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realidade essa miopia das universidades públicas se dá pelo desconhecimentodo mundo real, pela soberba de sua existência e...
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REFERÊNCIASMARX, K.; ENGELS, F. O manifesto do Partido Comunista. São Paulo,Editora Martin Claret, 2006.MICHAELIS.Disponív...
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CONFESSAR, MERCANTILIZAR, DEMOCRATIZAR, MAS NÃO DEMONIZAR

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Qual o papel das universidades confessionais com relação à políticas públicas de inclusão como o PROUNI e o FIES?

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CONFESSAR, MERCANTILIZAR, DEMOCRATIZAR, MAS NÃO DEMONIZAR

  1. 1. CONFESSAR, MERCANTILIZAR, DEMOCRATIZAR, MAS NÃODEMONIZAR.Wesley Moreira PinheiroPesquisador em Marketing eEducação. Mestrando emAdministração pela PUC-SP.INTRODUÇÃOEste é um relato carregado de viés e elementos emocionais, digno deexpurgação teórica e acadêmica, capaz de atrair as pedras dos antepassadosalgozes de Maria Madalena, que outrora impedidos por aquele denominadoCristo indagando sobre as suas reais virtudes e pureza contra a inexistência deerros e pecados, tornando-os acima do bem e do mal, capazes de apedrejar esilenciar todo aquele insolente e audacioso que tentasse romper as amarras dadominação, da alienação social, dos valores impostos.DEMOCRATIZAÇÃO, MERCANTILIZAÇÃO E CORROSÃO DO ENSINOSUPERIOR NO BRASIL.Um espectro ronda a Europa - o espectro do comunismo. Todas aspotências da velha Europa uniram-se numa santa aliança a esseespectro: o Papa e o Czar, Metternich e Guiozol, radicais franceses epoliciais alemães”(MARX; ENGELS, 2006, p.43)O espectro pode ter muitos significados, para a física, matemática,biologia ou ciências sociais, não obstante, parafraseando o manifesto, oespectro nesse contexto é o espectro do ensino superior, que une forçasantagônicas e divergentes em prol de um discurso obscuro e subjetivo sobre odireito da formação universitária para todos. Faz pouco mais de uma décadaque o ensino superior turbinou-se nesse país, em números e números,ampliando a desigualdade da formação pública contra a formação privada, massocializando e democratizando o direito à formação universitária para todos enão só para uma minoria elitizada.
  2. 2. Do ponto de vista teórico, a democratização e expansão do ensino superior noBrasil são necessárias e irreversíveis, porém seus resultados apontam pararealidades distintas entre os que se formam e os que se diplomam. Isso de dápela insuficiência de recursos do governo federal em garantir vagas públicaspara todos. Quando se acessa um relatório do MEC sobre os dados do ensinosuperior no país é gritante a desigualdade entre oferta pública e oferta privada,e para ampliar essa desigualdade o governo federal fomenta as IES privadascom PROUNI e FIES. Esse fomento do crescimento do ensino superior privadoé um mal necessário, pois: Criar universidades públicas é altamente caro e sai mais baratosubsidiar ou arrendar vagas na universidade privada; Se o governo federal ampliar demais as vagas na universidade públicapossivelmente isso destruirá as universidades confessionais (Mackenzie,PUC, Metodista), pois os processos seletivos atuais das universidadesestatais não permitirão que o aluno de baixa renda, com baixoconhecimento médio possa competir com aquele que não entrouimediatamente na USP, mas tem condição de pagar a PUC. As universidades privadas estão muitas vezes ligadas ao contextopolítico e serve diretamente a dominação e alienação social. Se não fomenta as universidades privadas, não haverá como “melhorara formação” da população perante os índices mundiais.Essas proposições indicam alguns dos ‘n’ fatores que contemplam essecomplexo jogo de dominação social, da educação, do conhecimento, do sabere, do poder.Nos últimos anos o Financiamento Estudantil, conhecido como FIES, virou aprincipal arma de universidades privadas que visão diplomar, parcelarcertificado. Instituições que primam pelo lucro certo e pela vantagem fácil. E éassombroso o marketing que essas universidades têm aplicado em suas açõesem prol de conquistar mais e mais alunos, com garantia de pagamento dasmensalidades, pois o governo federal paga de uma vez só. Essa ideia nos levaa palavra MERCADO, que nos leva a uma discussão frequente no âmbitoacadêmico: a mercantilização do ensino superior. Já li e ouvi muito sobre isso,
  3. 3. mas de fato pouco ou quase nada se faz para mudar esse quadro. Primeiroproblema é o que significa para a comunidade acadêmica o termomercantilização, vejamos:Mercantilmer.can.tiladj (mercante+il) 1 Que se refere a mercadores ou a mercadorias. 2 Quepratica o comércio. 3 Ambicioso, cobiçoso, interesseiro. Escrituração m.: aque devem fazer as casas de comércio segundo as normas da lei.(MICHAELIS, 2013)Pelo cerne da palavra, fui em busca daquilo que se discute no âmbitoacadêmico sobre o termo mercantilização do ensino superior, vejamos:Chamar a filosofia e as demais humanidades de ciência, designartodas as atividades investigativas da Universidade como pesquisacientífica reflete o viés naturalista da concepção ortodoxa, a tese deque as ciências naturais constituem a forma paradigmática deconhecimento, modelo e padrão de a avaliação para todas as outras(OLIVEIRA, 2000, p.2)A privatização, implementadas pelas políticas neoliberaishegemônicas, sobretudo na América Latina, vêm atingindo as“instituições” universitárias públicas de tal modo que significa odesmantelamento do Ensino Superior público e sua consequentemercantilização. Nesse sentido, a política de restrição ao crescimentodas universidades públicas e sua reestruturação voltada para aprodutividade e competitividade, tem favorecido a propagação dasuniversidades privadas por intermédio da ideia do livre mercado(SCREMIN; MARTINS, 2005).Trata-se, portanto, de defendermos a “Universidade como instituiçãosocial, que desempenha uma ação social e uma prática socialfundada no reconhecimento público de sua legitimidade”. UmaUniversidade que desempenhe um papel-chave no desenvolvimentodos indivíduos e de uma nação. Neste sentido, a bandeira de luta quedevemos manter sempre de pé é a da defesa da UniversidadePública, Gratuita, de Qualidade e Referenciada Socialmente(SCREMIN; MARTINS, 2005).A discussão acadêmica visa uma abordagem teórica social sobre o público e oprivado, sobre o interesse de pesquisa acadêmica e sobre o interesse domercado, ou mesmo sobre a briga entre ciências naturais e sociais. Na
  4. 4. realidade essa miopia das universidades públicas se dá pelo desconhecimentodo mundo real, pela soberba de sua existência e pelo desprezo àsuniversidades que não são consideradas seus pares. Viajando ainda na minhabusca sobre uma definição mais real do que seria a Mercantilização do EnsinoSuperior deparei-me com o infame e blasfemo Wikpédia, que refere-se:A mercantilização da educação superior é o nome dado ao processoem que o desenvolvimento dos fins e dos meios da educaçãosuperior, tanto no âmbito estatal como no privado, sofre umareorientação de acordo com os princípios e a lógica do mercado esob a qual a educação superior, gradativa e progressivamente, perdeo status de bem público e assume a condição de serviço comercial(WIKPÉDIA, 2013).Acrescente que essa informação é oriunda de uma tese de doutorado: Bertolin,Julio César G. Avaliação da qualidade do sistema de educação superiorbrasileiro em tempos de mercantilização: período 1994-2003. Porto Alegre:UFRGS, 2007. 281 p.Possivelmente esses dois últimos dados revelam melhor a realidade, nua ecrua, pois por trás da democratização do ensino superior e do financiamentoestudantil está um desejo ambicioso, cobiçoso, interesseiro (MICHAELIS,2013).É preciso destacar que há uma chuva de propaganda nessas universidadesvisando apenas garantir o pagamento da mensalidade do aluno, por meio dofinanciamento. Nessas instituições não há compromisso com excelênciaacadêmica ou pesquisa científica. São alunos espremidos em salas de aulasmenores do que a capacidade (remete ao nosso sistema carcerário). Não hárespeito ou investimento relacionado ao professor, que não passa de umhorista, que deve contabilizar presença dos alunos, realizar inúmerasatividades e extrapolar na pontuação para que não os reprovem, pois acima detudo são eles (alunos) que pagam o salário do professor. Nesse sentido auniversidade enxerga o aluno como um cliente que paga, o professor comouma despesa inevitável e as ações governamentais em prol da expansão doensino superior como lucro certo.
  5. 5. E onde ficam as universidades confessionais nesse contexto? Do lado daspúblicas ou do lado das privadas? Talvez bem em cima do muro. Entende-sepor Instituição de Ensino Superior Confessional uma universidade, centrouniversitário ou faculdade que tenha ligação direta com uma igreja ou gruporeligioso, em outras palavras são as universidades Católicas, Presbiterianas,Metodistas, Batistas, entre outras.Essas universidades se diferenciam das demais, pois se aproxima do discursodas universidades públicas com relação a excelência acadêmica de ensino,pesquisa e extensão, mas se aproxima da universidade privada, pois cobrammensalidades pela prestação de serviço. Diferencia-se mais ainda, pois aexcelência custa caro, portanto isso é facilmente refletido nas mensalidades.Ou seja, aluno de baixa renda dificilmente consegue se formar em umauniversidade confessional. A universidade confessional não apresenta umaambição desenfreada com relação a sua expansão de alunos, e não pensa emencher salas de aula a qualquer preço, porém muitas delas agonizam emalguns cursos tradicionais, muitos deles nas licenciaturas, pois a demanda épequena até para a universidade pública e na disputa pelo aluno, aquele quenão entrou em Letras na USP, dificilmente pagará R$ 1000,00 reais em umaconfessional, quando poderá pagar 250,00 em uma universidade privada comfinanciamento estudantil.As universidades confessionais não priorizam PROUNI e FIES porque nãodependem deles para expandir a qualquer custo, porém podem usufruir delespara manter seus cursos de baixa demanda, especialmente os de licenciatura.Sabe-se que há falta de interesse nesse sentido, pois há uma ligação entre:aluno de baixa renda > ensino médio público de qualidade ruim >deficiência no acompanhamento universitário. Ou seja, aluno de PROUNI eFIES não tem condição de cursar uma universidade de excelência, pois nãoteve excelência na sua formação média. Bem, é verdade que há muitos alunosmal formados, um tanto de alunos que buscam realmente só financiar umdiploma, mas há bons alunos, capazes de se adaptar às exigênciasacadêmicas de uma PUC ou Mackenzie, que na realidade necessita apenas deuma oportunidade. E como encontrar esse aluno e proporcionar essa
  6. 6. oportunidade? Talvez seja mais fácil do que se queira. Toda igreja está emtodos os lugares, das elites às periferias, portanto elas conhecem o seurebanho e consequentemente podem encontrar esses alunos potenciais. Épossivelmente aceitável que uma paróquia, por exemplo, tenha grupos dejovens que tenham condições e vontade para se dedicar em universidadessérias, mas mesmo sendo católicos não tem condições de cursar uma PUC. Aífica a minha dúvida: será que não falta diálogo entre igreja e universidade, parausar de forma racional os benefícios do governo? É fato que elas nãoresolverão o problema frente as universidades privadas mercantilistas, porémpoderão salvar bons alunos, que dificilmente terão chance se não houveriniciativa e parceria entre universidade e igreja, e assim tornar-se de fato umainstituição realmente confessional. Se não há dois caminhos, ou eletiza-se devez e junta-se a FGV, FAAP, ESPM, que não precisam e nem se interessampor FIES e PROUNI e, fecham seus cursos de baixa demanda; ou usufrua deforma planejadas esses benefícios públicos em prol de manter cursos, mantervagas, e ao mesmo tempo dar condições dignas para alunos que realmentebuscam uma formação séria.Infelizmente não temos USP, UFF, UFMG, UFRGS e UFPE suficiente para darcondição equalizada de acesso à boa formação a todos os alunos, tão poucoesses alunos têm condição de se manter em IES privadas de excelência comoFGV, e justamente por isso aumenta a responsabilidade das universidadesconfessionais, que podem e devem agir nesse sentido. Para salvar cursos,para salvar alunos, para salvar professores.A universidade confessional prega que ciência e fé não são paradoxos, quedialogam e interagem, não obstante isso precisa sair do campo teórico-filosófico e ir ao encontro da prática, onde igreja e universidade podem simaliar-se aos programas FIES e PROUNI em prol de bons alunos, em cadacomunidade. Será que a universidade confessional é tão privada e elitizadaquanto uma FGV? Não há espaço para agir em prol da comunidade e dasociedade com universidade e igreja de mãos dadas? Será que toda essadiscussão não passa de utopia?
  7. 7. REFERÊNCIASMARX, K.; ENGELS, F. O manifesto do Partido Comunista. São Paulo,Editora Martin Claret, 2006.MICHAELIS.Disponível em: <http://michaelis.uol.com.br>OLIVEIRA, M. B. A ciência que queremos: e a mercantilização dauniversidade. Revista DAUSP, n.21, 2000. Disponívelem:<http://www2.fe.usp.br/~mbarbosa/cqmu.pdf>. Acesso em: 09 jun. 2013.SCREMIN, L.; MARTINS, P. P. – O processo de mercantilização daEducação Superior. Revista da UFG, v.7, n.2, 2005. Disponívelem:<http://www.proec.ufg.br/revista_ufg/45anos/D-mercantilizacao.html>.Acesso em : 08 jun. 2013.WIKPÉDIA. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/>

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