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  1. 1. 2 | ípsilon | Sexta-Feira 4 Setembro 2009 Beatles, agora a cores Há anos que as actuações dos Beatles seguiam um ritu- al muito próprio: subiam ao palco, o público explodia num berreiro ensurdecedor e, lá em cima, a banda nada ouvia do que tocava, lá em baixo, o público julgava ouvir sem ouvir as canções que conhecia tão bem. No Budokan, o tempera- mento japonês e a forte pre- sença policial, destacada para manter o bom comportamen- to da audiência, fez cair a más- cara. Os gritos só chegavam no final das músicas e os Beatles perceberam que a banda que, anos antes, num bairro de Hamburgo ou no Cavern em Liverpool, se transformara em máquina rock’n’roll era então, em concerto (em estúdio, o processo ia exactamente em sentido contrário), uma som- bra do que tinha sido. Três dias depois da chegada às Filipinas, seria editado em Inglaterra “Revolver”, disco fundamental da discogra- fia dos Fab Four e um dos 14 que, no próximo dia 9 de Set- embro, será alvo de reedição remasterizada - são contem- solicitação não os impressiona. “A comitiva seguiu para a sala golpe atirou Ringo ao chão, que plados os 12 álbuns de estú- “Estamos no nosso dia de folga de embarque [...]. Os soldados teve de rastejar para a alfândega dio britânicos, acrescidos da e não vamos a nenhuma recep- começaram a maltratar a ban- enquanto era espancado uma e edição americana de “Magical ção”, responde McCartney. da, batendo-lhes com as espin- outra vez.” Mistery Tour” e da colecção de Pouco depois, ao ligar a tele- gardas, empurrando-os contra Alguns meses e nova polémi- singles “Past Masters”. Para os visão, os Beatles assistem em as paredes [...]. Os passageiros ca depois, atiçada pela famo- coleccionadores perfeccioni- directo à sua ausência. Crian- que esperavam outros voos sa tirada de John Lennon. stas, haverá uma outra caixa, ças a chorar, Imelda queixan- assobiaram-nos e cuspiram- que reunirá todo aquele ma- do-se da afronta. Nesse mes- lhes em cima. De um momento terial nas misturas em mono mo dia, dão dois concertos no para o outro, começaram a ser originais. estádio de futebol local para desferidos murros, lançando Regressemos a Manila. mais de oitenta mil. Na manhã a confusão total. No meio de É manhã e John, Paul, George e seguinte, todos os traços da toda a violência, um brutal Ringo são acordados por fortes Beatlemania desapareciam. “Os Beatles são mais pop- pancadas na porta do quarto. Até conseguirem abandonar as Alguns funcionários do hotel Filipinas, seriam tratados como dizem-lhes que se despachem, inimigos públicos, não como que se vistam: Imelda Marcos, primeira-dama na ditadura de estrelas pop idolatradas. Geoffrey Giuliano, em “Beatles ulares do que Jesus”. Ferdinando Marcos, espera-os - a História Secreta” (Ulisseia, para uma recepção no Palácio 2008), descreve a convulsão Presidencial. O histerismo da das últimas horas em Manila:
  2. 2. 3 | ípsilon | Sexta-Feira 4 Setembro 2009 s Se, até “Rubber Soul”, os Beatles tinham ca- revistado pelo “International Times”, o jor- nalizado os intensos anos de formação em nal “underground” que ajudara a financiar, Hamburgo, onde tocavam diariamente, ali- Paul McCartney afirmava: “Agora já não ex- mentados a álcool e anfetaminas, para uma istem grandes ídolos. Olhas para as pessoas pop imediata, melodicamente perfeita e de objectivamente. Perdes aquela coisa de fã. batida denunciando o cabedal rock’n’roll Neste momento, somos cada vez mais influ- do passado, a partir do momento em que enciados por nós próprios, por aquilo que abandonam concertos e digressões, se fe- sabemos que podemos fazer.” Esta busca da cham em estúdio e se abrem ao mundo originalidade pode ter afastado McCartney para além da Beatlemania, começam a do fã que fora, num cinema em Liverpool, construir-se, definitivamente, como a mais do Elvis que via em tela, mas despertou de- importante força criativa da música popular cisivamente uma imensa curiosidade pelas urbana do século XX. No final de 1966, ent- expressões artísticas que o rodeavam. “Todas as cores em oito anos” a

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