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predicado da racionalidade: ele é um "animal racional", um zôon logikón. Ele é umzôon politikón por ser exatamente um zôon...
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chegando de fato, ao Ocidente latino nos séculos XII e XIII acompanhado de elementosprovindos de outras correntes da filos...
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Esse quadro deve ser completado pelo campo das ciências do Direito e do Estado. Oséculo XVII viu surgir à concepção modern...
irradiam as linhas de inteligibilidade. Assim, o século da Ilustração assiste aonascimento que se desenvolveram no século ...
problemas clássicos levantados pela Ilustração, como a educação da humanidade, aeducação do individuo, o regime político e...
profundamente diferente do individualista: neste o individuo se define por seu Cogitoque o une à razão universal: naquele ...
de Johann Gottlieb Fichte (1762-1814), avança com a obra de Friedrich Hegel (1770-1831).        A linha anrapologica do pe...
européia no século XVIII. Segundo Hegel, a cisão na sociedade e no individuo semanifesta nas diversas esferas da existênci...
XIX. A filosofia de Feuerbach será um antropocentrismo radical. O antropocentrismode Feuerbach será, pois, um antrpoteísmo...
estrutura do homem como ser social (ou seja, histórico), que estão necessariamenteinter-relacionados:_ nível da natureza h...
A denominação "Antropologia filosófica" difundiu-se na moneclatura filosóficacontemporânea a partir da primeira metade do ...
unidade unicidade irredutível, mas confrontado com a Transcedencia por meio dasestruturas existenciais de Jaspers chama as...
O primeiro é proposto por Paul Ricoeur colocando a pluriversalidade do sujeito humanoem linhas fundamentais: o pensamento ...
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  1. 1. HOMEM NA FILOSOFIA OCIDENTALJoacir Soares dAbadiaEste artigo versa sobre a Obra de Lima Vaz, Antropologia Filosófica, a qual discorreuma reflexão a respeito do "Homem na Filosofia Ocidental". Para tanto, se tem váriasconcepções do homem, claro, tudo de forma resumida.I. A CONCEPÇÃO CLÁSSICA DO HOMEM A cultura clássica elaborou uma imagem do homem na qual são postos emrelevo dois traços fundamentais: o homem como animal que fala e discorre (zôonlogikón) e o homem como animal que político (zôon politikon). Esses dois traços estão,de resto, em estreita correlação, pois só enquanto dotado do logos o homem é capaz deentrar em relação consensual com seu semelhante e instituir a comunidade política. A imagem do homem que a cultua arcaica grega oferece é rica e complexa para acultura ocidental. Esta imagem do homem encontra um ponto de intersecçõa econvergência no tema do destino (moira), que oferece um fio condutor da visão arcaicaà visão clássica do homem. Na concepção do homem na filosofia pré-socrática é Diógenes de Apolônia(floruit entre 440 e 430 a.C.), é o primeiro pensador que tem a idéia do homem comoestrutura corporal-espiritual, cuja natureza se manifesta na cultura por meio de suasobras. Ele é, pois, um ser ordenado finalisticamente em si mesmo e para o qual seordena, de alguma maneira, a própria ordem do kósmos. Ma são os Sophistês queengloba o saber teórico e as habilidades práticas, revela que o homem e suascapacidades passam a sero objeto principal da filosofia. Sócrates, na transição socrática, trata da alma (psyché) e "vida interior". A"alma" (psyché), segundo Sócrates, é a sede de uma areté (excelência ou virtude) quepermite medir o homem segundo a dimensão interior na qual reside a verdadeiragrandeza humana. É na "alma", que tem lugar a opção profunda que orienta a vidahumana segundo o justo ou o injusto, e é ela, que constitui a verdadeira essência dohomem, sede de sua verdadeira arete. Portanto, na antropologia platônica encontra-se a relação do homem com odivino (tò theion) que se sobrepõe a todos e permanece como o motivo fundamental daantropologia platônica.Aristóteles celebra também no homem a capacidade de passaralém das fronteiras de seu lugar no mundo e eleva-se pela teoria, à contemplação dasrealidades transcendentes e eternas. Do fisicismo jônico, a investigação empírica da tradição da medicina e ointelectualismo finalista socrático-platônico surgem à idéia da psyché em Aristótelescomo principio vital que é o ato ou a perfeição (enérgeia) de todo ser vivo e ao qualcompete, com a psyché do Fedro platônico. O homem é um ser composto (syntheton) de psyché e de sôma. A psyché é,portanto, a perfeição ou o ato (entelécheia) do corpo organizado, e essa é a suaperfeição. O homem se distingue de todos os outros seres da natureza em virtude do
  2. 2. predicado da racionalidade: ele é um "animal racional", um zôon logikón. Ele é umzôon politikón por ser exatamente um zôon logikón, sendo a vida ética e a vida políticaarte de viver segundo a razão (katá tón lógon zen). A antropologia helenística se manifesta pelas duas escolas: o Epicurismo e oEstoicismo que partem do mesmo pressuposto, ou seja, da submissão do homem aologos como condição necessária para se alcança a eudaimonia (felicidade). Epicuro dizque o homem é essencialmente, um ser-que-sente, e a sua lógica é a codificação de umateoria sensista do conhecimento, segundo o qual o conhecimento humano começa etermina na sensação (aísthesis) que pode desdobrar-se em "antecipação" (prolípses) ourepresentações mentais e em sentimentos (pathé) de pena e prazer. A escola estóica conheceu duas fases na época helenística, o Estoicismo antigo(séculos III-II a.C.) com Zenão de Cítio, os fundadores da escola, Cleanto e Crisipo, e ochamado Estoicismo médio (séculos II-I a.C.), com Panécio de Rodes e Possidônio deApaméia, às quais, já na época romana, seguiu-se o chamado Estoicismo imperial, comSêneca, Epíteto e Marco Aurélio. No centro da antropologia estóica, está igualmente,como no Epicurismo, o problema do indivíduo, onde, trata-se fundamentalmente dedefinir as condições do seu "viver feliz" (eudaimonia). E entre estas obtém primaziaaquelas que tornam o indivíduo independente ou assegura-lhe o senhorio de si mesmo(autárkeia). O sistema estóico é também tripartido em Lógica, Física e Ética. O conceitofundamental do Estoicismo é o conceito de "natureza"(physis), principio universal eteológico, imanente a todos os seres e que os guia de acordo com a razão ou o logos. Osistema estóico segundo as três dimensões do conhecimento da verdade (lógica), doconhecimento da physis (Física) e do conhecimento do Fim (Ética).A grandeoriginalidadedos Estóicos que os afasta do antigo intelectualismo grego é a fusão, nohomem, do passional e do intelectual, sendo a paixão considerada um juízo da razão ereservando-se assim ao Sábio o exercício verdadeiramente das paixões. Oneoplatonismo vai dar forma definitiva a uma das referências fundamentais dopensamento antropológico no Ocidente: dualismo subjetivo, alma sensível-almainteligível, ao qual corresponde o dualismo objetivo, sensível-inteligível ou tempo-eternidade.II. A CONCEPÇÃO CRISTÃO-MEDIEVAL DO HOMEM A concepção Cristão-medieval do homem procede de duas fontes: a tradiçãobíblica, vetero e neotestamentária, e a tradição filosófica grega. A tradição bíblica goza,da formação do pensamento cristão, de uma primazia em termos de normatividade,porque constitui uma instancia última de referência, segundo o qual deve ser julgada aautenticidade cristã das concepções e teorias que se apresentam no campo teológico. A unidade do homem é pensada, na concepção bíblica, não numa perspectivaontológica, mas soterológica, e ela se desdobram em três momentos que se articulacomo momento de uma história ou de um itinerário salvífico. Trata-se, da unidade deum desígnio de salvação que da parte de Deus é dom ou oferecimento e da parte dohomem é resposta ou aceitação, a recusa do dom implicando justamente a perda daunidade ou da cisão irremediável do seu ser por parte do homem. Estes três momentos
  3. 3. definem uma unidade de origem, expressa nos termos da criação, da queda e também dapromessa que se encontram nos primeiros livros da Origem (Gênesis). A antropologia patrística desenvolve-se toda à luz do mistério da Encarnação, eé esse mistério que transpõe em um nível concreto, pela referência a um arquétipohistórico, o tema da imagem e semelhança Santo Irineu de Lião (século II), foi oprimeiro teólogo cristão que fez oposição entre a antropologia cristã e antropologiagnóstica em sua obra Adversus Haereses (livro III), onde o tema do homem reflexa daglória de Deus é o fio condutor da crítica irineana ao gnosticismo. Uma dimensão essencial da antropologia agostiniana é a concepção do homemcomo ser itinerante. Esta concepção representa a grandiosidade do itinerário dahumanidade simbolizada na figura das duas cidades, tema da última e maior obra deAgostinho, o De Civitate Dei. A antropologia medieval vai buscar sua inspiração em três fontes que irãoconstituir as auctoritates por excelência na vida intelectual da Idade Média: a SagradaEscritura ou sacra pagina, autoridade maior e incontestada; os Padres da Igreja dentro osquais se destaca a figura de Santo Agostinho, referência privilegiada após a Escritura; osfilósofos e escritores gregos e latinos, dentre os quais Aristóteles se afirmará, a partir doséculo XIII, como o Philosophys simplesmente ou, como se exprimirá Dante, il maestrodi calor Che sanno (Inf. IV, 131). Com o privilégio concreto as auctoritates no métodomedieval do saber, a concepção do homem evolui em estreita relação com o própriodesenvolvimento da civilização. Portanto, a concepção do homem apresenta na IdadeMédia uma surpreendente riqueza que estudos recentes têm procurado explorar. A influencia de Santo Agostinho é predominante até o século XII no campofilosófico-teológico, somada com os escritos dionisianos, que se torna poderosa a partirdo século IX, onde ela imprime as primeiras expressões da antropologia medieval tendotraços neoplatônicos característica do pensamento simbólico dominante até o séculoXIII. O aristotelismo se impõe a partir do século XIII, mas a autoridade de agostinhocontinua elevada a todasas outras, no entanto, inferior somente à sacra pagina. A tesão permanente da antropologia medieval é entre aristotelismo eagostinismo, cujo equilíbrio é assegurada pela tradição bíblico-cristã. Assim, constitui-se uma filosofia cristã do homem, em que exigências de inteligibilidade deverãosubmeter-se as categorias antropológicas herdadas da filosofia antiga. Nela, duasquestões adquirem mesmo relevo: a da historicidade e a da corporeidade do homem.nesta, a "natureza" humana aparece atualmente inserida numa situação histórica que édeterminante do destino dos indivíduos e que, segundo a visão agostiniana, orienta todaa história: a situação soteriológica, definida pelos acontecimentos salvíficos da históriasalutis. Naquela, a reflexão antropológica de Agostinho segue a compreensão do corpona unidade de essência do homem que permanece uma exigência fundamental dadoutrina da criação e dos pressupostos antropológicos do mistério da Encanação doVerbo. Dois termos consagrados na historiografia da filosofia medieval encerram ascomplexas correntes de idéias que vieram confluir na antropologia tomista: oagostinismo e o aristotelismo. Foi no aristotelismo, que Santo Tomás procuroureconstituir em sua autenticidade original os comentários dos textos de Aristóteles,
  4. 4. chegando de fato, ao Ocidente latino nos séculos XII e XIII acompanhado de elementosprovindos de outras correntes da filosofia grega, sobretudo do neoplatonismo. Aantropologia tomásica pode ser situada por três coordenadas:_ a concepção clássica do homem como animal rationali;_ a concepção neoplatônica do homem na hierarquia dos seres, como ser fronteiriçoentre o espiritual e o corpo;_a concepção bíblica do homem como criaturas, imagem e semelhança de Deus.a anima intellectiva é a única forma substancial do composto humano, a diferençaespecífica rationale da definição clássica determina todo o homem, assegurando assim aunidade antropológica exigida pela tradição bíblico-cristão. Já no que diz respeito à suasituação no universo, o predicado da racionalidade confere ao homem a característicasingular de se encontrar na fronteira do espiritual e do corporal, do tempo a daeternidade. O tema bíblico de homem imagem de Deus é tratado por Santo Tomás emcontexto teológico. No entanto, ele supõe uma filosofai do homem em relação comDeus que tem como tema fundamental à idéia da perfeição relativa do homemprincipalmente da perfeição absoluta de Deus, da qual decorre a capacidade de conhecera verdade e de agir moralmente segundo o bem.III.A CONCEPÇÃO MODERNA DO HOMEM O homem moderno ocupa o centro da cena da história e passa a ser a matriz dasconcepções contemporâneas do homem que se formularão nos séculos XIX e XX.Portanto, o propósito aqui é o de acompanhar em seus momentos mais importantes ahistória da formação concepção moderna do homem, ou seja, a sucessão dos perfisfilosóficos do homem moderno. A concepção do homem no humanismo tem uma conotação peculiar: indica aomesmo tempo uma nova sensibilidade em face do homem e a redescoberta e exaltaçãoda literatura clássica, sobretudo latina, considerada a mais alta expressão dos valorespreconizados pelo humanismo e o mais apto instrumento para elevar o homem à alturade sua verdadeira humanidade: homo humanus. Na ordem das idéias, a civilização daRenascença veio a ser conhecida como idade do humanismo. A civilização daRenascença foi a primeira civilização do livro impresso e influenciado decisivamente nadifusão do ideal humanista. A antropologia renascentista é muito vasta, por isso, fixa-se aqui em umpensador, o cardeal Nicolau de Cusa (1401-1464) e nas duas idéias matrizes que estãonos fundamentos da concepção renascentista do homem, a da dignidade do homem e ado homem universal. A obra de Nicolau de Cusa deve ser situada na estreita donominalismo, ultima forma da Escolástica medieval, e que representa a dissolução dosfundamentos metafísicos que sustentaram as grandes sínteses dos séculos XIII. O que desaparece sobre a crítica nominalista e a posição de um mundo ideal,identificado com o Intelecto divino e assegurada à inteligibilidade intrínseca dos seresque permitia, por sua vez, a aplicação do procedimento analógico ao conhecimento daexistência e da transcendência de Deus. O tema da dignidade do homem reaparece na
  5. 5. Renascença como a reiteração consciente de um tema que provém de Sófocles e daSofistica grega e se tornara um lugar comum na literatura antiga. Exaltação, portanto, dedignitate et praestantia responde às exigências profundas da nova sensibilidade em facedo homem e de suas obras, sendo o traço mais característico do humanismo. No entanto,existe uma diferença entre a celebração da dignidade do homem na literatura antiga enos autores da Renascença. No primeiro caso, é a atividade da contemplação (contemplori) que atesta agrandeza do homem e sua eminente dignidade. No segundo caso, é o agir (operari), acapacidade de transformação do seu mundo que passa a ser o indício incontestável dasuperioridade do homem. anunciando-se aqui uma das direções fundamentais daantropologia moderna. Com efeito, é a imagem do homo universalis que emerge dasprofundas transformações do mundo ocidental no tempo da Renascença, dando lugar auma dilatação dos horizontes estreitos da cristandade medieval, seja de seu espaçogeográfica (ciclo das descobertas), seja de seu espaço humano (encontro com novasculturas e civilizações). Assim, a antropologia da Renascença aparece como umaantropologia de rupturas e transição: ruptura com a imagem cristão-medieval do homeme transição para a imagem racionalista que dominará os séculos XVII e XVIII. A antropologia racionalista vai encontrar sua expressão paradigmática é com R.Descartes (1596-1650), de modo a se poder falar do homem racionalista como dohomem cartesiano. A inversão cartesiana começa com o privilégio atribuído ao métodocomo ponto de partida e com a construção do abjeto do saber segundo as regras dométodo ou no âmbito do ens ut cogitatum. A partir do recurso à Metafísica (FilosofiaPrimeira na terminologia de Descartes), foi possível edificar a Física e em sua seqüênciarecolocar o problema antropológico como problema da relação da alma e da concepçãoracionalista do homem:a)a subjetividade do espírito como res cogitans e consciencia-de-si;b)a exterioridade (concebida mecanicisticamente) do corpo com relação ao espírito. Esse dualismo racionalista do homem apresenta-se essencialmente diverso dodualismo clássico, de feição platônica. Aqui o espírito como res cogitans separa-se docorpo como res extensa para melhor conhecer e dominar o mundo. A antropologia deDescartes cinde-se em uma metafísica do espírito e uma física do corpo: a idéia clara edistinta das duas substâncias, mostra como "naturezas completas" que podem subsistiruma sem a outra. O dualismo cartesiano se mostra plenamente constituído e, com ele,define-se a estrutura fundamental da antropologia racionalista: de um lado o "espírito"cujo existir se manifesta na evidência do Cogito; de outro, o "corpo" obedecendo aosmovimentos e às leis que impelem a máquina do mundo. O homem da idade cartesiana será assinalado por dois traços peculiares: omoralismo, na tradição de Montaigne continuada pelos grandes moralistas do séculoXVII como La Bruyère e La Rchefoucauld; e o chamado humanismo devoto (expressãode Henri Brremond) que refletirá uma nova sensibilidade religiosa em face da razãocartesiana e da divisão religiosa da Europa. Pascal opõe o estudo das "ciênciasabstratas" ao estudo do homem. assim, torna a dramática experiência de Pascal em umparadigma da experiência do homem moderno.
  6. 6. A dignidade do homem tanto para Pascal quanto para Descartes, reside nopensamento. Mas o Cogito pascaliano não se volta para a dominação do mundo, e simse empenha na descoberta das regras do bien pensar: ele descobre imediatamente suadimensão moral. Teórico da Revolução inglesa, Locke tornou-se o pensador que traçoucom maior exatidão a imagem do homem: é a imagem do "homem liberal" ou do"burguês" que resume seu credo no otimismo naturalista (postulado da bondade naturaldo homem) e na afirmação contra Hobbes dasociedade natural, ou seja, da tendência àconvivência espontânea e pacífica dos indivíduos no "estado de natureza". Locke afirma existirem no homem todas as disposições naturais para, chegar aoconhecimento de Deus, da natureza de si mesmo como ser moral. No entanto, onaturalismo lockiano não se confronta com o Cristianismo como é o caso de seussucessores no movimento da Ilustração. Locke será um propugnador da tolerânciareligiosa e se esforça por demonstrar o caráter razoável do Cristianismo. O empirismolockiano é fundamento de sua teoria política na qual irá inspirar-se todo o pensamentoliberal posterior. A revolução cientifica do século XVII, que encontrou no modelo mecanicistaseu paradigma epistemológico fundamental, atingiu todos os campos do saber e dacultura em geral. As concepções filosóficas sobre o homem obedecem a suasinfluências. Tendo como instrumentos epistemológicos privilegiados a observação e amedida, o novo espírito cientifico se caracteriza por uma nova idéia do método. Osideais do método ou a definição rigorosa das regras do bem pensar constituem um dostemas dominantes da cultura intelectual da época. As duas grandes vertentes doracionalismo empirista, inspiram as duas grandes concepções do método, a dedutiva e aindutiva, dando primazia à síntese e à classificação. O próximo campo do conhecimento transformado pelo espírito cientifico e o dasciências da vida. O desenvolvimento dos instrumentos ótico amplia o campo deobservação dos fenômenos da vida e reestrutura, o domínio da percepção visual. nasce,assim, a anatomia microscopia dão se os primeiros passas em direção à teoria celular eregistra se a descoberta dos glóbulos vermelhos, dos infusórios e bactérias. A historia ea classifica, ao dos seres vivos o a sistemática botânica e zoológica, começa a sofreruma reformulação que conduzira ao advento da sistemática com Lineu e Buffon noséculo XVIII. Em três domínios a antropologia empírica assinala, segundo G. Gusdorf, seusprimeiros progresso: o da anatomia do corpo humano com o aparecimento da anatomiacomparada, ou da sistemática zoológica, e do estudo experimental do psiquismo. Outro campo importante que se abre à investigação empírica do homem é o dasciências da linguagem. O modelo mecanicista estende se também ao domínio dalinguagem, e é à sua influencia que se deve o projeto da criação de uma gramática geral,na qual sejam descritos os mecanismos elementares da linguagem. Outro projeto queseduz os primeiros estudiosos da ciência da linguagem é o da linguagem universal, queé uma preocupação constante de Leibniz, que em seu De arte combinatoria se propõem,organizas, com idéias simples, um alfabeto do pensamento humano, base de umacombinatória lógica universal.
  7. 7. Esse quadro deve ser completado pelo campo das ciências do Direito e do Estado. Oséculo XVII viu surgir à concepção moderna do Direito Natural e à aplicação ao Estadodo modelo mecanicista, ao mesmo tempo em que a chamada ideologia doindividualismo, da qual Locke será um dos primeiros técnicos, começa a ser elaborada,antes de tornar se a ideologia dominante dos tempos modernos. A Iluminação compreende o movimento de idéias que dominou o século XVIIIeuropeu e sua repercussão nos campos político, religioso, filosófico, científico, literárioe artístico, definindo um "espírito (Geist) que marcou toda uma época e conferiufisionomia própria a toda uma civilização, designada exatamente como civilização daIlustração. Assim o centro da Ilustração é justamente uma concepção do homem bemcomo a da história humana e de seu sentido que afasta-se do que fora a concepçãodominante nos séculos cristãos A parir de sua difusão no século XVIII, o "espírito" da Ilustração passa a ser umcomponente essencial do "espírito" da civilização ocidental. Experiência e analise: sãodois termos-chave da linguagem filosófico-científica da Iluminação. Eles definem osconstitutivos essenciais de uma idéia da Razão que se considera uma e universal ereconhece seu "discurso do método" nas Regulae phylosophandi que abrem os Principiade Newton. A linha de evolução segundo a qual a Iluminação lê a história humana é traçadasegundo os progressos da Razão. É na Iluminação que se encontra uma das raízes dasfilosofias da história que florescerão no século XIX. A novidade característica dessaidéia de progresso da Razão é a da infantilidade da Razão, articulada a um desígnioprático ou poético.Eis algumas das teorias assumidas pelo espírito da llustração:_ humanidade: o sentido que esse tempo assume já é nitidamente secularizado, e seumatiz; e marcadamente axiológico, em contraposição à humanidade objeto douniversalismo salvífico cristão. Trata-se, da passagem da humanidade de Bossuet àhumanidade de Voltaire;_ civilização: ela é a verificação da hipótese da passagem do "estado de natureza" ao"estado de cultura" e do movimento histórica que conduz ao "estado de civilização";_tolerância: nascida no século XV, no contexto do dialogo das grandes religiõesproposto pelo cardeal Nicolau de Cus, a idéia se fortaleceu no século XVI com a divisãoreligiosa e as guerras de religiões. No plano jurídico, a idéia de tolerância inspira otratado de Cesare Beccaari, Dos delitos e das penas (1764), que lança os fundamentosdo Direito Penal moderno;_ revolução: o termo evolui para designar uma mudança e transformações profundas nasociedade que anunciam o advento de um mundo melhor.Humanidade, Civilização, Tolerância, Revolução: entre outras, são idéias diretrizes que,elaboradas segundo os critérios fundamentais das luzes e do progresso, estruturam oespaço mental da Ilustração. Nesse espaço, o homem passa a ocupar o centro do qual
  8. 8. irradiam as linhas de inteligibilidade. Assim, o século da Ilustração assiste aonascimento que se desenvolveram no século XVII.Duas influencias traça a concepção kantiana do homem:a) uma linha propriamente antropológica, cuja origem deve ser buscada no curso dametafísica professada por Kant e para o qual utiliza o compêndio de Baumgarther. Kantintroduz uma alteração no início o estudo empírico do homem ao qual dá o título deAntropologia.b) uma linha critica que segue o desenvolvimento da reflexão critica a partir daDissertação de 1770; essa tarefa critica abrange as três atividades superiores do homem,a razão teórica, a razão pratica e a faculdade de julgar, traz consigo uma profundaremodelação da imagem do homem transmitida pelo racionalismo clássico. O termo de uma evolução da qual se define pouco a pouco a idéia kantiana deantropologia: ciência cuja finalidade é preparar o homem para o conhecimento do"mundo". O conhecimento do homem se funda no senso comum e tem em vista arelações que se estabelecem entre os homens. portanto, a antropologia se situa noâmbito da "filosofia popular". O conceito de Antropologia recebe grande amplitude eela tende a ocupar o centro do sistema filosófico. Mas a Kant não foi dada aoportunidade de realizar o projeto de uma Antropologia transcendentalis: essa tarefaficará reservada à filosofia pós-kantiana. No que diz respeito, à concepção do homem, o pensamento critico de Kantpermanece na linha da dualidade própria da antropologia racionalista.esse dualismoconstitui uma estrutura conceptual fundamental do edifício da Razão pratica, seja nonível da razão pura, seja no nível da Razão pratica. No nível da Razão pura,encontramosuma dualidade estrutural entre a sensibilidade e receptiva e aespontaneidade do entendimento. No nível da Razão pratica, a dualidade se estabeleceentre o "caráter empírico" do sujeito pratico (domínio da necessidade externa e daspaixões) e o "caráter inelegível" (domínio da liberdade). A superação dessas dualidadessó será tentada na Crítica da faculdade de lugar, quanto à noção de fim da Natureza éaplicada ao homem nos juízos teleológicos e estéticos.A idéia do homem em Kant apresenta uma grande complexidade. As linhas principaisque se entrelaçam nessa idéia kantiana do homem são as seguintes:_ linha da estrutura sensitivo racional, que acompanha o homem como ser cognoscente,capaz de formular o ideal da Razão pura e as Idéias transcendentais (o mundo, a alma eDeus)._ linha da estrutura físico-prática que acompanha o homem como ser natural oumundano, físico designando o que a Natureza opera no homem e pragmático o que ohomem faz de si mesmo._ linha da estrutura histórica ou do destino homem, que o acompanha em duas direçõesfundamentais: religiosa, que aponta para o fim último do homem e a pedagógico-politica, que Kant desenvolve em seus numerosos opúsculos sobre Filosofia da história,política e pedagógica. Nesse opúsculo Kant expõe sua opinião sobre alguns dos
  9. 9. problemas clássicos levantados pela Ilustração, como a educação da humanidade, aeducação do individuo, o regime político e a liberdade civil. A esse aspecto daconcepção kantiana do homem como ser histórico está estritamente vinculada suadoutrina, de caráter ético-jurídico.IV. AS CONCEPÇÕES DO HOMEM NA FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA Uma convenção quase universalmente aceita compreende sob a designação defilosofia contemporânea as correntes filosóficas que se desenvolveram durante osséculos XIX e XX. A razão para essa contemporaneidade de dois séculos dopensamento filosófico é diversa, mas duas ao menos podem ser apontadas. A primeira éuma razão teórica e ela exprime o fato de que os grandes problemas que desafiam afilosofia nos inícios do século XIX, tanto em sua vertente idealista como em suavertente positivista, continuam. Não obstante as prodigiosas mudanças.seja civilizaçãomaterial, seja na cultura desses dois séculos, diante de nós como nossos problemasmaiores. A segunda é uma razão histórica e ela exprime o fato de que as condições para oexercício da filosofia que acabaram por se definir nos inícios do século XIX, suaimplantação no terreno da cultura universitári e sua atração para o campo dasmetodologias de pesquisa. Essas duas razões bastam para justificar o predicado dacontemporaneidade atribuído ao pensamento filosófico que podemos denominar pós-kantiano e que é aquele sob cuja conjuntura teórica e histórica ainda nos encontramos. A concepção do homem no idealismo alemão assume particular importância oRomantismo (die Romantik), movimento de sensibilidade e de idéias que veio ao longode todo século XVIII, constituindo a tendência pós-Romantismo. Trata-se de sua faceoposta à da Aufklärung. Dois traços principais distinguem essa corrente pré-romântica:a) a resistência à Ilustração, caracterizada pelo mecanicismo newtoniano e peloempirismo de Locke; o pré-romantismo adota uma atitude crítica do conceito denatureza enquanto é pensada como um sistema de leis e entidades de carátermatemático;b) a primazia do sentimento sobre a razão, mostrando o sentimento diante dauniformidade da razão, donde decorre igualmente a primazia da Eu sensível sobre oCogito racional e do senso intimo sobre a unidade lógica. A passagem do pré-romantismo propriamente dita tem lugar na Alemanha nosfins do século XVIII, com o movimento Sturm und Drang, de 1770 a 1780. mas essapassagem se precipita sob o choque da Revolução francesa, abalo sísmico que provocouuma ruptura de alto a baixo, seguida de enormes desmoronamentos, no edifício dasociedade ocidental.O Romantismo nasce no clima dessa ruptura revolucionária. Noentanto no é fácil definiras característica nem sua amplitude, nem mesmo sua duraçãopropriamente dita. A antropologia romântica valoriza no homem o articular tal como se exprime nasensibilidade, nas emoções e na paixão; e é por meio dessa particularidade sensível queo homem romântico aspira ao universal, vem a ser, a integrar-se numa totalidadeorgânica, integração que se cumpre sobretudo na arte. O individualismo romântico é,
  10. 10. profundamente diferente do individualista: neste o individuo se define por seu Cogitoque o une à razão universal: naquele o individuo se define pelo sentimento do Eu que oleva a comungar com Todo orgânico ou co m o uno que é o "uno e todo" (én kai pan)será um dos lemas do pensamento romântico. Os traços fundamentais Deus da antropologia romântica são antecipados porpensadores da época da Ilustração: são eles Jean Jacques Rousseau (1712-1778) eJohann Gottfried von Herder (1744-1803). A antropologia de Rousseau está intimamente ligada à sua experiência humana eé, nesse sentido, eminentemente existencial. Se por um lado Rousseau coloca osentimento, cuja sede é o coração ou a consciência moral, no centro de sua visão dohomem, por outro, como genuíno herdeiro da tradição racionalista, dá a seu pensamentouma rigorosa estrutura racional e ao mesmo tempo, axiomático-dedutiva. Esse rigorracional marca os dois primeiros Discursos:primeiro é uma análise e um diagnóstico dosmales e da corrupção da sociedade e do individuo que são os frutos da cultura. Osegundo Discurso (sobre a origem da desigualdade) aprofunda a análise e apresenta-secomo uma verdadeira antropologia histórica. Nela Rousseau estuda os passos dadospela humanidade em sua evolução intelectual, social, econômica e política. Aantropologia de Rousseau adquire a feição de uma filosofia da historia inspirada nospressupostos epistemológicos da ciência do Dereito Natural e tendo como ponto departida hipotético a "natureza humana" ou o homem no "estado de natureza". Atrajetória da história humana em sua reconstituição hipotético-dedutivo conduz doestado a-história inicial à realidade histórica observável da sociedade civil. Esta concepção antropologia de Rousseau mostra, pois, dois níveisrigorosamente encadeados: o homem natural e a sociedade. Sal interrogação: qual ocaminho que levou o homem natural do estado de natureza ao estado de sociedade? Epor que o estado de sociedade trouxe ao homem a corrupção e a perda da bondade inataao homem natural? Toda a obra rousseauniana é uma tentativa de resposta a essasquestões. Mas essa resposta não preconiza um retorna impossível ao "estado denatureza". A antropologia de Rousseau é movida numa direção oposta à da antropologiaclássica de tipo platônico e a antropologia cristão-medieval. A antropologia de Herder desenvolve-se no clima do pré-romantismo alemão eparticipa do chamado "tempo goethiano" (Goethezeit) que tenta unir a razão e asensibilidade numa forma superior de conhecimento que seja, há um tempo, discursivoe intuitivo. Para Herder, a definição mais adequada do homem é a de sr Deuslinguagem. A linguagem é uma criação do homem e atesta sua condição de ser racionalou é a própria forma humana da racionalidade. Ele esboça alguns traços que aantropologia contemporânea atribuiao homem para distingui-lo do animal: enquantoeste permanece circunscrito ao seu Umwelt, ao mundo circundante ao qual o prende oinstinto, o homem vê abrir-se diante de si o espaço ilimitado do seu Welt, do seu mundopropriamente humano. A antropologia herderiana aparece no mundo cultural da Aufklärung alemã,como uma alternativa à concepção do homem da tradição racionalista. A elaboraçãopropriamente filosófica das idéias sobre o homem que alimenta a visão românticacaberá oas filósofos do chamado Idealismo alemão que saberão recorreu igualmentemuitos elementos da tradição racionalista. O Idealismo alemão inaugura-se com a obra
  11. 11. de Johann Gottlieb Fichte (1762-1814), avança com a obra de Friedrich Hegel (1770-1831). A linha anrapologica do pensamento de Fichte pertence à estrutura fundamentalde seu sistema. Ela pode ser caracterizada como filosofias da liberdade por encontrarum novo estatuto ontológico para a liberdade. Seja em Fichte ou em Schelling, aconcepção do homem, organiza-se em torno do problema da liberdade, insere-se numvasto desenho metafísico que tenta reatar a tradição dos grandes sistemas da filosofiaclássica. Mas é em Hegel que essa ambição sistemática se cumpre efetivamente, e é nopensamento hegeliano que a idéia do homem alcança uma adequação expressãoconceptual. A significação geral da idéia hegeliana do homem trata-se de uma gradação quenão deve ser entendida como uma superação e sim como um movimento de naturezadialética que integra cada nível na integridade do todo ou na estrutura dialética da idéiado homem como totalidade. Eis a seqüência desses níveis:_ a relação situa-se a relação do homem com o mundo natural. Essa relação se definecomo oposição entre o mundo natural, domínio da imediatidade (Unmittelbarkeit) e omundo propriamente humano, domínio da mediação ou da suprassunção (Aufherbung)da natureza em Espírito objetivo;_ o segundo nível é a relação do homem com a cultura (Bildung). Hegel mostra que oindividuo só pode ser considerado indivíduo humano na medida participa do movimentode manifestação do Espírito, que é o movimento constitutivo da história;_a relação do homem com historia pode ser considerada um desmembramento de suarelação com a natureza. Hegel vê na história o "progresso na consciência da liberdade",ou o ser histórico do homem como constitutivamente o seu se livre, em sua progressivamanifestação. Segundo ele, a história não deve ser pensada filosoficamente em seutranscurso linear segundo a ordem do tempo empírico._ a relação com o Absoluto é a que abre a dimensão mais profunda da concepçãohegeliana do homem. a Filosofia do Espírito da Enciclopédia é coroada com seção sobreo Espírito Absoluto, assinalando a necessidade de se ultrapassar dialeticamente o planoda História universal, que é o momento mais alto atingido pela dialética do EspíritoObjetivo. As instancia dialéticas do Espírito Absoluto são a Arte, a Religião e afilosofia, mostrando que é no homem ou, mais propriamente, em sua intuição (Arte), emsua representação (Religião) e em seu conceito (filosofia) que o Espírito se manifestacomo absoluto, sendo o Espírito essencialmente manifestação. A concepção hegelianado homem desemboca no conceito do Espírito (Geist) que é o verdadeiro centro de suafilosofia; e a idéia do homem se mostra como momento, subjetivo, da dialética doEspírito que, por sua vez, suprassume o individuo e a história na esfera do Absoluto. A evolução do pensamento de Hegel costuma ser dividida em três grandes fases,e essas assinalam igualmente o desenvolvimento de sua concepção do homem. Aprimeira fase pode ser designa como pré-sistemática e vai de 1788 a 1800, se impõe aperspectiva histórico-cultural que se torna a perspectiva dominante em suas reflexões. Otema fundamental que emerge segundo essa perspectiva é o da divisão (Entzweiung)que, de acordo com o sentimento e o diagnostico dos grandes representantes da cultura
  12. 12. européia no século XVIII. Segundo Hegel, a cisão na sociedade e no individuo semanifesta nas diversas esferas da existência religiosa, social, cultural e política. A segunda fase de formação do pensamento de Hegel pode ser designada como apreparação para o Sistema. Duas linhas orientam seu desenvolvimento: a linha critica ea linha sistemática. É justamente seguindo a linha sistemática que a concepção dohomem começa a adquirir aqueles que serão seus traços definitivos. Sendo definidacomo "conceito do ser-uno e da infinidade" e sendo dotada dos predicados da atividadee da historicidade atestada na dialética indivíduo-comunidade que lhe é própria. A fase sistemática do pensamento hegeliano, na qual sua concepção do homemadquirirá uma definitiva, inaugura-se com a Fenomenologia do Espírito, publicada em1807. O Espírito se define como a Idéia que alcança seu ser para si e que tem comopressuposto a Natureza. O Espírito existe na forma de relação consigo mesmo: é, entãoEspírito subjetivo. O que ele é segundo a sua essência ou em sua posição dentro doSistema: ele é o lugar da passagem dialética da natureza ao Espírito. Na unidade que éem si e para si e se produz eternamente, ou seja, unidade da objetividade do Espírito ede sua ideologia, ou o seu conceito: Espírito em sua verdade absoluta ou Espíritoabsoluto. A concepção hegeliana do homem abrange efetivamente esses três momentos,pois o Espírito objetivo _ indivíduo _ passa necessariamente para o Espírito objetivo _ acultura ou a história_ no qual tem sua verdade, e este passa para o Espírito absoluto _ aidéia, exprimindo-se como Arte, Religião, e Filosofia _ no qual tem sua verdadeabsoluta.Hegel divide a Filosofia do Espírito subjetivo em três partes, pois,Espírito subjetivo é:_ em si ou imediatamente, como alma (Seele) ou Espírito natural: antropologia:_ para si ou mediatizado em sua particularização como consciência (Berwusstsein):Fenomenologia do Espírito;_ determinando-se em si para si como sujeito (Subjekt) para si: Psicologia. A concepção hegeliana do homem insere-se num contexto infinitamente maisvasto, que compreende as esferas do Espírito objetivo e do Espírito absoluto. Ela é, poisinseparável de uma Ética, de uma filosofia jurídica e social, de uma filosofia política, deuma filosofia da Arte e da Religião e, enfim, de uma filosofia do Absoluto que constituio ápice de todo o Sistema e na qual a concepção do homem encontra seu fundamentoúltimo. Após a morte de Hegel (1831), seus discípulos dividiram-se em duas correntesque ficaram conhecidas como "direta hegeliana" e "esquerda hegeliana". A primeiraprofessava uma estrita fidelidade ao pensamento de Hegel em sua forma sistemática. Asegunda foi buscar em Hegel inspiração para fazer da filosofia uma arma de críticasocial e política, arma que acaba voltando-se contra o próprio Hegel como pensadorsistemático e contra a natureza, considerado teológico, de seu sistema. A posição de L. Feuerbach na história da filosofia é, tipicamente, uma posiçãointermediária ou de transição entre os grandes sistemas do Idealismo Alemão. Omaterialismo histórico de Marx e o materialismo cientista da segunda metade do século
  13. 13. XIX. A filosofia de Feuerbach será um antropocentrismo radical. O antropocentrismode Feuerbach será, pois, um antrpoteísmo: o homem é o único deus para o homem, e osatributos de deus que comparecem no discurso teológico cristão deveram, finalmente,constituir a estrutura e a seqüência do discurso antropológico. De um lado esta dissolução tem como resultado uma antroplogia materialista: ohomem, como "ser sensível", defini-se interiramente por suas carências (Bedürfnisse) e,conseqüentemente, com sua relação com o mundo objetivo; essa relação permitecaracterizar o homem como um "ser genérico" (Gattungswesen), ou seja aberto aosoutros homens ou à totalidade do gênero humano que na verdade, é o sujeito real dosatributos que o homem individual projeta em Deus. A evolução do pensamentofeuerbachiano leva-o ao abandono da noção de Gattungswesen, ainda demasiadohegeliana a seus olhos, e a fixa-se cada vez mais na idéia da relação imediata do homemcom a natureza: a "religião da Natureza" vem ocupar progressivamente o lugar da"religião do homem". Karl Marx foi um teórico da ação revolucionária e política e um teórico daanálise econômica, tendo como principal inspirador Feuerbach.Para uma exposição ordenada da concepção filosófica do homem que Marx deixou,segue-se a seriação proposta por Jon Elster dos seguintes tópicos fundamentais:a)O homem e a Natureza;b)A natureza humana;c)As relações sócias;d)A filosofia da história.Para Marx a especificidade do homem se destaca sobre o fundamento Das características que ele tem em comum com os animais. Enquanto o animal ésua própria vida ao homem cabe produzir a sua. Essa produção da própria vida iráimplicar no homem, os predicados especificamente humanos da consciência-de-si, daintencionalidade, da linguagem, da fabricação e uso de instrumentos e da cooperaçãocom seus semelhantes. A consciência-de-si e a linguagem são predicados exclusivos dohomem e são capazes de imprimir uma feição especificamente humana. Correlativa à noção de necessidade de sua satisfação é, na visão antropológica deMarx, a noção de alienação (Entfremdung). Elster distingue em Marx dois tiposfundamentais de alienação: a alienação espiritual e a alienação social. No primeiro caos,a alienação relaciona-se com a possibilidade de satisfação das necessidades e com arelação entre a medida destas necessidades e a medida de sua satisfação. Uma forma dealienação de Marx é a coisificação (Verdinglichung, reificatior, réification) que se dápropriamente com a separação e reigidez das necessidades e capacidades, que não seintegram no desenvolvimento harmonioso e fixa separada e compulsivamente sobre oseu objeto. A coisificação é como que o sinal negativo do que será esta naturezaplenamente desenvolvida ou "desalienada". Marx estabelece dois níveis conceptuais na
  14. 14. estrutura do homem como ser social (ou seja, histórico), que estão necessariamenteinter-relacionados:_ nível da natureza humana, definida por suas carências ou necessidades e pela dialéticada satisfação destas necessidades, desdobrando-se seja na relação do homem com anatureza exterior pelo trabalho, seja em relação com os outros homens pela sociedade;_ nível da situação histórica definido pelo estágio das forças e relações de produção epelo fenômeno da alienação social que resulta da inadequação deste estágio àsexigências de realização da natureza humana. Tal fenômeno se verifica de maneiraexemplar no capitalismo, pois se trata de um processo histórico que atinge seu auge nomodo de produção capitalista, mostrando uma profunda alienação espiritual: alienaçãoeconômica, alienação política, alienação, alienação cultural e alienação religiosa. A noção de alienação está igualmente nos fundamentos de sua filosofia dahistória. Para Marx, de acordo com sua definição do homem como ser-que-produz, é omodo de produção em cada época que permite a seriação dialética da história em quatrograndes épocas, o modo asiático de produção, o escravismo antigo, o feudalismo e ocapitalismo moderno que gera necessariamente o socialismo ou a socialização dosmeios de produção como fase de transição para o comunismo, estágio final da história.A face escatológica do pensamento de Marx aparece em plena luz, na qual o advento dasociedade sem classes aparece como o fim necessário da história. O problema do fim dahistória mostra o terreno em que seu pensamento abandona os caminhos da razão paraenveredar pela trilha do mito. O século XIX assistiu ao rápido desenvolvimento das ciências que vai dasciências da vida às ciências da cultura, passando pela geografia humana, pelas ciênciaseconômicas e sociais e pelas ciências do psiquismo. A repercussão dessas ciências sobrea reflexão filosófica que tem por objeto o homem em suas diversas dimensões foi setornando mais ampla e profunda na medida que elas se desenvolviam e diversificavam. As correntes filosóficas que refletiam o pensamento e desenvolvimentodasciências humanas foram, na França, os chamados ideólogos, posteriormentes, oPositivismo, seja na forma ortodoxa que lhe deu seu fundador, August Comte (1798-1857), seja em sua onipresente influencia que veio a constituir-se em espírito oumentalidade característicos da vida científica da época. A escola dos ideólogos se distingue pela primazia conferida ao problema daorigem das idéias e pelo método rigorosamente analítico. O movimento dos ideólogosabrange os diversos ramos da cultura e da política, e sua influência marcouprofundamente o pensamento francês no séc, XlX. Já August Comte é considerado o fundador da Sociologia, tendo-a considerado oúnico saber positivo sobre o homem. Ao conferir à sociedade primazia sobre oindivíduo ele desenvolve uma física social em que a sociedade é analisada, tanto doponto de vista estático quanto do ponto de vista dinâmico. A sociologia encontrou emHerbert Spencer (1820-1903) e em Émile Durkhein (1858-1917) seus continuadoressendo Durkhein considerado o fundador do método sociológico.
  15. 15. A denominação "Antropologia filosófica" difundiu-se na moneclatura filosóficacontemporânea a partir da primeira metade do séc. XX, sobretudo nos círculos ligados ainfluência de Max Scheler. Mas as raízes filosóficas da Antropologia devem serbuscadas mais longe, no pensamento de Sören Kierkeergaard (1813-1855) e FriedrichNietzsche (1844-1900). Kierkeegaard não foi propriamente um filósofo, e sim umpensador solitário, teólogo de profissão. Ele é considerado hoje um clássico dopensamento europeu no séc. XIX e sua obra deve ser lida primariamente sob um primateológico, seu pensamento exerce profunda influência no pensamento filosóficocontemporâneo, sobretudo no que diz respeito à concepção do homem. A presença de Nietzsche é uma presença difusa, mas poderosamentedeterminante em vários campos da cultura contemporânea. No que diz respeito afilosofia, sua obra se apresenta sobretudo como crítica da cultura e como proposição deuma nova idéia do homem. Ele retoma as questões de Kant que converge para ainterrogação "o que é o homem?" essa interrogação formula-se não no plano clássico daessência e sim na perspectiva do devir (werden). Desse modo, ainterrogação desdobra-se na seqüência de três questões fundamentais: o que foi o homem, o que o homem nãoé e finalmente, o que o homem pode e deve ser. A visão nietzschiana do homem é articulada em dois planos epistemológicos: oplano metafísico e plano da crítica da cultura. No plano metafísico, os temas dominantessão o da vontade em vista do poder (Willle zur Macht) e o do retorno eterno do mesmo(Ewige Wiederkehr). No nível da crítica da cultura, os temas dominantes do pensamentode Nietzsche são o niilismo como diagnose da cultura ocidental, a genealogia da moral edos contravalores que estão em oposição à vida bem como o anúncio do super-homem.A consciência é para Nietzche apenaso instrumento de uma unidade superior que eledenomina "corpo" (Leib) e que constitui a totalidade do indivíduo. Na concepção de Max Scheler e de seus seguidores, a antropologia filosófica sepropõe formular a concepção clássica do homem tendo em vista o rápido e amplodesenvolvimento das ciências humanas e das ciências biológicas que operam umarevisão profunda no problema das relações do homem com a natureza. No centro dacisão scheliana do homem está o conceito de pessoa. Na última fase de sua evoluçãopôs-se em primeiro plano a relação do homem com a natureza e afastou-seprogressivamente do conceito de um Deus pessoal, que desempenhou papelfundamental nas fases anteriores. A enumeração de modelos de antropologia filosófica no pensamento filosóficocontemporâneo não tem a pretensão de ser exaustiva, nem de capitar todos os matrizes,às vez extremamente sutis, que distiguem as consep. Coes de vários pensadores jálembrados e que freqüentemente apenas uma convençãohistoriográfica estabelecida sobuma mesma desiguinação. Veja algum desses modelos: antropologia existencial: naacepção kierkegaardiana, trata-se da existência cristã com existência do individuo quemanifesta sua singularidade irredutível à explicação lógica ao laçar sua liberdade nosalto absurdo da fé. Karl Jaspers (1883 – 11969) é o pensador que mais se aproximou de um modelode uma Antropologia existência. A obra principal de Jaspers é Philosophie na partecentral dessa obra institula-se justamente "clasificação da existência".Ele distingue ai oDasein, existência empírica do homem, e a Exsistenz, ou seja, o individuo em sua
  16. 16. unidade unicidade irredutível, mas confrontado com a Transcedencia por meio dasestruturas existenciais de Jaspers chama as "cifras" da trascedencia, entre as quais sedestaca a liberdade que é, ao mesmo tempo, lugar de leitura das "cifras"e também"cifra". Martin Heidegger, ao publicar em 1927 a primeira parte do Sein und zeit, tornou-se uma das fontes da concepção existencial do homem, ao propor inicialmente umaAnalítica existencial do Dasein ou do existente humano. Sartre teve sua reflexãopermanentemente voltada para os problemas ético-politicos e é sem dulvida sobre ofundo desse problemas que são traçadas as linhas de sua Antropologia existencial. ParaSartre o ser se manifesta em dois modos fundamentais: a coisa ou o en-soi e aconsciência ou o pour-soi.Maurice Merleau- Ponty(1908-1961) pode ser lembrado entreos autores que contribuíram para a constituição de uma Antropologia existencial pelainfluencia exercida por sua obra principal La Phénomenólogie de la perception(1945),onde se tenta uma síntese entre a psicologia da Forma(Gestalt) e afenomenologia do ser-no-mundo do homem, conduzida desde o ponto de vista dapercepção.-A antropologia personalista é uma designação reinvidicada por concepções do homem,as mais diversas e opostas, a característica comum dos personalismos de inspiraçãocristã é a afirmação do Deus pessoal trascendente como paradigma e fim último dapessoa.entre os personalistas cristãos mais conhecidos estão: Jacques Maritain (1882-1973) que formula uma concepção de pessoa largamente aberta aos grandes problemasda civilização contemporânea; Emmanuel Mounier (1905-1950), que ligou o nome dopersonalismo a um movimento político-cultural por ele fundado; Maurice Nédoncelle(1905-1976), sua obra é orientada para fundação de um personalismo cristão queacolhem importantes contribuições da análise fenomenológica; Joseph de Finance, cujasnotáveis contribuições no domínio da ética tomista inserindo-se numa rigorosa eamplamente arquitetadas filosofia da pessoa. Peter Wust (1889-1940), cuja obra DeiDia lektik des Geistes enumera-se entre as mais importantes contribuições aopensamento cristão neste século.-Antropologias Materialistas ocuparam por longo tempo uma posição de destaque navida intelectual do Ocidente, as antropologias que, de uma maneira ou outra, se filiavamà tradição marxista e elaboravam sob ângulos diversos sua Filosofia do homem sob ofundamento do Materialismo histórico ou sob a definição marxista do homem como serprodutor. Essas se caracterizam pelo fato de assumir como referencia epistemológicabásica uma determinada ciência que passa a ser considerada como ciência normativapara o conhecimento global do homem e para o desenho do modelo do homem que seconsidera ratificado pelo conhecimento científico. Entre as ciências convém enumeraras ciências das origens (Paleontologia e Pré-história humanas), a Biologia humana, asPsicologias profundas, a Linguagem e a Etmologia. A Filosofia contemporânea inclina-se a conceber o homem como um serpluriversal na representação de sua situação e face da realidade opera-se, uma inversãona direção dos vetores que circunscrevem o lugar ontológico do sujeito: para o homemuniversal esses vetores convergem, segundo a metafísica da reflexão sujeito-realidade;do homem pluriversal esses vetores irradiam, segundo a modalidade da abertura dosujeito às várias regiões do ser que se oferecem ao seu conhecimento e à sua ação. Eisdois modelos desse esquema plurivelsal:
  17. 17. O primeiro é proposto por Paul Ricoeur colocando a pluriversalidade do sujeito humanoem linhas fundamentais: o pensamento e a ação. O segundo, estudo dirigido por AndréJacob, fala do plural qualitativamente decisivo na interrogação filosófica sobre ohomem, que parte em diversas direções (metafísico, ético, social, natural, lógico,estético e o fundamental) à questão sobre o que é o homem?LIMA VAZ, Henrique C., Antropologia Filosófica, Vol. I e II, Edições Loyola, SãoPaulo 2004.

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