Comitê Científico Internacional da UNESCO para Redação da História Geral da África

HISTÓRIA GERAL
DA ÁFRICA II
•

África ...
Comitê Científico Internacional da UNESCO para Redação da História Geral da África

HISTÓRIA GERAL DA ÁFRICA • II
África a...
Coleção História Geral da África da UNESCO
Volume I 	
		

Metodologia e pré-história da África
(Editor J. Ki-Zerbo)

Volum...
Comitê Científico Internacional da UNESCO para Redação da História Geral da África

HISTÓRIA GERAL
DA ÁFRICA • II
África a...
Esta versão em português é fruto de uma parceria entre a Representação da UNESCO no Brasil, a
Secretaria de Educação Conti...
SUMÁRIO

Apresentação....................................................................................VII
Nota dos Trad...
VI

Capítulo 11 
Capítulo 12 
Capítulo 13 
Capítulo 14 
Capítulo 15 
Capítulo 16 
Capítulo 17 
Capítulo 18 
Capítulo 19 
C...
APRESENTAÇÃO

“Outra exigência imperativa é de que a história (e a cultura) da África devem pelo menos ser
vistas de dentr...
VIII

África antiga

A publicação da Coleção da História Geral da áfrica em português é também resultado do compromisso de...
NOTA DOS TRADUTORES

IX

NOTA DOS TRADUTORES

A Conferência de Durban ocorreu em 2001 em um contexto mundial diferente daq...
X

África antiga

os fatores assinalados para a explicação da pouca institucionalização da lei estava
a falta de materiais...
Cronologia

Na apresentação das datas da pré­‑história convencionou­‑se adotar dois tipos
de notação, com base nos seguint...
XIII

Lista de Figuras

Lista de Figuras

Figura 1   O Nilo, fotografado por um satélite Landsat em órbita a 920 km da
Ter...
XIV

África antiga

Figura 1.17  Fechadura de porta, de Hieracâmpolis. I dinastia egípcia....................................
Lista de Figuras

XV

Figura 5.14 e 5.15  Mirgissa: Rampa para barcos.. .....................................................
XVI

África antiga

Figura 9.3  Inscrição do rei Djer em Djebel Sheikh Suliman...............................................
Lista de Figuras

XVII

Figura 12.7  Faras: verga de porta decorada do início da Era Cristã (segunda metade do
século VI o...
XVIII

África antiga

Figura 19.1  As províncias romanas da África do Norte no final do século II da Era
Cristã..............
Lista de Figuras

XIX

Figura 25.4  Objetos encontrados no sítio de Batalimo, no sul de Bangui
(República Centro­‑Africana...
XX

África antiga

Figura 28.11  Caldeirão de pedra, civilização de Vohemar..................................................
XXI

Prefácio

Prefácio

por M. Amadou - Mahtar M’Bow,
Diretor Geral da UNESCO (1974-1987)

Durante muito tempo, mitos e p...
XXII

África antiga

vias que lhes são próprias e que o historiador só pode apreender renunciando a
certos preconceitos e ...
Prefácio

XXIII

É nesse contexto que emerge a importância da História Geral da África, em
oito volumes, cuja publicação a...
XXIV

África antiga

A terceira e última fase constituiu-se na redação e na publicação do trabalho.
Ela começou pela nomea...
Prefácio

XXV

Ao demonstrar a insuficiência dos enfoques metodológicos amiúde utilizados na pesquisa sobre a África, essa...
XXVI

África antiga

Igualmente, essa obra faz aparecerem nitidamente as relações da África com
o sul da Ásia através do O...
Apresentação do Projeto
pelo Professor Bethwell Allan Ogot
Presidente do Comitê Científico Internacional
para a redação de...
XXVIII

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África antiga

subdividido, nas obras publicadas até o momento. Os laços históricos
da África com os outro...
Apresentação do Projeto

XXIX

da UNESCO. A responsabilidade pela obra cabe, dessa forma, ao Comitê ou,
entre duas sessões...
XXX

África antiga

tarefa tal qual a redação de uma história da África, que cobre no espaço todo
um continente e, no temp...
XXXI

Introdução Geral

Introdução Geral
G. Mokhtar colaboração de J. Vercoutter

O presente volume da História Geral da Á...
XXXII

África antiga

Cristã, é denominado ilha do Magreb – de geologia, clima e ecologia geral
predominantemente mediterr...
Introdução Geral

XXXIII

Infelizmente, essa falta de documentos arqueológicos não pode ser suprida
pela narrativa de viaj...
XXXIV

África antiga

longo das margens do Nilo, entre a Primeira Catarata e a porção meridional do
Delta, tenha, pouco a ...
Introdução Geral

XXXV

bem como sobre as rotas secundárias, não menos importantes. No entanto, ainda
não se empreendeu ne...
XXXVI

África antiga

Por outro lado, a partir de -2400, o ressecamento da parte da África
compreendida entre os paralelos...
Introdução Geral

XXXVII

Na verdade, muito antes de Champollion, o misterioso Egito já despertava
curiosidade. No período...
XXXVIII

África antiga

até nós na íntegra, teria evitado muitas incertezas. Infelizmente desapareceu
quando a biblioteca ...
Introdução Geral

XXXIX

protocolos completos e o número de anos, meses e dias de seus reinados, em
ordem cronológica. For...
História geral da áfrica ii
História geral da áfrica ii
História geral da áfrica ii
História geral da áfrica ii
História geral da áfrica ii
História geral da áfrica ii
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História geral da áfrica ii

  1. 1. Comitê Científico Internacional da UNESCO para Redação da História Geral da África HISTÓRIA GERAL DA ÁFRICA II • África Antiga EDITOR GAMAL MOKHTAR UNESCO Representação no BRASIL Ministério da Educação do BRASIL Universidade Federal de São Carlos
  2. 2. Comitê Científico Internacional da UNESCO para Redação da História Geral da África HISTÓRIA GERAL DA ÁFRICA • II África antiga
  3. 3. Coleção História Geral da África da UNESCO Volume I Metodologia e pré-história da África (Editor J. Ki-Zerbo) Volume II África antiga (Editor G. Mokhtar) Volume III África do século VII ao XI (Editor M. El Fasi) (Editor Assistente I. Hrbek) Volume IV África do século XII ao XVI (Editor D. T. Niane) Volume V África do século XVI ao XVIII (Editor B. A. Ogot) Volume VI África do século XIX à década de 1880 (Editor J. F. A. Ajayi) Volume VII África sob dominação colonial, 1880-1935 (Editor A. A. Boahen) Volume VIII África desde 1935 (Editor A. A. Mazrui) (Editor Assistente C. Wondji) Os autores são responsáveis pela escolha e apresentação dos fatos contidos neste livro, bem como pelas opiniões nele expressas, que não são necessariamente as da UNESCO, nem comprometem a Organização. As indicações de nomes e apresentação do material ao longo deste livro não implicam a manifestação de qualquer opinião por parte da UNESCO a respeito da condição jurídica de qualquer país, território, cidade, região ou de suas autoridades, tampouco da delimitação de suas fronteiras ou limites.
  4. 4. Comitê Científico Internacional da UNESCO para Redação da História Geral da África HISTÓRIA GERAL DA ÁFRICA • II África antiga EDITOR GAMAL MOKHTAR Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura
  5. 5. Esta versão em português é fruto de uma parceria entre a Representação da UNESCO no Brasil, a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação do Brasil (Secad/MEC) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Título original: General History of Africa, II: Ancient Civilizations of Africa. Paris: UNESCO; Berkley, CA: University of California Press; London: Heinemann Educational Publishers Ltd., 1981. (Primeira edição publicada em inglês). © UNESCO 2010 (versão em português com revisão ortográfica e revisão técnica) Coordenação geral da edição e atualização: Valter Roberto Silvério Preparação de texto: Eduardo Roque dos Reis Falcão Revisão técnica: Kabengele Munanga Revisão e atualização ortográfica: Cibele Elisa Viegas Aldrovandi Projeto gráfico e diagramação: Marcia Marques / Casa de Ideias; Edson Fogaça e Paulo Selveira / UNESCO no Brasil História geral da África, II: África antiga / editado por Gamal Mokhtar. – 2.ed. rev. – Brasília : UNESCO, 2010. 1008 p. ISBN: 978-85-7652-124-2 1. História 2. História antiga 3. História africana 4. Culturas africanas 5. Norte da África 6. Leste da África 7. Oeste da África 8. Sul da África 9. África Central 10. África I. Mokhtar, Gamal II. UNESCO III. Brasil. Ministério da Educação IV. Universidade Federal de São Carlos Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) Representação no Brasil SAUS, Quadra 5, Bloco H, Lote 6, Ed. CNPq/IBICT/UNESCO, 9º andar 70070-912 – Brasília – DF – Brasil Tel.: (55 61) 2106-3500 Fax: (55 61) 3322-4261 Site: www.unesco.org/brasilia E-mail: grupoeditorial@unesco.org.br Ministério da Educação (MEC) Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad/MEC) Esplanada dos Ministérios, Bl. L, 2º andar 70047-900 – Brasília – DF – Brasil Tel.: (55 61) 2022-9217 Fax: (55 61) 2022-9020 Site: http://portal.mec.gov.br/index.html Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Rodovia Washington Luis, Km 233 – SP 310 Bairro Monjolinho 13565-905 – São Carlos – SP – Brasil Tel.: (55 16) 3351-8111 (PABX) Fax: (55 16) 3361-2081 Site: http://www2.ufscar.br/home/index.php Impresso no Brasil
  6. 6. SUMÁRIO Apresentação....................................................................................VII Nota dos Tradutores........................................................................... IX Cronologia........................................................................................ XI Lista de Figuras.............................................................................. XIII Prefácio...........................................................................................XXI Apresentação do Projeto...............................................................XXVII Introdução Geral.......................................................................... XXXI Capítulo 1  Capítulo 2  Capítulo 3  Capítulo 4  Capítulo 5  Capítulo 6  Capítulo 7  Capítulo 8  Origem dos antigos egípcios . ................................................. 1 O Egito faraônico.................................................................. 37 O Egito faraônico: sociedade, economia e cultura................. 69 Relações do Egito com o resto da África ............................. 97 O legado do Egito faraônico .............................................. 119 O Egito na época helenística............................................... 161 O Egito sob dominação romana.......................................... 191 A importância da Núbia: um elo entre a África central e o Mediterrâneo................................................................. 213 Capítulo 9  A Núbia antes de Napata (3100 a 750 antes da Era . Cristã). ................................................................................ 235 Capítulo 10  O Império de Kush: Napata e Méroe . ............................. 273
  7. 7. VI Capítulo 11  Capítulo 12  Capítulo 13  Capítulo 14  Capítulo 15  Capítulo 16  Capítulo 17  Capítulo 18  Capítulo 19  Capítulo 20  Capítulo 21  Capítulo 22  Capítulo 23  Capítulo 24  Capítulo 25  Capítulo 26  Capítulo 27  Capítulo 28  Capítulo 29  África antiga A civilização de Napata e Méroe....................................... 297 A cristianização da Núbia.................................................. 333 A cultura pré­‑axumita . ..................................................... 351 A civilização de Axum do século I ao século VII ............. 375 Axum do século I ao século IV: economia, sistema político e cultura................................................... 399 Axum cristão...................................................................... 425 Os protoberberes .............................................................. 451 O período cartaginês ........................................................ 473 O período romano e pós­‑romano na África do Norte....... 501 PARTE I  O período romano ........................................ 501 PARTE II  De Roma ao Islã ......................................... 547 O Saara durante a Antiguidade clássica ........................... 561 Introdução ao fim da Pré­‑História na África subsaariana......................................................................... 585 A costa da África oriental e seu papel no comércio marítimo ........................................................................... 607 A África oriental antes do século VII................................ 627 A África ocidental antes do século VII ............................ 657 A África central ................................................................ 691 A África meridional: caçadores e coletores ....................... 713 Início da Idade do Ferro na África meridional ................. 749 Madagáscar ....................................................................... 773 As sociedades da África subsaariana na Idade do Ferro Antiga . ............................................................................. 803 Anexo  Síntese do colóquio “O povoamento do antigo Egito e a decifração da escrita meroíta”...................................................... 821 Conclusão................................................................................................. 857 Membros do Comitê Científico Internacional para a Redação de uma História Geral da África................................................... 865 . Dados Biográficos dos Autores do Volume II........................................ 867 Abreviações e Listas de Periódicos.......................................................... 871 Referências Bibliográficas....................................................................... 879 Índice Remissivo...................................................................................... 939
  8. 8. APRESENTAÇÃO “Outra exigência imperativa é de que a história (e a cultura) da África devem pelo menos ser vistas de dentro, não sendo medidas por réguas de valores estranhos... Mas essas conexões têm que ser analisadas nos termos de trocas mútuas, e influências multilaterais em que algo seja ouvido da contribuição africana para o desenvolvimento da espécie humana”. J. Ki-Zerbo, História Geral da África, vol. I, p. LII. A Representação da UNESCO no Brasil e o Ministério da Educação têm a satisfação de disponibilizar em português a Coleção da História Geral da África. Em seus oito volumes, que cobrem desde a pré-história do continente africano até sua história recente, a Coleção apresenta um amplo panorama das civilizações africanas. Com sua publicação em língua portuguesa, cumpre-se o objetivo inicial da obra de colaborar para uma nova leitura e melhor compreensão das sociedades e culturas africanas, e demonstrar a importância das contribuições da África para a história do mundo. Cumpre-se, também, o intuito de contribuir para uma disseminação, de forma ampla, e para uma visão equilibrada e objetiva do importante e valioso papel da África para a humanidade, assim como para o estreitamento dos laços históricos existentes entre o Brasil e a África. O acesso aos registros sobre a história e cultura africanas contidos nesta Coleção se reveste de significativa importância. Apesar de passados mais de 26 anos após o lançamento do seu primeiro volume, ainda hoje sua relevância e singularidade são mundialmente reconhecidas, especialmente por ser uma história escrita ao longo de trinta anos por mais de 350 especialistas, sob a coordenação de um comitê científico internacional constituído por 39 intelectuais, dos quais dois terços africanos. A imensa riqueza cultural, simbólica e tecnológica subtraída da África para o continente americano criou condições para o desenvolvimento de sociedades onde elementos europeus, africanos, das populações originárias e, posteriormente, de outras regiões do mundo se combinassem de formas distintas e complexas. Apenas recentemente, temse considerado o papel civilizatório que os negros vindos da África desempenharam na formação da sociedade brasileira. Essa compreensão, no entanto, ainda está restrita aos altos estudos acadêmicos e são poucas as fontes de acesso público para avaliar este complexo processo, considerando inclusive o ponto de vista do continente africano.
  9. 9. VIII África antiga A publicação da Coleção da História Geral da áfrica em português é também resultado do compromisso de ambas as instituições em combater todas as formas de desigualdades, conforme estabelecido na declaração universal dos direitos humanos (1948), especialmente no sentido de contribuir para a prevenção e eliminação de todas as formas de manifestação de discriminação étnica e racial, conforme estabelecido na convenção internacional sobre a eliminação de todas as formas de discriminação racial de 1965. Para o Brasil, que vem fortalecendo as relações diplomáticas, a cooperação econômica e o intercâmbio cultural com aquele continente, essa iniciativa é mais um passo importante para a consolidação da nova agenda política. A crescente aproximação com os países da África se reflete internamente na crescente valorização do papel do negro na sociedade brasileira e na denúncia das diversas formas de racismo. O enfrentamento da desigualdade entre brancos e negros no país e a educação para as relações étnicas e raciais ganhou maior relevância com a Constituição de 1988. O reconhecimento da prática do racismo como crime é uma das expressões da decisão da sociedade brasileira de superar a herança persistente da escravidão. Recentemente, o sistema educacional recebeu a responsabilidade de promover a valorização da contribuição africana quando, por meio da alteração da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e com a aprovação da Lei 10.639 de 2003, tornou-se obrigatório o ensino da história e da cultura africana e afro-brasileira no currículo da educação básica. Essa Lei é um marco histórico para a educação e a sociedade brasileira por criar, via currículo escolar, um espaço de diálogo e de aprendizagem visando estimular o conhecimento sobre a história e cultura da África e dos africanos, a história e cultura dos negros no Brasil e as contribuições na formação da sociedade brasileira nas suas diferentes áreas: social, econômica e política. Colabora, nessa direção, para dar acesso a negros e não negros a novas possibilidades educacionais pautadas nas diferenças socioculturais presentes na formação do país. Mais ainda, contribui para o processo de conhecimento, reconhecimento e valorização da diversidade étnica e racial brasileira. Nessa perspectiva, a UNESCO e o Ministério da Educação acreditam que esta publicação estimulará o necessário avanço e aprofundamento de estudos, debates e pesquisas sobre a temática, bem como a elaboração de materiais pedagógicos que subsidiem a formação inicial e continuada de professores e o seu trabalho junto aos alunos. Objetivam assim com esta edição em português da História Geral da África contribuir para uma efetiva educação das relações étnicas e raciais no país, conforme orienta as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino da História e Cultura Afrobrasileira e Africana aprovada em 2004 pelo Conselho Nacional de Educação. Boa leitura e sejam bem-vindos ao Continente Africano. Vincent Defourny Fernando Haddad Representante da UNESCO no Brasil Ministro de Estado da Educação do Brasil
  10. 10. NOTA DOS TRADUTORES IX NOTA DOS TRADUTORES A Conferência de Durban ocorreu em 2001 em um contexto mundial diferente daquele que motivou as duas primeiras conferências organizadas pela ONU sobre o tema da discriminação racial e do racismo: em 1978 e 1983 em Genebra, na Suíça, o alvo da condenação era o apartheid. A conferência de Durban em 2001 tratou de um amplo leque de temas, entre os quais vale destacar a avaliação dos avanços na luta contra o racismo, na luta contra a discriminação racial e as formas correlatas de discriminação; a avaliação dos obstáculos que impedem esse avanço em seus diversos contextos; bem como a sugestão de medidas de combate às expressões de racismo e intolerâncias. Após Durban, no caso brasileiro, um dos aspectos para o equacionamento da questão social na agenda do governo federal é a implementação de políticas públicas para a eliminação das desvantagens raciais, de que o grupo afrodescendente padece, e, ao mesmo tempo, a possibilidade de cumprir parte importante das recomendações da conferência para os Estados Nacionais e organismos internacionais. No que se refere à educação, o diagnóstico realizado em novembro de 2007, a partir de uma parceria entre a UNESCO do Brasil e a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação (SECAD/ MEC), constatou que existia um amplo consenso entre os diferentes participantes, que concordavam, no tocante a Lei 10.639-2003, em relação ao seu baixo grau de institucionalização e sua desigual aplicação no território nacional. Entre
  11. 11. X África antiga os fatores assinalados para a explicação da pouca institucionalização da lei estava a falta de materiais de referência e didáticos voltados à História de África. Por outra parte, no que diz respeito aos manuais e estudos disponíveis sobre a História da África, havia um certo consenso em afirmar que durante muito tempo, e ainda hoje, a maior parte deles apresenta uma imagem racializada e eurocêntrica do continente africano, desfigurando e desumanizando especialmente sua história, uma história quase inexistente para muitos até a chegada dos europeus e do colonialismo no século XIX. Rompendo com essa visão, a História Geral da África publicada pela UNESCO é uma obra coletiva cujo objetivo é a melhor compreensão das sociedades e culturas africanas e demonstrar a importância das contribuições da África para a história do mundo. Ela nasceu da demanda feita à UNESCO pelas novas nações africanas recém-independentes, que viam a importância de contar com uma história da África que oferecesse uma visão abrangente e completa do continente, para além das leituras e compreensões convencionais. Em 1964, a UNESCO assumiu o compromisso da preparação e publicação da História Geral da África. Uma das suas características mais relevantes é que ela permite compreender a evolução histórica dos povos africanos em sua relação com os outros povos. Contudo, até os dias de hoje, o uso da História Geral da África tem se limitado sobretudo a um grupo restrito de historiadores e especialistas e tem sido menos usada pelos professores/as e estudantes. No caso brasileiro, um dos motivos desta limitação era a ausência de uma tradução do conjunto dos volumes que compõem a obra em língua portuguesa. A Universidade Federal de São Carlos, por meio do Núcleo de Estudos Afrobrasileiros (NEAB/UFSCar) e seus parceiros, ao concluir o trabalho de tradução e atualização ortográfica do conjunto dos volumes, agradece o apoio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD), do Ministério da Educação (MEC) e da UNESCO por terem propiciado as condições para que um conjunto cada vez maior de brasileiros possa conhecer e ter orgulho de compartilhar com outros povos do continente americano o legado do continente africano para nossa formação social e cultural.
  12. 12. Cronologia Na apresentação das datas da pré­‑história convencionou­‑se adotar dois tipos de notação, com base nos seguintes critérios: • • Tomando como ponto de partida a época atual, isto é, datas B.P. (before present), tendo como referência o ano de + 1950; nesse caso, as datas são todas negativas em relação a + 1950. Usando como referencial o início da Era Cristã; nesse caso, as datas são simplesmente precedidas dos sinais ­‑ ou +. No que diz respeito aos séculos, as menções “antes de Cristo” e “depois de Cristo” são substituídas por “antes da Era Cristã”, “da Era Cristã”. Exemplos: (i) 2300 B.P. = ­‑350 (ii) 2900 a.C. = ­‑2900 1800 d.C. = +1800 (iii) século V a.C. = século V antes da Era Cristã século III d.C. = século III da Era Cristã
  13. 13. XIII Lista de Figuras Lista de Figuras Figura 1   O Nilo, fotografado por um satélite Landsat em órbita a 920 km da Terra............................................................................................................ XXXVII Figura 2   A Pedra de Palermo............................................................................................ XLI . Figura 3   O Papiro de Turim............................................................................................XLII . Figura 4   Cheias sazonais do Nilo................................................................................. XLVII Figura 5   A Paleta em xisto de Narmer, I dinastia, face anterior e posterior. ......................LII . Figura 6   Estátua do escriba sentado, Knubaf..................................................................LVIII Figura 1.1  Representação proto­‑histórica de Tera­‑Neter, um nobre negro da raça dos Anu, primeiros habitantes do Egito........................................................................ 7 Figura 1.2  Estatuetas pré­‑dinásticas......................................................................................... 7 . Figura 1.3  Cabo da faca de Djebel el­‑Arak, Pré­‑Dinástico Tardio. ..................................... 14 Figura 1.4  Cativos semitas do tempo dos faraós. Rocha do Sinai........................................ 14 Figura 1.5  Cativos indo­‑europeus.......................................................................................... 15 Figura 1.6  Cativo indo­‑europeu............................................................................................. 15 Figura 1.7  Quéops, faraó da IV dinastia, construtor da Grande Pirâmide............................. 19 Figura 1.8  Faraó Mentuhotep I............................................................................................. 20 . Figura 1.9  Ramsés II e um Batutsi moderno......................................................................... 23 Figura 1.10  A Esfinge, tal como foi encontrada pela primeira missão científica francesa no século XIX..................................................................................................... 23 Figuras 1.11, 1.12, 1.13 e 1.14  Quatro tipos indo­‑europeus.................................................. 24 Figura 1.15  Dois semitas........................................................................................................ 24 Figura 1.16  Estrangeiro.......................................................................................................... 28
  14. 14. XIV África antiga Figura 1.17  Fechadura de porta, de Hieracâmpolis. I dinastia egípcia.................................... 28 Figura 1.18  Prisioneiro líbio................................................................................................... 28 Figura 1.19  Um faraó da I dinastia egípcia............................................................................ 29 Figura 1. 20  Zoser, típico negro, faraó da III dinastia............................................................ 29 Figura 2.1  O Nilo, da Terceira Catarata até o Mediterrâneo................................................. 40 Figura 2.2  Cronologia da história egípcia.............................................................................. 41 Figura 2.3  Tesouro de Tutancâmon. Anúbis na entrada do tesouro....................................... 44 Figura 2.4  Quéfren................................................................................................................. 49 Figura 2.5  Rainha Hatshepsut sentada.................................................................................. 59 Figura 2.6  Aquenáton diante do Sol...................................................................................... 61 Figura 2.7  Tesouro de Tutancâmon........................................................................................ 64 Figura 2.8  Howard Carter, o arqueólogo que descobriu o túmulo de Tutancâmon............... 64 Figura 3.1  Empilhamento do feno......................................................................................... 71 Figura 3.2  Colheita................................................................................................................ 71 Figura 3.3  Caça ao hipopótamo............................................................................................. 73 Figura 3.4  Pesca com rede...................................................................................................... 73 Figura 3.5  Abastecimento dos celeiros (desenho).................................................................. 80 Figura 3.6  Prestação de contas............................................................................................... 80 Figura 3.7  Tributo de prisioneiros líbios do Antigo Império................................................. 85 Figura 3.8  Séti I matando um chefe líbio. . ........................................................................... 85 m Figura 3.9  Vindima e espre­ edura........................................................................................ 90 Figura 4.1  O Chifre da África e as regiões vizinhas na Antiguidade................................... 100 Figura 4.2  Pelicanos domesticados....................................................................................... 103 Figura 4.3  Operações navais................................................................................................. 103 Figura 4.4  Tributo núbio de Rekhmira.. .............................................................................. 109 . Figura 4.5   Habitações do reino de Punt............................................................................. 114 . Figura 4.6  Tributo de Punt................................................................................................... 114 Figura 5.1  Fabricação de tijolos........................................................................................... 122 . Figura 5.2  Fabricação de vasos de metal.............................................................................. 125 Figura 5.3  Fabricação da cerveja. Antigo Império............................................................... 128 . Figura 5.4  Modelo de uma oficina de tecelagem. XII dinastia, c. - 2000............................. 128 Figura 5.5  Marceneiros trabalhando.................................................................................... 129 Figura 5.6  Colunas protodóricas de Deir el­‑Bahari............................................................. 132 Figura 5.7  As pirâmides de Snefru, no Dachur.................................................................... 132 Figura 5.8  Carnac: câmara do barco de Âmon..................................................................... 134 Figura 5.9  Gisé: câmara do barco de Quéops....................................................................... 134 Figura 5.10  Ramsés II (técnica dos fluidos)......................................................................... 136 Figura 5.11 e 5.12  Vista parcial de Mirgissa, fortaleza militar construída há aproximadamente 4 mil anos............................................................................ 145 Figura 5.13  Colunas fasciculadas do templo de Sacará........................................................ 146
  15. 15. Lista de Figuras XV Figura 5.14 e 5.15  Mirgissa: Rampa para barcos.. ............................................................... 148 . Figura 5.16  Um jardim egípcio............................................................................................ 149 Figura 5.17  Urbanismo: planta da cidade de Illahun (Kahun)............................................. 149 Figura 5.18  Mirgissa............................................................................................................ 151 Figura 5.19  Mirgissa............................................................................................................ 151 Figura 5.20  Mirgissa, Muralha externa................................................................................ 153 Figura 5.21  Mirgissa. Muralha setentrional......................................................................... 153 Figura 5.22  Mirgissa. Casa particular................................................................................... 155 Figura 5.23  Modelo de uma casa do Médio Império. ......................................................... 155 . Figura 5.24  A deusa Hátor.................................................................................................. 157 . Figura 6.1  Relevo representando a deusa Ísis com o filho Harpócrates em segundo plano.................................................................................................................... 167 Figura 6.2  Cabeça de Alexandre, o Grande.......................................................................... 170 Figura 6.3  O Farol de Alexandria.. ...................................................................................... 173 . Figura 6.4  O mundo segundo Heródoto e Hecateu............................................................ 179 . Figura 6.5  Ulisses fugindo de Polifemo, escondido sob o ventre de um carneiro................. 182 Figura 6.6  Pintura do túmulo de Anfushi, Alexandria......................................................... 182 Figura 6.7  Fragmento de um balsamário em bronze............................................................ 184 Figura 6.8  Cabeça grotesca.................................................................................................. 184 . Figura 6.9  Estatueta (fragmento): “acendedor de candeeiro” negro, caminhando, vestindo uma túnica e carregando uma pequena escada no braço esquerdo (faltam o braço direito e os pés).......................................................................... 184 Figura 6.10  Cleópatra VII.................................................................................................... 188 Figura 7.1  Cabeça de tetrarca. ............................................................................................. 194 . Figura 7.2  Cabeça de Vespasiano......................................................................................... 199 Figura 7.3  Termas romanas e hipocausto............................................................................. 201 Figura 7.4  O corredor que circunda o teatro romano. ......................................................... 201 . Figura 7.5  Estatueta de um gladiador negro em pé, vestindo uma túnica, couraça e elmo, armado de escudo e adaga.......................................................................... 204 Figura 7.6  Estatueta de um soldado negro em pé, empunhando um machado duplo. ........ 204 . Figura 7.7  Ladrilho de cerâmica: negro ajoelhado, soprando um instrumento musical....... 204 Figura 7.8  Pintura de Baouit................................................................................................ 211 Figura 7.9  Mosteiro de Mari­‑Mina...................................................................................... 211 Figura 8.1  O vale do Nilo e o Corredor Núbio. .................................................................. 214 . Figura 8.2  A Núbia antiga................................................................................................... 216 Figura 8.3  A Alta Núbia sudanesa....................................................................................... 217 Figura 8.4  Monumentos núbios de Filas em reconstrução na ilha vizinha de Agilkia. ....... 220 . Figura 8.5  O templo de Ísis em reconstrução em Agilkia.................................................... 220 Figura 9.1  A Núbia e o Egito.............................................................................................. 237 Figura 9.2  Tipos de sepulturas do Grupo A........................................................................ 239
  16. 16. XVI África antiga Figura 9.3  Inscrição do rei Djer em Djebel Sheikh Suliman............................................... 239 Figura 9.4  Tipos de cerâmica do Grupo A.......................................................................... 239 Figura 9.5  Sepulturas típicas do Grupo C........................................................................... 244 Figura 9.6  Tipos de cerâmica do Grupo C.......................................................................... 244 Figura 9.7  A Núbia, 1580 antes da Era Cristã..................................................................... 247 Figura 9.8  As fortificações ocidentais de uma fortaleza do Médio Império em Buhen....... 249 Figuras 9.9, 9.10 e 9.11  Cerâmica de Kerma....................................................................... 251 Figuras 9.12 e 9.13  Cerâmica de Kerma.............................................................................. 253 Figura 9.14  Kerma: o Dufufa do Leste, com uma sepultura no primeiro plano.................. 255 Figura 9.15  Sepultura de Kerma.......................................................................................... 255 Figuras 9.16 e 9.17  Cerâmica de Kerma.............................................................................. 258 Figura 9.18  Ornamentos pessoais........................................................................................ 260 Figura 9.19  Cerâmica de Kerma.......................................................................................... 260 Figura 9.20  A Núbia durante o Novo Império.................................................................... 262 Figura 9.21  O templo de Amenófis III em Soleb................................................................ 265 Figuras 9.22 e 9.23  Tipos de sepulturas do Novo Império................................................... 270 . Figura 10.1  Saqia................................................................................................................. 279 Figura 10.2  Estátua do rei Aspelta, em granito negro da Etiópia........................................ 281 Figura 10.3  Detalhe (busto)................................................................................................. 281 Figura 10.4  A rainha Amanishaketo: relevo da pirâmide Beg N6 de Méroe....................... 287 Figura 10.5  Artigo de vidro azul pintado, de Sedinga.......................................................... 291 . Figura 10.6  Coroa de Ballana.............................................................................................. 291 Figura 10.7  Sítios meroítas.................................................................................................. 293 . Figura 11.1  Carneiro de granito em Naga........................................................................... 301 Figura 11.2  Pirâmide do rei Natakamani em Méroe, com ruínas de capela e pilono em primeiro plano............................................................................................. 301 Figura 11.3  Placa de arenito representando o príncipe Arikankharor massacrando seus inimigos (possivelmente do século II da Era Cristã)........................................ 307 Figura 11.4  Rei Arnekhamani (templo dos leões em Mussawarat es­‑Sufra)....................... 307 Figura 11.5  Recipientes de bronze originários de Méroe..................................................... 315 Figura 11.6  Várias peças de cerâmica meroíta...................................................................... 321 Figura 11.7  Joias de ouro da rainha Amanishaketo (-41 a -12)........................................... 323 Figura 11.8  O deus Apedemak conduzindo outros deuses meroítas.................................... 329 Figura 11.9  O deus meroíta Sebiumeker (templo dos leões em Mussawarat es­‑Sufra)....... 329 Figura 12.1  O Nilo da Primeira à Sexta Catarata................................................................ 335 Figura 12.2  Arcadas da fachada leste da igreja de Qasr Ibrim............................................. 337 Figura 12.3  Catedral de Faras.............................................................................................. 337 Figura 12.4  Planta geral do sítio no interior das muralhas.................................................. 343 Figura 12.5  Edifícios cristãos descobertos pela expedição polonesa (1961­‑1964)................ 343 Figura 12.6  Cabeça de Santa Ana: mural da nave norte da catedral de Faras (século VIII). .................................................................................................... 345 .
  17. 17. Lista de Figuras XVII Figura 12.7  Faras: verga de porta decorada do início da Era Cristã (segunda metade do século VI ou início do século VII)....................................................................... 345 Figura 12.8  Fragmento de um friso decorativo em arenito do abside da catedral de Faras (primeira metade do século VII)............................................................. 347 Figura 12.9  Faras: Capitel de arenito (primeira metade do século VII)............................... 347 Figura 12.10  Janela em terracota da Igreja das Colunas de Granito na Velha Dongola, Sudão (fim do século VII).............................................................................. 348 Figura 12.11  Cerâmica da Núbia cristã................................................................................ 348 Figura 13.1  A Etiópia no período sul­‑arábico..................................................................... 353 . Figura 13.2  O “trono” ou “naos” de Haúlti........................................................................... 356 Figura 13.3  Estátua de Haúlti.............................................................................................. 358 Figura 13.4  Altar de incenso em Addi Galamo................................................................... 358 Figura 13. 5  A Etiópia no período pré­‑axumita intermediário............................................ 369 Figura 13.6  Touro em bronze, Mahabere Dyogwe............................................................... 373 Figuras 13.7, 13.8 e 13.9  Marcas de identidade em bronze de Yeha, em forma de b . pássaro, de leão e de ca­ rito montês................................................................. 373 Figura 14.1  Fotografia aérea de Axum. (Foto Instituto Etíope de Arqueologia.)................ 378 Figura 14.2  Leoa esculpida na parte lateral de uma rocha, período axumita....................... 384 . Figura 14.3  Matara: alicerce de um edifício axumita........................................................... 384 Figura 14.4  Base de um trono.............................................................................................. 390 Figura 14.5  Matara: inscrição do século II da Era Cristã.................................................... 390 Figura 14.6  Gargalo de jarro................................................................................................ 393 Figura 14.7  Incensório de estilo alexandrino. ...................................................................... 393 . Figura 14.8  Presa de elefante............................................................................................... 393 . Figura 15.1  Mapa da expansão axumita............................................................................... 402 Figura 15.2  Moeda de ouro do rei Endybis (século III da Era Cristã)................................. 407 Figura 15.3  Moeda de ouro do reino de Ousanas................................................................ 407 Figura 15.4  Inscrição grega de Ezana (século IV)............................................................... 416 Figura 15.5  Inscrição em caracteres pseudo­‑sabeanos de Wa’Zaba (século VI)................... 422 Figura 16.1  O bispo Frumêncio, o rei Abraha (Ezana) e seu irmão Atsbaha, igreja de Abraba we Atsbaha (século XVII).................................................................... 433 Figura 16.2  Debre­‑Damo visto a distância........................................................................... 437 Figura 16.3  O acesso ao convento em Debre­‑Damo............................................................ 437 Figura 16.4  Pintura da igreja de Goh: os Apóstolos (século XV)........................................ 440 Figura 16.5  Igreja de Abba Aregawi em Debre­‑Damo........................................................ 449 Figura 16.6  Chantres inclinando­‑se religiosamente............................................................. 449 Figura 17.1  Crânio de Columnata....................................................................................... 455 Figura 17.2  Homem de Champlain: crânio ibero­‑maurusiense........................................... 457 Figura 17.3  Crânio de homem capsiense............................................................................. 457 Figura 17.4  Leões de Kbor Roumia...................................................................................... 468 Figura 17.5  Estela líbia de Abizar (sudeste de Tigzirt)........................................................ 471
  18. 18. XVIII África antiga Figura 19.1  As províncias romanas da África do Norte no final do século II da Era Cristã................................................................................................................ 503 Figura 19.2  Timgad (antiga Thamugadi, Argélia): Avenida e Arco de Trajano................... 505 Figura 19.3  Mactar (antiga Mactaris, Tunísia): Arco de Trajano, entrada do fórum............ 505 Figura 19.4  As províncias romanas da África do Norte no final do século IV da Era Cristã................................................................................................................ 511 . Figura 19.5  O aqueduto de Chercell (Argélia). ................................................................... 520 Figura 19.6  Sabrata (Líbia): Frons scaenae do teatro romano............................................... 520 Figura 19.7  Mosaico de Susa: Virgílio escrevendo a “Eneida”............................................. 529 . Figura 19.8  Djemila (antiga Cuicul, Argélia): centro da cidade........................................... 535 Figura 19.9  Lebda (antiga Leptis Magna, Líbia): trabalhos em curso no anfiteatro romano.............................................................................................................. 535 Figura 19.10  Mosaico de Chebba: Triunfo de Netuno........................................................ 539 Figura 19.11  Trípoli (antiga Oea, Líbia): Arco do Triunfo de Marco Aurélio..................... 543 Figura 19.12  Timgad (Argélia): Fortaleza bizantina, século VI........................................... 555 Figura 19.13 e 19.14  Haidra (Tunísia): Fortaleza bizantina, século VI. Detalhe e vista geral........................................................................................................ 557 Figura 19.15  Sbeitla (Tunísia): Prensa de azeite instalada numa antiga rua da cidade romana (séculos VI a VII)................................................................................... 559 Figura 19.16  Djedar de Ternaten, perto de Frenda (Argélia): Câmara funerária, século VI......................................................................................................... 559 Figura 20.1  Esqueleto da “rainha Tin Hinan”...................................................................... 572 Figura 20.2  Bracelete de ouro da “rainha Tin Hinan”.......................................................... 572 Figura 20.3  O túmulo da “rainha Tin Hinan” em Abalessa................................................. 575 Figura 20.4  Tipos “garamantes” num mosaico romano de Zliten, Tripolitânia.................... 579 Figuras 20.5 e 20.6  A avaliação da idade das pinturas rupestres baseia­‑se em critérios . de estilo e de pátina.......................................................................................... 581 Figura 21.1  Hipóteses da origem dos Bantu e do início da metalurgia do ferro.................. 587 Figura 21.2  Jazidas de cobre e rotas de caravana através do Saara....................................... 599 Figura 23.1  África oriental: mapa político e mapa indicativo da distribuição de línguas e povos.............................................................................................................. 629 Figura 23.2  Agrupamentos de línguas africanas ocidentais e suas relações de parentesco.. . 642 . Figura 24.1  África ocidental: sítios pré­‑históricos importantes. .......................................... 663 . Figura 24.2  Saara: mapa do relevo....................................................................................... 664 Figura 24.3  Complexo do vale de Tilemsi........................................................................... 667 Figura 24.4  Região de Tichitt.............................................................................................. 670 Figura 24.5  Montículos de detritos do Firki........................................................................ 685 Figura 25.1  Mapa da África central com a indicação dos lugares mencionados no texto............................................................................................................. 692 . Figura 25.2  Mapa da África Central com a indicação das regiões de ocupação “neolítica” e da “Idade do Ferro Antiga”............................................................ 695 Figura 25.3  Machado polido uelense (hematita).................................................................. 698
  19. 19. Lista de Figuras XIX Figura 25.4  Objetos encontrados no sítio de Batalimo, no sul de Bangui (República Centro­‑Africana).......................................................................... 703 . Figura 25.5  Objetos encontrados em Sanga. ....................................................................... 705 Figura 26.1  Pintura rupestre: mulheres com bastões de cavar lastreados por pedras perfuradas............................................................................................................ 723 Figura 26.2  Grupo de homens com arcos, flechas e aljavas.................................................. 723 Figura 26.3  Cena de pesca de Tsoelike, Lesoto.................................................................... 723 Figura 26.4  Grupo de caçadores em sua caverna, cercados por uma série de bastões de cavar, bolsas, aljavas e arcos.......................................................................... 729 Figura 26.5  Grande grupo de figuras, a maioria delas visivelmente masculinas, provavelmente numa cena de dança.................................................................. 729 Figura 26.6  Os encontros ocasionais de grupos são assinalados muito mais pelo conflito do que pela cooperação........................................................................ 729 Figura 26.7  Mapa da África meridional mostrando a distribuição de sítios da Idade da Pedra Recente................................................................................................. 737 Figura 26.8  As mais antigas datas conhecidas para o aparecimento da cerâmica e dos animais domésticos nos contextos da Idade da Pedra Recente na África austral..................................................................................................... 738 Figura 26.9  Rebanho de carneiros de cauda grossa.............................................................. 742 . Figura 26.10  Galeão pintado nas montanhas do Cabo ocidental. ....................................... 742 Figura 26.11  Carroças, cavalos e trekkers (migrantes) observados quando se dirigiam para as pastagens entre montanhas do Cabo ocidental no princípio do século XVIII da Era Cristã....................................................................... 747 Figura 26.12  Grupo de pequenos ladrões de gado armados com arcos e flechas, defendendo sua presa contra figuras maiores munidas de escudos e lanças.............................................................................................................. 747 Figura 27.1  África meridional: sítios da Idade do Ferro Antiga e sítios conexos mencionados no texto....................................................................................... 751 Figura 27.2  África meridional: sítios.................................................................................... 753 Figura 27.3  Cerâmica de Mabveni e de Dambwa................................................................ 758 Figura 27.4  Cerâmica da Idade do Ferro Antiga proveniente de Twickenham Road e de Kalundu..................................................................................................... 758 Figura 28.1  Madagáscar: lugares citados no texto................................................................ 775 Figura 28.2  Madagáscar: sítios importantes......................................................................... 777 Figura 28.3  Aldeia de Andavadoaka no sudoeste................................................................. 780 Figura 28.4  Cemitério de Ambohimalaza (Imerina). .......................................................... 780 . Figura 28.5  Porta antiga de Miandrivahiny Ambohimanga, Imerina.................................. 784 Figura 28.6  Canoa de pesca vezo de tipo indonésio, com balancim..................................... 788 Figura 28.7  Fole de forja com duplo pistão do tipo encontrado na Indonésia..................... 788 Figura 28.8  Cemitério de Marovoay, perto de Morondava. ................................................ 791 Figura 28.9  Estátua de Antsary: arte antanosy das proximidades de Fort­‑Dauphin. .......... 791 . Figura 28.10  Cerâmica chinesa de Vohemar........................................................................ 795
  20. 20. XX África antiga Figura 28.11  Caldeirão de pedra, civilização de Vohemar.................................................... 795 Figura 28.12  Arrozais em terraços nas proximidades de Ambositra, semelhantes aos . de Luzón, nas Filipinas.................................................................................. 799 Figura 28.13  Exercício de geomancia: extremo sul.............................................................. 799 Figura 28.14  Túmulo antalaotse em Antsoheribory............................................................. 801 Figura 28.15  Cerâmicas de Kingany e de Rasoky (século XV). Anzóis de Takaly . (século XII). ................................................................................................... 801
  21. 21. XXI Prefácio Prefácio por M. Amadou - Mahtar M’Bow, Diretor Geral da UNESCO (1974-1987) Durante muito tempo, mitos e preconceitos de toda espécie esconderam do mundo a real história da África. As sociedades africanas passavam por sociedades que não podiam ter história. Apesar de importantes trabalhos efetuados desde as primeiras décadas do século XX por pioneiros como Leo Frobenius, Maurice Delafosse e Arturo Labriola, um grande número de especialistas não africanos, ligados a certos postulados, sustentavam que essas sociedades não podiam ser objeto de um estudo científico, notadamente por falta de fontes e documentos escritos. Se a Ilíada e a Odisseia podiam ser devidamente consideradas como fontes essenciais da história da Grécia antiga, em contrapartida, negava-se todo valor à tradição oral africana, essa memória dos povos que fornece, em suas vidas, a trama de tantos acontecimentos marcantes. Ao escrever a história de grande parte da África, recorria-se somente a fontes externas à África, oferecendo uma visão não do que poderia ser o percurso dos povos africanos, mas daquilo que se pensava que ele deveria ser. Tomando frequentemente a “Idade Média” europeia como ponto de referência, os modos de produção, as relações sociais tanto quanto as instituições políticas não eram percebidos senão em referência ao passado da Europa. Com efeito, havia uma recusa a considerar o povo africano como o criador de culturas originais que floresceram e se perpetuaram, através dos séculos, por
  22. 22. XXII África antiga vias que lhes são próprias e que o historiador só pode apreender renunciando a certos preconceitos e renovando seu método. Da mesma forma, o continente africano quase nunca era considerado como uma entidade histórica. Em contrário, enfatizava-se tudo o que pudesse reforçar a ideia de uma cisão que teria existido, desde sempre, entre uma “África branca” e uma “África negra” que se ignoravam reciprocamente. Apresentava-se frequentemente o Saara como um espaço impenetrável que tornaria impossíveis misturas entre etnias e povos, bem como trocas de bens, crenças, hábitos e ideias entre as sociedades constituídas de um lado e de outro do deserto. Traçavam-se fronteiras intransponíveis entre as civilizações do antigo Egito e da Núbia e aquelas dos povos subsaarianos. Certamente, a história da África norte-saariana esteve antes ligada àquela da bacia mediterrânea, muito mais que a história da África subsaariana mas, nos dias atuais, é amplamente reconhecido que as civilizações do continente africano, pela sua variedade linguística e cultural, formam em graus variados as vertentes históricas de um conjunto de povos e sociedades, unidos por laços seculares. Um outro fenômeno que grandes danos causou ao estudo objetivo do passado africano foi o aparecimento, com o tráfico negreiro e a colonização, de estereótipos raciais criadores de desprezo e incompreensão, tão profundamente consolidados que corromperam inclusive os próprios conceitos da historiografia. Desde que foram empregadas as noções de “brancos” e “negros”, para nomear genericamente os colonizadores, considerados superiores, e os colonizados, os africanos foram levados a lutar contra uma dupla servidão, econômica e psicológica. Marcado pela pigmentação de sua pele, transformado em uma mercadoria entre outras, e destinado ao trabalho forçado, o africano veio a simbolizar, na consciência de seus dominadores, uma essência racial imaginária e ilusoriamente inferior: a de negro. Este processo de falsa identificação depreciou a história dos povos africanos no espírito de muitos, rebaixando-a a uma etno-história, em cuja apreciação das realidades históricas e culturais não podia ser senão falseada. A situação evoluiu muito desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em particular, desde que os países da África, tendo alcançado sua independência, começaram a participar ativamente da vida da comunidade internacional e dos intercâmbios a ela inerentes. Historiadores, em número crescente, têm se esforçado em abordar o estudo da África com mais rigor, objetividade e abertura de espírito, empregando – obviamente com as devidas precauções – fontes africanas originais. No exercício de seu direito à iniciativa histórica, os próprios africanos sentiram profundamente a necessidade de restabelecer, em bases sólidas, a historicidade de suas sociedades.
  23. 23. Prefácio XXIII É nesse contexto que emerge a importância da História Geral da África, em oito volumes, cuja publicação a Unesco começou. Os especialistas de numerosos países que se empenharam nessa obra, preocuparam-se, primeiramente, em estabelecer-lhe os fundamentos teóricos e metodológicos. Eles tiveram o cuidado em questionar as simplificações abusivas criadas por uma concepção linear e limitativa da história universal, bem como em restabelecer a verdade dos fatos sempre que necessário e possível. Eles esforçaram-se para extrair os dados históricos que permitissem melhor acompanhar a evolução dos diferentes povos africanos em sua especificidade sociocultural. Nessa tarefa imensa, complexa e árdua em vista da diversidade de fontes e da dispersão dos documentos, a UNESCO procedeu por etapas. A primeira fase (1965-1969) consistiu em trabalhos de documentação e de planificação da obra. Atividades operacionais foram conduzidas in loco, através de pesquisas de campo: campanhas de coleta da tradição oral, criação de centros regionais de documentação para a tradição oral, coleta de manuscritos inéditos em árabe e ajami (línguas africanas escritas em caracteres árabes), compilação de inventários de arquivos e preparação de um Guia das fontes da história da África, publicado posteriormente, em nove volumes, a partir dos arquivos e bibliotecas dos países da Europa. Por outro lado, foram organizados encontros, entre especialistas africanos e de outros continentes, durante os quais se discutiu questões metodológicas e traçou-se as grandes linhas do projeto, após atencioso exame das fontes disponíveis. Uma segunda etapa (1969 a 1971) foi consagrada ao detalhamento e à articulação do conjunto da obra. Durante esse período, realizaram-se reuniões internacionais de especialistas em Paris (1969) e Addis-Abeba (1970), com o propósito de examinar e detalhar os problemas relativos à redação e à publicação da obra: apresentação em oito volumes, edição principal em inglês, francês e árabe, assim como traduções para línguas africanas, tais como o kiswahili, o hawsa, o peul, o yoruba ou o lingala. Igualmente estão previstas traduções para o alemão, russo, português, espanhol e chinês1, além de edições resumidas, destinadas a um público mais amplo, tanto africano quanto internacional. 1 O volume I foi publicado em inglês, árabe, chinês, coreano, espanhol, francês, hawsa, italiano, kiswahili, peul e português; o volume II, em inglês, árabe, chinês, coreano, espanhol, francês, hawsa, italiano, kiswahili, peul e português; o volume III, em inglês, árabe, espanhol e francês; o volume IV, em inglês, árabe, chinês, espanhol, francês e português; o volume V, em inglês e árabe; o volume VI, em inglês, árabe e francês; o volume VII, em inglês, árabe, chinês, espanhol, francês e português; o VIII, em inglês e francês.
  24. 24. XXIV África antiga A terceira e última fase constituiu-se na redação e na publicação do trabalho. Ela começou pela nomeação de um Comitê Científico Internacional de trinta e nove membros, composto por africanos e não africanos, na respectiva proporção de dois terços e um terço, a quem incumbiu-se a responsabilidade intelectual pela obra. Interdisciplinar, o método seguido caracterizou-se tanto pela pluralidade de abordagens teóricas quanto de fontes. Dentre essas últimas, é preciso citar primeiramente a arqueologia, detentora de grande parte das chaves da história das culturas e das civilizações africanas. Graças a ela, admite-se, nos dias atuais, reconhecer que a África foi, com toda probabilidade, o berço da humanidade, palco de uma das primeiras revoluções tecnológicas da história, ocorrida no período Neolítico. A arqueologia igualmente mostrou que, na África, especificamente no Egito, desenvolveu-se uma das antigas civilizações mais brilhantes do mundo. Outra fonte digna de nota é a tradição oral que, até recentemente desconhecida, aparece hoje como uma preciosa fonte para a reconstituição da história da África, permitindo seguir o percurso de seus diferentes povos no tempo e no espaço, compreender, a partir de seu interior, a visão africana do mundo, e apreender os traços originais dos valores que fundam as culturas e as instituições do continente. Saber-se-á reconhecer o mérito do Comitê Científico Internacional encarregado dessa História geral da África, de seu relator, bem como de seus coordenadores e autores dos diferentes volumes e capítulos, por terem lançado uma luz original sobre o passado da África, abraçado em sua totalidade, evitando todo dogmatismo no estudo de questões essenciais, tais como: o tráfico negreiro, essa “sangria sem fim”, responsável por umas das deportações mais cruéis da história dos povos e que despojou o continente de uma parte de suas forças vivas, no momento em que esse último desempenhava um papel determinante no progresso econômico e comercial da Europa; a colonização, com todas suas consequências nos âmbitos demográfico, econômico, psicológico e cultural; as relações entre a África ao sul do Saara e o mundo árabe; o processo de descolonização e de construção nacional, mobilizador da razão e da paixão de pessoas ainda vivas e muitas vezes em plena atividade. Todas essas questões foram abordadas com grande preocupação quanto à honestidade e ao rigor científico, o que constitui um mérito não desprezível da presente obra. Ao fazer o balanço de nossos conhecimentos sobre a África, propondo diversas perspectivas sobre as culturas africanas e oferecendo uma nova leitura da história, a História geral da África tem a indiscutível vantagem de destacar tanto as luzes quanto as sombras, sem dissimular as divergências de opinião entre os estudiosos.
  25. 25. Prefácio XXV Ao demonstrar a insuficiência dos enfoques metodológicos amiúde utilizados na pesquisa sobre a África, essa nova publicação convida à renovação e ao aprofundamento de uma dupla problemática, da historiografia e da identidade cultural, unidas por laços de reciprocidade. Ela inaugura a via, como todo trabalho histórico de valor, para múltiplas novas pesquisas. É assim que, em estreita colaboração com a UNESCO, o Comitê Científico Internacional decidiu empreender estudos complementares com o intuito de aprofundar algumas questões que permitirão uma visão mais clara sobre certos aspectos do passado da África. Esses trabalhos, publicados na coleção UNESCO – História geral da África: estudos e documentos, virão a constituir, de modo útil, um suplemento à presente obra2. Igualmente, tal esforço desdobrar-se-á na elaboração de publicações versando sobre a história nacional ou sub-regional. Essa História geral da África coloca simultaneamente em foco a unidade histórica da África e suas relações com os outros continentes, especialmente com as Américas e o Caribe. Por muito tempo, as expressões da criatividade dos afrodescendentes nas Américas haviam sido isoladas por certos historiadores em um agregado heteróclito de africanismos; essa visão, obviamente, não corresponde àquela dos autores da presente obra. Aqui, a resistência dos escravos deportados para a América, o fato tocante ao marronage [fuga ou clandestinidade] político e cultural, a participação constante e massiva dos afrodescendentes nas lutas da primeira independência americana, bem como nos movimentos nacionais de libertação, esses fatos são justamente apreciados pelo que eles realmente foram: vigorosas afirmações de identidade que contribuíram para forjar o conceito universal de humanidade. É hoje evidente que a herança africana marcou, em maior ou menor grau, segundo as regiões, as maneiras de sentir, pensar, sonhar e agir de certas nações do hemisfério ocidental. Do sul dos Estados Unidos ao norte do Brasil, passando pelo Caribe e pela costa do Pacífico, as contribuições culturais herdadas da África são visíveis por toda parte; em certos casos, inclusive, elas constituem os fundamentos essenciais da identidade cultural de alguns dos elementos mais importantes da população. 2 Doze números dessa série foram publicados; eles tratam respectivamente sobre: n. 1 − O povoamento do Egito antigo e a decodificação da escrita meroítica; n. 2 − O tráfico negreiro do século XV ao século XIX; n. 3 – Relações históricas através do Oceano Índico; n. 4 – A historiografia da África Meridional; n. 5 – A descolonização da África: África Meridional e Chifre da África [Nordeste da África]; n. 6 – Etnonímias e toponímias; n. 7 – As relações históricas e socioculturais entre a África e o mundo árabe; n. 8 – A metodologia da história da África contemporânea; n. 9 – O processo de educação e a historiografia na África; n. 10 – A África e a Segunda Guerra Mundial; n. 11 – Líbia Antiqua; n. 12 – O papel dos movimentos estudantis africanos na evolução política e social da África de 1900 a 1975.
  26. 26. XXVI África antiga Igualmente, essa obra faz aparecerem nitidamente as relações da África com o sul da Ásia através do Oceano Índico, além de evidenciar as contribuições africanas junto a outras civilizações em seu jogo de trocas mútuas. Estou convencido de que os esforços dos povos da África para conquistar ou reforçar sua independência, assegurar seu desenvolvimento e consolidar suas especificidades culturais devem enraizar-se em uma consciência histórica renovada, intensamente vivida e assumida de geração em geração. Minha formação pessoal, a experiência adquirida como professor e, desde os primórdios da independência, como presidente da primeira comissão criada com vistas à reforma dos programas de ensino de história e de geografia de certos países da África Ocidental e Central, ensinaram-me o quanto era necessário, para a educação da juventude e para a informação do público, uma obra de história elaborada por pesquisadores que conhecessem desde o seu interior os problemas e as esperanças da África, pensadores capazes de considerar o continente em sua totalidade. Por todas essas razões, a UNESCO zelará para que essa História Geral da África seja amplamente difundida, em numerosos idiomas, e constitua base da elaboração de livros infantis, manuais escolares e emissões televisivas ou radiofônicas. Dessa forma, jovens, escolares, estudantes e adultos, da África e de outras partes, poderão ter uma melhor visão do passado do continente africano e dos fatores que o explicam, além de lhes oferecer uma compreensão mais precisa acerca de seu patrimônio cultural e de sua contribuição ao progresso geral da humanidade. Essa obra deverá então contribuir para favorecer a cooperação internacional e reforçar a solidariedade entre os povos em suas aspirações por justiça, progresso e paz. Pelo menos, esse é o voto que manifesto muito sinceramente. Resta-me ainda expressar minha profunda gratidão aos membros do Comitê Científico Internacional, ao redator, aos coordenadores dos diferentes volumes, aos autores e a todos aqueles que colaboraram para a realização desta prodigiosa empreitada. O trabalho por eles efetuado e a contribuição por eles trazida mostram, com clareza, o quanto homens vindos de diversos horizontes, conquanto animados por uma mesma vontade e igual entusiasmo a serviço da verdade de todos os homens, podem fazer, no quadro internacional oferecido pela UNESCO, para lograr êxito em um projeto