevalecersempre a linha editorial. O que é linha editorial? É o que mandao dono do veículo e é policiado pelos editores. Em jornais comoo Expresso ou o Meia Hora, por exemplo, a linha editorial éextrema, como em qualquer outro veículo de comunicação. Sóse deve exaltar sexo e violência. Matéria cultural não temespaço. Como escapar dessa violenta repressão? O jornalismoGonzo foi uma alternativa. De acordo com a Wikipédia “Ocriador do estilo foi o jornalista norte-americano Hunter S.Thompson. O termo foi cunhado por Bill Cardoso, repórter doBoston Sunday Globe, para se referir a um artigo de Thompson.Segundo Cardoso, “gonzo” seria uma gíria irlandesa do sul deBoston para designar o último homem de pé após umamaratona de bebedeira. O mais famoso texto gonzo é “Fearand Loathing in Las Vegas” (literalmente “Medo e Delírio em
  36. 36. Las Vegas”, lançado no Brasil em 1984 pela editora Animacomo “Las Vegas na Cabeça”), originalmente uma matériasobre uma corrida no deserto, a Mint 400, encomendada pelarevista Rolling Stone. Thompson gastou todo o dinheiro comdrogas e álcool, fez enormes dívidas no hotel, destruiu quartose fugiu sem pagar. Não cobriu o acontecimento e, no lugar damatéria que deveria escrever, descreveu o ambiente sob seuponto de vista entorpecido e virou o precursor de um novo estilojornalístico. O jornalismo gonzo é por muitos nem consideradouma forma de jornalismo, devido à total parcialidade, falta deobjetividade e pela não seriedade com que a notícia é tratada,fugindo a todas as regras básicas do jornalismo. O estilo vigoraaté os dias de hoje e ganha maior número de adeptos entrejovens, que se interessam pela narrativa literária de vivências edescobertas pessoais em situações extremas ou detransgressão. Se o jornalismo gonzo é ou não um modelojornalístico, se é subjetivo demais ou se não é digno de créditosão questões que permeiam o ambiente acadêmico.” Olha a ironia. A Wikipédia lança à academia umaresponsabilidade para algo tão belo e antiacadêmico quanto oJornalismo Gonzo. Mas a pergunta básica é: Quem são esses sábios queditam o que vem e o que não vem a ser jornalismo? E essa dáorigem a outras como: Nós precisamos de suas opiniões?Temos de segui-las? E se eu quiser fazer diferente? E se eufizer? Serei lançado ao inferno por causa disso?
  37. 37. Além do gonzo existem diversos outros tipos deresistência a esse engessamento da notícia, que não garantede forma alguma a tão comentada imparcialidade. O jornalismocomunitário é outro exemplo disso. Nele os próprios moradoreslocais fazem o papel da mídia, usando sua linguagem e atitude.O blog também vem sendo um importante meio de resistênciacontra os hitlers da imprensa. Em comparação com os sites,eles são os fanzines da internet. Não poderíamos deixar de citar aqui a geração que nostrouxe grandes nomes como Charles Bukowisk, que por muitotempo teve uma coluna no The Sun. Dessa coluna saiu o livo“Notas de Um Velho Safado”. Então qual a função dessa matéria? Muitas ounenhuma. Mas nenhuma não pode? Quem disse que não pode?Mas aí não teria sentido. Mas quem disse que tem de fazersentido? Tudo bem. Então supondo que tenha um... Qual seria?Talvez... Pense sobre as verdades . Aprenda a questionar.Resista. Ou quem sabe... Não veja a imprensa oficial e suasnormas como a única forma de se informar ou produzirinformações. Leia, estude, pense – não deixe que pensem por você!
  38. 38. A influência da mídia na cultura. Por Fabio da Silva Barbosa A mídia e seus paradigmas impostos vão alterando acultura e os costumes dos povos através de sua constantelavagem cerebral. Isso faz o belo e o correto serem únicos emtoda parte, independente da cultura local ou opinião pessoal.Pegando um jovem americano, japonês ou brasileiro, podemosaveriguar os mesmos hábitos e inclinações. Estarão de boné,tênis e óculos escuros. Essa é a roupa de quem é jovem,segundo a mídia . O americanismo, implantado através dassuperproduções hollywodianas, vai uniformi-zando a tudo e atodos. Quantas brasileiras abusaram do implante de siliconepara ficar como americanas esteriotipadas, apresentadas nastelas como loiras fatais? Isso nos lembra os cabelos loiros nascabeças de nossas morenas. Sem falar na questão: Será quetodas as americanas são assim? Todas clones da MarilinMonmro? É obvio que não. Mas é assim que são apresentadas.Uma nação clonada do que é tido como perfeição pelos donosda verdade e do bom gosto. E a rebeldia? Se dado a ela, usa jaquetas de couro ecausas jeans, se contrapondo ao modeloimposto. Permanece otênis. A diferença é que o rebelde adere à velha moda do AllStar, enquanto aplayboizada compra a última moda. É fácil serrebelde hoje em dia. Basta comprar uma camisa do Che no
  39. 39. shopping. A fruta típica da região não faz um suco tão vendidoquanto a Coca-Cola, assim como a menina da escola nuncaserá tão bela quanto a capa da Play Boy. A Playboy é um tipodiferente de imposição midiática. Mulheres que não tem e nuncaterão rugas ou celulites. Imagina uma pessoa normal vendoaquilo. Irá se punir até conseguir ser como alguém que nãoexiste. Só assim atingirá o que é tido como beleza pela mídiacapitalista e seus terríveis manipuladores.Fórmulas previamente estabelecidas destroema verdade Por Fabio da Silva Barbosa Você acha que o jornalismo está realmente ligado àverdade? Você acredita na imparcialidade e na éticajornalística? Então vou te contar um segredinho: O jornalismotem um só compromisso. Com um sistema medíocre e pré-estabelecido que teoricamente purifica a verdade, mas que naprática, impõe tanto ruído a essa verdade, que a transforma emum espectro frágil do que realmente é. O sujeito já começa tendo que se submeter a uma linhaeditorial. Ou seja: nossa visão é essa. Você nunca pode olharpara outro lado, porque só olhamos para aqui. Dandocontinuidade a isso, vem uma doutrina onde o repórter deve se
  40. 40. comportar de um jeito x. Seus movimentos, gestos e falas sãominuciosamente regulados. O indivíduo se torna um boneco,abrindo mão de toda a humanidade que possui. Ele não podeser humano e nem pode humanizar o alvo de sua reportagem. Parece ridículo, mas muitas vezes o repórter conversacom o entrevistado sobre a matéria antes da entrevista. Explicao que ele pretende, como serão as perguntas e alguns chegamao clímax da hipocrisia de orientar a resposta. “Não dizemos oque ele deve responder, mas não tem nada de mais mostrar amelhor forma das coisas serem ditas. Isso é normal.” Isso euouvi da boca de um colega jornalista. Um sujeito que vivevomitando a ética do jornalismo. Como podemos facilmente observar, nada disso temhaver com verdade. Nem ao menos com um recorte darealidade. Isso tem a ver com pessoas cegas e sem atitudeseguindo uma doutrina que já está podre e mofada, que pedepara ressuscitar, para respirar... para se banhar na fonte dajuventude e automaticamente se renovar. . Por isso prefiro a contramão. Pode ser o caminho maisdifícil, mas é o caminho em que acredito. É o certo. É averdade. É o mais próximo da imparcialidade que se podechegar. É a reposta que afronta a todo esse padrão Globo queestupra a verdadeira ética do profissional. A contramão é averdadeira ética. . Por isso saúdo aos que fizeram a diferença e ficaramimortalizados por sua visão única do jornalismo. Saúdo também
  41. 41. aos que morreram na sarjeta, por não serem admitidos nesseclubinho alienante, formado por eruditos e pessoas manipuláveise manipuladoras.A endemonização do erro Por Fabio da Silva Barbosa Quando ouvi falar disso pela primeira vez, não conseguientender tão bem quanto agora. O erro, que deveria ser apenaso início do acerto, vem se transformado em um demônioassustador, chegando ao ponto de impedir as pessoas detentar. A maioria acaba por preferir não fazer nada a fazer algoe correr o risco de errar. Os erros, medalhas no peito dos quenão querem apenas assistir outros produzirem, são usados pelosenso comum como uma metralhadora de desprezo ehumilhação. Existem pessoas especialistas nisto. Procuramfalhas e imperfeições em tudo que apareça. Como ninguém, ounada, é perfeito, acabam achando. E um pequeno erro setransforma em algo mais importante que toda uma belíssimaobra. Um exemplo da falta de complexo em relação ao errosão as “reticências” na legenda que sobe na série de cinemaStar Wars. Em vez de se retratarem da falha do primeiro filme,colocaram os quatro pontos - que aparecem no final do texto -em todos os filmes da série. Virou marca registrada.
  42. 42. A endemonização do erro nos leva apenas ao co-modismo e nos causa um pânico paralisante. Temos deentender que o erro faz parte de nosso ser. Somente negandonossa essência e nos negando a aprender, deixamos de errar.O presidente norte-americano Roosevelt dizia: “O único homemque não erra e aquele que nunca faz nada”. Embora essehomem não tenha sido dos melhores, podemos destacar talfrase como seu melhor momento. Não tenha medo de errar. Erre! Tente! Faça!Apocalípticos Por Fabio da Silva Barbosa Os mass media dirigem-se a um público heterogênio,tendo de basear-se em médias de gosto, evitando soluçõesoriginais com a difusão do que já foi assimilado, trabalhandoopiniões comuns e difundindo uma cultura de tipo homogêneo.Características culturais de diversos grupos são destruídas coma hogeneização das culturas. Impondo mitos e símbolos de fáciluniversalidade, criam tipos, reduzindo ao mínimo aindividualidade e o caráter concreto, não só de nossasexperiências, como de nossas imagens. O livro “Apocalípticos e Intergrados”, de Umberto Eco,destaca que “os mass media expõem as emoções jáconfeccionadas ao invés de as sugerirem”. O exemplo dado é o
  43. 43. da música, que serve mais como estímulos sensoriais, quecomo uma forma contemplável. Ao seguir uma lei baseada no consumo, sustentada pelaação persuasiva da publicidade, os mass media sugerem aopúblico o que eles devem desejar. Todos os produtos, independente do nível cultural, sãodifundidos, nivelados e condensados a fim de não provocaremnenhum esforço por parte do fruidor, resumindo o pensamentoem fórmulas, desencorajando assim a pesquisa de novasexperiências. Isso reforça sua utilidade apenas comoentretenimento e lazer, empenhando apenas o nível superficialde nossa atenção e viciando nossa atitude. Encorajando uma imensa corrente de informações sobreo presente, os mass media entorpecem a consciência histórica. Mesmo ao assumirem modos exteriores de uma culturapopular, não crescem espontaneamente de baixo para cima,mas são impostos de cima para baixo.Black Power – a união da comunidade negra Por Fabio da Silva Barbosa Surgido nos anos 60, o Partido Pantera Negra paraAuto-Defesa, tinha como objetivo inicial patrulhar os guetosonde a comunidade negra vivia e era constante-mente abordadacom brutalidade pela polícia. Mais tarde passou a se chamar
  44. 44. Partido dos Panteras Negras e assumiu uma posturarevolucionária. Em seu auge, ainda nos anos 60, tinha mais dedois mil militantes. Sua luta pelos direitos dos negros e porcompensações por anos de exploração branca incomodou achamada América Branca, que reagiu prendendo vários de seusmembros. A pressão exercida sobre o grupo foi tanta queconseguiram por fim dissolve-los. Mumia Abu-jamal foi integrante dos Panteras Negras.Depois de algum tempo foi ser jornalista na Filadelfia, ondeficou conhecido por seu programa de rádio “A Voz dos SemVoz”. Mumia foi condenado a morte nos anos 80 por termatado um policial que espancava seu irmão. Depois de muitosprotestos e abaixo assinados contra a sentença, tida como maisuma armação do poder americano contra os Panteras, outrasaudiencias ocorreram e várias irregula-ridades foramencontradas no processo de Mumia. Embora a justiçaamericana tente trata-lo como preso comum, é de conhecimentode todos sua situação como preso político. Atualmente Mumiaaguarda por uma decisão que vai optar pela pena de morte ouconverte-la em prisão perpétua. Informações: cma-j.blogspot.com http://www.freemumia.com/ http://www.mumia2000.org/ www.prisonradio.org/mumia.htm
  45. 45. http://www.abu-jamal-news.com/Violência contra jornalistas Por Fabio da Silva Barbosa Sempre ouvimos falar sobre esses casos. Mesmo queos menos informados só tenham ouvido falar sobre Tim Lopes,a coisa não se resume nisso. Um que podemos citaraconteceu em 19/09/2007. O jornalista Amauri Ribeiro Junior,44 anos, que trabalhava no Correio Brasiliense, sofreu umatentado durante a noite na Cidade Ocidental, perto do DistritoFederal. Foi baleado enquanto produzia reportagens sobretrafico e violência na região. O secretário de Segurança deGoiás, Ernesto Roller, determinou no dia 21/09 o afastamentodo inquérito da titular da Delegacia da Cidade Ocidental,Adriana Fernandes. Então as investigações passaram a serpresididas pelo delegado, José Luis Araújo que confirmou tersido atentado, descartando o roubo levantado por suaantecessora. Ernesto Roller, disse que o afastamento tratavassede assunto interno, mas fontes extra oficiais informaram fatosestranhos ocorridos durante a investigação da ex-titular, quepoderia estar envolvida, sendo apoiada por setores da polícia,que não gostariam da verdade. O motorista de Amaury Ribeiro, Francisco Oliveira, únicatestemunha do crime, disse que um jovem de gorro, vestindo
  46. 46. bermuda branca e camisa preta se aproximou e disparou. Emnenhum momento foi anunciado assalto.Foram disparados 3tiros. Um acertou o repórter no abdome e os outros doisdisparados na fuga. O caso ainda está em aberto.10 anos de Cobreloa Por Fabio da Silva Barbosa O tradicional Bar Cobreloa comemorou uma década dia12 de maio com o atual proprietário. José Tavares Pessoa, 59,o popular Seu Zé, é quem comanda esse espaço localizado naRua Visconde do Rio Branco,161, no Centro de Niterói. Emborao bar seja inimaginável sem ele, Seu Zé alerta que “Oestabelecimento tem uma história muito mais antiga, pois jápeguei com esse nome do outro dono”. Entre seus ajudantes, os mais antigos sãoFabiano e Cristiano (seu filho). Ambos têm seu estilo próprio deatender. Fabiano é conhecido como Expedito, por sua rapidez epresteza no atendimento. Cristiano também não fica atrás eexpõe suas esculturas no local, além de bater um papo semigual. Como se não bastassem as diversas bebidas com quetrabalha, o local ainda prende os fregueses pelo estômago, comuma infinidade de tira gostos. Torresmo, batatinha, lingüiça...Tudo que você puder imaginar.
  47. 47. A Shaninha é um Show a parte. A mascote do bar éuma gata cinza que brinca entre as pernas dos freqüentadoresque retribuem as brincadeiras do bichano com muitos carinhos.Boa Noite e Boa Sorte Por Fabio da Silva Barbosa O filme retrata a época do Macarthismo, onde se fezuma arbitraria caça aos comunistas nos Estados Unidos (outrofilme muito interessante sobre a mesma época é o “culpado porsuspeita”, que por acaso assisti no dia seguinte). O enfoquefica sobre um repórter e sua equipe, que apesar das pressõespolíticas e militares, fez varias denuncias sobre os métodosutilizados nessas prisões e duras críticas aos líderes destaperseguição. As denuncias eram reforçadas por filmagens dejulgamentos e pronunciamentos, dando um caráterinquestionável ao discurso do programa. “Boa noite. Boa sorte” é mais que o documento de umaépoca. É a demonstra-ção de como os meios de comunicaçãode massa podem ser utilizados para algo maior que simplesentretenimento. De como podem ser utilizados para informar epromover mudanças. O compromisso com a verdade se integracom a profissão de tal forma, que fica impossível dissociá-lo. Outro ponto interessante é como os patrocinadores
  48. 48. sempre conseguiam se aproveitar do prestigio do programapara fazer sua publicidade. O caso mais explicito foi o docigarro, onde ele fazia a conexão entre a atitude do programa ea atitude de fumar seu produto. O problema é que as pessoas estão tão insufladas como besteirol rotineiro do cinema americano, que ficam cegas paratrabalhos desse estilo e não conseguem compreendê-los.IndiferençaMais uma cena rotineira da cidade grande Por Fabio da Silva Barbosa Um homem, depois de muito cambalear pelo centro deNiterói, caiu perto de uma rampa para deficientes físicos. Ficou por ali a falar com o céu, até que adormeceu. Qual seu nome? Não perguntei. Mas também ninguém perguntou. Foi apenas mais uma cena rotineira na cidade grande. Nada de mais.
  49. 49. O Circo chegou Por Fabio da Silva BarbosaO Grande Circo Eleitoral chegouTemos O Candidato X, engolidor de homensO Candidato Y, O Rei das FraudesO Candidato Z, o que não ganha,mas leva voto para o partidoAtrações invisíveis: só aparecem nessa épocaPalhaços e Domadores inúmerosÉ o Grande Circo EleitoralA entrada é franca,mas o sofrimento eternoÉ um direito participar,mas se você não comparecer,iremos pressioná-lo por issoO circo chegouAnões e mulheres barbadasO sensacional homem que cospe fogosó pode cuspir se for na direção certaNão percamApresentação únicaIsso se não houver segundo turnoVenhamHipnotismo, Ilusionistas e a participação do Grande MentirosoVamos votar
  50. 50. Atrações nacionalmente importadasVocês não podem perderAs novas flores Por Fabio da Silva Barbosaeles são como semeadoresque espalham morte e sangue em nossas vidassomos a terra em que nos enterramo descartável do descartávelatravés do medo e paranóia impedem a vidaafastam-nos de nossos irmãosfazem acreditar ser impossível a felicidadeque viver sem temer é um perigoeles insistem que devemos ter medo do perigomas o perigo não é nosso irmãoo perigo é apenas o sabor de estar vivoé o oposto dessa morte confortávele segura que vivemos dia a diaa incerteza é a felicidade de vivercriar raízes é virar plantavirar vegetal é vegetarse evitarmos o desconhecido,ficamos apenas com o que já sabemosnada mais será aprendido
  51. 51. se não nos aventurarmos pela vida aforase não abraçarmos o desconhecido,lascando um beijo na bocaestaremos apenas andando em círculossó a loucura é descobertasó a loucura caminha rumo ao sabersó a loucura salvaa loucura o mal gosto e o perigoeis a Santíssima trindade que devemos beberNão me rendo à hipocrisia Por Fabio da Silva Barbosaestou cansado de pessoas que sabem tudodizendo o quanto a hipocrisia é belao quanto a verdade é rudeo quanto devemos ter cuidado com o que dizemosestou cansado dos senhores do sabercom suas regras impostasnos impondo seu certoque aceitaram tão passivamentequanto o gado aceita a morte quando vai ao abatedouroe olha que ele não aceitaisso não tem nada a ver com aceitaçãoisso é só força de expressão
  52. 52. estou cansado da mentira peçonhentaque nos enfraqueceenquanto os alimentaque nos mutila em forma de graduaçãoque nos castra enquanto cidadãoda lavagem cerebral que somos obrigados a aceitardessa forja que nos formada sutileza azedadas amargas boas maneirase de versos métricos que me enfadammas não como as fadas me enfadamfadas da vidafadas feridasReboco caído Por Fabio da Silva Barbosaquero um lugaronde a beleza não me incomodecom seus rostos bonitosseus corpos perfeitosquero um lugaronde aprecie os defeitosonde possam os sujeitos
  53. 53. cantarem e rodopiarempor todas as praças e camposdespidoscompletamente nusonde os excessossejam adoradosos certos estejam erradose haja um cultos aos depravadoso pudor seja execradoo mal desmascaradoe os fúteis renegadosvamos para o mundoonde todo Raimundonão importa se sugismundonos abrace e faça um brindeonde os sábios escrevam erradoe o esquecido seja lembradochega de ser deturpadoque se crie outro ladoe não se tenha mais cuidado
  54. 54. Entrevista com Latuff Por Fabio da Silva BarbosaTenho muita satisfação de trazer até vocês essa entrevista comCarlos Latuff.A primeira vez que vi seu trabalho foi através do jornal dosindicato da UFF (SINTUFF). Esse foi seu primeiro espaço?Foi um dos primeiros. O primeiro foi um folder para o sindicatodos estivadores em 1990. Em seguida trabalhei no sindicato dosradialistas e depois na Associação dos Servidores da UFRJ,que atualmente é um sindicato.Na minha opinião, seu trabalho e de Alexandre Mendes comcharges e cartoons são os mais relevantes da atualidade. Comose deu esse vínculo política-charge/cartoon na sua vida?Sempre tive inclinação ao questionamento. Isso se deu commaior clareza a partir de 89. Em 90 começou a tomar corpocom o trabalho na imprensa sindical. Fui trabalhar na imprensasindical não por questões ideológicas, mas por falta de espaço.Tinha ilusões de trabalhar na grande imprensa e em grandesagencias de publicidade. Aí me deparei com a realidade. Quemabriu as portas para mim foi à imprensa sindical de esquerda, àqual devo minha carreira e minha vida, embora tenha minhascríticas ao rumo que o sindicalismo tomou a partir dos anos 90.Mas só posso agradecer e afirmar que só existo como ente
  55. 55. político e profissional graças à imprensa sindical. Lá pudeexercer com maior liberdade minhas inquietudes. Emborativesse o embrião de uma relação ideológica nesta imprensa,era basicamente profissional. Só com o encontro que tive com arealidade do Movimento Zapatista de Chiapas, comecei a meentender como “artivista”: Ativista + artista.E como se deu essa relação com o movimento Zapatista?Eu havia assistido a um documentário feito em Chiapas e decidicolaborar com o movimento através de charges livres de direitosautorais, que poderiam utilizar não só como seu material dedivulgação, como também sua base de apoio pelo mundo.Então fazia alguns desenhos e mandava por fax para oEscritório da Frente Zapatista na cidade do México, que era obraço político da EZLN. Posteriormente abri um site chamadoZapatista Art Gallery, onde colocava as charges que as pessoaspoderiam reproduzir. Posso dizer que através desse contatovirtual e do encontro com dois membros da Frente Zapatista,aqui no Rio de Janeiro, em um evento na UERJ, é que metornei um ativista que se utiliza da arte como instrumento dedenúncia e de luta. Esse contato com os zapatistas me ensinoumuito. Tanto o movimento zapatista, quanto o movimento anti-globalização são fantásticos por se insurgirem contra a novaordem mundial, a nova ordem neoliberal, a nova ordem daignorância coletiva, do imobilismo... Também devo bastante aesse movimento por ter aberto minha mente para outros
  56. 56. movimentos pelo mundo.Vi uma homenagem que você fez ao dia da mulher anarcopunk.O movimento punk anarquista influenciou em seus traços?Na segunda metade dos anos 90, a partir do contato que tivecom o centro de mídia independente, um importante movimentoque surgiu em resposta à globalização e ao neoliberalismo, éque tive contato com os anarcopunks. Muito me chamou aatenção a disposição que tinham e as posturas progressistas,libertárias e apartidárias. Tinha um jeito contestador nãoalinhado. Não eram subservientes aos padrões sociais. Acheido cacete esse encontro e cheguei a fazer algumas ilustraçõesalusivas ao movimento. Tenho bastante apreço e carinho poreles.E a história do pentágono estar de olho em você?Eu tenho um blog chamado “TALES OF IRAQ WAR” (Contosda Guerra no Iraque) onde publico diversas charges sobre aguerra no Iraque e a política intervencionista dos EstadosUnidos. Tenho um serviço gratuito que registra de onde vêm osvisitantes. Gosto de saber quantos visitantes tenho e de ondevêm. Para minha surpresa me deparei com visitas insólitascomo a da ONU, do Centro de Informações do Departamentode Defesa e diversas academias militares como a academia deUS Point, que é uma das mais importantes dos Estados Unidos.Essa é visitante freqüente. O departamento de justiça também
  57. 57. já passou por lá. Então resta saber o que nesse site, que é umblog de charges, chama tanta atenção dos organismos dedefesa. Podemos dizer... Não sei se você pode ouvir nagravação, mas eu estou espirrando veneno aqui porque meuquarto está cheio de mosquito da dengue. Aí a gente ficapensando que pode ser assassinado por agentes do Pentagono,mas acaba morrendo por causa do mosquito da dengue. É umaesculhambação isso. Mas de fato tem havido certa... Se eu usara palavra vigilância vão dizer que eu sou adepto da teoria daconspiração. Vamos dizer então... atenção especial dessesorganismos para com as minhas charges.Eu acho querealmente o Grande Irmão está aí e tem trabalhado bastante.Fale sobre a era Obama.Cara, o Obama é o Clinton negro. Eu achei todo esse alardeem relação a eleição do Obama uma papagaiada sem tamanho.A gente aqui... Pelo menos posso falar de mim... Depois doLula fui vacinado. Tivemos dois mandatos FHC. Aí achávamosque o Lula seria mudança. Todos acreditavam nisso, mas nósverificamos que, a despeito de uma pequena mudança aqui eali, o sistema capitalista brasileiro que mantém os pobres maispobres enquanto os ricos ficam mais ricos, na essência,continua igual. Já ouvi até falar e li a respeito da tendência quehaveria do PT e o PSDB se unirem em um único partido. Asdiferenças são poucas no frigir dos ovos. Se a gentetransportar essa situação para os Estados Unidos, podemos ver
  58. 58. que entre Democratas e Republicanos o que se tem é ummodelo de imperialismo e neoliberalismo brutal, hard line (linhadura) e por outro lado um modelo imperialista e capitalistadefendido pelos democratas que seria mais soft, discreto, maispalatável aos liberais. Mas no final das contas é tudoimperialista e capitalista. A mídia incensou bastante o Obama. Econvenhamos, depois de quatro anos de Bush, até o Maluf seriavisto como salvação da lavoura. Mas não se enganem: no finaldas contas o governo americano não vai mudar sua política.Continuará apoiando as ações do Estado de Israel contra ospalestinos 100%. Vai continuar defendendo que o Irã é aameaça mundial. Vai tirar tropas do Iraque para mandar aoAfeganistão. Tudo como dantes no quartel de Abrantes.O capitalismo venceu?Não sei. Os processos históricos demoram. Você tinha ofeudalismo, agora tem o capitalismo, teve a revoluçãoindustrial... Tudo isso demora séculos. A história está sempreem transformação. Pode ser que o capitalismo vença hoje eamanhã, mas não vencerá sempre. Não existem impérioseternos. Não existe nada eterno na humanidade. Então imaginoque o capitalismo, como tudo na vida, tenha sua ascensão equeda. Como todos os impérios e regimes. Um dia haverá deacabar. Então se a gente puder ajudar nesse processo... Eusempre imagino aquela grande represa que não vai durar parasempre, mas que a gente pode ajudar no processo fazendo
  59. 59. pequenos buraquinhos aqui e ali. Isso faz a diferença.As doutrinas como o Marxismo e o Anarquismo ainda dão contado mundo atual?Eu acho que existem coisas antigas que são clássicas. Comer,respirar e trepar são coisas antigas que não deixamos de fazer.Então enquanto tivermos de comer, de vestir, de beber...Enquanto tivermos de viver, sempre haverá o Marxismo, oAnarquismo e o Socialismo. Porque são teses que defendem asubmissão do capital diante do social e não ao contrário comovemos hoje. Então não se engane com esse discurso de coisaantiga ou anacrônica, pois a necessidades básicas do serhumano são muito antigas. Sempre houve e continuaráhavendo. É para dar resposta à necessidade de todos queestão aí essas antigas teses e doutrinas. Eu vejo que a vida éde esquerda, a morte é de direita. A ausência da beleza e dapoesia é a direita, é o capital, é o dinheiro. A esquerda é osocial, a vida, o gozo. Pode ser que eu esteja viajando namaionese, mas é o que penso.O que está havendo com a juventude?Poderíamos dizer que não é só a juventude, mas as pessoas deum modo geral, principalmente depois do golpe militar de 64,entraram em uma espiral de ignorância e estupidez que poderiaser chamada do império do senso comum. Existe toda umamáquina de mídia, corporativa, estatal e privada que mantém
  60. 60. essa ignorância. Existe um sistema que mantém as pessoas naignorância. Esse sistema se dá através da televisão, das igrejaspentecostais, da grande mídia e de tudo aquilo que mantém ocidadão na pobreza intelectual. Ela nivela tudo por baixo etransforma cidadãos em consumidores. Transforma tudo emproduto. É uma espécie de Midas capitalista, onde tudo que étocado vira produto, tem um preço e um valor. Tudo é maisvalia. Estão todos vivendo numa Matrix. Mas, existe sempreuma vanguarda que não é engabelada pelas promessas damídia e do horário eleitoral. E são essas vanguardas,geralmente formadas por jovens, que se levantam e tentam dealguma forma rasgar o véu da ignorância. Então se a grandemaioria da juventude se encontra alienada... Eu não acreditoque esse processo seja para sempre. É preciso sempreapostar no jovem. Sempre que vejo um movimento estudantil...Hoje também se vê muita disputa política nesses movimentos.Muitas dessas lideranças usam o espaço estudantil comotrampolim para ser vereador, deputado, prefeito... Mas é atravésdo jovem e de sua organização política e revolucionária queexiste alguma esperança. Eu acredito no jovem como mudança.O que você aconselharia às pessoas que estão entrando nomundo das ilustrações?Isso depende do que você espera do seu trabalho. Penso queboa parte das pessoas vive nessa máxima que estávamosconversando agora. Essa condição de estagnação, ignorância e
  61. 61. alienação faz com que as pessoas queiram olhar para o seupróprio umbigo, e o artista não está sendo diferente. Está maisinteressado em mostrar seu trabalho em galerias e ter os seus15 minutos de fama que em uma transformação social maisradical. Eles pensam o seguinte: “Bem, já que estamos namerda mesmo, vamos fazer o que é possível pelos nossospróprios umbigos. Vamos ganhar dinheiro e aparecer natelevisão. Dar entrevistas e ficar famosos. Pronto. Está ótimo. Avida é uma merda mesmo e eu não tenho culpa disso. Que sedane o resto. Agora, para quem se sente indignado com oestado de coisas que se vislumbram pelas portas de nossascasas... Esse vai usar sua arte para combater a disfarçatez dapoliticagem e daqueles que defendem valores conservadores ereacionários. Irão combater a violência policial, os crimescometidos pelos banqueiros, pelos empresários. Combatertambém o fascismo, aqueles que vão para a televisão dizerque a única saída é o capitalismo, o cinismo dos reacionáriosna televisão... Lembrar que os valores básicos da vida e apossibilidade de se viver com dignidade é coisa que não ficavelha. A possibilidade de ser atendido com dignidade nohospital público, ter sua residência, seu estudo e um serviçopúblico de boa qualidade, enquanto a privatização é umengodo. Os serviços não melhoram porque são privatizados. Asempresas privadas não estão interessadas no bem estar dacoletividade. O único fim de uma empresa privada é o lucro,não o bem estar das pessoas. Alguém que está chegando
  62. 62. doente em um hospital precisa de um tratamento e não dealguém perguntando se tem plano de saúde ou cheque calção.Não adianta ficar alimentando esse espacinho safado pós-moderno que se vê nas escolas de belas artes da vida. “Agoraestamos vivendo o novo mundo... Na modernidade... Você temaí o ipod...” Foda-se, meu amigo. Você continua morrendo dedoenças do século passado... Do século retrasado. Pessoasmorrendo por doenças causadas por mosquitos. Tuberculose.Então vamos parar com essa palhaçada do pós-moderno ebotar o pé no chão. Aceitar que a gente não vive na Suécia. Agente vive no terceiro mundo. Estamos fodidos e vivemos emum sistema que nos mantém fodidos. É preciso que se rebele eo artista que tiver a mínima consciência política vai se utilizarde seu trabalho para abrir os olhos das pessoas e combater osdiscursos reacionários e conservadores. O discurso que defendea privatização, o latifúndio e as grandes corporações de mídia.Então o meu conselho nem é um conselho, mas um desejo.Que os artistas desçam do pedestal, parem de ficar olhandopara seu próprio rabo e acordem, pois nós estamos na merda.Assumam para si que nós não estamos vivendo na Bélgica.Temos problemas seríssimos. E que esses problemas sãoestruturais, são sistêmicos e não é através do voto em X ou emY, em Gabeira ou Eduardo Paes, é que se vai mudar isso. Éatravés da arte e da revolução. Da revolução pelos movimentosde base é que se vai transformar alguma coisa. É o movimentopopular que pode mudar alguma coisa. Como os sem-teto, sem-
  63. 63. terra... Este tipo de coisa que eu acredito poder produzirmudanças e transformações. E o artista deve se juntar a essesmovimentos. Deve emprestar seu talento a esses movimentospor serem atualmente a única coisa que presta no Brasil e nomundo.Redson fala sobre vida, luta e Cólera Por Fabio da Silva BarbosaAgradecimentos a Deise (Revoluta Produções)Cólera é um dos primeiros grupos de Punk Rock brasileiro.Surgiu em 1979, na cidade de São Paulo, formado pelos irmãosRedson (Edson Lopes Pozzio) na guitarra e vocais e Pierre(Carlos Lopes Pozzi) na bateria. O baixo ficava por conta deHelinho, que mais tarde foi substituído pelo amigo Val (ValdemirPinheiro), substituído depois por Josué Correia, seguido porFabio Bossi. Participou da coletânea inaugural do movimentoPunk no Brasil, “Grito Suburbano” (1982), e desde cedo sedestacou pela postura pacifista, antimilitarista e ecológica. Duascoletâneas viriam depois – “Sub” e “O Começo do Fim doMundo” (ao vivo), ambas de 1983. Seu primeiro LP, “TenteMudar o Amanhã” saiu em 1984. O segundo, “Pela Paz emTodo o Mundo” (1986), tornou-se recordista de vendas em setratando de uma produção independente (85 mil cópias). Em1987, o Cólera se tornou a primeira banda de Punk Rock do
  64. 64. país a excursionar pela Europa. Em 1989, gravações dessesshows viraram um disco ao vivo. No mesmo ano, a bandalançaria o LP “Verde, Não Devaste”. Nos anos 90 lançou osdiscos “Mundo Mecânico, Mundo Eletrônico” (1991) e “CaosMental Geral “(1998). Em 2000 a banda ganharia novodestaque, uma vez que a Plebe Rude regravou “Medo” em seudisco ao vivo e os Inocentes, “Quanto Vale a Liberdade” em “OBarulho dos Inocentes”.Fábio saiu em 2006, sendo substituídopelo antigo baixista Val. Em 2008 fizeram a tour européiacomemorando os 29 anos de banda. Atualmente o Cólera estáfazendo a Tour “30 Anos Sem Parar!”.Quem é Redson e o que é o Cólera?Redson sou eu, ainda me descobrindo. Até onde sei bem,Redson significa filho vermelho.Cólera é uma expressão deímpeto, indignação, impulso. É nome da banda que faz um somdiversificado, com raiz no Punk Rock e asas nas mensagens,isso há 30 anos.Sua atuação como militante político, conta desde antes doCólera começar. Conte um pouco sobre essa fase pré Cólera.Nos anos 70, antes de rolar o Punk Rock, eu estive presentenas passeatas de Sampa; de professores, estudantes,bancários...o que fosse contra a ditadura, eu tava lá! Isso durouna ativa uns três anos. Depois adotei armas maispoderosas:uma guitarra e um microfone. Já era!!!
  65. 65. E depois que a banda deu certo, o que mudou?Mudou todo o cenário nacional. Nosso desbravamento dospossíveis caminhos do som alternativo presenteia a cenanacional com bandas indo e vindo da Europa; cenário do façavocê mesmo presente (mesmo que não esteja como queremos,está rolando atividade, está andando), e muitas outrasconquistas que não precisamos dizer. O que sempre foi legal foia nossa definição desde o início de não ter bloqueios sonoros.Os primeiros sons eram um tipo de country punk, com letrassurrealistas... Em 1979... hehehe.Como você, que canta pela paz e sobre ecologia há tantos anos,vê a insistência do ser humano em promover uma realidade tãoviolenta e autodestrutiva?Existem muitas guerras que vemos e que não vemos. Nossopróximo álbum tem uma ópera, a “A Ópera do Caos”, que narraas guerras mais incomuns. Este estado de estupidez quemantém ainda essas guerras no mundo é justamente umaguerra de meia dúzia de seres que não cresceram, mas estãoem cargos de muita responsa. Então, sugiro um bom terapeutapara tratar desta síndrome de Peter Pan que ataca líderes emanda-chuvas neste momento da história.Existe um discurso comodista que sempre lança contra qualquertipo de esforço: “Nada disso adianta. O mundo é assim e pronto.
  66. 66. Nunca vai mudar”. O por que disso?Bem, o termo que consolida isso é: SUPRESSÃO, ou seja,quando alguém vê sua conquista em aprender ou em buscaralgo com forte expectativa; o supressor, vendo-se inferior emseu estado mórbido e de baixa auto-estima, logo deprecia apossibilidade, suprimindo sua ação. Não é brincadeira; teremosuma música no próximo álbum chamada: Supressão...heheheheComo uma banda sobrevive tantos anos sendo independente?Com seus membros trabalhando fora, se virando pra sobreviver,pois nunca vivemos da banda.Como você se define política e ideologicamente?Mutante radical ou Idealista livre... É melhor... Como busco sereu mesmo, é a ação mais forte que conheço politicamente. Atraio melhor para todos.Agora, vou dar alguns temas e gostaria que você falasse sobreeles.Mídia: Um veículo a ser usado com cautela (touro doido...hehehe)Terrorismo: mentirasDrogas: As drogas matam, as ervas curam. Plantas de poderpodem ser excelentes veículos, sabendo pilotá-los, é claro.Indústria tabagista: Idade da pedra
  67. 67. A atual situação política brasileira: Desrespeito. Faço meu dia adia. Nem perco tempo vendo noticiário, vejo os cataclismos eassuntos que me interessam para a sobrevivência, mas se vocêfor atrás, todas as noticias são as mesmas todos os dias emtodos os órgãos de comunicação... Nossa!!! Só deve ter umjornalista em cada fato... Não existe relatividade nainformação... Eles governam sua cidade... Fazem caixa prainvestir na campanha de governador e assim querem ir até otopo.... E nós, com um imposto novo por bimestre, pagamos ospanfletos e vinhetas de ultima categoria. Quero deixar um salveaí pra todos que estão na vivência do faça você mesmo! Sejabanda, zine, grafitte, faça alguma coisa, quem fica parado éPOSTE!!!Contatos da banda:http://colera.orghttp://www.myspace.com/coleraoficialhttp://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=28030Cinema e reflexão Por Fabio da Silva BarbosaNascido em Alagoas, Maceió, em 1940, Carlos Diegues (CacáDiegues) veio para o Rio de Janeiro aos 6 anos. Fez direito naPUC, onde foi Presidente do Diretório Estudantil, fundou um
  68. 68. cineclube e começou suas atividades como cineasta. Aindacomo estudante, dirigiu o jornal da UME (União Metropolitanade Estudantes) e juntou-se ao CPC (Centro Popular de Cultura)da UNE (União Nacional dos Estudantes). Fundou o movimentoCinema Novo, junto com Glauber Rocha, Leon Hirszman, PauloCesar Saraceni, Joaquim Pedro de Andrade entre outros.Participou da resistência intelectual e política à ditadura militar.Como surgiu o interesse por cinema e como este se tornou umcaminho a seguir, já que na época não havia escolas de cinemano Brasil e a tecnologia para tais produções era praticamentenenhuma?Sempre fui um cinéfilo, um fã que aprendeu tudo que sabeatravés dos filmes que viu. Quando decidi que queria fazerfilmes, estudei, vi todos os filmes que precisava e fiz algunscurtas-metragens, até realizar meu primeiro filme, aos 23 anosde idade.De todos os filmes que você dirigiu, qual merece destaque e porquê?O preferido é sempre o próximo, aquele que ainda não foi feitoe no qual depositamos toda a nossa fé.O que diferencia o cinema brasileiro do cinema do resto domundo?
  69. 69. Não sei. Talvez aquilo que diferencia o Brasil do resto domundo. Mas o que é esse elemento diferenciador? É difícilexplicar uma cultura e suas singularidades.E o cinema de Cacá Diegues? O que o faz ser considerado umdos cineastas mais populares do Brasil?Em primeiro lugar o amor ao cinema. E depois, o meu desejode ser útil aos outros, sendo sincero comigo mesmo.Quais as principais dificuldades encontradas pelo nosso cinema?Como sempre, e como na maioria das atividades culturaispraticadas no Brasil, recursos para fazer o que queremos.Cinema é uma coisa cara e, num país como o nosso, parecequase um luxo querer fazê-lo.Como você já teve experiência em exibir filmes no exterior, faleum pouco sobre a receptividade do público estrangeiro emrelação a nossas produções.Sempre que você faz qualquer coisa nova e inédita, provoca ointeresse. Da Sibéria ao Equador. Mas se você repetecanhestramente aquilo que os outros já fizeram, provocadesinteresse e desprezo.Qual a principal herança do Cinema Novo encontrada no cinemaatual?
  70. 70. O desejo de ter uma personalidade própria, e de descobrir oBrasil através do cinema.Para finalizar, vamos tirar um pouco o foco do cinema. Algumasvezes encontramos pessoas dizendo que a vida era melhor naépoca da ditadura. Como você, que militou contra toda aquelaviolência, analisa esse tipo de opinião?Quem diz isso não viveu aquele tempo ou então era um aliadoda ditadura. Não podemos deixar que aquilo volte a acontecerem nosso país, a ditadura foi uma noite muito escura que nãopode cair novamente sobre nós.Entrevistando o poetaPor Fabio da Silva BarbosaEle é poeta, ficcionista, ensaísta, colaborou com diversosveículos de infor-mações, como a inesquecível revista emquadrinhos Chiclete com Banana e tirou seu nome artístico dadoença que o cegou. Sabem quem é? Não poderia ser outro, senão o grande Glauco Mattoso.Como foi o despertar para a arte?Fallando em despertar, faço logo um alerta: só escrevo pelaantiga orthographia e quero que minha escripta não sejamexida, certo? Accordei para a arte porque desde creança vi
  71. 71. que minha janella para a vida commum seria fechada pelacegueira progressiva. Foi uma sahida existencial, umaescapatoria.Qual o principal papel da arte em sua vida?Antes de mais nada, evitar o suicidio, ou o alcoholismo, ou asdrogas mais letaes. De quebra, a arte rendeu algum tesão...(risos)O que é o underground para você?Para quem ja cresceu na peripheria e desde cedo foi saccode pancada da moleca-da, ser “underdog” na vida ou“underground” na arte faz pouca differença... A marginalidade,social ou litteraria, veiu a ser meu proprio habitat.Como foi trabalhar com o alternativo na época da ditadura?Por ser a unica via livre da censura, a imprensa nannicaofferecia um illimitado universo creativo. Meu zineanarchopoetico, “Jornal Dobrabil”, fez coisa que nenhumgrande orgam impresso podia fazer em termos de linguagem,diagramma-ção, conteudo, emfim, foi um vehiculo de commu-nicação de facto.Glauco, careta em relação às suas obras?Minha philosophia de vida é o paradoxo. Acho que todos somospoços de contradicção, moci-nhos e bandidos ao mesmo tempo.
  72. 72. Portanto, nada de extranho no facto de eu ser mais louco comopersonagem que como pessoa.Você se venderia para ter uma vida mais confortável?Através da historia, e em muitas regiões do mundo, osdeficientes foram escravizados ou tiveram que se pros-tituir parasobrevive-rem. Si eu vivesse na India, provavelmente seriamassagista e chupador para ga-nhar o pão. Aqui posso me darao luxo de ser massagista e chupador para ga-nhar inspiraçãonos sonetos ou nos con-tos... (risos) Mas isso não significa queeu assignaria contracto com uma editora commercial que mepagasse bem mas me exigisse radicaes mudanças de estylo.O atual panorama político brasileiro e mundial segundo o poeta:Ja versejei demais sobre o scenario politico, particu-larmente nolivro “Poetica na politica”, e tenho commentado a respeito emminha columna na “Caros Amigos”. Não ha o que accrescentar:fallar de merda sempre foi minha especialidade.A tese de que trocamos a ditadura militar pela capital é real?Sim, mas na verdade nunca a trocamos. A dictadura economicaé permanente. Apenas a militar foi addicionada a ella duranteaquelle periodo.O ser humano se entregou à alienação?Pode ser, mas ha varios typos de alienação, umas damnosas,
  73. 73. outras gozosas. Phantasias sexuaes, mesmo as minhas, quesão sadomasochistas, podem ser boa estrategia paracompensar as difficuldades practicas. Ja a desinformação é apeor forma de alienação, da qual fujo como o Diabo da cruz.Seu epitáfio.Epitaphio? Vira essa bocca para la! Não pensei ainda.Talvez na hora de morrer eu decida.Mas seria algo como “Aqui jaz alguém que jamais soube o quedizer da morte e só fallou mal da vida”... (risos)Entrevista com Malatesta do blog RetomadaMais um guerreiro na luta contra o mal(retomadaeminente.blogspot.com) Por Fabio da Silva BarbosaPor que o nome Malatesta? .O nome é uma homenagem a um dos maiores combatentes doanarcossindicalismo, na virada do século XIX/XX, ErricoMalatesta. Ele acreditava que, com os trabalhadores nocomando dos sindicatos, seria possível a propagação do idealanarquista, alcançando a classe proletária. Foi exilado em 1926e faleceu em 1932. Malatesta é a inspiração de que precisava.O que pretende o Retomada? Qual seu objetivo?Conscientizar a classe rodoviária, de Niterói a Arraial do Cabo,
  74. 74. que devemos participar das assembléias no sindicato(SINTRONAC), reivindicar pelo que acharmos necessário.Os rodoviários estão dando retorno?O retorno tem sido mais nas ruas, do que na Internet. Quandoeu prego o assunto, os colegas se mostram interessados.Em que situação se encontram os sindicatos atualmente?Os sindicatos, em sua maioria, estão entregues nas mãos daclasse empresarial, e políticos corruptos. Para o trabalhador, ossindicatos são meros planos de saúde (igual ao SUS), eassistência jurídica (advogado). O aumento salarial dostrabalhadores é calculado em um percentual irrisório,comparado aos lucros da megaburguesia brasileira. O sistemacapitalista não está enfraquecendo, mas está sempre renovandosuas forças e seguindo em frente. As disparidades sociais eeconômicas estão se acentuando cada vez mais pelo mundo afora. Precisamos nos organizar e, em vez de tentar as viaseleitorais; devemos tomar influência nas assembléias dossindicatos do país; fortalecer a classe trabalhadora; reivindicar onivelamento dos salários, a princípio. As decisões de leis ficarãonas mãos do povo, através do voto, em cabines nas ruas, todosos dias. O povo se conscientizará, e, com a decisão da maioria,o Brasil tomará novos rumos. .Em que momento você resolveu que deveria agir e por quê?
  75. 75. Como foi esse momento de transformação?No momento que conheci a Sociologia e a Antropologia, vi quehavia chegado a hora de criarmos velhas expectativas nostrabalhadores comuns, como era em dias de convenção nasInternacionais européias. Todos os teóricos e ativistas,marxistas e anarquistas, reuniam-se para discutir os caminhosde uma nova ordem econômica, à qual deveria serrevolucionada pelo povo comum, através dos votos públicos ( opovo).A Antropologia me fez pensar nos povos pré-cabralinos,no alto nível de evolução econômica em que se encontravam secomparados com os europeus. Enquanto os primeiros tinhamuma filosofia de vida, que consistia em arranjar comida todo diae, ao término, viviam felizes à descansar. O maldito português,com sua filosofia de acúmulo de riquezas, juntamente com osespanhóis e, mais tarde, com ingleses, franceses e holandeses,dizimaram um sistema econômico de vida , muito mais evoluídodo que o deles.Whashington do Enemy Cross Por Fabio da Silva BarbosaA banda, Enemy Cross, surge em 1996 e passa por váriasformações. Participou de coletâneas e fez vários shows. Em2000 lançou uma Demo Tape. Depois participou no Three Waycom Biologic Enemy e Flagelador. Em 2006 o primeiro cd foi
  76. 76. lançado independente. Atualmente continua na estrada.Contatos: enemycross_@hotmail.com ,www.mayspace.com/enemycross. Tel:[22] 27712964 & [22]92027227 / Washington.Por que Enemy Cross?É puro deboche e afronta ao cristianismo. Nossa cruz éinvertida, pois somos a Cruz Inimiga. Somos contra o fanatismoreligioso e a lavagem cerebral promovida pelo cristianismo!De 1996 até hoje, o que mudou no som?Muito pouco. Quase nada. Hoje acrescentamos elementos maisbrutais ao som, como a adição de pedal duplo na bateria.Como é o processo de criação?Nos primórdios da banda, eu e nosso antigo batera, Nicko,fazíamos as letras. Eu fazia as bases e passava para os outrosmembros da banda. Hoje continuo fazendo as letras e algumasbases. O Anderson, o novo guitarrista, também estácontribuindo com letras e bases.Quando éramos crianças, ouvíamos sempre que isso era umafase e que iria passar. Como esse espírito de trabalhar e viverno underground persiste até hoje? Como esse lado convive como dia a dia.Em primeiro lugar, é o amor pelo que acreditamos e fazemos. O
  77. 77. metal faz parte de nossas vidas.É uma verdadeira cachaça! Souviciado no que faço e espero morrer fazendo músicasextremas para pessoas extremas! No dia a dia somos comoqualquer outra pessoa. Trabalhamos para sustentar nossasfamílias pois todos temos filhos e casa para sustentar. Massempre arrumamos tempo para fazer um som.Qual o futuro do metal e do Enemy Cross?O Metal vai sempre estar por aí. Seja na mídia ou noUndergroud. Vão sempre existir as modas e os oportunistas. Osaproveitadores! Mas também vão ter pessoas que vivem eacreditam no metal! Quanto ao Enemy cross, até me aguentarem pé, estarei levando a banda à frente.Não penso em acabarcom a banda. Da formação original só restei eu. Mas a lutacontinua, e pretendo lutar até a morte !Cinema ultraindependente trash ultranovo Por Fabio da Silva Barbosa Se você pensa que já viu tudo em termos de cinemaindependente, precisa conhecer esse grupo de cinema teatralque está sendo formado em São Gonçalo no estado do Rio deJaneiro. O grupo leva ao extremo a teoria do cinema novo, deuma câmera na mão e uma idéia na cabeça. A estética trashestá presente na falta de recursos e pelo tosco. Isso sem falar
  78. 78. no ideal do “faça você mesmo”, explícito. A iniciativa é sinceramente primorosa. Em vez deficarem se queixando, eles fizeram, com o nada que possuem,uma história cinematográfica que ainda tem planos para ofuturo. A filmografia pode ser vista no youtube: O primeiro filme se chama ONG BLACK . Um curta deartes marciais, com coreografia de tirar o fôlego de qualquerBruce Lee. Na sequência podemos ver ainda ONG BLACK -MAKING OFF e o trailer da continuação que ainda não foifinalizada. O último trabalho da COLLECKTORS PICTURES sechama O RETORNO DE XANDY. O negócio é ler esta entrevista, com AlexandreCollecktor, enquanto aguardamos os próximos lançamentos.Alexandre, você interpreta dois personagens no primeiro filme oué impressão minha?Pois é rapaz. A mudança de personagem pode ser observadaquando coloco uma peruca.O personagem principal consegue fazer várias acrobaciasdurante a coreografia marcial.Aquele é meu irmão.E a sequência?A história é que, enquanto filmávamos, a bateria acabou.Pensamos em uma solução imediata para o problema e
  79. 79. colocamos no final o aviso de que faríamos a continuação. Masainda não gravamos. O cara que aparece no trailer fazendopapel do chefão é o meu primo. Alto, né?Vocês reuniram um bom número de atores.Aquilo é o pessoal que fica de bobeira na rua. Tudo amigo dalimesmo.E o equipamento?Aquilo é uma câmera de VHS. Só. Usamos muitas cenas deação justamente por não ter um sistema de som adequado, oque atrapalha na hora de entender os diálogos. Hoje já temosuma câmera melhor, mas ainda nada moderna.E o cenário natural usado?Foi tudo filmado no Pacheco, aqui em São GonçaloE o pessoal gosta? Sua esposa, por exemplo, já viu?O pessoal se diverte. Minha esposa já viu, sim. Gostou, masnão se entusiasmou muito. Também, não tem muito como seentusiasmar.Vocês é que pensam. Muita gente fica arrumando desculpa paranão fazer as coisas tendo recursos para tal. Vocês não têm nadae mesmo assim estão produzindo. Eu me entusiasmei. Descobrium filme que ainda não tinha visto.

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