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A FAMÍLIA NA TUALIDADE –
DESAFIOS
Encontros e Desencontros
ii
A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
SUMÁRIO
1. A Família e sua Missão .....................................................................................................1
1.1 Amparo e Suporte.................................................................................................1
1.2 Aperfeiçoamento Mútuo.......................................................................................3
1.3 Reajuste e Rearmonização Espiritual ...................................................................5
1.4 Polo de Indução ....................................................................................................7
2. A Família na Atualidade – Desafios na Transição Planetária ......................................8
2.1 Desafios Espirituais/Morais..................................................................................8
2.1.1 A Transição Planetária Familiar...........................................................................9
2.1.2 As Crianças e Jovens da Nova Era.....................................................................11
2.1.3 As Crianças e Jovens da Velha Era ....................................................................14
2.1.4 Flagelos Familiares “Invisíveis” –Drogadição, Depressão, Suicídio e Obsessão
infanto/juvenil.......................................................................................................................16
2.1.5 Os Reajustes Reencarnatórios ............................................................................22
2.1.6 Os Níveis consciências diferentes dos membros da Família..............................26
2.1.7 Os Processos Obsessivos em integrantes da Família..........................................28
2.2 Desafios Materiais/Socias ..................................................................................29
2.2.1 A Diversidades das Relações Familiares............................................................29
2.2.2 A Vivência Materialista......................................................................................32
2.2.3 A Vulgarização dos Valores Éticos....................................................................35
2.2.4 A Terceirização da Criança ................................................................................36
2.2.5 A Comunicação Virtual abusiva.........................................................................41
2.2.6 A Formação Geracional dos Pais........................................................................44
2.2.7 A Personalidade dos Pais....................................................................................46
3. A Família na Atualidade – Desafios na Pandemia .......................................................48
3.1 Agravamento das diferenças Reencarnatórias: Casal/Filhos/Parentes...............48
3.2 As dificuldades no suporte aos Resgates Familiares:
Autismo/Síndromes/Depressão/Obsessão ............................................................................50
3.3 O recrudescimento da Solidão Grupal: Casal/Filhos..........................................51
3.4 O aumento do distanciamento dos Idosos: Pais/Mães/Avós ..............................54
3.5 O crescimento do isolamento de Filhos de Pais separados/divorciados.............55
3.6 A insuficiência da manutenção Familiar ............................................................57
iii
A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
3.7 A dissintonia entre Pais Educadores e Pais Fornecedores..................................59
3.8 O Presenteísmo/absenteísmo Familiar................................................................61
3.9 O Coma Emocional ............................................................................................62
3.10 O aumento da sobrecarga funcional sobre alguns membros da Família ............64
4. A Família na Atualidade – Diretrizes para um Relacionamento Harmônico ...........66
4.1 Desenvolver o Discernimento Espiritual............................................................66
4.2 Aprimorar a Afetividade.....................................................................................68
4.2.1 Implementar uma Comunicação Amorosa – falar/ouvir com o Coração...........68
4.2.2 Utilizar o Silêncio construtivo – respeitar o silêncio do Outro ..........................70
4.2.3 Evitar Ressuscitar Cadáveres – compaixão/perdão/esquecimento.....................73
4.2.4 Sorrir Confiante - Fé/Esperança/Paciência.........................................................80
4.3 Vivenciar o Trabalho-Serviço – a abnegação familiar.......................................82
4.4 Envolver-se no Orar Dinâmico=Interligar/Comungar + Proteger/Higienizar....85
4.4.1 Interligar/Comungar ...........................................................................................85
4.4.2 Proteger/Higienizar.............................................................................................89
5. A Família na Atualidade – Depoimentos – Acertos e Desacertos ...............................93
5.1 De um Pai Encarnado .........................................................................................93
5.2 De um Pai Desencarnado....................................................................................96
5.3 De uma Mãe Encarnada......................................................................................98
5.4 De uma Mãe Desencarnada..............................................................................100
5.5 De um Filho Encarnado....................................................................................102
5.6 De um Filho Desencarnado ..............................................................................103
6. A Família na Atualidade – Cartas ...............................................................................105
6.1 Carta aos Pais ...................................................................................................105
6.2 Carta aos Filhos ................................................................................................108
7. Referências.....................................................................................................................110
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A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
1. A Família e sua Missão
“Mas se alguém não tem cuidado dos seus e principalmente dos da sua Família, negou a fé e é
pior do que o infiel”.
Paulo de Tarso – I TIMÓTEO, 5:8.
“O mundo pode fabricar novas indústrias, novos arranha-céus, erguer estátuas e cidades, mas,
sem a benção do lar, nunca haverá felicidade verdadeira”.
André Luiz/Aniceto – Os Mensageiros – Cap. 37 – No Santuário Doméstico
1.1 Amparo e Suporte
Os liames sociais são necessários ao progresso e os laços de família estreitam os laços sociais:
eis porque eles constituem uma lei natural. Deus quis que os homens, assim, aprendessem a amar-se
como irmãos.
Allan Kardec – O Livro dos Espíritos – 3º Parte – Cap. 7 – Item 3 – Perg. 774
Quando o lar se estiola e a família se desorganiza a Sociedade combale e estertora.
De nobre significação, a família não são apenas os que se amam, através dos vínculos da
consanguinidade, mas, também, da tolerância e solidariedade que se devem doar os equilibrados e
afáveis aos que constituem os elos fracos, perturbadores e em deperecimento no clã doméstico.
Joanna de Angelis – SOS Família – Cap. 25 – Filhos Ingratos
A fim de que aprendamos, ao longo das eras, a nos dedicar o verdadeiro amor, reciprocamente,
deveremos, antes, aprender a vivenciar esse amor em suas expressões mais variadas, em pequenos
grupos aos quais chamamos familiares – verdadeiros laboratórios em que aprendemos a conviver com
espíritos das mais diferentes inclinações, gostos e posturas ante a existência – locus em que aprendemos
a respeitar individualidades, personalidades, distintos posicionamentos.
(...) Assim, numa só existência o indivíduo molda personalidades de filho ou filha, de esposo
ou esposa, de pai ou de mãe, de irmão ou de irmã, de avô ou de avó, e de outros laços secundários. Cada
alma, reencarnações afora, aprende a sensibilizar-se, a portar-se, a agir e a reagir, a sofrer e a amar,
vivenciando cada uma dessas relações, em famílias forjadas segundo povos, etnias e raças variados,
conforme culturas diferentes.
Não podemos estranhar, com isso, a multiplicidade de valores, de coerências e incoerências, de
grandezas e pequenezas, de gostos, de anseios, de liberdades, de algemas, de alegrias e tristezas
endógenas que encontramos em indivíduos e em grupos de indivíduos.
São somatórios, subtrações, multiplicações e divisões de tudo o que vêm acumulando, fixando,
ganhando e perdendo, pelos milênios afora.
É desse modo, no mundo, que Deus nos mostra que para conseguir amar multidões inumeráveis
de irmãos nossos, temos que aprendê-lo pelo exercício desse amor a pequenos grupos de três, cinco ou
dez pessoas, dentro do lar, uma vez que ninguém pode ser fiel em grandes obras, se não consegue sê-lo
nas obras pequenas, conforme o ensino de Jesus.
Camilo – Desafios da vida Familiar – Cap. 1 – O Sentido da Família
Jamais a família desaparecerá, porque a criança dependente nos braços adultos,
inspira ternura e devotamento, trabalhando as emoções para o entendimento e a comunhão dos genitores
em sua volta, dando surgimento ao grupo consanguíneo e à afetividade mais pessoal.
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A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
As mudanças continuarão ocorrendo, conforme as conquistas de cada época, sem que a
família perca os seus alicerces de segurança, quais sejam: a fidelidade ao grupo, o amparo recíproco,
a proteção, como decorrência do sentimento de amor, preparando para a união com as demais
associações, na identificação universal.
(...) Reflexionando neste novo programa de construção da família moderna e saudável,
o Espiritismo, com os seus nobres conceitos de ética-moral, fundamentados na crença em Deus, na
imortalidade, na comunicabilidade dos espíritos, na reencarnação, oferece os pilotis vigorosos
para que se torne realidade o clã de paz e de amor que todos anelam.
Joanna de Angelis – Constelação Familiar – Cap. 29 – A Família hodierna
Não é a família em si que nossos contemporâneos recusam, mas o modelo
excessivamente rígido e normativo que assumiu no século XIX.
Eles rejeitam o nó, não o ninho.
A casa é, cada vez mais, o centro da existência.
O lar oferece, num mundo duro, um abrigo, uma proteção, um pouco de calor
humano.
O que eles desejam é conciliar as vantagens da solidariedade familiar e as da liberdade
individual.
Tateando, esboçam novos modelos de famílias, mais igualitárias nas relações de sexos
e de idades, mais flexíveis em suas temporalidades e em seus componentes, menos sujeitas às regras e
mais ao desejo.
O que se gostaria de conservar da família, no terceiro milênio, são seus aspectos
positivos: a solidariedade, a fraternidade, a ajuda mútua, os laços de afeto e o amor. Belo sonho.
Michelle Perrot – Veja 25 anos – Reflexões para o futuro – São Paulo/Abril, 1993 –
O Nó e o Ninho,
Umberto Ferreira – Revista Reformador – 1994 – Maio – Reflexões sobre a Família
Os Pais não são os construtores da vida, porém, os médiuns dela, plasmando-a, sob
a divina diretriz do Senhor.
Tornam-se instrumentos da oportunidade para os que sucumbiram nas lutas ou se
perderam nos tentames da evolução, algumas vezes se transformando em veículos para os embaixadores
da verdade descerem ao mundo em agonia demorada.
A carne gera a carne, mas o espírito não produz o espírito.
O filhinho que te chega é compromisso para a tua existência.
Não o temas, nunca.
Não o ofendas com a falsa valorização dele, em demasia.
Recorda-lhe a humildade, considerando a procedência de todos nós e o lugar comum
do barro orgânico...
E orienta-o dignamente, sem cessar.
Joanna de Angelis – SOS família – Cap. 17 – Perante a Prole
De todos os institutos sociais existentes na Terra, a Família é o mais importante, do
ponto de vista dos alicerces morais que regem a vida.
Emmanuel – Vida e Sexo – Cap.17 – Aborto
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A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
1.2 Aperfeiçoamento Mútuo
Deus permite, nas famílias, essas encarnações de espíritos antipáticos ou estranhos, com o
duplo objetivo de servir de prova para alguns, e de meio de adiantamento para outros.
Os maus se melhoram pouco a pouco ao contato dos bons e pelos cuidados que deles recebem;
seu caráter se abranda, seus costumes se depuram e suas antipatias se apagam; é assim que se estabelece
a fusão entre as diferentes categorias de espíritos, como ocorre na Terra, entre as raças e os povos.
Allan Kardec – Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap 4 – Item 19
Teu lar, tua escola. Aí dentro, serás professor e aluno ao mesmo tempo.
Erguer-te-ás na cátedra do dever cumprido e transmitirás o ensinamento vivo do bom exemplo
aos que te acompanham. Por outro lado, ouvirás, talvez, aí nesse abençoado cenáculo de
aperfeiçoamento moral, frases agressivas ou conceitos ferinos que desconheces na vida pública, a fim
de que aprendas paciência e humildade, no trato da purificação.
Emmanuel – No Portal da Luz – Cap. 8 – Familiares Incompreensivos
Os Pais educam para a sociedade, quanto para si mesmos.
Examina a tua vida e dela retira as experiências com que possas brindar a tua prole.
Tens conquistas pessoais, porquanto já trilhaste o caminho da infância, da adolescência e sabes
de moto próprio discernir entre os erros e acertos dos teus educadores, identificando o que de melhor
possuis para dar.
Joanna de Angelis – SOS Família – Cap. 14 – Deveres dos Pais
Vale pensar seriamente sobre as razões pelas quais tais ou quais Espíritos estão na condição de
teus filhos, vinculados biologicamente a ti. Há motivos ponderáveis e outros imponderáveis para que os
tenhas como produtos da tua cooperação fisiológica com o Criador.
Considerando que o Pai da vida não comete equívocos em seus desígnios, em suas leis, tens as
condições necessárias e suficientes para impulsionar os teus descendentes para os caminhos do bem,
seguindo junto a eles com teus testemunhos de fidelidade aos céus.
É nas páginas luculentas de o Evangelho segundo o Espiritismo que encontramos as referências
de Santo Agostinho a respeito dos compromissos dos genitores para com seus filhos, ou seja, os de
encaminhá-los para o criador. Esse é o maior compromisso da pater-maternidade no orbe.
Na mesma obra literária espírita, aqui referida, ainda o Bispo de Hipona informa que o pai da
criação um dia perguntará a cada pai ou a cada mãe terrestre: que fizeste do filho que te confiei?
Esta é uma pergunta desnorteadora, pois eclode no âmago da consciência, fazendo cada
genitor refletir sobre o uso que fez do acesso espiritual à alma dos filhos; é quando cada um verificará
se a omissão se deu por preguiça, por ignorância, por causa da filosofia religiosa ou política que adotou.
Para todos os casos o senhor terá solução diferente, encaminhamento diverso, até mesmo
programando o retorno às reencarnações dos pais e dos filhos, daqueles que se perderam e daqueles
outros que se tornaram responsáveis por essas perdas de ordem moral.
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A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
Camilo - Nos Passos da Vida Terrestre - Cap. 8 – Descaso na Educação
Naturalmente que a disciplina se fazia inquestionável, desde que a reencarnação tem como
objetivos primeiros a reeducação moral, o recondicionamento superior das tendências e aptidões
negativas que devem ser canalizadas para metas elevadas, o ressarcimento das dívidas e a aquisição dos
valores da inteligência e da moral.
Para tanto, o lar é de fundamental importância, por ser o primeiro educandário do espírito em
recomeço, numa aprendizagem que lhe fixará diretrizes para toda a existência.
Vitor Hugo - 100 Reflexões Filosóficas e Cor Local nos Romances - Cap. 18 - O amor e a
educação na infância
Maternidade e paternidade são magistérios sublimes.
Lar, primeira escola; pais, primeiros professores; primeiro dia de vida, primeira aula do filho.
Pais e educadores! Se o lar deve entrosar-se com a escola, o culto do Evangelho em casa deve
unir-se à matéria lecionada em classe, na iluminação da mente em trânsito para as esferas superiores de
Vida.
André Luiz - O Espírito da Verdade – Cap. 16 - Educação
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A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
1.3 Reajuste e Rearmonização Espiritual
Família – Espelho vivo do nosso pretérito.
Caldeira de refinamento do óleo bruto do Espírito – dilui, em temperatura elevada de tensão
irresistível, as paixões rudes fixadas nas peças sensíveis da máquina psíquica.
Marco Prisco – Ementário Espírita – Cap. 6 – No Lar
A Família é abençoada escola de educação moral e espiritual, oficina santificante onde se
lapidam caracteres; laboratório superior em que se caldeiam sentimentos, estruturam aspirações, refinam
idéias, transformam mazelas antigas em possibilidades preciosas para a elaboração de misteres
edificantes.
Joanna de Angelis – SOS Família – Cap. 25 – Filhos Ingratos
A paz do mundo começa sob as telhas a que nos acolhemos. Se não aprendemos a viver em paz,
entre quatro paredes, como aguardar a harmonia das nações?
Neio Lucio – Jesus no Lar – Cap. 1 – O Culto Cristão no Lar
Quem descobre a maneira de viver bem em seu lar, já está preparado para viver bem a vida
inteira, em qualquer parte do mundo.
Jácome Góes – Conceitos de Vida – Cap. 17 – A Difícil convivência no Lar
Geralmente, não se reúnem a nós os companheiros que já demandaram a Esfera Superior,
[dignamente] aureolados por vencedores, e sim afeiçoados menos estimáveis de outras épocas, a fim
de restaurarmos o tecido da fraternidade, indispensável ao agasalho de nossa alma, na jornada para a
frente.
Muitas vezes, na condição de pais e filhos, cônjuges ou parentes, não passamos de devedores
em resgate de antigos compromissos.
Emmanuel – Nós – Cap. 5 – A Família / Família – Cap. 1 – Em Família
A Família é, antes de tudo, um laboratório de experiências reparadoras, na qual a felicidade e a
dor se alternam, programando a paz futura.
Nem é o grupo da bênção, nem o élan da desdita.
Antes é a escola de aprendizagem e redenção futura.
Joanna de Angelis – SOS Família – Cap. 2 – Vida em Família
Atados por compromissos anteriores, retornam, ao lar, não somente aqueles seres a quem se
ama, senão aqueloutros a quem se deve ou que estão com dívidas....
Joanna de Ângelis – SOS Família - Cap. 2- Vida em Família
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A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
Famílias-problema! ...
− Irmãos que se antagonizam...
− Cônjuges em lamentáveis litígios...
− Animosidades entre filho e pai, farpas de ódios entre filha e mãe...
− Afetos conjugais que se desmantelam em caudais de torvas acrimônias...
− Sorrisos filiais que se transfiguram em rictos de idiossincrasias e vinditas...
− Tempestades verbais em discussões extemporâneas...
− Agressões infelizes de consequências fatais...
− Tragédias nas paredes estreitas da família...
− Enfermidades rigorosas sob látegos de impiedosa maldade...
− Mãos encanecidas sob tormentos de filhos dominados por ódios inomináveis.
− Pais enfermos açoitados por filhas obsidiadas, em conúbios satânicos de reações
violentas em cadeia de ira...
− Irmãos dependentes sofrendo agressões e recebendo amargos pães, fabricados com
vinagre e fel de queixas e recriminações...
Famílias em guerras tiranizantes, famílias-problema! ...
É da Lei Divina que o infrator renasça ligado à infração que o caracteriza.
A justiça celeste estabeleceu que a sementeira tem caráter espontânea, mas a colheita tem
impositivo de obrigatoriedade.
Não renasceste ali por circunstância anacrônica ou casual.
Não resides com uma família-problema por fator fortuito nem por engano dos Espíritos
Egrégios.
Escolheste, antes do retorno ao veículo físico, aqueles que dividiriam contigo as aflições
superlativas e os próprios desenganos.
Joanna de Angelis – Dimensões da Verdade – Cap. 52 – Dentro do Lar
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A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
1.4 Polo de Indução
O lar é o mais vigoroso centro de indução que conhecemos na Terra.
À maneira de alguém que recebe esse ou aquele tipo de educação em estado de sonolência, o
Espírito reencarnado, no período infantil, recolhe dos Pais os mapas de inclinação e conduta que
lhe nortearão a existência, em processo análogo ao da escola primária, pelo qual a criança é impelida
a contemplar ou mentalizar certos quadros, para refleti-los no desenvolvimento natural da instrução.
As almas valorosas, dotadas de mais alto padrão moral, segundo as aquisições já feitas em
numerosas reencarnações de trabalho e sacrifício, constituem exceções no ambiente doméstico, por se
sobreporem a ele, exteriorizando a vontade mais enérgica de que se fazem mensageiras.
Contudo, via de regra, a maioria esmagadora de Inteligências encarnadas retratam
psicologicamente aqueles que lhes deram o veículo físico, transformando-se, por algum tempo, em
instrumentos ou médiuns dos genitores, à face do ajustamento das ondas mentais que lhes são próprias,
em circuitos conjugados, pelos quais permutam entre si os agentes mentais de que se nutrem.
Somente depois que experiências mais fortes lhes renovam a feição interior, costumam os filhos
alterar de maneira mais ampla os moldes mentais recebidos.
André Luiz – Mecanismos da Mediunidade – Cap. 16 – Centro Indutor do Lar
O berço doméstico é a primeira escola e o primeiro templo da alma. A casa do homem é a
legítima exportadora de caracteres para a vida comum.
Neio Lucio – Luz no Lar – Cap. 60 – Culto Cristão no Lar
A escola é um lar de iniciação para as almas que começam as lides do burilamento intelectual,
constituindo, simultaneamente, um centro de reflexos condicionados para milhões de espíritos que
reencarnam para readquirir pelo alfabeto o trabalho das próprias conquistas na esfera da inteligência.
Emmanuel – Pensamento e Vida – Cap. 9 Sugestão
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A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
2. A Família na Atualidade – Desafios na Transição Planetária
2.1 Desafios Espirituais/Morais
Hodiernamente, em face dos referidos fenômenos sociológicos que sacodem a organização
grupal, a família tem sido a sua grande vítima, necessitando, portanto, de uma nova constituição, que
não pode prescindir dos inamovíveis pilares do amor, do respeito, dos deveres entre todos os membros,
assim como em relação à sociedade.
Jamais a família desaparecerá, porque a criança dependente nos braços adultos, inspira
ternura e devotamento, trabalhando as emoções para o entendimento e a comunhão dos genitores em
sua volta, dando surgimento ao grupo consanguíneo e à afetividade mais pessoal.
As mudanças continuarão ocorrendo, conforme as conquistas de cada época, sem que a família
perca os seus alicerces de segurança, quais sejam: a fidelidade ao grupo, o amparo recíproco, a
proteção, como decorrência do sentimento de amor, preparando para a união com as demais
associações, na identificação universal.
(...) Reflexionando neste novo programa de construção da família moderna e saudável, o
Espiritismo, com os seus nobres conceitos de ética-moral, fundamentados na crença em Deus, na
imortalidade, na comunicabilidade dos espíritos, na reencarnação, oferece os pilotis vigorosos
para que se torne realidade o clã de paz e de amor que todos anelam.
Joanna de Angelis – Constelação Familiar – Cap. 29 – A Família hodierna
O importante na tarefa de administrar o relacionamento “pais filhos” está na nítida
convicção da realidade espiritual. Ou seja, a de que trazemos em nós um vasto e pouco explorado
universo inespacial extremamente rico em potencialidades, cujo conhecimento muito poderá ajudar-nos
a entender melhor aquilo a que costumo chamar de o oficio de viver.
Hermínio de Miranda – Nossos Filhos são Espíritos – Cap. 28 – O Ofício de Viver
O que a Família experimenta, neste momento, é o abalo das estruturas hipócritas – assim como
a decadência da mentalidade vitoriana, na qual os Pais, ao invés de serem AMIGOS dos filhos, eram
ditadores – em que a Mulher abandonou a posição de objeto, de ser secundário, para ocupar o seu
papel na Sociedade, não sendo apenas a dona de casa, a pessoa que deve ficar no lar para cuidar dos
filhos, passando a responsabilidade da prole para o casal, estruturando-se, assim, uma nova ética,
que é a que vem sendo apresentada pela Doutrina Espírita.
Divaldo Franco – Laços de Família – Crise da Família - USE/1994
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A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
2.1.1 A Transição Planetária Familiar
Quando, no sermão profético (... do final dos tempos), narrado pelo evangelista Marcos, Jesus
se refere às grávidas e às que amamentarem nos dias terríveis do Senhor, elucida gentilmente a respeito
das atuais ocorrências familiares, das dificuldades de convivência doméstica, dos desafios
educacionais no lar, dos relacionamentos afetivos entre os parceiros...
O momento é, portanto, muito grave, propondo graves reflexões e elevação de sentimentos, de
modo a se contribuir de maneira eficaz para que esse tormentoso período seja abreviado...
Joanna de Angelis – Liberta-Te do Mal – Cap. 18 – Crianças de uma Nova Era
“Época de Transição”: esta é a legenda que repetis frequentemente para definir a atualidade
terrestre, em que surpreendeis, a cada passo, larga fieira de ocorrências inusitadas:
• Conflitos.
• Desencarnações em massa.
• Acidentes enlutando almas e lares.
• Desvinculações violentas.
• Dramas no instituto doméstico.
• Processos obsessivos, culminando com perturbações e lágrimas.
• Moléstias de etiologia obscura.
• Incompreensões.
Forçoso observar, no entanto, que o plano físico e o plano espiritual que se lhe segue reagem
constantemente um sobre o outro.
Criaturas desencarnadas atuam no ambiente dos companheiros encarnados e vice-versa. E se
vos reportais ao término do segundo milênio de civilização cristã em que vos achais, com a expectativa
e o entusiasmo de quem se vê à frente de uma era nova, as mesmas circunstâncias se verificam na
Espiritualidade, entre aqueles que aspiram a obter o retorno à Terra, expressando propósitos de auto-
burilamento em nível mais alto de evolução.
É por isso que legiões enormes de irmãos, domiciliados no Mais Além, vêm solicitando,
desde algum tempo,
• Reencarnações difíceis;
• Testemunhos acerbos de aperfeiçoamento íntimo;
• Tempo curto no veículo físico, de modo a complementarem tarefas inacabadas em
diversos setores da experiência humana;
• Presença ligeira, junto de seres queridos, a fim de chamá-los à consideração da Vida
Superior;
• Ou empreitadas de serviço moral para a liquidação de empreendimentos redentores,
largados por eles nos caminhos do tempo.
Para isso, tentam aproveitar-se da última vigésima parte do segundo milênio, a que nos
referimos, para encerrarem o balanço das experiências menos felizes que lhes dizem respeito nos séculos
últimos.
Perante a Vida Maior, quase tudo aquilo que vedes, presentemente, em matéria de
agitação ou desequilíbrio, nada mais significa que a movimentação mais intensa de vastas
coletividades que retornam à Esfera Física, em regime de urgência, no intuito de conseguirem
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A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
retoques e meios com que possam abordar os tempos novos em condições mais dignas de trabalho e
progresso.
Mantenhamo-nos prudentes, abstenhamo-nos de agravar dificuldades, evitemos a formação de
problemas, orando e construindo, seja nos obstáculos que nos atinjam, seja nas inquietações que
assaltem aos outros.
Mas sejam quais forem as circunstâncias, estejamos atentos à fé para servir e compreender,
reconhecendo que todas as provas de hoje são recursos e instrumentos de que se vale a Providência
Divina a fim de conduzir-nos à Vida Melhor de amanhã.
Emmanuel – Diálogos dos Vivos – Cap. 21 – Dupla Renovação
À semelhança das ondas oceânicas a abraçarem as praias voluptuosamente, sorvendo as rendas
de espumas alvas, os novos obreiros do Senhor se sucederão ininterruptamente alterando os
hábitos sociais, os costumes morais, a literatura e a arte, o conhecimento em geral, ciência e
tecnologia, imprimindo novos textos de beleza que despertarão o interesse mesmo daqueles que,
momentaneamente, encontram-se adormecidos.
Antes, porém, de chegar esse momento, a violência, a sensualidade, a abjeção, os escândalos, a
corrupção atingirão níveis dantes jamais pensados, alcançando o fundo do poço, enquanto as
enfermidades degenerativas, os transtornos bipolares de conduta, as cardiopatias, os cânceres, os vícios
e os desvarios sexuais clamarão por paz, pelo retorno à ética, à moral, ao equilíbrio... Frutos das paixões
das criaturas que lhes sofrerão os efeitos em forma de consumpção libertadora, lentamente surgirão os
valores da saúde integral, da alegria sem jaça, da harmonia pessoal, da integração no espírito cósmico
da vida.
Manoel Philomeno de Miranda – Transição Planetária – Cap. 3 – A Mensagem Revelação
Modernamente, ante a precipitação dos conceitos que generalizam na vulgaridade os valores
éticos, tem-se a impressão de que paira rude ameaça sobre a estabilidade da família. Mais do que nunca,
porém, o conjunto doméstico se deve impor para a sobrevivência a benefício da soberania da própria
Humanidade.
A família é mais do que o resultante genético... São os ideais, os sonhos, os anelos, as lutas e
árduas tarefas, os sofrimentos e as aspirações, as tradições morais elevadas que se cimentam nos liames
da concessão divina, no mesmo grupo doméstico onde medram as nobres expressões da elevação
espiritual na Terra.
Quando a família periclita, por esta ou aquela razão, sem dúvida a sociedade está a um passo do
malogro...
Joanna de Angelis – Estudos Espíritas – Cap. 24 - Família
Estes são como aqueles tempos, embora o espaço de dois mil anos que os separam.
A opressão e a força mudaram de mãos, no entanto, prosseguem gerando infortúnio e dor.
O homem, escravo das paixões, padece a hipertrofia dos sentimentos, enquanto o monstro da
guerra, com sua fauce hiante, persiste em devorar vidas...
Há lutas de destruição em toda parte, qual ocorria naqueles dias em que veio Jesus para dar
início à Era do Espírito Imortal.
Hoje, porém, pode-se adicionar àquelas condições negativas, entre outras lamentáveis
ocorrências, a destruição do instituto da família, liberando crianças e jovens que se arrojam na
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A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
desabalada correria da loucura, a grassar avassaladora, parecendo anunciar o fim dos tempos da ética e
da civilização, em desolador retorno à barbárie, ao primitivismo.
Amélia Rodrigues – Terapêutica de Emergência – Cap. 4 – Evangelização – desafio de
urgência
Pais e mães de família não sabem mais o que pensar das estranhas idéias dos filhos da tv, do
rádio, dos filmes policiais e pornográficos, das histórias em quadrinhos; para muitos, liberdade significa
permissão para subverter a ordem e o respeito. Contravenção virou valentia.
Pedro Finkler – Compreender e Entender os Outros – Introdução
A família, por essa razão, tornou-se a célula máter do organismo social onde se desenvolvem os
sentimentos, a inteligência, e o espírito desperta para as realizações superiores da vida.
Por isso, toda vez que a família se desestrutura a sociedade cambaleia, a cultura degenera,
a civilização se corrompe...
A tecnologia atual aliada à ciência, que ensejou a conquista do Cosmo, infelizmente não pôde
impedir o deterioramento da família, vitimada por inúmeros fatores que se têm enraizado no
organismo social de forma cruel.
Como consequência, uma vaga de perturbação varre o planeta, ameaçando as belas
construções dos milênios e quase tudo reduzindo a escombros e loucura.
Joanna de Angelis – SOS Família – Prefácio
2.1.2 As Crianças e Jovens da Nova Era
• Inteligência e Razão precoces
• Sentimento inato do bem
• Crenças Espirituais
Além das alterações que sucedem coletivamente na sociedade, outras mais sutis, no entanto,
não menos preocupantes, estão presentes nestes dias aguardando a atenção dos estudiosos: pais,
psicólogos, educadores, sociólogos, religiosos e todas as pessoas interessadas na construção da
sociedade feliz do futuro.
Acompanhando o inevitável processo das reencarnações, pode-se constatar facilmente a
presença de uma nova geração de Espíritos que se encontra no Planeta em condições
surpreendentes, fora do habitual.
Aqui se encontra, a fim de preparar a grande transição que vem tendo lugar lentamente, de modo
que o Planeta mude de estágio evolutivo, conforme a assertiva de Jesus, em sua memorável mensagem
do Sermão profético, conforme narrativa de Marcos no capítulo XIII, versículos 1 a 32.
Quando, no sermão profético (... do final dos tempos), narrado pelo evangelista Marcos, Jesus
se refere às grávidas e às que amamentarem nos dias terríveis do Senhor, elucida gentilmente a respeito
das atuais ocorrências familiares, das dificuldades de convivência doméstica, dos desafios
educacionais no lar, dos relacionamentos afetivos entre os parceiros...
A atualidade espiritual do Planeta na fase de transição caracteriza-se por expressivo número
daqueles que retornam missionários do Bem e da Verdade, do Conhecimento e da Beleza, da
Tecnologia e da Ciência, da Fé religiosa e da Caridade, a fim de apressarem o processo evolutivo, ao
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A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
tempo em que outros, ainda aferrados ao mal se despedem da oportunidade, igualmente renascendo para
terem a sua última chance no lar terrestre que não têm sabido valorizar...
Joanna de Angelis – Liberta-te do Mal – Cap. 18 – Crianças da Nova Era
Equipes de apóstolos da caridade no plano espiritual também descem ao planeta sofrido,
a fim de contribuir em favor das mudanças que devem operar-se, atendendo aqueles que se encontram
excruciados pela desencarnação violenta, inesperada, ou padecendo o jugo de obsessões cruéis, ou
fixadas em revolta injustificável, considerando-se adversários da Luz, membros da sanha do Mal, a fim
de melhorar a psicosfera vigente, desse modo, facilitando o trabalho dos Mensageiros de Jesus.
Em outras oportunidades, luminares da Verdade submergiram nas sombras do mundo terrestre,
a fim de apresentarem as suas conquistas e realizações edificantes, auxiliando os seus habitantes a
crescer em tecnologia, ciência, filosofia, religião, política, ética e moral.
Manoel Philomeno de Miranda – Transição Planetária – Introdução
Concomitantemente, espíritos nobres que conseguiram superar os impedimentos que os
retinham na retaguarda, estarão chegando, a fim de promoverem o bem e alargarem os horizontes
da felicidade humana, trabalhando infatigavelmente na reconstrução da sociedade então fiel aos
desígnios divinos.
Joanna de Angelis – Jesus e Vida – Cap. 1 – A Grande Transição
É por meio da edificação de novos valores que as sombras da ignorância serão diluídas na
intimidade do ser humano, facultando o surgimento de mulheres e de homens que assumem
compromisso com um mundo melhor.
É exatamente aí que se insere a tarefa das crianças da nova era.
Grande número delas são Espíritos que serviram à Humanidade em épocas remotas e que
retornam para contribuir com o avanço da civilização.
Todos os responsáveis pelos conhecimentos que impulsionaram a evolução cultural do
Ocidente como do Oriente foram convocados a colaborar com a grande transição planetária, desde
cedo demonstrando inteligência precoce e desejo ardente de modificar as estruturas sociais, elevando o
nível intelectual e moral do planeta.
Além do retorno de personalidades valorosas da História da Humanidade, também estamos
hospedando seres provenientes de outros lugares do Universo, Espíritos igualmente comprometidos
com os ideais de aprimoramento do orbe terrestre.
As crianças da Nova Era estão chegando aos nossos lares e exigem a utilização de novos
recursos psicológicos e pedagógicos, pois elas ultrapassam os limites das crianças das gerações
anteriores e da maioria daquelas que vivem no mundo atual.
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A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
A manifestação de diferentes características psicológicas nas crianças da nova geração tem uma
dupla razão:
- Primeiro, é uma decorrência natural da tentativa de adaptação desses Espíritos à
estrutura anatomofisiológica do corpo físico, propiciando a evolução biológica e psíquica, a que me
referi anteriormente;
- Segundo, os comportamentos singulares que elas revelam dão ensejo à valorização de
abordagens terapêutica, e educacionais mais coerentes com uma visão espiritual da realidade,
estimulando os pesquisadores a promoverem estudos revolucionários.
Divaldo Franco – Vivências do Amor em Família – Cap. 5 – Nos Passos da Criança e do
Jovem – item 1 – Crianças da nova Era
Por outro lado, os nobres promotores do progresso de todos os tempos passados também se
reencarnam nesta hora para acelerar as conquistas, não só da inteligência e da tecnologia de ponta,
mas também dos valores morais e espirituais. Ao lado deles, benfeitores de outra dimensão emboscam-
se na matéria para se tornarem os grandes líderes e sensibilizarem esses verdugos da sociedade.
Bezerra de Meneses - A Mediunidade e a Transição Planetária – O Consolador - Ano 8 - N°
385 - 19 de Outubro de 2014 - transcrição de mensagem psicofônica transmitida por Divaldo Franco
(13.11.2010 – Los Angeles)
 A NOVA GERAÇÃO – características morais
• Serão caracterizados pelo espírito de serviço, pelo interesse sadio dos resultados dos
trabalhos, colocados no campo de batalha por escolha pessoal, guardando a certeza do triunfo
que lhes chegará.
• Não se farão discutidores ferrenhos e insensatos, porquanto o seu é o tempo para o estudo
dos dados e das investigações.
• Não se imporão, porque reconhecem que o labor exige discernimento, maturidade
psicológica e elevação de propósitos.
• Não se agastarão com os acusadores, nem desanimarão com os aparentes insucessos, que
se lhes constituirão estímulo para o prosseguimento dos tentames.
• Abertos ao amor, planejam um mundo melhor para eles mesmos e para a sociedade em
geral, porque reconhecem que estes são os dias de transição, e a seleção dos Espíritos se faz
natural, preparando o Mundo de Regeneração.
Joanna de Ângelis - Momentos de Harmonia – Cap. 10 - Projetos Iluminativos
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A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
2.1.3 As Crianças e Jovens da Velha Era
• Esperteza e Tibieza Moral
• Sentimento latente do mal
• Materialismo
Este tempo tendo chegado, uma grande emigração acontecerá neste momento entre aqueles
que a habitam; os que fazem o mal pelo mal e que o sentimento do bem não a toca, não sendo mais
digno da Terra transformada, sê-lo-ão excluídos, porque trariam de novo a discórdia e a confusão e
seriam um obstáculo ao progresso.
Estes irão expiar seu endurecimento uns em mundos inferiores, outros, entre raças terrestres
atrasadas que serão o equivalente de mundos inferiores, onde levarão seus conhecimentos adquiridos e
que terão por missão de fazer avançar. Serão substituídos por Espíritos melhores que farão reinar entre
eles a justiça, a paz, a fraternidade.
Allan Kardec - A Gênese - Cap. 18 – Os Tempos são chegados - item 26
Por esta emigração de Espíritos, não se torna preciso entender que todos os Espíritos
retardatários serão expulsos da Terra e relegados a mundos inferiores. Muito ao contrário, aí voltarão,
porque muitos cederam à influência das circunstâncias e do exemplo.
Allan Kardec - A Gênese - Cap. 18 - Os Tempos são chegados - item 28
Concomitantemente, a fim de poderem viajar na grande nave terrestre que avança moralmente
nas paisagens dos orbes felizes, incontáveis membros das tribos bárbaras do passado, que
permaneceram detidos em regiões especiais durante alguns séculos, de maneira que não impedissem
o desenvolvimento do planeta, renascem com formosas constituições orgânicas, fruto da seleção
genética natural, entretanto, assinalados pelo primitivismo em que se mantiveram.
Apresentam-se exóticos uns, agressivos outros, buscando as origens primevas em reação
inconsciente contra a sociedade progressista, tendo, porém, a santa oportunidade de refazerem
conceitos, de aprimorarem sentimentos e de participarem da inevitável marcha ascensional...
Expressivo número, porém, permanece em situações de agressividade e indiferença emocional,
tornando-se instrumentos de provações rudes para a sociedade que desdenha. Fruem da excelente
ocasião que, malbaratada, os recambiará a mundos primitivos, nos quais contribuirão com os
conhecimentos de que são portadores, sofrendo, no entanto, as injunções rudes que serão defrontadas.
Manoel Philomeno de Miranda/Órion – Transição Planetária – Cap. 3 – A Mensagem
Revelação
Face à necessidade de promover o progresso moral do planeta, milhões de espíritos foram
transferidos das regiões pungitivas onde se demoravam, para a inadiável investidura carnal, por cujo
recurso podem recompor-se e mudar a paisagem mental, aprendendo, na convivência social, os
processos que o promovam a situações menos torpes.
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A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
Bezerra de Meneses - Nas Fronteiras da Loucura – Cap. 9 – O Problema das Drogas
Pulula, ainda, nos complexos mecanismos da reencarnação em massa destes dias, o mergulho
no corpo somático de espíritos primários nos quadros da evolução, necessitados de progresso e ajuda
para a própria ascensão que, não encontrando os estímulos superiores para o enobrecimento, são, antes,
conduzidos à vivência das sensações grosseiras em que transitam, aderem a filosofia chã de viver
intensamente um dia, a lutarem e viverem todos os dias.
Joanna de Ângelis - Após a Tempestade – Cap. 7 – Delinquência, perversidade e violência
Por outro lado, aqueles que permaneceram nas regiões mais infelizes estão sendo trazidos à
reencarnação, de modo a desfrutarem da oportunidade de trabalho e de aprendizado, modificando
os hábitos desditosos a que se têm submetido, podendo avançar sob a governança de Deus.
Caso se oponham às exigências da evolução, também sofrerão um tipo de expurgo temporário
para regiões primárias entre raças atrasadas, tendo o ensejo de ser úteis e de sofrer os efeitos danosos da
sua rebeldia.
Joanna de Angelis – Jesus e Vida – Cap. 1 – A Grande Transição
Sucede, meus filhos, que as regiões de sofrimento profundo estão liberando seus hóspedes
que ali ficaram, em cárcere privado, por muitos séculos e agora, na grande transição, recebem a
oportunidade de voltarem-se para o bem ou de optar pela loucura a que se têm entregado. E esses, que
teimosamente permanecem no mal, a benefício próprio e do planeta, irão ao exílio em orbes inferiores
onde lapidarão a alma auxiliando os seus irmãos de natureza primitiva, como nos aconteceu no passado.
Bezerra de Meneses – A Mediunidade e a Transição Planetária – O Consolador - Ano 8 - N°
385 - 19 de Outubro de 2014 - transcrição de mensagem psicofônica transmitida por Divaldo Franco
(13.11.2010 – Los Angeles)
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A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
2.1.4 Flagelos Familiares “Invisíveis” –Drogadição, Depressão, Suicídio e Obsessão
infanto/juvenil
Quando, no sermão profético (... do final dos tempos), narrado pelo evangelista Marcos, Jesus
se refere às grávidas e às que amamentarem nos dias terríveis do Senhor, elucida gentilmente a respeito
das atuais ocorrências familiares, das dificuldades de convivência doméstica, dos desafios
educacionais no lar, dos relacionamentos afetivos entre os parceiros...
O momento é, portanto, muito grave, propondo graves reflexões e elevação de sentimentos, de
modo a se contribuir de maneira eficaz para que esse tormentoso período seja abreviado...
Joanna de Angelis – Liberta-Te do Mal – Cap. 18 – Crianças de uma Nova Era
A. Drogadição na Família
Mesmo nos lares equilibrados, onde o amor enriquece os sentimentos, encontram-se espíritos
atormentados interiormente, incapazes de lutar contra as más inclinações, que se fazem trânsfugas aos
deveres que lhes dizem respeito, tombando nas armadilhas do erro, de que se deveriam libertar por
completo.
Em virtude da larga e fácil propagação das drogas perversas, esses espíritos quase sempre
reincidem nos vícios a que se acostumaram, sem forças para superar as situações afligentes que lhes
desencadeiam as falsas necessidades para as fugas doentias...
(...) A educação moral no lar é o recurso mais próprio para evitar-se a contaminação dessa
pandemia – a drogadição -, ensejando segurança emocional e afetiva ao ser inquieto e inseguro no
processo da sua reencarnação, trabalhando-lhe os tesouros morais que serão estimulados para a luta e
para o equilíbrio.
Joanna de Angelis - Constelação Familiar - Cap. 24 – Drogadição na Família
O Homem moderno, que conquistou a Lua e avança no estudo das origens do Sistema Solar,
incursionando pelos outros planetas, não conseguiu conquistar-se a si mesmo. Logrou expressivas
vitórias, sem alcançar a paz íntima, padecendo os efeitos das conquistas tecnológicas sem os
correspondentes valores de suporte moral.
Cresceu na horizontal da inteligência sem desenvolver a vertical do sentimento elevado.
Como efeito:
Não resiste às pressões, desequilibra-se com facilidade e foge, na busca de alcoólicos, de
tabacos, de drogas alucinógenas de natureza tóxica...
Bezerra de Meneses – Nas Fronteiras da Loucura – Cap. 9 – O Problema das Drogas
B. Depressão Infanto-Juvenil
Frente a frente com esta realidade, que assusta e fere, vamos encontrar jovens que procuram
abrigo nos falsos refúgios da tristeza e da amargura.
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A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
Outros apelam para a rebeldia e para a agressividade. Buscam nesses meios a forma de
neutralizar os açoites psicológicos a que se vêem expostos, ininterruptamente.
Ativando os mecanismos da defesa psíquica, muitos jovens alheiam-se da realidade,
aprisionando-se, lentamente, nas malhas da depressão.
A depressão faz instalar no recôndito do ser desta jovem criatura uma amargura profunda,
uma dor infinita, uma tristeza sem-fim. O Espírito adoece, passo a passo, chegando a ponto de ver
na morte, no atentado à existência física, a solução que lhe parece salvadora.
Dias da Cruz - Reformador/Agosto/2005– Suicídio na Adolescência
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A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
C. Suicídio Infanto-Juvenil
Os jovens que adotam comportamentos agressivos e ofensivos, caracterizados por um estado de
permanente rebeldia, revelam, na verdade, uma forma de chamar a atenção daqueles que,
intimamente, são por eles classificados de seus prováveis homicidas, em razão da existência infeliz que
lhes submetem.
Dias da Cruz – Reformador/Agosto/2005– Suicídio na Adolescência
Toda tentativa de suicídio de um adolescente é dirigida a alguém e expressa a necessidade
de afeto, de amor, de ser ouvido e reconhecido como pessoa. Deve ser interpretada como uma
pergunta que requer resposta.
Edith Serfaty – Suicídio na Adolescência-1998 (psiquiatra argentina)
A tentativa de suicídio entre jovens é, acima de tudo, um grito de dor, de desespero e um
pedido de ajuda.
Ghislaine Bouchard – O Suicídio na Adolescência-2000 (psiquiatra canadense)
Amadurecidas precipitadamente, em razão dos lares desajustados e das famílias
desorganizadas;
Atiradas à agressividade e aos jogos fortes que a sociedade lhes brinda, extirpando-lhes a
infância não vivida, sobrecarregam-se de angustias e frustrações que as desgastam, retirando-lhes
da paisagem mental a esperança e o amor.
Vazias, desprotegidas do afeto que alimenta os centros vitais de energia e beleza, vêem-se sem
rumo, fugindo, desditosas, pela porta mentirosa do suicídio.
Manoel Philomeno de Miranda – Temas da Vida e da Morte – Cap. 17 - Suicídio solução
insolvável
Os contínuos choques dos embates domésticos, entre cônjuges e filhos, produzem impactos
de monta nas estruturas psíquicas dos envolvidos.
A desunião familiar, associada ao desamor, assemelha-se à ação dos tóxicos que produzem
alucinações na mente da criança e do jovem.
A ausência do amor nas relações familiares, manifestada sob a forma de comportamentos
extremados de abandono ou superproteção, infiltram ilusões perniciosas no psiquismo do Espírito
em processo de recomeço nas experiências do plano físico.
Dias da Cruz - Reformador/Agosto/2005– Suicídio na Adolescência
Amadurecidas precipitadamente, em razão dos lares desajustados e das famílias
desorganizadas;
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A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
Atiradas à agressividade e aos jogos fortes que a sociedade lhes brinda, extirpando-lhes a
infância não vivida, sobrecarregam-se de angustias e frustrações que as desgastam, retirando-lhes
da paisagem mental a esperança e o amor.
Vazias, desprotegidas do afeto que alimenta os centros vitais de energia e beleza, vêem-se sem
rumo, fugindo, desditosas, pela porta mentirosa do suicídio.
Manoel Philomeno de Miranda – Temas da Vida e da Morte – Cap. 17- Suicídio solução
insolvável
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A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
D. Obsessão Infanto-Juvenil
A obsessão na infância muitas vezes é continuidade da ocorrência procedente da
Erraticidade. Sem impedir o processo da reencarnação, essa influência perniciosa acompanha o período
infantil de desenvolvimento, gerando graves dificuldades no relacionamento entre filhos e pais,
alunos e professores, vida social saudável entre coleguinhas.
Irritação, agressividade, indiferença emocional, perversidade, obtusão de raciocínio,
enfermidades físicas e distúrbios psicológicos fazem parte das síndromes perturbadoras da infância, que
tem suas nascentes na interferência de Espíritos perversos uns, traiçoeiros outros, vingativos todos
eles...
Consultado um psicólogo, o mesmo anotara distúrbios de comportamento na menina, que se
vem tentando solucionar, sem penetrar na causa dos mesmos, que lhe escapam por falta de
conhecimento dessa parasitose espiritual. No curso que o processo vem recebendo atendimento fará que,
no futuro, essa criança seja candidata a terapias muito violentas e inócuas em grande parte, em
razão das mesmas alcançarem somente os efeitos, não erradicando a causa central. Os fármacos e os
neurolépticos conseguem, muitas vezes, auxiliar os neurônios na execução das sinapses, bloqueando as
interferências espirituais, porém por pouco tempo.
Ninguém caminha a sós e, por isso mesmo, na conjuntura aflitiva em que a menina se debate,
o seu Espírito protetor muitas vezes impede que seja arrastada pelo seu algoz para as regiões mais
infelizes em que se situa, nos períodos do parcial desdobramento pelo sono físico, dificultando-lhe
o domínio quase total que teria sobre as suas faculdades mentais e os seus sentimentos de afetividade e
de comportamento.
Quando luzir na Humanidade o conhecimento espírita e as sutilezas da obsessão puderem ser
identificadas desde os primeiros sintomas, muitos transtornos infanto-juvenis serão evitados, graças
às terapias preventivas, ou minimizados mediante os tratamentos que o Espiritismo coloca a disposição
dos interessados.
No caso em tela, a terapêutica bio-energética, a sua participação nas aulas de orientação
evangélica sob a luz do pensamento espírita, a água magnetizada e a psicosfera de bondade, do
esclarecimento, da paciência dos genitores libertá-la-ia da influência perniciosa, auxiliando-a ater
um desenvolvimento normal.
Concomitantemente, porque em ambiente propício, os Benfeitores da Vida Maior poderiam
também conduzir o seu desafeto ao tratamento espiritual desobsessivo, alterando completamente o
quadro
Manoel Philomeno de Miranda – Sexo e Obsessão – Cap. 4 – O drama da obsessão na
infância
Certa criança de três anos e alguns meses vinha tentando o suicídio das mais diferentes
maneiras, o que lhe resultara, inclusive, ferimentos: um dia, jogou-se na piscina; em outro, atirou-se
do alto do telhado, na varanda de sua casa; depois quis atirar-se do carro em movimento, o que levou
os familiares a vigiá-la dia e noite.
Seu comportamento, de súbito, tornou- se estranho, maltratando especialmente a mãe, a quem
dirigia palavras de baixo calão que os pais nunca imaginaram ser do seu conhecimento.
Suely Caldas Schubert – Obsessão e Desobsessão – Cap. 12– A criança obsidiada
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A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
Não obstante, os recursos terapêuticos ministrados ao adulto serão aplicados ao enfermo
infantil com mais intensa contribuição dos passes e da água fluidificada – bioenergia – bem como
proteção amorosa e paciente, usando-se a oração e a doutrinação indireta ao agente agressor –
psicoterapia - , e por fim, através do atendimento desobsessivo mediante o concurso psicofônico, quando
seja possível atrair o hospede a comunicação mediúnica de conversação direta.
A visão do Espiritismo em relação à criança obsidiada é holística, pois que não dissocia, na
sua forma atual, do adulto de ontem quando contraiu o debito. Ensina que infantil é somente o corpo, já
que o Espírito possui uma diferente idade cronológica, nada correspondente à da matéria. Além disso,
propõe que se cuide não só da saúde imediata, mas sobretudo da disposição para toda uma existência
saudável, que proporcionará uma reencarnação vitoriosa, o que equivale dizer, rica de experiências
iluminativas e libertadoras.
Adimos a terapia do amor dos pais e demais familiares, igualmente envolvidos no drama
que afeta a criança.
Manoel Philomeno de Miranda - Nas Trilhas da Libertação – Cap.2 – Ampliando
Conhecimentos
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A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
2.1.5 Os Reajustes Reencarnatórios
Há mais enfermos no mundo do que se supõe que existam. Isto porque, no reduto familiar
raramente fecundam a conversação edificante, o entendimento fraterno, a tolerância geral, o amor
desinteressado...
Joanna de Angelis – SOS Família – Cap. 11 – Cristo em Casa
E nesse vastíssimo roteiro de Espíritos em desajuste, não identificaremos tão somente os
cônjuges infortunados. Além deles, há fenômenos sentimentais mais complexos.
Existem Pais que não toleram os filhos e Mães que se voltam, impassivelmente, contra os
próprios descendentes.
Há filhos que se revelam inimigos dos progenitores e irmãos que se exterminam dentro do
magnetismo degenerado da antipatia congênita, dilacerando-se uns aos outros, com os raios mortíferos
e invisíveis do ódio e do ciúme, da inveja e do despeito, apaixonadamente cultivados no solo mental.
Os hospitais e principalmente os manicômios apresentam significativo número de enfermos,
que não passam de mutilados espirituais dessa guerra terrível e incruenta na trincheira
mascarada sob o nome de Lar.
Batizam-nos os médicos com rotulagens diversas, na esfera da diagnose complicada; entretanto,
na profundez das causas, reside a influência maligna da parentela consanguínea que, não raro, copia as
atitudes da tribo selvagem e enfurecida.
Todos os dias, semelhantes farrapos humanos atravessam os pórticos das casas de saúde ou de
caridade, à maneira de restos indefiníveis de náufragos, perdidos em mar tormentoso, procurando a terra
firme da costa.
Ninguém pode negar a existência do amor no fundo das multiformes uniões a que nos
referimos. Mas esse amor ainda se encontra, à maneira do ouro inculto, incrustado no cascalho duro e
contundente do egoísmo e da ignorância que, às vezes, matam sem a intenção de destruir e ferem
sem perceber a inocência ou a grandeza de suas vítimas.
Por isso mesmo, o Espiritismo com Jesus, convidando-nos ao sacrifício e à bondade, ao
conhecimento e ao perdão, aclarando a origem de nossos antagonismos e reportando-nos aos
dramas por nós todos já vividos no pretérito, acenderá um facho de luz em cada coração,
inclinando as almas rebeldes ou enfermiças à justa compreensão do programa sublime de melhoria
individual, em favor da tranquilidade coletiva e da ascensão de todos.
Humberto de Campos – Luz no Lar - Cap. 5 – No Reino Doméstico
Nunca sabemos quem são os nossos filhos. Não foi por outra razão que Jesus Cristo, ao
conversar com Nicodemos, de acordo com o Evangelho de São João, lhe disse: O Espírito sopra onde
quer, não sabemos de onde vem nem para onde vai, de que realidades experienciais ele vem, para que
realidades experienciais ele vai. Por causa disso, vale a pena termos cuidado com o tipo de norte que
estamos dando aos nossos filhos.
Imaginando que seus filhos sejam seus pertences, são muitos os pais, são muitas as mães que os
criam como se os fossem colocar numa redoma e venerá-los para sempre aos seus pés. Nossos filhos
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A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
são aves que devem voar, singrar altos céus, missionários que todos eles são, em nível alto, em nível
mais simples e para isto devemos cooperar.
Raul Teixeira - Programa Vida e Valores, de número 184 – 2009 - Federação Espírita do
Paraná
Ausculta-lhes as tendências e aspirações, oferecendo-lhes na frase amiga a luz de tuas
próprias experiências, de modo a auxiliá-los, tanto quanto possível, a sentir raciocinando e a discernir
o rumo exato que se lhe descerre à frente, nas sendas que lhes caiba trilhar.
Emmanuel – Vida em Vida – Cap. 9 – Dialogo no Lar
Mesmo havendo dificuldades e problemas, como é perfeitamente natural, esses devem ser
examinados com naturalidade, sem os extremos da revolta ou os escamoteamentos para disfarçá-los,
dando-se uma falsa idéia de que tudo está bem.
Quando não ocorrem os hábitos de confiança e de lealdade na convivência doméstica, a
família começa a desestruturar-se, avançando para o desmoronamento.
É imprescindível, portanto, que antes de tal acontecimento todos os seus membros estejam
informados das ocorrências que têm lugar no ninho familiar, de forma que os mesmos, em conjunto,
contribuam, conforme possam, para solucionar as dificuldades e ampliar os bons resultados do trabalho
desenvolvido.
As experiências que se vão acumulando nos relacionamentos domésticos serão, mais tarde,
automaticamente transferidas para a convivência fora do lar, quando as lutas são mais severas e a
ausência de parâmetros da afetividade concorre para as definições em torno daqueles que devem ser
eleitos como amigos, em relação aos demais que passarão a ser conhecidos apenas, credores de
consideração, mas não de confiança ou de intimidade.
Nesse ambiente de entendimento familiar, todos auxiliam-se reciprocamente, nas atividades
domésticas, nos trabalhos escolares, nas preocupações de sustentação econômica, evitando-se
exageros de gastos e de consumismo, sempre perturbadores e responsáveis por situações aflitivas em
relação ao futuro.
A consciência coletiva na família é o resultado da participação de todos os seus membros nas
ocorrências diárias, facultando o trabalho geral e ordeiro de preservação do afeto e da manutenção do
respeito.
Sendo a família constituída por espíritos de diversas procedências, alguns dos quais cobradores
de débitos anteriores, é compreensível que se manifestem com azedume, constante insatisfação,
agressividade ou reagentes aos planos de entendimento coletivo.
Será sempre este membro o criador de problemas, o reclamador, o calceta, o rebelde...
Fragilizado espiritualmente, corre o perigo de tombar na fuga pelas drogas, pelo álcool, e, na sua
insegurança, iniciar-se no furto, como recurso psicológico para chamar a atenção.
Torna-se, então, um verdadeiro desafio familiar, que deve ser levado em consideração, numa
representação diminuta em relação ao que será encontrado multiplicadamente na sociedade fora do lar,
que exigirá comportamento equilibrado e desafiador.
A família, portanto, é a célula primordial do grupamento social, o reduto onde se forjam os
sentimentos e as qualificações para os relacionamentos humanos em toda parte.
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A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
Manter-se, desse modo, uma convivência agradável e louçã, é a regra de bem proceder no lar,
para os enfrentamentos coletivos no futuro.
Joanna de Angelis – Constelação Familiar – Cap. 17 – Relacionamentos Familiares
Em todas as situações, ouve teus filhos com afetuoso apreço. E auxilia-os a seguir pela
estrada que julguem mais adequada ao que anseiam fazer, na base da consciência tranquila.
Todos estamos no endereço de Deus, entretanto cada um de nós transita em estrada diferente
para chegar ao destino.
Não provoques o desespero dos filhos pela imposição das ideias que te modelam a
experiência.
Tempera o calor da disciplina com a bênção da brandura.
De qualquer modo e quaisquer que sejam as circunstâncias, compadece-te de teus filhos para
que eles se compadeçam de ti.
Emmanuel – Caminhos de Volta – Cap. 9 – Vocação dos filhos
A convivência entre filhos e pais é recurso psicoterapêutico valioso, trabalhando o
inconsciente de ambos, de maneira a serem superadas as reminiscências negativas que possam
ressumar, programando a reconciliação e o bem-estar através do amor incessante, delineador da
felicidade tio grupo.
Somente no relacionamento doméstico é possível a preparação para a fraternidade generalizada,
desde que, no grupamento familiar, de menor dimensão, onde todos se conhecem e se podem desculpar
com mais facilidade, são trabalhados os sentimentos e superadas as exigências do ego, dando lugar aos
interesses gerais que farão bem igualmente a cada indivíduo.
Joanna de Angelis – Constelação Familiar – Cap. 4 - Os Filhos
Frustrações, conflitos, vinculações extremadas e aversões congênitas de hoje são frutos dos
desequilíbrios afetivos de ontem a nos pedirem trabalho e restauração.
Emmanuel – Na Era do Espírito – Cap. 27 – A Chave da Reencarnação
Famílias-problemas! ...
− Irmãos que se antagonizam...
− Cônjuges em lamentáveis litígios...
− Animosidades entre filho e pai, farpas de ódios entre filha e mãe...
− Afetos conjugais que se desmantelam em caudais de torvas acrimônias...
− Sorrisos filiais que se transfiguram em rictos de idiossincrasias e vinditas...
− Tempestades verbais em discussões extemporâneas...
− Agressões infelizes de consequências fatais...
− Tragédias nas paredes estreitas da família...
− Enfermidades rigorosas sob látegos de impiedosa maldade...
− Mãos encanecidas sob tormentos de filhos dominados por ódios inomináveis.
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A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
− Pais enfermos açoitados por filhas obsidiadas, em conúbios satânicos de reações
violentas em cadeia de ira...
− Irmãos dependentes sofrendo agressões e recebendo amargos pães, fabricados com
vinagre e fel de queixas e recriminações...
Famílias em guerras tiranizantes, famílias-problemas! ...
É da Lei Divina que o infrator renasça ligado à infração que o caracteriza.
A justiça celeste estabeleceu que a sementeira tem caráter espontânea, mas a colheita tem
impositivo de obrigatoriedade.
Não renasceste ali por circunstância anacrônica ou casual.
Não resides com uma família-problema por fator fortuito nem por engano dos Espíritos
Egrégios.
Escolheste, antes do retorno ao veículo físico, aqueles que dividiriam contigo as aflições
superlativas e os próprios desenganos.
Joanna de Angelis – Dimensões da Verdade – Cap. 52 – Dentro do Lar
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A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
2.1.6 Os Níveis consciências diferentes dos membros da Família
Quando analisamos os relacionamentos conturbados dentro dos lares, constatamos a imensa
gama de dificuldades que permeiam as famílias.
Quase toda família tem um parente mais difícil, e muitas vezes se trata de uma pessoa que
sustenta o estranho hábito de ser desagradável, de provocar aborrecimentos por motivos banais; em
outras ocasiões, é alguém que não consegue ser gentil, mesmo sem a intenção de agredir.
Um familiar com esse perfil é aquele a quem precisamos destinar maior soma de cuidados e de
compaixão.
Se uma pessoa faz questão de ser um estorvo ou se age de forma rude por não ter autocontrole,
estamos diante de um Espírito que carrega na intimidade uma alta dose de conflitos.
Ele traz estados de angústia, de sofrimento e de inquietação que não consegue exteriorizar
de maneira pacífica, causando-nos um grande sentimento de repulsa, razão pela qual acabamos sendo
intolerantes e assumimos uma postura igualmente agressiva e birrenta. Se dentro do lar não for cultivada
uma visão espiritual dos laços familiares, ficará muito difícil conduzir o problema com equilíbrio e
serenidade.
Em face dessas ocorrências, muitas pessoas me perguntam o que fazer diante de um familiar
que nos fere e nos persegue, adotando posturas contrárias ao senso de justiça e amor.
A dúvida envolve a necessidade de conciliar saúde psíquica e perdão sem sermos coniventes
com o erro, e eu respondo que o método mais eficaz é oferecer o exemplo de uma conduta saudável
a fim de que isso sensibilize a pessoa de temperamento difícil.
Se não constatarmos uma transformação positiva em nosso parente, teremos que nos manter
firmes em nossas opções, dando ao indivíduo o direito de ser como é, ao mesmo tempo que nós
reservamos o direito de ser como devemos.
Kardec nos alerta que não é possível dedicar ao ser que nos causa aversão a mesma ternura que
dedicamos a quem nos ama em profundidade.
Todavia, é perfeitamente viável trabalhar-nos para ajudar o Espírito que ainda se encontra na
consciência de sono, porque poderemos ao menos respeitá-lo e oferecer-lhe o nosso apoio no que for
necessário.
Se a proposta se concretizar, é provável que em breve surja uma simpatia entre os seres que
inicialmente se digladiavam, em seguida pode nascer uma amizade e, com o tempo, os dois estarão
amando-se.
O amor sempre será a solução para as dificuldades da família!
Divaldo Franco - Vivências do amor em Família - Cap. 7 - Conflitos Familiares
A Psicologia Transpessoal possui uma abordagem que contribui de forma significativa para a
compreensão do processo evolutivo: o estudo dos níveis de consciência.
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A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
Cada ser se encontra em um estágio específico do desenvolvimento espiritual, o que explica as
dificuldades que podem surgir no relacionamento entre Espíritos reencarnados em uma mesma família.
O primeiro nível de evolução é denominado consciência de sono.
Nesse patamar, o indivíduo tem interesses muito restritos, voltados apenas à satisfação das
necessidades primárias da existência humana: ele se alimenta, repousa e tem relações sexuais,
demonstrando que é um ser fisiológico, que vive da boca para baixo, manifestando mais o instinto do
que a inteligência, as emoções e a afetividade.
No entanto, lentamente o Espírito desenvolverá suas potencialidades mais profundas e se tornará
um ser psicológico.
O segundo nível evolutivo é a consciência desperta, em que a pessoa procura satisfazer suas
necessidades básicas, mas também cultiva algum ideal: ela se dispõe a colaborar com a sua religião,
com a atividade do seu clube ou outra causa humanitária, embora ainda não se comprometa com uma
proposta mais ampla de enobrecimento da vida.
Essa pessoa já possui discernimento e consegue visualizar novos horizontes, começando a
trabalhar o seu mundo psíquico para futuras incursões em paisagens superiores.
O terceiro nível é intitulado consciência de si mesma, quando o ser se revela possuidor de
virtudes mais aprimoradas e se candidata à realização de ações expressivas em benefício da coletividade:
ele se torna pioneiro em atividades de transformação do panorama social e é convidado a participar de
projetos humanos de grande impacto, mobilizando seu potencial anímico a fim de cumprir os
compromissos abraçados.
É uma fase em que o indivíduo sintoniza com Espíritos nobres para assumir o papel de
verdadeiro colaborador em Programas de dignificação da criatura humana, sustentado pelo contato com
as forças espirituais que zelam pelo seu êxito.
Os fenômenos paranormais e mediúnicos desabrocham com naturalidade, e ele vislumbra um
mergulho profundo nas dimensões do Infinito...
O quarto nível é classificado como consciência objetiva ou consciência cósmica, em que o
Espírito se encontra no mais alto grau evolutivo que se pode almejar na Terra.
Esse patamar foi alcançado pelo admirável apóstolo Paulo, que disse de forma inesquecível: "Já
não sou eu que vivo, é o Cristo que vive em mim!".
Também podemos ver o mesmo desenvolvimento espiritual em Madre Teresa de Calcutá, que
afirmou amorosamente: "Eu sou o lápis na mão de Deus. Ele escreve por mim aquilo que deseja
registrar!".
Divaldo Franco - Vivências do amor em Família - Cap. 7 - Conflitos Familiares
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A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
2.1.7 Os Processos Obsessivos em integrantes da Família
Nos processos obsessivos, não deixemos de repeti-lo, estão incursas na Lei as pessoas que
constituem o grupo familiar e social do paciente, aí situado por necessidade evolutiva e de resgate
para todos.
Não se podem fugir à responsabilidade os que foram cúmplices ou co-autores dos delitos,
quando os infratores mais comprometidos são alcançados pela justiça. Reunidos pelo parentesco
sanguíneo ou através de conjunturas da afetividade, da afinidade, formam os grupos onde são alcançados
pelos recursos reeducativos, dentro dos objetivos do progresso.
Manoel Philomeno de Miranda - Nas Fronteiras da Loucura – Introdução – Análise das Obsessões
Inúmeros casos de autismo, quando detectados na primeira infância, procedem de graves
compromissos negativos com a retaguarda espiritual do ser, que renasce com as marcas correspondentes
no perispírito, que se encarrega de imprimir as deficiências que lhe são necessárias para o refazimento.
Outrossim, aqueles que padeceram nas suas mãos cruéis acompanham-no, dificultando-lhe a
recuperação, gerando situações críticas e mui dolorosas, ameaçando-o com impropérios e
vibrações deletérias que não sabe decodificar, mas registra nas telas mentais, fugindo da realidade
aparente para o seu mundo de sombras, isto quando não se torna agressivo, intempestivo, silencioso e
rude.
Manoel Philomeno de Miranda - Sexo e Obsessão – Cap. 4 – O Drama da Obsessão na Infância
Uma das nossas parentas, menina de dez anos de idade, justamente a caçula dentre seis irmãos,
acusava anormalidades nos modos comuns a uma criança, anormalidades que uma razão esclarecida
em assuntos espíritas compreenderia provirem de influenciações da parte de seres desencarnados
inferiores. Caracterizavam-se os seus modos por trejeitos cômicos, carantonhas horríveis,
palavreado piegas ou atrevido, desagradável, tolo, que a todos da família irritava e aos estranhos
escandalizava. A dita criança se rebelava contra qualquer disciplina, desobedecendo a tudo,
renitente, odiosa, dando mesmo impressão de se encontrar desequilibrada das faculdades mentais.
Yvonne Pereira - Devassando o Invisível – Cap. 5 - Mistificadores
Um dos verdugos desencarnados se moveu e tocou a destra o cérebro do doentinho,
recomendando-me Calderaro que examinasse os efeitos desse contacto. Extrema palidez e enorme
angustia transpareceram no semblante do paralítico.
Notei que a infeliz entidade emitia, através das mãos, estrias negras de substancia
semelhante ao piche, as quais atingiam o encéfalo do pequenino, acentuando-lhe as impressões de
pavor. O doentinho, da aflição, em que se mergulhara, passou às contorções. Os órgãos revelavam
agora estranhos deslocamentos. O sistema endócrino patenteava indefiníveis perturbações – Os raios
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destrutivos alcançam-lhe a zona motora, provocando a paralisação dos centros da fala, dos
movimentos, da audição, da visão e do governo de todos os departamentos glandulares. Na verdade,
essa dolorosa situação cronificou-se, pela repetição desta ocorrência milhares de vezes, por quase duas
centenas de anos.
Examinando essa criança sofredora como enigma sem solução, alguns médicos insensatos da
Terra se lembrarão talvez da “morte suave”; ignoram que, entre as paredes deste lar modesto, o
Médico Divino, utilizando um corpo incurável e o amor, até o sacrifício, de um coração materno,
restitui o equilíbrio a espíritos eternos, a fim de que sobre as ruínas do passado possam irmanar-se
para gloriosos destinos.
André Luiz - No Mundo Maior – Cap. 5 – O Poder do Amor
2.2 Desafios Materiais/Socias
2.2.1 A Diversidades das Relações Familiares
Vamos, então, analisar alguns desafios que a família hoje encontra para cumprir essa
missão.
Famílias recompostas: em que coabitam filhos de pais diferentes. Às vezes, sob o mesmo teto,
regras que servem para uns filhos, não são valem – e o que é pior – não são aceitas por outros. É comum,
nesses dois casos, se ouvir: “Você não é meu pai.”; “Você não é minha mãe.”; ou “Você não manda em
mim”.
Guarda compartilhada: Crianças e jovens que vivem em dois lares, quando os genitores têm
a guarda compartilhada.
Fosso geracional: que implica falta de referência dos pais para lidar com os filhos dessa geração
que aí está.
Pais e filhos sob as mesmas influências sociais: há muitos pais que estão tendo dificuldades
de ler as emoções nos rostos dos seus filhos, de tanto distanciamento físico que existe entre eles.
Lúcia Moyses – ENEEIJ – 1º Encontro Nacional de Evangelizadores Espíritas/2018 – A
Família na perspectiva da geração nova –
Na maioria dos países industrializados, casa-se cada vez menos e cada vez mais tarde. Mais
raros e mais tardios, esses casamentos são menos duráveis, com os filhos de divorciados formando com
frequência a terça parte de uma sala de aula.
Paralelamente, assiste-se a um aumento dos nascimentos extraconjugais e a um forte
crescimento de famílias em que mãe e pai são um só – geralmente a mulher, mãe solteira ou divorciada
–, que assume a guarda e o encargo dos filhos.
Muitas crianças, crescendo entre mães e professoras, praticamente só vêem rostos femininos.
(...) Virtualmente não se transmite mais quase nada aos filhos: nem fortuna, nem profissão, nem
crenças, nem saberes. Os Pais fazem triste figura diante dos novos meios de comunicação, como a
informática, que seus filhos dominam de olhos vendados.
(...) Os Pais perderam seus papéis de iniciadores do saber de que os filhos precisam, o que
altera profundamente o relacionamento familiar.
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A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
(...)Não é a família em si que nossos contemporâneos recusam, mas o modelo excessivamente
rígido e normativo que assumiu no século XIX.
Eles rejeitam o nó, não o ninho.
A casa é, cada vez mais, o centro da existência.
O lar oferece, num mundo duro, um abrigo, uma proteção, um pouco de calor humano.
O que eles desejam é conciliar as vantagens da solidariedade familiar e as da liberdade
individual.
Tateando, esboçam novos modelos de famílias, mais igualitárias nas relações de sexos e de
idades, mais flexíveis em suas temporalidades e em seus componentes, menos sujeitas às regras e mais
ao desejo.
O que se gostaria de conservar da família, no terceiro milênio, são seus aspectos positivos: a
solidariedade, a fraternidade, a ajuda mútua, os laços de afeto e o amor. Belo sonho.
Michelle Perrot – Veja 25anos – Reflexões para o futuro – São Paulo/Abril, 1993 – O Nó e o
Ninho,
Umberto Ferreira – Revista Reformador – 1994 – Maio – Reflexões sobre a Família
Nota: Michelle Perrot (Paris, 18 de maio de 1928) – historiadora e professora emérita
da Universidade de Paris. É especialista na história do século XIX. Em 2009 ganhou o Prémio Femina
de Ensaio da França. Recebeu dentre outros prêmios as condecorações da Legião de Honra da França
e Officier de l’Ordre National du Mérite.
Atualmente, valemo-nos da expressão “relações sociofamiliares” e não apenas família, tendo
em vista que a família se encontra tão plural quanto a sociedade.
(...) Neste sentido, atualmente, as famílias tidas como convencionais, nuclear burguesa, não são
uma realidade única, mas seu espaço social está sendo compartilhado por arranjos familiares
diferenciados, tais como:
Famílias monoparentais chefiadas por mulheres ou por homens;
Família nuclear de duas gerações, unidas pelo matrimônio, com seus filhos biológicos ou não,
com diferenças de idade até em certa medida significativas entre os cônjuges;
Família adotiva temporária, nesse caso geralmente constituída por jovens que dividem o
espaço doméstico por certo período de tempo, por exemplo, durante a faculdade, em que muitas vezes
se encontram longe de suas famílias de origem, ou aquelas compostas por várias pessoas que vivem
juntas, com ou sem vinculação legal, mas que dividem as despesas financeiras e possuem compromisso
afetivos de cuidado e de proteção;
Famílias adotivas binacionais ou multiculturais; casais que podem morar separadamente;
Famílias oriundas de divórcios anteriores com ou sem filhos do casamento anterior e,
finalmente,
Famílias homoafetivas com ou sem filhos.
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A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
Adalgiza Campos Balieiro – Revista Reformador – 2018 – Fevereiro – A Família se
Reinventa
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A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
2.2.2 A Vivência Materialista
Ao que podemos contemplar, a família acha-se, de um modo geral, descuidada nos mais
diversificados aspectos da vida, considerando-se o seu papel de "escola das almas", e a primeira escola
por sinal dos que chegam no mundo terreno.
Entretanto, as raízes atormentadoras de tanto desajuste familiar, vemos na vivência
materialista, sem as noções básicas quanto ao Espírito imortal, a descrença em Deus, embora a maioria
professe rituais e cultos variados e vazios de conteúdo mais profundo acerca da vida.
É aí que o conhecimento da reencarnação, da lei de causa e efeito, conforme ensina o
Espiritismo, pode despertar os pais, os filhos, esposos, para que reflitam acerca das responsabilidades
graves que têm, em face das relações familiares, com vistas ao futuro de alegrias e de paz.
Raul Teixeira – Entrevista em Catanduva-SP – Jornal Mundo Espírita – 1986 – Agosto
Transformando os Pais em meros mantenedores econômicos da família, tiram-lhes a
autoridade moral, gerando o falso conceito de liberdade plena e auto-satisfação contínua, assim
desenvolvendo o conceito doentio de direitos sem correspondentes deveres.
Por sua vez, muitos Pais, desejosos de fugir às responsabilidades que os filhos impõem
naturalmente, adotam o mesmo estilo de conduta, deixando de educá-los, sob a alegação da
necessidade de não os oprimir, porque não sabem colocar limites entre o que é possível ceder e deve
ser concedido, em relação ao que devem, mas não podem ou podem, mas não devem oferecer...
Esse mecanismo faculta-lhes a permissividade que o educando não tem condições de absorver,
naufragando, desde cedo, nos abusos de toda ordem, com prejuízo da futura realização moral, social,
profissional e doméstica, ao se tornar genitor...
Joanna de Angelis – Constelação Familiar – Cap. 29 – A Família hodierna
O livro O Executivo & sua Família, afirma – “o sucesso dos pais não garante a felicidade dos
filhos”, do psiquiatra e psicoterapeuta Içami Tiba
Por isso, afirma Tiba, “o melhor investimento não é o plano de previdência privada, mas
sim o relacionamento com os filhos”. Se não for assim, diz o autor, “a pessoa corre o risco de acabar
num asilo, rica, mas sem afeto”.
(...) Tiba chega a afirmar que, às vezes, os filhos formam-se de tal maneira distante da própria
família que nem adquirem seus valores nem absorvem o espírito da formação de um lar.
Carlos Abranches – Revista Reformador – 1999 – Julho – Sucesso no Trabalho, fracasso em
Casa
Indispensável ouvi-los, sem que sejam transformados em reizinhos ou princesinhas, sempre com
a última palavra na relação familiar, convertidos em criaturas mimadas e caprichosas, o que seria fatal
no processo da sua formação moral tanto para a família quanto para a sociedade, uma vez que eles
mesmos se tornariam pessoas muito infelizes.
Aprende, pai ou mãe, a fazê-los também ouvintes do que tenhas a lhes dizer, quando lhes fales
sem arrogância, sem crueldade, sem autoritarismo, sem aranzéis, sem gritarias ou encenações de todo
indevidas, quanto dispensáveis.
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(...) Crê, contudo, que tantos tormentos que encontra hoje, aqui e, ali, no íntimo de tantos lares,
devem-se ao relaxamento, ao descaso para com a educação, tida por muitos como algo dispensável
e cerceadora da liberdade.
Não adiras a essa onda e deixa-te conduzir pelo pensamento luminar do Cristo ao propor: Deixai
que venham a mim os pequeninos ...
Camilo - Nos Passos da Vida Terrestre - Cap. 8 - Descaso na Educação
O que vem acontecendo, quase sempre, nas estruturas do mundo, é uma interpretação
equivocada de como deve ser o nosso relacionamento com os nossos filhos. Muitas vezes, os
enchemos de proteção. Protegemos de tal forma os filhos que eles ficam incapazes, não sabem dar um
passo por si mesmos, não sabem dizer nada sem olhar para nós e pedir permissão com o olhar.
Tornam-se criaturas completamente verdes, flores de estufa, na grande construção da
vida. Certamente sofrerão. Quantas são as vezes em que os enchemos de dinheiro. Para nossos filhos
não falta nada, não falta coisa alguma. Não faltam as coisas.
É importantíssimo que percebamos se, isto é, o devido, se deveríamos encher os nossos filhos
de recursos pecuniários, de mesadas, de dinheiro para que eles aprendam a ganhar sem fazer qualquer
esforço, aprendam a ter coisas que outros trabalharam por eles. Para eles, na medida em que o tempo
passe, a vida terá que ser assim: Alguém trabalha para mim, eu usufruo.
Começaremos a criar os nossos filhos com essa mentalidade de que eles só exigem, só querem.
Apenas cobram e os pais, na condição de Banco Central, de Caixa Econômica, de burra, de
recursos amoedados. Mas não foram nossos filhos que se fizeram assim. Nós os estamos acomodando
a esse status quo.
Outras vezes, enchemos nossos filhos de coisas, de bugigangas, damos-lhes os carros que eles
querem, as motos que eles querem, as roupas que eles querem, as marcas que eles querem e, para isso,
nos desdobramos trabalhando, fazendo extra, tendo que tirar de algum lugar para locupletar a vontade
dos filhos.
(...) Quantas e quantas vezes fazemos com os nossos filhos como na brincadeira das cabras-
cegas. Vendamos-lhes os olhos para a realidade do mundo, rodopiamos nossos filhos em torno das
quinquilharias da Terra e os soltamos. E eles se acharão completamente tontos. A tendência será errar o
caminho, a tendência será cair, perder-se.
(...) Nunca sabemos quem são os nossos filhos. Não foi por outra razão que Jesus Cristo, ao
conversar com Nicodemos, de acordo com o Evangelho de São João, lhe disse: O Espírito sopra onde
quer, não sabemos de onde vem nem para onde vai, de que realidades experienciais ele vem, para que
realidades experienciais ele vai. Por causa disso, vale a pena termos cuidado com o tipo de norte que
estamos dando aos nossos filhos.
Imaginando que seus filhos sejam seus pertences, são muitos os pais, são muitas as mães que os
criam como se os fossem colocar numa redoma e venerá-los para sempre aos seus pés. Nossos filhos
são aves que devem voar, singrar altos céus, missionários que todos eles são, em nível alto, em nível
mais simples e para isto devemos cooperar.
Raul Teixeira - Federação Espírita do Paraná - Programa Vida e Valores, de número 184 –
2009
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A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
Deploravelmente, invertendo por completo, a hierarquia dos valores reclamados pelos filhos,
Pais existem que só se preocupam com o futuro deles e, no afã de preparar-lhes “dias melhores”,
isto é, uma vida de luxo e regalos, esquecem-se do essencial, que é proporcionar-lhes, no presente,
aquele ambiente repleto de amor, compreensão, ternura, paz e alegria, indispensável a uma boa
educação, isenta dos problemas de personalidade.
(...) Quantas vezes, a falta de diálogo com os filhos e, consequentemente, o desconhecimento
do que lhes vai pela alma, tem feito com que interpretemos mal suas atitudes, julgando-as agressivas e
desrespeitosas, quando não passam de apelos dramáticos para que nos apercebamos de que eles
existem?
E quantas outras, ao se sentirem perplexos face a uma situação inusitada, precisariam não que
lhes aumentássemos a “mesada” ou que os presenteássemos com um carro novo, mas simplesmente que
nos sentássemos a seu lado e nos dispuséssemos a ouví-los, pelo menos durante quinze ou vinte minutos?
Como pretender, pois, que eles nos estimem e nos demonstrem gratidão, a traduzir-se por uma
conduta irreprochável, se o que recebem de nós são migalhas afetivas nem sempre dadas de boa
vontade, insuficientes para saciar a fome de carinho que os consome?
Rodolfo Calligaris – A Vida em Família – 2º Parte – Relacionamento entre Pais e Filhos – Item –
Preservemos os vínculos Familiares
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A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
2.2.3 A Vulgarização dos Valores Éticos
Modernamente, ante a precipitação dos conceitos que generalizam na vulgaridade os valores
éticos, tem-se a impressão de que paira rude ameaça sobre a estabilidade da família. Mais do que nunca,
porém, o conjunto doméstico se deve impor para a sobrevivência a benefício da soberania da própria
Humanidade.
A família é mais do que o resultante genético... São os ideais, os sonhos, os anelos, as lutas e
árduas tarefas, os sofrimentos e as aspirações, as tradições morais elevadas que se cimentam nos liames
da concessão divina, no mesmo grupo doméstico onde medram as nobres expressões da elevação
espiritual na Terra.
Quando a família periclita, por esta ou aquela razão, sem dúvida a sociedade está a um passo do
malogro...
Joanna de Angelis – Estudos Espíritas – Cap. 24 – Família
Tendo em vista os avanços da ciência e da tecnologia, ao lado das contínuas revoluções
sociopsicológicas, a família hodierna está buscando parâmetros de equilíbrio para sobreviver aos
fenômenos do caos de natureza moral que se alastra por toda parte, em tentativas infrutíferas de
extingui-la.
Confundindo libertinagem com liberdade e agressão com renovação, muitos indivíduos
vêm-se tornando ícones da infância e da juventude, que desconsideram, em referência à formação moral,
propondo todo tipo de concessão, sem levar em conta os fatores psicológicos de entendimento e de
responsabilidade que nelas vigem, em torno dos comportamentos e realizações.
Joanna de Angelis – Constelação Familiar – Cap. 29 – A Família hodierna
Pais e mães de família não sabem mais o que pensar das estranhas idéias dos filhos da tv, do
rádio, dos filmes policiais e pornográficos, das histórias em quadrinhos; para muitos, liberdade significa
permissão para subverter a ordem e o respeito. Contravenção virou valentia.
Pedro Finkler – Compreender e Entender os Outros – Introdução
Faz-se urgente o retorno de Jesus à Família.
Somente a Sua presença no lar pode oferecer segurança e equilíbrio para todos quantos se
encontram à mercê dos instrumentos de comunicação, preocupados com o consumidor e desinteressados
totalmente da criatura.
A análise da palavra de Jesus em reunião familiar, ao invés de se manifestar como uma questão
religiosa, repetitiva e automática, deve ser rica de encantamento, de fraternidade, em debate franco,
filosófico e de renovação social de maneira que expresse um cometimento para desenvolver o
pensamento, a capacidade de entender a vida e a permuta de idéias.
Joanna de Angelis – Revista Reformador – 1999 – Março – Jesus e Família
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2.2.4 A Terceirização da Criança
O livro O Executivo & sua família, afirma – “o sucesso dos pais não garante a felicidade dos
filhos”, do psiquiatra e psicoterapeuta Içami Tiba
Por isso, afirma Tiba, “o melhor investimento não é o plano de previdência privada, mas
sim o relacionamento com os filhos”. Se não for assim, diz o autor, “a pessoa corre o risco de acabar
num asilo, rica, mas sem afeto”.
Os pais que se submeteram aos caprichos dos filhos – crianças que tudo queriam, vorazes de
desejos – acabaram por criar pequenos tiranos, que entenderam tudo o que receberam como direitos e,
por isso, nunca se sentiram gratos aos esforços paternos.
Essa geração é, hoje, a que está tendo filhos, em plena era de domínio da informática, da Internet
e da TV.
Conclusão óbvia: a escola e o lar não são mais as únicas instituições sociais que trabalham
a educação da garotada. Se as duas primeiras falharam no período mais grave da vida da criança – a
infância –, atualmente pai e mãe saem para o serviço e o filho acaba até achando bom, pois vai poder
viajar sem limites na rede mundial de informações.
Tiba chega a afirmar que, às vezes, os filhos formam-se de tal maneira distante da própria
família que nem adquirem seus valores nem absorvem o espírito da formação de um lar.
Carlos Abranches – Revista Reformador – 1999 – Julho – Sucesso no Trabalho, fracasso em
Casa
Faz-se, assim, importante que a mãe que trabalhe fora de casa, empreenda maiores esforços
para envolver a criança, atendê-la, entendê-la, ajudá-la em seus trabalhos escolares, dialogando
sempre. Enfim, torna-se imprescindível que os pais, e particularmente a mãe, conversem com as
crianças sobre as razões ponderáveis.
Não deverão os pais, em chegando ao lar, fixarem-se nas intermináveis novelas, em leituras de
jornais delongadas, irritando-se com a aproximação ou solicitação dos pequenos, aos quais, antes
deveriam buscar para aconchegá-los.
Nesses casos, depois que os pais cheguem em casa, eles próprios superarão o cansaço para
cuidarem, com atenção e carinho, dos filhos que ficaram sem eles durante todo o dia, ou grande parte
do dia. Os finais de semana, igualmente, deverão ser passados junto dos filhos, aproveitados na
companhia deles, salvo em casos de necessidade imperiosa que determina o contrário.
Necessário se faz renunciar a alguns prazeres e divertimentos, enquanto os filhos disto careçam,
a fim de formá-los no equilíbrio para o futuro, agindo dentro da orientação espírita, de acordo com o
que nos lembra a Codificação Espírita.
Raul Teixeira – Entrevista em Catanduva-SP – Jornal Mundo Espírita – 1986 – Agosto
Claro que a qualidade do relacionamento é muito importante, mas qual o mínimo de tempo
considerado ideal?
Dez minutos por dia?
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A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
Três ou quatro beijinhos sôfregos antes de sair correndo ou ao voltar do trabalho e encontrar a
criança já na cama, banhada e alimentada?
Isso é qualidade? E nos fins de semana? Trazer trabalho para casa e ficar o fim de semana
inteiro plugado no computador, resolvendo os problemas da firma e pedindo silêncio, às vezes irritado
porque precisa trabalhar?
Alguém já fez uma planilha e se deu conta de quanto tempo fica com os filhos por dia, por
semana, por mês?
Já pensou o que isso vai significar no final de um ano ou de toda a infância?
Qual o percentual de presença que você está dando para seus filhos?
José Martins Filho – A Criança Terceirizada – Cap. 6 – Os descaminhos das Relações Familiares no
mundo contemporâneo
Pouca gente se dará conta de que esses menores abandonados não são apenas os que nascem
nos guetos, nas favelas, mas todos aqueles que deixaram de receber de alguma maneira, o suporte,
a atenção, o respaldo sejam da família, seja dos governos, seja da sociedade em geral.
É dessa maneira que vamos encontrando menores abandonados que nunca poderíamos supor
que o fossem. Porque eles estão dentro dos lares, com seu pai, com sua mãe, com seus irmãos, mas
costumeiramente são órfãos. Órfãos sociais, órfãos, diríamos, de pais vivos.
E quando é que essa situação passará a ocorrer? Quando é que teremos esses órfãos de pais
vivos?
Todas as vezes que eles recebam desses pais coisas, mas não tenham propriamente os pais.
Seja pelo motivo que for. Se essas crianças, se esses moços estiverem fadados a crescer nas mãos de
servidores domésticos ou nas mãos da via pública, sob o impacto das violências cotidianas das ruas da
cidade, serão menores abandonados.
Abandonados pelos pais, que nunca têm tempo para conversar com eles, para dialogar com eles,
de explicar-lhes os perigos encontrados pelas avenidas do mundo nas pessoas que não merecem
confiança. Serão menores abandonados pelas autoridades que pouco se preocupam com o menor em si.
(...)
Nós temos tantos menores abandonados nas ruas, como os temos nos lares, onde os pais lhes
dão brinquedos, brindes, viagens, dinheiro, carros, motos, mas não lhes dão o coração.
(...)
Aqueles meninos, meninas que vivem dentro de casa com seu pai, com sua mãe, apenas como
um dado. É que esses pais são sempre ausentes, seja pelo trabalho, seja pela vida social intensa que
levam, seja porque motivo for.
Esses moços, essas crianças, esses jovens ou adolescentes, o que é que deverão pensar, o que é
que lhes passa pela cabeça?
Parecerá que eles são verdadeiros estorvos na vida dos seus pais. Porque os pais nunca têm
tempo para eles. Sempre coisas muito rápidas para atender a necessidades econômico-financeiras, para
dar-lhes dinheiro, para ouvir a respeito de alguma das suas necessidades.
38/87
A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
Aqueles que têm casa, que têm pão, que têm comida, que têm roupa, que têm quase tudo, mas
lhes falta o amor dos pais, cabe-nos pensar no estilo de apoio que estamos dando às nossas crianças,
nossos filhos, nossos menores.
E, honestamente, verificarmos se, apesar de todas as coisas que lhes damos, se não estamos
convertendo nossos filhos em outros tantos menores abandonados.
Raul Teixeira – Federação Espírita do Paraná - Programa Vida e Valores, de número 105 –
– Menores Abandonados
(...) A fornalha mais preciosa para o amoldamento do caráter e da personalidade é o lar.
Quando esse falta, deixando o ser em formação em mãos estranhas ou ao abandono, o
sofrimento marca-lhe o desenvolvimento psicológico, que passa a exigir terapia de amor muito bem
direcionada, evitando-se os apelos de compaixão, de proteção injustificada, para se tornar natural,
franco, encorajador, e que faculte a compreensão do educando sobre o fenômeno que lhe aconteceu, mas
em realidade não lhe pode afetar a existência, desde que se trata de uma ocorrência proposta pelas Leis
naturais da Vida.
O ser humano, em qualquer fase do seu desenvolvimento na Escola terrestre, é sempre aprendiz
sensível a quem o amor oferece os mais poderosos recursos para a felicidade ou para a desdita,
dependendo de como esse seja encaminhado.
O lar, desse modo, é oficina de crescimento moral e intelectual, mas sobretudo espiritual,
que deve ser aprimorado sempre, abrindo espaço para tornar-se célula eficiente da sociedade.
Joanna de Angelis – O Despertar do Espírito – Cap. – Relacionamentos Familiares
A distância entre as gerações e a interferência da televisão, que funciona como babá para a
criança e como calmante para o adulto, agrava ainda mais os problemas em casa.
Observa-se que, no mundo moderno, encontrar um tempo para sentar e conversar com o filho,
ou com os pais, não é fácil. Deste modo, compartilhar experiências, falar sobre sentimentos e trocar
idéias são privilégios de poucas famílias.
Neste contexto, a comunicação se mantém precária e limitada aos aspectos superficiais do
quotidiano.
Vale frisar que não se trata de medir a harmonia de uma família pelo tempo em que seus
membros estão juntos, mas de verificar a qualidade dessa vivência em comum.
Elaine Curti Ramazzini – A Família, o Espirito e o Tempo – Família – visão Psicológica
Mamãe vai para o trabalho,
A criança chora e chama,
Tem sede e fome de amor,
Mas ninguém lhe nota o drama,
Depois das mãos da enfermeira
Vai para os braços da ama.
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A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
A ama vive no esquema,
O nenê quer conversar,
Papai, porém, não tem horas
Para carinhos no lar,
A mamãe regressa tarde,
Precisa repousar.
A criança tem de tudo,
Brinquedos, roupa enfeitada,
Aniversários em festa,
Televisão e mesada,
Mas dos pais de quem nasceu
Já sente rejeitada.
Aí começa o salseiro
Do lar a se decompor,
Rara é a criança que chega
Da vida superior,
Quase sempre é parentela,
Pedindo pousada e amor.
Sentindo-se em menosprezo,
O espírito renascente
Sem apoio que o remove,
Faz-se rebelde e doente,
Frio amargo e revoltado
Mesmo forte e inteligente.
Hoje, ouvindo professores,
Falando de educação,
Não sei quando o não é sim,
Nem sei quando o sim é não,
Só peço aos pais que observem
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A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros
A lei da reencarnação.
Organizar o futuro
Para melhor é dever,
Mas aqui falo a verdade
Que todos devem saber:
O que se faz à criança
É o que vai acontecer.
Leandro Gomes de Barros – Família – Cap. 10 – Cantoria da Criança
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  • 1. i A FAMÍLIA NA TUALIDADE – DESAFIOS Encontros e Desencontros
  • 2. ii A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros SUMÁRIO 1. A Família e sua Missão .....................................................................................................1 1.1 Amparo e Suporte.................................................................................................1 1.2 Aperfeiçoamento Mútuo.......................................................................................3 1.3 Reajuste e Rearmonização Espiritual ...................................................................5 1.4 Polo de Indução ....................................................................................................7 2. A Família na Atualidade – Desafios na Transição Planetária ......................................8 2.1 Desafios Espirituais/Morais..................................................................................8 2.1.1 A Transição Planetária Familiar...........................................................................9 2.1.2 As Crianças e Jovens da Nova Era.....................................................................11 2.1.3 As Crianças e Jovens da Velha Era ....................................................................14 2.1.4 Flagelos Familiares “Invisíveis” –Drogadição, Depressão, Suicídio e Obsessão infanto/juvenil.......................................................................................................................16 2.1.5 Os Reajustes Reencarnatórios ............................................................................22 2.1.6 Os Níveis consciências diferentes dos membros da Família..............................26 2.1.7 Os Processos Obsessivos em integrantes da Família..........................................28 2.2 Desafios Materiais/Socias ..................................................................................29 2.2.1 A Diversidades das Relações Familiares............................................................29 2.2.2 A Vivência Materialista......................................................................................32 2.2.3 A Vulgarização dos Valores Éticos....................................................................35 2.2.4 A Terceirização da Criança ................................................................................36 2.2.5 A Comunicação Virtual abusiva.........................................................................41 2.2.6 A Formação Geracional dos Pais........................................................................44 2.2.7 A Personalidade dos Pais....................................................................................46 3. A Família na Atualidade – Desafios na Pandemia .......................................................48 3.1 Agravamento das diferenças Reencarnatórias: Casal/Filhos/Parentes...............48 3.2 As dificuldades no suporte aos Resgates Familiares: Autismo/Síndromes/Depressão/Obsessão ............................................................................50 3.3 O recrudescimento da Solidão Grupal: Casal/Filhos..........................................51 3.4 O aumento do distanciamento dos Idosos: Pais/Mães/Avós ..............................54 3.5 O crescimento do isolamento de Filhos de Pais separados/divorciados.............55 3.6 A insuficiência da manutenção Familiar ............................................................57
  • 3. iii A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros 3.7 A dissintonia entre Pais Educadores e Pais Fornecedores..................................59 3.8 O Presenteísmo/absenteísmo Familiar................................................................61 3.9 O Coma Emocional ............................................................................................62 3.10 O aumento da sobrecarga funcional sobre alguns membros da Família ............64 4. A Família na Atualidade – Diretrizes para um Relacionamento Harmônico ...........66 4.1 Desenvolver o Discernimento Espiritual............................................................66 4.2 Aprimorar a Afetividade.....................................................................................68 4.2.1 Implementar uma Comunicação Amorosa – falar/ouvir com o Coração...........68 4.2.2 Utilizar o Silêncio construtivo – respeitar o silêncio do Outro ..........................70 4.2.3 Evitar Ressuscitar Cadáveres – compaixão/perdão/esquecimento.....................73 4.2.4 Sorrir Confiante - Fé/Esperança/Paciência.........................................................80 4.3 Vivenciar o Trabalho-Serviço – a abnegação familiar.......................................82 4.4 Envolver-se no Orar Dinâmico=Interligar/Comungar + Proteger/Higienizar....85 4.4.1 Interligar/Comungar ...........................................................................................85 4.4.2 Proteger/Higienizar.............................................................................................89 5. A Família na Atualidade – Depoimentos – Acertos e Desacertos ...............................93 5.1 De um Pai Encarnado .........................................................................................93 5.2 De um Pai Desencarnado....................................................................................96 5.3 De uma Mãe Encarnada......................................................................................98 5.4 De uma Mãe Desencarnada..............................................................................100 5.5 De um Filho Encarnado....................................................................................102 5.6 De um Filho Desencarnado ..............................................................................103 6. A Família na Atualidade – Cartas ...............................................................................105 6.1 Carta aos Pais ...................................................................................................105 6.2 Carta aos Filhos ................................................................................................108 7. Referências.....................................................................................................................110
  • 4. 1/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros 1. A Família e sua Missão “Mas se alguém não tem cuidado dos seus e principalmente dos da sua Família, negou a fé e é pior do que o infiel”. Paulo de Tarso – I TIMÓTEO, 5:8. “O mundo pode fabricar novas indústrias, novos arranha-céus, erguer estátuas e cidades, mas, sem a benção do lar, nunca haverá felicidade verdadeira”. André Luiz/Aniceto – Os Mensageiros – Cap. 37 – No Santuário Doméstico 1.1 Amparo e Suporte Os liames sociais são necessários ao progresso e os laços de família estreitam os laços sociais: eis porque eles constituem uma lei natural. Deus quis que os homens, assim, aprendessem a amar-se como irmãos. Allan Kardec – O Livro dos Espíritos – 3º Parte – Cap. 7 – Item 3 – Perg. 774 Quando o lar se estiola e a família se desorganiza a Sociedade combale e estertora. De nobre significação, a família não são apenas os que se amam, através dos vínculos da consanguinidade, mas, também, da tolerância e solidariedade que se devem doar os equilibrados e afáveis aos que constituem os elos fracos, perturbadores e em deperecimento no clã doméstico. Joanna de Angelis – SOS Família – Cap. 25 – Filhos Ingratos A fim de que aprendamos, ao longo das eras, a nos dedicar o verdadeiro amor, reciprocamente, deveremos, antes, aprender a vivenciar esse amor em suas expressões mais variadas, em pequenos grupos aos quais chamamos familiares – verdadeiros laboratórios em que aprendemos a conviver com espíritos das mais diferentes inclinações, gostos e posturas ante a existência – locus em que aprendemos a respeitar individualidades, personalidades, distintos posicionamentos. (...) Assim, numa só existência o indivíduo molda personalidades de filho ou filha, de esposo ou esposa, de pai ou de mãe, de irmão ou de irmã, de avô ou de avó, e de outros laços secundários. Cada alma, reencarnações afora, aprende a sensibilizar-se, a portar-se, a agir e a reagir, a sofrer e a amar, vivenciando cada uma dessas relações, em famílias forjadas segundo povos, etnias e raças variados, conforme culturas diferentes. Não podemos estranhar, com isso, a multiplicidade de valores, de coerências e incoerências, de grandezas e pequenezas, de gostos, de anseios, de liberdades, de algemas, de alegrias e tristezas endógenas que encontramos em indivíduos e em grupos de indivíduos. São somatórios, subtrações, multiplicações e divisões de tudo o que vêm acumulando, fixando, ganhando e perdendo, pelos milênios afora. É desse modo, no mundo, que Deus nos mostra que para conseguir amar multidões inumeráveis de irmãos nossos, temos que aprendê-lo pelo exercício desse amor a pequenos grupos de três, cinco ou dez pessoas, dentro do lar, uma vez que ninguém pode ser fiel em grandes obras, se não consegue sê-lo nas obras pequenas, conforme o ensino de Jesus. Camilo – Desafios da vida Familiar – Cap. 1 – O Sentido da Família Jamais a família desaparecerá, porque a criança dependente nos braços adultos, inspira ternura e devotamento, trabalhando as emoções para o entendimento e a comunhão dos genitores em sua volta, dando surgimento ao grupo consanguíneo e à afetividade mais pessoal.
  • 5. 2/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros As mudanças continuarão ocorrendo, conforme as conquistas de cada época, sem que a família perca os seus alicerces de segurança, quais sejam: a fidelidade ao grupo, o amparo recíproco, a proteção, como decorrência do sentimento de amor, preparando para a união com as demais associações, na identificação universal. (...) Reflexionando neste novo programa de construção da família moderna e saudável, o Espiritismo, com os seus nobres conceitos de ética-moral, fundamentados na crença em Deus, na imortalidade, na comunicabilidade dos espíritos, na reencarnação, oferece os pilotis vigorosos para que se torne realidade o clã de paz e de amor que todos anelam. Joanna de Angelis – Constelação Familiar – Cap. 29 – A Família hodierna Não é a família em si que nossos contemporâneos recusam, mas o modelo excessivamente rígido e normativo que assumiu no século XIX. Eles rejeitam o nó, não o ninho. A casa é, cada vez mais, o centro da existência. O lar oferece, num mundo duro, um abrigo, uma proteção, um pouco de calor humano. O que eles desejam é conciliar as vantagens da solidariedade familiar e as da liberdade individual. Tateando, esboçam novos modelos de famílias, mais igualitárias nas relações de sexos e de idades, mais flexíveis em suas temporalidades e em seus componentes, menos sujeitas às regras e mais ao desejo. O que se gostaria de conservar da família, no terceiro milênio, são seus aspectos positivos: a solidariedade, a fraternidade, a ajuda mútua, os laços de afeto e o amor. Belo sonho. Michelle Perrot – Veja 25 anos – Reflexões para o futuro – São Paulo/Abril, 1993 – O Nó e o Ninho, Umberto Ferreira – Revista Reformador – 1994 – Maio – Reflexões sobre a Família Os Pais não são os construtores da vida, porém, os médiuns dela, plasmando-a, sob a divina diretriz do Senhor. Tornam-se instrumentos da oportunidade para os que sucumbiram nas lutas ou se perderam nos tentames da evolução, algumas vezes se transformando em veículos para os embaixadores da verdade descerem ao mundo em agonia demorada. A carne gera a carne, mas o espírito não produz o espírito. O filhinho que te chega é compromisso para a tua existência. Não o temas, nunca. Não o ofendas com a falsa valorização dele, em demasia. Recorda-lhe a humildade, considerando a procedência de todos nós e o lugar comum do barro orgânico... E orienta-o dignamente, sem cessar. Joanna de Angelis – SOS família – Cap. 17 – Perante a Prole De todos os institutos sociais existentes na Terra, a Família é o mais importante, do ponto de vista dos alicerces morais que regem a vida. Emmanuel – Vida e Sexo – Cap.17 – Aborto
  • 6. 3/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros 1.2 Aperfeiçoamento Mútuo Deus permite, nas famílias, essas encarnações de espíritos antipáticos ou estranhos, com o duplo objetivo de servir de prova para alguns, e de meio de adiantamento para outros. Os maus se melhoram pouco a pouco ao contato dos bons e pelos cuidados que deles recebem; seu caráter se abranda, seus costumes se depuram e suas antipatias se apagam; é assim que se estabelece a fusão entre as diferentes categorias de espíritos, como ocorre na Terra, entre as raças e os povos. Allan Kardec – Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap 4 – Item 19 Teu lar, tua escola. Aí dentro, serás professor e aluno ao mesmo tempo. Erguer-te-ás na cátedra do dever cumprido e transmitirás o ensinamento vivo do bom exemplo aos que te acompanham. Por outro lado, ouvirás, talvez, aí nesse abençoado cenáculo de aperfeiçoamento moral, frases agressivas ou conceitos ferinos que desconheces na vida pública, a fim de que aprendas paciência e humildade, no trato da purificação. Emmanuel – No Portal da Luz – Cap. 8 – Familiares Incompreensivos Os Pais educam para a sociedade, quanto para si mesmos. Examina a tua vida e dela retira as experiências com que possas brindar a tua prole. Tens conquistas pessoais, porquanto já trilhaste o caminho da infância, da adolescência e sabes de moto próprio discernir entre os erros e acertos dos teus educadores, identificando o que de melhor possuis para dar. Joanna de Angelis – SOS Família – Cap. 14 – Deveres dos Pais Vale pensar seriamente sobre as razões pelas quais tais ou quais Espíritos estão na condição de teus filhos, vinculados biologicamente a ti. Há motivos ponderáveis e outros imponderáveis para que os tenhas como produtos da tua cooperação fisiológica com o Criador. Considerando que o Pai da vida não comete equívocos em seus desígnios, em suas leis, tens as condições necessárias e suficientes para impulsionar os teus descendentes para os caminhos do bem, seguindo junto a eles com teus testemunhos de fidelidade aos céus. É nas páginas luculentas de o Evangelho segundo o Espiritismo que encontramos as referências de Santo Agostinho a respeito dos compromissos dos genitores para com seus filhos, ou seja, os de encaminhá-los para o criador. Esse é o maior compromisso da pater-maternidade no orbe. Na mesma obra literária espírita, aqui referida, ainda o Bispo de Hipona informa que o pai da criação um dia perguntará a cada pai ou a cada mãe terrestre: que fizeste do filho que te confiei? Esta é uma pergunta desnorteadora, pois eclode no âmago da consciência, fazendo cada genitor refletir sobre o uso que fez do acesso espiritual à alma dos filhos; é quando cada um verificará se a omissão se deu por preguiça, por ignorância, por causa da filosofia religiosa ou política que adotou. Para todos os casos o senhor terá solução diferente, encaminhamento diverso, até mesmo programando o retorno às reencarnações dos pais e dos filhos, daqueles que se perderam e daqueles outros que se tornaram responsáveis por essas perdas de ordem moral.
  • 7. 4/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros Camilo - Nos Passos da Vida Terrestre - Cap. 8 – Descaso na Educação Naturalmente que a disciplina se fazia inquestionável, desde que a reencarnação tem como objetivos primeiros a reeducação moral, o recondicionamento superior das tendências e aptidões negativas que devem ser canalizadas para metas elevadas, o ressarcimento das dívidas e a aquisição dos valores da inteligência e da moral. Para tanto, o lar é de fundamental importância, por ser o primeiro educandário do espírito em recomeço, numa aprendizagem que lhe fixará diretrizes para toda a existência. Vitor Hugo - 100 Reflexões Filosóficas e Cor Local nos Romances - Cap. 18 - O amor e a educação na infância Maternidade e paternidade são magistérios sublimes. Lar, primeira escola; pais, primeiros professores; primeiro dia de vida, primeira aula do filho. Pais e educadores! Se o lar deve entrosar-se com a escola, o culto do Evangelho em casa deve unir-se à matéria lecionada em classe, na iluminação da mente em trânsito para as esferas superiores de Vida. André Luiz - O Espírito da Verdade – Cap. 16 - Educação
  • 8. 5/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros 1.3 Reajuste e Rearmonização Espiritual Família – Espelho vivo do nosso pretérito. Caldeira de refinamento do óleo bruto do Espírito – dilui, em temperatura elevada de tensão irresistível, as paixões rudes fixadas nas peças sensíveis da máquina psíquica. Marco Prisco – Ementário Espírita – Cap. 6 – No Lar A Família é abençoada escola de educação moral e espiritual, oficina santificante onde se lapidam caracteres; laboratório superior em que se caldeiam sentimentos, estruturam aspirações, refinam idéias, transformam mazelas antigas em possibilidades preciosas para a elaboração de misteres edificantes. Joanna de Angelis – SOS Família – Cap. 25 – Filhos Ingratos A paz do mundo começa sob as telhas a que nos acolhemos. Se não aprendemos a viver em paz, entre quatro paredes, como aguardar a harmonia das nações? Neio Lucio – Jesus no Lar – Cap. 1 – O Culto Cristão no Lar Quem descobre a maneira de viver bem em seu lar, já está preparado para viver bem a vida inteira, em qualquer parte do mundo. Jácome Góes – Conceitos de Vida – Cap. 17 – A Difícil convivência no Lar Geralmente, não se reúnem a nós os companheiros que já demandaram a Esfera Superior, [dignamente] aureolados por vencedores, e sim afeiçoados menos estimáveis de outras épocas, a fim de restaurarmos o tecido da fraternidade, indispensável ao agasalho de nossa alma, na jornada para a frente. Muitas vezes, na condição de pais e filhos, cônjuges ou parentes, não passamos de devedores em resgate de antigos compromissos. Emmanuel – Nós – Cap. 5 – A Família / Família – Cap. 1 – Em Família A Família é, antes de tudo, um laboratório de experiências reparadoras, na qual a felicidade e a dor se alternam, programando a paz futura. Nem é o grupo da bênção, nem o élan da desdita. Antes é a escola de aprendizagem e redenção futura. Joanna de Angelis – SOS Família – Cap. 2 – Vida em Família Atados por compromissos anteriores, retornam, ao lar, não somente aqueles seres a quem se ama, senão aqueloutros a quem se deve ou que estão com dívidas.... Joanna de Ângelis – SOS Família - Cap. 2- Vida em Família
  • 9. 6/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros Famílias-problema! ... − Irmãos que se antagonizam... − Cônjuges em lamentáveis litígios... − Animosidades entre filho e pai, farpas de ódios entre filha e mãe... − Afetos conjugais que se desmantelam em caudais de torvas acrimônias... − Sorrisos filiais que se transfiguram em rictos de idiossincrasias e vinditas... − Tempestades verbais em discussões extemporâneas... − Agressões infelizes de consequências fatais... − Tragédias nas paredes estreitas da família... − Enfermidades rigorosas sob látegos de impiedosa maldade... − Mãos encanecidas sob tormentos de filhos dominados por ódios inomináveis. − Pais enfermos açoitados por filhas obsidiadas, em conúbios satânicos de reações violentas em cadeia de ira... − Irmãos dependentes sofrendo agressões e recebendo amargos pães, fabricados com vinagre e fel de queixas e recriminações... Famílias em guerras tiranizantes, famílias-problema! ... É da Lei Divina que o infrator renasça ligado à infração que o caracteriza. A justiça celeste estabeleceu que a sementeira tem caráter espontânea, mas a colheita tem impositivo de obrigatoriedade. Não renasceste ali por circunstância anacrônica ou casual. Não resides com uma família-problema por fator fortuito nem por engano dos Espíritos Egrégios. Escolheste, antes do retorno ao veículo físico, aqueles que dividiriam contigo as aflições superlativas e os próprios desenganos. Joanna de Angelis – Dimensões da Verdade – Cap. 52 – Dentro do Lar
  • 10. 7/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros 1.4 Polo de Indução O lar é o mais vigoroso centro de indução que conhecemos na Terra. À maneira de alguém que recebe esse ou aquele tipo de educação em estado de sonolência, o Espírito reencarnado, no período infantil, recolhe dos Pais os mapas de inclinação e conduta que lhe nortearão a existência, em processo análogo ao da escola primária, pelo qual a criança é impelida a contemplar ou mentalizar certos quadros, para refleti-los no desenvolvimento natural da instrução. As almas valorosas, dotadas de mais alto padrão moral, segundo as aquisições já feitas em numerosas reencarnações de trabalho e sacrifício, constituem exceções no ambiente doméstico, por se sobreporem a ele, exteriorizando a vontade mais enérgica de que se fazem mensageiras. Contudo, via de regra, a maioria esmagadora de Inteligências encarnadas retratam psicologicamente aqueles que lhes deram o veículo físico, transformando-se, por algum tempo, em instrumentos ou médiuns dos genitores, à face do ajustamento das ondas mentais que lhes são próprias, em circuitos conjugados, pelos quais permutam entre si os agentes mentais de que se nutrem. Somente depois que experiências mais fortes lhes renovam a feição interior, costumam os filhos alterar de maneira mais ampla os moldes mentais recebidos. André Luiz – Mecanismos da Mediunidade – Cap. 16 – Centro Indutor do Lar O berço doméstico é a primeira escola e o primeiro templo da alma. A casa do homem é a legítima exportadora de caracteres para a vida comum. Neio Lucio – Luz no Lar – Cap. 60 – Culto Cristão no Lar A escola é um lar de iniciação para as almas que começam as lides do burilamento intelectual, constituindo, simultaneamente, um centro de reflexos condicionados para milhões de espíritos que reencarnam para readquirir pelo alfabeto o trabalho das próprias conquistas na esfera da inteligência. Emmanuel – Pensamento e Vida – Cap. 9 Sugestão
  • 11. 8/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros 2. A Família na Atualidade – Desafios na Transição Planetária 2.1 Desafios Espirituais/Morais Hodiernamente, em face dos referidos fenômenos sociológicos que sacodem a organização grupal, a família tem sido a sua grande vítima, necessitando, portanto, de uma nova constituição, que não pode prescindir dos inamovíveis pilares do amor, do respeito, dos deveres entre todos os membros, assim como em relação à sociedade. Jamais a família desaparecerá, porque a criança dependente nos braços adultos, inspira ternura e devotamento, trabalhando as emoções para o entendimento e a comunhão dos genitores em sua volta, dando surgimento ao grupo consanguíneo e à afetividade mais pessoal. As mudanças continuarão ocorrendo, conforme as conquistas de cada época, sem que a família perca os seus alicerces de segurança, quais sejam: a fidelidade ao grupo, o amparo recíproco, a proteção, como decorrência do sentimento de amor, preparando para a união com as demais associações, na identificação universal. (...) Reflexionando neste novo programa de construção da família moderna e saudável, o Espiritismo, com os seus nobres conceitos de ética-moral, fundamentados na crença em Deus, na imortalidade, na comunicabilidade dos espíritos, na reencarnação, oferece os pilotis vigorosos para que se torne realidade o clã de paz e de amor que todos anelam. Joanna de Angelis – Constelação Familiar – Cap. 29 – A Família hodierna O importante na tarefa de administrar o relacionamento “pais filhos” está na nítida convicção da realidade espiritual. Ou seja, a de que trazemos em nós um vasto e pouco explorado universo inespacial extremamente rico em potencialidades, cujo conhecimento muito poderá ajudar-nos a entender melhor aquilo a que costumo chamar de o oficio de viver. Hermínio de Miranda – Nossos Filhos são Espíritos – Cap. 28 – O Ofício de Viver O que a Família experimenta, neste momento, é o abalo das estruturas hipócritas – assim como a decadência da mentalidade vitoriana, na qual os Pais, ao invés de serem AMIGOS dos filhos, eram ditadores – em que a Mulher abandonou a posição de objeto, de ser secundário, para ocupar o seu papel na Sociedade, não sendo apenas a dona de casa, a pessoa que deve ficar no lar para cuidar dos filhos, passando a responsabilidade da prole para o casal, estruturando-se, assim, uma nova ética, que é a que vem sendo apresentada pela Doutrina Espírita. Divaldo Franco – Laços de Família – Crise da Família - USE/1994
  • 12. 9/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros 2.1.1 A Transição Planetária Familiar Quando, no sermão profético (... do final dos tempos), narrado pelo evangelista Marcos, Jesus se refere às grávidas e às que amamentarem nos dias terríveis do Senhor, elucida gentilmente a respeito das atuais ocorrências familiares, das dificuldades de convivência doméstica, dos desafios educacionais no lar, dos relacionamentos afetivos entre os parceiros... O momento é, portanto, muito grave, propondo graves reflexões e elevação de sentimentos, de modo a se contribuir de maneira eficaz para que esse tormentoso período seja abreviado... Joanna de Angelis – Liberta-Te do Mal – Cap. 18 – Crianças de uma Nova Era “Época de Transição”: esta é a legenda que repetis frequentemente para definir a atualidade terrestre, em que surpreendeis, a cada passo, larga fieira de ocorrências inusitadas: • Conflitos. • Desencarnações em massa. • Acidentes enlutando almas e lares. • Desvinculações violentas. • Dramas no instituto doméstico. • Processos obsessivos, culminando com perturbações e lágrimas. • Moléstias de etiologia obscura. • Incompreensões. Forçoso observar, no entanto, que o plano físico e o plano espiritual que se lhe segue reagem constantemente um sobre o outro. Criaturas desencarnadas atuam no ambiente dos companheiros encarnados e vice-versa. E se vos reportais ao término do segundo milênio de civilização cristã em que vos achais, com a expectativa e o entusiasmo de quem se vê à frente de uma era nova, as mesmas circunstâncias se verificam na Espiritualidade, entre aqueles que aspiram a obter o retorno à Terra, expressando propósitos de auto- burilamento em nível mais alto de evolução. É por isso que legiões enormes de irmãos, domiciliados no Mais Além, vêm solicitando, desde algum tempo, • Reencarnações difíceis; • Testemunhos acerbos de aperfeiçoamento íntimo; • Tempo curto no veículo físico, de modo a complementarem tarefas inacabadas em diversos setores da experiência humana; • Presença ligeira, junto de seres queridos, a fim de chamá-los à consideração da Vida Superior; • Ou empreitadas de serviço moral para a liquidação de empreendimentos redentores, largados por eles nos caminhos do tempo. Para isso, tentam aproveitar-se da última vigésima parte do segundo milênio, a que nos referimos, para encerrarem o balanço das experiências menos felizes que lhes dizem respeito nos séculos últimos. Perante a Vida Maior, quase tudo aquilo que vedes, presentemente, em matéria de agitação ou desequilíbrio, nada mais significa que a movimentação mais intensa de vastas coletividades que retornam à Esfera Física, em regime de urgência, no intuito de conseguirem
  • 13. 10/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros retoques e meios com que possam abordar os tempos novos em condições mais dignas de trabalho e progresso. Mantenhamo-nos prudentes, abstenhamo-nos de agravar dificuldades, evitemos a formação de problemas, orando e construindo, seja nos obstáculos que nos atinjam, seja nas inquietações que assaltem aos outros. Mas sejam quais forem as circunstâncias, estejamos atentos à fé para servir e compreender, reconhecendo que todas as provas de hoje são recursos e instrumentos de que se vale a Providência Divina a fim de conduzir-nos à Vida Melhor de amanhã. Emmanuel – Diálogos dos Vivos – Cap. 21 – Dupla Renovação À semelhança das ondas oceânicas a abraçarem as praias voluptuosamente, sorvendo as rendas de espumas alvas, os novos obreiros do Senhor se sucederão ininterruptamente alterando os hábitos sociais, os costumes morais, a literatura e a arte, o conhecimento em geral, ciência e tecnologia, imprimindo novos textos de beleza que despertarão o interesse mesmo daqueles que, momentaneamente, encontram-se adormecidos. Antes, porém, de chegar esse momento, a violência, a sensualidade, a abjeção, os escândalos, a corrupção atingirão níveis dantes jamais pensados, alcançando o fundo do poço, enquanto as enfermidades degenerativas, os transtornos bipolares de conduta, as cardiopatias, os cânceres, os vícios e os desvarios sexuais clamarão por paz, pelo retorno à ética, à moral, ao equilíbrio... Frutos das paixões das criaturas que lhes sofrerão os efeitos em forma de consumpção libertadora, lentamente surgirão os valores da saúde integral, da alegria sem jaça, da harmonia pessoal, da integração no espírito cósmico da vida. Manoel Philomeno de Miranda – Transição Planetária – Cap. 3 – A Mensagem Revelação Modernamente, ante a precipitação dos conceitos que generalizam na vulgaridade os valores éticos, tem-se a impressão de que paira rude ameaça sobre a estabilidade da família. Mais do que nunca, porém, o conjunto doméstico se deve impor para a sobrevivência a benefício da soberania da própria Humanidade. A família é mais do que o resultante genético... São os ideais, os sonhos, os anelos, as lutas e árduas tarefas, os sofrimentos e as aspirações, as tradições morais elevadas que se cimentam nos liames da concessão divina, no mesmo grupo doméstico onde medram as nobres expressões da elevação espiritual na Terra. Quando a família periclita, por esta ou aquela razão, sem dúvida a sociedade está a um passo do malogro... Joanna de Angelis – Estudos Espíritas – Cap. 24 - Família Estes são como aqueles tempos, embora o espaço de dois mil anos que os separam. A opressão e a força mudaram de mãos, no entanto, prosseguem gerando infortúnio e dor. O homem, escravo das paixões, padece a hipertrofia dos sentimentos, enquanto o monstro da guerra, com sua fauce hiante, persiste em devorar vidas... Há lutas de destruição em toda parte, qual ocorria naqueles dias em que veio Jesus para dar início à Era do Espírito Imortal. Hoje, porém, pode-se adicionar àquelas condições negativas, entre outras lamentáveis ocorrências, a destruição do instituto da família, liberando crianças e jovens que se arrojam na
  • 14. 11/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros desabalada correria da loucura, a grassar avassaladora, parecendo anunciar o fim dos tempos da ética e da civilização, em desolador retorno à barbárie, ao primitivismo. Amélia Rodrigues – Terapêutica de Emergência – Cap. 4 – Evangelização – desafio de urgência Pais e mães de família não sabem mais o que pensar das estranhas idéias dos filhos da tv, do rádio, dos filmes policiais e pornográficos, das histórias em quadrinhos; para muitos, liberdade significa permissão para subverter a ordem e o respeito. Contravenção virou valentia. Pedro Finkler – Compreender e Entender os Outros – Introdução A família, por essa razão, tornou-se a célula máter do organismo social onde se desenvolvem os sentimentos, a inteligência, e o espírito desperta para as realizações superiores da vida. Por isso, toda vez que a família se desestrutura a sociedade cambaleia, a cultura degenera, a civilização se corrompe... A tecnologia atual aliada à ciência, que ensejou a conquista do Cosmo, infelizmente não pôde impedir o deterioramento da família, vitimada por inúmeros fatores que se têm enraizado no organismo social de forma cruel. Como consequência, uma vaga de perturbação varre o planeta, ameaçando as belas construções dos milênios e quase tudo reduzindo a escombros e loucura. Joanna de Angelis – SOS Família – Prefácio 2.1.2 As Crianças e Jovens da Nova Era • Inteligência e Razão precoces • Sentimento inato do bem • Crenças Espirituais Além das alterações que sucedem coletivamente na sociedade, outras mais sutis, no entanto, não menos preocupantes, estão presentes nestes dias aguardando a atenção dos estudiosos: pais, psicólogos, educadores, sociólogos, religiosos e todas as pessoas interessadas na construção da sociedade feliz do futuro. Acompanhando o inevitável processo das reencarnações, pode-se constatar facilmente a presença de uma nova geração de Espíritos que se encontra no Planeta em condições surpreendentes, fora do habitual. Aqui se encontra, a fim de preparar a grande transição que vem tendo lugar lentamente, de modo que o Planeta mude de estágio evolutivo, conforme a assertiva de Jesus, em sua memorável mensagem do Sermão profético, conforme narrativa de Marcos no capítulo XIII, versículos 1 a 32. Quando, no sermão profético (... do final dos tempos), narrado pelo evangelista Marcos, Jesus se refere às grávidas e às que amamentarem nos dias terríveis do Senhor, elucida gentilmente a respeito das atuais ocorrências familiares, das dificuldades de convivência doméstica, dos desafios educacionais no lar, dos relacionamentos afetivos entre os parceiros... A atualidade espiritual do Planeta na fase de transição caracteriza-se por expressivo número daqueles que retornam missionários do Bem e da Verdade, do Conhecimento e da Beleza, da Tecnologia e da Ciência, da Fé religiosa e da Caridade, a fim de apressarem o processo evolutivo, ao
  • 15. 12/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros tempo em que outros, ainda aferrados ao mal se despedem da oportunidade, igualmente renascendo para terem a sua última chance no lar terrestre que não têm sabido valorizar... Joanna de Angelis – Liberta-te do Mal – Cap. 18 – Crianças da Nova Era Equipes de apóstolos da caridade no plano espiritual também descem ao planeta sofrido, a fim de contribuir em favor das mudanças que devem operar-se, atendendo aqueles que se encontram excruciados pela desencarnação violenta, inesperada, ou padecendo o jugo de obsessões cruéis, ou fixadas em revolta injustificável, considerando-se adversários da Luz, membros da sanha do Mal, a fim de melhorar a psicosfera vigente, desse modo, facilitando o trabalho dos Mensageiros de Jesus. Em outras oportunidades, luminares da Verdade submergiram nas sombras do mundo terrestre, a fim de apresentarem as suas conquistas e realizações edificantes, auxiliando os seus habitantes a crescer em tecnologia, ciência, filosofia, religião, política, ética e moral. Manoel Philomeno de Miranda – Transição Planetária – Introdução Concomitantemente, espíritos nobres que conseguiram superar os impedimentos que os retinham na retaguarda, estarão chegando, a fim de promoverem o bem e alargarem os horizontes da felicidade humana, trabalhando infatigavelmente na reconstrução da sociedade então fiel aos desígnios divinos. Joanna de Angelis – Jesus e Vida – Cap. 1 – A Grande Transição É por meio da edificação de novos valores que as sombras da ignorância serão diluídas na intimidade do ser humano, facultando o surgimento de mulheres e de homens que assumem compromisso com um mundo melhor. É exatamente aí que se insere a tarefa das crianças da nova era. Grande número delas são Espíritos que serviram à Humanidade em épocas remotas e que retornam para contribuir com o avanço da civilização. Todos os responsáveis pelos conhecimentos que impulsionaram a evolução cultural do Ocidente como do Oriente foram convocados a colaborar com a grande transição planetária, desde cedo demonstrando inteligência precoce e desejo ardente de modificar as estruturas sociais, elevando o nível intelectual e moral do planeta. Além do retorno de personalidades valorosas da História da Humanidade, também estamos hospedando seres provenientes de outros lugares do Universo, Espíritos igualmente comprometidos com os ideais de aprimoramento do orbe terrestre. As crianças da Nova Era estão chegando aos nossos lares e exigem a utilização de novos recursos psicológicos e pedagógicos, pois elas ultrapassam os limites das crianças das gerações anteriores e da maioria daquelas que vivem no mundo atual.
  • 16. 13/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros A manifestação de diferentes características psicológicas nas crianças da nova geração tem uma dupla razão: - Primeiro, é uma decorrência natural da tentativa de adaptação desses Espíritos à estrutura anatomofisiológica do corpo físico, propiciando a evolução biológica e psíquica, a que me referi anteriormente; - Segundo, os comportamentos singulares que elas revelam dão ensejo à valorização de abordagens terapêutica, e educacionais mais coerentes com uma visão espiritual da realidade, estimulando os pesquisadores a promoverem estudos revolucionários. Divaldo Franco – Vivências do Amor em Família – Cap. 5 – Nos Passos da Criança e do Jovem – item 1 – Crianças da nova Era Por outro lado, os nobres promotores do progresso de todos os tempos passados também se reencarnam nesta hora para acelerar as conquistas, não só da inteligência e da tecnologia de ponta, mas também dos valores morais e espirituais. Ao lado deles, benfeitores de outra dimensão emboscam- se na matéria para se tornarem os grandes líderes e sensibilizarem esses verdugos da sociedade. Bezerra de Meneses - A Mediunidade e a Transição Planetária – O Consolador - Ano 8 - N° 385 - 19 de Outubro de 2014 - transcrição de mensagem psicofônica transmitida por Divaldo Franco (13.11.2010 – Los Angeles)  A NOVA GERAÇÃO – características morais • Serão caracterizados pelo espírito de serviço, pelo interesse sadio dos resultados dos trabalhos, colocados no campo de batalha por escolha pessoal, guardando a certeza do triunfo que lhes chegará. • Não se farão discutidores ferrenhos e insensatos, porquanto o seu é o tempo para o estudo dos dados e das investigações. • Não se imporão, porque reconhecem que o labor exige discernimento, maturidade psicológica e elevação de propósitos. • Não se agastarão com os acusadores, nem desanimarão com os aparentes insucessos, que se lhes constituirão estímulo para o prosseguimento dos tentames. • Abertos ao amor, planejam um mundo melhor para eles mesmos e para a sociedade em geral, porque reconhecem que estes são os dias de transição, e a seleção dos Espíritos se faz natural, preparando o Mundo de Regeneração. Joanna de Ângelis - Momentos de Harmonia – Cap. 10 - Projetos Iluminativos
  • 17. 14/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros 2.1.3 As Crianças e Jovens da Velha Era • Esperteza e Tibieza Moral • Sentimento latente do mal • Materialismo Este tempo tendo chegado, uma grande emigração acontecerá neste momento entre aqueles que a habitam; os que fazem o mal pelo mal e que o sentimento do bem não a toca, não sendo mais digno da Terra transformada, sê-lo-ão excluídos, porque trariam de novo a discórdia e a confusão e seriam um obstáculo ao progresso. Estes irão expiar seu endurecimento uns em mundos inferiores, outros, entre raças terrestres atrasadas que serão o equivalente de mundos inferiores, onde levarão seus conhecimentos adquiridos e que terão por missão de fazer avançar. Serão substituídos por Espíritos melhores que farão reinar entre eles a justiça, a paz, a fraternidade. Allan Kardec - A Gênese - Cap. 18 – Os Tempos são chegados - item 26 Por esta emigração de Espíritos, não se torna preciso entender que todos os Espíritos retardatários serão expulsos da Terra e relegados a mundos inferiores. Muito ao contrário, aí voltarão, porque muitos cederam à influência das circunstâncias e do exemplo. Allan Kardec - A Gênese - Cap. 18 - Os Tempos são chegados - item 28 Concomitantemente, a fim de poderem viajar na grande nave terrestre que avança moralmente nas paisagens dos orbes felizes, incontáveis membros das tribos bárbaras do passado, que permaneceram detidos em regiões especiais durante alguns séculos, de maneira que não impedissem o desenvolvimento do planeta, renascem com formosas constituições orgânicas, fruto da seleção genética natural, entretanto, assinalados pelo primitivismo em que se mantiveram. Apresentam-se exóticos uns, agressivos outros, buscando as origens primevas em reação inconsciente contra a sociedade progressista, tendo, porém, a santa oportunidade de refazerem conceitos, de aprimorarem sentimentos e de participarem da inevitável marcha ascensional... Expressivo número, porém, permanece em situações de agressividade e indiferença emocional, tornando-se instrumentos de provações rudes para a sociedade que desdenha. Fruem da excelente ocasião que, malbaratada, os recambiará a mundos primitivos, nos quais contribuirão com os conhecimentos de que são portadores, sofrendo, no entanto, as injunções rudes que serão defrontadas. Manoel Philomeno de Miranda/Órion – Transição Planetária – Cap. 3 – A Mensagem Revelação Face à necessidade de promover o progresso moral do planeta, milhões de espíritos foram transferidos das regiões pungitivas onde se demoravam, para a inadiável investidura carnal, por cujo recurso podem recompor-se e mudar a paisagem mental, aprendendo, na convivência social, os processos que o promovam a situações menos torpes.
  • 18. 15/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros Bezerra de Meneses - Nas Fronteiras da Loucura – Cap. 9 – O Problema das Drogas Pulula, ainda, nos complexos mecanismos da reencarnação em massa destes dias, o mergulho no corpo somático de espíritos primários nos quadros da evolução, necessitados de progresso e ajuda para a própria ascensão que, não encontrando os estímulos superiores para o enobrecimento, são, antes, conduzidos à vivência das sensações grosseiras em que transitam, aderem a filosofia chã de viver intensamente um dia, a lutarem e viverem todos os dias. Joanna de Ângelis - Após a Tempestade – Cap. 7 – Delinquência, perversidade e violência Por outro lado, aqueles que permaneceram nas regiões mais infelizes estão sendo trazidos à reencarnação, de modo a desfrutarem da oportunidade de trabalho e de aprendizado, modificando os hábitos desditosos a que se têm submetido, podendo avançar sob a governança de Deus. Caso se oponham às exigências da evolução, também sofrerão um tipo de expurgo temporário para regiões primárias entre raças atrasadas, tendo o ensejo de ser úteis e de sofrer os efeitos danosos da sua rebeldia. Joanna de Angelis – Jesus e Vida – Cap. 1 – A Grande Transição Sucede, meus filhos, que as regiões de sofrimento profundo estão liberando seus hóspedes que ali ficaram, em cárcere privado, por muitos séculos e agora, na grande transição, recebem a oportunidade de voltarem-se para o bem ou de optar pela loucura a que se têm entregado. E esses, que teimosamente permanecem no mal, a benefício próprio e do planeta, irão ao exílio em orbes inferiores onde lapidarão a alma auxiliando os seus irmãos de natureza primitiva, como nos aconteceu no passado. Bezerra de Meneses – A Mediunidade e a Transição Planetária – O Consolador - Ano 8 - N° 385 - 19 de Outubro de 2014 - transcrição de mensagem psicofônica transmitida por Divaldo Franco (13.11.2010 – Los Angeles)
  • 19. 16/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros 2.1.4 Flagelos Familiares “Invisíveis” –Drogadição, Depressão, Suicídio e Obsessão infanto/juvenil Quando, no sermão profético (... do final dos tempos), narrado pelo evangelista Marcos, Jesus se refere às grávidas e às que amamentarem nos dias terríveis do Senhor, elucida gentilmente a respeito das atuais ocorrências familiares, das dificuldades de convivência doméstica, dos desafios educacionais no lar, dos relacionamentos afetivos entre os parceiros... O momento é, portanto, muito grave, propondo graves reflexões e elevação de sentimentos, de modo a se contribuir de maneira eficaz para que esse tormentoso período seja abreviado... Joanna de Angelis – Liberta-Te do Mal – Cap. 18 – Crianças de uma Nova Era A. Drogadição na Família Mesmo nos lares equilibrados, onde o amor enriquece os sentimentos, encontram-se espíritos atormentados interiormente, incapazes de lutar contra as más inclinações, que se fazem trânsfugas aos deveres que lhes dizem respeito, tombando nas armadilhas do erro, de que se deveriam libertar por completo. Em virtude da larga e fácil propagação das drogas perversas, esses espíritos quase sempre reincidem nos vícios a que se acostumaram, sem forças para superar as situações afligentes que lhes desencadeiam as falsas necessidades para as fugas doentias... (...) A educação moral no lar é o recurso mais próprio para evitar-se a contaminação dessa pandemia – a drogadição -, ensejando segurança emocional e afetiva ao ser inquieto e inseguro no processo da sua reencarnação, trabalhando-lhe os tesouros morais que serão estimulados para a luta e para o equilíbrio. Joanna de Angelis - Constelação Familiar - Cap. 24 – Drogadição na Família O Homem moderno, que conquistou a Lua e avança no estudo das origens do Sistema Solar, incursionando pelos outros planetas, não conseguiu conquistar-se a si mesmo. Logrou expressivas vitórias, sem alcançar a paz íntima, padecendo os efeitos das conquistas tecnológicas sem os correspondentes valores de suporte moral. Cresceu na horizontal da inteligência sem desenvolver a vertical do sentimento elevado. Como efeito: Não resiste às pressões, desequilibra-se com facilidade e foge, na busca de alcoólicos, de tabacos, de drogas alucinógenas de natureza tóxica... Bezerra de Meneses – Nas Fronteiras da Loucura – Cap. 9 – O Problema das Drogas B. Depressão Infanto-Juvenil Frente a frente com esta realidade, que assusta e fere, vamos encontrar jovens que procuram abrigo nos falsos refúgios da tristeza e da amargura.
  • 20. 17/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros Outros apelam para a rebeldia e para a agressividade. Buscam nesses meios a forma de neutralizar os açoites psicológicos a que se vêem expostos, ininterruptamente. Ativando os mecanismos da defesa psíquica, muitos jovens alheiam-se da realidade, aprisionando-se, lentamente, nas malhas da depressão. A depressão faz instalar no recôndito do ser desta jovem criatura uma amargura profunda, uma dor infinita, uma tristeza sem-fim. O Espírito adoece, passo a passo, chegando a ponto de ver na morte, no atentado à existência física, a solução que lhe parece salvadora. Dias da Cruz - Reformador/Agosto/2005– Suicídio na Adolescência
  • 21. 18/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros C. Suicídio Infanto-Juvenil Os jovens que adotam comportamentos agressivos e ofensivos, caracterizados por um estado de permanente rebeldia, revelam, na verdade, uma forma de chamar a atenção daqueles que, intimamente, são por eles classificados de seus prováveis homicidas, em razão da existência infeliz que lhes submetem. Dias da Cruz – Reformador/Agosto/2005– Suicídio na Adolescência Toda tentativa de suicídio de um adolescente é dirigida a alguém e expressa a necessidade de afeto, de amor, de ser ouvido e reconhecido como pessoa. Deve ser interpretada como uma pergunta que requer resposta. Edith Serfaty – Suicídio na Adolescência-1998 (psiquiatra argentina) A tentativa de suicídio entre jovens é, acima de tudo, um grito de dor, de desespero e um pedido de ajuda. Ghislaine Bouchard – O Suicídio na Adolescência-2000 (psiquiatra canadense) Amadurecidas precipitadamente, em razão dos lares desajustados e das famílias desorganizadas; Atiradas à agressividade e aos jogos fortes que a sociedade lhes brinda, extirpando-lhes a infância não vivida, sobrecarregam-se de angustias e frustrações que as desgastam, retirando-lhes da paisagem mental a esperança e o amor. Vazias, desprotegidas do afeto que alimenta os centros vitais de energia e beleza, vêem-se sem rumo, fugindo, desditosas, pela porta mentirosa do suicídio. Manoel Philomeno de Miranda – Temas da Vida e da Morte – Cap. 17 - Suicídio solução insolvável Os contínuos choques dos embates domésticos, entre cônjuges e filhos, produzem impactos de monta nas estruturas psíquicas dos envolvidos. A desunião familiar, associada ao desamor, assemelha-se à ação dos tóxicos que produzem alucinações na mente da criança e do jovem. A ausência do amor nas relações familiares, manifestada sob a forma de comportamentos extremados de abandono ou superproteção, infiltram ilusões perniciosas no psiquismo do Espírito em processo de recomeço nas experiências do plano físico. Dias da Cruz - Reformador/Agosto/2005– Suicídio na Adolescência Amadurecidas precipitadamente, em razão dos lares desajustados e das famílias desorganizadas;
  • 22. 19/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros Atiradas à agressividade e aos jogos fortes que a sociedade lhes brinda, extirpando-lhes a infância não vivida, sobrecarregam-se de angustias e frustrações que as desgastam, retirando-lhes da paisagem mental a esperança e o amor. Vazias, desprotegidas do afeto que alimenta os centros vitais de energia e beleza, vêem-se sem rumo, fugindo, desditosas, pela porta mentirosa do suicídio. Manoel Philomeno de Miranda – Temas da Vida e da Morte – Cap. 17- Suicídio solução insolvável
  • 23. 20/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros D. Obsessão Infanto-Juvenil A obsessão na infância muitas vezes é continuidade da ocorrência procedente da Erraticidade. Sem impedir o processo da reencarnação, essa influência perniciosa acompanha o período infantil de desenvolvimento, gerando graves dificuldades no relacionamento entre filhos e pais, alunos e professores, vida social saudável entre coleguinhas. Irritação, agressividade, indiferença emocional, perversidade, obtusão de raciocínio, enfermidades físicas e distúrbios psicológicos fazem parte das síndromes perturbadoras da infância, que tem suas nascentes na interferência de Espíritos perversos uns, traiçoeiros outros, vingativos todos eles... Consultado um psicólogo, o mesmo anotara distúrbios de comportamento na menina, que se vem tentando solucionar, sem penetrar na causa dos mesmos, que lhe escapam por falta de conhecimento dessa parasitose espiritual. No curso que o processo vem recebendo atendimento fará que, no futuro, essa criança seja candidata a terapias muito violentas e inócuas em grande parte, em razão das mesmas alcançarem somente os efeitos, não erradicando a causa central. Os fármacos e os neurolépticos conseguem, muitas vezes, auxiliar os neurônios na execução das sinapses, bloqueando as interferências espirituais, porém por pouco tempo. Ninguém caminha a sós e, por isso mesmo, na conjuntura aflitiva em que a menina se debate, o seu Espírito protetor muitas vezes impede que seja arrastada pelo seu algoz para as regiões mais infelizes em que se situa, nos períodos do parcial desdobramento pelo sono físico, dificultando-lhe o domínio quase total que teria sobre as suas faculdades mentais e os seus sentimentos de afetividade e de comportamento. Quando luzir na Humanidade o conhecimento espírita e as sutilezas da obsessão puderem ser identificadas desde os primeiros sintomas, muitos transtornos infanto-juvenis serão evitados, graças às terapias preventivas, ou minimizados mediante os tratamentos que o Espiritismo coloca a disposição dos interessados. No caso em tela, a terapêutica bio-energética, a sua participação nas aulas de orientação evangélica sob a luz do pensamento espírita, a água magnetizada e a psicosfera de bondade, do esclarecimento, da paciência dos genitores libertá-la-ia da influência perniciosa, auxiliando-a ater um desenvolvimento normal. Concomitantemente, porque em ambiente propício, os Benfeitores da Vida Maior poderiam também conduzir o seu desafeto ao tratamento espiritual desobsessivo, alterando completamente o quadro Manoel Philomeno de Miranda – Sexo e Obsessão – Cap. 4 – O drama da obsessão na infância Certa criança de três anos e alguns meses vinha tentando o suicídio das mais diferentes maneiras, o que lhe resultara, inclusive, ferimentos: um dia, jogou-se na piscina; em outro, atirou-se do alto do telhado, na varanda de sua casa; depois quis atirar-se do carro em movimento, o que levou os familiares a vigiá-la dia e noite. Seu comportamento, de súbito, tornou- se estranho, maltratando especialmente a mãe, a quem dirigia palavras de baixo calão que os pais nunca imaginaram ser do seu conhecimento. Suely Caldas Schubert – Obsessão e Desobsessão – Cap. 12– A criança obsidiada
  • 24. 21/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros Não obstante, os recursos terapêuticos ministrados ao adulto serão aplicados ao enfermo infantil com mais intensa contribuição dos passes e da água fluidificada – bioenergia – bem como proteção amorosa e paciente, usando-se a oração e a doutrinação indireta ao agente agressor – psicoterapia - , e por fim, através do atendimento desobsessivo mediante o concurso psicofônico, quando seja possível atrair o hospede a comunicação mediúnica de conversação direta. A visão do Espiritismo em relação à criança obsidiada é holística, pois que não dissocia, na sua forma atual, do adulto de ontem quando contraiu o debito. Ensina que infantil é somente o corpo, já que o Espírito possui uma diferente idade cronológica, nada correspondente à da matéria. Além disso, propõe que se cuide não só da saúde imediata, mas sobretudo da disposição para toda uma existência saudável, que proporcionará uma reencarnação vitoriosa, o que equivale dizer, rica de experiências iluminativas e libertadoras. Adimos a terapia do amor dos pais e demais familiares, igualmente envolvidos no drama que afeta a criança. Manoel Philomeno de Miranda - Nas Trilhas da Libertação – Cap.2 – Ampliando Conhecimentos
  • 25. 22/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros 2.1.5 Os Reajustes Reencarnatórios Há mais enfermos no mundo do que se supõe que existam. Isto porque, no reduto familiar raramente fecundam a conversação edificante, o entendimento fraterno, a tolerância geral, o amor desinteressado... Joanna de Angelis – SOS Família – Cap. 11 – Cristo em Casa E nesse vastíssimo roteiro de Espíritos em desajuste, não identificaremos tão somente os cônjuges infortunados. Além deles, há fenômenos sentimentais mais complexos. Existem Pais que não toleram os filhos e Mães que se voltam, impassivelmente, contra os próprios descendentes. Há filhos que se revelam inimigos dos progenitores e irmãos que se exterminam dentro do magnetismo degenerado da antipatia congênita, dilacerando-se uns aos outros, com os raios mortíferos e invisíveis do ódio e do ciúme, da inveja e do despeito, apaixonadamente cultivados no solo mental. Os hospitais e principalmente os manicômios apresentam significativo número de enfermos, que não passam de mutilados espirituais dessa guerra terrível e incruenta na trincheira mascarada sob o nome de Lar. Batizam-nos os médicos com rotulagens diversas, na esfera da diagnose complicada; entretanto, na profundez das causas, reside a influência maligna da parentela consanguínea que, não raro, copia as atitudes da tribo selvagem e enfurecida. Todos os dias, semelhantes farrapos humanos atravessam os pórticos das casas de saúde ou de caridade, à maneira de restos indefiníveis de náufragos, perdidos em mar tormentoso, procurando a terra firme da costa. Ninguém pode negar a existência do amor no fundo das multiformes uniões a que nos referimos. Mas esse amor ainda se encontra, à maneira do ouro inculto, incrustado no cascalho duro e contundente do egoísmo e da ignorância que, às vezes, matam sem a intenção de destruir e ferem sem perceber a inocência ou a grandeza de suas vítimas. Por isso mesmo, o Espiritismo com Jesus, convidando-nos ao sacrifício e à bondade, ao conhecimento e ao perdão, aclarando a origem de nossos antagonismos e reportando-nos aos dramas por nós todos já vividos no pretérito, acenderá um facho de luz em cada coração, inclinando as almas rebeldes ou enfermiças à justa compreensão do programa sublime de melhoria individual, em favor da tranquilidade coletiva e da ascensão de todos. Humberto de Campos – Luz no Lar - Cap. 5 – No Reino Doméstico Nunca sabemos quem são os nossos filhos. Não foi por outra razão que Jesus Cristo, ao conversar com Nicodemos, de acordo com o Evangelho de São João, lhe disse: O Espírito sopra onde quer, não sabemos de onde vem nem para onde vai, de que realidades experienciais ele vem, para que realidades experienciais ele vai. Por causa disso, vale a pena termos cuidado com o tipo de norte que estamos dando aos nossos filhos. Imaginando que seus filhos sejam seus pertences, são muitos os pais, são muitas as mães que os criam como se os fossem colocar numa redoma e venerá-los para sempre aos seus pés. Nossos filhos
  • 26. 23/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros são aves que devem voar, singrar altos céus, missionários que todos eles são, em nível alto, em nível mais simples e para isto devemos cooperar. Raul Teixeira - Programa Vida e Valores, de número 184 – 2009 - Federação Espírita do Paraná Ausculta-lhes as tendências e aspirações, oferecendo-lhes na frase amiga a luz de tuas próprias experiências, de modo a auxiliá-los, tanto quanto possível, a sentir raciocinando e a discernir o rumo exato que se lhe descerre à frente, nas sendas que lhes caiba trilhar. Emmanuel – Vida em Vida – Cap. 9 – Dialogo no Lar Mesmo havendo dificuldades e problemas, como é perfeitamente natural, esses devem ser examinados com naturalidade, sem os extremos da revolta ou os escamoteamentos para disfarçá-los, dando-se uma falsa idéia de que tudo está bem. Quando não ocorrem os hábitos de confiança e de lealdade na convivência doméstica, a família começa a desestruturar-se, avançando para o desmoronamento. É imprescindível, portanto, que antes de tal acontecimento todos os seus membros estejam informados das ocorrências que têm lugar no ninho familiar, de forma que os mesmos, em conjunto, contribuam, conforme possam, para solucionar as dificuldades e ampliar os bons resultados do trabalho desenvolvido. As experiências que se vão acumulando nos relacionamentos domésticos serão, mais tarde, automaticamente transferidas para a convivência fora do lar, quando as lutas são mais severas e a ausência de parâmetros da afetividade concorre para as definições em torno daqueles que devem ser eleitos como amigos, em relação aos demais que passarão a ser conhecidos apenas, credores de consideração, mas não de confiança ou de intimidade. Nesse ambiente de entendimento familiar, todos auxiliam-se reciprocamente, nas atividades domésticas, nos trabalhos escolares, nas preocupações de sustentação econômica, evitando-se exageros de gastos e de consumismo, sempre perturbadores e responsáveis por situações aflitivas em relação ao futuro. A consciência coletiva na família é o resultado da participação de todos os seus membros nas ocorrências diárias, facultando o trabalho geral e ordeiro de preservação do afeto e da manutenção do respeito. Sendo a família constituída por espíritos de diversas procedências, alguns dos quais cobradores de débitos anteriores, é compreensível que se manifestem com azedume, constante insatisfação, agressividade ou reagentes aos planos de entendimento coletivo. Será sempre este membro o criador de problemas, o reclamador, o calceta, o rebelde... Fragilizado espiritualmente, corre o perigo de tombar na fuga pelas drogas, pelo álcool, e, na sua insegurança, iniciar-se no furto, como recurso psicológico para chamar a atenção. Torna-se, então, um verdadeiro desafio familiar, que deve ser levado em consideração, numa representação diminuta em relação ao que será encontrado multiplicadamente na sociedade fora do lar, que exigirá comportamento equilibrado e desafiador. A família, portanto, é a célula primordial do grupamento social, o reduto onde se forjam os sentimentos e as qualificações para os relacionamentos humanos em toda parte.
  • 27. 24/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros Manter-se, desse modo, uma convivência agradável e louçã, é a regra de bem proceder no lar, para os enfrentamentos coletivos no futuro. Joanna de Angelis – Constelação Familiar – Cap. 17 – Relacionamentos Familiares Em todas as situações, ouve teus filhos com afetuoso apreço. E auxilia-os a seguir pela estrada que julguem mais adequada ao que anseiam fazer, na base da consciência tranquila. Todos estamos no endereço de Deus, entretanto cada um de nós transita em estrada diferente para chegar ao destino. Não provoques o desespero dos filhos pela imposição das ideias que te modelam a experiência. Tempera o calor da disciplina com a bênção da brandura. De qualquer modo e quaisquer que sejam as circunstâncias, compadece-te de teus filhos para que eles se compadeçam de ti. Emmanuel – Caminhos de Volta – Cap. 9 – Vocação dos filhos A convivência entre filhos e pais é recurso psicoterapêutico valioso, trabalhando o inconsciente de ambos, de maneira a serem superadas as reminiscências negativas que possam ressumar, programando a reconciliação e o bem-estar através do amor incessante, delineador da felicidade tio grupo. Somente no relacionamento doméstico é possível a preparação para a fraternidade generalizada, desde que, no grupamento familiar, de menor dimensão, onde todos se conhecem e se podem desculpar com mais facilidade, são trabalhados os sentimentos e superadas as exigências do ego, dando lugar aos interesses gerais que farão bem igualmente a cada indivíduo. Joanna de Angelis – Constelação Familiar – Cap. 4 - Os Filhos Frustrações, conflitos, vinculações extremadas e aversões congênitas de hoje são frutos dos desequilíbrios afetivos de ontem a nos pedirem trabalho e restauração. Emmanuel – Na Era do Espírito – Cap. 27 – A Chave da Reencarnação Famílias-problemas! ... − Irmãos que se antagonizam... − Cônjuges em lamentáveis litígios... − Animosidades entre filho e pai, farpas de ódios entre filha e mãe... − Afetos conjugais que se desmantelam em caudais de torvas acrimônias... − Sorrisos filiais que se transfiguram em rictos de idiossincrasias e vinditas... − Tempestades verbais em discussões extemporâneas... − Agressões infelizes de consequências fatais... − Tragédias nas paredes estreitas da família... − Enfermidades rigorosas sob látegos de impiedosa maldade... − Mãos encanecidas sob tormentos de filhos dominados por ódios inomináveis.
  • 28. 25/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros − Pais enfermos açoitados por filhas obsidiadas, em conúbios satânicos de reações violentas em cadeia de ira... − Irmãos dependentes sofrendo agressões e recebendo amargos pães, fabricados com vinagre e fel de queixas e recriminações... Famílias em guerras tiranizantes, famílias-problemas! ... É da Lei Divina que o infrator renasça ligado à infração que o caracteriza. A justiça celeste estabeleceu que a sementeira tem caráter espontânea, mas a colheita tem impositivo de obrigatoriedade. Não renasceste ali por circunstância anacrônica ou casual. Não resides com uma família-problema por fator fortuito nem por engano dos Espíritos Egrégios. Escolheste, antes do retorno ao veículo físico, aqueles que dividiriam contigo as aflições superlativas e os próprios desenganos. Joanna de Angelis – Dimensões da Verdade – Cap. 52 – Dentro do Lar
  • 29. 26/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros 2.1.6 Os Níveis consciências diferentes dos membros da Família Quando analisamos os relacionamentos conturbados dentro dos lares, constatamos a imensa gama de dificuldades que permeiam as famílias. Quase toda família tem um parente mais difícil, e muitas vezes se trata de uma pessoa que sustenta o estranho hábito de ser desagradável, de provocar aborrecimentos por motivos banais; em outras ocasiões, é alguém que não consegue ser gentil, mesmo sem a intenção de agredir. Um familiar com esse perfil é aquele a quem precisamos destinar maior soma de cuidados e de compaixão. Se uma pessoa faz questão de ser um estorvo ou se age de forma rude por não ter autocontrole, estamos diante de um Espírito que carrega na intimidade uma alta dose de conflitos. Ele traz estados de angústia, de sofrimento e de inquietação que não consegue exteriorizar de maneira pacífica, causando-nos um grande sentimento de repulsa, razão pela qual acabamos sendo intolerantes e assumimos uma postura igualmente agressiva e birrenta. Se dentro do lar não for cultivada uma visão espiritual dos laços familiares, ficará muito difícil conduzir o problema com equilíbrio e serenidade. Em face dessas ocorrências, muitas pessoas me perguntam o que fazer diante de um familiar que nos fere e nos persegue, adotando posturas contrárias ao senso de justiça e amor. A dúvida envolve a necessidade de conciliar saúde psíquica e perdão sem sermos coniventes com o erro, e eu respondo que o método mais eficaz é oferecer o exemplo de uma conduta saudável a fim de que isso sensibilize a pessoa de temperamento difícil. Se não constatarmos uma transformação positiva em nosso parente, teremos que nos manter firmes em nossas opções, dando ao indivíduo o direito de ser como é, ao mesmo tempo que nós reservamos o direito de ser como devemos. Kardec nos alerta que não é possível dedicar ao ser que nos causa aversão a mesma ternura que dedicamos a quem nos ama em profundidade. Todavia, é perfeitamente viável trabalhar-nos para ajudar o Espírito que ainda se encontra na consciência de sono, porque poderemos ao menos respeitá-lo e oferecer-lhe o nosso apoio no que for necessário. Se a proposta se concretizar, é provável que em breve surja uma simpatia entre os seres que inicialmente se digladiavam, em seguida pode nascer uma amizade e, com o tempo, os dois estarão amando-se. O amor sempre será a solução para as dificuldades da família! Divaldo Franco - Vivências do amor em Família - Cap. 7 - Conflitos Familiares A Psicologia Transpessoal possui uma abordagem que contribui de forma significativa para a compreensão do processo evolutivo: o estudo dos níveis de consciência.
  • 30. 27/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros Cada ser se encontra em um estágio específico do desenvolvimento espiritual, o que explica as dificuldades que podem surgir no relacionamento entre Espíritos reencarnados em uma mesma família. O primeiro nível de evolução é denominado consciência de sono. Nesse patamar, o indivíduo tem interesses muito restritos, voltados apenas à satisfação das necessidades primárias da existência humana: ele se alimenta, repousa e tem relações sexuais, demonstrando que é um ser fisiológico, que vive da boca para baixo, manifestando mais o instinto do que a inteligência, as emoções e a afetividade. No entanto, lentamente o Espírito desenvolverá suas potencialidades mais profundas e se tornará um ser psicológico. O segundo nível evolutivo é a consciência desperta, em que a pessoa procura satisfazer suas necessidades básicas, mas também cultiva algum ideal: ela se dispõe a colaborar com a sua religião, com a atividade do seu clube ou outra causa humanitária, embora ainda não se comprometa com uma proposta mais ampla de enobrecimento da vida. Essa pessoa já possui discernimento e consegue visualizar novos horizontes, começando a trabalhar o seu mundo psíquico para futuras incursões em paisagens superiores. O terceiro nível é intitulado consciência de si mesma, quando o ser se revela possuidor de virtudes mais aprimoradas e se candidata à realização de ações expressivas em benefício da coletividade: ele se torna pioneiro em atividades de transformação do panorama social e é convidado a participar de projetos humanos de grande impacto, mobilizando seu potencial anímico a fim de cumprir os compromissos abraçados. É uma fase em que o indivíduo sintoniza com Espíritos nobres para assumir o papel de verdadeiro colaborador em Programas de dignificação da criatura humana, sustentado pelo contato com as forças espirituais que zelam pelo seu êxito. Os fenômenos paranormais e mediúnicos desabrocham com naturalidade, e ele vislumbra um mergulho profundo nas dimensões do Infinito... O quarto nível é classificado como consciência objetiva ou consciência cósmica, em que o Espírito se encontra no mais alto grau evolutivo que se pode almejar na Terra. Esse patamar foi alcançado pelo admirável apóstolo Paulo, que disse de forma inesquecível: "Já não sou eu que vivo, é o Cristo que vive em mim!". Também podemos ver o mesmo desenvolvimento espiritual em Madre Teresa de Calcutá, que afirmou amorosamente: "Eu sou o lápis na mão de Deus. Ele escreve por mim aquilo que deseja registrar!". Divaldo Franco - Vivências do amor em Família - Cap. 7 - Conflitos Familiares
  • 31. 28/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros 2.1.7 Os Processos Obsessivos em integrantes da Família Nos processos obsessivos, não deixemos de repeti-lo, estão incursas na Lei as pessoas que constituem o grupo familiar e social do paciente, aí situado por necessidade evolutiva e de resgate para todos. Não se podem fugir à responsabilidade os que foram cúmplices ou co-autores dos delitos, quando os infratores mais comprometidos são alcançados pela justiça. Reunidos pelo parentesco sanguíneo ou através de conjunturas da afetividade, da afinidade, formam os grupos onde são alcançados pelos recursos reeducativos, dentro dos objetivos do progresso. Manoel Philomeno de Miranda - Nas Fronteiras da Loucura – Introdução – Análise das Obsessões Inúmeros casos de autismo, quando detectados na primeira infância, procedem de graves compromissos negativos com a retaguarda espiritual do ser, que renasce com as marcas correspondentes no perispírito, que se encarrega de imprimir as deficiências que lhe são necessárias para o refazimento. Outrossim, aqueles que padeceram nas suas mãos cruéis acompanham-no, dificultando-lhe a recuperação, gerando situações críticas e mui dolorosas, ameaçando-o com impropérios e vibrações deletérias que não sabe decodificar, mas registra nas telas mentais, fugindo da realidade aparente para o seu mundo de sombras, isto quando não se torna agressivo, intempestivo, silencioso e rude. Manoel Philomeno de Miranda - Sexo e Obsessão – Cap. 4 – O Drama da Obsessão na Infância Uma das nossas parentas, menina de dez anos de idade, justamente a caçula dentre seis irmãos, acusava anormalidades nos modos comuns a uma criança, anormalidades que uma razão esclarecida em assuntos espíritas compreenderia provirem de influenciações da parte de seres desencarnados inferiores. Caracterizavam-se os seus modos por trejeitos cômicos, carantonhas horríveis, palavreado piegas ou atrevido, desagradável, tolo, que a todos da família irritava e aos estranhos escandalizava. A dita criança se rebelava contra qualquer disciplina, desobedecendo a tudo, renitente, odiosa, dando mesmo impressão de se encontrar desequilibrada das faculdades mentais. Yvonne Pereira - Devassando o Invisível – Cap. 5 - Mistificadores Um dos verdugos desencarnados se moveu e tocou a destra o cérebro do doentinho, recomendando-me Calderaro que examinasse os efeitos desse contacto. Extrema palidez e enorme angustia transpareceram no semblante do paralítico. Notei que a infeliz entidade emitia, através das mãos, estrias negras de substancia semelhante ao piche, as quais atingiam o encéfalo do pequenino, acentuando-lhe as impressões de pavor. O doentinho, da aflição, em que se mergulhara, passou às contorções. Os órgãos revelavam agora estranhos deslocamentos. O sistema endócrino patenteava indefiníveis perturbações – Os raios
  • 32. 29/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros destrutivos alcançam-lhe a zona motora, provocando a paralisação dos centros da fala, dos movimentos, da audição, da visão e do governo de todos os departamentos glandulares. Na verdade, essa dolorosa situação cronificou-se, pela repetição desta ocorrência milhares de vezes, por quase duas centenas de anos. Examinando essa criança sofredora como enigma sem solução, alguns médicos insensatos da Terra se lembrarão talvez da “morte suave”; ignoram que, entre as paredes deste lar modesto, o Médico Divino, utilizando um corpo incurável e o amor, até o sacrifício, de um coração materno, restitui o equilíbrio a espíritos eternos, a fim de que sobre as ruínas do passado possam irmanar-se para gloriosos destinos. André Luiz - No Mundo Maior – Cap. 5 – O Poder do Amor 2.2 Desafios Materiais/Socias 2.2.1 A Diversidades das Relações Familiares Vamos, então, analisar alguns desafios que a família hoje encontra para cumprir essa missão. Famílias recompostas: em que coabitam filhos de pais diferentes. Às vezes, sob o mesmo teto, regras que servem para uns filhos, não são valem – e o que é pior – não são aceitas por outros. É comum, nesses dois casos, se ouvir: “Você não é meu pai.”; “Você não é minha mãe.”; ou “Você não manda em mim”. Guarda compartilhada: Crianças e jovens que vivem em dois lares, quando os genitores têm a guarda compartilhada. Fosso geracional: que implica falta de referência dos pais para lidar com os filhos dessa geração que aí está. Pais e filhos sob as mesmas influências sociais: há muitos pais que estão tendo dificuldades de ler as emoções nos rostos dos seus filhos, de tanto distanciamento físico que existe entre eles. Lúcia Moyses – ENEEIJ – 1º Encontro Nacional de Evangelizadores Espíritas/2018 – A Família na perspectiva da geração nova – Na maioria dos países industrializados, casa-se cada vez menos e cada vez mais tarde. Mais raros e mais tardios, esses casamentos são menos duráveis, com os filhos de divorciados formando com frequência a terça parte de uma sala de aula. Paralelamente, assiste-se a um aumento dos nascimentos extraconjugais e a um forte crescimento de famílias em que mãe e pai são um só – geralmente a mulher, mãe solteira ou divorciada –, que assume a guarda e o encargo dos filhos. Muitas crianças, crescendo entre mães e professoras, praticamente só vêem rostos femininos. (...) Virtualmente não se transmite mais quase nada aos filhos: nem fortuna, nem profissão, nem crenças, nem saberes. Os Pais fazem triste figura diante dos novos meios de comunicação, como a informática, que seus filhos dominam de olhos vendados. (...) Os Pais perderam seus papéis de iniciadores do saber de que os filhos precisam, o que altera profundamente o relacionamento familiar.
  • 33. 30/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros (...)Não é a família em si que nossos contemporâneos recusam, mas o modelo excessivamente rígido e normativo que assumiu no século XIX. Eles rejeitam o nó, não o ninho. A casa é, cada vez mais, o centro da existência. O lar oferece, num mundo duro, um abrigo, uma proteção, um pouco de calor humano. O que eles desejam é conciliar as vantagens da solidariedade familiar e as da liberdade individual. Tateando, esboçam novos modelos de famílias, mais igualitárias nas relações de sexos e de idades, mais flexíveis em suas temporalidades e em seus componentes, menos sujeitas às regras e mais ao desejo. O que se gostaria de conservar da família, no terceiro milênio, são seus aspectos positivos: a solidariedade, a fraternidade, a ajuda mútua, os laços de afeto e o amor. Belo sonho. Michelle Perrot – Veja 25anos – Reflexões para o futuro – São Paulo/Abril, 1993 – O Nó e o Ninho, Umberto Ferreira – Revista Reformador – 1994 – Maio – Reflexões sobre a Família Nota: Michelle Perrot (Paris, 18 de maio de 1928) – historiadora e professora emérita da Universidade de Paris. É especialista na história do século XIX. Em 2009 ganhou o Prémio Femina de Ensaio da França. Recebeu dentre outros prêmios as condecorações da Legião de Honra da França e Officier de l’Ordre National du Mérite. Atualmente, valemo-nos da expressão “relações sociofamiliares” e não apenas família, tendo em vista que a família se encontra tão plural quanto a sociedade. (...) Neste sentido, atualmente, as famílias tidas como convencionais, nuclear burguesa, não são uma realidade única, mas seu espaço social está sendo compartilhado por arranjos familiares diferenciados, tais como: Famílias monoparentais chefiadas por mulheres ou por homens; Família nuclear de duas gerações, unidas pelo matrimônio, com seus filhos biológicos ou não, com diferenças de idade até em certa medida significativas entre os cônjuges; Família adotiva temporária, nesse caso geralmente constituída por jovens que dividem o espaço doméstico por certo período de tempo, por exemplo, durante a faculdade, em que muitas vezes se encontram longe de suas famílias de origem, ou aquelas compostas por várias pessoas que vivem juntas, com ou sem vinculação legal, mas que dividem as despesas financeiras e possuem compromisso afetivos de cuidado e de proteção; Famílias adotivas binacionais ou multiculturais; casais que podem morar separadamente; Famílias oriundas de divórcios anteriores com ou sem filhos do casamento anterior e, finalmente, Famílias homoafetivas com ou sem filhos.
  • 34. 31/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros Adalgiza Campos Balieiro – Revista Reformador – 2018 – Fevereiro – A Família se Reinventa
  • 35. 32/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros 2.2.2 A Vivência Materialista Ao que podemos contemplar, a família acha-se, de um modo geral, descuidada nos mais diversificados aspectos da vida, considerando-se o seu papel de "escola das almas", e a primeira escola por sinal dos que chegam no mundo terreno. Entretanto, as raízes atormentadoras de tanto desajuste familiar, vemos na vivência materialista, sem as noções básicas quanto ao Espírito imortal, a descrença em Deus, embora a maioria professe rituais e cultos variados e vazios de conteúdo mais profundo acerca da vida. É aí que o conhecimento da reencarnação, da lei de causa e efeito, conforme ensina o Espiritismo, pode despertar os pais, os filhos, esposos, para que reflitam acerca das responsabilidades graves que têm, em face das relações familiares, com vistas ao futuro de alegrias e de paz. Raul Teixeira – Entrevista em Catanduva-SP – Jornal Mundo Espírita – 1986 – Agosto Transformando os Pais em meros mantenedores econômicos da família, tiram-lhes a autoridade moral, gerando o falso conceito de liberdade plena e auto-satisfação contínua, assim desenvolvendo o conceito doentio de direitos sem correspondentes deveres. Por sua vez, muitos Pais, desejosos de fugir às responsabilidades que os filhos impõem naturalmente, adotam o mesmo estilo de conduta, deixando de educá-los, sob a alegação da necessidade de não os oprimir, porque não sabem colocar limites entre o que é possível ceder e deve ser concedido, em relação ao que devem, mas não podem ou podem, mas não devem oferecer... Esse mecanismo faculta-lhes a permissividade que o educando não tem condições de absorver, naufragando, desde cedo, nos abusos de toda ordem, com prejuízo da futura realização moral, social, profissional e doméstica, ao se tornar genitor... Joanna de Angelis – Constelação Familiar – Cap. 29 – A Família hodierna O livro O Executivo & sua Família, afirma – “o sucesso dos pais não garante a felicidade dos filhos”, do psiquiatra e psicoterapeuta Içami Tiba Por isso, afirma Tiba, “o melhor investimento não é o plano de previdência privada, mas sim o relacionamento com os filhos”. Se não for assim, diz o autor, “a pessoa corre o risco de acabar num asilo, rica, mas sem afeto”. (...) Tiba chega a afirmar que, às vezes, os filhos formam-se de tal maneira distante da própria família que nem adquirem seus valores nem absorvem o espírito da formação de um lar. Carlos Abranches – Revista Reformador – 1999 – Julho – Sucesso no Trabalho, fracasso em Casa Indispensável ouvi-los, sem que sejam transformados em reizinhos ou princesinhas, sempre com a última palavra na relação familiar, convertidos em criaturas mimadas e caprichosas, o que seria fatal no processo da sua formação moral tanto para a família quanto para a sociedade, uma vez que eles mesmos se tornariam pessoas muito infelizes. Aprende, pai ou mãe, a fazê-los também ouvintes do que tenhas a lhes dizer, quando lhes fales sem arrogância, sem crueldade, sem autoritarismo, sem aranzéis, sem gritarias ou encenações de todo indevidas, quanto dispensáveis.
  • 36. 33/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros (...) Crê, contudo, que tantos tormentos que encontra hoje, aqui e, ali, no íntimo de tantos lares, devem-se ao relaxamento, ao descaso para com a educação, tida por muitos como algo dispensável e cerceadora da liberdade. Não adiras a essa onda e deixa-te conduzir pelo pensamento luminar do Cristo ao propor: Deixai que venham a mim os pequeninos ... Camilo - Nos Passos da Vida Terrestre - Cap. 8 - Descaso na Educação O que vem acontecendo, quase sempre, nas estruturas do mundo, é uma interpretação equivocada de como deve ser o nosso relacionamento com os nossos filhos. Muitas vezes, os enchemos de proteção. Protegemos de tal forma os filhos que eles ficam incapazes, não sabem dar um passo por si mesmos, não sabem dizer nada sem olhar para nós e pedir permissão com o olhar. Tornam-se criaturas completamente verdes, flores de estufa, na grande construção da vida. Certamente sofrerão. Quantas são as vezes em que os enchemos de dinheiro. Para nossos filhos não falta nada, não falta coisa alguma. Não faltam as coisas. É importantíssimo que percebamos se, isto é, o devido, se deveríamos encher os nossos filhos de recursos pecuniários, de mesadas, de dinheiro para que eles aprendam a ganhar sem fazer qualquer esforço, aprendam a ter coisas que outros trabalharam por eles. Para eles, na medida em que o tempo passe, a vida terá que ser assim: Alguém trabalha para mim, eu usufruo. Começaremos a criar os nossos filhos com essa mentalidade de que eles só exigem, só querem. Apenas cobram e os pais, na condição de Banco Central, de Caixa Econômica, de burra, de recursos amoedados. Mas não foram nossos filhos que se fizeram assim. Nós os estamos acomodando a esse status quo. Outras vezes, enchemos nossos filhos de coisas, de bugigangas, damos-lhes os carros que eles querem, as motos que eles querem, as roupas que eles querem, as marcas que eles querem e, para isso, nos desdobramos trabalhando, fazendo extra, tendo que tirar de algum lugar para locupletar a vontade dos filhos. (...) Quantas e quantas vezes fazemos com os nossos filhos como na brincadeira das cabras- cegas. Vendamos-lhes os olhos para a realidade do mundo, rodopiamos nossos filhos em torno das quinquilharias da Terra e os soltamos. E eles se acharão completamente tontos. A tendência será errar o caminho, a tendência será cair, perder-se. (...) Nunca sabemos quem são os nossos filhos. Não foi por outra razão que Jesus Cristo, ao conversar com Nicodemos, de acordo com o Evangelho de São João, lhe disse: O Espírito sopra onde quer, não sabemos de onde vem nem para onde vai, de que realidades experienciais ele vem, para que realidades experienciais ele vai. Por causa disso, vale a pena termos cuidado com o tipo de norte que estamos dando aos nossos filhos. Imaginando que seus filhos sejam seus pertences, são muitos os pais, são muitas as mães que os criam como se os fossem colocar numa redoma e venerá-los para sempre aos seus pés. Nossos filhos são aves que devem voar, singrar altos céus, missionários que todos eles são, em nível alto, em nível mais simples e para isto devemos cooperar. Raul Teixeira - Federação Espírita do Paraná - Programa Vida e Valores, de número 184 – 2009
  • 37. 34/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros Deploravelmente, invertendo por completo, a hierarquia dos valores reclamados pelos filhos, Pais existem que só se preocupam com o futuro deles e, no afã de preparar-lhes “dias melhores”, isto é, uma vida de luxo e regalos, esquecem-se do essencial, que é proporcionar-lhes, no presente, aquele ambiente repleto de amor, compreensão, ternura, paz e alegria, indispensável a uma boa educação, isenta dos problemas de personalidade. (...) Quantas vezes, a falta de diálogo com os filhos e, consequentemente, o desconhecimento do que lhes vai pela alma, tem feito com que interpretemos mal suas atitudes, julgando-as agressivas e desrespeitosas, quando não passam de apelos dramáticos para que nos apercebamos de que eles existem? E quantas outras, ao se sentirem perplexos face a uma situação inusitada, precisariam não que lhes aumentássemos a “mesada” ou que os presenteássemos com um carro novo, mas simplesmente que nos sentássemos a seu lado e nos dispuséssemos a ouví-los, pelo menos durante quinze ou vinte minutos? Como pretender, pois, que eles nos estimem e nos demonstrem gratidão, a traduzir-se por uma conduta irreprochável, se o que recebem de nós são migalhas afetivas nem sempre dadas de boa vontade, insuficientes para saciar a fome de carinho que os consome? Rodolfo Calligaris – A Vida em Família – 2º Parte – Relacionamento entre Pais e Filhos – Item – Preservemos os vínculos Familiares
  • 38. 35/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros 2.2.3 A Vulgarização dos Valores Éticos Modernamente, ante a precipitação dos conceitos que generalizam na vulgaridade os valores éticos, tem-se a impressão de que paira rude ameaça sobre a estabilidade da família. Mais do que nunca, porém, o conjunto doméstico se deve impor para a sobrevivência a benefício da soberania da própria Humanidade. A família é mais do que o resultante genético... São os ideais, os sonhos, os anelos, as lutas e árduas tarefas, os sofrimentos e as aspirações, as tradições morais elevadas que se cimentam nos liames da concessão divina, no mesmo grupo doméstico onde medram as nobres expressões da elevação espiritual na Terra. Quando a família periclita, por esta ou aquela razão, sem dúvida a sociedade está a um passo do malogro... Joanna de Angelis – Estudos Espíritas – Cap. 24 – Família Tendo em vista os avanços da ciência e da tecnologia, ao lado das contínuas revoluções sociopsicológicas, a família hodierna está buscando parâmetros de equilíbrio para sobreviver aos fenômenos do caos de natureza moral que se alastra por toda parte, em tentativas infrutíferas de extingui-la. Confundindo libertinagem com liberdade e agressão com renovação, muitos indivíduos vêm-se tornando ícones da infância e da juventude, que desconsideram, em referência à formação moral, propondo todo tipo de concessão, sem levar em conta os fatores psicológicos de entendimento e de responsabilidade que nelas vigem, em torno dos comportamentos e realizações. Joanna de Angelis – Constelação Familiar – Cap. 29 – A Família hodierna Pais e mães de família não sabem mais o que pensar das estranhas idéias dos filhos da tv, do rádio, dos filmes policiais e pornográficos, das histórias em quadrinhos; para muitos, liberdade significa permissão para subverter a ordem e o respeito. Contravenção virou valentia. Pedro Finkler – Compreender e Entender os Outros – Introdução Faz-se urgente o retorno de Jesus à Família. Somente a Sua presença no lar pode oferecer segurança e equilíbrio para todos quantos se encontram à mercê dos instrumentos de comunicação, preocupados com o consumidor e desinteressados totalmente da criatura. A análise da palavra de Jesus em reunião familiar, ao invés de se manifestar como uma questão religiosa, repetitiva e automática, deve ser rica de encantamento, de fraternidade, em debate franco, filosófico e de renovação social de maneira que expresse um cometimento para desenvolver o pensamento, a capacidade de entender a vida e a permuta de idéias. Joanna de Angelis – Revista Reformador – 1999 – Março – Jesus e Família
  • 39. 36/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros 2.2.4 A Terceirização da Criança O livro O Executivo & sua família, afirma – “o sucesso dos pais não garante a felicidade dos filhos”, do psiquiatra e psicoterapeuta Içami Tiba Por isso, afirma Tiba, “o melhor investimento não é o plano de previdência privada, mas sim o relacionamento com os filhos”. Se não for assim, diz o autor, “a pessoa corre o risco de acabar num asilo, rica, mas sem afeto”. Os pais que se submeteram aos caprichos dos filhos – crianças que tudo queriam, vorazes de desejos – acabaram por criar pequenos tiranos, que entenderam tudo o que receberam como direitos e, por isso, nunca se sentiram gratos aos esforços paternos. Essa geração é, hoje, a que está tendo filhos, em plena era de domínio da informática, da Internet e da TV. Conclusão óbvia: a escola e o lar não são mais as únicas instituições sociais que trabalham a educação da garotada. Se as duas primeiras falharam no período mais grave da vida da criança – a infância –, atualmente pai e mãe saem para o serviço e o filho acaba até achando bom, pois vai poder viajar sem limites na rede mundial de informações. Tiba chega a afirmar que, às vezes, os filhos formam-se de tal maneira distante da própria família que nem adquirem seus valores nem absorvem o espírito da formação de um lar. Carlos Abranches – Revista Reformador – 1999 – Julho – Sucesso no Trabalho, fracasso em Casa Faz-se, assim, importante que a mãe que trabalhe fora de casa, empreenda maiores esforços para envolver a criança, atendê-la, entendê-la, ajudá-la em seus trabalhos escolares, dialogando sempre. Enfim, torna-se imprescindível que os pais, e particularmente a mãe, conversem com as crianças sobre as razões ponderáveis. Não deverão os pais, em chegando ao lar, fixarem-se nas intermináveis novelas, em leituras de jornais delongadas, irritando-se com a aproximação ou solicitação dos pequenos, aos quais, antes deveriam buscar para aconchegá-los. Nesses casos, depois que os pais cheguem em casa, eles próprios superarão o cansaço para cuidarem, com atenção e carinho, dos filhos que ficaram sem eles durante todo o dia, ou grande parte do dia. Os finais de semana, igualmente, deverão ser passados junto dos filhos, aproveitados na companhia deles, salvo em casos de necessidade imperiosa que determina o contrário. Necessário se faz renunciar a alguns prazeres e divertimentos, enquanto os filhos disto careçam, a fim de formá-los no equilíbrio para o futuro, agindo dentro da orientação espírita, de acordo com o que nos lembra a Codificação Espírita. Raul Teixeira – Entrevista em Catanduva-SP – Jornal Mundo Espírita – 1986 – Agosto Claro que a qualidade do relacionamento é muito importante, mas qual o mínimo de tempo considerado ideal? Dez minutos por dia?
  • 40. 37/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros Três ou quatro beijinhos sôfregos antes de sair correndo ou ao voltar do trabalho e encontrar a criança já na cama, banhada e alimentada? Isso é qualidade? E nos fins de semana? Trazer trabalho para casa e ficar o fim de semana inteiro plugado no computador, resolvendo os problemas da firma e pedindo silêncio, às vezes irritado porque precisa trabalhar? Alguém já fez uma planilha e se deu conta de quanto tempo fica com os filhos por dia, por semana, por mês? Já pensou o que isso vai significar no final de um ano ou de toda a infância? Qual o percentual de presença que você está dando para seus filhos? José Martins Filho – A Criança Terceirizada – Cap. 6 – Os descaminhos das Relações Familiares no mundo contemporâneo Pouca gente se dará conta de que esses menores abandonados não são apenas os que nascem nos guetos, nas favelas, mas todos aqueles que deixaram de receber de alguma maneira, o suporte, a atenção, o respaldo sejam da família, seja dos governos, seja da sociedade em geral. É dessa maneira que vamos encontrando menores abandonados que nunca poderíamos supor que o fossem. Porque eles estão dentro dos lares, com seu pai, com sua mãe, com seus irmãos, mas costumeiramente são órfãos. Órfãos sociais, órfãos, diríamos, de pais vivos. E quando é que essa situação passará a ocorrer? Quando é que teremos esses órfãos de pais vivos? Todas as vezes que eles recebam desses pais coisas, mas não tenham propriamente os pais. Seja pelo motivo que for. Se essas crianças, se esses moços estiverem fadados a crescer nas mãos de servidores domésticos ou nas mãos da via pública, sob o impacto das violências cotidianas das ruas da cidade, serão menores abandonados. Abandonados pelos pais, que nunca têm tempo para conversar com eles, para dialogar com eles, de explicar-lhes os perigos encontrados pelas avenidas do mundo nas pessoas que não merecem confiança. Serão menores abandonados pelas autoridades que pouco se preocupam com o menor em si. (...) Nós temos tantos menores abandonados nas ruas, como os temos nos lares, onde os pais lhes dão brinquedos, brindes, viagens, dinheiro, carros, motos, mas não lhes dão o coração. (...) Aqueles meninos, meninas que vivem dentro de casa com seu pai, com sua mãe, apenas como um dado. É que esses pais são sempre ausentes, seja pelo trabalho, seja pela vida social intensa que levam, seja porque motivo for. Esses moços, essas crianças, esses jovens ou adolescentes, o que é que deverão pensar, o que é que lhes passa pela cabeça? Parecerá que eles são verdadeiros estorvos na vida dos seus pais. Porque os pais nunca têm tempo para eles. Sempre coisas muito rápidas para atender a necessidades econômico-financeiras, para dar-lhes dinheiro, para ouvir a respeito de alguma das suas necessidades.
  • 41. 38/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros Aqueles que têm casa, que têm pão, que têm comida, que têm roupa, que têm quase tudo, mas lhes falta o amor dos pais, cabe-nos pensar no estilo de apoio que estamos dando às nossas crianças, nossos filhos, nossos menores. E, honestamente, verificarmos se, apesar de todas as coisas que lhes damos, se não estamos convertendo nossos filhos em outros tantos menores abandonados. Raul Teixeira – Federação Espírita do Paraná - Programa Vida e Valores, de número 105 – – Menores Abandonados (...) A fornalha mais preciosa para o amoldamento do caráter e da personalidade é o lar. Quando esse falta, deixando o ser em formação em mãos estranhas ou ao abandono, o sofrimento marca-lhe o desenvolvimento psicológico, que passa a exigir terapia de amor muito bem direcionada, evitando-se os apelos de compaixão, de proteção injustificada, para se tornar natural, franco, encorajador, e que faculte a compreensão do educando sobre o fenômeno que lhe aconteceu, mas em realidade não lhe pode afetar a existência, desde que se trata de uma ocorrência proposta pelas Leis naturais da Vida. O ser humano, em qualquer fase do seu desenvolvimento na Escola terrestre, é sempre aprendiz sensível a quem o amor oferece os mais poderosos recursos para a felicidade ou para a desdita, dependendo de como esse seja encaminhado. O lar, desse modo, é oficina de crescimento moral e intelectual, mas sobretudo espiritual, que deve ser aprimorado sempre, abrindo espaço para tornar-se célula eficiente da sociedade. Joanna de Angelis – O Despertar do Espírito – Cap. – Relacionamentos Familiares A distância entre as gerações e a interferência da televisão, que funciona como babá para a criança e como calmante para o adulto, agrava ainda mais os problemas em casa. Observa-se que, no mundo moderno, encontrar um tempo para sentar e conversar com o filho, ou com os pais, não é fácil. Deste modo, compartilhar experiências, falar sobre sentimentos e trocar idéias são privilégios de poucas famílias. Neste contexto, a comunicação se mantém precária e limitada aos aspectos superficiais do quotidiano. Vale frisar que não se trata de medir a harmonia de uma família pelo tempo em que seus membros estão juntos, mas de verificar a qualidade dessa vivência em comum. Elaine Curti Ramazzini – A Família, o Espirito e o Tempo – Família – visão Psicológica Mamãe vai para o trabalho, A criança chora e chama, Tem sede e fome de amor, Mas ninguém lhe nota o drama, Depois das mãos da enfermeira Vai para os braços da ama.
  • 42. 39/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros A ama vive no esquema, O nenê quer conversar, Papai, porém, não tem horas Para carinhos no lar, A mamãe regressa tarde, Precisa repousar. A criança tem de tudo, Brinquedos, roupa enfeitada, Aniversários em festa, Televisão e mesada, Mas dos pais de quem nasceu Já sente rejeitada. Aí começa o salseiro Do lar a se decompor, Rara é a criança que chega Da vida superior, Quase sempre é parentela, Pedindo pousada e amor. Sentindo-se em menosprezo, O espírito renascente Sem apoio que o remove, Faz-se rebelde e doente, Frio amargo e revoltado Mesmo forte e inteligente. Hoje, ouvindo professores, Falando de educação, Não sei quando o não é sim, Nem sei quando o sim é não, Só peço aos pais que observem
  • 43. 40/87 A Família na Atualidade - Desafios - encontros e desencontros A lei da reencarnação. Organizar o futuro Para melhor é dever, Mas aqui falo a verdade Que todos devem saber: O que se faz à criança É o que vai acontecer. Leandro Gomes de Barros – Família – Cap. 10 – Cantoria da Criança