ISSN: 1981-8963                                                                                   DOI: 10.5205/reuol.2052-...
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Promoção do autocuidado da pessoa dependente de cuidados de enfermagem

  1. 1. ISSN: 1981-8963 DOI: 10.5205/reuol.2052-14823-1-LE.0601201223M arques ASRP, Costa VSH, Oliveira M J et al. Promotion of self-care to the person… ORIGINAL ARTICLE PROMOTION OF SELF-CARE TO THE PERSON DEPENDENT ON NURSING CARE PROMOÇÃO DO AUTOCUIDADO DA PESSOA DEPENDENTE DE CUIDADOS DE ENFERMAGEM PROMOCIÓN DEL AUTO-CUIDADO DE LAS PERSONAS DEP ENDIENTES DE CUI DADOS DE ENFERM ERÍA Ana Sara Resende Pereira Marques 1, Vanessa Sofia Henriques Costa2, Mário Jorge Oliveira 3, Nélson Filipe Lameiro Lino4, Cristina Baixinho5, Óscar Ferreira 6ABSTRACTObjective: to identify the difficulties in self-care, on the elderly person with fracture of the proximal end of the femur.Method: literature review, informal interviews and practice reflection based on the Gibbs Cycle. Results: There is amarked dependence on the self-care of elderly persons with fracture of the proximal end of the femur, at the moment ofhospitalization; a positive evolution occurs towards independence during hospitalizat ion; when the elderly persons wereasked about the main difficulties that will arise at home, all of them referred walking, transfers, and dressing/undressinglower limbs; the caregivers mentioned by the elderly persons are mostly the spouses or the sons, whom require moreinformation for a home return with confidence. Conclusion: in one continuum of care perspective, it is essential toprepare the returning home of the elderly person in order to increase the autonomy and independence, enable the familyfor the management of care that increase the functionality, decreasing the limitations imposed by the fracture, surgeryand the risk of developing complications, namely those associated with immobility; such fact will have directconsequences on the motivation and responsibility for the restoring of his health and progress towards independence.Descriptors: self-care; aged; femoral fractures; Patient discharge.RESUMOObjectivo: identificar as dificuldades no autocuidado, no idoso com fractura do terço proximal do fémur. Método: estudoem que foi usada a revisão da literatura, entrevistas informais e reflexão sobre a prática de cuidados tendo por base ociclo de Gibbs. Para sustentar a reflexão utilizaram-se como instrumentos: o Índice de Barthel, aplicado no 1º dia deinternamento, no 2º dia do pós-operatório e no último dia de internamento, a idosos submetidos a cirurgia por fractura daextremidade proximal do fémur e realizaram-se entrevistas informais a enfermeiros, a cuidadores e a clientes, durante ointernamento e na primeira consulta após o regresso a casa. Resultados: há dependência marcada no autocuidado dosidosos com fractura da extremidade proximal do fémur, no momento da admissão hospitalar; ocorre u ma evoluçãopositiva, no sentido da independência durante o internamento; quando questionados sobre as principais dificuldades queirão surgir no domicílio, todos os idosos referiram a deambulação, as transferências e o vestir/despir os membrosinferiores. Conclusão: na perspectiva de continuidade de cuidados, é fundamental preparar o regresso a casa paraaumentar a autonomia e independência do idoso, capacitar a família para a manutenção dos cuidados que aumentem afuncionalidade, diminuindo as limitações impostas pela fractura e cirurgia e o risco de aparecimento de complicações,nomeadamente as associadas à imobilidade; tal facto terá consequências directas na motivação e responsabilização pelorestabelecimento do seu estado de saúde e progressão para a independência. Descritores: autocuidado; idoso; fraturas dofémur; alta do paciente.RESUMENObjetivo: Identificar las dificultades en el auto-cuidado en pacientes ancianos con fractura del extremo proximal delfémur. Método: revisión de la literatura, entrevistas informales y la deliberación sobre la práctica del cuidar teniendo encuenta el ciclo de Gibbs. Resultados: existe una marcada dependencia en el auto -cuidado de los pacientes ancianos confractura del extremo proximal del fémur, en el momento de ingreso en el hospital; hay una evolución positiva, en elsentido de la independencia durante la hospitalización; cuando se les preguntó acerca de las principales dificultades quesurgen en el hogar, todos os adultos mayores señalaron la deambulación, los t raslados y vestir/desvestir los miembrosinferiores; los cuidadores referidos por los ancianos son en su mayoría las esposas y los hijos, los cuáles necesitan másinformación para poder regresar a su casa con confianza. Conclusión: con el objetivo de mantener la continuidad de loscuidados, es fundamental la preparación del regreso a casa para aumentar así la autonomía e independencia del anciano,capacitando a la familia para el mantenimiento de los cuidados que aumenten la funcionalidad, disminuyendo laslimitaciones impuestas por la fractura y la cirugía y el riesgo de desarrollar complicaciones, especialmente aquellasasociadas con la inmovilidad; este hecho tendrá consecuencias directas en la motivación y la responsabilidad para larestauración de su estado de salud y el progreso hacia la independencia. D escriptores: autocuidado; anciano; fracturasdel fémur; alta del paciente.1,2,3,4 Enfer meir os com Licenciat ur a em Enfer magem. Lisboa, Por tugal. E-mai ls: ana.sar amar ques@hotmai l.com; vanessa_c osta88@hotmai l.com;oliv eir a.mar ios@gmail.com; nelsonf lino@gmai l.com; 5 Docente da Esc ola S uper ior de Enfer magem de Lisboa. Doutor anda em Enfer magem, naUniver sidade Católic a Por tuguesa. Mestr e em Saúd e Escolar . Especialista em Enfer magem de R eabilitaç ão. Lisboa, Por tugal. E-mail:crbaixinho@esel.pt; 6 Docente da Escola Super ior de Enfer magem de Lisboa. Dout or ando em Hist ór ia da Educação, no Institut o de Educaç ão daUniver sidade de Lisboa. Mestr e em Educação Médica. Especialista em Enfer magem Médico-Cir úr gica e Administr ação dos Ser viços de Enfer magem.Lisboa, Por tugal. E- mail: oferr eir a@esel.pt Ar tigo elabor ado a par tir da Monogr afia << Promoção do Au tocui dado da Pessoa D ependen te de Cui dados de Enfermag em - Preparação Para o Reg resso a Casa, do Idoso, após Fractu ra da Extremidade Proxi mal do Fému r >> Escola Super ior de Enfermagem de Lisboa. Lisboa, Portugal, 2011.Rev enferm UFPE on line. 2012 Jan;6(1):165-71 165
  2. 2. ISSN: 1981-8963 DOI: 10.5205/reuol.2052-14823-1-LE.0601201223M arques ASRP, Costa VSH, Oliveira M J et al. Promotion of self-care to the person… se por si próprio e pela sua saúde, INTRODUÇÃO desenvolvendo acções que visem a A enfermagem tem um papel essencial manutenção do seu bem-estar segundo o idealjunto da pessoa em situação de dependência, de cada um. 4,5,12,16-7sendo a promoção do autocuidado um A promoção do autocuidado refere-se aoelemento essencial dos cuidados de acto de capacitar a pessoa para queenfermagem, principalmente em contexto desempenhe a prática de actividadeshospitalar. autónomas necessárias à manutenção da vida, Numa perspectiva de continuidade de da saúde e do bem-estar. 4, 6, 16cuidados, é fundamental preparar o regresso a Em 1990 verificaram-se 1,7 milhões decasa do idoso de modo a promover o fracturas da extremidade proximal do fémur aautocuidado mesmo existindo limitações, nível mundial. Prevê-se que com o aumentoprevenir a redução da sua capacidade da esperança de vida e o envelhecimento dafuncional e motivá-lo/responsabilizá-lo para o população este número aumente para 6,26restabelecimento do seu estado de saúde e milhões em 2050. 10,22progressão para a independência. Em Portugal, os custos hospitalares O programa descrito foi implementado num relacionados com estas fracturas ascenderamserviço de Ortopedia, tendo como finalidade aos 52 milhões de euros, para além de seremcaracterizar de que modo o enfermeiro uma importante causa de morbilidade eprepara o regresso a casa do idoso submetido mortalidade que atingem valores 2,23a cirurgia por fractura da extremidade preocupantes.proximal do fémur, através da promoção do A mortalidade estimada no ano seguinte àautocuidado. fractura varia entre os 20% a 30%, sendo que Pretendemos identificar de que forma apenas 15% das pessoas recuperam avivencia o idoso o autocuidado no seu dia-a- capacidade funcional anterior à fractura e 40%dia; reconhecer as necessidades do idoso ao ficam com incapacidade grave. 23nível do autocuidado; identificar as Verifica-se assim, que esta patologia énecessidades e/ou dificuldades que o idoso causa major de dependência, diminuição dapercepciona no seu regresso a casa, durante o qualidade de vida, aumento da taxa deinternamento; delinear estratégias que morbilidade, mortalidade, reinternamentos epermitam capacitar o idoso para o regresso a diminuição da esperança média de vida. 24-5 Talcasa através da promoção do autocuidado e como apresentado pelo esquema 1, asensibilizar os prestadores de cuidados para a promoção do autocuidado e preparação dopromoção do autocuidado. regresso a casa, são fundamentais para a O autocuidado assenta na capacidade diminuição das situações descritasinerente a cada indivíduo de responsabilizar- anteriormente. Esquema I - Articulação dos principais conceitosRev enferm UFPE on line. 2012 Jan;6(1):165-71 166
  3. 3. ISSN: 1981-8963 DOI: 10.5205/reuol.2052-14823-1-LE.0601201223M arques ASRP, Costa VSH, Oliveira M J et al. Promotion of self-care to the person… O internamento hospitalar altera a rotina MÉTODOhabitual do idoso3,9,11 ,18,22, diminui aautonomia, aumenta as dificuldades de Tal como é possível verificar no esquema II,mobilização, interfere no autocuidado e iniciou-se o percurso metodológico tendoaumenta a dependência. 8 como recursos a revisão de literatura, a Mesmo os idosos que antes da fractura observação participante e as reflexõeseram independentes têm uma diminuição de realizadas acerca da prática de cuidados em25% a 40% na capacidade para se contexto de ensino clínico, tendo por base oautocuidar. 19,21 Os estudos demonstram que ciclo reflexivo de Gibbs.esta continua a agravar-se em casa. 14-5,19,20-1 Para sustentar a reflexão utilizaram-se Pelo descrito é fundamental preparar o como instrumentos: o Índice de Barthel,regresso a casa desde a admissão, fomentando aplicado no 1º dia de internamento, no 2º diao autocuidado e envolvendo o seu cuidador do pós-operatório e no último dia deprincipal. 1,3,7,14,19 internamento, a idosos submetidos a cirurgia Os estudos consultados identificam como por fractura da extremidade proximal dotendo uma relação positiva com a fémur e realizaram-se entrevistas informais areabilitação: a promoção do autocuidado, o enfermeiros, a cuidadores e a clientes,ensino de exercícios, treino de marcha no durante o internamento e na primeirainternamento, informação aos cuidadores consulta após o regresso a casa.informais sobre os cuidados a manter em Elaborou-se, também, um programa decasa. 14,19,20-1 preparação do regresso a casa, promotor do Uma adequada preparação do regresso a autocuidado, centrado individualmente emcasa, complementada com informação escrita cada cliente alvo dos cuidados. Asapropriada às necessidades individuais, reduz intervenções desenvolvidas foram registadasos reinternamentos. 13-4,19,21 numa checklist, como por exemplo, deambular, realizar transferências da cama Em suma, a preparação do regresso a casa para o cadeirão e vice-versa, calçar meiasdeve ser uma prioridade dos enfermeiros, elásticas, prevenir as quedas, vestir e despir-pelos ganhos em saúde para as pessoas, se, manter a integridade cutânea, higieneincrementando o aumento da visibilidade dos pessoal e manter nutrição e hidrataçãocuidados de enfermagem. 1,3,7,14,19,21 adequada. Esquema II - Percurso metodológico E, de modo a complementar a informação RESULTADOS E DISCUSSÃOfornecida oralmente, realizámos um guiainformativo e um póster com exercícios de Analisando os Índices de Barthelfortalecimento muscular e aumento da concluímos que há uma dependência marcadaamplitude articular para entregar ao na capacidade de autocuidado dos idosos comcliente/cuidador informal. Fornecer fractura da extremidade proximal do fémur,informação escrita aos clientes/cuidadores no momento da admissão hospitalar. 3,19 Doscontribui para melhorar os seus Índices de Barthel aplicados (melhor score éconhecimentos e capacidades, respondendo 100; pior score é 0), verificámos que é nade forma mais adequada aos desafios de saúde primeira avaliação que o score tem um valorem contexto familiar, clarificar algumas mais baixo, ou seja é nesta fase que existedúvidas que possam surgir enquanto estão uma maior dependência nos idosos, tal como ésozinhos e diminuir a ocorrência de problemas descrito pelos autores supracitados. O scoree as taxas de reinternamento hospitalar. 19 médio na primeira avaliação é de 27,31, a moda é 27 e o desvio padrão é de 17,34 o que é revelador de uma dependência marcada.Rev enferm UFPE on line. 2012 Jan;6(1):165-71 167
  4. 4. ISSN: 1981-8963 DOI: 10.5205/reuol.2052-14823-1-LE.0601201223M arques ASRP, Costa VSH, Oliveira M J et al. Promotion of self-care to the person… De todas as avaliações efectuadas o score elevado, pois verificamos que a dependênciamínimo que obtivemos foi 0 (primeira que têm naquele momento está associadaavaliação), e o score máximo registado foi 91 sobretudo à fractura, não apresentando outras(obtido na terceira avaliação). No entanto, é limitações significativas. Como era esperadode salientar que mesmo nos casos em que dois os idosos que têm mais limitações apresentamidosos foram avaliados com 0, conseguiram scores mais reduzidos comparativamente comevoluir, um para 13 e outro para 17. Apenas aqueles que apresentam menoresuma idosa apresentou score 0 em todas as dificuldades.avaliações. No caso do idoso que obteve o Por sua vez as entrevistas informaisscore 91 na terceira avaliação, teve um permitiram-nos perceber qual a percepção doaumento de 44% no seu nível de idoso acerca das dificuldades que consideraindependência, uma vez que no primeiro que poderão surgir no seu regresso a casa.momento de avaliação, o seu score foi de 47. Assim, é permitido que a própria pessoaVerificou-se ainda que os idosos que começam participe no planeamento dos cuidados aocom um nível de independência elevado no antever quais as áreas em que necessita deinício do internamento, são também aqueles maior apoio e informação. 19 Por seu lado aque têm alta com maior independência. informação recolhida por nós, permite-nos Na segunda avaliação o score médio foi de individualizar os cuidados de acordo com as38,88 (a moda foi 46 e o desvio padrão 21,60) necessidades verbalizadas pelo próprio idoso.e na terceira avaliação a média foi 49,54 (a Em relação às entrevistas realizadas aosmoda foi 75 e o desvio padrão 28,17). Os idosos, a maioria revelou sentir-se maisdados obtidos corroboram a referida evolução dependente após a fractura, “[…]não sei comopositiva. irá ser a minha vida, não consigo estar de pé, não Uma outra ocorrência com que nos posso fazer quase nada” (E1) ou ―antes de cairdeparámos foi o facto de muitos dos idosos tratava de toda a minha vida, e agora?” (E5).com fractura também apresentarem algum Quando questionados sobre as principaistipo de demência. Esta condição acaba por dificuldades que irão surgir no domicílio,dificultar a boa evolução que seria esperada todos os idosos referiram a deambulação, asno sentido do aumento da capacidade para o transferências e o vestir/despir os membrosautocuidado. Neste caso o papel dos inferiores, como se pode constatar peloscuidadores é ainda mais relevante, pois seguintes testemunhos, “[…]não consigo mexer-apesar do cliente não ser descurado no seu me como quero[…] calçar as meias e os sapatos,próprio processo de recuperação a nossa não consigo” (E2); “não tenho condições para meactuação terá de ter um especial enfoque no movimentar, dói-me o corpo … não tenho forças”cuidador, que irá receber no domicílio um (E5); “como é que vou conseguir fazer as minhasidoso com necessidades diferentes das que coisas se não consigo pôr-me de pé. Não sei como me vou vestir, tomar banho e fazer outras coisas”detinha anteriormente à hospitalização, tal (E3).como é mencionado também pelos autoressupracitados. Para fazer face a estas dificuldades os Ao analisarmos todos os valores obtidos na idosos referem necessitar de alguém que osprimeira avaliação do Índice de Barthel auxilie no seu autocuidado. Os cuidadoresconstatámos que existe uma significativa apontados pelos idosos são na sua maioria osdiscrepância entre eles (score mínimo foi 0 e cônjuges ou os filhos. Contudo, referem queo score máximo foi 54). Existem idosos com estes necessitam de mais informações paradependência absoluta, enquanto outros têm poderem regressar a casa com confiança, taluma menor dependência e isso revela-nos que como é referenciado por uma idosa ― vou paraexistem vários factores que influenciam o casa da minha filha, ela é que vai tratar de mim (…) mas acho que ela precisa que a ensinem” (E4).score de cada idoso. Isto é, os idosos com um Esta informação irá de encontro àsscore muito baixo, têm associado à fractura dificuldades anteriormente assumidas, nooutras limitações tais como demência, idade sentido de as poderem minimizar, bem comoavançada, diagnósticos secundários, falta de sobre o estado actual de saúde e a evoluçãomotivação para participar no seu autocuidado, do mesmo.bem como algum nível de dependência noautocuidado antes da ocorrência da fractura, Posto isto, consideramos importante ao que contribui para uma avaliação tão realização de uma avaliação das necessidadesreduzida. Exemplo disto é o descrito por uma da família. Para tal, é imprescindível a suacuidadora, ―há cerca de dois meses a minha participação activa no processo de cuidados:mãe começou a ficar com maior grau de dar oportunidade para se expressar sobre asdependência e desorientação‖ (E7). Por outro suas expectativas face à ajuda que irálado, existem idosos que logo na sua primeira necessitar no domicílio, quer dos profissionaisavaliação têm um score relativamente de saúde (rede formal), quer dos restantesRev enferm UFPE on line. 2012 Jan;6(1):165-71 168
  5. 5. ISSN: 1981-8963 DOI: 10.5205/reuol.2052-14823-1-LE.0601201223M arques ASRP, Costa VSH, Oliveira M J et al. Promotion of self-care to the person…elementos da família e, eventualmente, se num programa de preparação do regresso aamigos e vizinhos (rede informal); perceber o casa, que forneça informação e possibilite ograu de disponibilidade para cuidar; saber esclarecimento de dúvidas.quais as suas crenças sobre a capacidade de Relativamente à checklist constatámos queexecutar os cuidados e a complexidade dos anteriormente à existência da mesma cadamesmos; conhecer a vivência de experiências enfermeiro que contactava com o idoso,anteriores semelhantes. 19:57 É expresso por realizava a educação para a saúde sobreum idoso que “quando for para casa vou precisar determinado tema de uma forma isolada ede ajuda de alguma instituição, pelo menos para não registada de forma sistemática. Com ame fazer a comida, que eu não consigo” (E1). introdução da checklist foi possível registar o Nos idosos que apresentam maior grau de momento de instrução de determinado tema,dependência verificou-se que exprimem, de modo a que os contactos seguintesainda, a necessidade do seu cuidador focassem a monitorização do mesmo,aprender acerca dos cuidados a ter consigo, possibilitando deste modo a continuidade dostal como refere um dos idosos “O meu filho não cuidados. Verificámos que os idosos etem nenhuma informação, vou para casa ele não cuidadores informais a quem tinha sidosabe fazer nada (…) também não me sinto bem aplicada as sessões de educação para a saúdecom ele a dar-me banho” (E6). e posterior registo das mesmas na checklist A dificuldade patente neste comentário, detinham maior independência em relaçãorelacionada com o pudor e intimidade, é algo àqueles a quem não foi aplicada. Este factopara a qual não estávamos muito despertos, já prende-se com a sistematização daque não encontrámos referência explícita na informação fornecida, a não ocorrência dabibliografia pesquisada. Temos, assim, noção constante repetição e prevenção da dispersãoque este é um dos aspectos que devemos ter da mesma, uma vez que existiram doisem conta aquando a preparação do regresso a momentos de instrução e os restantes decasa, podendo ter como estratégia o contacto monitorização. Destacamos o exemplo de umcom a rede formal de cuidados existente na idoso que na 1ª avaliação do Índice de Barthelcomunidade na qual o idoso está inserido. tinha um score elevado, porém antes da Relativamente às entrevistas efectuadas educação para a saúde e do registo naaos cuidadores, o principal problema que checklist demonstrava grandes dificuldadesverbalizaram prende-se com o facto de terem para se transferir do cadeirão para a cama ereceio de não conseguirem dar uma resposta vice-versa, necessitando de três pessoas paraefectiva às reais necessidades que os seus o auxiliarem. Após o primeiro momento defamiliares apresentam. Exemplo disso é o instrução, registado na checklist, observámosmencionado por alguns cuidadores: “tenho significativa melhoria nesta transferência,muitas dúvidas sobre quais os cuidados que a tendo o idoso necessitado de apenas umminha mãe necessita” (E6); “ainda não me sinto enfermeiro para o monitorizar. Este exemplopreparado para cuidar da minha mãe. Infelizmente é demonstrativo de como a realização denão a posso vir ver muitas vezes e aquilo que intervenções e o seu registo de formavocês me disseram é muito importante, mas ainda sistemática, contribui para a ocorrência denão me sinto à vontade para executar essastarefas em casa” (E6); “não sei o que fazer à resultados positivos.minha mãe quando ela tiver alta, pois não tenho Consideramos que a realização do guia deninguém para cuidar dela enquanto estou a preparação do regresso a casa contribuiu paratrabalhar” (E7). Posto isto, entendemos que dar maior consistência às sessões de educaçãoinformar é ―uma estratégia para promover a sua para a saúde realizadas durante ocapacidade para cuidar, facilitando o ajuste à internamento. Este é um meio facilitador etransição, permitindo uma melhor adaptação‖. 19:56 eficaz para a aprendizagem dos A partir da percepção dos idosos e idosos/cuidadores informais, permitindocuidadores, sentimos necessidade de conhecer esclarecê-los numa fase pós-alta, onde otambém a perspectiva dos enfermeiros do podem consultar. A elaboração deste guia foiserviço face à problemática estudada. Ao essencial para dar visibilidade ao nossoquestionar uma enfermeira, esta referiu-nos programa. Os elementos da equipaque, na sua perspectiva, “a família não está multidisciplinar estiveram envolvidos nadevidamente preparada para os cuidados a prestar elaboração do mesmo, nomeadamente ano domicílio. Tanto a família como o idoso Enfermeira-Chefe, os Docentes Orientadores edemonstram medo da ocorrência de nova queda e o Director Clínico do serviço. Paraconsequente fractura, e muitos referem que ascondições que têm em casa não são as mais complementar este guia e demonstrar afuncionais” (E8). Considera, também, que para importância dos exercícios de fortalecimentomelhorar a preparação e confiança do idoso e muscular, foi pertinente a realização de umdo cuidador no regresso a casa deve apostar- poster ilustrativo dos movimentos a executar.Rev enferm UFPE on line. 2012 Jan;6(1):165-71 169
  6. 6. ISSN: 1981-8963 DOI: 10.5205/reuol.2052-14823-1-LE.0601201223M arques ASRP, Costa VSH, Oliveira M J et al. Promotion of self-care to the person…Graças ao formato do poster é possível afixá- REFERÊNCIASlo num local visível e adequado à prática doexercício. 1. Andrade C. Transição para prestador de Fruto do nosso trabalho, criámos o cuidados – sensibilidade aos cuidados deprograma descrito, implementando assim, um enfermagem. Pensar Enfermagem. 2009;13programa de preparação para o regresso a (1):61-71.casa. Pensamos que as acções implementadas 2. Branco J, Felicissimo P, Monteiro J. Amelhoraram a dinâmica de cuidados que é epidemiologia e o impacto sócio-economicoprestada no serviço e deram um especial das fracturas da extremidade proximal doenfoque na área do autocuidado e da fémur- uma reflexão sobre o padrão actual depreparação do regresso a casa. Como tratamento da osteoporose grave. Acta Reumindicadores que atestam a referida melhoria Port. 2009; 4:475-85.temos os Índices de Barthel que revelam uma 3. Cabete D. O idoso, a doença e o hospital: oevolução favorável do grau de independência impacto do internamento hospitalar no estadoda pessoa ao serem aplicadas técnicas funcional e psicológico das pessoas idosas.promotoras do autocuidado. 1ºed. Loures: Lusociência; 2005. 4. Cavanagh S. Modelo de Orem. Aplicación CONCLUSÃO prática. Barcelona: Masson-Salvat Enfermería; 1993. Ao longo do desenvolvimento do trabalho eimplementação do programa proposto, fez-se 5. Conselho Internacional DE Enfermeiros.sentir a verdadeira pertinência do tema em CIPE: versão 2: Classificação internacionalestudo, não só por tudo o que é descrito na para a prática de enfermagem. Lisboa: Ordemliteratura, mas também pelo que foi dos Enfermeiros; 2010.vivenciado e verbalizado pelos próprios idosos 6. Fleury-Teixeira P, et al. Autonomia comoe cuidadores informais. categoria central no conceito de promoção de A partir do estudo realizado, implementou- saúde. Ciênc saúde colectiva. 2008;13(2):se a prática da promoção do autocuidado 2115-22.durante o internamento e a criação de um 7. Gonçalves D. A preparação do regresso aguia orientador sobre os cuidados a manter no casa da pessoa idosa hospitalizada [tese deregresso a casa, estando deste modo a mestrado]. Lisboa: Universidade Aberta; 2008.profissionalizar a preparação para o regresso a 8. Hesbeen W. Cuidar no Hospital: Enquadrarcasa, tendo por base a promoção do os Cuidados de Enfermagem numa Perspectivaautocuidado, para que esta prática assuma um de Cuidar. Loures: Lusociência; 2000.papel de destaque na intervenção do 9. Instituto Nacional de Estatística [base deenfermeiro. dados da internet]. As gerações mais idosas. Pode-se concluir este trabalho dando Lisboa: INE. 1999. [acesso em 2010 Nov 3].ênfase aos resultados conseguidos ao longo do Disponível em: www.ine.pt.desenvolvimento do mesmo, que foram de 10. Instituto Nacional de Estatística [base deencontro aos objectivos traçados. Estes dados da internet]. Actualidades do INE.prendem-se com a sistematização da Lisboa: INE. 2007[acesso em 2011 fev 27].literatura consultada sobre a temática, com a Disponível em: http://alea-identificação, nos estudos primários, dos estp.ine.pt/html/actual/html/actual.html.cuidados de enfermagem promotores do 11. Jahana KO, Diogo MJE. Quedas em Idosos:autocuidado e por fim, com a implementaçãode intervenções de enfermagem promotoras Principais Causas e Consequências. Saúde Colectiva. 2007. 4(17):148-53.de autocuidado. A sugestão para a investigação, prende-se 12. Leite VBE, Faro ACM. O cuidar do enfermeiro especialista em reabilitação físico-com a realização de estudos, em Portugal, motora. Rev Esc Enferm USP. São Paulo. 2005.que caracterizem a evolução do autocuidadoapós a fractura da extremidade proximal do 39(1):92-6.fémur. Por fim, como sugestão para a 13. Lin P, Chang S. Functional recoveryformação, tem-se em consideração que o among elderly people one year after hipModelo Teórico de Orem identifica os fracture cirurgy. J Nurs Res. 2004;12(1):72-82.princípios essenciais para a prática do 14. Maramba PJ, Richards S, Myers AL,autocuidado, devendo esta temática estar Larrabee JH. Discharge Planning Process.contemplada nos planos de estudo das escolas Applaying a Model for Evidence - basedde enfermagem. Practice. J Nurs Care Qual. Virgínia. 2004; 19(2): 123-9Rev enferm UFPE on line. 2012 Jan;6(1):165-71 170
  7. 7. ISSN: 1981-8963 DOI: 10.5205/reuol.2052-14823-1-LE.0601201223M arques ASRP, Costa VSH, Oliveira M J et al. Promotion of self-care to the person…15. Ordem dos Enfermeiros. Padrões dequalidade dos cuidados de enfermagem.Divulgar. Lisboa: Ordem dos Enfermeiros;2001.16. Orem D. Modelo de Orem: Conceptos deEnfermería en la Práctica. 4ª ed. Barcelona:Masson-Salvat Enfermería; 1993.17. Organização Mundial de Saúde. The Roleof the Pharmacist in Self-medication and Self-care. Genebra: OMS; 1998.18. Organização Mundial de Saúde. Falls[texto na internet; acesso em 2011 fev 26].Disponível em:www.who.int/mediacentre/factsheets/en/index.html19. Petronilho F. Preparação do Regresso aCasa. Coimbra: Formasau; 2007.20. Petronilho F. A transição dos membros dafamília para o exercício do papel decuidadores quando incorporam um membrodependente no auto-cuidado: uma revisão daliteratura. Rev Investigação em Enfermagem;2010; 21 (Fev 2010): 43-58.21. Pinto AFB, Carranca MIS, Brites MAR.Acolher em casa o utente dependente comafecção neurocirúrgica: vivências dafamília/pessoa significativa. Rev Investigaçãoem Enfermagem. 2010; 21(Fev 2010):69-81.22. Direcção Geral de Saúde. Fracturas daExtremidade Proximal do Fémur no Idoso:Recomendações para IntervençãoTerapêutica. Lisboa (Portugal): DGS; 2003.23. Direcção Geral de Saúde. CircularInformativa: orientação técnica sobresuplemento de cálcio e vitamina em pessoasidosas. Lisboa (Portugal): DGS; 2003.24. Queiroz M. Osteoporose. Lisboa: Lidel;1998.25. Tinoco A, organizaodor. – Enfermagem emOrtotraumatologia. Coimbra: Formasau; 2009.Sources of funding: NoConflict of interest: NoDate of first submission: 2011/09/05Last received: 2011/12/11Accepted: 2011/12/12Publishing: 2012/01/01Corresponding AddressCristina BaixinhoParque da Saúde, na Av. do Brasil, 53 - B,1700-063 — Lisboa, PortugalRev enferm UFPE on line. 2012 Jan;6(1):165-71 171

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