A linguística aplicada na era da globalização

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A linguística aplicada na era da globalização

  1. 1. A linguística aplicada na era da globalização<br />B. Kumaravadivelu<br />
  2. 2. Exame crítico acerca da Linguística Aplicada (LA) na era da globalização, seguindo duas perspectivas: pós-colonialismo e pós-modernismo.<br />Globalização, pós-colonialismo e pós-modernismo representam três importantes discursos que dominam a produção de conhecimento nas humanidades e nas ciências sociais.<br />
  3. 3. “torna-se muito claro que é necessário nada menos que a transformação disciplinar, envolvendo uma reestruturação fundamental dos aspectos principais da LA”. (p. 130)<br />
  4. 4. O conceito de Globalização<br /> “uma série multidimensional de processos sociais que criam, multiplicam, alargam e intensificam interdependências e trocas sociais no nível mundial, ao passo que, ao mesmo tempo, desenvolve nas pessoas uma consciência crescente das conexões profundas entre o local e o distante”. (STEGER, apud KUMARAVADIVELU, p. 130)<br />
  5. 5. A fase atual da Globalização<br /> É diferente de seus períodos anteriores em intensidade, mas não em intenção. A vida econômica e cultural estão mais intensa e imediatamente interligadas. A globalização está mudando a paisagem do mundo de três modos distintos:<br /> A distância espacial está diminuindo.<br /> A distância temporal está diminuindo.<br /> As fronteiras estão desaparecendo.<br />
  6. 6. “Em um desenvolvimento sem precedentes na história humana, a internet tornou-se uma fonte singular que imediatamente conecta milhões de indivíduos com outros [...]. E a língua da globalização – claro, o inglês – está no centro da LA contemporânea”. (p.131).<br /> A LA tem uma função especial porque lida com uma língua tanto global quanto como colonial. “Uma língua alcança um status verdadeiramente global quando desenvolve um papel especial reconhecido em todos os países”. Claramente, o inglês alcançou tal papel. (p.135)<br />
  7. 7. Globalização Cultural<br /> O impacto da globalização na vida sociocultural da população é extraordinário. Dos estudos culturais e da sociologia emergem três escolas de pensamento:<br />
  8. 8. 1° Homogeneização CulturalBarber e Ritzer<br /> Homogeneização cultural cujo centro dominante é a cultura norte-americana de consumo.<br /> Globalização = ocidentalização = norte-americanização = Mcdonaldização.<br />As ideias do individualismo e do consumismo norte-americanos circulam livremente.<br /> O meio das comunicações globais é o inglês.<br />
  9. 9. “o futuro em tons pastéis reluzentes, um retrato de forças econômicas, tecnológicas e ecológicas rápidas que demandam integração e uniformidade e que hipnotizam as pessoas em toda parte com música rápida, computadores rápidos e comida rápida – MTV, McIntosh, e McDonald”. (BARBER, apud KUMARAVADIVELU, p. 132) <br />
  10. 10. 2° Heterogeneização CulturalGiddens e Tomlinson<br />Heterogeneização cultural na qual a cultura local e as identidades religiosas estão se fortalecendo .<br /> Reverso da colonização.<br />A globalização está cada vez mais descentrada. <br /> “A globalização contribui somente para a contração do espaço, tempo e fronteiras, não para a expansão da harmonia comum ou valores compartilhados entre as pessoas do mundo”. (p.133)<br />
  11. 11. Homogeneização e heterogeneização cultural ocorrem ao mesmo tempo, mergulhando o mundo em uma tensão criativa e caótica que resulta na glocalização, onde o global está localizado e o local está globalizado.<br /> A transmissão cultural é um processo de dois modos, no qual as culturas em contato modelam e remodelam umas às outras direta ou indiretamente.<br />3° Glocalização CulturalAppadurai e Robertson<br />
  12. 12. RobbieRobertson tem esperança de que essa busca por identidades globais e locais evidenciará “signos dinâmicos de vida no grande concerto desse planeta globalizado”. Solicitando a criação de estratégias efetivas que dêem conta do desafio da globalização cultural, ele estimula os educadores a buscarem todas as alternativas possíveis para preparar nossas disciplinas acadêmicas, assim como nossos alunos, a enfrentarem o mundo globalizado. (p.134-135)<br />
  13. 13. Três vias de reestruturação e transformação disciplinar da LA:<br />Transformação de derivantes para autônoma<br />Transformação do moderno para o pós-moderno<br />Transformação de colonial para pós-colonial<br />
  14. 14. Transformação de Derivantes para Autônoma<br />A bibliografia linguística reflete uma disciplina que continua a ser derivante e não autônoma.<br /> Ainda que tenha expandido o foco, limitado primeiramente na aplicação de linguística ao ensino de inglês, para incluir aprendizagem, ensino, testagem e planejamento do inglês, assim como de outras línguas, permanece limitado e limitador em seu propósito.<br />Continuam a ignorar que a investigação em LA deve ser intercultural, interlinguística e interdisciplinar.<br />
  15. 15. Transformação do Moderno para o Pós-Moderno<br /> “Para se moverem do moderno para o pós-moderno os linguistas aplicados têm de se mover para além do tratamento da linguagem como sistema e começar a tratá-la como discurso*” (p.140).<br /> *Discurso na concepção de Foucault.<br />
  16. 16. LA associada ao Modernismo:<br />Trata a linguagem como sistema. <br /> Investiga o uso da linguagem de modo descontextualizado e descorporificado.<br /> Evita a questão da ideologia política.<br /> Não focaliza, quando liga a linguagem à sociedade, as questões relativas à desigualdade social e a poder.<br /> Se esforça para preservar a macroestruturas da dominação linguística e cultural.<br />
  17. 17. LA associada ao Pós- Modernismo:<br />Busca formas alternativas de expressão e interpretação. <br />Celebra a diferença e desafia as hegemonias.<br /> Faz indagações nos limites da ideologia, do poder, do conhecimento, da classe, da raça e do gênero.<br /> Não focaliza, quando liga a linguagem à sociedade, as questões relativas à desigualdade social e a poder.<br /> Procura desconstruir os discursos dominantes.<br />
  18. 18. Foucault e Bourdieu<br /> Princípio pós-estruturalista.<br /> Análise crítica do discurso.<br /> Relação entre o discurso e as estruturas macrossociais.<br />“Nenhum texto é inocente e todo o texto reflete um fragmento do mundo em que vivemos. Em outras palavras, os textos são políticos porque todas as formações discursivas são políticas” (p.140).<br />
  19. 19. Transformação de Colonial para Pós-Colonial<br /> Quatro dimensões coloniais do inglês que se acentuam por causa de sua ameaça às identidades linguísticas: <br /> Acadêmica<br /> Linguística<br /> Cultural <br /> Econômica<br />
  20. 20. Conclusão<br /> Nenhuma disciplina nas ciências sociais e nas humanidades deixa de ser afetada pelos processos e discursos da globalização. A LA não pode ser isolada e separada de tais processos e discursos[...].<br />

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