Reboco Caído nº13 versão pdf

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Reboco Caído nº13 versão pdf

  1. 1. REBOCO 3#1 CAÍDO
  2. 2. Pag.1 REBOCO CAÍDO #13 Editorial Xerocado, dobrado e grampeado. Eis que Nas páginas seguintes temos entrevistas nasce mais um Reboco. Abri a edição com com o Goma (que fez a capa desta edi- o texto do irmão Eduardo Marinho e sigo ção), com Renata Guadagnin (essa é da- com um que escrevi sobre o massacre que quelas pessoas que fazem a diferença) e a rapaziada desprovida de grana vem so- com a banda Nardones (som novo pin- frendo sob os olhos apáticos e alienados tando na área). Entre as entrevistas, es- de uma sociedade que se diz civilizada. critos de uma turma da pesada. Ofereço este zine a esses valentes guer- Fecho a edição com alguns temas que reiros que, embora vivam na pobreza ma- não tem recebido a devida atenção e di- terial, possuem uma riqueza muito dife- vulgação, mas que não podiam ficar de rente da que se valoriza por aí. Força e re- fora. Se dependermos da mídia conven- sistência, galera. cional para nos informar...1- Atualmente o blog Reboco Caídonão tem mais ligação com este traba-lho que venho realizando com zines.Meu blog saiu do ar e agora alguémvem usando o antigo endereço . 2- Os zines antigos estão com ende-reço de correspondência do RJ, masdesde que mudei para Porto Alegrenão recebo mais correspondênciasnesse endereço. Contatos: fsb@yahoo.com.br www.twitter.com/RebocoCaidowww.slideshare.net/ARITANA
  3. 3. REBOCO CAÍDO #13 Pag.2 Ilusões plantadas cobrimento” (invasão seria o termo maisPor Eduardo Marinho apropriado) do Brasil foi uma história de ex-Estamos engatinhando na superação das termínio físico e cultural. Eliminar osilusões, na busca de valores reais. No mo- indesejados sempre foi prática corriqueiramento a engrenagem social - sequestra- em sistemas covardes como o nosso. O queda pelos interesses econômicos de uma assusta é a máquina assassina cada vez maiscasta mínima de mega-empresários, apo- se especializando no extermínio sem culpa.derados dos poderes políticos, das má- As justificativas mais bizarras são usadas.quinas estatais, com o controle das mí- Os processos de exclusão jogam para longedias - impõe valores, comportamentos e os que sobrevivem. Exemplo disso são asfaz de tudo pra manter a superioridade da remoções forçadas que estão acontecendoforma sobre o conteúdo. Um dos traba- pelo Brasil. No Rio de Janeiro, os grandeslhos de libertação, senão o principal, é a- eventos e a especulação imobiliária fizeramprender a pensar por si mesmo, sentir por esse processo ganhar um volume monstru-si mesmo, independente dessas pressões oso. As “pacificações” foram o anúncio deabsurdas e predominantes. São nossos va- que o pior ainda estava por vir. Em São Pau-lores, objetivos e comportamentos o que lo os incêndios estão dando um toquesustenta esse sistema perverso, essa so- piromaníaco à expulsão e ao extermínio dosciedade injusta. Porque não são nossos pobres. Falando em São Paulo, não pode-de verdade, mas implantados de todas as mos esquecer da brutalidade ocorrida emformas imagináveis e inimagináveis. Pre- Pinheirinho. Na Bahia, o Quilombo Rio doscisamos criar nossos próprios valores. Ou Macacos está sendo expulso de suas terrasrecriar. Mudar nosso comportamento, pela Marinha. Milhares de pobres sãonossa maneira de viver. Não é fácil a prin- entulhados nos presídios, favelas e lixões,cípio, mas depois que se começa, impos- da maneira mais insalubre possível. O ser-sível parar sem o sentimento de rendição. viço público é executado da pior maneira.A frustração é predominante nessa vida Seriam inúmeros casos relatados e mesmosem sentido que nos é imposta. E os pa- assim esqueceríamos algum, devido ao gran-liativos não satisfazem aos que buscam de número de massacres físicos, psicológi-algum sentido na vida. A recomendação, cos e culturais a que a grande massa estásob ameaça, é óbvia - acomode-se ou so- sujeita desde o seu nascimento. Toda formafra. Submeter-se é jogar a vida no lixo e, de opressão é usada. Por quantas chacinastalvez, só se tocar tarde demais. Compor ainda passaremos? Você já ouviu falar decom o caminho da frustração é impossí- alguma execução em bairro de bacana? Di-vel, é preciso mentir muito pra si mesmo fícil acontecer, né? Os canos estão aponta-pra acreditar em tanta mentira. Que ve- dos para os pobres. Mesmo sendo necessá-nha a discriminação. rios para lavar, passar, cozinhar.... fazer asNa recusa do aprender, a dor se faz mes- coisas funcionarem, o número de pobres nãotra. pode afetar a segurança dos patrões. E de Matando os pobres preferência que morem bem longe para nãoPor Fabio da Silva Barbosa incomodar o universo artificial criado paraInfelizmente a música Kill the poor (Ma- os poucos que acumulam privilégios. E atar os pobres), da banda californiana Dead classe média, morrendo de medo da pobre-Kennedys, cabe perfeitamente no atual za e babando pela posição dos ricos, apoiamomento brasileiro. Não que isso seja toda a crueldade, esperando por mais algu-inédito em nosso país. O próprio “des- mas migalhas do banquete.
  4. 4. Pag.3 REBOCO CAÍDO #13 Um papo com o GomaPor Fabio da Silva BarbosaEsse é o Goma: Paulistano da safra de 88, atualmente começou uma série de ilustraçõescom o título Tempo Seco e vem conquistando espaço e mostrando cada vez mais suacara. Então, manda a goma aí:Como nasceu Goma e quem era o Goma antes do Goma nascer?Tem muito Thiago Gomes nesse país - Putz! - e pensei que Goma teriam menos. Depoisvi que goma (entre outros significados) é a união de vários elementos, uma goma mesmo.E isso é uma coisa boa, porque gosto de misturar referências. E o aprendizado é umacoisa eterna. Então, estarei sempre buscando algo, misturando coisas, fazendo gomas.Por que desenhar?Porque me sinto a vontade desenhando, é natural pra mim, tenho gana para aprendermais e me expresso melhor pelo desenho. Embora aprecie muito o audiovisual e a música,não seria o mesmo. São coisas que me cativam e motivam a desenhar, mas... Essas áreasestão em um eterno namoro, então pode ser que um dia role algo também. haha!Colorido ou preto e branco?Haaa... Os dois têm seus prós... Tem momento pra tudo. Gosto dos dois!Defina o ato de desenharPergunta difícil... Não sei responder... Talvez, assim como qualquer outro tipo de arte,trazer a tona o que tá dentro de você, o que você não aguenta segurar só pra ti!Fale sobre Tempo SecoTempo Seco é o que não aguento segurar só pra mim sobre SP. O nome é uma referênciaa maioria dos dias em SP: Seco mesmo, poluído e sem umidade. Tá muito no começoainda e pretendo explorar mais essa série, que é um olhar sobre vários momentos navida das pessoas, no cotidiano da cidade, momentos de tensão, lazer, tristeza, lirismo,depressão, ódio e etc... sempre tendo como pano de fundo a minha visão da cidade, aminha SP!!Solta os cachorrosOrganização é a base pra tudo no trabalho, na vida, na cena! Nos organizando, podemossempre construir coisas maiores!! E sejam bem vindos ao Tempo Seco: http://goma-blog.blogspot.com.br/. Valeu pelo espaço, Fabio. Abraço a todos ;)
  5. 5. REBOCO CAÍDO #13 Pag.4 Mife Para o Malandro Vagabundo / Feito comPor Alexandre Mendes Carinho Sólidas paredes emergem ao redor Por Fabio da Silva Barbosa A cidade tem um sobrenome...é caos! hoje eu canto para o belo malandroHambúrguer, panelas, mulheres e homens que não aceita os grilhões desta prisão caminham rumo a trilha que sai por aí sem hora marcada um tanto imposta; um pouco escolhida, sem se preocupar com a caminhada Gritos de solidão em murmúrios coleti- vos... hoje saúdo todas as pessoasO frio da noite esquenta o que pode vir a que vivem sem prumo, rumo ou broas acontecer vagabundo iluminado iluminando a visão Quem está ao lado, vai ficar de lado não tem registro, raiz ou manual de Corda, pescoço, pistola, pelado instrução Mata, correndo, chorando, deitado Sol quente, cinzas, nuvens... tantos julgam, falam ou explicam _Nublado_ poucos percebem, entendem e abraçam quantos acusam, acusaram ou acusarão Garota Original alguns observam a lua, tocam viola ePor Anna Alchuffi questionam a convençãoÉs tú dona do mais belo sorriso amareloE de todo meu afeto mas o bom vagabundoDo mais puro e humilde ciúme malandro iluminadoDa dor, o mais singelo perfume estará sempre a bailar pela terra, pelo mar e pelo arAdormecida ao meu lado entre os lençóisÉs mais bonita que a rebeldia jovem, pela terraÉs belo fruto do Lésbio pelo marMais original que desenho de nuvem e pelo ar e modernismo brasileiro] MentirasAinda terás uma antiga fotografia nossa Por Fabio da Silva BarbosaE dirás com nostalgia que eramos boas Disseram pra estudar!amigas Disseram pra trabalhar!Terás outras vidas Disseram pra casar!E eu outras brigas. Disseram que isso é se realizar! Juntando as partes Disseram pra mentir!Por Wagner T. Disseram pra fingir!se Disseram pra fugir!eu Disseram que um dia eu iria conseguir!com bastante atençãoreler tudo Disseram tanta merda!desde o início Disseram tanta porra!encontrarei Disseram tanta zorra!Eu Disseram “É assim mesmo” “Vá e morra”!?
  6. 6. Pag. 5 REBOCO CAÍDO # 1 3 “Não sou nada, se não uma gota d’água sedenta (como um infinito iPor Fabio da Silva BarbosaEm toda parte encontramos pessoas na luta, trabalhar com as questões sociais eproduzindo, acrescentando, modificando. explanar isso dentro da ‘Universidade’.Cada um utilizando seus meios. Cada qual O movimento quilombola em Portoseguindo seu caminho. São vários cami- Alegre.nhos fazendo parte da mesma estrada. A resistência do povo quilombola no RS éEstamos todos juntos, ao mesmo tempo muito forte. Em Porto Alegre acompanhei,que sozinhos. Encontros e desencontros desde 2003, a luta do Quilombo da Famíliaacontecem a todo momento. Uma figura Silva, situado no bairro Três Figueiras,que esbarrei por essas andanças e que faz região nobre da cidade. Os descendentesda sua vida um instrumento de transfor- de escravos residem nas terras desde 1941,mação é Renata Guadagnin. quando a primeira geração da família veioVocê possui um trabalho como ativista fugida de São Francisco de Paula, ondecultural e outro voltado para questões ainda eram mantidos como se escravossociais. Onde esses trabalhos se encontram fossem. Em veio a primeira conquista,e onde se distanciam? depois de muito combate com a polícia eSão todos trabalhos autônomos e inde- resistência à especulação imobiliária, opendentes. Para mim, parece ser neces- então Presidente da República assinou umsário manter uma ligação entre o trabalho decreto declarando o Quilombo da Famíliacom a cultura e as questões sociais. O Silva o primeiro Quilombo Urbano doponto de encontro entre eles é justamente Brasil e que as terras ocupadas pelaacreditar que através da cultura possa se Família Silva eram de interesse social erealizar uma real evolução social, a cultural do país, devendo assim seremutilização da cultura como um dos meios garantidos os direitos territoriais dade expressão das massas sociais, comunidade.construção e respeito à cultura popular. Como anda essa situação hoje?Mas se distanciam quando preciso expor O Rio Grande do Sul é o último lugar queas questões sociais com as quais trabalho as pessoas pensam ter quilombos eme tenho vivência ao mundo acadêmico, função da colonização alemã e italiana.tendo que falar “academêis” e teorias Mas há registros regionais que indicam aabstratas que não dialogam com a existência de aproximadamente 130realidade, o que me parece ser uma comunidades, a maioria em zona rural. Noinfundada falta de cultura quando tratamos entanto, boa parte dessas comunidadesde questões sociais com linguagem e ainda aguardam a posse e titulação deexpressão que não são, via de regra, propriedade da terra, embora seja umcompreendidas pelas grandes massas ou se direito garantido pela Constituiçãoquer dialogam com elas. E aí acontece o Brasileira, enfrentando diversas difi-distanciamento entre cultura, população e culdades de acesso, inclusive à rede“sociedade acadêmica”. Há sistemas pública de saúde e educação, já que nãoparalelos que não são enxergados pelo possuem endereço reconhecido. É comosistema, não há o reconhecimento da se as terras ainda fossem terras decultura como meio de crescimento social, ninguém. Às vezes surge um ou outro see aí a dificuldade de inserir cultura para dizendo proprietário, iniciando diversos
  7. 7. REBOCO CAÍDO # 1 3 Pag. 6inclassificável neste mundo maluco).” Renata Guadagnin processos na tentativa de garantir a posse a falência de todo o sistema. O sujeito da terra para os descendentes de escravos ingressa em sistemas paralelos, como no que lá estão há séculos. O Quilombo da Fa- Presídio Central, e quando retorna para a mília Silva vem, desde 2006, obtendo, va- “sociedade” continua fora do controle garosamente, alguns avanços: agora possui social e sendo aquilo que a mediocridade saneamento básico e desde 2010 estão considera ameaça. No entanto, quando ‘o tentando finalizar a construção de uma cara’ está lá dentro do sistema prisional, pequena biblioteca com livros e compu- vivendo um verdadeiro inferno, sem tadores dentro do território. Aos poucos o condições mínimas de sobrevivência, respeito à cultura e história dos diversos dividindo o chão que dorme com ratos e povos rio-grandenses está se consolidando doenças, ninguém se preocupa com o que e o preconceito se desfazendo. está acontecendo. Não tem como sair do inferno “regenerado” ou “ressocializado”. E seu trabalho com os presos? A importância da realização de trabalhos Moro nas proximidades do Presídio Central dentro do sistema prisional se dá para isso: de Porto Alegre desde os 6 anos, passando demonstrar que o Estado-poder utiliza um por ali quase diariamente. Sempre me discurso falacioso de ressocialização sem causou certo incomodo e inquietação ver a humanidade. Por detrás do discurso há mesma situação degradante há tanto tempo. apenas o interesse em ‘varrer para baixo Mas a aproximação efetiva com os presos do tapete (imundo)’ o lixo humano que é surgiu no meio deste ano, quando tive produzido pelo próprio sistema. contato com o Projeto Direito no Cárcere, realizado na Galeria E1 do PCPA, que Quais os principais problemas enfrentados utiliza a arte como forma de expressão e no cárcere? instrumento de resgate da autoestima dos De modo geral, a estrutura arquitetônica integrantes, já que todos são dependentes das casas prisionais no Brasil, devido à químicos em tratamento. Depois, obtive superlotação e o aumento gradativo no contato com um preso de outra galeria que número de presos, acaba sendo o principal escreve poesias, letras de músicas e já tem problema. Com prédios completamente editado um livro e que encontrou assim uma destruídos e sem infraestrutura, não há forma de controlar os instintos mais condições mínimas de higiene. O esgoto agressivos, mesmo dentro de um ambiente dos (pseudos) vasos sanitários escorre totalmente insalubre e insuportável. A partir pelas paredes dos “quartos” dos andares disso realizei algumas entrevistas com de baixo. Em um ambiente assim, não há pessoas ligadas ao sistema carcerário, condições mínimas de sobreviver, o que presos, familiares e funcionários do acaba dificultando ou tornando prati- Presídio para tentar compreender os ecos camente impossível a realização de que gritam atrás dos muros e que a trabalhos (educacionais e laborais, por sociedade não escuta, ou não quer escutar exemplo) na grande parte das casas (menos ainda ver). prisionais brasileiras e, em especial, me refiro aqui a situação do Presídio Central Qual a importância deste tipo de trabalho? de Porto Alegre, com o qual tenho tido Trabalhos que dão voz a quem nunca é esse contato e que já foi considerado por escutado são importantes porque mostram autoridades o pior da América Latina.
  8. 8. Pag 7 REBOCO CAÍDO # 1 3Todos esses problemas na estrutura acabam científica (o menos pior), onde passei porrefletindo em tudo, por óbvio, com mais diversas áreas do Direito. Com esseimpacto na saúde dos presos. A maior causa contato com Grupos de Pesquisa ede morte hoje no PCPA são as doenças Estudo, me peguei pensando: o que essainfecto-respiratórias (broncopneumonia, gente quer teorizando sobre algo que elestuberculose, etc). Há apenas um médico para não vivem? Quando é que o Direito vaiatender uma população de 4 mil presos. É o subir o morro? Ou melhor, vai ser feitodescaso com a saúde de quem não pode pagar pelo povo?por ela refletindo até mesmo nos que estão Definitivamente o curso de Direito nãosob a guarda do Estado. é o que eu esperava e acho que nunca foi. Mas serve para reforçar a sociedade daNo meio disso tudo, ainda existe um blog. A mediocridade.que se destina este espaço?Todo mundo já se perguntou o que é a vida. Expandindo um pouco mais a conversa:Para mim ela é um infinito inclassificável Estamos passando por diversas questõesque precisa ser respeitado. As pessoas são no país (como o extermínio de povosúnicas em suas diferenças, mas são todas indígenas em diversas regiões, remoçõesparte da mesma humanidade. É a isso que o forçadas de comunidades carentes, a usinablog se destina, a escrita de rabiscos e de Belo Monte,o Código Florestal...) edevaneios sobre o que é a vida, esse infinito um ponto em comum entre todas essasinclassificável que tentamos classificar o questões é o poder de quem tem granatempo todo. É um espaço de expressão, às sobre quem não tem. Mesmo com issovezes com pessimismo, às vezes com tudo acontecendo de forma tão explícita,otimismo e entusiasmo sobre da vida... a grande maioria parece não ver e quando vê finge que não tem nada com isso.E a faculdade de Direito? “Eu não tenho nada a ver com isso. MinhaComo todo “bom jovem”, ingressei na vida já tá resolvida. Por que vou mefaculdade e bá! Por incrível que pareça, eu preocupar com a dos outros?”. Anão sei por que o Direito! As pessoas me sociedade está imersa em uma cegueiradiziam para fazer Relações Públicas, promovida por quem detém o poder.Comunicação, Jornalismo... Mas desde Ninguém se preocupa com o outro.sempre queria fazer Direito. Talvez fosse “Quanto menos pessoas concorrendoaquela ingenuidade de criança que acredita comigo no mercado de trabalho, melhor.”que fazendo Direito poderá fazer justiça. Há um sentimento de concorrênciaMas aí cai a ficha e tu se dá conta que são muito forte, o que causa sofrimento. Decoisas diferentes. É uma coisa sem outra parte gera uma alienação e umexplicação, mas eu sabia que tinha que fazer egoísmo, individualismo... “Azar se asDireito. pessoas estão morrendo de fome.” AAo longo do curso pude desconstruir toda a tendência é sempre a da acumulação. Porvisão entre o SER e o DEVER SER tão isso é necessário trabalhar contra essadiscutindo no Direito. Vi que é tudo uma cegueira. Para fazer com que maisgrande mentira. Ao longo da faculdade, pessoas se unam a favor de umapercorri vários caminhos: tentei o comum – coletividade humana e não desumana.ser burro de carga em estágios da área (mas Tudo isso é humano, demasiadamentenão deu). Fui ser pesquisadora de iniciação humano. Mas é necessário despertar para
  9. 9. REBOCO CAÍDO # 1 3 Pag. 8o bem e não para a destruição do próprio Solidariedadeirmão humano. Por Cecilia Fidelli Criança carente,Expandindo ainda mais: Em termos mun- faz parte de uma corrente,diais a coisa não anda muito diferente. que devemos arrebentar.Você acredita que possa acontecer umamudança radical no cenário de dominação Poeta da luae exploração em que vivemos? Por Wild GardenNão sou otimista, mas também não sou Somos poetas da luapessimista. Acho que o movimento de mu- que nos encontra na ruadança é inevitável. No interior de cada um e a deixa todo iluminadadeve haver o sentimento de insatisfação poetas de calçadacom toda a situação de dominação que letras soltas, nosso tudoreflete em ‘desigualdade’, o que já deve para os tolos, um nada.impulsionar certa mudança de comporta-mento. Fortificando isso, acredito que Comendo gramapodemos ter grandes movimentos sociais Por Anita Costa Pradounidos com o interesse comum da cole- Miséria, fome,tividade. De outra parte, acho que há corrupção, besteirol...também uma tendência a acumulação, e a gente se consomecomo referi antes. O poder dominante assistindo futebol.(dinheiro) e quem o detém não vai ceder Icetão facilmente. Mas é possível uma mu- Por Thina Curtisdança radical desde que consigamos en- Tenho estado estranhaxergar essa imposição materialista feita por estes dias difíceis e friospelo poder e que causa tanta dominação, me pego chorandoexploração e destruição. Por aí começa lágrimas pelas perdas e desencantosuma mudança grande e que pode fortalecer me pego chorandoessa contracorrente. Vamos dar “asas a por coisas fúteisuma esperança equilibrista”. e por aquelas que nunca vão acontecer Estranho sem pátria me ponho a caminhar solitária e deturpadaPor Renata Guadagnin pelas noites gélidas e inconstantes estranho, pelas ruas escuras e nebulosas ouço as cidadão do mundo vozes do silêncio cidadão do nada ecoando em minha mente, alimentando o cidadão do tudo... frio ou sem nada, o vazio e a solidão anda por ai em tempos invade o meu corpo insano destemperados, controlados que caminha sem cessar sem rumo, com minhas preces(rogadas) Em tempos sigo o meu destino assim, estranha e sozi- em que o fogo arde nha a chuva corrói no escuro, congelo, iberno o sorriso congela "por entre sombras" as mãos não mais se unem ninguém mais espera por mim.
  10. 10. Pag 9 REBOCO CAÍDO #13 Poesia VivaPor Helena Ortiz precisou que te fosses para que a poesia renascesse em mim enquanto estiveste ao meu lado Por Fabio da Silva Barbosa ela existia Contos de horror, clássicos B do cinema, tinha um corpo que dançava histórias macabras e hipotéticas tocadas por olhos que abraçavam veteranos. Esse é o horror punk da banda mãos que me erguiam Nardones. Gravado em maio de 2012, o EP e chamava-se Alice “Quase Indolor” vem com quatro canções - Quase Indolor, Possessão, Alma Gêmea e Eu CONFIGURAÇÃO Não Sei Dizer Adeus. Quer saber mais? EupOR dIEGO el kHOURI também. Buscando mais informações,rrfefgkkkkkkkkkkkkkkkkkffv fvmfvef troquei uma ideia com o vocalista Victorfhdfasdjfsafhrfrfrrr Rocha (Victor Jack) fffhjkDD,,,,,,,,,,,,,,,,,jkjkk,jk,,hmm O que é Nardones?rfrrrOPÕPOPPÇ Nardones é uma banda de horrorpunk autoral que nasceu da vontade do Ricardo (Guitarra)fffhjkDD,,,,,,,,,,, em montar algo do estilo. Como eu sempre quis ter uma banda com ele e meu estilo Saber preferido é Horror, seja ele punk, metal ouPor Winter Bastaos rock, o projeto acabou casando como uma VOCÊ SABE O QUE É luva. Queríamos uma banda nacional deVOCÊ? horrorpunk com temas nacionais, monstros VOCÊ SABE O QUE É nacionais... O nome teria que seguir a mesmaSABER? linha. Optamos por este nome porVOCÊ SABE O QUE É QUE? acreditarmos que ele remete ao horror noVOCÊ SABE O QUE É SER? subconsciente das pessoas, por ser uma referência a um caso que chocou. QueroVOCÊ SABE O QUÊ? deixar claro que não somos a favor do crimeO QUE VOCÊ SABE? ocorrido! Além do mais, existe um trocadilhoVOCÊ SABE O QUÊ? excelente com RAMONES, que obviamenteO QUE VOCÊ SABE? é um influência. E o horrorpunk? Como você definiria esse Deparo estilo?Por Ivan Silva O horrorpunk, pra mim, é como aquelesnão procurava e encontrei filmes de terror da década de 80 ( “A Horaa caminhar em meu coração desmatado, do Espanto”, “A Hora do Pesadelo”,um sentimento sobrevivente, “Necronomicon”). São músicas com alivre, incorruptível... temática voltada 100% para histórias dedesses que, sei lá, Terror, com a pegada do punk. É aquele terrorou fogem ou atacam a gente.
  11. 11. REBOCO CAÍDO # 1 3 Pag 10que você torce pelo monstro! psychobilly, country americano, folk, essasNormalmente as letras estão sempre coisas... Nosso novo membro, Rafaelhomenageando um clássico cinema- Lobato, veio do Unearthly, que era umatográfico do gênero, ou criando seu banda de Black Metal. Pode parecerpróprio roteiro, alguma história que estranho, mas todos estão ligados pelapoderia estar nas telas. É um gênero vontade de tocar o TERROR!descompromissado com o social ouqualquer outra coisa. A intenção é fazer O que o pessoal pode esperar?Terror na música, assim como é feito em Pode esperar muito terror, deboche, sangue,todos os outros gêneros de arte juras de amor maldito, zumbis, vampiros,(literatura, cinema, pintura...) demônios, H.P. Lovecraft... e um show cheio de energia do inicio ao fim, com todoQual é o lance da maquiagem? o clima necessário para se fazer um bomSe a banda se propõe a tocar histórias filme de horror! Digo, show defictícias de Terror e envolver o especta- Horrorpunk... Letras em português e um somdor nesta atmosfera, nada mais justo que intenso, pesado e às vezes dançante, o queas músicas sejam interpretadas por evidencia nosso sarcasmo no trato com amonstros cinematográficos, né? Além de morte.ser uma marca muito forte do gênero, http://br.myspace.com/bandanardonesajuda as pessoas a perceberem o quão h t t p : / / w w w. y o u t u b e . c o m / u s e r /fantasia é aquilo e a se identificarem com bandanardonesaquele personagem “X” do Filme deTerror que você aprende a amar (Freddy,Jason, chucky, Pinhead... a lista é infinita).Tem também todo o lance da mística portraz do corpse paint. CensuradoQuais as principais influências da banda? Por Glauco MattosoObviamente Misfits desponta não só Sabendo que a censura não me trava,como criador do gênero, mas por ser até pediram-me um soneto sem calãohoje uma das bandas que melhor pra pôr na anthologia de salãoconseguiram transcrever o universo do que o tal do [censurado] organizava.terror em música (na minha opnião). Masa banda tem 4 integrantes e cada um traz Queriam até tonica na oitava,sua influência. O Misfits é apenas a mas nada de recurso ao palavrão.interseção de todos nós. Usei o ingrediente mais à mão,O Ricardo Sá (Guitarra) veio do Bendis, porem sem [censurado] não passava.uma banda de ska, e curte Black Sabbath,Slayer, Dead Kennedys... por aí... Eu Desisto. Quanto mais remendos metto,(vocal) curto muito Trash oitentista, mais ropto vae ficando o [censurado].alguma coisa do new metal (os que Poema não é texto de pamphletoremetem à terror) e punk oitentista. Naverdade, o que eu curto é TERROR. Tem pra ter que se estampar todo truncado!esse tema já me ganhou pela metade. O Pois esta [censurado] de sonetoNed (baixista) é da praia do rock-a-billy, que va pra [censurado] [censurado]!
  12. 12. Coleções de Infância RecortesPor Elke Gibson - Um estudo, publicado na revista interna- Caminhava descalço cional Food and Chemical Toxicology, so- - ele e seu brinquedo bre milho geneticamente modificado apon- por vielas esburacadas ta para efeitos tóxicos alarmantes até ago- sacudindo sua pet, ra desconhecidos. Trata-se da primeira vez o pivete, a nível mundial que são investigados os catava todas que via... efeitos de longo prazo dos transgênicos na Zunia! saúde. Os animais alimentados pelo milho "mais uma pra coleção", transgênico sofreram de morte prematu- o guri matutava... ra, além de tumores e danos em múltiplos órgãos vitais. SORRIA - O Brasil está, desde 2009, em primeiro lugar no ranking dos países que mais usam Mas logo a mãe berrava agrotóxicos. É como se cada brasileiro "pra casa! consumisse cinco litros de veneno ao ano. moleque de miolo mole pensa que é de aço? - A Ugra Press tem o prazer de informar tiro não escolhe" que está aberta a convocatória para o 3º E o moleque corria... Anuário de Fanzines, Zines e Publicações Sua garrafa Alternativas. Maiores informações pelo recheada site www.ugrapress.wordpress.com das cápsulas - O “Gang Gulabi” (ou o exército de sari que catava rosa) é um grupo de mulheres, na empo- ao redor do seu brecida região da cidade de Banda, no nor- portão te da Índia. O Gulabi intervém em casos de violência doméstica, atacando os mari- Até que dos abusivos com "laathis" (varas de bam- belo dia bu). Atualmente, lutam para combater o ca- completou samento infantil, eliminar o sistema de a coleção dote e derrotar o analfabetismo feminino. CATOU A ESPECIAL Mãe gritou! - Um grupo de pesquisadores localizou "ô moleque desobediente" material radioativo procedente da usina nu- já não ouvia! clear de Fukushima a 3.200 quilômetros já não catava! do litoral do Japão. - já não sonhava - Por 274 votos a favor, foram aprovadas pra nossa ruína as alterações feitas pelo relator Paulo Piau pra nossa humana desgraça (PMDB-MG) no texto do Código Flores- essa não guardou na pet tal. Com isto, o Código libera benefícios Essa ele levou no e crédito agrícola para quem desmatou, tira PEITO a proteção em torno de nascentes de rios Dessa não correu não. e aumenta a consolidação de áreas desmatadas em topos de morro e******************************* manguezais.

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