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“Alfabetização Fônica Computadorizada”19 que tem por objetivo estimular habilidade de leitura e consciência fonológica17. ...
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Gráfico comparativo com relação ao tempo utilizado para execução das atividades da Bale – 
pré e pós período interventivo ...
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Desta forma, o software Alfabetização Fônica beneficia com maior ênfase os sujeitos que apresentam especificamente dificul...
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
1 www.interdys.org 
2 AJURIAGUERRA, J. A dislexia em questão. Porto Alegre: Artmed, 1990. 
3 D...
18 OLIVEIRA, D. G, MACEDO, E. C. Avaliação das habilidades de leitura e escrita em crianças com Dislexia do Desenvolviment...
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  1. 1. A intervenção psicopedagógica é eficiente em criança com dislexia do desenvolvimento? Raquel Tonioli Arantes do Nascimento* Tatiany Barreto de Santana** Anna Carolina Cassiano Barbosa *** * Pedagoga e Psicopedagoga pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Doutoranda em Neurociência e Comportamento pela Universidade de São Paulo. ** Psicóloga e psicopedagoga pela Universidades Presbiteriana Mackenzie. *** Psicóloga pela Universidade Católica de Pernambuco, Mestre e doutoranda em Distúrbios de Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. RESUMO A dislexia do desenvolvimento é um transtorno de leitura e escrita e dentre os transtornos é o que mais afeta o processo de aprendizagem. Uma vez diagnosticada, é fundamental a utilização de métodos e programas de tratamentos adequados que visem o desenvolvimento de habilidades necessárias para que a alfabetização seja bem sucedida. Considera-se o processamento fonológico como um pré-requisito para a aquisição e o domínio da leitura e escrita. Neste sentido, o presente estudo se propõe a demonstrar o efeito do treino de habilidades fonológicas por meio da utilização do Programa “Alfabetização Fônica Computadorizada” com uma criança que apresenta perfil compatível com o quadro de dislexia do desenvolvimento. Palavras-chaves: dislexia; transtorno de aprendizagem; leitura; intervenção; psicopedagogia. Psychoeducational intervention through phonics Literacy in a child with developmental dyslexia ABSTRACT Developmental dyslexia is a disorder of reading and writing and is among the disorders that most affects the learning process. Once diagnosed, it is essential to use methods and appropriate treatment programs designed to develop skills necessary for literacy to be successful. It is considered phonological processing as a prerequisite for the acquisition and mastery of reading and writing. In this sense, this study aims to demonstrate the effect of training phonological skills through the use of the "Computer Literacy phonics" with a child who presents profile compatible with the framework of developmental dyslexia. Key-words: Dyslexia, learning disorder, reading, intervention, psychopedagogy.
  2. 2. INTRODUÇÃO A Dislexia do Desenvolvimento é um dos transtornos que mais afetam a aprendizagem e, segundo a Associação Internacional de Dislexia1, é um transtorno específico, sendo caracterizado pela dificuldade na correta e/ou fluente leitura de palavras, na escrita e nas habilidades de decodificação, interferindo na ampliação do vocabulário e conhecimentos gerais, quando se comparam sujeitos com todas as habilidades preservadas e outros com transtornos de leitura e escrita com a mesma idade, escolaridade e nível de inteligência. Ajuriaguerra2 observa que crianças disléxicas, quando submetidas a testes neuropsicológicos, como o WISC, por exemplo, apresentam potencial intelectual dentro da média ou até superior, além de não possuírem nenhum tipo de déficit sensorial ou deficiência neurológica, corroborando com os critérios diagnósticos apresentados pelo DSM IV3 – Manual Diagnóstico e Estatísticos das Perturbações Mentais. Ainda segundo este Manual, a Dislexia caracteriza-se pelo comprometimento acentuado no reconhecimento das palavras e da compreensão da leitura; sua leitura é caracterizada por omissões e trocas de grafemas. Nico et al4 identificaram uma dificuldade atípica para aprender a ler, escrever, soletrar e calcular; a leitura é lenta e trabalhosa impedindo que o portador extraia a correta compreensão. É importante destacar que estes aspectos que caracterizam a dislexia vão além de uma questão ambiental e geram atrasos no desempenho escolar, ou seja, falta de recursos pedagógicos, por falta de interesse, perturbação emocional, inadequação metodológica ou mudança no padrão de exigência da escola5. Pesquisas também apontam para o comprometimento das áreas cerebrais envolvidas na leitura e estratégias de memória, resultando numa limitação de vocabulário significativa. Linguagem A aquisição da linguagem, seja oral ou escrita, é parte integrante do cotidiano de todo ser humano; é transmitida de geração em geração através da educação e vários estudos tem demonstrado uma estreita relação entre a fonologia, a fluência na leitura e a automatização da escrita. 7, 8, 9, 10 A escrita é um método de comunicação humana criado pelo homem desde a antiguidade. É uma invenção humana muito elaborada, cujo processo levou aproximadamente três mil anos até chegar às vinte e seis letras do alfabeto conhecidas hoje em nossa língua. 11 França et al12 em um estudo longitudinal com 236 crianças da educação infantil encontrou uma importante relação entre o desenvolvimento fonológico completo como preditor para o processo de aquisição e fluência na escrita. Alguns aspectos podem ser observados desde a educação infantil6: • Desempenho inferior nas atividades que envolvem habilidades fonológicas (rimas, por exemplo); • Déficits em nomeação rápida; • Memória Verbal de curto prazo comprometida; • Dificuldade em aprender sequências comuns (dias da semana, meses do ano, por exemplo)
  3. 3. • Dificuldades em língua estrangeira Já a leitura é uma das mais importantes habilidades desenvolvidas pelo ser humano. É a partir da leitura que o ser humano passa a conhecer o mundo no qual está inserido, bem como todas as áreas de conhecimento. Muito além de um processo de decodificação, ela possibilita a compreensão, a interpretação e a retenção da informação obtida. A leitura pode acontecer por meio de duas vias lexical e fonológica, segundo o modelo Dual proposto de Jorm e Share.13 A via lexical ou direta estabelece uma relação direta a forma visual da palavra, a pronúncia e o significado na memória lexical (alusão a uma fotografia da palavra); já a via fonológica ou indireta é um processo de recodificação fonológica e envolve a aplicação de um conjunto de regras de conversão grafema-fonema, sendo necessária para o reconhecimento e compreensão de palavras desconhecidas. Atendimento psicopedagógico: Diagnóstico e Intervenção O psicopedagogo é o profissional que investiga15, se aprofunda e desenvolve ferramentas que darão suporte para remediar as dificuldades de aprendizagem, buscando obter o máximo de informações possíveis a respeito do indivíduo com quem trabalhará. Trata-se de um processo de avaliação psicopedagógica porque não se reduz a atividades e tarefas pontuais, mas um continuum de atuações destinadas a pesquisar e a compreender melhor a forma de ensinar e aprender deste indivíduo16. A ação diagnóstica15 é planejada de acordo com a demanda ou queixa; passo a passo o profissional vai coletando informações relevantes sobre o contexto familiar, escolar e social no qual está inserido o indivíduo em avaliação. Nesta coleta obtêm-se também os aspectos positivos – potencialidades e capacidades – permitindo que o profissional os utilize como apoio na intervenção psicopedagógica16. O preparo dos profissionais que atendem o indivíduo com este transtorno deve ser bem especializado, para que possa entender exatamente como orientar o portador, sua família e a(s) instituição (ções) de ensino e apoio que o atendem. Sanchez14 propõe a formação de uma rede de relações – família, escola especialistas, cuja função é avaliar os avanços, as dificuldades e as estratégias Palavra escrita Codificação visual Léxico interno Resposta falada Recodificação fonológica (a) (a) (b) (c) (c)
  4. 4. que serão utilizadas pelas pessoas que o cercam, a fim de integralmente proporcionarem melhorias efetivas no desempenho acadêmico, social e familiar. Desta forma, seguem algumas sugestões de como se trabalhar com o indivíduo disléxico: • Deve-se incentivá-lo destacando suas conquistas; • Adequar o material pedagógico, de forma que atenda suas necessidades e valorize seus aspectos fortes; • Permitir o uso de gravadores, uma vez que o disléxico não consegue ouvir e escrever ao mesmo tempo, proporcionando maior segurança e tranqüilidade no momento de realizar a lição de casa; • Utilizar-se de apoio visual como um suporte para leitura e atividades; • Ensinar a sintetizar por meio de palavras ou desenhos o conteúdo que lhe foi exposto; • As avaliações devem ser feitas oralmente, sempre que possível (esta estratégia serve para todos os níveis de ensino); • Prever mais tempo, tanto para a execução de tarefas, atividades e avaliações, pois o disléxico precisa da mais tempo para acessar a informação armazenada, uma vez que a capacidade para o aprendizado está intacta – este recurso não é opcional, faz parte de seus direitos; • Procurar um local tranqüilo para que ele consiga fazer as avaliações, pois qualquer barulho poderá distraí-lo, interferindo em sua performance. • É importante que as crianças sejam expostas com mais intensidade à leitura para armazenar as formas ortográficas das palavras. Intervenção psicopedagógica nas habilidades de leitura e escrita O uso de programas interventivos estruturados e de eficácia comprovada para a minimização de dificuldades de linguagem escrita é uma alternativa que vem sendo adotada em diversos países. É imprescindível que os modelos de interventivos considerem ações direcionadas para os problemas de decodificação e compreensão considerando o treino de habilidades tanto visuais e auditivas básicas quanto o de processos verbais superiores de abstração e compreensão (Etchepareborda, 2003, citado por Barbosa, Araújo, Campanhã e Macedo) 17. Neste sentido, a partir das pesquisas apontadas sobre os déficits presentes na dislexia do desenvolvimento e da construção dos modelos explicativos para o transtorno, diversos métodos e programas de tratamento têm sido desenvolvidos visando o desenvolvimento de habilidades necessárias para a alfabetização bem sucedida 18. No Brasil, alguns estudos têm sido conduzidos por pesquisadores do Laboratório de Neurociência Cognitiva da Universidade Presbiteriana Mackenzie, utilizando-se do Programa
  5. 5. “Alfabetização Fônica Computadorizada”19 que tem por objetivo estimular habilidade de leitura e consciência fonológica17. Considerando a relevância de tais programas interventivos, este presente estudo se propõe a apresentar os resultados obtidos a partir do treino de habilidades fonológicas por meio da utilização do Programa “Alfabetização Fônica Computadorizada”19 com uma criança que apresenta perfil compatível com o quadro de dislexia do desenvolvimento MÉTODO Participou do estudo, uma criança de 09 anos, do sexo masculino, estudante da 4ª série de uma escola particular da cidade de São Paulo, que apresenta um perfil compatível com o quadro de Dislexia do Desenvolvimento, confirmado após ter sido submetido por avaliação neuropsicológica no Laboratório de Neurociências do Comportamento da Universidade Presbiteriana Mackenzie em novembro de 2009, através de onde foi encaminhado para avaliação e intervenção psicopedagógica, processo que teve duração de março a novembro de 2010, no mesmo laboratório citado. Tal criança será identificada neste estudo por JM. Instrumentos A intervenção foi em uma sessão semanal de 50 minutos. Utilizou-se o programa “Alfabetização Fônica Computadorizada”19 que possibilita a realização de atividades de treino de leitura e consciência fonológica de forma lúdica, sistemática e objetiva. Os exercícios são divididos em duas partes: Consciência Fonológica e Alfabeto. Em Consciência Fonológica, as atividades focam a percepção de partes que compõem uma palavra, tais como sílabas, fonemas, rima e aliteração. Na parte de Alfabeto, as atividades são voltadas para o treino de treino de correspondências entre as letras e os seus sons. Também foram utilizados outros jogos, livros e atividades que focaram no treino ortográfico e na produção escrita. Como pré-teste e pós-teste, para avaliação dos resultados obtidos com a intervenção realizada, foi utilizada a “BALE Computadorizada” 20 que é composta por 5 provas de leitura e escrita (Macedo, 2002): Teste de Competência de Leitura Silenciosa (Tecolesi),Teste de Nomeação de figura por Escolha de Palavra (Tenofep), Teste de Nomeação de Palavra por Escrita (Tenofe), Teste de Compreensão de Sentenças Escritas (TCSE) e Teste de Compreensão de Sentenças Faladas (TCSF). Os testes avaliam o grau de desenvolvimento e preservação dos diferentes mecanismos, rotas e estratégias envolvidas na leitura e escrita. Procedimentos
  6. 6. O processo de avaliação e intervenção psicopedagógica ocorreu entre os meses de março a novembro de 2010, tendo sido realizada uma sessão por semana, com pausa para as férias no mês de julho. A criança passou por duas avaliações. A primeira foi realizada durante o mês de março de 2010 com a aplicação da “Bale Computadorizada”. Posteriormente, como intervenção psicopedagógica para o treino da consciência fônica, foi utilizado o software “Alfabetização Fônica Computadorizada”. Após a criança completar todas as atividades do programa, outras atividades como jogos, leitura de livros e produção de textos foram realizadas visando o treino ortográfico. Ao final do processo interventivo, as atividades do programa de método fônico foram repetidas a fim de assegurar a retenção das habilidades treinadas. A segunda avaliação foi realizada no mês de novembro de 2010 com a aplicação da “Bale Computadorizada”. Por fim, os dados obtidos a partir da 1ª e 2ª avaliação (pré e pós-teste) foram comparados a fim de verificar se a intervenção realizada com a criança foi eficaz. RESULTADOS Na primeira avaliação realizada em novembro de 2009, observou que as maiores dificuldades de JM se concentravam em palavras com trocas fonológicas, que podem comprometer a compreensão da leitura que realiza bem como a posterior escrita de palavras e frases. JM se encontrava abaixo do esperado, quando comparado às crianças de mesma idade, no Teste de Nomeação de Figuras por Escrita (Tenofe). Neste, ele foi capaz de escrever corretamente 16 palavras, do total de 36. João Marcelo cometeu erros por trocas fonológicas, como em /corusa/ no lugar de /coruja/, /sovero/ no lugar de /chuveiro/, /sadre/ no lugar de /xadrez/. Omitiu letras de algumas palavras, como /melacia/ no lugar de /melancia/. Outra categoria significativa foram os erros ortográficos, como em /palhaso/ no lugar de /palhaço/, /vasora/ no lugar de /vassoura/. Após a intervenção foi realizada uma avaliação das habilidades de leitura e escrita através da Bateria de Avaliação de Leitura e Escrita (BALE computadorizada), utilizando as seguintes provas: Tenof , Tenop, Tecolesi, Tcse e Tcsf. Observou-se um melhor desempenho no desenvolvimento destas habilidades, realizando as provas em menor tempo e obtendo os seguintes resultados demonstrados nos gráficos abaixo:
  7. 7. Gráfico comparativo com relação ao tempo utilizado para execução das atividades da Bale – pré e pós período interventivo (em ms). Gráfico comparativo da pontuação obtida em relação aos acertos nas atividades da Bale – pré e pós período interventivo. No teste de nomeação de figuras por escrita (Tenofe) é possível verificar uma significativa melhora, uma vez que o JM escreveu corretamente 32 itens de 36 possíveis. Tendo cometido poucos erros de ortografia e omissão de letras como, por exemplo, /abir/ no lugar de /abrir/, /xadres/ no lugar de /xadrez/, /rinoseronte/ no lugar de /rinoceronte/ e /palhaso/ no lugar de /palhaço/. No teste de competência de leitura silenciosa (Tecolesi) JM conseguiu identificar adequadamente palavras regulares e irregulares, no entanto cometeu erros em palavras com trocas fonológicas, acarretando em uma diminuição do número de acertos; por exemplo, considera certas as palavras /juveiro/ no lugar de /chuveiro/, /ponéca/ no lugar de /boneca/; e apresentou erros ortográficos, considerando como certas as palavras como /jêniu/ no lugar de /gênio/, /paçaru/ no lugar de /pássaro/ e, cometeu erros na leitura de palavras com trocas visuais, considerando como correta a palavra /TEIEVISÃO/ para a figura de uma televisão e /CADEPMO/ para a figura de um /caderno/. Estes resultados são esperados, pois a intervenção foi preparada para desenvolver a habilidade fonológica, cuja função é predizente para a leitura e escrita de palavras fluentemente. Outro aspecto que encontramos na 0,005000,0010000,0015000,0020000,0025000,00TenofeTCLPTenofepTSCFTSCEBale -tempoPré-testePós-teste 0 10 20 30 40 50 60 70 Tenofe TCLP Tenofepe TSCF TSCE Bale -pontuação Pré-teste Pós-teste
  8. 8. execução desta atividade, cuja relevância é extrema, foi a desatenção, pois JM repetidas vezes foi alertado a se concentrar na atividade. A redução do tempo na realização do teste TSCE indica um avanço no processo de automatização da leitura e consequentemente maior facilidade de acessar o conteúdo do que é lido. Percebemos que JM evoluiu significativamente durante o período em que esteve em atendimento psicopedagógico; demonstrou interesse nas atividades propostas, participando com ânimo e vontade. Também é importante ressaltar que a família se dispôs a ajudá-lo em todas as orientações feitas. É possível verificar que mesmo a intervenção tendo se mostrado eficiente, o tipo de erro cometido por JM antes da intervenção é persistente, o que é característico do quadro de Dislexia do Desenvolvimento. DISCUSSÃO Em nosso estudo de caso, pode ser constatado que programas interventivos com foco nas dificuldades de leitura e de processamento fonológico podem contribuir para melhora na leitura das crianças diagnosticadas com dislexia. Tal afirmação corrobora com os resultados de um estudo realizado por Oliveira e Macedo18 com 20 crianças com diagnóstico de Dislexia do desenvolvimento com idade média de 11,7 anos. Após a avaliação destas, as mesmas forma divididas em 2 grupos: 10 crianças foram submetidas ao mesmo software utilizado neste estudo de caso, “Alfabetização Fônica” e formaram o Grupo Experimental (GE) já as outras 10 crianças não foram submetidas a nenhuma intervenção e formaram o Grupo Controle (GC). A princípio, em ambos os grupos foi realizada uma avaliação das habilidades de leitura e escrita de cada criança por meio da Prova de Consciência Fônica e da Bateria da Bale Computadorizada em 2 sessões. Posteriormente, foram realizadas, individualmente, 12 sessões em média com cada criança do GE. Por fim, foram novamente aplicadas as provas de Consciência Fonológica e a Bateria de Bale computadorizada, tanto no como no GC. Os resultados apontaram que as crianças que participaram do programa de intervenção são capazes de ler e compreender sentenças com maior precisão que as crianças que não participaram da intervenção. Algo importante de ser destacado é a existência de um quadro heterogêneo de manifestações da Dislexia do Desenvolvimento e o aproveitamento que cada um dos sujeitos pode obter com o programa de intervenção, fato observado por Oliveira e Macedo18 e apontam citando Galaburda (2007) que dentro deste mesmo quadro, é possível observar variações entre as manifestações das dificuldades de leitura que incluem as essencialmente visuais, essencialmente fonológicas, de memória de seqüenciamento, ou ainda combinações destes déficits.
  9. 9. Desta forma, o software Alfabetização Fônica beneficia com maior ênfase os sujeitos que apresentam especificamente dificuldades fonológicas. Assim, é interessante que em um programa de intervenção todas as habilidades necessárias para o sucesso da leitura sejam contempladas, tais como as metafonológicas, o desenvolvimento de vocabulário, a velocidade de leitura e as habilidades de compreensão. No presente estudo de caso, diferentes atividades foram realizadas a fim de possibilitar o treino das habilidades fonológicas, a automatização e compreensão da leitura e o conhecimento das regras ortográficas. Porém, maior ênfase foi dada ao fortalecimento das habilidades fonológicas, tendo sido observado na criança grande avanço nos dois primeiros aspectos. CONCLUSÃO Dentre as habilidades consideradas preditoras para o processo de aquisição da leitura e escrita, o processamento fonológico é de suma importância12, 21, 22. Neste sentido, estudos21, 22 apontam que os distúrbios de processamento fonológico são a principal causa dos problemas de leitura e escrita, tal como ocorre no quadro de Dislexia do Desenvolvimento. Frente a tais dificuldades, atualmente tem sido criado programas de intervenção estruturados com foco nas dificuldades de leitura e de processamento fonológico que podem contribuir para melhora na leitura das crianças diagnosticadas com dislexia. Neste presente estudo, a criança participante, de perfil compatível com o quadro de dislexia, realizou treino fonológico por meio do “Programa Alfabetização Fônica Computadorizada”, como maneira de estimular as habilidades metafonológicas e correspondências grafema-fonema. Posteriormente, com a avaliação dos resultados obtidos a partir da intervenção, observou-se um melhor desempenho no desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita, realizando as provas em menor tempo o que indica um avanço no processo de automatização da leitura e consequentemente maior facilidade de acessar o conteúdo do que é lido. Desta maneira, a utilização do programa trouxe efeitos positivos nas habilidades de leitura e escrita de crianças com dislexia do desenvolvimento.
  10. 10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1 www.interdys.org 2 AJURIAGUERRA, J. A dislexia em questão. Porto Alegre: Artmed, 1990. 3 DSM IV – Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. Porto Alegre: Artmed, 4a ed., 2003. 4 NICO, M.A.N. et al. Levantamento do desempenho das crianças, jovens e adultos disléxicos na avaliação multidisciplinar. In: Dislexia: cérebro, cognição e aprendizagem. São Paulo: Frontis, 2000. P. 17-26. 6 ROTTA, N.T. et al. Transtornos da Aprendizagem – Abordagem neurobiológica e interdisciplinar. Porto Alegre, Artmed, 2006. 7 FERREIRO, E.; TEBEROSKY, A. Psicogênese da linguagem escrita. Porto Alegre, artmed, 1985. 8CARDOSO-MARTINS, C. Consciência fonológica e alfabetização. Petrópolis: Vozes, 1995. 9 CIELO, C.A. A sensibilidade fonológica e o início da aprendizagem da leitura. Letras de Hoje, v.33, p. 21 – 60, 1998. 10 CAPELLINI, A.S.; OLIVEIRA, K.T. Problemas de aprendizagem relacionados à alterações de linguagem. In: CIASCA, S.M. (Org.) distúrbios da Aprendizagem: proposta de avaliação interdisciplinar. São Paulo, Casa do Psicólogo, 2003. p. 113 – 139. 11 SANTOS, M. T. M. DOS.; NAVAS, A. L. G. P. Distúrbios de Leitura e Escrita: Teoria e Prática. Barueri: Manole, 2002 12 FRANÇA, M.P. et al. Aquisição da linguagem oral: relação e risco para linguagem escrita. Arq. Neuropsiquiatria, v. 62, n.2-B, p. 469 – 172, 2004. 13 JORM, A.F.; SHARE, D.L. An invites article phonological recoding and reading acquisition. Applied Psycolonguistics, v.4, p. 103-147, 1983. 14 SANCHEZ, E. El lenguaje escrito y sus dificultades: una vision integradora. In: MARCHESI, A.; COLL, C.; PALACIOS, J. Desarollo humano y educación. Madrid: Allianza, 1999. 15 WEISS, M.L.L. Psicopedagogia clínica – uma visão diagnóstica da aprendizagem escolar. Rio de Janeiro, DP&A, 2006. 16 COLOMER, T.; MAOT, M.T.; NAVARRO, I. A avaliação psicopedagógica. In: SANCHEZ-CANO, M.; BONALS, J. et al. Avaliação Psicopedagógica. Porto Alegre: Artmed, 2008. p. 15-23. 17 BARBOSA, A.C.C.; ARAÚJO, R.R.; CAMPANHÃ, C.; MACEDO, E.C. Inclusão social e digital: uso do computador para ensino da leitura e escrita. In: BOGGIO, P.S e CAMPANHÃ, C. (orgs): Família, gênero e inclusão social. São Paulo: Memnon, 2009.
  11. 11. 18 OLIVEIRA, D. G, MACEDO, E. C. Avaliação das habilidades de leitura e escrita em crianças com Dislexia do Desenvolvimento para estudo e eficácia do método fônico de alfabetização. In: III Jornada de Iniciação Científica PIBIC e PIVIC da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Anais... São Paulo: Editora Mackenzie, 2008. 19 CAPOVILLA, A.G.S.; CAPOVILLA, F.C., Macedo, E.C., Diana, C. Alfabetização fônica computadorizada. [CD-ROM]. São Paulo: Memnom, 2005. 20 MACEDO, E.C., CAPOVILLA, F.C., DIANA, C., COVRE, P. Desenvolvimento de Instrumentos Computadorizados de Avaliação de Funções Cognitivas na WWW: O possível e o necessário. In: Elizeu Coutinho de Macedo; Maria de Jesus Gonçalves; Fernando César Capovilla; Alexa Livia Sennyey. (Org.). Tecnologia em (Re)habilitação cognitiva 2002: um novo olhar para avaliação e intervenção. São Paulo, Edunisc, 2002, pp 21-32. 21 CAPOVILLA, A.G.S.; CAPOVILLA, F.C.; SUITER, I. Processamento Cognitivo em crianças com e sem dificuldades de leitura. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 9, n 3, set./dez. 2004, p.449-458. 22 CAPOVILLA, A.G.S.; CAPOVILLA, F.C.; GÜTSCHOW, C.R. Habilidades cognitivas que predizem competência de leitura e escrita. Psicologia: Teoria e Prática, 2004, 6 (2), p. 13- 26.

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