Reboco caído nº22 versão digital

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Reboco caído nº22 versão digital

  1. 1. Pag 1 REBOCO CAÍDO #22 Editorial www.rebococaidozine.blogspot .com.br Dei certos destaques nesta edição. Alguns contatos sentiram falta de mais escritos meus nos últimos números e ainda vieram os que pediram maior espaço para ilustrações. Aceitei as sugestões e dei maior foco a estes pedidos. A capa é de Ruan Freitas, artista que entrou em contato e que acompanha o trampo. Nos pés da página 2 temos o desenho de José Zinerman Nogueira. Na página 3 entramos com tudo nos traços e na mensagem de Tavarez. Na 4 vemos um pouco da arte de Eduardo Marinho e na 7 voltamos com mais Zinerman. A 10 fecha com o trabalho de Ivan Silva. Tinha separado mais desenhos, contudo a limitação espacial é uma constante no trabalho físico e temos de fazer escolhas para chegar a um resultado. Quanto aos meus escritos, poderia dizer que já vai longe o tempo em que postava pelo menos uma vez ao dia, uma coisinha qualquer, no antigo blog do Reboco e ainda sobrava material inédito para outros trabalhos. Não há tempo para tudo e temos de diminuir o ritmo em alguns pontos para atuar em outros. Mas, contudo isso, a produção não está parada e reuni alguns dos meus últimos escritos para espalhar nas próximas páginas. Além do já dito, temos materiais de outros colabores e umas perguntinhas que fiz e me foram respondidas pelas guerreiras da Vingança de Jennifer. ContatoscomoReboco: fsb1975@yahoo.com.br www.twitter.com/RebocoCaido Caixa postal: 21819 PortoAlegre, RS cep.:90050-970 www.rebococaido.tumblr.com “Só serei verdadeiramente livre quando todos os seres humanos que me cercam, homens e mulheres, forem igualmente livres, de modo que quanto mais nume- rosos forem os homens livres que me rodeiam e quanto mais profunda e maior for a sua liberdade, tanto mais vasta, mais profunda e maior será a minha liberdade.” Mikail Bakunin “Será que vivemos nós os proletários, será que vivemos? Será que os fracos remédios que tomamos não seria a doença que nos corrói?” Guy Debord “Me pergunto em que tipo de sociedade vivemos, que democracia é essa que temos onde os corruptos vivem na impunidade, e a fome das pessoas é considerada subversiva.” Ernesto Sábato “Os escravos do século XXI não preci- sam ser caçados, transportados e leiloados através de complexas e problemáticas redes comerciais de corpos humanos. Existe um monte deles formando filas e implorando por uma oportunidade de trocar suas vidas por um salário de miséria. O “desenvolvi- mento” capitalista alcançou um tal nível de sofisticação e crueldade que a maioria das pessoas no mundo tem de competir para serem exploradas, prostituídas ou escravizadas.” Luther Blissett “Nossa Pátria é o mundo inteiro, nossa Lei é a Liberdade.” Pietro Gori, Canção anarquista de fins do século XIX Disseram por aí
  2. 2. REBOCO CAÍDO #22 Pag 2 ComendoGrama Por Anita Costa Prado Inflação, fome, Corrupção, besteirol e a gente se consome assistindo futebol. Por Wendell Sacramento sacode a poeira bota lenha na fogueira estoura a bixiga rala o coco e mexe a canjica demorou, não voltou foi e não chegou o deserto é sempre além olha o cabelo do menino enrolado com tinta e pincel tá fudido nego véi o fim de mês chegou mais cedo então outra vez, deixa a viúva negra se alimentar do escorpião. escorre fértil o veneno sangue energia dos pilares da criação seja bem vinda á nebulosa do dragão Después de una noche triste Por Mauricio Duarte (Divyam Anuragi) Mañana dulce y cálido, lo que me lleva de vuelta al día después de una noche triste. Envíame un par de zapatos alados eso es para mí ir contra el sol y celebrar con nuestra estrella más grande el inicio de la jornada. Lo que me va a brindar con un nuevo aliento, una nueva esperanza, una nueva vida. Eso es hermoso, lo hermoso que es el despertar después de una noche triste. lançados ao azar Por Fabio da Silva Barbosa crianças e adolescentes completamente aban- donados miséria por toda parte muitos semi-analfabetos ou analfabetos fun- cionais nenhum futuro e um passado de terror revolta incompreensão solidão só cobranças de quem nada faz mas como cobrar de quem sofreu toda priva- ção não suporta mais abusos nunca viu afeto aí se cria o futuro do país do planeta da hu- manidade da civilização os civilizados já chegaram barbarizando os chamados selvagens continuam a matança nos dias de hoje é porrada de todo lado criam seres destruídos não há espaço para amor quando se afoga em tanta merda tudo é uma desgraça estão criando gerações de ódio cristalizado para depois o engravatado mandar prender bater matar são os catedráticos da hipocrisia querendo determinar o que é pior para a maioria nada faz sentido assim não vai dar quando pularem o muro nada vai parar
  3. 3. Pag 3 REBOCO CAÍDO #22 T A V A R E Z
  4. 4. Pag 4REBOCO CAÍDO #22 matançaimposta Por Fabio da Silva Barbosa cercados pela desgraça perseguidos pelo inferno marginalizados pelo sistema mantidos na miséria odiando a si próprio não conseguindo suportar levando só porrada Pacificação Por Cleber Araujo A paz projetada Na tropa fardada A guerra instalada Com a mídia comprada… Sociedade aplaudia. Favela ecoando A bala cantando Viúva chorando O sangue jorrando… Inocente morria. O pobre Coitado Humilhado e enganado Por esse papo furado Está revoltado… Com essa hipocrisia. A descuidista Por Fabio da Silva Barbosa Hoje ela chegou com a bolsa cheia de cal- cinhas. Entrou no armazém e sorriu. - Olha o que eu trouxe. Era uma vendedora nata. Sempre sorriden- te, desconhecia o não. Usava de todos os argumentos. Por fim, quando não fazia a venda, saía com ar desanimado. Mas logo lançava um sorriso da porta e falava algu- ma coisa engraçada. Talvez tenha usado o último recurso e pelo menos garantia a pró- xima. Dessa vez ela apostara em um produ- to cujo público alvo não estava presente. Apenas homens com problemas de relaci- onamento empinando garrafas de cerveja. - Estão novinhas, acabei de roubar na… Ela se definia como descuidista. Um traba- lho muito arriscado em todas as suas eta- pas. - Dá uma força aí. Cada palavra era dita de maneira cativante. Realmente uma figura curiosa e simpática. não consegue caminhar é a grande maioria vendo o muro exclusor cercando e matando só a dor só há dor
  5. 5. Pag 5 REBOCO CAÍDO #22 A Vingança de Jennifer Por Fabio da Silva Barbosa Comecemos pela formação da banda e a definição do nome: Abanda é formada porAmanda Paz (baixo/voz),Ana Letícia (guita/voz), Lú Barata (baixo/ voz) e Kamila Lin (batera/voz). Esse nome foi inspirado no filme “AVingança de Jennifer” (I spit on your grave, 1978), do diretor Meir Zarchi, que conta a história da Jennifer, uma mulher da cidade que resolve tirar uns dias de férias numa casa isolada no interior da cidade pra concluir um livro que escrevia. Lá ela é violentada, perseguida e estuprada por quatro moradores locais, terminando quase morta. Apesar de tudo, com o tempo ela se recupera e volta pra buscar sua vingança. Escolhemos esse nome porque, pra nós, Jennifer representa todxs aquelxs que já se sentiram agredidxs, violentadxs e/ou submissxs pelo machismo que nos é imposto a toda hora. Jennifer é também a resposta, o empoderamento de nós mesmos, nossas vontades, corpos e vozes. Ação para mudarmos as opressões que nos submetem. É autonomia, coragem pra ir além, mudar as coisas, quebrar tabus e padrões. Principais influências: Bulimia, Sapamá, Bikini Kill, TPM... nessa pegada! hehe A construção das letras e das músicas: Geralmente falamos sobre o nosso cotidiano, coisas que surgem desde conversas até violências na rua, trabalho, casa... Colocamos aquilo que sentimos necessidade de falar sobre, só que fazemos isso em forma de música. Um balanço das últimas manifestações que aconteceram pelo país: A gente reconhece o papel fundamental dessas e de todos os outros tipos de manifestações. Assim como nós utilizamos a música, existem outros vários meios.Acreditamos que esta seja mais uma forma de transpor aquilo que pensamos, idealizamos e queremos. Alguns temas para falar sobre: preconceito, violência, desigualdade social, hipocrisia: Dá pra falar sobre tudo isso numa forma geral se pegarmos como exemplo a cena em que a gente participa e se insere hoje, onde temos show de hardcore pra pessoas, em sua maioria, homens brancos de classe média heterossexuais (odeio colocar na forma de rótulos, Eis mais uma entrevista feita para o nosso zine. Dessa vez o papo é com as guerreiras da Vingança de Jennifer (RS). Com muita atitude, elas falam o que pensam e gritam o que muit@s não tem coragem de sussurrar. Contatos:avingancadejennifer@gmail.comoupelofacebook
  6. 6. Pag 6REBOCO CAÍDO #22 mas acho que facilita pra ficar entendível).Ainda rola muito preconceito com banda só de meninas dentro dessa cena. Temos os mesmos tipos de opressão e preconceito que enfrentamos no dia a dia na sociedade dentro dessa cena que, pelo menos ao meu ver, se diz libertária. Só que não é. Quando chega as minas pra tocar, é sempre a mesma coisa, a mesma choradeira de sempre. Isso sem contar o pogo, onde o cara é violento a ponto de chutar pra fora todas as minas e quando você reclama tem que ouvir coisas como “Lugar de mina não é no pogo!”, “Não quer se machucar, não entra”, ou quando você leva uma encoxada no show, quando passam a mão em você e se aproveitam pra ficar pegando no seu corpo enquanto você dança. Essas pessoas simplesmente esquecem que você tem tanto direito de estar ali quanto elas. Isso é bem foda. E vai continuar sendo se simplesmente não paramos de enxergar as pessoas como gêneros, etnias, classes sociais, ou seja lá qual rótulo, automaticamente ao olharmos uns para os outros, sem nos olharmos nos olhos. O hardcore ainda é uma coisa elitista, se pararmos pra analisar. Pegando o exemplo das pe- riferias: O que você acha que entra nesses lugares? Com certeza não é o HC. E é difícil você conhecer bandas e pessoas que vão até lugares como esses e proporcionem esse tipo de “sensação” pra quem tá acostumado a ouvir e se identificar nas letras de funk e/ou rap, co- mo geralmente acontece. Inserir essa realidade dentro da nossa cena, tornar isso parte de- la, também é tão importante quanto tocar num evento com bandas que você curte demais. Acreditamos que a música é ferramenta, é arma pra mudar as coisas. Sem preconceitos, sem barreiras entre pessoas. Falamos em fomentar uma cena dentro de periferias como banda e esse tema é um dos principais projetos que temos em mente. Aguardem. hehe! Recentemente teve um acontecimento que nos levou a pensar muito sobre a presença e não presença das minas no role. Há algum tempo frequentanmos direto os shows de Ca- noas/PoA. Em geral, o público sempre foi, em sua maioria, homens. Começamos a nos questionar se isso seria um problema e realmente achamos que sim. Chegamos nessa con- clusão visando que: constantemente, em todos os lugares, temos a opressão à mulher, que vem desde quando nascemos. Padrões e tabus enraizados em nossas cabeças pra nos tornarem vítimas, objetos, coisas. Ela não usa a roupa que quer, pois pode ser estuprada e ainda culpada por “pedir” por isso. Ela não pode ir e vir de um role sozinha porque é “pe- rigoso meninas andarem sozinhas à noite”. Ela, com certeza, vai pensar se é minoria e se vai ter alguém “conhecido” no role, porque como se sentir a vontade num lugar onde você tem olhos em sua volta te comendo de uma forma absurda? E o que fazer quando (se acha necessário ter alguém) se não tiver alguém pra recorrer num caso de abuso no pogo? Tudo isso temo que levar em consideração.Amaternidade também é outro fator muito relevante que podemos citar. Quantas minas que organizam shows conhecemos hoje? Quando você vai num show, quantas minas você vê? É difícil entender quando se está numa posição de privilégios. Mas vale reforçar: desde crianças aprendemos tudo isso que acabei de citar sobre como ser, sentir e se portar. Ter medo, se sentir frágil, delicada, precisando de proteção. Não reconhecer a existência dessas problemáticas, é fechar os olhos pro machismo que ainda existe, e muito forte, dentro do nosso próprio role. ComAVJ, sempre que organizamos ou tocamos em shows, esquematiza- mos discursos de empoderamento voltado pra mulheres, como “se o problema é como vir, manda recado que a gente encontra você em algum lugar e vem juntxs”, “se o problema é voltar, não se preocupa, você não tá sozinha”e esse tipo de coisa pra que se sinta segura, se sinta parte. AVingança de Jennifer, aborda, na maioria das letras, o sentimento igualitário e libertário.
  7. 7. Pag 7 REBOCO CAÍDO #22 José Zinerman Nogueira
  8. 8. Pag 8REBOCO CAÍDO #22 olhos furiosos Por Fabio da Silva Barbosa conheci uma menina que apesar da pouca idade não conseguia mais dormir não tinha onde ir olhos furiosos pra onde você vai olhos furiosos não entendem o que você faz olhos furiosos não me deixe sem você olhos furiosos o que podemos fazer a vida é o calvário amargura e sofrimento querem te prender numa parede de cimento olhos furiosos vão nos afastar olhos furiosos não deixe que te matem olhos furiosos por que tudo tem de ser assim olhos furiosos "FALAAÊPORRA!" Por Diego El Khouri Pensamento colhido durante um porre: Eu sempre li com seriedade mesmo quando não sabia ler... Meus rins se reviram e na espinha passa um vento estranho... ler é embriagar-se de múltiplos sentidos. o mer- gulho é necessário. Nasci Por Marcos Barbosa Não nasci para ser porto e sim barco Nasci para ser torto torto feito arco não vá acabar sei que vai sumir mas nunca esquecerei sempre você sempre torcerei olhos furiosos não pare de lutar olhos furiosos não vá se entregar olhos furiosos não vá me esquecer olhos furiosos não aguento mais sofrer Memória Por Fabio da Silva Barbosa A garotinha entrou pelo bar com uma gar- rafa vazia. Pediu que enchesse. Queria água. O calor era infernal. O dono do estabeleci- mento perguntou com quem estava. Ela dis- se que a mãe esperava na rua ao lado. O comerciante demonstrou preocupação e foi até a porta. Insistiu na pergunta. A menina saiu correndo e sumiu na esquina. Poucos minutos se passaram e voltou com uma senhora e outra criança. Todas traziam garrafinhas vazias. O comerciante pediu que esperassem do lado de fora. Ele voltou com as garrafas cheias de água quente da torneira. A senhora estava de costas, olhando a rua, escondendo o cho- ro que teimava em aparecer. As crianças pegaram suas garrafas e saíram brincando. Levei a garrafa da senhora. Ao vê-la ir, comentei que ela estava choran- do. O comerciante fingiu pena, uma mulher disse que já tinham ido e não fazia sentido pensar na cena. “Já acabou!” Outro freguês disse que não podíamos mudar o mundo. Outro falou que não podíamos fazer nada e que o melhor era esquecer. Nunca consegui esquecer certas coisas com facilidade.
  9. 9. Pag 9 REBOCO CAÍDO #22 Por Panda Reis O rock surgiu entre os músicos negros e nem preciso discorrer sobre isso, nem relembrar que o eleito pela elite branca como Rei do Rock, aprendeu tudo nos guetos negros, viu o que os negros faziam e levou para os bairros brancos, para a TV e para a mídia em geral, dai pra toda a população racista que adorava aquele estilo dos negros, mas se sentiam envergonhadas de assumir. Nasce Elvis Presley para embranquecer o rock e torná- lo mais acessível. Daí o rock ganhou o mundo e, de um estilo tipicamente negro, se elitizou, se tornou a música de uma juventude branca metida a rebeldinha, que marginalizou a participação negra no que eles próprios criaram. Não é preciso um olhar atento para se perceber que os reais inventores do estilo não têm destaque e nem reconhecimento compatível com a real importância dos mesmos.Paraficaraindapior,foramtirados de destaque tendo sua presença ficado de forma muito diminuta no estilo, ou seja, de criadores á anomalias de um estilo que tem origens nos guetos, ganhou o mundo, notoriedade, mas seus herdeiros foram obrigados a permanecerem nos guetos.Ai eles criam um novo estilo (o Rap), que novamente é tomado por gente do Quilate do Eminem, mas isso é uma outra história. Imaginem como esse afastamento influenciou não só a cena musical como um todo, mas nosso pequeno underground. O homem negro não aparece em destaque nas bandas mais extremas da música underground e muito menos ainda nas mais bem sucedidas. Seria imperícia com o estilo ou puramente portas fechadas para o moleque negro, descendente de escravos que não é visto como o típico roqueiro aceitável para uma banda? O Underground Racista ? racismo e o preconceito crescente no mundo contamina todas as áreas da sociedade e isso não é diferente na área musical. Desde muito cedo tive contato com a música, como acontecia em qualquer casa de negros no final dos anos 70 e começo dos 80. A música é parte constante dessa etnia. A musicalidade flui como sangue, não só no meu caso, mas em muitos outros. Temos herança musical forte, pois meu avô tocava, meu pai tocava, mas somos bem aceitos somente em estilos “comuns” a nossa etnia, ou seja, quando um garoto negro resolve tocar metal ou rock em geral, ele tem problemas... pois a discriminação começa na própria casa. Mentes alienadas e moldadas pela cultura Europeia alienaram seus pais e parentes, chegando ao ponto de alienação cultural ser tamanha, que nem eles reconheceram a nossa “patente” em fazer essa música.Assimilaram que esse estilo deve ser feito pelo branco e que devemos manter- nos nos estilos de raízes negras. Mas ... o metal veio da onde ??? E o rock foi criado por mãos calejadas e escuras. O preconceito vai aumentando mais, fazendo o banger de pele escura e cabelo crespo se sentir um ET , o diferente, e sofrer diretamente na pele o preconceito dentro de uma cena que sofre preconceitos. Um front man negro então?? Por que é exótico isso ?? Deveria ser normal, mais que normal, natural, mas não é isso que acontece. Vejamos o caso de Derrick Green, que assumiu os vocais do Sepultura. Recebeu inúmeras críticas, algumas delas muito maldosas e pré – conceituosa. Alguns comentários, que nada tinham a ver com o desempenho vocal do rapaz, pipocaram e algumas brincadeiras “inocentes” que vinham da própria banda proliferaram a ideia que brincadeiras racistas não é racismo (assim, levando adiante o racismo moderado). Não se deram conta que a parcela musical que sofre pré-conceitos,
  10. 10. REBOCO CAÍDO #22 Pag 10 também cria o pré-conceito internamente. Brincadeirinhas racistas nunca foram inocentes. Por que o Mystifier ainda é visto com um olhar, no mínimo, de curiosidade? Suffocation tem muita qualidade, mas ... o Hirax. Por que uma das únicas bandas com front man negro do mundo não tem o espaço que merecem por discos lançados e tempo de bons serviços prestados ao metal mundial? Muitos dirão que é exagero ou pensamento perdedor, mas antes que digam isso, pergunto: Por que algumas pessoas que entraram em contato comigo (desde a época das cartas), adorando a banda que toco, elogiando, pararam de escrever e alguns até escreveram justificando o afastamento quando receberam o cd com a foto de um negro na banda? Serei justo que 98% disso foi com contatos Europeus, ao perceberem que se tratava de uma banda de negros e mestiços.Alguns até responderam dizendo que não curtiam bandas com “pretos” na frmação!!! Alguns falavam que eu tocava demais pra um “preto”!!! Isso sem falar em vários testes de recrutamento de bandas que na escolha, além de tocar bem, queriam cabelos compridos e visual “tal” e isso eliminava sem ter direito nem a testes quem não se enquadra nesses requisitos (cabelos compridos e visual europeu). Sim, nossa cena é racista como nós negros sentimos na pele escura, desde sempre, porém, nas esferas mais undergrounds, quando você vai descendo mais fundo no underground, o racismo se dissipa como fumaça... Será que o racismo é maior nos bangers mais abastados?? Será que a lobotomia familiar racial é maior na classe média e alta??? Vocês tem dúvidas ainda??? Um dia a música será apenas notas musicais e não cabelos e tonalidades de pele. S i l va I v a n
  11. 11. Reboco Caído: Reflexos e Reflexões Fabio Da Silva Barbosa 60 páginas - 2014 - R$ 12,00 Para pedir o seu: www.facebook.com/CoisaEdicoes coisaedicoes@gmail.com Escritos Malditos de uma Realidade Insana Fabio da Silva Barbosa Formato E-Book 106 páginas 2013 R$ 4,99 Para pedir o seu: www.lamparinaluminosa.com editoralivrepopularartesanal@gmail.com

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