Reboco caído nº 4 p visualização

1.775 visualizações

Publicada em

Zine aperiódico

  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Reboco caído nº 4 p visualização

  1. 1. Alexandre
  2. 2. Pag 2 reboco caido N° 4 Na areiaPor: Fabio da Silva BarbosaEstava sentado na areia da praia, olhando o horizonte, tentando contemplar o que aindahá de bom e belo no mundo, quando senti aquela mão levemente apoiada em meu ombro.Olhei para trás e vi aquele rosto jovem debaixo da barba e do cabelo longo e despenteado.Vestido apenas com uma bermuda suja e amarrotada, pediu um cigarro. Expliquei queaquele era o último, mas daria a ele e isso seria bom para mim, já que levaria um tempo paradescolar outro, ficando assim, algum tempo sem me poluir com todos aqueles agentesnocivos a saúde. O rapaz me agradeceu por dividir o vício suicida e caminhou em direçãoaos quiosques. Encarei mais um pouco o horizonte e me virei procurando o sujeito. Localizeia figura entre as mesas pedindo algo. Depois de correr três mesas, voltou em minhadireção. Fingi estar apreciando qualquer coisa e me fiz de surpreso quando estava bempróximo.- Opa... Fala aê.- Fui pedir dinheiro ou comida nos quiosques...- Eu vi. - Confessei ao observar seus olhos molhados.- Sabe a última mesa em que parei? - Uma lágrima escorreu.- Aquela ali. - Apontei com a cabeça.- A mulher, hoje com aquele cara, um dia disse que me amava e nunca me esqueceria...Acontecesse o que acontecesse... Agora, ela olhou como se nunca tivesse me visto antes.- Talvez ela não tenha reconhecido...- Reconheceu. Assim que ela me olhou ficou em dúvida, mas logo em seguida reconheceu.Por um rápido momento achei que fosse me cumprimentar, mas vestiu aquela máscara friae olhou para o outro lado, deixando para o acompanhante o trabalho de dispensar opedinte.Tentei explicar que não deveria se aborrecer com isso. Afinal, ela tinha se mostrado comosempre fora: Uma pessoa com sentimentos menores. Tinha dado sorte em não terminarcom tal pessoa. Mas, ele não me deu oportunidade para tal explanação. Não estavainteressado no meu ponto de vista. Queria apenas dividir o pesado fardo de sua vida.Quando percebeu que ia emitir alguma opinião, se virou e caminhou pela beira dágua.Fiquei olhando ele ir, pensando em quem realmente seria aquele cara. Muitos o viam comomais um morador de rua, mas, debaixo daquele rótulo, devia haver um cara muitointeressante, sensível e inteligente. Quando ele sumiu do meu campo de visão, levantei,bati a areia da bermuda e comecei a procurar alguém que estivesse fumando. Precisavaconseguir um cigarro.
  3. 3. Pag 3 reboco caido N° 4 “A minha arte, o meu trabalho, a minha vida, obrigatoriamente, têm que ser úteis.”Por: Fabio da Silva BarbosaReflexão e arte. Este é o trampo desse guerreiro. Eduardo Marinho divide com seu públicoexperiências vividas e traz importantes questões que costumam ser empurradas paradebaixo do tapete. Cada obra, um novo tijolo na construção de um mundo mais justo eigualitário.Vamos começar por um assunto bem atual: sivo, financiam campanhas de políticos eO conflito no Rio de Janeiro. Solta o verbo. pressionam por leis e isenções que as be-O conflito cotidiano é o mais cruel, porque neficiem, freqüentemente às custas de ma-despreza e exclui gerações e gerações, mi- lefícios gerais. Impedem os investimentoslhões de vidas atiradas à barbárie, des- na educação pública, controlam as comu-truindo a alma, impedindo seu desenvolvi- nicações, mantêm bancadas no Congressomento pleno, debaixo de brutal repressão. e nas assembléias legislativas locais, seA sociedade é mais cruel com os mais fragi- infiltram no judiciário, no executivo. Maslizados, como os covardes. E o massacre é isso não é só no Rio, é no mundo inteiro.cotidiano e é físico, moral e psicológico.Esse conflito que estamos vendo aí, por E as questões indígenas? Como resolver?causa da copa, do pan e da disputa de ter- A invasão européia iniciou a era do geno-ritórios entre facções e milícias – engros- cídio. Os povos originários são massacra-sando o caldo com os interesses imobi- dos, expropriados, expulsos das suas ter-liários nas áreas que vão se valorizando – ras, violentados, derrotados. Sem condi-não é novidade. É mais uma tragédia coti- ções tecnologias para enfrentar as armasdiana imposta às populações de baixa ren- européias, os indígenas foram extermina-da, com a “vantagem” da criação de ter- dos por cinco séculos. Calcula-se que ha-ror, com o aparato de guerra ostentado viam cerca de 15 milhões, só na área donas operações. Em 2008 teve a mesma coi- Brasil. Em 1970, o censo indicou 180 milsa, guerra, mortes, tiros, terror. No fim, co- originários, no Brasil. Com as políticasmemoraram a “retomada”, com desfile e indigenistas, mesmo cosméticas e restritas,banda de música, no Alemão, no clima de o massacre diminuiu a intensidade e a“para sempre”. Que nem agora, com ban- população pôde aumentar um pouco.deira lá em cima. Isso é um filme velho. Acontece que, para o sistema produtivo eAtrás, como sempre, interesses financeiros consumista, essa estrutura social trazidae na exploração, no controle e na conten- pelos europeus que funciona com base nação da população pobre e excluída. maioria pobre, que necessita produzir mi-O conflito principal da atualidade é o das séria, o índio é um mau exemplo. Em prin-mega-empresas contra os povos. É um con- cípio, as populações originárias produ-flito dissimulado pela publicidade, onde zem tudo o que necessitam sem dependerse convence o povo de que as empresas das indústrias, sem ter o consumo como osão ótimas e nos amam e só pensam no centro da vida. O que o índio materialmen-bem estar geral – enquanto desalojam te precisa, ele sabe fazer. Casa, rede, uten-populações, induzem ao consumo compul- sílios domésticos, armas de caça ou pesca,
  4. 4. Pag 4 reboco caido N° 4canoa, remédios, tudo tirado da natureza ral. Retirar os invasores de suas terras eà sua volta, sem destruição, sem produção por em prática os direitos que já foram re-em massa, sem precisar da escravidão de conhecidos, mas que o poder econômicoum emprego mal remunerado, em péssimas de minoria não permite que sejam postoscondições de trabalho, de transporte, em prática.enfim, de vida. Para o índio, a coisa maisimportante da vida é viver. E viver bem. Você sempre comenta sobre o governo atrásIsso é um perigo para os valores tão hábil do governo. Fale um pouco sobre.e meticulosamente plantados no incons- Falo sobre os poderes atrás dos governos.ciente coletivo, que levam as pessoas a Talvez seja melhor dizer acima. Os cartéisaceitarem vidas massacradas como se não bancários, o mercado financeiro, as gran-houvesse outra opção. Narcotizadas pela des indústrias – farmacêutica, de arma-mídia, desarmadas pela falta de um ensino mentos, alimentícia, da construção, da co-que merecesse o nome, as pessoas não municação, etc.-, fizeram do Estado um te-questionam o modelo de sociedade em que atro de marionetes, usando os políticos co-vivemos. Os “maus” exemplos não podem mo os bonequinhos. Eles não aparecem se-ter perdão, precisam ser destruídos, ao gurando os fios, pois controlam os holo-menos moralmente mas, se possível, fotes da mídia, que focalizam a política,fisicamente. não o poder. Como no teatro, parece atéVocê me pergunta como resolver... Como é que as marionetes controlam o espetáculo.que eu vou saber? A resistência taí, as Essa é a maestria deles. Mas sempre aconte-ações, lentamente, vão aparecendo. O Es- cem os vazamentos. E me parece que cadatado continua submetido pelos interesses vez vaza mais. No governo que entra,do latifúndio, agora rebatizado de “agro- anuncia-se uma luta neste sentido. Anonegócio”, com a entrada de diversas mul- passado houve a Conferência Nacional detinacionais no meio, reforçando as remo- Comunicações, em que mandaram os re-ções, os ataques, a difamação. Vi um auti- presentantes da mídia privada e asdor, lá no Espírito Santo, posto pela Ara- conquistas foram poucas. Eu vi o blog de-cruz Celulose – empresa que poluiu o am- les, no fim do ano. Tinha cerca de 30biente, encheu de eucaliptos uma área seguidores, apenas. E o problema afetaenorme do estado e expulsou os originá- quase a totalidade da população, com arios, décadas atrás – dizendo que “A Ara- distorção das informações, a formação in-cruz trouxe empregos, a Funai trouxe os sidiosa dos valores baseados no consumo,índios”. É uma das maneiras de jogar a desde a mais tenra infância, a exploraçãopopulação contra os indígenas. São táti- da sabotagem educacional, o estímulo aocas sórdidas. Mas a internet, hoje, tornou- sexo, à violência, à competição desen-se uma arma de defesa, divulgando as freada, etc, etc. Na minha opinião, umainformações que a mídia esconde, trocan- das principais frentes de luta, hoje, é rom-do informações entre os movimentos de re- per o bloqueio da mídia, democratizar, pul-sistência e defesa contra os ataques, de- verizar. E acabar com esse poder incontes-nunciando os crimes e convocando apoios tável de pressão sobre os poderes que,às lutas. Se formos minimamente justos, ve- afinal, são públicos, lembremos. E fique-remos que o Estado deve reparação a to- mos atentos ao processo que se inicia.dos os povos indígenas. Primeiro, reco-nhecer o genocídio secular, físico e cultu- Boa alimentação é um ato revolucionário?
  5. 5. Pag 5 reboco caido N° 4Pode. E deve. A alimentação industrial do ao aumento do uso de agrotóxicos. É anão tem o menor compromisso com a nutri- guerra das empresas contra os povos. Oção, com a saúde. Ao contrário, a impres- inimigo está infiltrado e enraizado nasão que eu tenho é que há um acordo entre administração do Estado, sabotando oa indústria alimentícia e a farmacêutica. povo, controlando as comunicações.A alimentícia acaba com os nutrientes, en- Escolher bem o que se come, nesteche de químicas nocivas à saúde, conser- contexto, é uma atitude revolucionária evantes, colorantes, aromatizantes e outros de auto preservação.que dá até medo, quando se lê nos rótulos– fora o que não vai escrito. Induz-se o A arte tem de ser útil?consumo desta alimentação, a população A arte é um instrumento de diálogo com oadoece e precisa de medicamentos, dando abstrato do ser. Falando assim, pode pa-lucro, também à indústria farmacêutica. recer estranho, mas falo da sensibilidade,Ou seja, a ind. alimentícia tira o que presta, do emocional, do psicológico, do incons-enche do que não presta, as pessoas a- ciente, dos sentimentos – tudo no lado abs-doecem e precisam se medicar. Alguém já trato do ser. Se o artista vai trabalhar noviu algum médico receitar arroz integral? sentido de libertar ou aprisionar, de denun-Não, ele receita o complexo B. No arroz ciar ou disfarçar, conscientizar ou alienar,integral tem todo o complexo B. ou mesmo fazer trabalhos neutros, decora-Mas o que se come é o arroz branco, que é tivos, sem nenhum engajamento humano,muito mais amido. Na raspagem do arroz, político ou social, aí é uma questão pesso-eles vendem a película (que contém as vita- al de caráter, de temperamento, de mentali-minas e a fibra) para os laboratórios far- dade. Eu poderia dizer até uma questãomacêuticos. Não parece combinado? Eu de solidariedade com a família humana.não me espantaria. É possível se alimentar Mas, com os valores vigentes apontandocom os produtos da terra, sem precisar de para o “cada-um-por-si”, hábil e artistica-quase nada industrial. É muito melhor pra mente plantados no inconsciente coletivo,saúde e um ato revolucionário que afeta o através dos noticiários, das novelas, dospoder da indústria. A Monsanto enfiou os filmes e dos programas de tv, rádio, revis-transgênicos goela abaixo do Brasil, onde tas de futilidades e panfletos anti-povo eera proibido o plantio e a comercialização pró consumo desbragado, o estímulo totalde tais produtos. Os venenos necessários ao egoísmo, não é de espantar a raridadeao plantio de transgênicos são os mais for- dos artistas dedicados à evolução da so-tes que já existiram. Desde 2007, o Brasil ciedade e do ser humano. Além do mais, aé o maior consumidor de venenos agríco- arte que aprisiona, ilude, aliena, futiliza elas do mundo – tá na Caros Amigos de esconde a verdade é muito bem paga, osnovembro, página 9 -; várias pesquisas a- melhores são transformados em celebri-pontam o aumento de aborto e outras dades, como se a fama fosse um objetivodoenças nas povoações próximas aos cam- em si. Já o outro tipo de arte é margina-pos de soja transgênica; pesquisas do lizado, omitido, desprezado e até perse-INCA (Instituto Nacional do Câncer) e da guido. A minha arte, o meu trabalho, a mi-UFCE (Universidade Federal do Ceará) nha vida, obrigatoriamente, têm que sercomprovaram o aumento na incidência de úteis, têm que existir nessa direção. Bom,câncer sobre a população brasileira, devi- a palavra útil aí pode servir pros dois
  6. 6. Pag 6 reboco caido N° 4lados. A arte prostituída é útil aos que pre- Encontros/Desencontrostendem manter esse estado de coisas emque vivemos. É fácil ser artista, difícil é vi- Por: Fabio da Silva Barbosaver de arte e não a prostituir. “É que de ontem para hoje eu já aprendiMesmo vendo tanta merda ao nosso redor, muita coisa”o otimismo está sempre em seu horizonte. GandhiNão vejo o otimismo em meu horizonte. Vejoo horizonte e vou andando na direção de- Passei por um velho amigo e sentamos nole, atento à minha volta. Enquanto, de um meio fio para trocarmos idéias. Lembramoslado, vejo crueldade e egoísmo, do outro de nossa juventude, onde éramos inocentesvejo generosidade e altruísmo. Tenho visto o suficiente para pensarmos ter descobertomuito trabalho de conscientização, de a verdade. Sabíamos o segredo da vida.atendimento, de esclarecimento, de sensi- Hahahaha... Que piada. Foi ao rir quebilização. Claro que são poucos, raros, o percebi: Ele ainda tinha as velhas certezas.Estado não assume suas obrigações. Pode- Comecei a ser bombardeado por uma sériemos mudar isso, mas não sabemos disso, de perguntas e a cada resposta dada eleainda, por isso o ensino é sabotado, o comparava com respostas antigas que eupúblico, e controlado, o privado e o superi- tinha dado em alguma ocasião (eu nem meor público. Para que sejamos fáceis de con- lembrava mais do que ele estava falando).duzir pela mídia, pelo massacre publi- Por vezes, ele soltava um simples “comocitário, em nossos valores, nossos concei- você está mudado”. Tentei explicar que nãotos, nossos objetivos de vida. Aí está um tinha mais aquela vontade de ser “aquilogrande foco de trabalho. É preciso espa- mesmo para sempre” e que corríamos o riscolhar, causar reflexão, alcançar as pessoas de nos encontrar amanhã e eu já ter mudadoreflexivas e angustiadas, mostrar como a de opinião. Aí ele endoidou. Disse que issoestrutura funciona e como somos todos le- era falta de personalidade. Nesse momento,vados a sustentar, com nosso comporta- lembrei-me da frase de Gandhi quando ummento e nossa submissão moral, essa estru- espertinho tentou pegá-lo em contradiçãotura social injusta, covarde e suicida, que e parafraseei sem titubear: É que até amanhãsabota, aprisiona e martiriza a maior parte vou ter aprendido muita coisa.da população. Há muitos trabalhando nacorrosão dessa estrutura. Esse é o nosso “Não é triste mudar de idéias; tristetrabalho, sem ele a vida perde o sentido. é não ter idéias para mudar”Se dará resultado, se será logo ou não, é Aporelly – Barão de Itararéuma questão menor. O destino é a caminha-da, o objetivo é o trabalho no sentido dailuminação, da claridade, do esclareci- CRISEmento, da sensibilização e da conscien-tização. Por: Wagner T. Na mesa a folha pálida Na mão a caneta ávida E no final o papel permanece intocado. Por quê?
  7. 7. Pag 7 reboco caido N° 4 Cleber Araújo apresenta o BarracoPor: Fabio da Silva Barbosa Você já trabalhava com blogs. Como elesPara começar, apresente o Barraco. vão ficar? O Pauta Grande continua?Barraco@dentro é um espaço virtual des- O blog Pauta Grande teve e tem duas fun-tinado, principalmente, aos moradores de ções na minha vida, apesar de não ser a-comunidades, mas, também, está aberto pa- tualizado com frequência. Primeiro: Foira todos os que se interessam por assuntos uma forma de manter-me ligado ao meucomunitários. A finalidade do site é ofere- sonho de exercer o jornalismo cidadão. Jácer aos moradores de comunidades um ou- que o mercado jornalístico está difícil detro olhar sobre a sua realidade - diferente emprego, principalmente para pessoasdas mídias convencionais - usando uma que queiram trabalhar por um mundo me-lente jornalística que não seja precon- lhor, tive de criar meu próprio espaço paraceituosa, nem superficial. expor minhas reflexões e críticas. Segundo: Funcionar como válvula de escape, umaDe onde surgiu essa idéia? fuga do estresse cotidiano através dosA idéia da construção do site já é um pouco meus pensamentos e palavras escritas.antiga. Desde os tempos da faculdade, fi- Quanto a continuar alimentando o blog,cava imaginado um meio de comunicação isso ainda é incerto. Primeiro vou ter quediferenciado dos tradicionais. O fato de organizar meu tempo e me empenhar bra-ser morador da favela da Rocinha também vamente para o obter o sucesso esperadoinfluenciou na decisão de querer criar um com o Barraco@dentro.espaço para comunicação desse gênero -um espaço não só noticioso, mas de refle- Como a galera faz para participar?xão e valorização cultural e social. Mas, Minha intenção é criar uma rede com osa principal inspiração desse projeto só co- blogueiros e com os sites que já atuam nonheci durante a produção do meu trabalho meio comunitário. Não pretendo publicarde conclusão de curso, quando fiz um do- somente o que é produzido pelo barraco,cumentário sobre a TV Tagarela, da Roci- mas disponibilizar espaço para outras pes-nha. Uma galera que faz a diferença. soas e intituições que partilham do mesmoDentro das suas produções, procuram le- ideal. O que estou propondo não é nadavar aos moradores um pouco de reflexão de novo. Isso é uma prática comum entresobre o cotidiano da favela, desenvol- os blogueiros e os sites de esquerda e fun-vendo a conscientização sócio-política. ciona com muito sucesso. Vamos sempre estar receptivos à artigos, matérias, entre-Qual o benefício para as comunidades? vistas, fotos, vídeos e críticas pelo e-mail:Espero que, ao adentrar nas comunidades, contato@barracoadentro.com ouo Barraco esteja ajudando a valorizar uma cleberaraujo@barracoadentro.com.cultura que é excluída, a desenvolver aconscientização social e política e, acima Uma mensagem para fechar bonito:de tudo, enfatizar os verdadeiros valo- Só vamos viver numa pátria mais justa eres das pessoas dessas regiões que não são fraterna quando o povo tiver a consciênciareconhecidos pela classe média alta, nem de que a vida política não se vive apenaspor sua mídia representante. de quatro em quatro anos nas urnas. www.barracoadentro.com
  8. 8. Pag 8 reboco caido N° 4 rbosa Língua rica ou confusa? a Silva Ba d Por: Fabio Certas coisas não entram em minha rude cabeça. Por exemplo: Se o ch tem o mesmosom do x, qual a necessidade do ch? Questiono o ch por terem unido duas letras para fazero som de uma que já existe. Eu sei que muitos irão falar sobre a origem da palavra e toda es-sa história, que embora seja interessante para estudiosos do assunto, não serve muito pa-ra os que usam a língua em sua real finalidade, a comunicação. O fato é que sou um oxige-nador. Sou a favor das mudanças. Mudar sempre. Até o que está morto muda. De um jeitoou de outro muda. Apodrece. Muda a forma, a consistência, o cheiro... É a mudança queresta aos que se mantêm firmes às velhas normas: o apodrecimento e o mofo.Cérebrosengessados não produzem, apenas repetem o que já foi dito, tocado e feito. O falar serve como um meio de comunicação, assim como o escrever. Não é maisque isso. É apenas uma forma de se comunicar. E a língua muda como muda o povo que ausa. Ela tem de atender a necessidade do povo, ao em vez do povo atender as suasnecessidades. Para não acharem, os simplistas, que apenas abolindo o ch se resolverá a questão,vou citar também o caso do s. De forma geral, s faz som de z e ss som de ç. Preciso con-tinuar o raciocínio? Preciso ainda falar que, na prática, essas regras têm exceção? Que, porvezes, o s faz outro som? E de que serve isso? Isso é riqueza da língua? Preciso perguntara utilidade de uma letra que faz som de outra? Preciso chegar ao cúmulo de passar pelo hantes de uma palavra como o nome Hugo? Há países em que isso faz uma grande diferença,mas vamos falar de Brasil. Qual a diferença de Ugo e Hugo, a não ser o h, é claro? E o g comsom de j, ou vice versa? Poderia ficar o dia inteiro desfiando banalidades lingüísticasimpostas, mas acho (ou axo, tanto faz) que já consegui passar a idéia geral. A história ou etimologia da palavra não é camisa de força para prender um povo aum sistema confuso de signos que perde o foco de sua real função. Dizer que ia ser compli-cado mudar tudo seria uma grande besteira. Não seria dificuldade nenhuma uma pessoa,independente da idade, ser informada de que a partir de agora apenas o x fará som de x.Olha que coisa difícil de explicar. A internet trouxe mudanças muito mais complexas ao co-tidiano da escrita e todos absorveram muito mais rápido do que essa linguagem empoladaque nos empurram goela a baixo desde a alfabetização, sem conseguir nunca que nós fi-quemos confortáveis ao usá-la. Somos sempre vítimas dela, que nos assalta com dúvidascriadas por suas regras arbitrárias. Engraçado que nunca vi aula de MSN para ensinar quevc significa você, ou qualquer outra coisa do tipo. A coisa flui naturalmente quando éagradável ao usuário. O desengorduramento lígüístico tem de acontecer. Nunca vai estarbom o suficiente ao ponto de não precisar mudar mais. A perfeição é utópica. Ainda bem que existem as gírias para nos salvar dessa estagnação que tanto agra-da aos senhores do saber. A gíria é o enriquecimento da língua. Isso sim é riqueza. O povocriando e transformando o que é seu. Dia após dia. Palavra por palavra. Mudando conceitossem nenhum tipo de preparação ou aviso, nem por isso deixando de compreender o signifi-cado da palavra assim que é dita. É por isso que o teórico fica tão aborrecido com essasmudanças. Ele fica de fora e não é consultado. Aí só resta desfiar seu conhecimento ultra-passado, com cheiro azedo, tentando provar que tudo que escapa ao controle é blasfêmia.VIVA A LITERATURA MARGINAL! VIVA AS TRANSGRESSÕES LIGÜISTICAS! VIVA OVIVO!
  9. 9. Pag 9 reboco caido N° 4 Entrevistando o OTAPor: Fabio da Silva BarbosaOtacílio Assunção, o fantástico Ota, foi super receptivo ao meu convite para estaentrevista. O resultado não poderia ser melhor. Curtam esse bate papo, aproveitandopara conhecer um pouco mais desta carismática figura.Principal fato desses 40 anos de carreira? Fiquei nas nuvens. Ela não é só um rostinhoAcho que o que me tornou conhecido foi bonito e tem uma força espiritual fora doo Relatório Ota, que comecei a publicar comum. Com a escolha do Igor Cotrim prana segunda série da Mad, mas acho im- fazer o meu papel nas dramatizações a coisaportante a fase das revistas de terror da ficou mais consistente ainda. Mas seVecchi. Durou só uns 4 anos, mas muita engana quem pensa que esse vai ser apenasgente importante no cenário das HQs mais um documentário sobre quadrinhosapareceu ali. Acho que fiquei na Mad como o “Malditos”. É muito mais. Clarotempo demais. Deveria ter pulado fora que os quadrinhos vão estar presentes oquando a Record parou de publicar em tempo todo, mas será um filme para todo2000. Mas acho que a parte mais impor- mundo ver, não só os fanáticos portante está começando. Só que os quadri- quadrinhos. Ouso dizer que esse filme mu-nhos estão ficando num plano menor. dará também o conceito de documentário.Chegada da internet e novas tecnologias: E o segundo volume do Relatório Ota?Acho que fui, se não o primeiro, um dos A série dos Relatórios continua. Será umaprimeiros cartunistas brasileiros a ter coleção enorme. Estou colocando no liqui-um site. Assim que começou a se dificador tudo que fiz na época da Mad epopularizar no Brasil, entrei e não saí adaptando pros dias de hoje. Na verdade,mais. Comecei a me movimentar nesse não é um livro de quadrinhos, mas um gêne-sentido. Hoje, estou produzindo games ro novo, que pode ser classificado comopara crianças. É uma linguagem que me “literatura desenhada”. Mas o ritmo dasfascina. livrarias é mais lento. Está demorando mais a acontecer do que eu queria.Muitas coisas estão acontecendo. Entreelas está seu relacionamento com o cine- O que está acontecendo no mundo das HQs?ma. Depois do “Malditos Cartunistas”, Está havendo uma transição. Os quadri-um filme sobre sua trajetória está a nhos deixam de ser um produto de massa ecaminho. viram cult. Parei um pouco de acompanharUm amigo de longa data, o Franz Valla, porque é difícil separar o joio do trigo. Aofalou que eu merecia virar tema de um mesmo tempo que tem coisas geniais, temdocumentário. Iria ser um curta, mas muita porcaria sendo lançada.quando ele falou do projeto pra TatianaIssa, ela disse que ela mesma, junto com Loucura ou sanidade?o Raphael Alvarez, iria dirigir o filme e Bom, normal eu não sou, né? Não sou exa-que seria um longa. Foi a melhor notícia tamente louco, mas tendo a ser classificadoque recebi em 2010. Não é qualquer um assim porque fujo dos padrões. Mas, é claroque vira tema de filme da Tatiana Issa. que não regulo bem da bola.
  10. 10. Pag 10 reboco caido N° 4Santidade ou pecado? Visões/TormentasNem um nem outro. Não sou santo, mas nãochego a ser pecador. Na verdade, tenho um Por: Alexandre Mendes, Fabio da Silvacódigo de princípios muito forte. Barbosa e Murilo Pereira DiasPúblico ou privado? - Samangoia!!! Pula para lá. Gritava a en-A privacidade é uma coisa que não existe tidade pulando de um pé só. A vida namais nos dias de hoje. Antes era só Deus que selva, era tudo que lhe restava. Sua su-via tudo, agora é o dono do Google. bsistência dependia dos arbustos, com- postos por cereais, plantados pelas doni-Ota no momento da criação: nhas do Leste. A vida não era mais a mes-As idéias vêm o tempo todo. Ando com um ma. Grande amigo Jorge mauro que na an-bloquinho no bolso e anoto tudo. Mas, na gustia dos conflitos sub racionais dashora que preciso produzir para cumprir contra razõs...estava lá no momento emalgum prazo, vêm do mesmo jeito. que trovão não parecia mais agüentar... enquanto na cidade outros conformes tra-Para aquele garoto que está começando a fazer duziam questões nao expressivas...a pres-seus primeiros rabiscos e sonha em conseguir são dentre tantas outras quest~es...umaviver de seus futuros desenhos. hora dessas ....a onda ...pas-sando e asNo meu tempo, havia mais veículos impres- entidades querendo sempre mais.....sos, então, um garoto de 17 anos podia sente´se na pele a angustia...nas palavraschegar na redação de um jornal e no dia descoexas sente-se que as palavras nãoseguinte sua tira estar sendo publicada... querem sair se não se sob um efeito demo-Eu sei que tive muita sorte, mas antes era mostrativo de enenfermidades espiritu-mais fácil.Hoje não tem essa sopa. ais...se essas provem da floresta ...nnreal-Entretanto, há a possibilidade de publicar mente não sbasa-bemos...e oo s erros real-na internet. O problema é se sobressair na mentes...ficxam cada vez mais visíveis....multidão. O conselho que dou é: Se o garoto, Nem dor Nem cor Nem por “Não crer Nãoou garota, quer mesmo seguir a carreira, ter Não ser” Cooncreto puro e gasolinadeve perseguir seus objetivos e se agarrar Gritos na madrugada. Todos ficaram aler-às oportunidades que aparecem. tas na cidade. Oswaldo trabalhava dia e noite, mas não adiantava. Sua casa seria leiloada pelo governo. Suas vestes estavam rotas. Seu carro tinha o motor de Liberdade Kombi trepado. O sapato de bebê enfeitava o retrovisor, pendurado por um(O quarto poema sobre gatos) fio de nylon.. Se perdeu...enfim, como sem Por: Winter Bastos recordação de um tempo inde as pessoas Tinha tudo que precisam de concentração e estamos leite, peixe prestes a acreditar que as coisas poderão afago, afeto estar para nosso favor...e certamente com o tempo as coisa vão ao nosso Mas isso favor...pórém se em conquenta anos vc não o tinha não ainda tiver conseguido atingir o que satisfeito vc precisa ...isso não significa que está
  11. 11. Pag 11 reboco caido N° 4sucumbida a missão de nada estar rprestando......na grande verdade...se toda essabanalidade é uma ciência...quem escreveu isso???a ciência assim com os seres queremser deus e quyerem que esse deus seja sua própria semelhança...uma simples fuga semrazão de suas angustias mais uma vez aqui materializada em linhas sem sentido..........masporra o que queremos chegar numa montagem onde numa sexta feira....uns camaradasdas antigas resovem beber algumas cervejas fumando alguns cigarros e refletindo sobrea merda da vida que que existe um sieema de merda que não ajuda nem mesmos os quequerem ajudar.......................foda-se esta se esgotando o tempo......e todos devempartir........acabou a onda,...acabou a inspiração............,.....e se esse texte render algumacoisa ....que a s pessoas que poosam ler...sqaibam que isso foi um fruto de uma onda...eserve de exemplo para futuros viciados....escritos malditos das madrugadas de sextafeira....... Eu quero é que se foda Vou gozar na cara Comer a bunda E quem não gostou quechame o Papa. Um dia perceberão que a expressão que iniciou e onde tudo voltará é onada. A existência pede uma explicação para isso e sempre pediu. A vergonha é a insistênciaem cultuar tradições maléficas para o comportamento social. Crenças em Deuses e diabos.O certo e o errado, o bem e o mal são postos em cheque. O homem perdendo o sentido davida. O nada fará com que ele reproduza uma cultura adversa. O sentido de evoluçãotradicional já está jogado por terra. Viva para porra nenhuma. Se drogue, beba álcool emtodos os teores . Viva a vida em diversas cores e seja feliz . A vida pode durar apenas maisuma hora...........................então para acabara essa historinha... tabm não temos maiscigarros...nem queremos mais beber cachaça...apesar da porra da entidade estar pedindomuita cana,,,,,,mas uma vez mais....como acimaescrito....eu quero é que sefoda....mas....não,,,,,me desculpe....isso não foi com vcs....espiritos...............medesculpem........vcs estão enendendo.....então eu vou parar vou parar por aqui.....................Façam sexo. Pêssego em caldas. Amém!!!!!!!!!! título Não tem Título Por: Murilo Pereira Dias Seres humanos complicados.... depositam concreto na liberdade semeada grades fechando a visão universal... diminuindo o alheio semelhante. ..se distanciando.... ficando mesquinho.... absorvido em suas razãoes obsoletas favorecido pelo medo do mundo dos outros numa história de um unico personagem uma arma social um ser letal não aprendeu valores não recebeu flores
  12. 12. N° 4 reboco caido Pag 12 não teve amores O RELATÓRIO rumores de dores Por: Fabio da Silva Barbosa horrores - jhzbckcc acaba de chegar. seres que querem governar - Bem vindo jhzbckcc. Como foi a pesquisa entre os habitantes da Terra? dominar - Assustadora. Os seres denominados hu- retirar...extinguir... manos dominam todas as criaturas vivas.é apenas o lado sombrio da vida... Escravizam, roubam, matam e torturam... A- de onde não extrai-se beleza tacam até seus semelhantes se isso lhes mas trai a si próprio ao ceder a trouxer lucro. - Lucro? certeza - Existe um papel chamado dinheiro que precisa do caos...do fim da paz... determina as ações humanas. Para acumu- da destruição... exterminio lar esse papel, destroem todo o planeta.mas ao deitar não sente-se satisfeito - Impressionante. precisa estar desfeito - Isso, porque ainda não falei das guerras. - Guerras? para que bem feito possa desejar - É a ocasião onde armas terríveis entram a mesma dor que há no peito em ação. Matar se torna permitido e nem daquele que não aprendeu mesmo suas crianças são poupadas. amar... arrogante...ultrajante... - São os que eles chamam de filhos? que julga no olhar...ser pensante - Exato. - Talvez devêssemos esclarecer... intolerante - Estão entorpecidos. Não conseguem per- não vai me mandar... ceber ou compreender o que acontece aouse tentar...pretendo por mim essa sua volta. Entre os meios utilizados para guerra começar narcotizá-los está a televisão. sabias armas em argumentos - Li sobre isso. É uma caixa colorida que submete os terráqueos ao pior nível de preciosos informação, deformando a realidade e tiran- comece atirar ... ter acertado não do a potência transformadora humana. E significa matar por que eles se submetem a tal aparelho? atire mais até esgotar - A ganância humana é tanta, que o que não tenho pressa desse lado tem mais dinheiro domina o que tem menos para poder ganhar mais dinheiro deste. estarei vendo sua morte sentado - Isso não faz sentido. um reino afogado... - Quanto mais nos aprofundarmos no rela- restam aqueles de fora da história tório, mais sem sentido tudo fica. Ainda e aqueles que tentam reiniciar.... nem falei sobre as faces da mentira, a omis- os que trazem na memoria são, a divisão do mundo em países... - Conte tudo. antes da vida começar.... - Primeiro temos de nos afastar ao máximo deste planeta. Temo que o comportamento humano seja contagioso. - Para outra constelação! Velocidade da luz!
  13. 13. N° 4 reboco caido Pag 13 Poesia e resistênciaPor: Fabio da Silva Barbosa o caso do Santander, que aproveita a invasão no Complexo do Alemão para pe-Para quem ainda não conhece: Quem és tu? dir aos clientes que doem brinquedos àsSou gaúcha de Pelotas, RS, jornalista por crianças da comunidade, coisa que eleformação e taquígrafa de profissão. Moro mesmo deveria fazer, se quer, de fato, con-no Rio de Janeiro há 15 anos e atualmente, quistar clientes. Da mesma forma, as insti-às vésperas dos 64 anos, já nem sei me defi- tuições ditas culturais exigem tanto do ar-nir. O que fui, já não sou e é possível que tista que ele deixa de criar para se trans-ainda esteja em mutação. Mas alguma coi- formar num burocrata, às voltas com docu-sa não muda; sou pisciana, gosto de leitu- mentos e notas fiscais.ra, música, cinema e praia, não nessa or-dem. Não gosto de hipocrisia e de pipoca Como seria sua vida sem a poesia?no cinema. A literatura preencheu o vazio Não posso imaginar. A poesia me ajudouque ficou após a morte de minha filha, Ali- a suportar, entender e recriar a vida. E re-ce, embora eu já escrevesse antes disso. petindo Luiza Viana, poeta da minhaMeu filho, Gabriel, minha nora Gisela e admiração, eu diria que a poesia é a únicaminha neta, Cora, são os motivos para que saída para o nada.não tenha queixas da vida. Sofri o meu qui-nhão, mas aprendi a reconhecer os bons No seu blog, a legalização das drogas émomentos que me couberam. Tenho muitos sempre um assunto abordado. Qual seria odefeitos, mas eles incomodam mais a mim benefício da legalização para a sociedadedo que aos outros, pelo menos é o que acho. de uma forma geral? Sou contra qualquer invasão na vida pri-.Projetos, livros e trabalhos: vada de qualquer indivíduo, desde que is-Tenho oito livros publicados, entre poesia, so não prejudique a outrem. Não é o casocontos e crônicas e editei muitos livros pela da música alta, contra a qual não há ne-Editora da Palavra, que inventei em 2001. nhuma campanha, ou do lixo na rua - coi-Já fui mais dinâmica na realização de pro- sa para a qual ninguém dá a mínima.jetos. Talvez o panorama da palavra - even- Houve um tempo em que as drogas nãoto de poesia no teatro que durou quatro eram proibidas, e se o foram é porque haviaanos - tenha sido o de maior repercussão. (e ainda há) um interesse não revelado.Junto com ele, criei um jornal com o mesmo Fora isso, a proibição das drogas é umnome, que existe ainda, em 70ª edição. E pretexto sempre usado para perseguir osmantenho o blog mais pobres, haja vista a “abordagem”www.integradaemarginal.blogspot.com da polícia junto a pobres ou ricos, favelasHoje em dia, a burocracia tomou conta da ou condomínios. Além disso, todos estãoarte e me desestimula. Não me agrada tra- cansados de saber que o álcool é a drogatar o filme, o livro, a peça como se fossem mais letal que existe, no entanto, aí estápasta de dentes, ou seja, apenas um produ- sem que ninguém seja incomodado, a nãoto à venda. Na minha opinião, o autor está ser quando dirige, mas aí já morreram al-muito submetido a questões mercadoló- guns. Se algumas pessoas podem usar dro-gicas. E a iniciativa privada, como sempre, gas, então, todas podem usar e cada umanão quer perder nada. Cito, por exemplo, decida por si. As consequências disso
  14. 14. N° 4 reboco caido Pag 14dizem respeito ao próprio usuário. Mas, osubtexto dessa política é: você é incapazde gerir suas escolhas. E tome controleestatal. Hoje, os bancos sabem onde vocêanda, as câmeras sabem o que você faz, eo Grande Irmão é cada vez mais real.A cultura é outro tema muito abordado.Cultura seria o antídoto para a sociedade?Certamente a cultura seria um antídoto,mas já perdemos muito tempo. Deixamosque a cultura de massa nos invadisse. Dis- Preconceito, intolerância e egoísmo. Algumtraídos, achamos que o entulho que a cul- dia o homem irá abandonar esta malditatura norte-americana nos enviava era pro- trindade?gresso. Perdemos o hábito e a coragem de Acredito que não. Faz parte da naturezacriticar, e esse era justamente o objetivo. humana rir do que não reconhece, maltra-A cultura de massa nos quer como consu- tar o mais fraco, troçar do diferente. Àsmidores, e não como agentes da criação. vezes, temos alguns avanços, como porQualquer manifestação artística que surja exemplo: sabemos que a tese do brasileiroem qualquer lugar é imediatamente como sendo um “homem cordial” é falsa.cooptada. O artista deixa de ser o porta- A cordialidade é uma máscara que usamosvoz da sua comunidade, que reflete tam- para não enfrentar alguma coisa que nosbém os seus anseios e preocupações, e se provoca e incomoda. Não sabemos o querende à pasteurização. Afinal, é como po- é, então rimos do que nos causa estranhe-derá sobreviver. O que hoje se chama cul- za. Damos tapinha nas costas. Dizemos “étura é apenas entretenimento e às vezes a- brincadeirinha”. O mito do brasileiro semté lavagem cerebral. Há alguma coisa no- preconceito já caiu. Hoje sabemos que so-va, no entanto, que é exatamente a cultura mos preconceituosos em relação a tudo;que emerge das periferias, que não obede- hostilizamos aqueles que não reconhece-ce às regras da educação formal, e brilha mos como um dos nossos. Odiamos ocomo uma pedra sem lapidar, justamente adversário que não é do nosso time, o gaypor ser verdadeira. Digamos que daí vem que quer apenas viver em paz com seu par-a esperança. ceiro, a mulher que não quer ter filhos, o jovem que quer apenas estudar... Isso tudo sem falar nas pessoas que apresentam ca- racterísticas físicas diferentes da nossa. Achamos que as negros não avançam porque são menos inteligentes, que os ín- dios são preguiçosos e os velhos são inú- teis. Isso sem falar nas mulheres, todas umas piranhas na hora da briga. E que merecem apanhar. Nada disso é novidade. Foram muitos anos para reconhecer que somos preconceituosos, precisaríamos de
  15. 15. N° 4 reboco caido Pag 15tempo igual para entendermos o motivo. Crème de la crèmeDefesa, medo, inveja? Mais mil serãonecessários para nos reconstruir e olhar Por: Fabio da Silva Barbosao outro não como um igual, mas como Estava tudo em um ritmo lento, quasesemelhante, e que portanto merece pastoso. Tentava tirar o cigarro do maço, masconsideração igual a que julgamos acabei por desistir. Já havia passado horasmerecer. Fora isso, há o preconceito de naquela batalha. Melhor! Assim ficava maisclasse. E atenção: às vezes nos tempo sem fumar. Fiquei estático por algumconsideramos libertários porque tempo. Não sei quanto. Completamentecombatemos um tipo de preconcei-to, mas catatônico. Ouvi um barulho na sala. Penseisem que percebamos, carregamos uma em ver quem era, mas desisti. Não devia sersérie de outros. nada importante. Percebi a televisão ligada.Um desejo: Estava passando alguma bobagem semEstar viva quando as drogas forem importância (Bobagens importantes nãolegalizadas. fazem parte da programação. Algo que não seja bobagem então... Aí é pedir demais paraUm sonho: a mídia convencional. Será?). Procurei oComprar todos os prédios de que as controle remoto para mudar de canal. Nãoigrejas evangélicas se apossaram e encontrei. Peguei alguma coisa que jazia aotransformá-los outra vez em cinemas. meu lado e taquei na tela. Não usei força o suficiente. Pensei que veria tudo explodindoUma idéia: e sairia pela rua podendo me orgulhar de nãoA educação pela arte. ter mais aquele aparelho boçal em casa. Olhei para o cinzeiro e reparei que tinha um cigarroDespedida : queimando sozinho. Pensei em pegar. TenteiAgradecendo a gentileza do entre- mexer o braço, mas o esforço era grande devistador pelo convite. Por algum motivo mais para mim. Fiquei apenas observando aconsiderou que a minha voz merece ser fumaça azul subindo no ar.ouvida. Espero que tenha razão. Quealguma palavra do que escrevi germine Juvenalna cabeça e no sentimento de um leitor. Por: Fabio da Silva BarbosaUm que seja. E que desperte a necessi-dade de que seja íntegro, verdadeiro, Perdeu o ônibus. Olhou para o relógio e viuseguidor do seu instinto, sem dar valor que estava no atraso. A marmita caiu, vomi-ao que dizem, mas ao que ele mesmo se tando todo o feijão passado.diz, profundamente. Eis o sonho. - Puta que o pariu! - Assim não podia ser. Meia hora depois, veio outro lotação. Espre- meu-se entre os demais. - Dá licença!? Engarrafamento, falta de ar.... Uma hora de viagem. Pensou em quanto tinha na carteira. “Melhor voltar a pé”. O caminho nem era tão longo. - Com licença!?
  16. 16. N° 4 reboco caido Pag 16Desceu no ponto. Por pouco não perdia a vá para o funk que está rolando lá em Sãodescida. Dois minutos de caminhada entre Gonçalo. Aí sim. Aí o cara sai de lá e jápedestres furiosos. emenda no forró. – Faz que está dançando.- Novamente atrasado, Juvenal!? – Mas isso é programa para garoto. Não- É que... tenho mais idade para isso. Né não?- Eu sei, eu sei... Vai botar a culpa no ônibus Ari dá um sorriso bêbado.de novo. Sai mais cedo de casa, ué! Dir171pastorassis: Se eu tivesse 17 anos- Mas... não tava aqui a essa hora não. É ruim de- Vai! Assume logo seu posto que hoje não estar heim. Né não?tô para conversa fiada! Vai ser descontado! Ari alarga o sorriso.- Mas... Dir171pastorassis: Agora sou um cara- Anda, Juvenal! Não se aproveita de minha tranqüilo. Amanhã tenho de acordar cedocompreensão! para trabalhar. Se não ó... – Volta a fazer sua Segunda no bar dança solitária, como se estivesse com a mais bela das damas. – Tenho nojo dePor Fabio da Silva Barbosa segunda feira. – Fala segurando o copo e fazendo cara de sério. Esvazia de uma vezAri já vinha por conta. Dois passinhos para só e enche de novo.a direita, dois passinhos para a esquerda. Ari: Eu gosto de beber segunda. –Passou por Dir171pastorassis na porta do Consegue, enfim, dizer.bar. Dir171pastorassis: Que isso, rapaz. –Dir171pastorassis: Fala, Ari. Vamos tomar Revolta-se – Eu heim. Segunda não é bomuma gelada? para nada. Eu não gosto de segunda.Ari: Tô duro! Iiiiiiiiiiiiiiiii... – Olha o relógio. – Já está naDir171pastorassis: Tá duro nada, rapá. Tá hora. Vou embora que amanhã tenho deaí, se mexendo. Como é que tá duro? Pede acordar cedo para trabalhar. – Vira o copo.uma lá. Pode pedir. – Aparece amanhã. Aí a gente troca umaAri: Vai pagar? Euuuuu... idéia melhor.Dir171pastorassis: Pega logo isso, rapaz. Ari tenta falar alguma coisa, masTô falando para pegar é porque vou pagar... Dir171pastorassis já ia alguns passos rá-Ué. pidos dali. Ficou sentado por algum tempoAri: Me vê uma cerveja aí, meu camarada. – tentando terminar o copo de cerveja. VirouPede, entrando no bar com os braços a garrafa, mas Dir171pastorassis secou alevantados. coitada tão rápido que ele nem percebeu.Cerveja aberta. Copos cheios. Os dois se Levantou com alguma dificuldade. Na me-mantém em pé. Um de cada lado da mesa. tade do primeiro passo sentiu a mão emDir171pastorassis: Dia horrível é segunda. seus ombros.Detesto. É o pior dia da semana. Se fosse Dono do Bar: Falta essa cervejaterça, à essa hora, isso aqui já tinha gente.Domingo é outro diazinho miserável. Nãotem ninguém na rua. A semana começa naterça. Aí sim.Ari se balança de um lado para o outrotentando dizer alguma coisa.Dir171pastorassis: A não ser que o cara
  17. 17. N° 4 reboco caido Pag 17 Roteiro para revista em quadrinhosMesmo não conseguindo dar conta do excesso de atividades em que busco me envolver,sempre que me deparo com alguma novidade, não resisto e acabo acrescentando algo naminha lista. Há um tempo, andei pesquisando roteiros de quadrinhos e decidi brincar defazer um. As coisas foram se acumulando e deixei a idéia em uma pasta do meu PC. Certodia, estava selecionando algo para postar no blog (www.rebococaido.blogspot.com) e medeparei com o início deste roteiro. Pois bem, taquei lá. Hoje (27/03/2011), estava organizandoos escritos que iriam compor a versão impressa do blog (este zine) e novamente medeparei com esse roteiro e achei bem apropriado utilizá-lo, mesmo inacabado. Enquantonão arranjo uma brechinha entre os carrascos ponteiros do relógio para terminar, aí vai um.aperitivo. (FSB) LODOPor: Fabio da Silva Barbosa grande balde de lixo em que vivemos.Página 1 Página 2Quadro único: Primeiro quadrinho:Externa geral (panorâmica) de uma rua Lodo de perfil. Plano médio. Parede pichadadecadente em um dia chuvoso. Prédios ao fundo (partes de palavras ilegíveis).altos e decrépitos e calçadas repletas de Narração:travestis e prostitutas. Muito lixo espa- A poluição atingiu níveis altíssimos. Temoslhado. Mendigo sentado no canto com um mínimo de claridade 4 horas por dia nopernas encolhidas e fumando cigarro. Al- verão e o Sol há muito não aparece. A chuvaguns poucos transeuntes (típicos vaga- é constante e tem um gosto horrível.bundos). Entre eles passa o narrador de Segundo quadrinho:mãos nos bolsos e ar melancólico (nessa Lodo passa por um cara esfaqueado naprimeira aparição ele estará caminhando de calçada. Lodo sendo visto de frente. An-costas). Usando botas militares, bermuda dando com ar indiferente, nem olha para ojeans rasgada (que um dia já teria sido cal- presunto.ça), camisa preta sem nada escrito (mais do Narração:que desgastada), óculos escuros, apesar Desemprego em massa, epidemias, saquesda escuridão, e cabelos desgrenhados, va- a lojas e supermercados... Loucura ega como uma alma penada. Esse é nosso desespero por onde quer que olhe.herói e narrador caminhando por seumundo. Seu nome? Lodo. Na rua existe ape- Terceiro quadrinho:nas um carro (velho/acabado) parado, com Lodo entra em um beco.uma prostituta (ou travesti?) dependurada Narração:na janela, conversando com o motorista. As únicas grandes indústrias que nãoNarração: param de enriquecer são as tabagistas, asAinda lembro do mundo antes da Grande farmacêuticas e a do álcool. O resto viveQuebra. Foi assim que os humanos chama- fechando as portas, agravando a crise.ram o fenômeno criado por eles mesmos. Ofenômeno que transformou o mundo nesse Quarto quadrinho:
  18. 18. .N° 4 reboco caido Pag 18Lodo para diante de uma porta Lodo tira uma lada de sardinha da cinturaNarração: por de baixo da camisa.Mas existe o outro lado do muro. Lodo: - Sardinha em lata. E tá na validade.Quinto quadrinho: Décimo segundo quadrinho:Olha para os lados, se certificando que Olhos tomam expressão de contrariedade.ninguém o está seguindo. Diálogo:Narração: Clementina: - Sardinha em lata?Onde uma minoria privilegiada vive gordae corada, apesar de submetida ao mesmo Décimo terceiro quadrinho:caos climático. Usam máscaras com filtros Lodo começa a se exaltar. A janelinha retan-purificadores de ar. gular se fecha. Plano aberto/geral para pegar o personagem e mostrar a janelinha fechan-Sexto quadrinho: do. Onomatopéia (zipt)Bate na porta (onomatopéia (toc toc)). Diálogo:Narração: Lodo: - Qual é Clementina? Deixa eu entrarO dinheiro ergueu esse muro. logo.Sétimo quadrinho: Décimo quarto quadrinho:Super close nos óculos escuros: Lodo diante da porta. Onomatopéias de-Narração: monstram que a porta está sendo aberta.E o Lodo vai derrubá-lo Décimo quinto quadrinho:Oitavo quadrinho: A porta mal se abre e Lodo já entra pelaJanelinha retangular se abre na porta, fresta.deixando aparecer dois olhos femininosbelíssimos (o segundo olho ainda não está Décimo sexto quadrinho:completamente exposto) (onomatopéia O quadrinho ainda não revela o ambiente(zipt)). Close na janelinha com parte dos interior, mostrando apenas Lodo e Clemen-olhos. tina em local escuro. Plano geral. Lodo jogaNono quadrinho: a lata de sardinha para Clementina que jáClose em Lodo está de mão aberta para pegar. O rostoDiálogo: extremamente feminino de ClementinaLodo: - Abre essa porra, Clementina! contrasta com o corpo absurdamente musculoso e as roupas sado masoquistas.Décimo quadrinho: A sunga de couro tem um daqueles pênisOs olhos pela janelinha já completamente de borracha acoplado.expostos. Olhos mais femininos e atraentes Diálogo:já vistos. De novo close na janelinha. Lodo: - Você sabe o quanto é difícil conse-Diálogo: guir uma dessas latas de sardinha?Clementina: - O que você tem para pagar aentrada? Décimo sétimo quadrinho: Panorâmica interna. Quadro único (páginaDécimo primeiro quadrinho: inteira). Lodo atravessa um grande salão.
  19. 19. N° 4 reboco caido Pag 19Um homem pendurado do teto recebe BUKOVSKIchicotadas de uma garota franzinaencapuzada. A garota se encontra apenas Por: Fabio da Silva Barbosade calcinha e espartilho. Poltronas e sofás Adquiri o livro Hollywood, do Bukovski,se espalham pelo ambiente acomodando mas logo que vi, na capa, que se tratava dacasais conversando intimamente. Em um obra prima do cara, fiquei em dúvida se nãodos sofás uma garota faz sexo oral com um era melhor escolher outro. Geralmente esseshomem. Em uma poltrona tem um homem avisos não são um bom presságio. Agoracom uma garota no colo (não estão fazendo que li, posso garantir que estava certo. Essesexo, apenas conversando). Tem um rapaz trampo passa longe de ser a melhor coisasentado em uma cadeira com as calças escrita pelo Velho Safado, mas têm boasarriadas e uma moça sentando em seu pênis, passagens. A seguir, transcrevo uma dasde frente para ele e de costas para o leitor. minhas preferidas:Uma moça se encontra encostada com umdos pés na parede, bebendo alguma coisa. “- Que tem em mente?O salão está repleto de situações peculiares - É sobre um bêbado. Fica dia e noiteque não chamam a atenção de Lodo. Ele já sentado num banco de bar.está acostumado a freqüentar o lugar. Não - Acha que alguém vai se interessar porencontra nenhuma novidade. um cara desses?Narração: - Escuta, Jon, se eu fosse me preocupar comO antro de dona Mimi é o ponto de encontro o que as pessoas se interessam, jamaisde figuras bem interessantes. escreveria coisa alguma.”Décimo oitavo quadrinho:Lodo entra por uma porta no final do salão,ao lado da cadeira do casal que faz sexosentado.Narração:E hoje venho com uma proposta especialpara eles.Décimo nono quadrinho:Lodo escuta um som atrás de sua nuca.Onomatopéia (click) DARCY RIBEIRO E O POVO BRASILEIROPor: Fabio da Silva BarbosaO Povo Brasileiro é de 2000 e traz os 10 programas que visam elucidar a questão central:Quem é o povo brasileiro? O filme, baseado no livro homônimo de Darcy Ribeiro, nãopoderia decepcionar. Uma obra que deveria ser passada nas escolas, para que víssemosnovas gerações brotarem. Novas concepções e novas dimensões. Impossível assistir econtinuar o mesmo. Modifica o ser. A força do conhecimento é impressionante. Oconhecimento é uma das maiores (se não for a maior) forças transformadoras que existem.Explica e descreve situações ainda nebulosas para muitos. Uma verdadeira chave de abrircabeças. Um filme para expandir horizontes. Vale a pena fazer essa viagem.
  20. 20. N° 4 reboco caido Pag 20 O Aviso FinalPor: Fabio da Silva BarbosaChegando aos 21 anos, o Aviso Final ainda ecoa pelos quatro cantos do planeta redondo.Renato Donisete trocou uma idéia a respeito e dividiu um pouco de seu tempo conosco.Como nasceu o Aviso Final? A característica fundamental, que nuncaNasceu de uma conversa que tive com o pode ser perdida:Laércio Gonçalves no início de 1990, no VERDADE no que você faz!!!!ensaio da banda Insulto Oculto, na qualele era guitarrista. Até então eu era cola- O que é o sucesso? Circular suas idéias eborador do fanzine paulis- através delas criartano Mundo Underground. amizades.Falei do meu desejo de es-crever sobre as bandas do E o fracasso?ABC paulista e ele deu o Impossibilidade de de-maior apoio para fazer meu senvolver seus projetos,próprio zine. Isto está indo seja de que natureza for.para 21 anos, o zine aindaexiste e nossa amizade só Consciência ou incons-aumentou. Legal, né? ciência? Consciência e respon-Do começo até hoje: O que sabilidade sempre!!!!mudou e o que ficou?Por incrível que pareça, Improviso ou roteiro?ainda tenho o mesmo Roteiro, mas de vez ementusiasmo do início. Fico quando é necessárioansioso na copiadora... Muita coisa improvisar. Quantasmudou, eu amadureci, acredito que o texto vezes tive que adequar meus projetos de-e a parte gráfica melhoraram. Sem contar vido a grana curta ou outros imprevistos.que o cenário musical é outro. Olha que já lancei dezenas de edições, duas coletâneas em cd, etc. Nesta hora oComo você vê o resurgimento e a valo- improviso é fundamental para não deixarrização dos zines? a peteca cair.Fico muito feliz com toda esta movi-mentação. Muita coisa acontecendo (En- AVISO FINAL ZINEcontro de zineiros, Anuário de fanzines,documentário, etc). Isto é positivo na me- CAIXA POSTAL 1035dida que todo mundo pode colocar suas BAIRRO BARCELONAidéias em prática, divulgar seus textos etrabalhos artísticos. Enfim, ser autor de SÃO CAETANO DO SUL - SPuma obra. Fazer fanzine é isto! final CEP 09560-970. om/aviso_ ww w.fotolog.c
  21. 21. N° 4 reboco caido Pag 21 “Todo mundo sabe, mas ninguém quer comentar” ou “Dois assuntos que resultam em um”.Por Evandro das Santos Pinheiro e Fabio educação... foram jogados a própria sorteda Silva Barbosa (que não era nada boa em uma sociedade extremamente racista). Sua cultura foi nega- Desde a chegada dos europeus ao da, sendo impedidos os cultos de religiõesBrasil, os povos originários vêm sendo de matrizes africanas como o candomblé. Amassacrados e saqueados pelos invasores. capoeira foi proibida e a lei da vadiagemMesmo depois de tanto tempo, o capi- entrou em vigor. Hoje a capoeira corre livretalismo ainda insiste em destruir o pouco e aparentemente a opressão acabou.que esse povo conseguiu conservar. Cons- Aparentemente!tantemente ameaçados de perder suas ter- O racismo dissimulado no Brasilras, sofrendo, inclusive, ameaças de morte mostra constantemente suas garras. Isso é(isso quando a morte não ocorre de fato), de tal forma imposto que negros acham queas comunidades indígenas vivem entre a são brancos, sendo 50% da população ne-insegurança e a opressão. A invasão de gra e apenas 6% se assume como tal. Issoontem e de hoje insiste em ir mais longe. A se deve ao nosso ensino eurocêntrico ecultura destes povos é completamente pouco ser falado sobre o continente africa-destruída pela cultura dominante (o culto no. Quando se fala deste continente é deao lixo modista e a mentalidade individualis- forma preconceituosa, como se o conti-ta). Quando os portugueses se apossaram nente fosse um único pais e só é retratadodessas terras, trouxeram elementos devas- de forma estereotipada como o continentetadores para as crenças e costumes locais. da fome, das guerras e da AIDS.Os jesuítas fizeram parte das engrenagens Voltando aos índios, que eram donosdessa máquina mortífera impondo sua originais do país, como apresentado noverdade aos nativos. Verdade colocada início do artigo, esses foram ficando cadacomo a única possível. vez mais encurralados em pequenas áreas E os negros seqüestrados na África, insuficientes para a sobrevivência das al-trazidos como escravos até aqui? Foram deias, sendo chacinados e oprimidos pelosobrigados a adorar deuses brancos e tive- grandes proprietários de terra. Atualmente,ram seus direitos totalmente usurpados. são perseguidos como bandidos, quando,Reis viraram escravos do dia para a noite e na verdade, estão lutando por seus direitos.crianças ficaram órfãs de pai e mãe. O Brasil Como condenar os métodos dessa luta serecebia 37% de escravos de todo conti- não existe a possibilidade de um diálogonente e em três séculos e meio de escra- honesto? Não deveríamos propor formasvatura, nosso país recebeu aproximada- realmente eficazes para conquistarem seusmente cinco milhões de negros, sem contar direitos, ao invés de engordarmos os nú-que 55% morriam nos porões dos navios meros carcerários?durante o trajeto. Após a bravura de gran- Na época da chegada dos europeus,des guerreiros e a pressão de outros países, nossa população indígena passava de 10o Brasil foi o ultimo a abolir a escravidão. milhões e hoje está em torno de 400 milOs negros estavam libertos, mas e daí? Sem índios. O relatório do CIMI (Conselho Indi-assistência do estado, emprego, acesso a genista Missionário) mostra que a situação
  22. 22. N° 4 reboco caido Pag 22está insustentável, principalmente no Ma- Sarau no Comitê Cultural Popularto Grosso do Sul. Dos 60 assassinatos de Revolucionário Poeta Deley deindígenas no país, 42 ocorreram no neste AcariEstado, cujas vítimas pertencem ao povoGuarani Kaiowá. O que nos chama também Por: Fabio da Silva Barbosaa atenção é que dos 34 suicídios regis- Foi com muita satisfação que pudetrados, todos ocorreram nessa população, conhecer o Comitê Cultural Popularsendo que 25 vítimas possuíam idade Revolucionário Poeta Deley de Acari duranteentre 13 e 25 anos. Ainda segundo o o Cachasarau Torresmo a Milanesa, narelatório do CIMI, no estado do Mato comunidade de Acari (RJ). O eventoGrosso do Sul, foram localizados 409 tra- aconteceu dia 23/02/2011, reunindo poetasbalhadores nas usinas de cana de açúcar e músicos em um evento sem igual. Oem condições degradantes ou análogas ao Coletivo Lutarmada (coletivo de hip hoptrabalho escravo. Desses 409, 150 eram in- carioca) e a APAFUNK (Associação dosdígenas dos povos Terenas, Kaiowá e Profissionais e Amigos do Funk) marcaramGuarani. presença e prestaram seu apoio ao evento. Então é isso! O poeta e ativista Deley de Acari tambémNegros e índios continuam sofrendo as compareceu e a galera que está produzindomazelas de um povo que vem sendo opri- um documentário sobre o cara capturoumido há muito tempo. Isto está certo? Isto algumas cenas do evento.é justo? Vamos por a mão na consciência. Cada pessoa que recitasse umaA grande maioria não pode continuar poesia tinha direito a uma dose de cachaçaapoiando os privilégios de uma minoria mineira. Entre os poemas recitados, houve aconservadora que não quer perder a ma- apresentação musical de nomes comomata. Temos de gritar por mudanças en- Wesley DelirioBlack, que levantou a galeraquanto é tempo. Descruzem os braços. A com um rap consciente e contagiante. Real-hora é agora. Não adianta tapar o Sol com mente é um projeto que merece ser conhecidoa peneira. Não há mais porque esperar. por todos que desejam aprender um poucoTalvez, “daqui a pouco” seja tarde de mais. mais sobre a cultura da periferia. Eventos como esse, expõe a verdadeira cultura popu- lar e confirma que a verdadeira política, aque- Na internet la que pode promover mudanças realmente significativas, ocorrem longe dos gabinetes- www.rebococaido.blogspot.com e dos ares condi-cionados. A verdadeira revo- lução está longe dos intelectualóides e dos- www.twitter.com/RebocoCaido que se limitam a academia. Está em espaços-www.youtube.com/user/ como o Comitê Cultural Popular Revolucioná-fabiodasilvabarbosa rio Poeta Deley de Acari. E não precisa de- www.umanodeberro.blogspot.com ninguém guiando. A rapaziada sabe muito-www.impressodascomunidades.blo bem como agir.gspot.com Toda força a essa galera e espero vol-- www.comunidadeeditoria.blogspot.com/ tar sempre nesse maravilhoso espaço, que,- www.slideshare.net/ARITANA além de oferecer eventos culturais, ainda- www.slideshare.net/ComunidadEditoria oferece cursos e atividades à comunidade. Comitê Cultural Popular Revolucionário Poeta Deley de Acari-Rua Pereira Silva,44,Acari/RJ

×