N.º 14 o ideias maio 97 ano iii

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N.º 14 o ideias maio 97 ano iii

  1. 1. i Maio 97 Ano III Nº 14 50$00 Querido Ideias SUMÁRIO Esta é provavelmente a última vez que nos encontramos nestas circunstâncias. Desde o dia em que te demos forma até hoje muitas Pág. 2 Honesto estudo com longa estórias ficaram pelo caminho, crescemos juntos, lado a lado, eu era ainda caloira quando te fundámos, experiência misturada por ti e contigo descobri o outro lado da escola, aquelelado mais ou menos oculto, - talvez discreto seja a palavra Pág. 3 Conselho Pedagógico e aindicada – ao qual nem todos têm acesso directo, é ummundo fascinante – pelo bom e pelo mau sentido– e muito melhoria da qualidade de ensinotrabalhoso, como tu, mas como quem corre por gosto nãosente nem lamenta tanto o cansaço, não lamento o tempo que Pág. 5 Geração Rasca e Fúria Anti-despendi contigo e com outras actividades extra-curricularesque tive a oportunidade e o privilégio de desenvolver ao sebentistalongo destes três magníficos anos.Mas deixa-me concentrar apenas em ti; ao longo destes anos Pág. 6 Técnicos de contas já têmfoste sempre muito “caprichoso”, todos os meses inventavasuma “birra” para nos deixar preocupados e sem saber se estatutosaírias a tempo e em “boa forma”. E por isso nunca fosteperfeito, talvez uma vez ou outra para confirmar a regra, Pág. 8 Como escolher um computadormas não mais. No entanto para mim e para todos os que sepreocupam contigo directamente serás sempre único eeterno, é também por esse motivo que te guardarei na minhamemória como uma lição de vida: as coisas podem ser Pág. 10 António Guterres em visitaplaneadas para serem perfeitas, e podem até parecerperfeitas, porque apenas olhamos para elas e por vezes não relâmpago à E.S.G.S.as vemos. Mas a perfeição absoluta pode também ser ummau sinal, se alguém um dia se convence que algo que fezestá perfeito pode significar que não há mais imaginação,ambição e criatividade dentro de si. Por isso e na recta finalapenas guardo tinta para agradecer muito sentidamente atodos aqueles que te ajudaram, de uma forma ou de outra,a “nascer” mês após mês, a todos os que te leram edesculparam as nossas falhas, pequenas lacunas que,acreditem, nos pesaram bastante na consciência.Se me permites gostaria de neste pequeno espaço enviar umgrande abraço cheio de carinho e amizade àquelas pessoasque ao longo destes três anos conviveram diariamentecomigo, e por esse motivo partilharam as preocupações queme deste e muitas outras: os meus eternos Amigos.Para sempre e até sempre… IDEIAS. CALT HRO Luzia Valentim BR A " s ue p ç " O e sao
  2. 2. O Ideias ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ “H n s oE t d c mL n aE p r ê c aM s u a a oet suo o og xeini itrd” É esta a divisa da Universidade de adquiridos nas salas de aulas, havendo as praxes académicas, representam aÉvora. Sendo esta a segunda então lugar para o convívio entre os instituição nas solenidades maisUniversidade a ter sido construída em elementos dos diferentes cursos da U.E. importantes.Portugal, é perfeitamente compreensível Porém, se é na noite eborense, Um Coisa é certa: tanto em Évoraque a experiência e a tradição académicas, principalmente às quartas e quintas feiras, como em Santarém, há bons e maussejam valores a preservar. que todos se reúnem, durante o dia, e alunos, bons e maus professores. Há Nos claustros desta Universidade, visto não haver lugares suficientes no muita gente que custa a perceber aposso afirmar sem receio nenhum, edifício principal, todos estão em locais diferença entre ser estudante e ser“respira-se história”. É o peso dos séculos, diferentes. A Universidade tem apostado universitário! Tudo tem o seu peso, cadaa herança de todos aqueles que por aqui em vários pólos, criando diversos coisa tem a sua importância, mas épassaram (alunos e professores) e que edifícios, para que assim possa haver uma necessário conjugar o estudo com umcom a sua passagem, marcaram separação dos vários departamentos de tempo de vida que nunca maisdefinitivamente as suas vidas e a ensino. Olhando para tudo isto, e voltaremos a ter!evolução da própria Universidade. principalmente para o crescente número E porque não fazer-vos um convite? A meu ver, Évora consegue, por de alunos e de residências universitárias, Apareçam por Évora na Queima dasenquanto, manter algumas coisas que afirmo que a Universidade está a crescer, Fitas deste ano, e quem sabe, se por entreconsidero indispensáveis para uma boa fazendo votos para que, a este noites bem “regadas”, entre petiscos evida académica: é um meio pequeno em crescimento, não corresponda uma perda novas amizades, não vão descobrir umque todos se cruzam, todos se misturam de qualidade. pouco daquilo que vos tenho vindo a(falo de cursos, evidentemente!) e acima A fim de preservar a tradição falar?de tudo todos se respeitam. académica de que tanto nos orgulhamos, Felicidades para o vosso Politécnico, Nos chamados “Locais de Culto”, e de fomentar o “espírito académico”, foi e Viva o Espírito Académico!!isto é , bares, tabernas, tascas, cafés, etc., criado há já alguns anos o Conselho dedifunde-se o “saber e a experiência” não Notáveis, que, para além de orientarem João F. Carapito - Port/Francês U.E. INSTITUTO POLITÉCNICO DE SANTARÉM XVII Aniversário 12 de Junho de 1997 PROGRAMA • 16H30M Escola Superior de Educação Complexo Andaluz - Inauguração da Exposição Imagens de Outrora: anos 30-40 • 21H00M Teatro Municipal Sá da Bandeira O IPS em movimento - Apresentação do documentário Scalabis (1936-1939) de Manuel Luís Vieira e Arnaldo Coimbra - Sarau: Teatro, Fado, Coros, Dança, Música, Canção... Ficha Técnica O Jornal "O Ideias" é Endereço para contactos: Directora: Luzia Valentim publicado nos meses de Jornal "O Ideias" - Escola Superior de Redacção: José Luís Carvalho, Nuno Janeiro, Março, Abril, Maio, Gestão de Santarém Bernardo e António Braçais Junho, Novembro e Dezembro Complexo Andaluz Montagem: Rui Costa com uma tiragem de 600 Apartado 295 Revisão: José Luís Carvalho exemplares. 2003 Santarém Codex Publicidade: Luzia Valentim, Rui Pode ser fotocopiado Tel.:332121 Fax: 332152 Costa e Nuno Bernardo para distribuição gratuita. Impressão: Tipografia Escolar 2
  3. 3. ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Maio/1997 UM NOVO ÓRGÃO A DEBRUÇAR-SE SOBRE UMA VELHA QUESTÃO: O CONCELHO PEDAGÓGICO E A MELHORIA DA QUALIDADE DE ENSINO Elaborados que estão os estatutos ESGS sobre, latus sensus, qualquer processo.da ESGS e encontrando-se em funções a assunto ou decisão de natureza ou comAssembleia de Escola, o Conselho implicações pedagógicas- Esta é a Promover acções de formação eDirectivo e o Conselho Científico nos grande área de intervenção do Conselho organizar seminários, colóquios,moldes fixados pelos referidos Pedagógico. Embora a maior parte das conferências e outras actividades deestatutos, dá-se início ao processo de deliberações deste órgão não tenham interesse pedagógico: Esta área temeleição dos membros de um órgão que carácter vinculativo, isto é, o Conselho bastantes potencialidades, na medidanunca antes tinha existido: o Conselho Pedagógico não é um órgão em que, se tal for acordado entre asPedagógico. eminentemente deliberativo, tendo partes, pode-se conseguir mais e Ainda segundo os estatutos antes um carácter marcadamente melhores resultados do aqueles quesupracitados, cada curso que está ou consultivo, a elaboração de pareceres foram conseguidos até hoje em eventosque venha a estar em funcionamento na pressupõe um debate, uma discussão desta natureza mais uma vez comESGS ( CESE´s incluídos) será entre as partes envolvidas sobre os grandes benefícios para a ESGS emrepresentado por quatro elementos: eventuais problemas de índole geral.dois docentes - um professor e um pedagógica de que a ESGS padece ouassistente - e dois discentes, sendo as pode vir a padecer, sobressaindo, mais Posto isto, parece-me claro que oeleições dos seus membros feitas por do que a decisão, os argumentos Conselho Pedagógico tem bastantescursos e por corpos. Daqui se retira que pertinentes que fundamentam a mesma. potencialidades que podem e devem serestamos perante um órgão que irá ser Na prática, existirá mais informação a aproveitadas sendo, quanto a mim, ocomposto por trinta e seis membros, em circular, permitindo assim uma local privilegiado para analisar arepresentação dos nove cursos em participação mais activa e produtiva qualidade de ensino neste microcosmosfuncionamento ou que irão a curto dos discentes, podendo-se obter com educacional que é a ESGS.prazo funcionar . isto eventuais compromissos e soluções Se assim for encarado, este órgão A questão que agora se põe é em sobre matérias relevantes como será o local onde se poderá fazer maisque medida este órgão poderá dar um métodos de ensino, organização celeremente uma correcta triagem doscontributo válido para o curricular, calendário e horário escolar, problemas que existem e quedesenvolvimento da ESGS, regime de frequências, avaliação, eventualmente surjam, na medida quemelhorando-se a qualidade de ensino. transição de ano, precedências, etc. este conselho assenta numa De acordo com as suas atribuições Da mesma forma, ao pedir representação directa de todos os cursose competências, são três as grandes esclarecimentos aos outros órgãos de em funcionamento na ESGS.áreas de intervenção: gestão da ESGS sobre matérias ou Se o Conselho Pedagógico for um deliberações sobre questões de natureza órgão activo, poderão os centros de Avaliação do desempenho não pedagógica, mas com implicações decisão da ESGS ter mais e melhorpedagógico dos docentes da ESGS - pedagógicas (por exemplo, a fixação informação disponível sobre oCom efeito, compete a este órgão criar e dos números máximos de matrículas quotidiano desta escola e sobre osimplementar um processo de análise e anuais) para que possa pronunciar-se problemas e dificuldades que ocorrem ,avaliação, não do conteúdo sobre o assunto, o Conselho Pedagógico poder-se-á criar um clima deprogramático das disciplinas, mas da tornar-se um importante veículo de cooperação mais profundo entreforma como esse mesmo conteúdo acção pedagógica, na medida em que se docentes e discentes em matérias que aprogramático é transmitido. Na prática torna possível a todas as partes ambos dizem respeito, do que aquelee salvo melhor interpretação, avalia-se o interessadas compreender que existe. Se este órgão for um órgãomodo como as aulas são dadas e os correctamente e claramente qual o rumo passivo, é minha convicção, que a realconhecimentos são transmitidos, se há que a ESGS está a seguir e porquê. melhoria da qualidade de ensino naou não dificuldades de percepção das Parto, evidentemente, do pressuposto ESGS, fique, no mínimo muito aquémdiversas matérias por parte dos que um órgão ,para poder pronunciar- da potencial melhoria da qualidade dediscentes e em que medida esta falha de se sobre uma matéria ou uma ensino.comunicação pode ser imputada ao deliberação sobre uma questão deste Termino concluindo que odocente. Pretende-se com este processo tipo, terá que ter acesso aos Conselho Pedagógico será aquilo quemelhorar a forma como o conhecimento pressupostos ou fundamentos que quer docentes quer discentes queremé transmitido, rectificando-se eventuais serviram de base a essa mesma matéria que seja, pois ambos têm iguaisfalhas, e não pôr em causa o docente, ou deliberação. responsabilidades a assumir.isto porque não se está contra pessoas, Toda esta situação, a processar-se desta As partes têm agora a palavra.mas sim contra situações. forma, origina uma certa pressão para que os diversos órgãos funcionem e Armando Rodrigues Elaboração de pareceres, que, sobretudo, interajam entre si, com Membro da Assembleia quepropostas e/ou pedidos de benefícios óbvios para a instituição e elaborou os estatutos da E.S.G.S.esclarecimento aos outros órgãos da para todas as partes envolvidas neste 3
  4. 4. O Ideias ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ A LUTA DA LUZ CONTRA AS TREVAS OU A ESTRANHA REIVINDICAÇÃO DO ENSINO SEBENTEIRO Por Mestre Helder Pereira Independentemente de atingir o objectivo proposto, o liberdade de fazer lembrar duas questões, sobretudo aossignatário deste texto tem procurado através de todos os novos paladinos do “sebentismo”, ainda que sejam por estesmeios disponíveis, dignificar o exercício da sua profissão, bem eventualmente consideradas irrelevantes:como o nome da instituição onde esta se desenvolve. 1 - A elaboração das bibliografias para cada uma das Pensa no entanto que ele só poderá ser realizado cadeiras não é um simples ritual iniciático, ou caprichoso demediante um conjunto complexo e interdependente de um docente gastador de papel, antes constitui um instrumentoesforços que pressupõem um trabalho rigoroso, aturado e fundamental do processo de aprendizagem, pode é apenas serquotidiano de auto-formação que se deverá traduzir, no utilizado por aqueles que realmente querem aceder aodesenvolvimento do seu próprio espírito crítico, no aumento verdadeiro conhecimento, e se recusam a ser menosda sua capacidade reflexiva e na reciclagem e actualização receptáculos de informação estéril e inoperante.permanente dos seus conhecimentos científicos; tarefas estas 2 - A elaboração das sinistras sebentas, agoraque por sua vez, deverão ser inculcadas e incentivadas nos reivindicadas, (será que aqueles que as reivindicam sabemrespectivos alunos, através do seu magistério. realmente o que é uma sebenta? Ou confundem-na Significa isto que se encontra com um caderno de textos?) por si só põe em causaprofundamente convicto que para que se um princípio sagrado que é defendido por todosatinjam os padrões de um ensino moderno e aqueles que prezam um ensino condizente com apróximo dos que existem em sistemas que época em que vivemos: o princípio da autonomiacomparativamente ao nosso, apresentam um científico-pedagógico, quer das instituições, quer dosavanço de mais de 40 anos e que se encontram respectivos docentes (Já tinham pensado nissona vanguarda do desenvolvimento científico e senhores sebenteiros? Provavelmente não, mastecnológico, ter-se-à de enveredar pela atitude também não admira.)pouco cómoda, mas certamente frutífera, que Pelo anteriormente exposto e também porconsiste na procura de formas que fortaleçam a transmissão de outros motivos que estarei sempre disposto a explicar a quemferramentas essenciais para a transmissão do saber. Deste eventualmente se mostre interessado, e principalmente porquemodo será necessário erradicar a tendência herdada me recuso de forma firme a pactuar com uma perspectiva deancestralmente que se materializa na formação de autómatos ensino-aprendizagem que na sua essência revela uma visãoe recitadores de fórmulas e receitas desligadas do contexto, ou tacanha e medieval do ensino superior e igualmente porquede indivíduos que num futuro próximo, estarão tão me recuso a contribuir para a formação de indivíduos acéfalos,preparados para o exercício da sua profissão como um desde já declaro que me encontro completamente indisponívelparaplégico estará para um jogo de futebol de alta competição. para elaborar qualquer espécie de sebenta. Caso contrário Todos os relatórios e estudos elaborados pelos melhores estaria a hipotecar um dos valores que considero maisespecialistas mundiais consideram que entre estas duas vias, sagrados, que enquanto docente, que mais genericamentenão existe escolha intermédia, uma vez que representam a enquanto cidadão. Refiro-me ao princípio de um ensino livre,diferença entre a “luz” e as “trevas”. Por certo, tal facto, na aberto e rigoroso cientificamente.actualidade será de conhecimento geral, tal como já o foi dos Deste modo, jamais num futuro me poderão acusar deestudantes portugueses de sucessivas gerações, dando origem ter sido cúmplice daqueles que querem dar um passo atrás nade que há mais de trinta anos - após muitas e árduas lutas - a história. (Aquela mesma história a que alguns aleivosamente“luz” tivesse conseguido vencer as “trevas”. Ou por outras não reconhecem ter o seu conhecimento, qualquer importânciapalavras que felizmente se tivesse conseguido abolir o arcaico para a sua formação).e bafiento “ensino sebenteiro”. Contudo estarei permanentemente disponível, como O mesmo que curiosa e estranhamente alguns dos aliás é meu dever, para acompanhar, esclarecer e orientar asestudantes desta escola agora reivindicam, tentando fazer actividades científicas e outras, de todos quanto realmenteretroceder o ensino superior neste país, em cerca de 50 anos e tenham curiosidade em aprender e que para isso recorram aoscom consequências tão nefastas como incalculáveis e meus modestos préstimos.irreversíveis. Sem querer ocupar mais espaço, permitam-me ainda a In "O Ideias" n.º 3 de Junho de 1995 PRECISAMOS DE COLABORADORES. CONTACTA-NOS! 4
  5. 5. ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Maio/1997 Geração Rasca e Fúria Anti-sebentista Por: Engº Jorge Constantino (Assist. Área de Informática) Não duvido que todos os relatórios condenação pura e simples. Por isso, no perspectiva de uma feroze estudos elaborados pelos melhores início de cada ano lectivo, naquela competitividade no mercado deespecialistas mundiais apontem para fatídica primeira aula que coroa os trabalho, com o inerente risco doum ensino que não ‘forme’ autómatos e vencedores da corrida ao Ensino desemprego, não leva ninguém a fazerrecitadores de fórmulas. Contudo, Superior e em que sinto recair sobre nas sebentas a busca ilusória dumacustou-me ver, num número anterior mim todo o peso da responsabilidade melhor formação? A criação de forunsd’O IDEIAS, invocadas as palavras de não trair as suas enormes de debate na Escola (louve-se odesses melhores especialistas para dizer expectativas, lá me vêm à cabeça, vezes pioneirismo de O IDEIAS) não ajudariamal das sebentas, sem acompanhar sem conta, as mesmas perguntas. A os mais vulneráveis a resistir aosessas palavras dum levantamento dos percentagem de alunos que não está no encantos do sebentismo, contribuindomotivos que terão levado quem mais as seu curso preferido não tem nenhum para a procura de formas alternativascontesta (os alunos - e foi como aluno efeito no processo educativo? As de ensino? E a recente greve dosque eu aprendi a contestá-las...) a querer condições de ensino (nomeadamente a docentes não foi, afinal, um grito detê-las agora de volta. dimensão das turmas) não condicionam protesto contra os graves problemas O problema é comparável a outros o tipo de aprendizagem? Uma aposta que os afectam e, por inevitávelfenómenos (xenofobia e ultra- mais agressiva na formação permanente consequência, aos seus alunos?nacionalismos, droga e prostituição, (incluindo pedagógica) dos docentes Sebentas outra vez: porque será?violência juvenil e criminalidade, etc): será desnecessária? Uma cooperação Por mero “rasquismo”? Acho que sim.haverá sempre bons especialistas mais visível da escola com o meio Mas por um “rasquismo” que estácapazes de condenar esses fenómenos, empresarial terá pouca importância na menos nas pessoas e mais nas situaçõessem que essa condenação resolva por si adequação dos programas das que as condicionam (alunos, docentes,só os problemas - critica-se por causa disciplinas? O conflito entre os mundos funcionários, dirigentes, ...). Sou contrados efeitos (aceito!), mas ignora-se ou do ensino e do emprego (o primeiro a as sebentas, mas que a situação estáfala-se com muito pouca convicção das não querer formar autómatos negra, lá isso está. E quando issosuas causas (acho mal!). recitadores de fórmulas e o segundo a acontece... salve-se quem puder. Vem Tal como nesses casos (em que propôr cada vez mais empregos nas sebentas!mais vale prevenir do que reprimir), informatizados para os quais sepreferia ver discutir novas formas de procuram autómatos recitadores de In "O Ideias" n.º 5 de Dezembro de 1995evitar o sebentismo do que assistir à sua fórmulas) já foi resolvido? A QUAL A SUA OPINIÃO? Desafio aos rascas Não, não ocuparei o vosso espaço, nem liberdade de opinião. cairei em tentação de vos dizer que a Permita-me no entanto, tomo a Bem aventurado seja o “Ideias”. vossa folheca só valerá a pena e terá liberdade de vos lançar um desafio: Bem aventurados sejam todos piada, se fôr uma lufada de ar fresco. O Demontrem que o que é rasca équantos vão pô-lo em marcha. que quer dizer, um jornal livre, crítico, chamarem-vos rascas, ou que quando Bem aventurados os que ousam plural, imaginativo e responsável. muito os rascas que existem estão juntocriar, reflectir, debater, criticar, fazer Se for contra todas as formas de daqueles que vos lançaram o anátema.coisas. Numa palavra: PARTICIPAR. censura e um espaço onde tudo possa O primeiro passo já o deram. Dos outros, o mundo já tem ser debatido sem preconceito. Têm portanto a responsabilidade demuitos. Ninguém sente a sua falta. Se não reflectir um espírito de prosseguir a caminhada. É para já tudo o que tenho para seita, se não fizer concessões ao humor Força creio que não vos falta.vos dizer. O excedente de verbo terá fácil e à crítica fortuita, superficial e não Quanto ao resto depoisapenas como consequência uma fundamentada. conversaremos.ocupação indevida de espaço que É claro que não vos alertarei paraporque é vosso, não me pertence. Se o facto de virem no futuro a passar por Mestre Hélder Pereiracontinuasse iria cair na tentação momentos de desânimo, motivados por In "O Ideias" n.º 1 de Abril de 1995paternalista de dar conselhos, mais a críticas dos que nada fazem, dos quemais a quem deles não precisa. não conseguem fazer melhor, ou ainda Obviamente isso jamais farei. dos que não toleram a diferença e a 5
  6. 6. O Ideias ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ TÉCNICOS DE CONTAS JÁ TÊM ESTATUTO Em 17 de Outubro passado foi constituam crimes públicos, tal como TOC’s só podem prestar serviço a umpublicado o decreto-lei nº 265/95 que é referencia o art.º 25.º. número limitado de empresas,precisamente o diploma que aprova o Assim e em primeiro lugar seria consoante os respectivos volumes deestatuto dos Técnicos Oficiais de Contas bom que se esclarecesse o que é que são negócios. Por exemplo um técnico de(TOC’s) e cria a respectiva Associação. crimes públicos; e em segundo lugar contas não pode exercer as suas funções Depois de ter lido o referido que se mencionassem vários crimes num mesmo ano económico em mais dedecreto-lei creio que há alguns aspectos públicos e que se ensinassem os TOC’s 4 empresas com um volume de negóciosque merecem ser focados neste jornal, a procurá-los na legislação. Mas se em superior a 3 milhões de contos cada. Istoaté como pistas de reflexão para os relação à primeira questão qualquer quer dizer que em determinadascolegas de Gestão de Empresas. indivíduo licenciado em Direito nos ocasiões basta que aumente o volume Em primeiro lugar é preciso ter em pode esclarecer, já em relação à segunda de negócios de uma empresa na qual olinha de conta que os novos direitos dos não é bem assim pela simples razão de técnico exerça funções para que tenhaTOC’s trazem consigo novos deveres. que a legislação actual não apresenta que deixar de exercer essas mesmasEntre os direitos está nomeadamente propriamente uma enumeração de funções em pelo menos uma dessasconsagrado o direito à informação e o crimes a considerar públicos. Podemos empresas.direito de exigir por escrito a com algum esforço e com a ajuda dum Desta forma já se chegou inclusivéconfirmação de qualquer instrução especialista em Direito retirar da lei a admitir e a recear o aparecimento dumquando o achar necessário; isto além penal que são os mais graves, aqueles mercado de “pontos” onde técnicos quedos direitos que passam a existir por que, ocorridos, impõem a acusação do excedam os limites fixados com base noforça da criação da Associação e que Ministério Público, sem queixa ou volume de negócios das “suas”estão mencionados no n.º2 do artigo 18.º acusação particular. Mas a essência da empresas passariam a vender os pontosdo referido decreto-lei. questão permanece em dúvida porque excedentários a técnicos que ainda não Entre os deveres contam-se o de um especialista em contabilidade com tenham atingido aqueles limites. Alémcontribuir para o prestígio da função, licenciatura ou bacharelato em gestão desta situação já se chegou também apelo que penso que deverá ultrapassar- ou contabilidade não tem admitir o não respeito pelos limites, ase a fase do individualismo no seio da conhecimentos suficientes para, alteração dos mesmos ou a suaclasse. A maior exigência e dignidade detectada qualquer anomalia supressão.no exercício da profissão assim o contabilística classificá-la de crime Finalmente e no que diz respeito àrequerem, pois doravante só será público ou não. Para nós (de gestão) é composição do Conselho Disciplinar datécnico de contas quem estiver apto a muito difícil estabelecer uma fronteira Associação dos Técnicos Oficiais desê-lo, ou seja, quem se esforçar pelo entre crimes públicos e crimes Contas creio que há também umaaperfeiçoamento diário do seu saber, objecção justa que se pode fazer. Ostarefa nada fácil devido à tradição de Estatutos prevêem que este órgão sejaimplementação de leis fiscais em ESTATUTOS constituído por um presidente e doisPortugal. Mas este decreto-lei vem DESTINADOS A vogais, sendo o primeiro eleito emtambém corporizar a função dos TOC’s assembleia geral e estes nomeados pelona regularidade fiscal da contabilidade ACABAR COM A Ministro das Finanças, um emdas empresas. Assim, e do meu ponto CONFUSÃO GERAM representação da Inspecção Geral dede vista estes profissionais passam a Finanças e o outro da Direcção Geral dedesempenhar uma tarefa de interesse ALGUMA Contribuições e Impostos.público, pelo que não consigo CONFUSÃO! Não obstante o legislador nãocompreender muito bem que tenham ressalvou expressamente que os doisque ser as entidades privadas obrigadas vogais devem ser também especialistasa disporem de TOC nos termos deste particulares, pois somos leigos em nas matérias que envolvem a função dedecreto a pagar o salário do referido Direito. TOC; espero contudo que este requisitoprofissional, ainda para mais quando Preste-se agora uma atenção seja tido em conta, até por uma questãoeste está munido de poderes de redobrada na redacção do artigo 25.º : de respeito e de dignidade para umafiscalização. “Os técnicos oficiais de contas devem classe que esperou mais de trinta anos Num país como o nosso onde se ...” Mas qual o sentido desta palavra? - por esta legislação.valoriza o alcance dos objectivos Dever corporativo? - já que a In "O Ideias" n.ªJosé Luís Carvalho 7 de Março de 1996independentemente dos meios e onde a participação deve dirigir-se àfuga aos impostos é até bem vista isto Associação. Dever moral? Dever ético?pode trazer alguns problemas, tal como - já que uma anomalia contabilística estájá foi referenciado em revistas da área normalmente subjacente a falsificações,da gestão. De facto o TOC tem o dever omissões, fuga de impostos... Ou deverde participar ao Ministério Público, legal?através da Associação, os factos Outra questão e que me apanhoudetectados no exercício das respectivas de surpresa é a dos limites defunções de interesse público que actividade e pontuação. De facto os 6
  7. 7. ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Maio/1997 Mmno d Pei oets e osaLIBERDADE! Quando a solidão é minha dama de companhia, o meu pensamento divaga e eu perco- AUSÊNCIA POR TIMOR... me. Entre nós existe um rio Valerá a pena? onde correm, alterosas, A vida pode ser tão bela, mas ao mesmo águas que nascem do frio Pomba branca, sem asas para voar! das nossas vidas perigosas Ecos de dor, ressoando! tempo sufocante. Nascer. Nascer para quê? Para Vozes caladas, gritando! sofrer? Será que os momentos bons irão superar um Não há ponte nem barquinho Alertas chegados, envoltos nas ondas dia todas as tristezas desta vida ingrata? nem pássaro de voar do mar! Será que esta ingratidão vai ser nem jangada nem peixinho superada? que nos faça aproximar Represálias humanas: Aonde é que nós vamos parar? Qual será Que roubam a existência, o nosso destino. Olho triste para ti Assaltam a clemência. Por mais quanto tempo é que iremos ser grito alto, em segredo, Burguesias de um poder: Tiranas! infelizes, por mais quanto tempo é que nos que quando te conheci andaremos a enganar, a tentar disfarçar uma jurei nunca ter medo Ser eu. Não existe. realidade, afogar os nossos ressentimentos, as Pensar. Proibido. nossas angústias. Qual será o dia em que iremos E mergulho sem pensar Orgulho. Ferido. enfrentar tanta loucura? no que tenho pela frente Essência de povo: persiste! Se calhar tarde de mais e aí já não irá dar vou nadando até chegar para consertar o mal feito. Só nos restará onde me deixe a corrente É esta essência que é luta. sobreviver, até um dia tudo acabar! Viver para sofrer. Sobreviver para Ou a morte ou a verdade A sobrevivência da liberdade. há-de ser o resultado O apelo a nós humanidade, prolongar uma existência arrastada pela miséria! Oh. vida cruel! morto, resta a saudade Para que a verdade se discuta! vivo, estás a meu lado Sílvia Inácio Sílvia Mateus João Goulart Coelho & Sá, Lda. INDÚSTRIA ALIMENTAR DA MELHOR QUALIDADE PARA ENTREGA IMEDIATA TEMOS: FRUTAS EM CALDA ABÓBORA BRANCA • CASCA DE LARANJA • CIDRÃO • TANGERINA FRUTAS SORTIDA PICADA • ABÓBORA ENCARNADA MARACUJÁ • FIGO • ABÓBORA VERDE • CEREJA VERDE CEREJA VERMELHA • PÊRA • CHILA FRUTAS CRISTALIZADAS • FRUTOS SECOS Rua Jacinta Marto, 78 – R/C 2495 FÁTIMA – PORTUGAL – Tels.: (049) 53 24 47 / 53 20 45 Fax: 53 14 45 7
  8. 8. O Ideias ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○como escolher um computador ?L Quando decide comprar um pechinchas. É possível comprar um performance não lhe adianta muitocomputador o cidadão comum bom computador a um bom preço instalar um processador mais rápidodepara-se frequentemente com o mas é impossível um bom se os restantes componentes nãoproblema de saber qual o computador computador ser barato. Utilize estes estiverem à altura. Será como colocarque deve comprar e onde o deve anúncios apenas para se orientar um motor Ferrari num Mini.adquirir. inicialmente. É ainda aconselhável exigir Na maioria dos casos o comprador O terceito passo, talvez o mais sempre que do orçamento constemem questão desconhece quase importante, é aconselhar-se com também as condições de compra,totalmente o que deve comprar e alguém da sua confiança e que esteja garantias, software incluído, a data doquando se dirige a uma casa de dentro do assunto. orçamento e a identificação de quem oinformática as explicações são poucas Expônha-lhe quais os seus planos fez.e fracas ou até nenhumas - existem para a "máquina" e quanto pretende Mais uma vez, mostre osexcepções que merecem os meus dispender já que, o preço é orçamentos a uma pessoa de suaparabéns. sensivelmente proporcional às confiança e que esteja dentro do Pretendo então expor aqui, não performances. assunto e peça-lhe que o aconselhe.um manual exaustivo para o qual O quarto passo será dirigir-se às Se possível compre numa casaseriam necessárias várias páginas, casas de informática, apresentar o seu perto do local onde vive, é sempre ummas unicamente dar algumas caso e pedir um orçamento. Tenha sinal de que pode lá ir "chatear" deindicações de como deve escolher o especial atenção aos orçamentos, de cada vez que o computador derequipamento. modo que nestes devem constar uma problemas - se os der, é claro. Peço a devida atenção para o facto descrição completa e promenorizada Depois é uma questão de escolherde que um computador pode ser ao ponto de serem referenciados a o que na sua opinião mais lhe convém.utilizado em mil e uma tarefas tendo marca, modelo e versão de cada Na próxima edição entrarei emcada uma as suas exigências componente. Só assim poderá ter pormenores relativamente àespecíficas. Logo, é incorrecto indicar uma ideia da qualidade do constituição de um computadorqualquer configuração não sabendo equipamento e das respectivas explicando porque deve escolher ode antemão qual a utilização a dar ao performances. componente A ou B em vez de X ou Y.computador. Não esqueça nunca que num Por agora deixo um orçamento, Imaginemos que o caro leitor computador um bom disco rígido, para quem se quiser orientar, que nãodecidiu adquirir um computador para bastante memória e uma boa placa de sendo uma pechincha também não ése entreter em sua casa e realizar vídeo podem fazer tanto ou mais pela dos mais altos.alguns documentos relacionados com performance do que um bom Rui Costaa sua actividade profissional. processador, além do que, quando O primeiro passo é conhecer quiser fazer uma evolução para maior In "O Ideias" n.º 11 de Janeiro deexactamente quais as tarefas a 1997executar no computador. Poderáassim, quando consultar uma casa deinformática, dar uma ideia do quepretende. O segundo passo será consultarpreços e anúncios em revistas da Cyrix 166Mhz com chipset Intel Triton IIespecialidade e em jornais. Deve MotherBoard SOYO HX Pentium ISA/PCI, 256K Pipeline, Evolut. até P200prestar atenção especialmente aos 512K Pipelineanúncios em que mais se pormenoriza Controlador On Board EIDE para 4 discos, mode 4, Fast Uart 16550a consituição do computador. Quanto 32 MB EDO Rammenos pormenorizado fôr o anúncio Disco Rígido Western Digital Caviar 1.6GBmenos possibilidades você tem de Controlador de Vídeo S3 Trio PCI 64V + MPEG com 2MBconhecer a qualidade e também as Drive 3.5" 1.44MBperformances do equipamento Monitor SAMPO SVGA 14" Policromático MPR-II, Pitch 0.28, Digital de Altaanunciado e logo de saber se o preço Definiçãoserá ou não justo. Caixa MiniTorre Ao analisar estes anúncios é Teclado NMB Português para Windows 95necessário recordar que a preços Rato Geniusbombásticos (ao que chamamos 244.500$00pechinchas) corresponde quasesempre uma péssima qualidade. Eminformática, nomeadamente em Nota: Preço de Venda ao Público a Pronto Pagamento. IVA Incluído.equipamento, não existem 8
  9. 9. ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Maio/1997 LeideBases:abasedeumapolémica H r â d rG m sF r e r * elne oe eria universitárias. objectivos subjacentes a cada Cabe indagar o que terá subsistema. Há que saber quem motivado tanta inquietação. forma o quê e para quê: os licenciados Costumeiro é fazer-se o balanço Com efeito, o Ministro da em biologia serão biólogos ( oude acontecimentos que, pela sua Educação anunciou que aos Institutos professores de ciências naturais? ), osrelevância, marcaram o decurso de Politécnicos deveria ser reconhecida a licenciados em... serão profissionaisum ano transacto. Ao nível do Ensino possibilidade de conferir licenciaturas titulares do ramo para o qual foramSuperior merece, em meu entender, e que às Escolas Superiores de preparados ou irão exercer a docênciarelevar a discussão provocada pelo Educação poderia caber a nos ensinos básico e secundário (anúncio de algumas “linhas” responsabilidade de formar docentes como recurso?... ) ? E os bacharéisinovadoras que deverão constar na para o “Terceiro Ciclo”. Estas são as encontram, de facto, emprego nas taisproposta de uma nova Lei de Bases do afirmações que originaram a funções das quais, diz-se, “tanto oSistema Educativo, proveniente do polémica. país carece”?Ministério da Educação. Digo Ouviu-se então reclamar, Pergunto-me, assim, se o que“deverão constar”, já que não é do sobretudo, pela “qualidade de despoletou tanta polémica não teráconhecimento dos principais ensino” indexada à “formação sido um acto—reflexo inerente àinteressados qualquer documento científica” que, supostamente, as sobrevivência, traduzido na procuraescrito, sendo porém certo que todos E.S.E.(s) não poderiam assegurar. desesperada de manter o exclusivo denós ouvimos as declarações do Ninguém contesta a um mercado potencial de emprego.Ministro da Educação, proferidas em necessidade de os docentes do ensino Mais que relembrarsucessivas conferências de imprensa e secundário possuirem sólidas acontecimentos passados impõe-se,as notícias que, sobre este assunto, os formações científica, filosófica, agora, encarar o futuro, questionandomeios de comunicação social cultural e pedagógica. Ninguém o que poderá ocorrer perante o (veicularam. contesta, também, que a todas as perspectivado ) desenvolvimento do Assistimos a alguma agitação instituições de ensino superior - ensino superior politécnico, qual anos meios académicos, politécnico e universitário - se exige sua “especificidade”, a suaconsubstanciadas em manifestações qualidade. identidade e, em ambos osde estudantes de algumas escolas de Porém, entre discurso manifesto subsistemas de ensino, qual a relaçãoensino superior universitário e em e discurso latente vai “um passo”... entre vocação, formação e emprego.declarações proferidas por Haverá que questionar a função * Professor Adjunto na E.S.G.S.responsáveis de diversas escolas do ensino superior bem como os In "O Ideias" n.º 11 de Janeiro de 1 9 9 7 TRADIÇÃOTradição... A tradição já não é o que renúncia, tudo por uma questão de vida quotidiana, as festas deera. A nossa cultura ocupa cada vez honra e devoção ao que lhes havia sido aniversário, as prendas do Natal, asmais um lugar secundário nas nossas legado pelos seus compatriotas, fruto férias do Verão, os discos do Rei Elvis,vidas e a moral e bons costumes vão de tantas glórias e derrotas passadas. dos Metállica, os ovos da Páscoa, osendo substituídos pela sua ausência, Há quem seja levado a pensar que filme do Carnaval no Brasil, o álbum dedando lugar a um “vazio” de tudo foi em vão, como há quem se família ou as travessuras de umcomportamento e modo de agir revolte contra tanta indiferença e familiar mais extrovertido. O que faltasocialmente. Toda a cultura em esquecimento, assim como há também nas nossas vidas é aquilo quePortugal tende a ser importada como a quem nem pense nisto acomodado a renunciamos ao preferir ir à discotecamaioria dos bens e de alguns serviços, viver a sua própria vida usufruindo e pela milésima vez em vez de participardando a entender que não temos lutando apenas pelo que lhe transmite num dos vários eventos tradicionaiscapacidade para evoluir culturalmente conforto e bem estar, tudo mais pode que ainda existem um pouco por todo oe para assumir a nossa própria parecer desnecessário e inútil, mas país e que definem não só a culturaidentidade, atribuindo o devido valor haverá momentos em que envoltos na como também a identidade do povoaos usos e costumes que nos chegaram rotina quotidiana sintam a necessidade Português. Não há que renunciar aodesde os nossos antepassados, de algo diferente, algo que lhes que nos identifica culturalmente sobherdados e mantidos religiosamente ao complete também outro lado do seu pena de um dia nos perdermos paralongo dos tempos pelas gerações que ser, não apenas o lado material ou o nunca nos voltarmos a encontrar. Aténos precederam, carregados de afectivo, sem que sejam capazes de porque a tradição já não é o que erasimbolismo e de razão de ser de um definir essa mesma necessidade. Na porque nunca foi o que havia sido...povo nobre e astuto, que em tempos, verdade todas as vidas seriam mais Luzia Valentimdefendeu a pátria como se da própria “ricas” se tivessem algo mais para In "O Ideias" n.º 6 de Janeiro de 1996vida se tratasse, sem medo nem transmitir aos seus sucessores que a 9
  10. 10. ANTÓNIO GUTERRES EM VISITA RELÂMPAGO À E.S.G.S. Foi no mês passado que o crianças tenham acesso a ele. Em ensino superior público, e de se ter feitosecretário geral do Partido Socialista seguida fez alusão ao ensino básico que um investimento muito reduzido nesteesteve entre nós, numa visita relâmpago apelidou de “fábricas de aulas”, dadas domínio, mas que deve crescer nosque teve lugar no auditório da nossa as carências de material didáctico e próximos anos. No seguimento destaescola. Estiveram presentes deputados condições do meio. área faz alusão às propinas, cujodo distrito, o presidente da Câmara de No final da sua intervenção, principal objectivo, em seu entender é oSantarém, representantes da nossa António Guterres falou sobre o ensino da justiça e equidade; por isso defendeescola e outras autoridades públicas. superior em Portugal, começando por que os filhos das pessoas mais António Guterres iniciou o seu descrever a necessidade de haver uma abastadas devem pagar, mas não dediscurso a falar sobre o futuro do futura articulação entre as acordo com o IRS, porque não são essessistema educativo, sem antes deixar de universidades e os institutos que pagam imposto, uma vez que “sóprecisar o seu estado actual, e mostrar a politécnicos, por forma a eliminar os lhes falta adqurir um atestado desua natural preocupação pelo facto de preconceitos sociais existentes, e assim, pobreza nas freguesias onde residem”.há alguns anos para cá o peso da em seu entender, a lógica dos António Guterres termina o seueducação ter vindo a ser diminuído no bacharelatos e das licenciaturas são discurso alertando para o facto de aOrçamento Geral do Estado. Para lógicas a rever, uma vez que o ensino reforma educativa ser incompatível comAntónio Guterres a educação é um superior deve ir ao encontro das o investimento que foi feito dentrofactor de justiça social, no entanto pessoas, possibilitando-lhes uma dessa área; ao que se seguiram váriasactualmente são as famílias mais ricas formação de acordo com os seus críticas ao governo pela forma comoque têm maior acesso à cultura e à interesses. Referiu ainda, no decorrer do conduziu a formação profissional e àformação qualificada. Para atenuar as seu discurso, a necessidade de serem atenção que tem vindo a dar àdiferenças sociais existentes, no seu criadas facilidades no prolongamento educação.ponto de vista, torna-se imperativo dos estudos a nível superior.investir no ensino, começando logo pelo Sobre a polémica Acção Social Luzia Valentimpré-primário, criando desde logo as Escolar, António Guterres adverte para In "O Ideias" n.º 2 de Maio de 1995condições necessárias para que todas as o facto de esta estar circunscrita ao BUROCRACIAS Talvez a maior parte dos estudantes diminuição dos custos administrativos do estudante, enquanto que pelo contrário háainda não saiba, mas a verdade é que, em Estado, menores custos financeiros para entidades privadas para as quais bastatermos legais, para provar que um aluno os alunos e ainda ganhos em termos de uma simples fotocópia do cartão deestá a estudar num determinado tempo, na medida em que se pode obter estudante para os alunos obterem asestabelecimento de ensino basta entregar uma fotocópia do cartão de estudante regalias a que têm direito.uma fotocópia do seu cartão de estudante dum momento para o outro, enquanto Mas o absurdo transforma-se emou do boletim de matrícula. Neste sentido que um certificado de matrícula não se ridículo quando temos em linha de contabasta que o cartão de estudante ou o obtém muitas vezes nem dum dia para o os custos inerentes aos certificados deboletim de matrícula contenham o nome outro. matrícula. Se o decreto-lei nº 416/93 fossecompleto do aluno, o grau de ensino e o Mas o problema é que as instituições de facto aplicado a comunidade chegariaano lectivo da matrícula. É precisamente que costumam pedir os certificados de a poupar mais de um milhão e trezentosdisto que trata o decreto-lei nº 416/93 de matrícula desconhecem este decreto . E as mil contos por ano.24 de Dezembro. instituições que conhecem o decreto É por isso que, ao contrário de Os certificados de matrícula dos simplesmente não aceitam as fotocópias alguns colegas meus, eu não fico nadacerca de 500 mil alunos dos ensinos dos cartões de estudante porque acham admirado pelo facto de haver alunossecundário, profissional, artístico e que não provam nada. Assim nós não nesta escola que nem sequer requereramsuperior são exigidos para uma temos outro remédio a não ser pedir o seu cartão de estudante junto doquantidade enorme de processos, tais sucessivamente no início de cada ano representante da C.G.D. que se deslocoucomo o abono de família, adiamento ao lectivo certificados de matrícula para tudo propositadamente aqui para esse efeito.serviço militar obrigatório, bolsas de e mais alguma coisa, desembolsando mais De facto, para quê perder tempo aestudo, etc. Daí que a aplicação deste uns trocos sem necessidade. E o que é requerer um cartão que na prática nãodecreto traga muitas vantagens, mais absurdo é que a esmagadora maior serve para nada ?nomeadamente, o desaparecimento de parte das vezes são as própriasmilhares de papéis que se preenchem instituições da Administração Pública que José Luís Carvalhoaquando do acto de matrícula, a recusam a apresentação do cartão de In "O Ideias" n.º 5 de Dezembro de 1995
  11. 11. CONSUMO: CONSIDERAÇÕES (MUITO) BREVES Herlânder Gomes Ferreira * Seja-me permitido agradecer o atenções: o estado cria legislação para notório o das ciências sociais, comamável convite, que a redacção de “O protecção do consumidor, criam-se particular destaque para a psicologia, aIdeias” me endereçou, para colaborar associações de defesa do consumidor, e sociologia e, naturalmente, a economia.neste segundo número. Sem pretender as empresas “juram solenemente” que o Daí também, a justificação para o factorepetir palavras de circunstância, não consumidor é o principal (quando não de o consumo ter conquistadopoderia desperdiçar a oportunidade de mesmo exclusivo) motivo de suas “dignidade académica”, tornando-seexprimir o meu apreço pela publicação existências e por isso é lema comum (nas suas diversas vertentes) matériae pelos seus mentores. “servir” o cliente (consumidor). obrigatória, principal mas não Mais do que o vosso convite, Batalhões de “homens de exclusivamente, nos currículos dosagradeço sobretudo, a vossa iniciativa: marketing” esforçam-se por desvendar cursos de economia e gestão.vós estudantes, já merecíeis: a E.S.G.S. minuciosamente as “necessidades”, as Sem detrimento do seu sentido(todos nós) já merecia. “preferências” e mesmo os caprichos imediato (o económico), importa Resta-me desejar-vos o maior dos consumidores e a publicidade também o seu significado mediáticosucesso e... muitas (e boas) IDEIAS. afirma uma missão altruísta e de (psicossociológico). De facto, o indiscutível valor social: fornecer consumo é também um instrumento de A palavra consumo invadiu o informação criteriosamente relação individual com o social. Nosléxico do quotidiano. Fala-se em seleccionada (“mastigada”), ao consumos reflectem-se crenças, valores“direitos dos consumidores”, em consumidor, dispensando-o assim do e atitudes. É através dos consumos que,“fidelização do consumidor”, enquanto incómodo de a procurar e a analisar. quotidianamente, o EU se afirmaos índices de consumo servem como De uma forma muito sucinta e perante o(s) OUTRO(s), tenta satisfazercritérios de avaliação do estado de decerto algo irónica, parece-me estar os seus desejos e completar-se.desenvolvimento da economia e, assim, aqui retratada a essência do discurso Consumir não significa somente gastar;como bitolas para julgamento do “consumista” que aflora uma das é também sinónimo de usufruir esucesso ou insucesso das políticas socio- vertentes do consumo, a ideológica e consumar (uma reflexão quase nemeconómicas adoptadas pelos governos. que remete para a reflexão sobre iniciada mas que talvez possa despertar Simultaneamente, o “cidadão modelos de organização social. a vossa curiosidade).comum” descobre, de súbito, ser Mas o consumo é um fenómenopossuidor do novo e promissor estatuto multíplice e daí a diversidade de áreas * Docente da cadeira dede consumidor. O cidadão-consumidor do saber que o elegeram como um dos Psicologia do Consumidoré, de repente, o centro de todas as seus principais objectos de estudo, caso In “O Ideias” n.º 2 de Maio de 1995

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