Reboco Caído nº17 pdf

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zine Reboco Caído #17

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  • Pensei que estivessem todos os recursos habilitados. É que eu ainda não sei legal a manha de manusear esse lance aqui. Vou dar uma checada para ver se consigo liberar esse botão save. Valeu pelo toque e pelas boas palavras.
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  • Seria interessante que fosse deixado o botão 'save' habilitado. Para que fosse possível baixar em pdf e lê-lo em qualquer lugar, com ou sem internet. Muito bom o zine. Valeu. abraço.
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Reboco Caído nº17 pdf

  1. 1. Pag 1 REBOCO CAÍDO #17ConhecerPor Fabio da Silva BarbosaSomos constantemente bombardeados com mensagens que visam nos separar.Criam distâncias para os que deveriam estar unidos. Não querem que nos aceitemos. Adiversidade é o ponto em comum entre toda humanidade e o que colore o mundo. Imaginaque mundo triste e sem graça com todos sendo iguais, se não existissem as peculiaridades,os pontos de vistas, as características físicas e psíquicas. Mas ao invés de valorizar odiferente e aprender com o desconhecido, o que não é tido como normal é execrado,temido, odiado. Mas quem determina o que é normal? Que tipo de parâmetro é utilizadopara definir o que é certo ou errado? Cada um vai se isolando em sua verdade, permitindoapenas aos que “pensam” igual se aproximarem.Assim criam fronteiras e bolhas artificiais,onde todos “concordam”. Daí o que poderia ser um grande grupo se torna uma meia dúziaque fica apenas falando para si, tendo sempre a impressão de que tudo está caminhandodo jeito que eles pensam, já que no limitado universo que criaram todos “pensam” damesma forma.Vocês devem ter observado que coloquei as palavras pensar e concordar entreaspas no parágrafo anterior. Isso porque pensar é exatamente o contrário do que essaspessoas fazem. Esse tipo de comportamento intolerante e ditatorial é exatamente a antítesede pensar. Essa atitude de “Eu estou certo e quem não concorda está errado.”, “Eu consigover além e quem não concorda está atrasado, é menos evoluído.”, “O normal é fazer o queeu aceito como normal” é a atitude que nos priva do debate, da troca de ideias, do pensare com isso do refletir e do mudar. Mudanças, erros e contradições são características docaminhar. Mas pregam que isso é vergonhoso. Sem falar que ninguém quer dizer que o reiestá nu. Essa história da roupa do rei ilustra bem o caso.Apessoa prefere “concordar” quearriscar e ser taxada de ignorante. Daí o concordar também estar entre aspas. Esse não éum concordar autêntico, mas um concordar para fazer parte do pequeno grupo.Outra forma de separar é o egoísmo. Determinados grupos abrem mão de lutasmais abrangentes e profundas em troca de pequenos benefícios. O egoísmo ainda é umaforma mais eficaz de divisão. Ele pode dividir o pequeno grupo até isolar o indivíduo. Estenão abre mão de nada em prol do coletivo. Não que eu seja contra a individualidadehumana. Não confundo individualidade com egoísmo. A individualidade nada mais é doque as características que compõem o indivíduo. Já o egoísmo é querer o máximo para si,mesmo que falte para os outros - É o não pensar no outro.São muitas formas e métodos usados para a famosa técnica de dividir e conquistar.Temos de estar sempre atentos para não nos deixar envolver pela arrogância, vaidade etantos outros venenos. As armadilhas estão postas a cada esquina. Somos tão especiaisquanto qualquer outro. Ninguém é superior ou inferior. Diferenças não limitam ou prejudicam.O que atrapalha é não ouvir, não entender, não se aproximar. Não se renda ao preconceito,a ignorância. Se você não consegue compreender, tente de novo, abra sua mente. Quandoa mente se abre, a compreensão surge e um novo conhecimento se introduz. Não precisamosaceitar tudo. Compreender não significa aceitar ou concordar. Compreender é entender,aprender, conhecer, se aproximar.
  2. 2. REBOCO CAÍDO #17 Pag 2Tradições/TraiçõesPor Fabio da Silva BarbosaNão estáPor David BeatTransfiguração(oupoemaderompimento)Por Nicollas BilattoRecuperado das gavetas esquecidas.Inspirado pela tragicomédia da vida alheia(vulgo clichês sentimentais).Quem é que diz o que é bom gosto?Quem determina o normal.Quem faz da vida um desgosto?Quem te protege do mal.Quem define o seu posto?Quem alimenta o banal.Quem te acorrenta ao relógio?Quem impõe o trivial.Quem é que diz do que eu gosto?Quem se acha maioral.Quem me impede de estar vivo?Quem sustenta essa moral.Não está nos livrosAs palavras que eu quisNão está em outro idiomaNão está na França, nem Inglaterra!Não está em qualquer lugarNem no Japão, nem naAlemanhaNem no muro de Berlim!As palavras que eu quisNão está no túmuloDurmindo com algum cadáverNão está se decompondoAs palavras que eu quisAonde estão as palavras que eu quis?Eu quis quis quis quero...AmáformadaboaescritaPor Jeison Placinschnão quero estudara estrutura de um poemaou saber definir um contoou um romance ouqualquer coisanem mesmo tentar encontrara palavra certa oua rima perfeitamuito menos falarsobre o que eu escrevocomo estou fazendo agoraeu quero é que se fodatudo issosó preciso vomitarNão nos veremos maisno sábado à noitemasainda sinto algopor você.- Não chore.Veja como uma janela abertanum dia de soltendo sido o ontemum melancólico dia nublado.Que os fluídos da pelenão escorram pelo o ralo.Que fique conosco, agora,vertido em prazerembutido em lembranças doces.Que o efêmero seja intenso.Que o amargo seja um,não dois.Que aquelas coisassejam enterradase que nutra esta terrapara nascer belas flores.- Flores estas, um dia,que te fez sorrire enfeitar o seu vaso.Não nos veremos maismas pode ser que,sem querer,
  3. 3. Pag 3 REBOCO CAÍDO #17nos encontremos amanhãna fila do supermercadoe eu sei que vocêvai desviar o olhar.MijoPor José Zinerman NogueiraMijo em tua belezacrua e nuaTalvez amanhã arroteem tua caraTalvez esta seja a tua taraQuero despejar todo esse venenodentro da tua bocaA cozinha do velho ChinêsPor Fabio da Silva Barbosao espírito sai do corpo quando a gentemenos esperaé aí que a mente se desesperao corpo sai de cima quando acaba degozaresperar, parar, pensara vida segue em frente quanto nadaparece bomsuco gástrico homicida faz aquele belosommiudezas gentilezas vai tudo pelo aralgo escritoPor Murilo Pereira Diasnuma fase perdida de uma vida sem sentidoda qual o motivo era ficar na fuga entre amaldade e a felicidadea insana realidade destrói a felicidadeinfelicidade...a droga me faz sentir saudadede quem nunca pude ser e jamais saberei sesereie ainda não sei quem sou...vi uma simples conclusãofácil de ser apagadaassim como uma cagadaa vida se mostra sem graçadesgraça...somente dando uma descargadesce a merda e volta a água menos podreresta a mijada...cuspesaliva doente de dentes que não souberamsorrire pensando em tudo que fiz...somente no vaso sanitário pude ser feliz!!!Quero te deixar loucaO céu é o inferno aos avessosTe desejo por morteNão sei se tive sortede conhecer alguémque dorme com a luae acorda na ruaEscritosMalditosdeumaRealida-deInsanaPara garantir oseu é só entrarem contatocomwww.lamparinaluminosa.comQuemsomos nós?Downloadgratuito evisualizaçãono endereçow w w .slideshare. n e t /ARITANA
  4. 4. Pag 4REBOCO CAÍDO #17Desenhar:Pra mim, é uma experiência de desligar omundo exterior. Pego uma meia dúzia deCDs, boto o fone de ouvido e vou medivertindo conforme as coisas vão rolando.De certa maneira, pode até ser terapia.hehehehe.A caminhada:Comecei a contatar zines lá por 85 ou 86 e apublicar a partir de 1987, num jornalalternativo daqui do estado - oCONTRACORRENTE (Brusque – SC), quepasseava pela cena musical alternativa emgeral. Depois os zines LEGENDA (JoacyJAmys), MANY COMICS (Élbio Porcellis)e tal... Em 88 nós juntamos um pessoal ecomeçamos a lançar zines mais volumososem parceria. Sempre procurei colaborar coma maior quantidade possível de pessoas queentrava em contato comigo por carta (naépoca era o que nos conectava, né?). Claroque pela quantidade de contatos e pelotempo reduzido que sempre tinha a minhadisposição, isso às vezes demorava.Sempre preferi fazer algo especialmente paracada pessoa, sem ficar repetindo os mesmosdesenhos, as mesmas HQs – algumaspessoas faziam 2 ou 3 hqs e mandavam cadauma pra 15, 20 zines. Repetecos desne-cessários, diante da grana e dedicaçãoEntrevistaHenryJaepeltPor Fabio da Silva Barbosainvestidos por cada faneditor, certo? Ou,pelo menos, minha opinião sobre oassunto...Acho que a falta de interesse financeirodos zines, a vontade de fazer por curtir, peloamor a atividade ou aos desenhos, ideias,etc... isso é que move as colaborações, issoé que nos convence a não encerraratividades, etc e tal.O zine como meio de comunicação:Honesto, sincero e sem preocupação commotivações de outra ordem que não sejamas dos ideais de seus editores oucolaboradores. É uma ferramenta e aomesmo tempo um pusta laboratório parainúmeras coisas – basta querer fazer!!Projetos futuros:Sou modesto quanto a isso. Fico na minha,vou fazendo minhas coisas... Planejo juntaruns materiais para uma coletânea a sair embreve e também um novo zine paraTALVEZlançar este ano em Porto Alegre... Vamosver como as coisas caminharão até lá. Estoutorcendo para que caminhem a contento.Nos vemos lá!!!!Contatos:hj-eulenspiegel@hotmail.comPublicando desde os anos 80, Henry Jaepelt já colaborou com zines daqui, da Argentina,EUA,Alemanha, Dinamarca, Croácia, Finlândia, Espanha, Portugal... tanto com HQs comocom ilustrações soltas ou capas. Em 1991 publicou três adaptações para quadrinhos desons metal na Rock Brigade ( CAN I PLAYWITH MADNESS, do Iron, ALTERED STATE,do Sepultura e BLOOD RED, Slayer), capas de livros, demo-tapes, CDs etc....
  5. 5. Pag 5 REBOCO CAÍDO #17Por Francisco BragançaQuem vos escreve esse relato é umapoiador daAldeia Maracanã (aldeia urbanalocalizada ao lado do estádio Mário Filho),que esteve presente na resistência pacíficacombatida violentamente pela PMERJ, nodia 22/03, numa reintegração de posseindevida.Para quem não conhece a históriado local, o prédio histórico abrigou em 1910a sede do SPI (Serviço de Proteção aos Ín-dios, atual Funai) fundado pelo indigenistaMarechal Rondon; em 1953 é criado ali oprimeiro Museu do Índio daAmérica Latina,projeto idealizado pelo antropólogo DarcyRibeiro; no ano de 1978 (governo do ditadorErnesto Geisel) as referidas instituições sãotransferidas para o bairro de Botafogo e,em uma venda de trâmites ilegais, a Uniãovende o prédio para o Governo do Estadodo RJ. Por sua vez, o estado o abandona eem 2006, após 28 anos de descaso, índiosque moravam na cidade do Rio de Janeiro,juntamente com indígenas que vieram desuas aldeias, pois tinham o conhecimentodo valor histórico do prédio através dashistórias contadas por seus ascendentes,se unem e ocupam as instalações deteriora-das pelo tempo, construindo também ocasno espaço do terreno. É fundada a AldeiaMaracanã, centro de difusão da cultura indí-gena e abrigo para índios que vieram traba-lhar e estudar na capital fluminense. Até adata da invasão policial, encontrava-se tra-balhando por ali índios das etniasApurinã,Ashaninka, Baré, Guajajara, Pataxó, Puri,Tukano, entre outras.As 3h da madrugada daquela fatídi-ca sexta-feira de março, o Batalhão de Cho-que da PM chega e arma seu cerco blo-queando o portão de entrada e toda a ex-tensão do muro. Por volta das 6h as nego-ciações se iniciam, o advogado indígenaArão da Providência tenta entrar na aldeiae é violentamente algemado e coagido, sen-do permitido somente que faça o intermédioda conversa com os índios e apoiadores pe-lo lado de fora, através do muro.Alguns ín-dios de etnias que aceitaram a proposta doGoverno do Estado de entregar aAldeia Ma-racanã, em troca de um abrigo provisório eum terreno para a construção de um centrode referência, deixam a aldeia abandonandoa resistência. Manifestantes conseguem fe-char por alguns minutos a passagem daRadial Oeste (avenida que dá acesso à ZonaNorte da cidade), o que gera uma confusãoentre a polícia que tenta agir rapidamentepara desbloquear a via. Um manifestante a-visa pelo megafone que é só uma questãotempo para todos entrarem e somarem à re-sistência. Logo é formado um cordão de poli-ciais impedindo a possível ação de entrada,mesmo assim três apoiadores conseguemfurar o bloqueio e pular o muro.Chegamos a parte da tarde sem di-reito a almoço e com um desgaste visível.Acontundência dos resistentes na nego-ciação é respondida com spray de pimenta.A essa altura a PM já cerca todo o terreno,inclusive o canteiro de obras do Maracanã.A advogada indígena Namara Gurupy (quedormira na aldeia no dia anterior) pede aospoliciais que parem de jogar a química, poisestava afetando as crianças, como Zahy, de2 anos e meio de idade, e Maynumi, de 3anos. O Dr. Arão nos alerta para repensar-mos sobre a resistência, pois o Choque es-tava descumprindo a exigência judicial e iri-am continuar agindo com violência na imis-são de posse. Imediatamente é convocadauma reunião entre indígenas e apoiadores.Lideranças indígenas informam que esse éo momento para mulheres, crianças e a-poiadores que optarem por sair e deixar aaldeia, mas eles ficariam ali e só sairiamResistência naAldeia Maracanã
  6. 6. amarrados.Parte do efetivo deixa a aldeia e osremanescentes da resistência buscam ma-deiras para fazer uma fogueira gigante, dãoas mãos e entoam canções indígenas em vol-ta do fogo, numa manifestação simbólica epacífica. Atropa de choque entra pelo portãoe, mesmo sem sofrer agressões, lançam sprayde pimenta, bombas de gás lacrimogênio, deefeito moral e empurram com escudos os in-dígenas e apoiadores. Parlamentares e auto-ridades que se mantiveram próximos tambémreceberam os gases químicos e empurrões.A deputada estadual Jandira Rocha (PSOL)diz ouvir do comando da Polícia Militar queo governador Sérgio Cabral (PMDB) deu or-dens para que a ação seja violenta tambémcontra parlamentares de oposição ao seugoverno.Hoje aAldeia Maracanã já se encontradescaracterizada e o prédio que tinha comoprojeto ser uma universidade indígena e oterreno uma aldeia para índios que viessempara o Rio de Janeiro, poderá se transformarem Museu do Comitê Olímpico Brasileirocom o estado negando toda uma história epreservação das culturas dos povos originá-rios. As etnias e apoiadores que não aceita-ram negociar o espaço continuam articulan-do manifestações e mantendo a chama daresistência. Existem processos judiciais emaberto, o Governo do RJ não tem documenta-ção que comprove a legalidade da comprado imóvel junto à União e, convenhamos,não pode haver uma reintegração de possede algo que nunca esteve integrado ao Esta-do. É preciso dizer que o governador SérgioCabral vem combatendo violentamente,através da força policial, todas as iniciativasde manifestação dos indígenas, inclusivecom mulheres e crianças, agindo de forma a-meaçadora e repressora até em feiras de arte-sanato e em reuniões na sede do atual Mu-seu do Índio.Francisco Bragança – Técnico de som dire-to, realizador de audiovisual e jornalista.Pag 6REBOCO CAÍDO #17Apreensão na barca Rio-NiteróiPor Winter BastosTerça-feira 21 de maio de 2013. Eram umascinco e pouco da tarde. Eu, cansado, saíadum dia de muitos afazeres desde a parteda manhã e seguia para a estação das bar-cas na Praça XV, no centro da cidade doRio de Janeiro. Lá me deparei com filasantes das catracas. Encarei-as. Depois pas-sei pelo saguão, feliz por não ter que espe-rar ali mais um tempo enorme. É que nor-malmente nos submetem a três longas eta-pas: esperar antes das roletas; depois pe-nar aguardando no saguão, e, após, mofarmais um bocado próximo ao local de atra-cação. Dessa vez até que não demorei aentrar na barca.Fiquei em pé mesmo.Abri um jornal e ini-ciei minha leitura costumeira. Depois co-mecei a me sentir espremido. Notei que aembarcação estava demorando muito adesatracar e ficando cada vez mais cheia.Ela estava superlotada, nitidamente acimade sua capacidade de passageiros. As pes-soas foram ficando preocupadas, e algu-mas delas quiseram sair. Mas as portas játinham sido fechadas.Um funcionário pediu, pelo auto-falante,que os passageiros em pé nas escadas de-sembarcassem. Porém, contraditoriamente,a barca permaneceu trancada. Depois dealgum tempo, durante o qual várias pesso-as conversaram entre si falando estaremdispostas a abandonar o barco, a traves-sia da Baia de Guanabara se iniciou. Ten-sa. Muito tensa.Chegarmos ilesos à Praça Arariboia emNiterói foi um alívio para todos, mas issonão apagou as lembranças dos momentosde apreensão, terror mesmo. A empresaCCR, que administra hoje as barcas, nave-ga num oceano de dinheiro, como aantecessora Barcas S.A., mas nada faz emprol dos usuários do serviço. E ainda de-tém, como presente do Estado, a adminis-
  7. 7. Pag 7 REBOCO CAÍDO #17tração da Ponte Rio-Niterói (construída com verba pública).Até quando teremos que aturar os desmandos da máfia dos transportes? Até quandosofreremos as consequências da privatização do transporte aquaviário carioca? A respos-ta não está na atividade parlamentar ou em meros abaixo-assinados. As soluções nãoestão nas urnas burguesas ou nos gabinetes dos políticos. Enquanto acreditarmos nes-sas ilusões, permaneceremos aprisionados e indefesos como passageiros num barco tran-cado, como escravos num navio negreiro, como gado conduzido ao abate.A resposta está na organização popular, na atuação efetiva de todos os interessados, naação direta por um trasporte realmente público, guiado pelo interesse público – e não pelolucro.Zineteca ResistênciaPor Fabio da Silva BarbosaA Zineteca Resistência é uma dasiniciativas que buscam divulgar e apoiara produção de zines, assim comoregistrar a sua história. OAzriel, quevem tocando a ideia, dá uma palavrasobre.O que é a Zineteca Resistência e comofunciona?A Zineteca Resistência é um projeto virtual de pesquisa, divulgação e produção deimprensa alternativa. Ela funciona exclusivamente de modo virtual, mas com intençõesde passar a abrir stands em eventos culturais, musicais e realizar expozines.Qual a maior importância deste tipo de projeto?Eu diria que a maior importância é manter viva a memória das publicações alternativas,em especial dos fanzines. Seja divulgando na internet e disponibilizando para downloadou na realização de eventos como expozines.O objetivo maior:Apoiar os fanzines que estão na ativa e divulgar os que já encerraram suas atividades,não deixando essa arte tão importante para o meio alternativo cair no esquecimento.Qual a diferença do zine para outros tipos de mídia?Toda mídia tem suas particularidades, seus pontos positivos e negativos. O (fan)zineteve seu papel crucial nas décadas anteriores, antes da internet. Mas hoje ele ainda temsua importância devido as suas características próprias.Como participar da iniciativa?As pessoas podem estar participando da Zineteca Resistência enviando seus fanzinespara assim ajudar o acervo.Contato:azrielfd@hotmail.com
  8. 8. sendo exposto em todos os lugares praonde fui, colando na parede com fita adesivamesmo, bem d.i.y. e preguiçoso.Mas o melhor de tudo foi ter conhecidotanta gente maravilhosa, tantos contatosincríveis e amizades que vão durar pro restoda vida. Isso não tem preço, mesmo que eutenha passado por alguns perrenguesdurante as turnês, eu aceitaria fazer tudode novo e de olhos vendados.Qual sua principal intenção ao fazer umquadrinho?Meus quadrinhos são muito pessoais.Quando faço uma tirinha, nunca penso emquem posso estar atingindo ou em nomede quem estou falando. Tudo o que faço alié sempre uma representação gráfica de mim,dos meus sentimentos... fico até espantadocom o número de pessoas que seidentificam com aquilo.O número de pessoas perdidas pelo mundoesperando que alguém dê voz as angústiasé gigante e não consigo me enxergar comoalguém que dá essa voz, não sei... É tudotão complicado.Eu sempre recebo mensagens na páginacom pessoas dizendo que se identificam,que gostam dos quadrinhos. FicoPag 8REBOCO CAÍDO #17Por Fabio da Silva BarbosaVamos para mais uma entrevista com arapaziada do lado B dos quadrinhos. Destavez a troca de ideias é com Cristiano Onofre,criador dos “quadrinhos mais sujos da faceda Terra”O que são “Os quadrinhos mais sujos daface da Terra”?O nome começou como uma brincadeiracom o fato de sempre sujar demais quandodesenho. Sujo o papel e sujo a mim mesmo.Com o passar do tempo, colocar esse nomena série acabou se tornando umajustificativa pra eu não me preocupar nuncamais com a estética da coisa, mas sim com oresultado e com o desabafo que estácolocado ali. O nome tornou fazerquadrinhos algo mais confortável pra mim,eu acho. Fora o fato de que as situações esentimentos que são retratados nosquadrinhos que eu faço são, em maioria,sujos.Há pouco tempo você fez uma série deviagens para divulgar esse trabalho.Foi o melhor momento da minha vida.Passei2012einíciode2013inteirosviajandopor todo o Brasil (e também uma tour noUruguai) pra divulgar o meu livro de contos,“Câmera Lenta”, e no meio do caminhoacabou surgindo a série “Os quadrinhosmais sujos da face da Terra”. Tudo sempreUma entrevista suja
  9. 9. #17Pag 9 REBOCO CAÍDOlisonjeado com isso. Não é simplesmente uma forma de me comunicar com pessoas queadmiram o que eu faço, mas é, acima de tudo, uma forma de me comunicar com pessoas quesentem as mesmas coisas que eu sinto.Existem outros projetos?No momento estou trabalhando em um livro de quadrinhos que deve sair no fim desseano, pela Prego (para quem não conhece, sugiro conhecer: revistaprego.blogspot. com).Também estou escrevendo um novo livro de contos, que não faço a mínima ideia dequando será lançado. Pra ser sincero, sou bem relaxado com isso de datas. Prefiro deixartudo fluir sem prazos. “Trabalho” melhor assim.Para a rapaziada que tá com os desenhos engavetados em casa e não sabe o que fazer comeles:Bem, caso a sua vontade seja não mantê-los engavetados, sugiro que comece a divulgarimediatamente. Ainternet, por exemplo, é uma puta arma que nós temos e devemos saberusá-la a nosso favor. Façam blogs, páginas, sites, páginas no facebook, o que quer queseja, mas façam. Colem seus desenhos nos muros, façam pichações, vírus, pragas deimagens, infestem o mundo com suas ideias. Por favor, o mundo precisa de ideias. Eobrigado, Fabio, por essa entrevista suja.Por Panda Reispandadrums@hotmail.comA Secretaria de Segurança Pública do Es-tado de São Paulo divulgou que irá au-mentar o número de policiais nas ruas daCapital e da Grande São Paulo em maisde 40% em resposta ao aumento da cri-minalidade na cidade e no estado. Con-tudo, qualquer cidadão mais informadosabe que a causa da criminalidade aumen-tar não está relacionada com a falta depoliciamento, mas sim com a falta de cre-ches, de escolas, de saneamento básico,com a falta de moradia digna... O alto índi-ce de criminalidade não se resume aoPCC, mas a um monte de moleques des-lumbrados com a ostentação, onde atirarna cara de quem se rouba é sinal de peri-culosidade. O ladrão romântico não existemais.Agora se mata depois que se rouba.É o pânico, é o vida louca!! Isso é sobreeles terem deixado toda uma geração demoleques serem roubados pelo crime, éHeil Polícia Militar !!!sobre a maioria de jovens mortos sem antece-dentes criminais, sobre serem negros, é sobreo ataque cruel e covarde dos esquadrões deextermínio que atuam aqui na periferia de SP.Não adianta entupir isso aqui de policiais. Es-tão combatendo os efeitos. Novamente edenovo quem vai pagar, quem vai sofrer mais,são os excluídos, exprimidos entre policiais,milícias, grupos de extermínio e bandidos.Continuaremos a morrer, a sofrer repressão etorturas longe das passeatas pela paz dos altaclasse dos jardins.
  10. 10. REBOCO CAÍDO #17 Pag 10A temporada de caça começou com maispoliciais pra te proteger ou mais cães decaça pra te destroçar - Isso dependerá deque classe social for.Alguns podem lembrar de casos brutaisde latrocínio, estupros e até incêndios dedentistas, tiros na face sem reação... mastamanha falta de humanidade é lapidadanas escolas do crime, nas vielas cheias deódio, fome, miséria, polícia corrupta, mi-lícia, ostentação, ouro, dinheiro, polícia,exemplos diversos desequilibrados.As no-vas gerações foram lapidadas aqui, lenta-mente por anos, de pai pra filho curtindoem ódio. A propaganda os faz se sentirpior se não tiverem o que a mídia ostenta...Tudo muito jogado na cara. Aqui, o trafi-cante de Pólo, de Impala... o trabalhadorde ônibus, às vezes até sendo ajudadopelo traficante e alguns pelo filho que éaviãozinho.O aumento da criminalidade seria culpa daperiferia? O aumento do efetivo policialirá resolver os problemas, ou irá jogar maismadeira na fogueira que queima há déca-das? Será que o extermínio levado a cabo pe-la policia paulistana não vai ser legitimadoainda mais? Algo muito parecido com o queacontece nos E.U.A em nome do combate aoterrorismo. Pode-se tudo, tiram-se direitos ci-vis de pessoas e a autonomia territorial denações. Parece queAlckmin e sua SecretariaPública do Estado de São Paulo estão apren-dendo muito bem com os ianques.Podeparecerexagero,podeparecerrixaminhacom a P.M e o Estado, mas os assassinatosocorridos em SP (os documentados) têm for-tes indícios de extermínio e muitos deles (me-ses atrás 92% deles) são realizados com mu-nição restrita e sem chance de se mexer. Emoutros artigos fui até científico ao ser estatís-tico com os índices dos crimes, mas dessavez serei claro:Vocês acham mesmo que com40% a mais de policiais nas ruas não seremos- nós aqui da periferia, pobres, sem instrução,negros, nordestinos, gays, excluídos emgeral - diretamente atingidos? O que a PMvem fazer aqui na periferia quando os as-saltos e as mortes acontecem nos Jardins???EditorialPara contatos e números anteriores: fsb1975@yahoo.com.br - www.slideshare.net/ARITANA- www.twitter.com/RebocoCaido - www.facebook.com/RebocoCaido - Novoendereço: caixa postal: 21819, PortoAlegre, RS, cep.: 90050-970Enquanto Lobões, Felicianos e Bolsonaros falam merda, enquanto os opressores opri-mem, enquanto o acomodado vê o mundo passar diante da tv, enquanto o alienado difun-de sua mentalidade infantil... o Reboco Caído continua rolando por aí. Em qualquer esqui-na, beco ou quebrada o Reboco chega naquele clima de vale tudo. Contrariando Tim Maia,vale até homem com homem e mulher com mulher – Por que não? E vale até o editorial virpor último e funcionar como fechamento ao invés de abertura da publicação – Por quenão? Esse número é dedicado a memória de mais um irmãozinho que se foi, o Guilherme.Dedico também a memória do grande Douglas Viscaíno (guitarrista fundador da bandaRestos de Nada) e a do eterno Ray Manzarek (tecladista do The Doors). Gostaria dededicar também a memória de todos os outros que de alguma forma influenciaram minhavida. Dedico ainda aos milhares de que nunca ouvi falar, mas que morrem diariamentecomo vítimas de guerras, da miséria e de toda forma de violência. Vamos caminhar para umnovo rumo. Vamos participar das mudanças que acontecem diariamente, independentesda nossa vontade. Ao contrário do que prega o bunda mole, o mundo muda o tempo todoe nunca é a mesma coisa.
  11. 11. ViolêncianaTurquiagreveCentenas de pessoas participaram dos protestos quepediam a redução do valor da passagemÍndio morre emconfronto compoliciais, durante desocupa-ção de fazendamorre baleadoem reintegra-ção de posseNão?Areestruturaçãour-banadoRiodeJa-neiroiráremover“cercade30milpessoas,dandopri-oridadeparainves-timentosempresari-aisenegócios”,dis-se.Paraela,“trata-sedeumprocessodecisório,autoritá-rio,fechado,nãotransparenteemuitoviolento”.* *Pobreza e alienação!( ) Prisioneiros deGuantánamo emgreve de fomeAliokhina iniciou uma gre-ve de fome no dia 22 deMaio, depois de ter sidoimpedida de participar naaudiência judicial que ava-liava um pedido de liber-dade#->+=CartaabertaPROTESTOS ANTI-GOVERNOMulher morta em favela no litoral de SP fu-gia da violência em MS ...xXescândalosviram atra-çãoturísticaEntre os lugares visitados du-rante os tours, estão monumen-tos e hospitais superfaturados,mansões de políticos e empre-sários acusados de desvios deverba, canteiros de obras, mi-nistérios e outros órgãos pú-blicos.Afinal, a criação de dificulda-des - pelo emaranhado buro-crático - para vender fa-cilidades sempre foi,sabidamente, uma fontede corrupção.Israel destrói esforço de paz com novos assentamentos,diz PalestinacontraproducentesMembrosdeigrejadepastoracusa-dodeestuprossãopresosnoRJDevastada pela guerraGuerradeganguesterminaemduasmortesOs soldados aparecem correndo sem camisa e gritam respondendo a um líder,que entoa os seguintes versos: ‘É o Bope preparando a incursão / E na incursão/ Não tem negociação / O tiro é na cabeça / E o agressor no chão. / E volta proquartel / pra comemoração’.:-(0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0

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