Ver Vendo
Quantas vezes passei por locais maravilhosos  e não me dei conta de suas existências... Quantas vezes disse:  Bom Dia!  E ...
Quantas vezes as oportunidades bateram à minha  porta e eu deixei de aproveita-las, de lhes dar  o devido valor, por estar...
Do ter prazer em olhar o brilho da lua refletindo o sol...  Da alegria do sorriso de uma criança - honesto,  simples e ver...
Dei-me conta do que estou perdendo por  me preocupar tanto... Do querer viver hoje um amanhã que não me pertence... Dei-me...
De tanto ver, a gente banaliza o olhar... Vê não-vendo... Experimente ver pela primeira vez o que você vê  todo dia, sem v...
Parece fácil, mas não é... O que nos cerca, o que nos é familiar,já não  desperta curiosidade... O campo visual da nossa r...
De tanto ver, você não vê... Sei de um profissional que passou 32 anos a fio  pelo mesmo hall do prédio de seu escritório....
Um dia, o porteiro cometeu a descortesia  de falecer.  Como era ele?  Sua cara? Sua voz?  Como se vestia? Não fazia a míni...
Para ser notado, o porteiro teve que morrer... Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser que...
Mas há sempre o que ver.... Gente, coisas, bichos... E vemos?  Não, não vemos...
Uma criança vê o que um adulto não vê... Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo  do mundo. O poeta é capaz de ver pe...
Há pai que nunca viu o próprio filho... Marido que nunca viu a própria mulher (e desconhece os seus segredos e desejos), i...
Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos... É por aí que se instala no coração  o monstro da indiferença...
Texto de Otto Lara Resende Musica: Winter Light- Luiza Formatado por Raquel Aguilar [email_address] Repassem sem tirar os ...
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  1. 1. Ver Vendo
  2. 2. Quantas vezes passei por locais maravilhosos e não me dei conta de suas existências... Quantas vezes disse: Bom Dia! E não olhei os olhos a quem cumprimentava...
  3. 3. Quantas vezes as oportunidades bateram à minha porta e eu deixei de aproveita-las, de lhes dar o devido valor, por estar preocupado com um amanhã material,que poderia ou não se concretizar, esquecendo do agora, do olhar em volta, do sentir o cheiro das coisas...
  4. 4. Do ter prazer em olhar o brilho da lua refletindo o sol... Da alegria do sorriso de uma criança - honesto, simples e verdadeiro -ao ganhar uma pequena lembrança ou um doce ou uma palavra de amor e de carinho...
  5. 5. Dei-me conta do que estou perdendo por me preocupar tanto... Do querer viver hoje um amanhã que não me pertence... Dei-me conta de que preciso olhar e ver... "Ver Vendo"...
  6. 6. De tanto ver, a gente banaliza o olhar... Vê não-vendo... Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver...
  7. 7. Parece fácil, mas não é... O que nos cerca, o que nos é familiar,já não desperta curiosidade... O campo visual da nossa rotina é como um vazio... Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta... Se alguém lhe perguntar o que você vê no seu caminho, você não sabe...
  8. 8. De tanto ver, você não vê... Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio de seu escritório... Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro... Dava-lhe um bom dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência...
  9. 9. Um dia, o porteiro cometeu a descortesia de falecer. Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima idéia... Em 32 anos, nunca o viu...
  10. 10. Para ser notado, o porteiro teve que morrer... Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser que também ninguém desse por sua ausência... O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem...
  11. 11. Mas há sempre o que ver.... Gente, coisas, bichos... E vemos? Não, não vemos...
  12. 12. Uma criança vê o que um adulto não vê... Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de tão visto, ninguém vê...
  13. 13. Há pai que nunca viu o próprio filho... Marido que nunca viu a própria mulher (e desconhece os seus segredos e desejos), isso existe às pampas...
  14. 14. Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos... É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença...
  15. 15. Texto de Otto Lara Resende Musica: Winter Light- Luiza Formatado por Raquel Aguilar [email_address] Repassem sem tirar os créditos. Respeitem o meu trabalho, não modifiquem os slides.

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