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Reboco caído nº33 vs pdf

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Versão digital do zine impresso Reboco Caído

Publicada em: Arte e fotografia
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Reboco caído nº33 vs pdf

  1. 1. Pag 1 REBOCO CAÍDO- 33 Editorial Este número será o último de 2016 ou o primeiro de 2017. Tô dependendo de conseguir levantar a grana pras cópias e cartas... Aqueles probleminhas de sempre que a galera que nada contra a maré conhece bem. Só esperando pingar o troco pra ba- gaça sair. De qualquer forma não fará muita diferença, pois se é 2016 ou 2017 é apenas uma questão do calendário cristão... AC/ DC e toda essa merda. Isso realmente não é o mais importante. E o que realmente im- porta? Alguma coisa importa? Aí depende de cada um, ou cada dois, ou cada três, ou cada quatro... ou não. Vai saber. Voltando a questão do que importa, acho bem legal a galera chegando junto e contribuindo de acordo com suas possibilidades para o Re- bocão continuar na estrada. Se não fossem @s louc@s que contribuem pra essa inici- ativa (e pra todas as outras das quais faço parte), talvez o Reboco já tivesse encerrado as atividades, ou se resumido a versão digi- tal. Quem sabe? Além do pessoal que con- tribui com grana, tem a galera que contribui divulgando, abrindo espaço, tirando mais cópias e espalhando por aí... De qualquer forma o ano foi bem produtivo. Além do Reboco Caído, os canais digitais continua- ram apesar de todas as dificuldades e da correria cotidiana. Lancei um e-book (So- bre uma sociedade decadente – Editora Resistência), um livro (Palavras Marginais – Porto de Lenha Editora) e um maravilho- so livro cartonero (Salada Cascuda – Can- deeiro Cartonera). Rolou tudo isso e mui- to mais. Não tenho muito do que reclamar no que diz respeito a minha produção en- quanto ser pensante que sou – ou acho que sou. Quanto a situação de mundo, já sobra motivo pra reclamar, blasfemar, se rebe- lar... enfim... A meia dúzia que tá para- sitando a grande maioria fodida só pode estar de sacanagem. Não é possível. Os ca- ras não têm a menor vergonha de jogar sua falácia em nossas faces e achar que vai tu- do ficar por isso mesmo. É bancada re- ligiosa, bancada da bala, agronegócio,... a direitada toda unindo forças por seus objetivos (o lucro, o acúmulo, a ganância... tudo que engloba e garante seu podre estilo de vida). Querem roubar mais, é só dimi- nuir os investimentos em saúde e educa- ção de quem não pode pagar. Retirem os auxílios! Dos juízes, dos deputados? Claro que não. Tirem de quem nã tem. Mas esta- mos aí pra incomodar, pra atrapalhar. Se depender de gente como a gente, eles não vão conseguir. E nem adinta botar a ca- chorrada pra cima. Ofereço essa edição ao grande Sandro Andrade e a memória de Rolidei.
  2. 2. REBOCOCAÍDO-33 Pag 2 Por Jesuana Prado O grito da periferia mudo abafado pelos estopins de bala. Quem dispara? Quem dá o primeiro tiro é o sistema que já anuncia nas tuas primeiras horas de vida de que lado você está. Primeiro tiro disparado é da negação. Negação de direitos, negação de igualda- de, justiça. Negação! Quem dispara a bala que milimetricamen- te abate? Quem? Para alguns, um super-herói. Para outros, um opressor. E o grito da periferia ainda é de pavor. Até quando? Que não seja sempre. SUBSTÂNCIAVIVA Por: Sarah El Khouri Sousa Seguir na contramão de uma série de falsas verdades, Induzir minha substância para deliberação. Construir-me contra o que me curva ou me exalta. Ser inteira ciente de que não sou ainda com- pleta. Reconstruir-me e embora sob escombros ter consciência de tudo que o me liberta. Sou constituída de tanta agregação turva, embora a simplicidade extravase o que há de mais vivo em minha natureza. Sou um amontoado de ruas curvas, precipí- cios, ladeiras, construções inacabadas, céu azul safírico. Sou sonhos cessados, loucuras expostas, devaneios sentidos, alegrias mortas, feridas abertas que anseio por curar, chagas que não evito fuçar embora sinta dor… Sou o pensamento distante enquanto tomo café. O devaneio inteligente enquanto bebo cer- veja barata. O olhar doce enquanto fito quem amo. A nostalgia silenciosa num domingo para- do. A mudez sagrada quando olho o crepúsculo. A nudez, a pele, o corpo clamando por ou- tro. O otimismo ativista por um mundo melhor. Em mim há o palhaço, o triste, a santa, a va- dia, o louco. Minha vida é um livro aberto Por Luna Clara largado na calçada numa noite de enxurrada Badulaê Por Clarisse da Costa Na aurora das noites sombrias onde o negro mal podia deitar ouvia os gritos do irmão à chorar de dor.O som do chicote entoava com o canto…Badulaê, Badulaê… E as lágrimas em pele ressecada escorriam feito vidro cortando a pele! rasgado, sujo, amassado todo cagado trechos ilegíveis e faltam algumas páginas.
  3. 3. Pag 3 REBOCOCAÍDO-33 Por Murilo Pereira Dias Ser eu mesmo e mais ninguém Por Samuel da Costa Para a poetisa biguaçuense Clarisse da Costa Existir para além das nossas relés inexistência, nunca foi e não é fácil. O cô- modo é sempre o mais fácil, e ser nós mes- mo, nunca foi e não será tão cedo. O tor- nar-se autêntico nunca será fácil. O fácil é se anular completamente diante da supre- ma vontade alheia. Enclausurar-se na magnificência da torre de marfim, do como- dismo cotidiano e do eterno apontar o dedo em riste na face alheia. Descer até o mundo real e enfrentar a reali- dade cotidiana e duríssima não é para qual- quer um, vencer as deficiências impostas pelos erros alheios e embarcar no ônibus da vida e enfrentar as ruas esburacadas é somente para heróis de verdade. Ficar lon- ge dos confortos do divino lar e ocupar um lugar ao sol, que em teoria não nos per- tence, nunca será fácil. Aprender com quem, pelo menos em teo- ria, tem menos conhecimento e vivência que nós mesmo é um desafio titânico. Respei- tar quem, em teoria, é menor que a gente, para muitos é impossível. Ser o burilador de inexatidões, ser o malu- co da aldeia, da agrovila, da vila de pesca- dores e destoar na multidão, em fim, é um crime terrível. Ser o que se veste e age dife- rente dos aldeões locais é um crime contra a humanidade, ter pensamentos próprio é caso de internamento manicômio em da ex- clusão. Em suma, remar contra a maré da massa humana dissoluta, ficar de pé e não PRIMEIRAMENTE: Por Diego El Khouri Fora michel temer, fora bolsonaro, fora feliciano, fora racionalismo neo platôni- co, fora mesquinhez, fora miséria, fora la- tifundiários – assassinos do primal –, fora grandes estatais, fora homofobia, racismo e todos os policiamentos que aprisionam a alma e o corpo, fora igrejas ma- nipuladoras da massa carente de ensino, fora repressão militar, fora privilégios, fora multinacionais. FORA!! FORA!! FORA!! Viva todos os “vagabundos ilumi- nados”, a essência xamânica da poesia nes- sa era tecnocrática, o olho aberto, eman- cipado. E enfim não restam mais lembranças, não se têm expectativas, nem esperança!!! O passado foi vivido e já foi esquecido!!! En- contra-se a ausência do presente!!!! A re- alidade de estar em si!!! Estar em busca de nada e não mais desejar!!!! Ser!!! Ou estar!!!! Ilusão ou altruísmo, destruição e caridade!!! Guerra e paz!!!! Sem sentido ignorante e intelectuais!!!! Árvores carne nuvens vegetais!!!! Enfim algo que me faz pensar!!!! O fim do cigarro!!!! cair no nano-cosmo imposto pelos déspo- tas da vida é para poucos. O autor depois da vida Por Solano Gualda Acho meio bizarro como anota- ções e rascunhos de escritores são viola- dos após suas mortes. Coisas que não gos- tavam ou que até mesmo tinham vergonha passam a fazer parte de grossos encader- nados levando seus nomes nas capas em letras imensas (até mesmo maiores que as do título). Fotos e mesmo correspondên- cias são reunidas e, quem sabe, se passa- rem a invadir redes sociais futuramente, vários históricos de conversas vão poder ser levantados exatamente como eram. Matando completamente a imagem fictí-
  4. 4. Pag 4REBOCOCAÍDO-33 Quando o vento Por Clarisse da Costa Soprou-me Em razão sucinta, Afirmação doída, Sequei todas as gotas De cristais. Nas linhas retas Do velho caderno Dei o ponto final; Virei a página obscura E saí da minha loucura! Não sou anjo; Não sou santo; Não sou o que você acha. Não remendei os retalhos. Não colei os cacos; Deixo tudo assim Por isso mesmo; Pela metade Faço-me por inteira! Cenário Aberto Por Zhô Bertholini ares de malabares nas esquinas no abre & fecha dos faróis circo de sobrevivência do ofício até os ossos difícil ato de se equilibrar sobre palco de asfalto vagas habilidades dos meninos da cidade no trânsito do dia a dia cativando medo ou simpatia no ensaio das mãos nada de muito ou pouco apenas um baile de esperanças descolando um troco Por Rodney Silva Manaus..Manaus..Quando vai Reagir ..?? Manaus..Manaus..Quando vai Melhorar.?? Manaus..Manaus..Quando essa Porra vai Mudar… cia do autor. Talvez isso seja bom, talvez não. Imagino como reagiriam ao ver im- pressos suas linhas pessoais. Provavel- mente pensariam em como teria sido me- lhor atear fogo em seus álbuns e arquivos. Mas eu, sendo bom marginal latino-ame- ricano, não me preocupo com essas coi- sas. Sei muito bem que ao fim de minha jornada não terei com o que me preocupar, todos esses momentos de vida e memóri- as vão estar muito bem protegidos, junto de vários outros como eu, amassados e so- terrados por sacos de lixo e esterco em um depósito de lixo. Por Sandro Andrade Sinto Mas Que sinto? Sintomas Abcessos Absurdos
  5. 5. Pag 5 REBOCOCAÍDO-33 Conheci Sandro Andrade no último Mutação (Evento realizado pelo grande Denilson, na Feira do Livro de Porto Alegre). Colocamos nosso material para expor um ao lado do outro e começamos a trocar ideias e materiais. Continuamos o contato via internet e fui conhecendo mais sobre os desenhos e escritos desse cara. Realmente uma daquelas figuras raras. Envieientãoalgumas“perguntas”para serem “respondidas” e entrar neste número do Reboco. Para quem ainda não conhece, eis mais um brilhante irmão. São as células se comunicando e formando seus coletivos. Desenho e escrita: É oxigênio. Evita a sufocação, cura as feridas da chuva ácida, alimenta o cérebro e o coração. O início: Quadrinhos de super-heróis, bárbaros, depois Rê Bordosa, Crumb, Bukowski, Coppola... Daí veio Slayer, Venom, Obituary, fanzines, cervejas, litros de nanquim, ficção científica, Nosferatu, Blade Runner, e alguns socos no nariz. Sabia no que ia dar? Na real ainda não sei. Ou já deu em alguma coisa. Estou na área, eu e minha pequena grande história de encontros e desencontros. Mais um Por Fabio da Rock: Foi, é e será. Atitude: É saber dizer NÃO para algo ou alguém com o qual tu não concordes com a “filosofia”, mesmo que este “não” faça com que tu tenhas perdas, financeiras ou afetivas. Ideologia: Mais ou menos a mesma resposta da pergunta anterior. É uma filosofia-mestra, algo que te faça caminhar de forma coerente, mas nunca um conceito blindado. Sexo: Sexo é bom quando não temos que encaminhar um ofício em duas vias, não exige recibo, não paga imposto. Quando é burocrático, não é sexo. Violência: Difícil. O mundo é violento. O protesto é violento. O underground lida com sentimentos violentos.Aarte ainda me parece o caminho pra lidar com sentimentos sombrios. Todos temos o nosso lado violento, o importante é não se tornar a própria violência.
  6. 6. Pag 6REBOCOCAÍDO-33 m irmão a Silva Barbosa Protesto: O protesto talvez seja a atitude plena, o levantar-se após tomar muito chute calado. Seja individual ou coletivo, o protesto sempre é um ato de coragem. Zine: Foi com os zines que comecei a me relacionar melhor com as pessoas. Para muitos, montar uma banda faz parte desse processo, mas em meu caso que não sei tocar nenhum instrumento, foi com o desenho e os quadrinhos que passei a interagir mais e me tornar mais tolerante com a opinião alheia. Mesmo nesta era virtual o zine se reafirma como diferencial. Qualquer um expõe sua opinião numa rede social, mas poucos se debruçam na prancheta para montar um zine e sair com cópias embaixo do braço.Ao mesmo tempo tem uma onda mais “cult” de zines, com cópias numeradas, muito caros e vendidos como objeto de arte. Acho isso uma elitização do zine, pois se você não se dispõe a trocar seu zine por outro, não é um zine. Atualidade: Nova Era de Trevas versus Coletividades autogestionadas. Futuro: Haverá futuro? PARAMINHAMORTE Por Sandro Andrade Muito esperei por ti Muito te procurei Desejei dormir sob teu manto Nos desesperados momentos de angústia Achei que só tu poderias aliviar minha dor Só tu poderias me redimir Então, quando já havia de todo te renega- do Quando já não mais te almejava Como forma de redenção Quando já te havia expulsado do meu pen- samento Bateste à minha porta Como um funéreo presente E me tornei mais um Entre a infinda tripulação Do teu soturno navio Navegando nas águas escuras Que refletem o negrume celeste
  7. 7. Por Alexandre Durratos tudo resolve só num sei muito bem por quê Entendo ou pôr quê Quem Satanaries puro ou pôr, que? Rsss Podiar ao menos é mais objetivo ;- quê por? Qui? Quo? quépor? Quale? Quer? quan O que? dum Quim? quá Lá? quou! Pour qua? quin! Din? Sim Rsss quuuuu Oui? se fosse quid era latim Não fui versada em latim..mal é porcamente em português… E cuspo francês e italiano…rssss por isso q gosto de ingrêix: ninguém entende nada, eu posso falar bêbado q estarei só pelado, mas o significado bem no mocó E todos respeitam…pq “todos” fingem saber…menus io Rss menu é bom pra xuxu Pag 7 REBOCOCAÍDO-33 Rssss organiza eu, organiza tu No buracu du tatu Rsss dor nas costas - constante isso rsrsrs Rssss tô chambrando um brown e rindo: do nosso papo, e tb dumas musiquinhas eletro-pop eu acho Rssss Pq eu não pude conhecer o mocó? sim, quente, chegou perto Rssss Fim da conversa no bate-papo Digite uma mensagem… A UTOPIA GERMINARÁ. Por Panda Reis Perceba tudo que vem acontecendo no Brasil desde o Impeachment da Dilma, passando por toda a operação Lava a Jato, todo o status de pop star do STJ (ainda nos tempos do Joaquim Barbosa, culmi- nando no astro maior de uma parcela da população, Sérgio Mouro), sem nos es- quecer de toda a manobra da câmara com propostas difusas e nada funcionais - co- mo projeto anticorrupção, ou até mesmo a ameaça, na cara dura dos Deputados, feita contra o Judiciário e mesmo este bradando forte que não aceitaria, com suas formigas guerreiras, a OAB, mo- mentos depois sede a pressão e entra em um acordão e recua no caso Renan Ca- lheiros e este segue como líder da Câma- ra, mesmo sendo réu em casos de cor- rupção, entre outros. Sem esquecermos da reforma trabalhista proposta pelo no- vo governo do Temer, aquela que usa no- mes que não condizem com a interpreta-
  8. 8. Pag 8REBOCOCAÍDO-33 ção do texto (flexibilidade da jornada de trabalho, terceirização, negociado sobre o legislado, reforma da previdência, congelamento de editais para serviços públicos e congelamento também na saúde e educação ... sem falar nas privatizações e concessões...) Perceba que tudo está exatamente como deveria estar no sistema liberal do terceiro mundo. Sempre era para ser. Segundo os donos do capitalismo, para esses donos do mundo financeiro, o terceiro mundo tem de estar como foram as colônias no passado, servindo de mão de obra barata, servindo de produtores de matéria prima para o primeiro mundo, servindo como consumidores dos produtos manufaturados vindos de lá. Qualquer inversão dessa ordem abala completamente todo o sistema. As vitórias, mesmo mínimas, de uma classe terceiro mundista não podiam ser aceitas a longo prazo. Até porque as vitórias levam à novas lutas e novas vitórias. Aquele discurso de que países capitalistas do “topo” da Europa são exemplos da possibilidade de sucesso do sistema, é visto por uma ótica equivocada, digo, em olharmos daqui, da mesma maneira que eles olham para si, pois a lógica do sistema é piramidal e não faz sentido elogiar o topo da cadeia que oprimi todo o resto. São os países menos poluídos, claro, pois mandam o grosso de suas fábricas para cá, financiam a poluição daqui. Tem o menor índice de criminalidade, claro, pois o lucro sobre o resto do mundo é tamanho que mascara uma divisão de renda desigual, mas como lá tudo “funciona”, a sensação de desigualdade é tão bem mascarada que se faz parecer igualdade. Todas as medidas de austeridade ao redor do mundo são uma tentativa de manter a ordem do sistema, de colocar as coisas no seu devido lugar, porém, mesmo parecendo que estamos encurralados, a utopia é uma semente dura que leva tempo pra germinar, mas germinará. Não podemos deixar de regá-la. Mesmo quando tudo parecer contrário, mesmo que não possamos ver, ela germinará. bela vampira com suas presas encavaladas o sofrer constante dos gélidos momentos eternos toda dor dessa maldição dias que parecem séculos odiando e odiada perdida na própria loucura nascer para penar até quando suportar nem paz ou descansar a morte procurar raiva incontida inferno interno lágrima partida agonia insuportável teoria variável uma mistura de Noel Rosa com Maila Nurmi incomum incomparável angustia total caos mental a impulsiva inconsequente perturbação geral prisioneira do inferno astral seja forte para não sucumbir Por Fabio da Silva Barbosa
  9. 9. Pag 9 REBOCOCAÍDO-33 Processo de emerdecimento Por Fabio da Silva Barbosa cidade perigosa noites insanas Mad Max violência e morte nas estradas ruas e avenidas trânsito assassino lugares esquecidos sombras surgem do nada corpo a sangrar medo e insegurança em todo lugar demência total problema social mundo desigual vida banal água e sal doença geral Quinze tiros na cabeça. Foi assim que ele deixou o mundo. Soube que antes dos tiros levou uma surra daquelas. Para mui- tos “já foi tarde”, “menos um”… en- fim… Conheci esse mano quando ele estava na tranca (na cadeia, cumprindo pena… ou no sistema, como ele mesmo gos- tava de definir a situação). Um cara alto, com extenso histórico de violência. Desde o nosso primeiro encontro não podia deixar de me surpreender com seu bom hu- mor e suas habilidades para trabalhos manu- ais. O cara fazia maquetes perfeitas. Gostava de fazer parques e praças, com balancinho que ia para frente e para trás e tudo o mais que tinha direito. - Quando sair daqui, a primeira coisa será te mostrar umas flores de papel que sei fazer. - Não tem papel por aqui? - No momento tá sem. - E posso te trazer uns? - No momento não. Tô no castigo e não pos- so receber presente. Só material de higiene. Eram belas flores. Ainda tenho duas guarda- das comigo. Conheci seu lado mais singelo e adorável. Mesmo reconhecendo que o tal cara problema estava ali dentro, relacionei- me com sua face criativa, sua face de meni- no. Claro que uma face marcada pela dureza de uma vida com origem na brutalidade. Bru- talidade que sempre mapeou seu existir. Morreu ainda novo, embora seu pouco tem- po de vida tenha sido maior que o de muitos outros e nesse tempo tenha vivido mais que eu. Sempre sofrendo pelo abandono por par- te de sua mãe. Mãe que sempre amou. Conversamos bastante, mas parece que não foi o suficiente. Pouco tempo depois da úl- tima vez em que nos encontramos, foi pego roubando pedestres nas ruas do centro. Não sei como rolou, mas logo estava de volta nas quebradas. Parece que não conseguiram en- contrar o fruto do roubo, ou sei lá o quê. Sei que a notícia seguinte foi a do cara se me- tendo numas tretas onde tomou algumas fa- cadas. Por esses dias ele encerrou sua tragé- dia tomando os tais quinze tiros na cabeça. Para a maioria: Um delinquente incorrigível. Um bandido, um marginal, um psicopata. Para mim: O homem que fazia flores de pa- pel. O homem que fazia flores de papel Por Fabio da Silva Barbosa
  10. 10. REBOCO CAÍDO- 33 Pag 10 “Escrever de forma civilizada, equilibrada... Pra mim, escrever, tem de ser um ato bárbaro, de selvageria. É um momento de loucura” FSB “antes de espatifar no chão…deu a luz ao último sorriso de arrependimento…e sucum- biu ao silencio fatal….. e o Sol continuará a brilhar lindo… como se dor alguma estivesse sendo sentida!!!!” Murilo Pereira Dias (Murilouco) “Liberdade é um poema de uma só pala- vra.” Sarah El Khouri Afim de mandar literatura marginal e de combate para dentro da cabeça? O Toque é esse aqui então: - Palavras Marginais www.portodelenhalivraria.com - Escritos malditos de uma realidade insana www.lamparinaluminosa.com - Sobre uma sociedade decadente editoraresistencia@hotmail.com Reboco Caído Zine e demais materiais fsb1975@yahoo.com.br Apoie o Reboco Caído e iniciativas quebrotam dele. Contatos: fsb1975@yahoo.com.br www.twitter.com/RebocoCaido www.rebococaido.tumblr.com www.facebook.com/RebocoCaido www.rebococaidozine.blogspot.com.br Caixa postal: 21819 Porto Alegre, RS cep.: 90050-970 www.fabiodasilvabarbosa.tumblr.com Quem quiser colaborar para conseguir- mos uma quantidade legal de cópias e correio, é só entrar em contato. Receba em troca um pacotão com zines, livros e materiais alternativosindependentesun derground Se quiser madar escritos, ilustrações e ou- tras formas de contribuições, o espaço tam- bém estará aberto. Reboco Caído: Atitude + Consciência

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