A HISTÓRIA DA FLAUTA DOCE     A flauta doce é o membro mais desenvolvido da antiga família das flautas de tubo interno,fla...
décimo quinto a início do décimo sétimo séculos, misturando prontamente e em equilíbrio entre sicom conjuntos inteiros ou ...
um novo currículo de música escolar levando os fabricantes à produção de instrumentos deplástico. Inicialmente as flautas ...
galoubet, ou até mesmo a flauta harmônica. Em Londres o flageolet solo, em dupla ou até mesmotripla. Em Viena o flageolet ...
windway estreito e curvado das flautas doce de Bressan que produzem suas características, (osom cheio está ausente), foi s...
e seu associado programa Desenvolvimento Musical, "Musiche Bildung" resultaram em umaproliferação de fábricas produzindo f...
originais do século XVIII nas quais elas são baseadas. No entanto, estas flautas doce neobarrocaspermanecem essencialmente...
inalterada e ainda pode ser tocada como qualquer outra flauta doce até o tocador ter boa razãopara fazer uso dos projetore...
caracterizavam por um sistema de expressão ajustável pela alteração da posição do bloco e aaltura do windway. Ambas eram d...
Breukink/Moeck, as dimensões do windway são variadas à vontade por meio de um bloco operadopelo lábio mais baixo do tocado...
largo corpo cilíndrico, um perfil externo simples, e grandes buracos de tom. A diferença crucial eraa incorporação de um g...
de desempenho interativo, ou “midified blockflute”, permite misturar sons reais e sintetizadosenquanto ele toca.     A úni...
comercializa o modelo “Melodia” com uma cabeça de plástico e um corpo de madeira (pearwood).Uma inovação surpreendente da ...
1. Sebastian VIRDUNG(c.1465-?): Musicagetutscht und ausgerogen(Strasburg e Basel , 1511).Dizia que as flautas doceseram ge...
3. Sylvestro GANASSI delFontego (1492-?) : Fontegara,la quale insegna di sonare diflauto (Veneza, 1535). Foi oprimeiro liv...
5. Michael PRAETORIUS(c.1571-1.621): Syntagmamusicum (Wittenberg, 1615-19). Já nos mostra uma famíliade flautas doces bem ...
6. Marin MERSENNE (1588-1648): HarmonieUniverselle (Paris, 1636). Divide as flautas em 2grupos: o pequeno conjunto (4 pés)...
suficiente para um madrigal vocal por exemplo, mas insuficiente para a                       música solo do barroco. Com i...
1679 - A Vade Mecum for                                                                  the Lovers of Musick, Shewing    ...
Em 1730 temos a publicação do "TheModern Recorder Master", um compêndio deinstruções para vários instrumentos, entre eles ...
• Giovanni Battista Bononcini (1670-1747) escreveu um divertimento de câmera para       flauta doce e contínuo, além de al...
•   Diversos duetos           •   4 sonatas para flauta contralto e contínuo           •   2 sonatas do "Essercizii Musici...
Na Alemanha temos o Prof. Gustav Schenk e seus pupilos Hans Conrad Fehr (que tambémera construtor) e Hans Martin Linde (Su...
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  1. 1. A HISTÓRIA DA FLAUTA DOCE A flauta doce é o membro mais desenvolvido da antiga família das flautas de tubo interno,flautas com uma janela (windway) fixa formada por uma peça de madeira chamada de bloco. Édistinta de outra flauta de tubo interno com buracos para sete dedos e o buraco para o dedopolegar que também serve como abertura de oitava. Talvez a ilustração mais antiga eincomparável seja a de uma flauta doce que está no “The Mocking of Jesus” (posterior a 1315), umafresco da Igreja de Staro Nagoricvino, perto de Kumanova na (Yugoslavia) Macedônia, pintadapela casa de pintores Michael e Eutychios no qual um músico toca uma flauta de tubo cilíndrico,com o window/labium claramente visível, e ao pé da qual há um buraco aberto para o dedomindinho. Antes disso, há várias ilustrações de tubos parecidos que pode (ou não) ser flautas-tubo quepodem (ou não) ser flautas doce. Entre as mais antigas está a ilustração da Dança de Salomé(cerca de 1020), também conhecida como a Coluna de Bernward, um elenco de bronze daCatedral de Hildesheim (Alemanha) na qual Salomé dança ao acompanhamento de um estreitotubo cilíndrico que tem quatro buracos visíveis, os mais baixos ligeiramente deslocados. Esteinstrumento é segurado com as duas mãos e na parte de cima há um entalhe (window). O bocal éde bico moldado, e o tocador (um homem) não tem a característica de bochechas sopradas dostocadores de shawm. Há vários outros exemplos do século XI, inclusive uma escultura do décimoprimeiro século que descreve os músicos em um pilar de pedra na igreja Boubon-lAchambault, StGeorge, França (repr. Thomson 1974, quadro 1) que mostra um tubo parecido que pode ser umaflauta-tubo (flageolet ou flauta doce), acompanhada por rabeca e harpa. O instrumento mais antigo e completo sobrevivendo, é a chamada flauta doce de Dordrechtdatada de meados do século XIII. Esta "flauta doce medieval" é caracterizada obviamente por seucorpo estreito e cilíndrico (o transcurso largo do tubo interno no meio do instrumento é responsávelpela afinação e resposta sonora). A segunda flauta doce medieval mais ou menos completa e datando do século XIV foireportado de Göttingen (norte da Alemanha) onde foi achada em uma latrina na Weender Straßernúmero 26 em 1987. Esta assim denominada “flauta doce de Göttingen” faz parte da coleção doStadtarchäologie Göttingen e foi descrita por Hakelberg (1995), Homo-Lechner (1996) e Reiners(1997). É feita em duas partes e tem aberturas para sete dedos e o buraco do polegar (thumbhole),os buracos mais baixos são dobrados. Tem 256 mm de extensão e também é feita de madeira defrutas (uma espécie de Prunus). Seu bico está estragado, o que provavelmente explica por queestava descartada. Há morsas na peça entre o primeiro e segundo buracos, e entre o segundo eterceiro, como também uma marca acentuada atrás do sétimo buraco. A peça se expande a 14.5mm ao fim do instrumento e tem um pé bulboso distinto. Reconstruções de flautas doce medievais produzem um tom que é doce e agudo. Em geral,elas têm uma escala que diminui tanto quanto o instrumento aumenta de tamanho, percorrendo deum 1/12 de escala para um sopranino a um nono de escala para um contralto. Alguns fabricantesconseguiram estender a escala das flautas doce de corpo cilíndrico para duas ou mais oitavas.Tais flautas doce soam melhor com outros instrumentos suaves do décimo terceiro ao décimoquinto séculos, tais como o psaltery, a rabeca, a viela, o alaúde e também a voz. Durante o século XV fabricantes de instrumento começaram a produzir conjuntos de flautasdoce e outros instrumentos em diferentes tamanhos. A flauta doce desenvolvida neste período foi a"flauta doce da renascença" que alcançou seu apogeu em meados do século XVI. Flautas doce darenascença foram conhecidas por um grande número de exemplos sobreviventes. Seus corposeram cônicos, se afilando suavemente para o pé. Estas flautas doce têm uma escala limitada parauma oitava e um sexto, com timbre rico e de qualidade em nível dinâmico ao longo da escala. Elaseram fabricadas idealmente para um desempenho da música vocal e instrumental polifônica do
  2. 2. décimo quinto a início do décimo sétimo séculos, misturando prontamente e em equilíbrio entre sicom conjuntos inteiros ou contrastando em condições iguais com outros instrumentosrenascentistas ou vozes. Durante o século XVII a flauta doce foi completamente redesenhada para uso comoinstrumento solo. Antes feita em uma ou duas partes, era agora feita em três o que permitiu fazê-lacom uma forma mais acurada. Foi feita uma furação mais precisa que feita anteriormente e tinhaassim uma escala cromática precisa de duas oitavas e finalmente se alcançava as duas oitavas eum quinto. Era feita para produzir sons com boa intensidade, ter um tom cheio e penetrante, egrande poder de expressividade. Muitos esplêndidos exemplos originais de tais instrumentossobrevivem hoje em condições de uso. Estas flautas doce barrocas são feitas admiravelmente parao desempenho da música de câmara e concerto. Nesta forma a flauta doce sobreviveu até maistarde como um instrumento profissional no século XVIII e como um instrumento amador de algummodo no século XIX até que foi temporariamente eclipsada pela flauta transversal. Rampe e Zapf (1998), afinal, solucionaram o problema da Fiauti decho de Bach no Concertode Brandenburg número 4. Parece que a flauta de eco era um par de flautas doce em f unidas emuma armação pela cabeça e pelo pé, cada uma com corpo diferente e expressando assimcaracterísticas tonais diferentes. Um exemplar de Heytz sobrevive ainda hoje em Leipzig. A flauta doce conquistou o seu espaço no Novo Mundo a partir de uma data relativamentecedo e muitos dos primeiros colonos da América do Norte estavam familiarizados com ela. CapitãoSmith notificou no seu Mapa da Virgínia que os índios usavam "uma cana para as suas músicas" e“que eles transportam como uma flauta doce”. A presença física de flautas doce na América doNorte foi documentada já em 1633 quando um inventário de uma plantação em New Hampshirelistou 15 flautas doce, e um inventário semelhante feito em outra propriedade de New Hampshireinformou a presença de 26 flautas doce (Música 1983; Pichierri 1960: 14). A primeira bandaconhecida a emergir na América foi fundada em New Hampshire em 1653 e consistiu em pelomenos dois tambores, 15 oboés e "flautas doce" (Bevan. 1984: 123). Escrevendo de NewHampshire 300 anos depois, Brewster (1859-1873) fez as seguintes anotações: "Para música, hádois tambores durante os dias de treinamento, enquanto não menos de quinze hautboys e flautasdoce são usadas para alegrar os imigrantes nas suas solidões. . ." A flauta doce encontrou usocomo um instrumento de marcha na guerra civil americana (Waitzman 1967: 224). "Flautas",flageolets, "flautas comuns" e "flautas inglesas" são por varias vezes mencionadas no início doséculo XVIII em anúncios de jornais americanos. Nestas referências de "flauta" é bastante provávelestar incluída a flauta doce; "flauta comum" e "flauta inglesa" poderiam indicar a flauta doce,entretanto a posterior pelo menos poderia se referir ao denominado flageolet inglês, popular noséculo XIX (veja Higbee 1960). Os mais recentes de tais anúncios apareceram em 1815, mais de200 anos depois da menção da flauta doce do Capitão Smith (Música 1983). A flauta doce foi pela primeira vez introduzida no Japão no século XVI através de contatos comeuropeus (Tada 1982). Em 1549, Francisco Xavier veio a Kagoshima para introduzir oCristianismo, e durante anos, muitos Jesuítas o seguiram trazendo com eles instrumentoseuropeus inclusive flautas doce. Porém, a flauta não era muito popular no Japão. Em 1639, oshogunato Tokugawa suprimiu o Cristianismo e fechou o Japão para todos os países estrangeirosexceto a Holanda. O shogonato destruiu e queimou tudo o que era ligado ao Cristianismo, àmúsica da Europa e os instrumentos musicais sem nenhuma exceção. Até a revogação da lei deisolamento nacional em 1873 pela Restauração de Meiji, não estavam permitidos o Cristianismo,sua música auxiliar e seus os instrumentos. A flauta doce não foi re-introduzida até 1929 quandoum japonês graduado na Universidade de Cambridge trouxe algumas flautas doce para casa, e em1930 o governo alemão enviar alguns flautas doce e música como presentes para dois professoresjaponeses. Logo após a segunda guerra mundial, um residente americano no Japão (um virtuoso noshakuhachi) provou num ímpeto a flauta doce. Em 1948 foi adotado pelo Ministério da Educação
  3. 3. um novo currículo de música escolar levando os fabricantes à produção de instrumentos deplástico. Inicialmente as flautas doce feitas no Japão empregavam a chamada digitação alemã,mas, depois a mudança foi feita para a digitação inglesa. Em 1961, a primeira apresentaçãousando só tocadores japoneses foi feita com a execução do Concerto Brandenburg número 4 deBach. Subseqüentes visitas feitas por Hans-Martin Linde (1962), Gustav Scheck (1963), FransBrüggen (1973), Carl Dolmetsch, Michael Vetter e Hans Maria Kneihs deram ímpeto adicional ecrescente interesse pela flauta doce no Japão. Deste tempo, vários estudantes japoneses forampara a Europa estudar com estes e outros professores. Em 1975 quatro de tais estudantesformaram um conjunto de flautas doce e ganharam o primeiro prêmio na competição internacionalde flauta doce do Festival de Flanders em Bruges. Hoje a flauta doce desfruta imensa popularidade no Japão em nível amador e profissional. Háum extenso repertório de música para o instrumento de compositores japoneses (veja MúsicaJaponesa para Flauta Doce), e vários fabricantes de flauta doce tais como: Aulos, YuzuruFukushima, Shigeharu Hirao, Kunito Kinoshita, Suzuki, Hiroyuki Takeyama, Toyama (que fabrica:Alouette, Aulos, Canto de Bel, Elite & Robin de plástico), Jun Tsukada, Yamaha, e Zen-On. Indubitavelmente a flauta doce tem uma história que espera ser descoberta em outros paísescolonizados por europeus, inclusive a Austrália, Canadá, Nova Zelândia, África do Sul, e os muitospaíses de América do Sul. Um começo foi feito pelo delicioso e fascinante artigo de Stobart (1996)relativo à introdução da flauta doce no século XVI na Bolívia pela Espanha e sua possívelinfluência no desenvolvimento da nativa pinkillu, uma flauta de tubo de seis furos feita em seistamanhos diferentes. A pinkillu é tocada amplamente na América do Sul, incluindo a Argentina(Gonzalo Juan, pers. com.). Paul Loeb van Zuilenburg (1999) registrou detalhes da recente históriada flauta doce na África do Sul. O conto seguinte vem de outra nação-estado, ou seja, do Sul da Austrália. Em 1965 duasflautas de voz originais do século XVIII (flautas doce tenor em d) de Bressan foram compradas deum negociante de usados em Adelaide por Mrs Mary McKenzie que se informou com Edgar Hunt oquanto elas valeriam. Elas foram vendidas ao colecionador e negociante americano Wesley Olerde quem logo foram adquiridas por Frans Brüggen. Um pequeno conserto foi feito por von Hueneno bico de um dos instrumentos. Até que eu ouvisse falar delas em 1974 o seu rastro tinhadesaparecido realmente; Hunt (pers. comm.), por exemplo, tinha destruído a correspondênciarelativo a elas. O ponto é que nada foi esclarecido de quem as trouxe para a Austrália e para que,ou com que intenção elas poderiam ter sido usadas. Felizmente, algo foi salvado deste pedaçoarrependido de vandalismo cultural nas fotografias e desenhos detalhados dos instrumentos queforam publicados por Morgan (1981). Foi discutido convincentemente que a flauta doce na verdade tem uma existência contínua doXVII ao XIX séculos (Reyne 1985, 1987). Nós já vimos como nos E.U.A. a flauta doce foi jogadabem no meio do século XIX no estado de New Hampshire. Na Europa, três gerações da família deWalch de Berchtesdaden, Alemanha, fabricaram flautas doce, nominalmente Lorenz Walch(meados do décimo oitavo século), Lorenz Walch II (fl. 1809-1862) e Paul Walch (1862-1873).Instrumentos existentes de todos eles foram catalogados por Young (1993: 249-251). NaInglaterra, Goulding & Cia. (1786-1834) fabricou flautas doce, como fez John Townsend (1816-1869) em Manchester (Blanchfield 1990). Corcoran (1965) anotou que um Thomas Davies, deHalkwin, Flintshire, Inglaterra que nasceu em 1830 possuía uma flauta doce de Steenbergen doséculo XVIII com a qual tocou desde sua juventude até o fim de sua vida. O seu neto se lembradele tocando em 1914. Hunt (1977) anota a existência na coleção da Senhora G. de ThibaultChambure de uma cópia de uma velha flauta doce tenor com a inscrição “P.R. Recordação deCouture, 1875”, e “J.B. Martin ao amigo Paul Roche”. A nota de Hunt que um instrumento isoladonão constitui uma revificação parece completamente perdida. Realmente, o músico amador do século XIX poderia tocar decididamente música romântica emtipos diferentes de flauta de tubo, dependendo de onde ele era. Em Paris tinha o flageolet, o
  4. 4. galoubet, ou até mesmo a flauta harmônica. Em Londres o flageolet solo, em dupla ou até mesmotripla. Em Viena o flageolet de Wiener, csakan ou flûte douce. A última simplesmente era umaflauta doce, como essas feitas pela família de Walsh. Realmente, um catálogo ilustrado da firmaMarkneukirchen de Kämpffe de 1835 inclui uma flauta doce de estilo barroco e um esfregão delimpeza (repr. Betz 1992: 38). Das outras, só o csakan é de interesse nosso aqui, pois, era feitocom uma abertura de oitava (thumbhole) e buracos para sete dedos; o restante não tinha umthumbhole e, como a flauta, buracos para só seis dedos. O csakan, com efeito, uma flauta doce com chaves, primeiro apareceu em 1807 ao redor deViena e provavelmente era uma invenção de Anton Heberle. Inicialmente o instrumento foiequipado com uma chave d # (como na flauta transversal antiga) e tinha uma escala de 2 oitavas eum quinto que correspondem à notação c-g mas soando ab-eb o que quer dizer que ocsakan foi considerado um instrumento transpondo em ab. Nos anos 1820, fabricantes deinstrumento proveram a csakan moldada com outra madeira como a do oboé e clarinete. Assim nocsakan brotaram chaves adicionais para g #, f, f #, bb, uma chave de trinado b/c, um baixo c #...Algumas csakans tiveram até dez chaves e uma escala que se estende a um g adicional soandograças a uma chave. Vários fabricantes fizeram csakans e flûtes douces, entre eles Hell, Kämpffe,Nielson e Zimmermann. Tutoriais para o instrumento foram publicados por Koehler, Koch, Krähmere Barth, entre outros. Os csakan continuaram sendo tocados até por volta do século XX, como comprovado peloinstrumento de Koehler (1880) e Barth (1910) que pelo tempo tinha se tornado um instrumento emC, com ou sem chaves. Um catálogo de 1899 de um fabricante de instrumento de Leipzig, JuliusHeinrich Zimmermann anuncia csakans sem chaves, com uma chave e com seis chaves (repr.Reyne 1987: 5; Betz 1992: 48, fig. 26). Um catálogo de Zimmerman de 1905 (repr. Betz 1992: 92,fig. 34) listas um conjunto inteiro de Blockflöten SATB em uma variedade de afinações comosegue: soprano (C ou D), contralto (G, F, E ou D), tenor (C ou A), Baixo (G, F, E, D ou C). Assim atradição de fabricar flautas doce existiu por muito tempo antes do renascimento comumentesuposto deste instrumento no século XX, como um velho instrumento para a música antiga. Da virada do século até os anos trinta, o csakan era associado na Alemanha com o Schulflötee o Wienerflageolett, correspondendo a um instrumento em D com só 6 buracos para digitação ecom um máximo de 6 chaves. Este Schulcsakan alemão deu caminho eventualmente a re-descoberta da flauta doce soprano (Reyne 1987). A revificação da flauta doce aconteceu no fim do século XIX, quando foram reunidas coleçõesde instrumentos musicais antigos de grandes museu e o pelo interesse crescente em música pré-clássica, ajudando a produzir um clima no qual a flauta doce pôde florescer novamente. Em 1885um grupo do Conservatório de Bruxelas tocou uma Sinfonia Pastorale do Eurydice de Jacopo Periexecutado com flauti dolci na Exposição Internacional de Inventos nas galerias do Albert Hall emKensington do Sul, Londres, junto a uma exposição de instrumentos musicais, alguns trazidos porVictor-Charles Mahillon do Conservatório de Bruxelas (Times 1885 Musical). Na Inglaterra duranteos anos 1890 e início de 1900, as pesquisas e conferências de Cânon Francis Galpin, Dr JosephCox Bridge e Christopher Welch chamaram a atenção adicional para a flauta doce em círculosmusicais, entretanto, nada era conhecido sobre sua técnica ou repertório. Foi dito com freqüência (erradamente) que a primeira flauta doce moderna foi feita em 1919por Arnold Dolmetsch (1858-1940) baseada em um original de século XVIII de sua posse. Na luzdo prévio parágrafo talvez seja pertinente dizer que Dolmetsch recebeu o seu treinamento musicalno Conservatório de Bruxelas quando entrou pela primeira vez em contato com músicos quetocavam instrumentos musicais antigos da coleção do conservatório. Em 1883, ele mudou-se coma família para Londres, para entrar na Faculdade de Música Real recentemente aberta, onde podeavançar no interesse pela música antiga. De forma interessante, a flauta doce de Bressan originalcomprada por Dolmetsch em 1905 (agora no Museu de Horniman, Londres) parece ter sidomodificada severamente por ele (Prados 1994). Seu bloco e bocal de marfim não são originais, e o
  5. 5. windway estreito e curvado das flautas doce de Bressan que produzem suas características, (osom cheio está ausente), foi substituído por um largo windway reto, assim adotado por Dolmetschpara flautas doce que emanam de sua própria oficina. Inicialmente, Dolmetsch e seus sóciosfizeram cópias para a sua família e outras pessoas do seu círculo de tocadores flautas doce, destemodelo um tanto quanto moderno, oferecendo subseqüentemente instrumentos semelhantes feitosà mão, para o grande público. Logo aparecerão compradores para seus instrumentos incluindoJudith Masefield (a filha do poeta John Masefield), o caricaturista Edmund X. Kapp, e SenhorBernard Darwin (o filho de Charles Darwin) e George Bernard Shaw (Kelly 1990). A flauta docefigurou no primeiro Festival de Haslemere em 1925 (Hunt 1977). No segundo Festival deHaslemere em 1926, Dolmetsch apresentou um conjunto de soprano, contralto, tenor e baixo, comdesenho moderno (Cambell 1975), entretanto tais conjuntos poderiam ter sido comprados em 1905de Zimmermann em Viena. Uma cópia do fabricante de Munique, Gottlieb Gerlach (1909) de um contralto original doséculo XVIII de J.C. Denner, veio iluminar finalmente o caminho de Dolmetsch (Kirnbauer 1992),adiantando-o em dez anos. O instrumento feito por Gerlach era para uso da surpreendente Bandade Artistas de Bogenhausen (Bogenhausen Künstlerkapelle) que executava arranjos de Handel,Scarlatti, Gluck, Mozart e outros em flautas doce (por J.C. Denner, Jacob Denner, Bressan,Schuechbaur, Walch, Oberlender, Schell, e Anon.), e outros instrumentos originais de 1890, atéquando foi desfeita em 1939 (Moeck 1982). Teve inclusive um aparecimento em Londres em 1900.É concebível que Arnold Dolmetsch assistiu as últimas apresentações da Banda. Os Bogenhausers se tornaram parte estabelecida da cena musical em Munique, tocando pararecepções cívicas, festivais (inclusive o Munich Bach Festival de 1925) e difundindo suas músicasem rádio. Os arranjos tocados pelos Bogenhausers sobrevivem em manuscrito e incluem algumasmúsicas realmente muito exigentes (a parte de contralto em alguns exemplos envolvem passagensrápidas na terceira oitava), (Nikolaj Tarasov, pers. comm., 2000). Independentemente dos Dolmetsches ou dos Bogenhausers, Willibald Gurlitt (1889-1963)começou a usar flautas doce no seu Collegium Musicum em 1921 em Freiburg para o qual eletinha copias feitas por Walcker & Cia dos originais do renascimento de Kynseker . O musicólogoWerner Danckerts (1900-1970) também teve cópias feitas dos instrumentos de Kynseker atravésdo fabricante Nuremberg Georg Graessel em 1921. O flautista Gustav Scheck (1901-1984), umsócio de Gurlitt, começou tocando flautas doce originais em 1924, estabelecendo um alto padrãoartístico que foi continuado pelos seus alunos (Conrad, Delius, Fehr, Linde, etc). Peter Harlan (1898-1966) começou o que agora é chamado de “Movimento da Flauta DoceAlemão”, ajudado pelo espírito avançado do “Movimento da Juventude Alemã”. O meio escolhidopor Peter Harlan foi um instrumento do povo, descomplicado e satisfatório para avançar na causada sociedade pela eufórica experiência do que mais tarde foi chamado de DesenvolvimentoMusical, "Mussiche Bildung". Rejeitando a precisão histórica e o treinamento musical profissional,ele apoiou desde o início a flauta doce renascentista, mas, livremente se expressou para favoreceras suas próprias fantasias como um fabricante de instrumento. Nas suas próprias palavras Harlanquis um instrumento "cujo som não pode ser aumentado, não importa com que arte seja feito; decuja essência não pode ser alterada por qualquer virtuosismo". Ao contrário da convicção popular,Harlan nunca fez suas flautas doce (Moeck 1982). Depois da visita de Dolmetsch no Primeiro Festival de Haslemere em 1925, ele tinha uminstrumento feito por Kurt Jacob e continuou desenvolvendo o desenho ao longo das diretrizesindicadas por Harlan. A primeira flauta doce de Harlan disponível, um contralto em e, foi oferecidaà venda em 1926. No ano seguinte um quarteto de instrumentos foi oferecido em E e A comdigitação alemã e uma escala de uma e meia oitavas. Estes instrumentos tinham corpos largos egrandes, mas, faltavam modelos históricos exatos. O crescimento dramático da indústria deinstrumentos musicais Vogtland começada por Peter Harlan (1898-1966) para abastecer odenominado “Movimento de Flauta Doce Alemão (inspirado pelo “Movimento da Juventude Alemã”)
  6. 6. e seu associado programa Desenvolvimento Musical, "Musiche Bildung" resultaram em umaproliferação de fábricas produzindo flautas doce para as categorias mais simples. Entre estasfábricas estão: Adler, Gofferje, Heinrich, Herrnsdorf, Herwig, Moeck, Nagel e Mollenhauer (quetambém fez flautas doce marca Bärenreiter). No E.U.A. não havia nada em comparação com o “Movimento da Juventude Alemã”, reluzindode interesses em música folclórica e instrumentos antigos. A turnê do concerto anual de CarlDolmetsch (começado em 1936), com apresentações de conjuntos como a “Trapp Family Singers”,e o trabalho de artesãos como David Dushkin, William Koch e Friedrich von Huene, lideraram otrabalho de base para um movimento de flauta doce popular. Vale notar que entre os primeirospresidentes da “Sociedade de Flauta Doce Americana” (fundada em 1939) estava Erich Katz,assistente anterior de Wilibald Gurlitt em Freiburg (Haskell 1996). Theodor Adorno (1956) foi o incentivador do “Movimento de Flauta Doce Alemão” declarando "A pessoa só tem que ouvir o som do flauta doce- ao mesmo tempo insípido e infantil-e então o somda flauta verdadeira. A flauta doce é a morte mais assustadora da revivida e continuamenteagonizante, Pan". Agora, embora seja fácil para nós hoje condenar ou ridicularizar os esforços deHarlan (e até mesmo os dos Dolmetsches e seus círculos) eles devem ser vistos no contexto socialdo seu próprio tempo. É de nota que naquela ocasião, Ravizé tentou introduzir em escolas de Paris o pipeau, umflageolet de metal ou plástico de seis furos, como fez Van de Velde em Tours. Tubos de bambu foram introduzidos em escolas dos E.U.A. nos anos 1920 e depois nasescolas da Grã Bretanha, quando Hilda King, diretora de uma escola em Londres, começou aensinar seus alunos em 1926. O “Grêmio de Flautistas de Bambu”, fundado por Margaret Jamesem 1932 (com o seu presidente nenhum outro que não Vaughan Williams), foi patrocinado porLouise Hanson-Dyer na França (1884-1962, uma expatriada australiana e dona das Edições Lirade LOiseaux), onde ela pôde promover compositores como Auric, Ibert, Milhaud, Roussel,Poulenc, Arthur Benjamin da Austrália e Margaret Sutherland, para escrever para este meio. O“Grêmio de Flautistas de Bambu”, também teve o patrocínio de John Manifold, outro australiano(Hall 1978). Realmente, o “Grêmio de Flautistas da Grã Bretanha” ainda é ativo. Há exemplossemelhantes de patrocinadores achados na história de orquestras de cordas dedilhadas (bandolime violão), orquestras de acordeão e movimentos de bandas de metais, pelo mundo afora. Em 1934 Edgar Hunt afiançou com exclusividade uma agência da firma alemã Herwig para afabricação de flautas na Inglaterra que foi logo comprada por Maynard Rushworth de Liverpool,(Kenworthy 1963, Cace 1977). A fábrica Herwig fez flautas doce com digitação inglesa para omercado do Reino Unido, como também estava oferecendo uma linha mais barata com a marcaHamlin, trazendo assim a flauta doce para o alcance do público em geral. As primeiras flautas docede plástico (acetato celuloso) foram feitas na Inglaterra no início da Segunda Guerra Mundial porSchott & Co (Hunt 1977), e enviadas a prisioneiros de guerra alemão, particularmente aqueles daRAF, para ajudar nos anos de cativeiro enquanto esperavam (Loretto 1995). Dolmetsch nãocomeçou a produção de flautas doce de plástico (ie baquelita) até 1947. Rosa, Morris & Cia.(Londres) também era comerciante das Dulcet (flautas doce de plástico) antes de 1948 e pode tê-las fabricado bem antes. Poderia ser dito que a revivificação da flauta doce no início deste século, sua popularizaçãopelos amadores entre as guerras, e sua produção em massa subseqüente na Inglaterra eAlemanha para uso nas escolas, foi livremente baseada no estilo de flauta doce barroca e nomodelo renascentista. Porém, em realidade, nenhum modelo histórico particular foi seguido deperto por qualquer campanha. Hoje em dia, os desenhistas das fábricas de instrumentos para amadores e para uso emescolas, continuam produzindo flautas doce que têm um som um pouco mais suave que as flautas
  7. 7. originais do século XVIII nas quais elas são baseadas. No entanto, estas flautas doce neobarrocaspermanecem essencialmente instrumentos para solo e não são adequadas para serem tocadas emconjuntos. Como nós veremos, tais instrumentos demandam realmente uma técnica muitosofisticada quando tom e afinação devem ser aceitáveis para qualquer ouvinte. Tocadas porcrianças ou adulto amadores elas geralmente soam severas e discordantes. O estilo da flauta docemais apropriado para uso por crianças e amadores seguramente são os instrumentos dorenascimento, especificamente projetados para se juntar entre si. Embora reconstruções de taisflautas doce estejam disponíveis (veja abaixo), o custo delas as tira do alcance da maioria, comexceção de alguns tocadores privilegiados. Houve várias tentativas para re-projetar a flauta doce e estender sua capacidade de uso emum contexto contemporâneo. Porém, virtuosos têm, na sua maioria, preferido instrumentosprojetados após os modelos históricos (ie pré-clássico). No início do século XX inovações incluíram uma chave na flauta doce convencional para fecharo sino (pé da flauta onde ficam os últimos buracos) e facilitar a produção de certas notas altas (vejaDigitação da Flauta Doce). Uma chave de sino provavelmente foi feita pela primeira vez em 1953por John W.F. Juritz, professor de física e fagotista em Cape Town (Waitzman 1968) cuja invençãonão foi patenteada (Thomas 1987). Uma chave de sino projetada por Carl Dolmetsch em 1957, aprimeira usada por ele publicamente em 1958, envolvia e tampava o sino, abria-se e deixava umnovo buraco ao lado do pé que estava sendo coberto, era operada por uma chave pelo dedomindinho da mão direita. Esta chave montada ao lado efoi o assunto da Patente britânica #852165,de 8 de junho 1959, baseada em uma aplicação de 1958 (Madwick & Loretto 1996, Thomas 1998).Entretanto o texto da aplicação da patente também menciona a estratégia alternativa de fechar oufechar parcialmente o sino que se abre (Loretto 1999). Uma invenção de menor sucesso de CarlDolmetsch foi uma semelhante à chave fechada montada ao lado do sino e operada pelo dedomindinho da mão esquerda que tornou possível um f # . A patente foi concedida posteriormentetambém no dia 8 de junho 1959 (Thomas 1998). Depois uma chave que foi projetada porDolmetsch cobria o sino, abrindo-se por se mesma e que poderia ser operada pelo dedo mindinhoda mão direita ou, mais usualmente, pelo mindinho da mão esquerda. Em 1958 Edgar Huntconstruiu uma chave de sino experimental longa, operada pelo dedo mindinho da mão esquerda,como a chave longa do F do século XVIII e do oboé moderno (Hunt, 1961, Waitzman 1968). Odedo mindinho da mão esquerda comprimia uma alavanca para puxar um arame que passadoatravés da junta do pé do sino puxava uma chave contra o buraco. Também em 1958, WilliamKoch de Haverhill, New Hamphsire, E.U.A., estava usando uma chave de sino para obter notasadicionais na sua flauta doce baixo (Waitzman 1968, 1969). Em 1930 Carl Dolmetsch também introduziu o eco ou tecla de piano operada pelo queixo oupelo dedo mindinho da mão esquerda, que abria um pequeno buraco no bloco da flauta doce pormeio de um plunger e elevava a afinação do instrumento a um semitom, tornando possível tocarcom suavidade e com diminuta pressão do sopro, assim como, facilitando o tocar cromático. Estemétodo foi posteriormente abandonado em favor de um pequeno buraco adicional na paredelateral por trás da cabeça da flauta e oposto a abertura da janela. A modificação posterior tambémfoi patenteada em 1958 (Patente britânica #852135), entretanto ela deriva da chave de eco dealguns flageolets do século XVIII. Mais recentemente, Carmichael (1999) modificou o mecanismodo último dispositivo para ser ativado por um plunger operado pelo lábio mais baixo do tocador,para dar controle de volume e vibrato. Carl Dolmetsch também inventou o denominado “projetor de som” (Patente britânica #666602),um anexo moldado em roda de madeira que colocado junto da janela da flauta doce, servia paracaptar o som e projeta-lo adiante com intenção de dar para a flauta mais volume. O primeiroprojetor de som, usado publicamente por Carl Dolmetsch em 1949, foi substituído depois por ummodelo de plástico em dois tamanhos (um para sopranino e soprano, o outro para contralto etenor). Todas as anteriores licenças de inovações deixaram a flauta doce essencialmente
  8. 8. inalterada e ainda pode ser tocada como qualquer outra flauta doce até o tocador ter boa razãopara fazer uso dos projetores (veja Dolmetsch 1960; Dolmetsch 1996; Madgwick & Loretto 1997). Outra inovação de Dolmetsch foi a “flauta doce muda”, que consistia de uma dobra estreita depapel enganchada em cima do lábio da flauta. Foi primeiramente descrita por Carl Dolmetsch naparte 3 do “Livro da Flauta doce Escolar” (Dolmetsch, não datado). Tsukamoto (1975), construiu flautas doce com chaves de sinos montadas ao lado e que tinhamum pé alongado, elas obviamente fechavam o sino e abriam-se só. Uma flauta doce patrocinadapelo tocador americano Daniel Waitzman (1978) foi substancialmente re-projetada com uma chavede sino montada no pé e com um sistema de digitação dramaticamente diferente e sem sucesso. O piano ou chave de sussurro foi aplicada na flauta doce tenor harmônica descrita abaixo. Um exemplo da chamada “flauta doce de Klingson” com seis chaves feitas por“Hammerschmidt de Schönbach” pode ser vista na Coleção de Instrumentos Musicais de Bate.Nikolaj Tarasov (pers. comm, 2000) relata um contralto de sua posse com sete chaves. As flautasde Klingson foram feitas em SATB (Stela & Peñalver 1997: 20). Tarasov comenta que as flautas de Klingson foram feitas por Karl Hammerschmidt & Filhos emBurgau, Alemanha. Estas flautas foram inventadas por um músico (? Schönbach) que queiraexecutar o Concerto de Brandenburg de Bach sem os problemas habituais. Esta invençãofuncionou, e um exclusivo e pequeno grupo regional aprendeu a tocar as flautas de Klingson. Umainovação interessante é que a abertura do dedo polegar tem um tipo de chaminé de metal que seprojeta de dentro do corpo da flauta de forma que umidade nunca escorre no dedo polegar. Oprojeto da flauta Klingson foi abandonado por Hammerschmidt, provavelmente devido à resistênciapara o novo sistema de digitação empregado. A Chromette ou OrKon, inventada em 1943 (EUA patente #2330379) por Edward Verne Powell(1903-1986, filho de V.Q. Powell famoso fabricante de flauta de Nova Iorque), era essencialmenteuma flauta doce soprano modificada moldada em plástico provida com reforço de anéis de metal ecom simplificado sistema de chaves Boehm. Suas notas mais baixas poderiam ser tocadasruidosamente como também suavemente com pequena mudança e a escala cromática foi muitofacilitada pelas chaves. Embora fosse pretendida sua produção em massa para uso nas escolascomo um instrumento preparatório para potenciais tocadores de flauta, a aventura falhou (Huene1994). No fim da sua vida, o compositor Australiano/Americano Percy Grainger se interessou porinstrumentos musicais elétricos e mecânicos projetados para uso no contexto da denominada“musica livre”. Várias “máquinas de música livre” capazes de tocar sons contínuos foramdesenvolvidas com um colaborador dos EUA, Burnett Cross, e incluiu ambos instrumentoseletrônico e de sopro. Uma máquina de 1950 sobrevive no Museu de Grainger, Melbourne na qualum apito estilizado de cabeça de cisne e duas flautas doce são operadas por um rolo de papelperfurado com buracos e rachas cortadas à mão (Davis1984). Em 1958 Louis Stein (oboista principal da Ópera de Paris) exibiu a sua flüte damour naExposição de Bruxelas, um instrumento com as proporções da flauta doce tenor, mas provida domecanismo fundamental de um oboé moderno. A flüte damour foi feita em três modelos comchaves redondas para oboistas, com chaves côncavas para flautistas e com chaves de anel e umarranjo simplificado para amadores (Hunt 1977). No início dos anos 1970, Gyula Foky-Gruber em Viena desenvolveu o “Silberton”, uma flautadoce soprano feita de metal completamente banhada de níquel-bronze, e um contralto feito de pau-rosa com uma junta de metal na cabeça e duas chaves para o buraco de dedo mínimo. Ambas se
  9. 9. caracterizavam por um sistema de expressão ajustável pela alteração da posição do bloco e aaltura do windway. Ambas eram de corpo cilíndrico. Depois a firma alemã Hopf produziu os“Silberton” instrumentos que eles agora oferecem como flautas com “Sistema Gruber” produzidaspor Kobliczek nos modelos sopranino, soprano, e contralto. Hoje, Gruber está fabricandonovamente estas flautas e assinando como flautas feitas à mão em pequena série, e também emprata pura. Uma patente para uma flauta totalmente chaveada foi tirada em 1988 pelo saxofonista ArnfredStrathmann, de Memsdorf. A flauta de Strathmann era caracterizada pelas elaboradas chaves e adigitação de um saxofone. Com a ajuda da companhia Klein Kiel, uma série de flautas deStrathmann foi desenvolvida com muitas características modernas. O corpo é feito de madeira ouplástico durável, a altura do bloco é ajustável com um parafuso simples, e o buraco do polegar ésubstituído por uma chave que abre dois pequenos buracos no alto da cabeça e através dela seeleva de um registro baixo para uma oitava acima. O volume de som para todas as notas é maisforte que em flautas convencionais, e o timbre está entre o de uma flauta doce e uma flautatransversal. Foram feitas flautas de Strathmann modelos soprano e contralto (Huene 1994). Agoraque a companhia Klein faliu, Strathmann continua fazendo estes instrumentos sozinho, empequenas quantidades. A firma Mollenhauer recentemente incorporou uma flauta doce contralto projetada com umnovo bloco ajustável (ie um windway inclinado) patenteado separadamente por Strathmann em1994 (Patente européia #0431344). Mais recentemente, Strathmann patenteou (1996) um dispositivo no bloco, operado pelo lábiomais baixo que altera a afinação da flauta doce por até 5 centavos de tom. O dispositivo estábaseado no princípio da chave de semitom universal que já era usada em flautas doce nos anostrinta (Moeck 1997). O tocador e fabricante inglês de flauta doce, Robin Read (1966), levou a cabo váriasexperiências no início dos anos 1960 resultando em um conjunto de windway (canais de vento) emcedro colocados no lugar por uma tomada convencional, sendo o windway construído como umaunidade separada. Vantagens desta inovação incluem controle mais preciso das dimensões dowindway e melhor resistência a condensação (é de duas vezes a superfície normal do cedro). Comeste novo desenho o windway foi anexado com uma lingüeta separada que foi ajustada antes defixar no lugar, assim invertendo o procedimento normal do som. O fabricante Alec Loretto da Nova Zelândia projetou uma cabeça giratória com uma câmaraque contém uma seleção de windways como a câmara de um revolver de seis tiros. O mesmofabricante construiu flautas doce com uma abertura grande em vez de um windway na qualwindways pré-fabricados eram fixados. Todos tinham dimensões exteriores idênticos, mas cadaum continha seu próprio windway (canal de vento) aperfeiçoado para a afinação das notas tocadas(Madgwick & Loretto 1996: 41-42; Madgwick & Loretto 1997: 8). Ele também experimentou umlábio ajustado em um flauta doce contrabaixo em F que permite mudanças feitas através dadistância do lábio para o windway, da posição do lábio no soprador e do ângulo (Loretto 1970). O fabricante italiano Giacomo Andreola oferece flautas doce com um bico especialmenteconstruído (que ele diz ter copiado de uma idéia da flauta doce do fabricante Claude Monin) quepermite a pessoa mudar de windway quando for preciso, para variar a expressão do instrumentoou para superar problemas de condensação. Moeck anunciou recentemente a produção de um flauta doce moderna, projetada pelafabricante holandesa Adriana Breukink, com a intenção de ser comercializada como a flauta doce“Slide”. Este instrumento é semelhante a flauta doce de Ganassi, mas incorcorpora um bocal dedeslizamento especialmente projetado para a realização de dinâmica. No desenho de
  10. 10. Breukink/Moeck, as dimensões do windway são variadas à vontade por meio de um bloco operadopelo lábio mais baixo do tocador. Denis Thomas (1999) experimentou um desenho de chave improvisada para flautas docebaixos ajudando e melhorando a sonoridade e entonação no registro baixo e facilitando ahabilidade de tocar com as chaves de sustenidos. O resultado foi uma flauta com uma escalamaior. Um estudo de certas flautas doce alemães de antes da guerra com corpos longos e semhistoria e com a característica que soprando com força com o pé da flauta fechado ou na segundanota, produzia um verdadeiro jogo de harmônicos, atraiu à atenção de Nikolai Tarasov (tocador deflauta doce de Stuttgart), e levou o fabricante americano Friedrich von Huene a explorar o uso deuma (keywork) chave de trabalho adicional para fechar os buracos de tom mais distantes na partebaixa do instrumento e fora do alcance do dedo mindinho, estendendo assim para baixo a escala ecriando muitas possibilidades novas de digitação para notas mais altas. Um flauta doce tenor feitacom estas características tem uma escala de duas oitavas e um sexto de b para g #, igual a umoboé moderno. Mais recentemente, Tarasov colaborou com Maarten Helder para construir uma flauta docecom harmônicos afinada de tal modo tornar possível tocar notas baixas muito fortes e estáveis ecom uma qualidade de tom que iguala aos seus registros mais altos. Realmente a sua chamadaflauta doce “Tenor Harmônica” ostenta três oitavas de b-c, com 4 chaves e uma tecla de piano(som baixo) opcional. Ela também implementa um bloco ajustável patenteado por Strathmann,podendo ser ajustado por uma torção da mão, até mesmo durante uma pausa curta, permitindopara o tocador alterar a expressão para máxima qualidade de som ou efeitos especiais. A flauta contralto Harmônica, um instrumento companheiro para a flauta doce tenor Harmônica,com escala semelhante, mesmas características, e idêntico desempenho está agora disponível.Como seu antecessor este instrumento sem igual e radicalmente novo é um esforço decolaboração entre a flauta doce holandesa do fabricante Maarten Helder e a empresa ConradMollenhauer. Uma característica moderna deste instrumento é a inclusão de vários canais de vento(windways) substituíveis. Estes podem ser de materiais ou formas diferentes. E como a flauta docetenor Harmônica, a flauta contralto Harmônica inclui também um bloco ajustável, e uma chave detrabalho (keywork) sofisticada para os buracos de tom mais baixos. Tarasov também colaborou com Joachim Paetzold para criar a flauta contralto modernaPaetzold-Tarasov com uma escala de duas e meia oitavas completamente cromáticas de f parac. Ela foi desenvolvida mais adiante e foi refinada na oficina Mollenhauer. Este instrumento temuma qualidade de tom completa, ressonante, e uniforme ao longo de sua escala com projeção eresposta excelentes. É ideal para executar música de finais dos séculos XVIII e XIX, e contrastabem com pianos históricos ou modernos. Pode ser ouvida no CD de Tarasov, “The Modern AltoRecorder”. É curioso notar o que revela o trabalho dos fabricantes de flautas doce alemães dos anos 1920e 1930. Eles serviram de fato como trampolim para o que se pode dizer, o mais significantedesenvolvimento da flauta doce na história, desde o século XVII! Adler-Heinrich começou recentemente a produção de uma gama de Trichterflöten ou flautadoce de sino. Foram desenvolvidas flautas doce de sino durante os últimos 25 anos por KlausGrunwald, pintor e professor de arte que mora em Cologne, em grande parte para o seu própriouso. Ele procurou por uma flauta doce sem chaves que se projetasse bem em grandes recintosfechados e as manteve como instrumentos modernos. Trabalhando em grande parte comferramentas simples como limas, raspas, brocas e ferramentas de ar quente, Grunwald fez uns 80protótipos que variam do sopranino a grande baixo, de todo tipo concebível, e em vários materiais.As flautas doce de Grunwald eram semelhantes às flautas doce do renascimento, com um longo e
  11. 11. largo corpo cilíndrico, um perfil externo simples, e grandes buracos de tom. A diferença crucial eraa incorporação de um grande e resplandecente sino exponencial, (de madeira ou metal)semelhante ao de um clarinete. Outra característica era um buraco de dedo (fingerhole) elevadopara o dedo mais baixo, acrescentado por razões ergonômicas. Grunwald foi solicitado através deordens de compra para seus instrumentos únicos, mas, realmente não teve nenhum desejo paraos reproduzir para a venda comercial. Eventualmente, um contrato foi assinado o que permitiuAdler-Heinrich produzir instrumentos com desenhos de Grunwald sob sua supervisão. As novas flautas doce de sino Adler-Heinrich Grunwald são sem igual, não só por causa dosseus sinos grandes, chamejados. Seus windways, corpos, e outras características também diferemradicalmente de desenhos tradicionais. É dito que estes instrumentos produzem um somextremamente cheio e sólido do começo ao fim da escala, e oferece uma larga variedade dedigitações alternativas que permitem variações dinâmicas. Uma gama muito mais larga depressões de respiração pode ser usada que em instrumentos tradicionais, e uma variedade notávelde articulações também é possível, enquanto lhes permite competir prosperamente cominstrumentos modernos altos como piano, saxofone, ou metais. Atualmente estão disponíveis osmodelos soprano e contralto, mas há planos de produzir todos os tamanhos do sopranino a grandebaixo em varias madeiras (Verde 1996). Joachim Paetzold experimentou uma flauta doce de grande perfil quadrado construída com oprincípio de um órgão de tubo em madeira compensada que foi patenteada e fartamentedesenvolvida por Herbert Paetzold em 1975. O resultado foi uma gama de instrumentos que sãosignificativamente mais baratos de construir que os convencionais. O tom é impressionantementeforte no registro mais baixo e toca mais de duas oitavas facilmente. Joachim Paetzold foiantecedido pelo fabricante de Nova Zelândia Alec Loretto que em 1967 construiu um protótipo deflauta doce baixo com perfil quadrado, vista numa ilustração que foi publicada em 1970 (Madgwick& Loretto 1996: 40; Madgwick & Loretto 1997: 7), entretanto faltaram as características pontasfundamentais do instrumento de Paetzold. Mas talvez flautas doce de perfil quadrado não sejamuma invenção recente: um manuscrito anônimo do século XV (F Lm 391, f. 28) descreve umhomem com um chapéu côco que toca uma flauta de tubo que é decididamente quadrada numcorte transversal (repr. Boragno 1998: 12) Fajardo (1970) descreveu o ajustamento de uma flauta doce contralto com um microfone euma unidade de reverberação, mas esta inovação por muito tempo permaneceu um caso isolado.Mais recentemente, o fabricante francês de flauta doce Philippe Bolton desenvolveu uma flautadoce eletroacústica para música contemporânea, jazz etc. (patente pendente) que pode seramplificada, ou tocada sem amplificação. Há um buraco no lado e ao topo da junta da cabeça naqual um microfone pode ser atarraxado. Ele pode ser conectado a um sistema de alto falantes,dando para o músico a possibilidade de ter um instrumento mais alto para tocar em condiçõesdifíceis, ou em conjunto com instrumentos altos (de jazz, por exemplo), sem ter que ficar algunscentímetros rebitando na frente de um microfone externo. A flauta doce eletroacústica tambémpode ser conectada a um processador de efeitos, dando uma paleta de sons mais ampla para usoem música contemporânea, ou qualquer outro contexto no qual tal efeito pode ser útil. Paraliberdade completa de movimento um sistema sem fios substitui o cabo tradicional que conduz aoamplificador. Quando nenhuma amplificação é requerida uma tomada especial pode ser atarraxadano instrumento em vez do microfone, convertendo-a em um flauta doce normal. O fabricante de flauta doce japonês Yukio Yamada, fez um dispositivo eletrônico paratransportar a flauta doce duas ou três oitavas sobre o tom que você toca (Brüggen em Epstein1988: 8). Note que esta facilidade está disponível na flauta doce eletroacústica de Bolton ligada aum processador de efeitos ou dispositivo MIDI. Semelhantemente, o americano Michael Barker que ensina no Conservatório Real em TheHague desenvolveu um sistema unindo uma flauta doce contrabaixo em F Paetzold com doissintetizadores controlados por computador. Este sistema nos termos de Barker, um Sistema MIDI
  12. 12. de desempenho interativo, ou “midified blockflute”, permite misturar sons reais e sintetizadosenquanto ele toca. A única flauta doce puramente eletrônica, como tal é feita através das fábricas InnovationsFm7 ou Suzuki. O MIDIWIND MW-1 da Fm7 é descrito como um modelo de flauta doceespecificamente projetado para o mercado do ensino elementar. O controlador é classificadosegundo o tamanho para trabalhar bem, tanto com mãos de crianças como de adulto. A unidade éescrava de um módulo de som (chamado “Play Station”) provida de uma saída de sons MIDIembutidos. A Play Station pode aceitar simultaneamente até quatro controladores de MIDIWIND efoi desenhada para uso em laboratório de música de sala de aula. O Suzuki SRW-100 RecorderWind Controller é um dispositivo eletrônico para uso com instrumentos MIDI. Usa digitaçãostandard de flauta doce, é equipado com buracos de dedo sensíveis à pressão, e requer controlede respiração tradicional. Outros Instrumentos de Sopro Eletrônicos (EWI) são feitos por Akai, Casio, SSSounds, eYamaha, entre outros. Eles são todos controlados pela respiração e vários equipados com buracossensíveis à pressão, chaves ou blocos. Eles podem ser programados para produzir o som dequase qualquer instrumento, inclusive a flauta doce. Eles são capazes de fazer o glissando, oportamento, os acordes, “ataque de timbre” (um tipo de chorusing) e outros efeitos. Alguns podemser programados para tocar com as digitações de vários instrumentos acústicos. O primeiro EWI foidenominado de “Steinerphone” desenvolvido do Instrumento de Válvula Eletrônico (EVI outrompete eletrônico) protótipo de Nyle Steiner (Black 1997 Cole 1999). Steiner vendeu os seusprotótipos depois a Akai que continuou o seu desenvolvimento. Outro antigos EWIs incluem oLyricon da Computone Inc. (1972) e seus derivados, culminando nos sintetizadores Yamaha desopro. EWIs foram projetados para serem usados com um sintetizador. Atualmente os EWIsdisponíveis incluem o Akai EWI 3020; Casio série DH; Inovações como o Midiwind MW-1 da Fm7,SSSound Sting EW1; Suzuki Wind Controller SRW-100; YAMAHA WX5. O Yamaha EW30WindJammr foi uma versão agora encerrada do WX11 com o chip do próprio módulo de somWT11 da Yamaha (Rees 1995). Vários fabricantes modificaram a flauta doce para fazê-la mais satisfatória para crianças. AssimJoachim Kunath, projetou flautas doce pentatônicas de 5 e de 7 tons, flautas doce diatônica eflautas doce soprano especiais para uso nas escolas Waldorf (Steiner). Semelhantemente, “ChoroiInstruments Diatonic”, fez as flautas doce pentatônicas e a denominada “flauta de intervalo” comduas notas em um só buraco. Moeck recentemente lançou uma flauta doce pentatônica, a “FlautoPenta”. A Suzuki Precorder PRE-1 é um flauta doce de plástico de duas peças com buracoselevados para uso na pré-escola. E o Teclado Suzuki Flauta Doce ANDES-25 é uma flauta doceoperada por um teclado estilo Melodion. O plástico foi usado para produção de flautas doce feita à mão como também para a produçãode modelos. Loretto (1993) relaciona um conto apócrifo ao feito pelos pioneiros da revivificação daflauta doce alemã. Ferdinand Conrad teve sucesso em convencer Martin Skowroneck para fazerum plástico instrumental para ele. Skowroneck, ansioso que tal flauta doce não fosse tocada empúblico, fez o plástico de um violento colorido azul, uma característica que seria considerada umavirtude pelos tocadores de hoje! Realmente flautas doce de cor são feitas hoje pela firmaMollenhauer. Flautas doce sem cor em plexiglass são feitas por Thomas Boehm, Pietro Sopranzi, eTwaalfhoven. Marco Piga fez flautas doce de cerâmica depois de Stanesby. Um empreendedorfabricante amador, Joseph Wiesniewski, está experimentando atualmente com vidro. Vários fabricantes fazem a flauta doce de materiais compostos. Mollenhauer faz a “flauta docePrima” com uma cabeça de plástico e um corpo de madeira que encontrou aceitação entre ostocadores interessados por música popular, ver Jean-François Rousson (França), Evelyn Nallen(Reino Unido). Um modelo similar é oferecido por Moeck como o modelo “Flauto I Plus”. Hohner
  13. 13. comercializa o modelo “Melodia” com uma cabeça de plástico e um corpo de madeira (pearwood).Uma inovação surpreendente da Hohner é uma flauta doce com corpo e cabeça de madeira e complástico inserido na parte superior que forma o windway e a extremidade cortante do lábio. Vários fabricantes tentaram achar uma solução para o problema perene de condensação naestreita janela (windway) da flauta doce. Uma aplicação patenteada de 1962 ( E.U.A. Patente#3178986, Patente #1235122 alemã) foi feita por Hermann Moeck que mostra que o windwaydeveria ser fabricado no todo ou em parte por materiais absorventes e estáveis. A patente finalregistrada em 1974 ( E.U.A. Patente #3988956, Patente #2432423 alemã) usava um desenhodiferente no qual um absorvente artificial muito estável, como giz, foi inserido no chão de um blocode madeira normal. Porém, o material cerâmico do qual o suplemento absorvente foi feito corroeupor causa do coquetel de comida e a presença de álcool da respiração de tocadores de flautadoce, conquanto necessitando consertos caros. Vários fabricantes experimentaram um sistema decanais colocados longitudinalmente no windway para facilitar a saída do fluxo de salivacondensada para longe desta área sensível (Stephenson 1987). A idéia posterior, inspirada porcertas flautas doce de Markneukirchen feitas no início do século XX, foi implementada em flautasdoce de plástico soprano e contralto projetadas por Hohner para uso escolar. Alguns fabricantes experimentaram flautas doce de tamanho extremo. Num extremo está aflauta doce sub-contrabaixo, num outro a flauta doce “piccolino” em f de Twaalfhoven (uma oitavaacima do sopranino). Elas provavelmente serão para sempre a maior e menor flauta doce. Parafazer tocar a piccolino, intercalam-se os dedos de ambas as mãos. A flauta doce é um instrumento de sopro direto, onde o som é produzido por um bocalcontendo um apito, e um tubo cônico ou cilíndrico contendo diversos furos. A origem desteinstrumento está nos antigos instrumentos folclóricos que ainda podem ser encontrados emdiversas partes da Europa hoje, como o Czakan na Hungria (6 furos) ou a flauta dupla da antigaIugoslávia. Muitos destes instrumentos eram feitos de tubos de bambú ou cana naturais, enquantoa flauta doce era um instrumento torneado em madeira. A história da flauta doce está ligada à origem do seu nome em inglês: RECORDER, que vemdo latim RECORDARI que significa lembrar, recordar, trazer à memória. Em italiano a palavraRICORDO também significa lembrança, memento; e daí, talvez a primeira referência à flauta docenum livro de contas do Rei Henrique IV em 1388 por pagar uma "fístula nomine ricordo" (uma flautachamada ricordo). Por não termos instrumentos desta época que tenham chegado aos nossosdias, as nossas fontes de informação são as gravuras em madeira ou pedra, desenhos emmanuscritos e referências ao instrumento na literatura antiga, como por exemplo no romance"Squyr of Lowe Degre" (c. 1400), onde aparece como "dulcet pipes", provavelmente o nome daflauta doce no séc. XIV e também provavelmente do frances flûte douce. O inventário do ReiHenrique VIII (1547), mostra-nos que ele possuía diversos instrumentos em seus palácios, entreeles 72 flautas transversais e 76 flautas doces, a maioria, conjuntos em caixas, que incluía porexemplo uma grande baixo de madeira e várias flautas de marfim. No séc. XVI temos a publicação de 4 importantes livros sobre instrumentos antigos naAlemanha, Suiça, Itália e França seguida de 2 outros livros no começo do séc. XVII:
  14. 14. 1. Sebastian VIRDUNG(c.1465-?): Musicagetutscht und ausgerogen(Strasburg e Basel , 1511).Dizia que as flautas doceseram geralmente feitas em3 tamanhos: "diskant" emsol, tenor em do e baixoem fa. 2. Martius AGRICOLA (1486-1556): Musica instrumentalis deudsch (Wittenberg, 1528 e 1545). Mostrava 4 diferentes flautas: diskantus, altus, tenor e bassus.
  15. 15. 3. Sylvestro GANASSI delFontego (1492-?) : Fontegara,la quale insegna di sonare diflauto (Veneza, 1535). Foi oprimeiro livro de instruções paraflauta doce. Nessa época oinstrumento não tinhafabricação em série e eleadverte seu leitor para aspossíveis modificações dededilhados, principalmente nasnotas agudas. Ele também tratade respiração, articulação edivisions (variações decomplexidade crescentes parao intérprete executar). 4. Philibert JAMBE DE FER (1515-1566) : Epitome musical des tons, sons et accordz, es voixhumaines, fleustes dAlleman, fleustes a neuf trous, viole e violons (Lyons, 1556). Trata além damúsica em geral e da voz, da "fleutte dAlleman ou des fleuttes a neuf trouz appellies par lesitaliens flauto". Primeiramente ele fala sobre as diferenças da flauta doce e transversal, da pressãorespiratória exigida pela flauta doce, dedilhados. Sobre a flauta de 9 furos uma tapeçaria da épocanos mostra exemplos tocadas por canhotos. Esta flauta podia ser tocada por canhotos e destroscobrindo- se o furo não utilizado com cêra.
  16. 16. 5. Michael PRAETORIUS(c.1571-1.621): Syntagmamusicum (Wittenberg, 1615-19). Já nos mostra uma famíliade flautas doces bem maior,começando pela grande baixoem fá, baixo em si bemol,basset em fá, tenor em do, altoem sol, diskants em do e ré,exilent em sol e até a garklein.
  17. 17. 6. Marin MERSENNE (1588-1648): HarmonieUniverselle (Paris, 1636). Divide as flautas em 2grupos: o pequeno conjunto (4 pés) compostopor um dessus (alto em fá), taille e hautcontre(tenores em do) e basse (basset em fá); e ogrande conjunto (8 pés) composto por umabasset, 2 basses (si bemol) e 1 double bass (emfá). Geralmente a música escrita para conjuntos instrumentais nessa época não especificava queinstrumentos deveriam ser utilizados. Algumas excessões como Pierre Attaingnant (1494-1551/2)em 1533 indicava quais canções a 4 poderiam ser tocadas com flautas doces ou não. TielmanSusato (c.1500-c.1561/4) em 1551 e Anthony Holborne (c.1584-1602) em 1599 escreveram umasérie de danças para instrumentos de cordas ou sopros. No final do séc. XVI e começo do séc. XVII, a flauta doce já vinha especificada nas partiturascomo por exemplo "consort lessons" de Thomas Morley (1557-1602) em 1599, uma "sonada a 3fiauti et organo" com baixo contínuo (c.1620), uma "sonatella a 5 flauti et organo"de Antonio Bertali(1605-1669) e uma "sonata a 7 flauti" de J. H. Schmelzer (1623-1680). No livro de Mersenne temosuma pequena gavote para 4 flautas doces de Sieur Henry le Jeune, que ele cita como exemplo deescrita para o instrumento. Já H. I. F. Biber (1644-1704) escreveu uma "sonata pro tabula a 10"para 5 flautas doces e 5 cordas com Baixo contínuo. Na Holanda temos a publicação de "der fluyten lust-hof" em 1646 de Jacob van Eyck (c.1590-1657). A obra contém aproximadamente 150 peças, na maioria melodias conhecidas comvariações, algumas para 2 flautas, além de uma parte de instrução onde ele mostra uma flautadoce em do e uma transversal em sol. Ele era um hábil organista e flautista, cego, e além dediretor do carrilhão de Utrecht, ele recebia 20 florins extra para entreter com a sua flauta aspessoas que passavam pelo pátio da igreja. Enquanto a música renascentista tinha uma tradição vocal, a barroca caminhava para um estiloverdadeiramente instrumental. Uma peça para quarteto vocal podia ser facilmente transcrita paraquarteto de flautas doces pela extensão da flauta renascentista de uma oitava e uma sexta,
  18. 18. suficiente para um madrigal vocal por exemplo, mas insuficiente para a música solo do barroco. Com isso, a flauta doce precisou de uma série de modificações na construção para aumentar sua extensão e refinar seu timbre. Foi o que fez a família Hotteterre na segunda metade do séc. XVII no interior da França. Era uma família de músicos e construtores de instrumentos especializada em instrumentos de sopro. Eles criaram o pé da flauta doce, permitindo assim utilizar pedaços menores de madeira e brocas menores e mais precisas. Essas mudanças levaram a padronização da construção do instrumento. O mais ilustre membro da família foi Jacques Hotteterre le Romain (c.1680-c.1760). Em 1707 ele publicou o famoso "Principes de la flûte traversiere ou flûte dAllemagne, de la flûte à bec ou flûte douce, et du hautbois", onde ele começa falando da flauta transversal, posição, embocadura, dedilhados e dedilhados para trinados e flattements (espécie de vibrato de dedo), golpes de língua e ornamentação. Depois ele fala da flauta doce onde ele aborda os mesmos tópicos e adapta alguns ornamentos já tratados anteriormente. Podemos ver também na gravura dolivro furos duplos no 6º e 7º dedos para facilitar a emissão do sol # e fá # respectivamente. Eleescreveu também "Lart de préluder sur la flûte traversiere, sur la flûte à bec, sur le hautbois etautres instruments de dessus" em 1719, além de composições para esses instrumentos. Nestelivro, ele escreve prelúdios em várias tonalidades, tratados ou estudos, além de falar sobremodulações, cadências maiores e menores, transposição, valores de tempo e finalmente 2prelúdios com baixo contínuo. Nele encontramos também a clave do violino frances, ou seja, sol na1ª linha, o qual poderia ser tocado tanto na flauta transversal como na doce. Dentre os compositores daquela época na França Joseph Bodin de Boismortier (1691-1755) sedestaca com vários duetos e trio sonatas. Também temos algumas peças de Michel de La Barre(c.1675-1743/4), Marin Marais (1656-1728) e François Couperin (1668-1733). Na Inglaterra, Henry Purcell (1659-1695) escreveu algumas partes para flautas contraltos(sempre em pares) em seu trabalho dramático, e algumas peças para 2 e 3 flautas com Baixocontínuo. Dentre seus contemporâneos que escreveram para flauta doce estão seu irmão DanielPurcell (c.1660-1717),Godfrey Finger (c.1660-c.1723), John Banister (1630-1679) e James Paisible(?,1721). Daniel Purcell escreveu algumas sonatas solo, alguns duetos para flauta contralto e umtrio sonata para flauta doce, oboé e baixo contínuo. Paisible, que foi diretor da "Kings Band ofMusic" de 1714 a 1719, provavelmente foi o introdutor da nova flauta doce francesa na Inglaterra.Sem dúvida ele encorajou seu amigo Peter (Pierre) Bressan a se instalar em Londres comoconstrutor de instrumentos especializado em flauta doce e transversais. Ele compôs 6 duetos para2 flautas contraltos, sendo que alguns deles também aparecem com uma nova versão para 2contraltos com Baixo contínuo. Alguns livros de lições para flauta doce começaram a surgir na Inglaterra. Entre eles podemoscitar:
  19. 19. 1679 - A Vade Mecum for the Lovers of Musick, Shewing the Excellency of the Recorder - John Hudgebut 1681 - The Most Pleasant Companion - John Banister 1683 - The Genteel Companion - Humphry Salter 1684 - The Delightful Companion - John Carr O livro de Hudgebut nos traz um prefácio sobre a rivalidade entre a flauta doce e o flageolet,que era um instrumento parecido com a flauta doce, e que tinha um bico no bocal que continhauma esponja para absorver a umidade do sopro. Todos esses "Companions" nos traziaminstruções para flauta contralto em fá o que a levou a ser um instrumento muito popular e o maisutilizado da família das flautas doces. O período que compreende o final do séc. XVII e o começo do séc. XVIII é o período em que aflauta doce atinge o seu apogeu. Muitos compositores escreviam para o instrumento e muitosconstrutores se especializavam na sua fabricaçào. Nessa época Jean Baptiste Loeillet of Ghent(1680-1730) se instala em Londres como flautista doce e oboísta, além de introduzir a flautagermânica (transversal de tubo cônico com 1 chave) na Ingalterra. Ele fazia parte de uma famíliade músicos e compositores da cidade de Ghent, atual Bélgica, e além de escrever diversassonatas e trio sonatas com oboé e contínuo, liderou uma série de compositores que escreverampara flauta doce, vindos da Itália e Alemanha para a Inglaterra. Nesta época temos também osurgimento de outras flautas doces, com por exemplo a flauta de voz ou flûte de voix, que épraticamente uma contralto em ré; a sexta flauta (uma oitava acima da flauta de voz) , além daquarta flauta (soprano em si b); e que foram utilizadas em várias peças de câmera. Dentre oscompositores podemos citar: • Robert Valentine (c.1680-c.1735) compôs uma série de sonatas e trio sonatas para flautas doces e contínuo. • Johann Christian Schickhardt (c.1682-c.1762) compôs sonatas tanto para a nova flauta traverso como para flauta doce e contínuo. Uma série de 24 sonatas nas 12 tonalidades maiores e menores, e um conjunto de sonatas para 4 contraltos e contínuo. • Robert Woodcock (?,c.1734) escreveu 6 concertos para 6ª flauta, 3 solos e 3 concertos para duas 6ª flautas. • John Baston ( 1711-1733) escreveu peças para 6ª flauta e flauta soprano • William Babell (c.1690-1723) escreveu tanto para 6ª flauta solo, como para duas 6ª flauta. • Charles Dieupart (c. 1700-1740) nasceu na França e viveu na Inglaterra compôs 6 suítes para flauta doce. As 4 primeiras para flauta de voz e as duas últimas para 4ª flauta. Em 1706 temos a edição do "The Division Flute, uma coleção de divisions sobre grounds(baixos) populares.
  20. 20. Em 1730 temos a publicação do "TheModern Recorder Master", um compêndio deinstruções para vários instrumentos, entre eles aflauta doce e a flauta germânica em igualtratamento. • Johann Christoph Pepusch (1667-1752) escreveu 2 sets de 6 sonatas solo para flauta doce, alguns duetos, trio sonatas, um quinteto com 2 flautas contralto, 2 violinos e contínuo e uma cantata com soprano, flauta contralto e contínuo. Na Alemanha temos: • Johann David Heinichen (1683-1729) que escreveu um concerto para 4 flautas contralto, cordas e contínuo com uma disposiçào não comum para 1 flauta concertato e 3 flautas ripieni, além de um concerto para flauta doce, 2 violinos e contínuo. • Johann Christoph Graupner (1683-1760) escreveu um concerto para flauta doce e cordas, além de alguns trios. • Johann Mattheson (1684-1764) escreveu 12 sonatas a 2 e 3 flautas sem baixo • Johann Christoph Pez (1664-1716) escreveu um Concerto Pastorale para 2 flautas contralto, cordas e contínuo, peças para flautas doces com 2 e 3 violas damore, viola e contínuo, além de trios para 2 flautas contralto e contínuo. • Johann Joachim Quantz (1697-1773) escreveu o "Versuch einer Anweisung die Flûte Traversière zu spielen" em 1752. Ele era professor de flauta de Frederick, o grande, e compositor da corte em Potsdam. Em seu livro ele ignora a flauta doce, mas trata de ornamentação, articulação e problemas relativos à didática da música. Ele escreveu um trio sonata para flauta , traverso e contínuo; um para flauta doce, violino e contínuo; e um para flauta doce, viola damore e contínuo. • Johann Friedrich Fasch (1688-1758) escreveu um quarteto para 2 flautas doces, 1 traverso e contínuo, além de uma sonata canônica a 3 ( flauta doce, fagote e cembalo). Na Itália temos: • Francesco Barsanti (1690-1772) escreveu várias sonatas para flauta doce e contínuo.
  21. 21. • Giovanni Battista Bononcini (1670-1747) escreveu um divertimento de câmera para flauta doce e contínuo, além de alguns trio sonatas. • Giuseppe Sammartini (1695-1750) escreveu 12 trio sonatas para 2 flautas contralto e contínuo, além de 1 concerto para flauta doce e cordas. • Benedetto Marcello (1686-1739) e Francesco Maria Veracini (1690-1768) escreveram sonatas para flauta doce e contínuo. • Alessandro Scarlatti (1659-1725) escreveu uma sonata para 3 flautas contralto e contínuo, além de algumas peças para flautas doces com outros instrumentos solistas e cordas. • Antonio Vivaldi (1678-1741) escreveu um trio famoso para flauta doce, oboé e contínuo; alguns concertos originais para flauta doce e orquestra, como por exemplo o opus 10 (6 concertos) e que o próprio Vivaldi publicou como sendo para traverso quando esta se tornou muito mais popular. Quanto ao repertório para flauta doce composto pelos 3 grandes mestres do barroco temos: Johann Sebastian Bach (1685-1750) não escreveu sonatas para flauta doce solo, mas usou-afrequentemente em sua orquestra. Suas partes para flauta doce eram geralmente escritas na clavede violino frances (sol na 1ª) sob o nome de flauto. Entre elas temos: • Concertos de Brandemburgo nº 2 e 4 • Cantata 71 - Gott ist mein König (1708) • Cantata 106 - Actus Tragicus - Gottes Zeit (c.1711) • Cantata 142 de Natal - Uns ist ein Kind geboren (2 flautas) • Cantata 18 - Gleichwie regen und Schnee (1714) (4ª flauta) • Cantata 182 - Himmelskönig, sei willkommen (1714/15) • Cantata 161 - Komm, du süsse Todesstunde (1715) • Cantata 152 - Tritt auf die Glaubensbahn (1715) • Cantata secular - Was mir behagt, ist nur die muntre Jagd - Ária Schafe Können sicher weiden (1716) • Cantata 189 - Meine Seele rühmt und preist (1715/18) • Cantata 119 - Preise Jerusalem den Herrn (1723) • Cantata 65 - Sie Werden aus Saba alle kommen (1724) • Cantata 81 - Jesus schläft, was soll ich hoffen (1724) • Cantata 46 Schauet doch und sehet (1727) • Paixão São Mateus - Recitativo e Chorus 25 (1729) • Cantata 25 - Es ist nicht gesundes (1731/32) • Cantata 175 - Er rufet seinen schafen (1735) • Oratório de Páscoa - Ária do tenor • Cantata 39 - Brich dem Hungrigen dein Brot (c.1740) • Cantata 13 - Meine Seufzer, meine tränen (1740) • Cantata 180 - Schnücke dich, o liebe seele (1740/44) • Cantata 122 - Das neugeborne kindelein (1740/44) • Cantata127 - Herr Jesu Christ, wahrr meusch und Gott (1740/44) Todas para flauta contralto com a possível excessão da nº 18, além de 2 outras para flautasmais agudas: • Cantata 103 - Ihr werdfet weinen und heulen (1735) talvez 6ª flauta • Cantata 96 - Herr Christ, der einge Gottes Sohn (1740) sopraninoGeorg Phillip Telemann (1681-1767) publicou o chamado "Der getreue Musikmeister" contendopeças para diversos instrumentos: sonatas, duos, trios, etc. Dentre suas obras podemos citar:
  22. 22. • Diversos duetos • 4 sonatas para flauta contralto e contínuo • 2 sonatas do "Essercizii Musici" • Trio sonatas com violino, oboé viola alto, viola baixo e contínuo • Quartetos (1 para flauta doce, 2 traversos e contínuo) • 1 suite e 1 concerto para flauta doce e cordas • 1 concerto para 2 flautas doces e cordas Ele também utilizou a mesma clave de Bach e com isso muitos duetos e outras obras podiamser tocados tanto na traverso como na flauta doce. George Frederich Handel (1685-1759) escreveu 12 sonatas op. 1 para flauta doce, traverso,oboé ou violino com contínuo. Quatro delas originais para flauta doce, além de algumas partes nacantata "nel dolce delloblio". Na obra Actis e Galatea a flauta sopranino imita pássaros. Alémdestas, alguns trio sonatas. Neste mesmo período temos também muitos construtores de instrumentos que se destacarame alguns de seus instrumentos sobreviveram até os dias de hoje e se encontram em grandesmuseus. Dentre os principais temos: • Inglaterra: Peter (Pierre) Bressan, Thomas Stanesby (c.1668-1734) e Thomas Stanesby Jr. (1692-1754) • Alemanha: Johann Christopher Denner (1655-1707), Heitz, F. Kynsker e J. W. Oberlaender (c.1760) • França: Familia Hotteterre, I. Scherer (c.1764) e Rippert (c.1701) • Holanda: Richard Haka (?-c.1709), Jan de Jager (?-c.1694), Jan Jurriaens van Heerde (1670-1691), W. Beukers (c.1704) e Jan Steenbergen (1675-1728) • Bélgica: Jean Hyacinthe Rottenburgh of Brussels e T. Boekhout Com o nascimento da orquestra clássica, os compositores procuravam instrumentos commaiores recursos dinâmicos. Assim, começa o declínio da flauta doce perante a flauta traverso quejá por volta de 1750 praticamente desaparecia do repertório de qualquer compositor. Durante um século e meio a flauta doce constou somente na história dos instrumentosmusicais. Por volta do final do séc. XIX, alguns músicos, através de suas pesquisas em músicaantiga e instrumentos, voltaram a ter contato com a família das flautas doces. Alguns chegaram aestudar o instrumento através da literatura existente nos museus, como por exemplo CristopherWelch (1832-1915) e Canon Francis Galpin. Welch, após estudar a literatura, publicou suaspesquisas em "Six Lectures on the Recorder"(1911) . Galpin estudou os instrumentos e ensinousua família a tocá-los. Mas foi um ingles chamado Arnold Dolmetsch (1858-1940) que concluiu que a flauta docesomente renasceria se a sua construção recebesse igual tratamento. Como resultado de muitapesquisa ele conseguiu construir um quarteto de flautas doces e tocá-las com sua família numconcerto histórico no Festival Haslemere em 1926. Seu filho Carl se tornou um virtuoso noinstrumento e elevou-o a um nível de alta interpretação. Essas flautas foram copiadas e produzidasem série na Alemanha, onde se tornaram muito populares. Algumas modificações foram feitas esurgiu o chamado dedilhado germânico, que facilitava o dedilhado de algumas notas, mas,infelizmente, dificultava o de várias outras. Em 1935 Edgar Hunt introduzia o ensino de flauta doce nas escolas primárias inglesas, e em1937 foi fundada a "Society of Recorder Player". Aos poucos a flauta doce ressurgia e oscompositores começaram a escrever para o instrumento. Com o aumento do número de grandesintérpretes a flauta doce se tornou um instrumento de pesquisa sonora e técnicas alternativas deexecução.
  23. 23. Na Alemanha temos o Prof. Gustav Schenk e seus pupilos Hans Conrad Fehr (que tambémera construtor) e Hans Martin Linde (Suiça) que além de flautista era compositor e professor. Na Holanda temos Johannes Collette , Kees Otten, Frans Brüggen, Jeanette van Wingerden,Walter van Hauwe, Kees Boeke, Ricardo Kanji e Baldrick Deerenburg como professores e flautistasde destaque. Brüggen (aluno de Otten), além de flautista, professor e musicologista, colaboroucom o construtor de instrumentos Hans Coolsma, de Utrecht na produção de flautas doces de altaqualidade de 1962 em diante. Junto com o cravista Gustav Leonhardt começaram a dar concertose gravar discos de altíssimo nível, além de liderarem a corrente da autenticidade em instrumentose interpretação. Encorajou vários compositores da avant garde como Luciano Berio ou MakotoShinohara a escreverem para flauta doce e executava suas peças em seus recitais. Toda essacorrente de autenticidade estendeu-se a outros construtores que passaram a construir flautas apartir de originais Bressan, Denner, etc. Dentre eles destacam-se Martin Skovroneck na Alemanha,Friedrich von Heune nos Estados Unidos e Fred Morgan na Austrália. Von Heune por sua vezdesenhou a série Rottenburgh para produção em série da fábrica Moeck na Alemanha a partir daoriginal do Museu de Bruxelas. A técnica atual utiliza uma ampla notação da avant garde, como por exemplo o uso defluttertongueing (frulato), vibrato, dedilhados alternativos, formação de acordes de harmônicos,glissandos, além de outros efeitos com voz e percussão de dedos. Hoje em dia temos também aprodução em série de flautas de plástico a partir de cópias de originais como por exemplo asjaponesas Yamaha, Aulus e Zen-on, além de uma série de edições modernas facsímiles deedições antigas e manuscritos editados na Europa.

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