ERA UMA VEZ ... (Por Domingos Oliveira Medeiros) Era uma vez uma floresta.  Exuberante  De árvores densas. De mata extensa...
No chão, o tapete orgânico, os nutrientes,  ali jaziam. O alimento ofertado, a garantia da sobrevivência A troca sagrada. ...
Era uma vez uma floresta Onça-pintada de olhos atentos, amarelados  Passeando no seu chão, desconfiada,  Agarrada  nas gar...
Aproveitando  alguma brecha ou outra fresta ... Inaugurou o fim da floresta  Da qual, muito pouco ainda resta. A poesia já...
O fogo abre campos na mata  A moda da economia está na moda... A soja e o pasto, o novo tesouro, No jogo do mercado financ...
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  1. 1. ERA UMA VEZ ... (Por Domingos Oliveira Medeiros) Era uma vez uma floresta. Exuberante De árvores densas. De mata extensa Compactada, de cores mil Verde-amarelo. Azul e branco As cores do nosso Brasil. Era uma vez uma floresta De fauna e flora gigantes Gigantes pela própria natureza Envolta em escuridão constante De sombras que se formavam das árvores Refletidas pelas folhas que do céu azul caíam, Retumbantes.
  2. 2. No chão, o tapete orgânico, os nutrientes, ali jaziam. O alimento ofertado, a garantia da sobrevivência A troca sagrada. A alquimia,  A noite e o dia, sem pressa, por ali passavam. Ao som da orquestra  encantada Dos pássaros, das águas dos riachos, dos rios plácidos, Caudalosos e  profundos Sinuosos, em cascatas, Caminhando para os mares de futuros almejados, Para  mares  nunca dantes navegados
  3. 3. Era uma vez uma floresta Onça-pintada de olhos atentos, amarelados Passeando no seu chão, desconfiada, Agarrada  nas garras da liberdade, Então,  bem cuidada! Era uma vez uma floresta De borboletas, milhares delas, Hoje pintadas em versos e em cores, em belos quadros de aquarelas.  Era uma vez uma floresta O peixe-boi, a ararinha  azul e o mico-leão dourado O boto cor-de-rosa, o ouro enterrado A tartaruga, a baleia, a mata atlântica E até a  mata do cerrado. Nada foi   poupado. O jacaré do papo amarelo que o diga, foi desbancado Pelo maior predador da natureza, O BICHO-HOMEM, Civilizado.
  4. 4. Aproveitando  alguma brecha ou outra fresta ... Inaugurou o fim da floresta Da qual, muito pouco ainda resta. A poesia já não existe, já  não se presta Para cantar, em verso ou prosa, tanta desgraça O som da serra elétrica a todos  emudece... Os rios viraram estradas de destino incerto Caminhos por onde passam os restos mortais do paraíso Futuros caixões, destino de todos nós, por certo, Em forma de  troncos e pedaços de madeira A ganância e a insensatez,  Sem limites, sem fronteira.
  5. 5. O fogo abre campos na mata A moda da economia está na moda... A soja e o pasto, o novo tesouro, No jogo do mercado financeiro De cartas e interesses marcados, Vale muito dinheiro, um simples besouro. Vale mais  que o às de ouro, No dizer da canção lembrada, Situação que fica mais agravada, afinal, Pelo contrabando das riquezas do antigo reino Animal, vegetal e mineral.  Música : forest piano Montagem : [email_address] www.pranos.com.br

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