Reboco caído nº12 versão digital

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Reboco caído nº12 versão digital

  1. 1. R # 12EBOCO-CAÍDO
  2. 2. Pag.1 REBOCO C A Í D O #12 REBOCO C A Í D O #12 Pag.2 Editorial Sob Tempestade vez pare no meio do barro, ou em areia move- Por: Alexandre Lucchese diça. Talvez no fim de um arco-íris, ao lado doEis que chega mais um número do Reboco Caído. Sempre Um bezerro flutua no meio do ci- pote de ouro. É inútil pensar a respeito, este-testando novos formatos e diagramações, o Rebocão clone. A massa de ar que o desloca quase ja onde estiver, ele nada poderá fazer além depersiste na sua empreitada, afrontando as normas e os arranca a pele do meu pescoço. Caminho cheirar e cavoucar a terra.normais. Com capa e ilustrações de Solano Gualda, o devagar. Um pé depois do outro. Um pé. As gotas de água lavam meus olhospasseio pelo consciente e inconsciente dos que marcham Outro. Um pé. Outro. O vento tenta me aos poucos. Pode ser que eu já enxergue umpelo subterrâneo do fazer ganha novas dimensões. Mais empurrar para fora do acostamento. A água pouco melhor que o porco. Pode ser que não.testes e experiências nesse caminhar pela livre expressão. cola fria na roupa e tenta roubar meu calor. Não esqueço que as miragens aparecem atéA proposta é a verdadeira ruptura, total e sem limites, sem Não se preocupe. Um pé. Outro. Um pé. mesmo para quem mantém os olhos bem aber-correntes ou prisões. Então, chega de papo furado e vamos Outro. tos. Resta seguir. Um pé depois o outro.nessa. O bezerro passa outra vez. Tem os Estou montado em um tigre. Ele cami-Agradecimentos a todos aqueles que apoiam e divulgam olhos cheios de um amor leitoso. Olho em nha devagar. Um pé depois do outro. A tem-o Reboco. Valeu, galera. direção ao asfalto, um metro a frente. É o pestade continua, é preciso aprender a se suficiente para ver tudo o que há em vol- equilibrar aqui em cima. O sol continua a bri- Contatos: ta. Um pé depois do outro. Um pé depois lhar, mesmo encoberto por essas nuvens. Um fsb@yahoo.com.br do outro. pé depois do outro. Mortos também trafegam pelo ar. Escrivão www.twitter.com/RebocoCaido Por: Ivan Silva Espectros, pequenas caveiras quewww.slideshare.net/ARITANA esgarçam o tecido da cortina de água e lá Palavras caidas no chão procuram abrigo, como uma casca de feri- Corpo estirado expressão sem concessões. O ál- Ohos abertos bum, batizado de Quem somos nós? da que teima em seguir morando na pele. Às vezes, crescem infinitamente e se con- Fecha-os que morto assim tem alucinações. dá conta de mapear a produção underground de escritores, músicos fundem com tudo o que há. Um pé depois do outro. Um pé. Outro. De súbito mur- Sai, cineastas e jornalistas em vários Fecha a porta, cantos do país. cham, desaparecem. De súbito se dissol- vem na água. O detetive entra: Com entrevistas rápidas e É... o policial fez o que fez em legítima defesa. criativas, Quem somos nós? serve Bem ao meu lado, uma macieira é para aprofundar ou fazer conhecer arrancada do solo desde as raízes.. Ela agora vem colorida e ameaçadora em mi- É? E o bandido, era culpado de quê? trabalhos geniais que não chegam --Ah, sei lá--responde o deputado--só não ao público pelas mídias tradicionais. nha direção. O turbilhão de vento se mo- vimenta em todos os sentidos, estraçalha escreve aí dizendo que ele sabia demais. Destaco aqui as entrevistas dos ir- mãos Lino e Mario Ito Bocchini (site o caminho, mas a árvore continua a flutu- poeminha que eu fiz hoje Falha de São Paulo), Petter Baiestorf ar inteira, e nem mesmo vermelho apaixo- Por: Rubem Zachis (cineasta independente), Canibal nado de seus frutos se agita. Sinto o chei- ro adocicado da terra impregnada nas um beijinho gostoso (banda Devotos), Glauco Mattoso uma chupeta light (poeta), Toni Platão (músico, ex-in- raízes. Resisto à tentação e não lhe dirijo o olhar. O vento agora é implacável e há um carinho na pica tegrante da Hojerizah), Law Tissot que bem que não faz (Fanzinoteca Mutação) e Wander muitos obstáculos pela frente. Um desvio Wildner (músico).” de olhar pode ser fatal. Basta respirar fun- ESCOMBROS do e caminhar devagar. Um pé depois do Por: Diego EL Khouri Retirado do blog outro. “São dezenas de entrevistados com www.alexandrelucchese.blogspot.com.br Me sinto só Um porco passa guinchando. Temperfis e áreas de atuação diferentes, mas com Para ter acesso ao PDF fragmento inútil as orelhas grudadas sobre os olhos. Nãoum ponto de encontro: a busca radical pela www.slideshare.net/ARITANA de pó. imagina que está no meio do furacão. Tal-
  3. 3. Pag.3 REBOCO C A Í D O #12 REBOCO CAÍDO Pag.4 CracolândiaDisneylândia Cavando sua sepultura Compre a nova necessidade. claro a complicação... existe como um jogo se enganou Mesmo não precisando, a resposta a ser decifrada e assim se fazemPor: Fabio da Silva Barbosa Tapando a luz do Sol você não pode viver sem. os primeiros lugares de uma espertezafuma garoto a pedra rastejou insana e doentia movida a pequelassonha sonhos de menino Vivendo de joelhos relaçoes de poder, potencia, lastimas e tris- Aquele suco 100% natural nunca levantou possui frutas com agrotóxicos que te tezas... jardins gramados lindos ...cheio dea garota do mais tempo no vício Por toda a existência fazem mal. pequenas fezes podres...de felizes animaisnão pode mais sonhar lamentou Siga toda propaganda e verás quanta livres de concepções...racionais!!! nãoamigo palavra distante gente te engana. conte apenas com o sonho e sim para sitalvez só mesmo o cachimbo Recusando mentiras impostas proprio que a farça é a maior de nossas se rebelou uma que saiu do forno em ebulição mental aventuras...até dar conta de tanta perda ea toda hora chega gente Usando seu direito a fala orgástica um retrocesso apagado... de coisas reais ...a toda hora gente vai gritou vistas da forma que devem ser vistas se Erguendo-se pelo conhecimento Por: Murilo Pereira Dias forem purificadas...assim elas torna-se-ãopara onde estamos indo voou que liberem as cortinas da vegonha infinitas... o que nos vem como respostapara onde a gente vai Sendo seu próprio Sol que seja visto o que deve existir... que nossas capacidades apenas se brilhou mas o que é existir??? restingem de nossas reais capacidades...e No chão quando meus olhos não estão vendo o que Vivendo de pé ficamos cegos para demais determinaçõe sPor: Fabio da Silva Barbosa lutou você vê de breves conclusões elos de infinitas edeitado na sarjeta Por toda a existência não se trata de uma historia de romance, infinitas certezas....sentia o vômito na garganta festejou amor ou odiopareciam gorgulhos epiléticos trata-se de uma parte de vida que pode serchicoteando meu espírito Aceitando tudo como está contada se acomodou retratando daqueles que também estiverama úlcera se contorcia Usando seu direito a fala por pertonum bailar de merda e sangue bostejou e mesmo sem saber fizeram parte desse pe-pareciam agulhas e facas Vivendo sob a alienação queno lapsomoendo minha carne não buscou para onde que se leva a filosofar, se nin- Os Três Atos Estagnado sob o Sol guém esta disposto a entender... Por: E. Gibsono cheiro da podridão estacionou ser espiritualmente hedonico 1o. Atojá invadia minhas narinas Acreditando estar sobre os demais desapegado ao paladar sanguineo...comonão podia mais reagir se enganou cães desdentados e famintos... ...em pleno expediente, partiu tensa rumoa minha própria chacina De toda sua existência fazendo referencias de finais em plenitudes ao banheiro da firma - escolheu o box para nada ficou juvenis deficientes físicos, onde podia esticar asmesmo assim queria intercalando o colapso com a claridade que pernas. Placebo se encontra a vulgaridademais uma dose assassina ...sentir os neurônios falecendo Por: Fabio da Silva Barbosa aceitação do banal...canibal... 2o. e 3o Atosnão continuar existindo ou sendo Siga verdades genocida...academicista...politico.... e repita o que dizem, incognito... perdido em sua captura a esco- Gozou deliciosamente em silêncio enquan- Pessoas mas nunca escute a sua própria razão. lha de ser ou não ser...apenas para se obter to sua colega de trabalho escovava a lín-Por: Fabio da Silva Barbosa uma resposta... que conquista humilhante gua na pia.Aceitando mentiras impostas O revolucionário que sonha burguês. ao ser humano... obter uma resposta...se calou Seu estilo de vida é o mesmo que o deles. ou apenas não conseguir o que quer, mas Voltou pra mesa com músculos doloridos -Recusando seu direito a fala Mais um otário querendo se dar bem. se fizer poderá tendo o que é realmente ne- e uma caimbra nas nádegas. Sorriu e reto-se enterrou cessário... então para que ler onde se esta mou a planilha.
  4. 4. Pag. 5 REBOCO C A Í D O #12 REBOCO C A Í D O #12 Pag. 6 A Menstruação Anarquika Preconceito LinguísticoPor: Fabio da Silva Barbosa Por: Fabio da Silva Barbosa Formada em 1993, no ABC Paulista Preconceito Linguístico é um livro de Marcos Bagno que consegue combater não só os (SP), a Menstruação Anarquika mitos, como todo o processo que constrói e fortalece tal preconceito. Uma relação entre este e o preconceito social também é estabelecida e comprovada. Tudo escrito de forma vem fazendo do som uma forma agradável e sem o engorduramento típico dos ditos especialistas. As informações fluem de divulgar suas ideias e de com a naturalidade que a verdadeira língua possui. Uma obra que vale a pena ser lida e se protestar contra as injustiças possível guardada para futuras consultas. sociais. Já tendo passado Argumentos sólidos desconstroem a intolerância da ditadura gramatical. A língua é tratada por diversas formações, a como criação do povo e não como camisa de força, desagradável e totalmente alienígena. banda conta hoje com O autor ainda oferece alternativas para o combate a esse engessamento gramatical e Edwiges (Guitarra & Vox), sugere métodos para os professores que quiserem participar dessa batalha pela devolução Miriam (Guitarra), Shicka da língua aos seus verdadeiros donos. (Vox), Cínthia (Baixo & Fica aí uma boa sugestão de leitura para os que curtem novos desafios. Mas se você é daqueles que se orgulham de falar uma língua difícil e que foge a compreensão dos que Vox) e Larys (Bateria). deveriam ter intimidade com ela, leia assim mesmo. Talvez você saia com outra visão das Troquei uma ideia com coisas. Cíntia (atual baixista) sobre *Após ler meu texto “Língua rica ou confusa?”, uma guerreira me emprestou o livro a banda. “Preconceito Linguístico”, de Marcos Bagno. Ela realmente não se enganou ao me dizerPra começar, uma geral por todo esse tempo de estrada da M.A.. Vale a pena? que eu precisava ler aquilo. Foi muito importante o contato com tal obra.Vale a pena sim. Apesar das dificuldades de ser banda independente, a banda é um meio Falando sobre Branco Oliveiraexpor nossa revolta, nossas ideias e sentimentos. Por: Fabio da Silva Barbosa recebeu diversas premiações locais, e ficou Já dizia o velho ditado: “Maluco atrai a frente de um programa de rádio. SeusPor que existem tão poucas bandas formadas unicamente por mulheres? maluco”. Desde minha chegada a Porto shows então já eram conhecidos doAcredito que, às vezes, por não achar as pessoas certas para uma banda. É realmente uma Alegre, tenho conhecido seus loucos pessoal que curte um som diferenciado epena que não existam tantas bandas formadas unicamente por mulheres. Nós mesmas, maravilhosos e suas delícias delirantes. O começou a se expandir por outros estadosagora, estamos com a formação só de mulheres, mas já passaram homens pela banda primeiro que encontrei e com quem logo brasileiros e países vizinhos. Em 94 gravoudevido a falta de mulheres que toquem. Vejo que isso, aos poucos, vai mudando. Cada vez fortaleci uma grande amizade foi Branco o clássico Reggae do Bom Fim na coletâneamais vejo meninas curtindo um som, querendo aprender a tocar instrumentos e isso é Oliveira. Entre uma cerveja e um trago fui Hits 94. Mais tarde lançou o cd Praia domuito importante para a cena. conhecendo cada vez mais a caminhada Rosa. Por essa época, seu som, repleto de deste ser, cuja história musical começou nos um estilo próprio, já era referência naUm show que nunca será esquecido e por quê? tempos de infância. Nascido na cidade de música alternativa. Atualmente ele estáTeve um som onde aconteceu a morte de um punk. Isso foi brutal e triste. Uma vida foi Tapera – RS - Branco, ainda criança, preparando seu novo cd. Enquanto nascetirada por motivo banal. Infelizmente, isso jamais será esquecido. A banda fez uma música acompanhava seu pai (que era acordeonista) essa verdadeira pérola, sugiro que curtamem homenagem a ele. Se chama “Violência”. pelos bailes do interior tocando pandeiro. o trabalho desse mano no youtube, onde Mais tarde mudou para Porto Alegre, de onde podemos encontrar as músicas Reggae doComo anda o circuito underground? teve de sair aos 18 anos para se afastar das Bom fim, Não me pire, Soltaram a Maria,Hoje o circuito underground está bem amplo. Vejo bandas surgindo, pessoas cada vez perseguições que passava durante a além do novo vídeo (Alto na Cidade Baixa)mais jovens interessadas, novos movimentos... e isso é ótimo. Tem espaço para todos. ditadura. Rodou por aí e foi parar em Juazeiro, com vários nomes da música local. na Bahia, onde sofreu grande influência dosOs próximos passos: ritmos locais. Voltando a Porto Alegre, noO próximo passo será gravar o novo cd. Já estamos trampando em novas músicas. Acredito início dos anos 80, continuou sua trajetóriaque lá por novembro ou dezembro já estará saindo material novo. musical tocando pela noite da cidade e dasValeu, Fabio. Agradecemos a presença no seu zine. redondezas. Nos anos 90 foi mestre de bateria do bloco carnavalesco Unissax, que
  5. 5. Pag 7 REBOCO C A Í D O #12 REBOCO C A Í D O #12 Pag. 8 Maurolauropaulo, o Homem Banda Silva arbosa ebulição mental orgástica Na internet Fabio da BEstava eu vagando pelas ruas de Porto Alegre Por: Por: Murilo Pereira Dias www.observareabsorver.blogspot.com.brquando me deparei com este verdadeiro www.recantomarginal.blogspot.com.brespetáculo. O Homem Banda cantava, tocava a razão da inconsciência persegue até o www.molholivre.blogspot.com.bre dançava pela calçada. Fiquei apreciando por último momento www.alinegauchita.blogspot.com.bralgum tempo. Esse é o ser humano. Enquanto www.partesforadotodo.blogspot.com.br estará na espreita dentre um sono e umuns se dedicam a construção de bombas e www.atunalgun.blogspot.com.br despertarartefatos de destruição em massa, outros www.coletivozine.blogspot.com.brconstroem coisas mais belas. sente o campo muito vasto...como jamais www.msgibson-eg.blogspot.com.br tem a sua maneira e sua pretendia estar www.expressaoliberta.blogspot.com.brComo trabalhar com tantas coisas ao mesmo www.peresteca.blogspot.com.br personalidade. De todos os que conhe ço,tempo? como antes não fazia pela fantasia a www.mondelingegeskiedenis.blogspot.com mantenho contato com poucos... Mas, aNão acredito que seja algo tão complexo diferença... www.miseriahq.blogspot.com.br princípio, acredito que os Homens Banda,assim. Hoje em dia é natural se trabalhar com www.cafofodakatita.blogspot.com.br por si próprios, são solitários ediversidade. Da mesma forma que um traba- hoje sendo sério o quer que seja www.fanzinada.com.br individualistas. Não é mesmo? hahah!lhador necessita de diversas ferramentas e condução www.ugrapress.wordpress.comtambém exerce diversas funções em seu Artistas de rua existem desde a idade www.amarleinformes.blogspot.com.brtrabalho ou da forma que uma dona de casa média, onde se observavam trovadores, mais uma vez um perdão assim como www.horamacabraniteroi.blogspot.com.brleva sua vida... O fundamental é trabalhar com contorcionistas... Podemos até citar forem adequados www.rascunho100rumo.blogspot.com.bra simplicidade. Não domino, nem sou exemplos anteriores. Mesmo sem apoio www.issocerteza.blogspot.com.br“expert”, em nada do que faço, mas pego um de quem é a razão?? de quem a tem como ou incentivo, essas atividades resistem. www.imprensaalternativanoabc.blogspot.com.brpouco de tudo para no final somar e ter força. direito A arte, desde o seu princípio, é um ato de www.fotolog.com/aviso_final doação. Você se entrega e recebe em troca ou a quem espera para ter posse por www.myspace.com/cativeiroComo foi sua trajetória até chegar nesse www.glaucomattoso.sites.uol.com.br as condições de continuar com seu tra- sempre que seja a verdadeponto da multiplicidade? www.ceciliafidelli.blogspot.com.br balho. No Brasil, a arte de rua começa aNa verdade, ser “Homem-Banda” é uma ideia www.myspace.com/dacalbr ser mais bem vista. Em países vizinhos, do sentimento... mesmo que sem razão...antiga, desde quando comecei a tocar bateria www.integradaemarginal.blogspot.com.br como Argentina e Chile, se ganha melhor ou sem entender mais o que se passa...aos 14 anos. Mas foi na Suiça, em 2006, que www.resistenciacarioca.blogspot.com.br e na Europa mais ainda. Posso afirmar que, quando se perde a razão.... ou se essa écomecei a juntar acordeom, chocalho no pé aqui em Porto Alegre, não tenho o que passada para o outro... por um simplesdireito e Kazu (pode se dizer saxofone de bo- reclamar do meu chapéu. fato... um jogo de troca e de fixação... aca). Neste mesmo ano, na Bahia, conheci um“Homem-Banda” Alemão, Bernard Snider, que razão quer fugir e quer ser livre de todos E Maurolauropaulo? nós... ela não mais nos aguenta... poisme inspirou bastante. Ali pude ver Nome artístico e mais democrático. Vocêque era super possível eu ser um “Homem- ninguém poderá tê-la... ela jamais se pode escolher qual deles acha melhor. permitira de estar com alguém... pois essaBanda” também. No dia seguinte coloquei umbumbo nas costas e daí para a frente só fui é a razão da razão existir... Quem é Maurolauropaulo quando não é oacrescentando instrumentos, até chegar no Por: Rafael Freit Homem Banda? as (Cara de Pa u)que se tornou a base de tudo em 2008, com 20 Mauro Bruzza Na ponta de uma faca cegainstrumentos, uma garrafinha de água e um se equilibrava o palhaçolançador de confetes. Voltando aos artistas de rua, o que seria Do auto de um edifício necessário para fortalecer a atividade? ele se fez em pedaçosExistem pessoas que desenvolvem trabalhos Mais artistas de rua! Não pulesemelhantes em outras partes do mundo. disse a menina carregando o filho nos braçosExiste alguma forma de contato? Um recado para os que estão começando: Fique na faca cegaExistem vários e de diversas formas. Cada um Sigam! faça do jeito que eu faço.
  6. 6. Pag 9 REBOCO C A Í D O #12 REBOCO C A Í D O #12 Pag 10 Sno e os Fanzineiros mão do meu tempo livre (que se tornou outras produções: vimeo.com/marciosnoPor: Fabio da Silva Barbosa. “tempo ocupado”), dos meus passeios com minha família, de descansar e colocar Sua produção de zines: Ainda virá maisA história do submundo é feita assim (ou assado). Uma diversidade de pessoas, com esse projeto documentário como um dos algum material xerocado por aí?estilos de vida diversos, produzindo, documentando e viabilizando novos conceitos e grandes projetos da minha vida. Perco Vontade não falta! Já até ameacei lançar umpontos de vistas. O respeito ao indivíduo vai se expandindo até se tornar grupo. Grupo muita coisa nesse zine autobiográfico, mas,plural, sem uniforme (sem forma única). Não existe forma. Cada um é sua própria forma. período de produção, com a correria que o docAprendendo com a vida. A vida a ser vivida. mas o retorno é muito me proporcionou, acabou recompensador. ficando no estacionamen-Do fanzine para o cinema: Como foi essa trilogia. Cada capítulo tratando de to. No final do ano passa-transição? determinados assuntos. Para o próximo ano INGS: Fale sobre do fiz um fanzine em ho-Não diria que foi uma transição. Acho deve sair a derradeira parte do doc e alguns esse outro ótimo menagem ao Redson Pozzique foram fases da minha vida. O último dos assuntos tratados serão o fanzine na sala documentário que e, recentemente, fiz o zinezine que editei foi o “Arreia!”, de 2006. de aula e o futuro da publicação impressa. leva sua assinatura. que acompanha o docu-No ano seguinte, lancei a cartilha Na verdade, é um pro- mentário. Mas tenho von-“Fanzines de Papel”. Nesse período, Quando você assiste a primeira e a segunda jeto também com a tade de retomar a produ-estava fazendo faculdade de Jornalismo. parte: O que passa por sua cabeça? assinatura do meu ção do “Arreia!” (podeEm 2007, estava produzindo o que seria É como se estivesse contando uma parte da companheiro Fi Ro- ser baixado em issuu.coo “INGs” (documentário que também foi minha vida. Estou envolvido nesse meio há cha e do nosso orien- m/marciosno) que foi onosso trabalho de conclusão de curso) 19 anos e tudo ali, mesmo dito por diversas tador, André Muniz. zine com que mais mecom meu amigo Fi Rocha. pessoas diferentes, representa bem o que eu Foi nosso TCC na identifiquei. Mas isso éConfesso que, antes de pensarmos nesse penso e faço. É como se cada um contasse faculdade de Jornalis- ideia para um dia que nãoformato, eu não gostava de produzir em fragmentos de minha vida. mo e extrapolou as sei quando será. Esperoaudiovisual, pois sempre me virei sozinho Isso é uma coisa, a outra é que percebo a fronteiras acadêmicas que seja em breve.em tudo que fiz. Como não dominava importância desse documento para a escrita com exibições emedição de vídeo, tinha certo repúdio ao da produção independente no país. A forma diversos locais. Até Olhando para toda aformato. Porém, no decorrer da produção, como as pessoas reagem também é algo que hoje consegue atingir estrada e vendo o que sepeguei gosto pela coisa e, junto com meu mostra que tudo valeu a pena. as pessoas. produziu: Valeu?parceiro, arquitetamos projetos. Ele, Olha, mais da metade de minha vida foi Esse doc conta a história de dois catadoresinclusive, adquiriu um monte de Fazer um filme de forma independente: Como dedicada aos fanzines de forma direta e de papel que tiveram atitudes inusitadasequipamentos, porém a parceria não mais se dá esse processo? indireta, ou seja: essa coisa tem uma para promover cultura: Severino Manoelse repetiu. Por enquanto. Quando tive a Quando se tem o material necessário em mãos, influência absurda em minha vida e já não de Souza, junto com sua esposa Robertaideia de produzir o “Fanzineiros”, ele não tem mistério: é colocar a mão na massa e me vejo afastado desse meio. Durante todo Conceição, construiu uma biblioteca emprontamente deixou os equipamentos em fazer. Sempre que faço algo que está fora de esse tempo, conheci pessoas maravilhosas um prédio ocupado no centro de Sãominhas mãos, me ensinou o básico e deu minhas obrigações de funcionário e pai de e aprendi muito. Continuo aprendendo. Co- Paulo. José Luiz Zagati, realizando umnisso tudo que está acontecendo. família, faço de corpo e alma, sem ficar mo disse, todo trabalho independente, ape- sonho de infância, montou um cinema na contando com ajuda de fulano ou cicrano. Por sar de prazeroso, te “toma” muita coisa. Mas laje de sua casa. Foi promovido um debate“Fanzineiros do Século Passado”: A isso a frase “Se ninguém faz, façamos!” É muito sempre foi muito gratificante. indireto permeado pela questão: “o quesegunda parte foi mesmo o final ou vem cômodo para as pessoas perceberem que não Sim, várias vezes pensei em me afastar, jogar leva pessoas nessas condições a promo-mais alguma surpresa por aí? há registro de determinado assunto e ficar tudo fora e seguir uma vida normal, principal- ver cultura sem ter um retorno financeiro?”Essa série de documentários, na verdade, eternamente reclamando e esperando que a mente por causa das pessoas que ficam Participaram dessa discussão o então pre-era para ser um material único e ponto coisa venha de cima para suprir todas as suas cobrando isso ou aquilo. Enche o saco. Mas sidente da Funarte, Celso Frateschi, ofinal. Mas surgiu a oportunidade de exibir necessidades. Sempre foi assim e sempre fui é algo mais forte que eu. Não sei explicar o sociólogo Reinaldo Pacheco, o saudosouma prévia no “1º Ugra Zine Fest” e contra isso. Percebendo que havia um buraco que pode ser. É algo que está muito além da geógrafo humanista Aziz Ab’ Saber e o mú-gostei tanto que acabou virando o nessa história, resolvi fazer. Simples assim. minha razão, do meu inconsciente. sico Tom Zé. Esse documentário pode serprimeiro capítulo. Resolvi fechar em uma Tá... não tão simples assim. Tenho que abrir Sim, ainda vale muito a pena. visto em meu canal no Vimeo, assim como

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