Entre as esfera nitente Tremeluzem pelos fulvos O poeta, de olhar dormente Entreabre o pente da lua. O POETA E A LUA  Viní...
Em frouxos de luz e água Palpita a ferida crua O poeta todo se lava De palidez e doçura. Ardente e desesperada A lua vira ...
O orgasmo desce do espaço Desfeito em estrelas e nuvens Nos ventos do mar perpassa Um salso cheiro de lua E a lua, no êxta...
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POETA E A LUA

  1. 1. Entre as esfera nitente Tremeluzem pelos fulvos O poeta, de olhar dormente Entreabre o pente da lua. O POETA E A LUA Vinícius de Morais Em meio a um cristal de ecos O poeta vai pela rua Seus olhos verdes de éter Abrem cavernas na lua. A lua volta de flanco Eriçada de luxúria O poeta, aloucado e branco Palpa as nádegas da lua.
  2. 2. Em frouxos de luz e água Palpita a ferida crua O poeta todo se lava De palidez e doçura. Ardente e desesperada A lua vira em decúbito A vinda lenta do espasmo Aguça as pontas da lua. O poeta afaga-lhe os braços E o ventre que se menstrua A lua se curva em arco Num delírio de luxúria. O gozo aumenta de súbito Em frêmitos que perduram A lua vira o outro quarto E fica de frente, nua.
  3. 3. O orgasmo desce do espaço Desfeito em estrelas e nuvens Nos ventos do mar perpassa Um salso cheiro de lua E a lua, no êxtase, cresce Se dilata e alteia e estua O poeta se deixa em prece Ante a beleza da lua. Depois a lua adormece E míngua e se apazigua... O poeta desaparece Envolto em cantos e plumas Enquanto a noite enlouquece No seu claustro de ciúmes. 000000 0000 Jorge Luiz Goulart www.jorgeopoeta.cjb.net

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