Comitê Científico Internacional da UNESCO para Redação da História Geral da África

HISTÓRIA GERAL
DA ÁFRICA VI
•

África ...
Comitê Científico Internacional da UNESCO para Redação da História Geral da África

HISTÓRIA GERAL DA ÁFRICA • VI
África d...
Coleção História Geral da África da UNESCO
Volume I 	
		

Metodologia e pré-história da África
(Editor J. Ki-Zerbo)

Volum...
Comitê Científico Internacional da UNESCO para Redação da História Geral da África

HISTÓRIA GERAL
DA ÁFRICA • VI
África d...
Esta versão em português é fruto de uma parceria entre a Representação da UNESCO no Brasil, a
Secretaria de Educação Conti...
SUMÁRIO

Apresentação....................................................................................VII
Nota dos Trad...
VI

Capítulo 11 
Capítulo 12 
Capítulo 13 
Capítulo 14 
Capítulo 15 
Capítulo 16 
Capítulo 17 
Capítulo 18 
Capítulo 19 
C...
VII

APRESENTAÇÃO

APRESENTAÇÃO

“Outra exigência imperativa é de que a história (e a cultura) da África devem pelo menos ...
VIII

África do século XIX à década de 1880

A publicação da Coleção da História Geral da áfrica em português é também res...
NOTA DOS TRADUTORES

IX

NOTA DOS TRADUTORES

A Conferência de Durban ocorreu em 2001 em um contexto mundial diferente daq...
X

África do século XIX à década de 1880

os fatores assinalados para a explicação da pouca institucionalização da lei est...
Cronologia

Na apresentação das datas da pré-história convencionou-se adotar dois tipos
de notação, com base nos seguintes...
XIII

Lista de Figuras

Lista de Figuras

Figura 1.1 
Figura 3.1 
Figura 3.2 
Figura 3.3 
Figura 3.4 
Figura 4.1 
Figura 4...
XIV

África do século XIX à década de 1880

Figura 9.1  O litoral e o interior: povos e principais rotas comerciais, 1800­...
Lista de Figuras

XV

Figura 14.1  O Sudão sob o domínio turco, 1820­‑1881...................................................
XVI

África do século XIX à década de 1880

Figura 17.5  Mulheres da alta sociedade argelina servidas por uma escrava negr...
Lista de Figuras

XVII

Figura 25.5 
Personagens mascarados mossi, provavelmente “sacerdotes da terra”
representando a aut...
XIX

Prefácio

Prefácio

por M. Amadou - Mahtar M’Bow,
Diretor Geral da UNESCO (1974-1987)

Durante muito tempo, mitos e p...
XX

África do século XIX à década de 1880

vias que lhes são próprias e que o historiador só pode apreender renunciando a
...
Prefácio

XXI

É nesse contexto que emerge a importância da História Geral da África, em
oito volumes, cuja publicação a U...
XXII

África do século XIX à década de 1880

nove membros, composto por africanos e não-africanos, na respectiva proporção...
Prefácio

XXIII

aprofundamento de uma dupla problemática, da historiografia e da identidade
cultural, unidas por laços de...
XXIV

África do século XIX à década de 1880

Igualmente, essa obra faz aparecerem nitidamente as relações da África com
o ...
Apresentação do Projeto
pelo Professor Bethwell Allan Ogot
Presidente do Comitê Científico Internacional
para a redação de...
XXVI

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África do século XIX à década de 1880

subdividido, nas obras publicadas até o momento. Os laços históricos
...
Apresentação do Projeto

XXVII

da UNESCO. A direção da obra cabe, dessa forma, ao Comitê ou ao Conselho
Executivo, nesse ...
XXVIII

África do século XIX à década de 1880

chancela. Com efeito, pode-se facilmente imaginar a complexidade de uma
tar...
África no início do século XIX: problemas e perspectivas

1

CAPÍTULO 1

África no início do século XIX: problemas
e persp...
2

África do século XIX à década de 1880

tiva das fontes orais, assim como às novas fontes representadas pelos documentos...
África no início do século XIX: problemas e perspectivas

3

de Bonaparte, em vez de considerar o complexo conjunto de fat...
4

África do século XIX à década de 1880

nos diferentes territórios dos quais reivindicavam a posse. Na maior parte do
co...
África no início do século XIX: problemas e perspectivas

5

e resulta de uma extrapolação fundada nos poucos dados demogr...
6

África do século XIX à década de 1880

que o crescimento rápido da população, associado a recursos escassos e a uma
pro...
África no início do século XIX: problemas e perspectivas

7

pela metade, no período de uma geração, em determinadas regiõ...
8

África do século XIX à década de 1880

cidade de Freetown, fundada por escravos alforriados, uma colônia da Coroa e
a b...
África no início do século XIX: problemas e perspectivas

9

dos mercadores e dos missionários ingleses que, em um ou dois...
10

África do século XIX à década de 1880

apenas frutificariam mais tarde. Na África, as missões cristãs constituíram um
...
África no início do século XIX: problemas e perspectivas

11

deviam recrutar uma importante comitiva, composta principalm...
12

África do século XIX à década de 1880

inconcebível que se possa atribuir­‑lhe menos importância do que ao comércio
em...
África no início do século XIX: problemas e perspectivas

13

O estudo de algumas comunidades rurais da Tunísia, entre 175...
H istória geral da áfrica vi
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H istória geral da áfrica vi

  1. 1. Comitê Científico Internacional da UNESCO para Redação da História Geral da África HISTÓRIA GERAL DA ÁFRICA VI • África do século XIX à década de 1880 EDITOR J. F. ADE AJAYI UNESCO Representação no BRASIL Ministério da Educação do BRASIL Universidade Federal de São Carlos
  2. 2. Comitê Científico Internacional da UNESCO para Redação da História Geral da África HISTÓRIA GERAL DA ÁFRICA • VI África do século XIX à década de 1880
  3. 3. Coleção História Geral da África da UNESCO Volume I Metodologia e pré-história da África (Editor J. Ki-Zerbo) Volume II África antiga (Editor G. Mokhtar) Volume III África do século VII ao XI (Editor M. El Fasi) (Editor Assistente I. Hrbek) Volume IV África do século XII ao XVI (Editor D. T. Niane) Volume V África do século XVI ao XVIII (Editor B. A. Ogot) Volume VI África do século XIX à década de 1880 (Editor J. F. A. Ajayi) Volume VII África sob dominação colonial, 1880-1935 (Editor A. A. Boahen) Volume VIII África desde 1935 (Editor A. A. Mazrui) (Editor Assistente C. Wondji) Os autores são responsáveis pela escolha e apresentação dos fatos contidos neste livro, bem como pelas opiniões nele expressas, que não são necessariamente as da UNESCO, nem comprometem a Organização. As indicações de nomes e apresentação do material ao longo deste livro não implicam a manifestação de qualquer opinião por parte da UNESCO a respeito da condição jurídica de qualquer país, território, cidade, região ou de suas autoridades, tampouco da delimitação de suas fronteiras ou limites.
  4. 4. Comitê Científico Internacional da UNESCO para Redação da História Geral da África HISTÓRIA GERAL DA ÁFRICA • VI África do século XIX à decada de 1880 EDITOR J. F. Ade Ajayi Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura
  5. 5. Esta versão em português é fruto de uma parceria entre a Representação da UNESCO no Brasil, a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação do Brasil (Secad/MEC) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Título original: General History of Africa, VI: Africa in the nineteenth century until the 1880s. Paris: UNESCO; Berkley, CA: University of California Press; London: Heinemann Educational Publishers Ltd., 1989. (Primeira edição publicada em inglês). © UNESCO 2010 Coordenação geral da edição e atualização: Valter Roberto Silvério Tradutores: David Yann Chaigne, João Bortolanza, Luana Antunes Costa, Luís Hernan de Almeida Prado Mendoza, Milton Coelho, Sieni Maria Campos Revisão técnica: Kabengele Munanga Preparação de texto: Eduardo Roque dos Reis Falcão Revisão e atualização ortográfica: Ilunga Kabengele Projeto gráfico e diagramação: Marcia Marques / Casa de Ideias; Edson Fogaça e Paulo Selveira / UNESCO no Brasil História geral da África, VI: África do século XIX à década de 1880 / editado por J. F. Ade Ajayi. – Brasília : UNESCO, 2010. 1032 p. ISBN: 978-85-7652-128-0 1. História 2. História contemporânea 3. História africana 4. Culturas africanas 5. África I. Ajayi, J. F. Ade II. UNESCO III. Brasil. Ministério da Educação IV. Universidade Federal de São Carlos Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) Representação no Brasil SAUS, Quadra 5, Bloco H, Lote 6, Ed. CNPq/IBICT/UNESCO, 9º andar 70070-912 – Brasília – DF – Brasil Tel.: (55 61) 2106-3500 Fax: (55 61) 3322-4261 Site: www.unesco.org/brasilia E-mail: grupoeditorial@unesco.org.br Ministério da Educação (MEC) Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad/MEC) Esplanada dos Ministérios, Bl. L, 2º andar 70047-900 – Brasília – DF – Brasil Tel.: (55 61) 2022-9217 Fax: (55 61) 2022-9020 Site: http://portal.mec.gov.br/index.html Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Rodovia Washington Luis, Km 233 – SP 310 Bairro Monjolinho 13565-905 – São Carlos – SP – Brasil Tel.: (55 16) 3351-8111 (PABX) Fax: (55 16) 3361-2081 Site: http://www2.ufscar.br/home/index.php Impresso no Brasil
  6. 6. SUMÁRIO Apresentação....................................................................................VII Nota dos Tradutores........................................................................... IX Cronologia........................................................................................ XI Lista de Figuras.............................................................................. XIII Prefácio...........................................................................................XIX Apresentação do Projeto..................................................................XXV África no início do século XIX: problemas e perspectivas....... 1 A África e a economia­‑mundo.............................................. 27 Tendências e processos novos na África do século XIX........ 47 . A abolição do tráfico de escravos........................................... 77 O Mfecane e a emergência de novos Estados africanos...... 105 O impacto do Mfecane sobre a colônia do Cabo................ 147 Os britânicos, os bôeres e os africanos na África do Sul 1850­‑1880..................................................................... 169 Capítulo 8  Os países da bacia do Zambeze........................................... 211 Capítulo 9  O litoral e o interior da África Oriental de 1800 a 1845.................................................................................. 249 Capítulo 10  O litoral e o interior da África Oriental de 1845 a 1880................................................................................ 275 Capítulo 1  Capítulo 2  Capítulo 3  Capítulo 4  Capítulo 5  Capítulo 6  Capítulo 7 
  7. 7. VI Capítulo 11  Capítulo 12  Capítulo 13  Capítulo 14  Capítulo 15  Capítulo 16  Capítulo 17  Capítulo 18  Capítulo 19  Capítulo 20  Capítulo 21  Capítulo 22  Capítulo 23  Capítulo 24  Capítulo 25  Capítulo 26  Capítulo 27  Capítulo 28  Capítulo 29  África do século XIX à década de 1880 P ovos e Estados da região dos Grandes Lagos.................. 317 A . bacia do Congo e Angola.............................................. 343 O renascimento do Egito (1805­‑1881)............................. 377 . O Sudão no século XIX..................................................... 411 Etiópia e a Somália........................................................ 435 A adagascar, 1800­‑1880..................................................... 477 M N ovos desenvolvimentos no Magreb: Argélia, Tunísia e Líbia................................................................................ 517 O Marrocos do início do século XIX até 1880.................. 549 N ovas formas de intervenção europeia no Magreb............ 571 O Saara no século XIX...................................................... 591 A s revoluções islâmicas do século XIX na África . do Oeste. ........................................................................... 619 O califado de Sokoto e o Borno........................................ 641 O Macina e o Império Torodbe (Tucolor) até 1878.......... 699 E stados e povos da Senegâmbia e da Alta Guiné.............. 741 E stados e povos do Arco do Níger e do Volta................... 771 D aomé, país iorubá, Borgu (Borgou) e Benim no século XIX......................................................................... 813 O delta do Níger e Camarões............................................ 843 A diáspora africana............................................................ 875 Conclusão: a África às vésperas da conquista europeia...... 905 Membros do Comitê Científico Internacional para a Redação de uma História Geral da África........................................................931 Dados biográficos dos autores do volume VI......................................933 Abreviações e listas de periódicos.......................................................939 Referências bibliográficas..................................................................941 Índice remissivo..............................................................................1001
  8. 8. VII APRESENTAÇÃO APRESENTAÇÃO “Outra exigência imperativa é de que a história (e a cultura) da África devem pelo menos ser vistas de dentro, não sendo medidas por réguas de valores estranhos... Mas essas conexões têm que ser analisadas nos termos de trocas mútuas, e influências multilaterais em que algo seja ouvido da contribuição africana para o desenvolvimento da espécie humana”. J. Ki-Zerbo, História Geral da África, vol. I, p. LII. A Representação da UNESCO no Brasil e o Ministério da Educação têm a satisfação de disponibilizar em português a Coleção da História Geral da África. Em seus oito volumes, que cobrem desde a pré-história do continente africano até sua história recente, a Coleção apresenta um amplo panorama das civilizações africanas. Com sua publicação em língua portuguesa, cumpre-se o objetivo inicial da obra de colaborar para uma nova leitura e melhor compreensão das sociedades e culturas africanas, e demonstrar a importância das contribuições da África para a história do mundo. Cumpre-se, também, o intuito de contribuir para uma disseminação, de forma ampla, e para uma visão equilibrada e objetiva do importante e valioso papel da África para a humanidade, assim como para o estreitamento dos laços históricos existentes entre o Brasil e a África. O acesso aos registros sobre a história e cultura africanas contidos nesta Coleção se reveste de significativa importância. Apesar de passados mais de 26 anos após o lançamento do seu primeiro volume, ainda hoje sua relevância e singularidade são mundialmente reconhecidas, especialmente por ser uma história escrita ao longo de trinta anos por mais de 350 especialistas, sob a coordenação de um comitê científico internacional constituído por 39 intelectuais, dos quais dois terços africanos. A imensa riqueza cultural, simbólica e tecnológica subtraída da África para o continente americano criou condições para o desenvolvimento de sociedades onde elementos europeus, africanos, das populações originárias e, posteriormente, de outras regiões do mundo se combinassem de formas distintas e complexas. Apenas recentemente, temse considerado o papel civilizatório que os negros vindos da África desempenharam na formação da sociedade brasileira. Essa compreensão, no entanto, ainda está restrita aos altos estudos acadêmicos e são poucas as fontes de acesso público para avaliar este complexo processo, considerando inclusive o ponto de vista do continente africano.
  9. 9. VIII África do século XIX à década de 1880 A publicação da Coleção da História Geral da áfrica em português é também resultado do compromisso de ambas as instituições em combater todas as formas de desigualdades, conforme estabelecido na declaração universal dos direitos humanos (1948), especialmente no sentido de contribuir para a prevenção e eliminação de todas as formas de manifestação de discriminação étnica e racial, conforme estabelecido na convenção internacional sobre a eliminação de todas as formas de discriminação racial de 1965. Para o Brasil, que vem fortalecendo as relações diplomáticas, a cooperação econômica e o intercâmbio cultural com aquele continente, essa iniciativa é mais um passo importante para a consolidação da nova agenda política. A crescente aproximação com os países da África se reflete internamente na crescente valorização do papel do negro na sociedade brasileira e na denúncia das diversas formas de racismo. O enfrentamento da desigualdade entre brancos e negros no país e a educação para as relações étnicas e raciais ganhou maior relevância com a Constituição de 1988. O reconhecimento da prática do racismo como crime é uma das expressões da decisão da sociedade brasileira de superar a herança persistente da escravidão. Recentemente, o sistema educacional recebeu a responsabilidade de promover a valorização da contribuição africana quando, por meio da alteração da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e com a aprovação da Lei 10.639 de 2003, tornou-se obrigatório o ensino da história e da cultura africana e afro-brasileira no currículo da educação básica. Essa Lei é um marco histórico para a educação e a sociedade brasileira por criar, via currículo escolar, um espaço de diálogo e de aprendizagem visando estimular o conhecimento sobre a história e cultura da África e dos africanos, a história e cultura dos negros no Brasil e as contribuições na formação da sociedade brasileira nas suas diferentes áreas: social, econômica e política. Colabora, nessa direção, para dar acesso a negros e não negros a novas possibilidades educacionais pautadas nas diferenças socioculturais presentes na formação do país. Mais ainda, contribui para o processo de conhecimento, reconhecimento e valorização da diversidade étnica e racial brasileira. Nessa perspectiva, a UNESCO e o Ministério da Educação acreditam que esta publicação estimulará o necessário avanço e aprofundamento de estudos, debates e pesquisas sobre a temática, bem como a elaboração de materiais pedagógicos que subsidiem a formação inicial e continuada de professores e o seu trabalho junto aos alunos. Objetivam assim com esta edição em português da História Geral da África contribuir para uma efetiva educação das relações étnicas e raciais no país, conforme orienta as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino da História e Cultura Afrobrasileira e Africana aprovada em 2004 pelo Conselho Nacional de Educação. Boa leitura e sejam bem-vindos ao Continente Africano. Vincent Defourny Fernando Haddad Representante da UNESCO no Brasil Ministro de Estado da Educação do Brasil
  10. 10. NOTA DOS TRADUTORES IX NOTA DOS TRADUTORES A Conferência de Durban ocorreu em 2001 em um contexto mundial diferente daquele que motivou as duas primeiras conferências organizadas pela ONU sobre o tema da discriminação racial e do racismo: em 1978 e 1983 em Genebra, na Suíça, o alvo da condenação era o apartheid. A conferência de Durban em 2001 tratou de um amplo leque de temas, entre os quais vale destacar a avaliação dos avanços na luta contra o racismo, na luta contra a discriminação racial e as formas correlatas de discriminação; a avaliação dos obstáculos que impedem esse avanço em seus diversos contextos; bem como a sugestão de medidas de combate às expressões de racismo e intolerâncias. Após Durban, no caso brasileiro, um dos aspectos para o equacionamento da questão social na agenda do governo federal é a implementação de políticas públicas para a eliminação das desvantagens raciais, de que o grupo afrodescendente padece, e, ao mesmo tempo, a possibilidade de cumprir parte importante das recomendações da conferência para os Estados Nacionais e organismos internacionais. No que se refere à educação, o diagnóstico realizado em novembro de 2007, a partir de uma parceria entre a UNESCO do Brasil e a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação (SECAD/ MEC), constatou que existia um amplo consenso entre os diferentes participantes, que concordavam, no tocante a Lei 10.639-2003, em relação ao seu baixo grau de institucionalização e sua desigual aplicação no território nacional. Entre
  11. 11. X África do século XIX à década de 1880 os fatores assinalados para a explicação da pouca institucionalização da lei estava a falta de materiais de referência e didáticos voltados à História de África. Por outra parte, no que diz respeito aos manuais e estudos disponíveis sobre a História da África, havia um certo consenso em afirmar que durante muito tempo, e ainda hoje, a maior parte deles apresenta uma imagem racializada e eurocêntrica do continente africano, desfigurando e desumanizando especialmente sua história, uma história quase inexistente para muitos até a chegada dos europeus e do colonialismo no século XIX. Rompendo com essa visão, a História Geral da África publicada pela UNESCO é uma obra coletiva cujo objetivo é a melhor compreensão das sociedades e culturas africanas e demonstrar a importância das contribuições da África para a história do mundo. Ela nasceu da demanda feita à UNESCO pelas novas nações africanas recém-independentes, que viam a importância de contar com uma história da África que oferecesse uma visão abrangente e completa do continente, para além das leituras e compreensões convencionais. Em 1964, a UNESCO assumiu o compromisso da preparação e publicação da História Geral da África. Uma das suas características mais relevantes é que ela permite compreender a evolução histórica dos povos africanos em sua relação com os outros povos. Contudo, até os dias de hoje, o uso da História Geral da África tem se limitado sobretudo a um grupo restrito de historiadores e especialistas e tem sido menos usada pelos professores/as e estudantes. No caso brasileiro, um dos motivos desta limitação era a ausência de uma tradução do conjunto dos volumes que compõem a obra em língua portuguesa. A Universidade Federal de São Carlos, por meio do Núcleo de Estudos Afrobrasileiros (NEAB/UFSCar) e seus parceiros, ao concluir o trabalho de tradução e atualização ortográfica do conjunto dos volumes, agradece o apoio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD), do Ministério da Educação (MEC) e da UNESCO por terem propiciado as condições para que um conjunto cada vez maior de brasileiros possa conhecer e ter orgulho de compartilhar com outros povos do continente americano o legado do continente africano para nossa formação social e cultural.
  12. 12. Cronologia Na apresentação das datas da pré-história convencionou-se adotar dois tipos de notação, com base nos seguintes critérios: • • Tomando como ponto de partida a época atual, isto é, datas B.P. (before present), tendo como referência o ano de + 1950; nesse caso, as datas são todas negativas em relação a + 1950. Usando como referencial o início da Era Cristã; nesse caso, as datas são simplesmente precedidas dos sinais - ou +. No que diz respeito aos séculos, as menções “antes de Cristo” e “depois de Cristo” são substituídas por “antes da Era Cristã”, “da Era Cristã”. Exemplos: (i) 2300 B.P. = -350 (ii) 2900 a.C. = -2900 1800 d.C. = +1800 (iii) século V a.C. = século V antes da Era Cristã século III d.C. = século III da Era Cristã
  13. 13. XIII Lista de Figuras Lista de Figuras Figura 1.1  Figura 3.1  Figura 3.2  Figura 3.3  Figura 3.4  Figura 4.1  Figura 4.2  Figura 4.3  Figura 6.1  Figura 7.1  Figura 7.2  Figura 8.1  Figura 8.2  Figura 8.3  Figura 8.4  Figura 8.5  Figura 8.6  Figura 8.7  Dança cerimonial em Mbelebele, campo militar zulu, em 1836........................... 22 As missões cristãs e o islã, 1800­‑1860.................................................................. 54 Igreja da missão da Church of Scotland em Blantyre (Malaui)............................ 56 Tiyo Soga.............................................................................................................. 58 Escola da vila Charlotte, Serra Leoa, cerca de 1885............................................. 61 Mapa da costa ocidental da África. ...................................................................... 86 . Um grupo de mulheres oromas a bordo do HMS Daphne depois de sua libertação de um veleiro leste­‑africano................................................................ 102 Escravos libertados no domínio da Missão das universidades em Mbweni, perto de Zanzibar – pagamento dos salários....................................................... 102 Bonecas à venda no Cabo no início do século XIX, representando um homem e uma mulher san................................................................................... 152 Mapa da África do Sul indicando os Estados e os povos, 1850­‑1880................ 172 Membros de um comando bôer, por volta de 1880............................................ 206 . Mapa étnico e político da África Central, 1800­‑1880........................................ 214 Jumbe de Khota Khota.......................................................................................... 222 . Mercadores árabes da região norte do lago Malaui............................................ 224 . Um Ruga­ ruga (caçador de escravos).................................................................. 228 ‑ Os shangana de Soshangane chegam a Shapanga para recolher o imposto . anual devido pelos portugueses........................................................................... 237 Tocador de tambor e dançarinos na corte de Sipopa, rei dos lozi, 1875............. 241 Sipopa, um dos chefes da rebelião lozi contra os kololo em 1864...................... 241
  14. 14. XIV África do século XIX à década de 1880 Figura 9.1  O litoral e o interior: povos e principais rotas comerciais, 1800­‑1850................ 251 Figura 9.2  O litoral setentrional e o interior: as rotas comerciais, 1850............................... 256 Figura 9.3  Extração em prensas do óleo de gergelim em Mogadíscio, 1847........................ 257 Figura 9.4  Sa‘īd ibn Sultan, sultão de Zanzibar (1804­‑1856).............................................. 259 Figura 10.1  O Oceano Índico no século XIX...................................................................... 277 Figura 10.2  O comércio na África Oriental no século XIX................................................. 282 Figura 10.3  Penteados e cortes de cabelos nyamwezi........................................................... 285 . Figura 10.4  Mercadores nyamwezi na estrada. .................................................................... 285 Figura 10.5  Mirambo em 1882 ou 1883.............................................................................. 295 Figura 10.6  A região dos Grandes Lagos, 1840­‑1884......................................................... 297 . Itinerário das migrações em direção ao Norte dos nguni de Zwangendaba, Figura 10.7  dos maseko nguni e dos msene......................................................................... 300 Figura 10.8  Os massai e seus vizinhos, 1840­‑1884.............................................................. 304 Figura 11.1  A região dos Grandes Lagos............................................................................. 319 Figura 11.2  O Buganda em 1875: a capital do kabaka........................................................ 322 . Figura 11.3  O kabaka Mutesa, rodeado de chefes e dignitários........................................... 322 Figura 11.4  A casa do Tesouro e os ornamentos reais do rumanyika, rei do Karagwe......... 326 Figura 11.5  Batalha naval no Lago Vitória entre os Baganda e o povo das Ilhas Buvuma, 1875................................................................................................... 329 . Figura 11.6  Circuitos comerciais da região dos Grandes Lagos. ......................................... 331 Figura 12.1  A África Central do Oeste no século XIX. ...................................................... 344 . . Figura 12.2  Uma aldeia da província de Manyema, a Nordeste do Império Luba.............. 346 Figura 12.3  Tambores reais do reino kuba, no século XIX................................................... 351 Figura 12.4  Munza, rei dos mangbetu, em 1870.................................................................. 356 Figura 12.5  Kazembe em 1831............................................................................................ 356 Figura 12.6  A África Central do Oeste: espaços comerciais por volta de 1880................... 358 Figura 12.7  Mulher da aristocracia kimbundu com sua escrava, nos anos 1850.................. 359 Figura 12.8  Guerreiro kimbundo e mulher da aristocracia, nos anos 1850.......................... 359 Figura 12.9  Chifre de elefante esculpido, da metade do século XIX.................................... 360 Figura 12.10  Uma caravana de mercadores ovimbundo durante um pouso......................... 363 Figura 12.11  Estátua chokwe representando Chibinda Ilunga, o lendário fundador do Império lunda................................................................................................. 367 . Figura 12.12  O mwant yav Mbumba................................................................................... 372 Figura 13.1  O Império egípcio de Muhammad ‘Alī (1804­‑1849). ...................................... 380 . Figura 13.2  Muhammad ‘Alī................................................................................................ 383 Figura 13.3  Ibrāhīm, filho de Muhammad ‘Ali e seu general­‑em­‑chefe.............................. 384 Figura 13.4  O shaykh Rifā ‘al­‑Tahtāwī. ............................................................................... 389 . Figura 13.5  chegada do primeiro trem ligando o Cairo a Suez, 14 de dezembro A de 1858............................................................................................................. 395 Figura 13.6  O bombardeio de Alexandria, julho de 1882.................................................... 407
  15. 15. Lista de Figuras XV Figura 14.1  O Sudão sob o domínio turco, 1820­‑1881........................................................ 412 Figura 14.2  Sennar em 1821: a capital do antigo sultanato dos funj................................... 415 . Figura 14.3  Um acampamento de caçadores de escravos turco­‑egípcios no Cordofão........ 415 Figura 14.4  Navios mercantes de Cartum sobre um afluente do Bahr al Ghazal ao Norte das terras dinka....................................................................................... 422 Figura 14.5  zeriba de um mercador em Mvolo, com um estabelecimento dinka fora A de seus muros.................................................................................................... 422 . Figura 14.6  Uma vila shilluk após um ataque de caçadores de escravos. ............................. 424 Figura 14.7  Um músico zande............................................................................................. 426 Figura 14.8  O reforço da administração e a modernização turco­‑egípcias........................... 433 Figura 15.1  A Etiópia no início do século XIX................................................................... 437 Figura 15.2  Dajazmach Webé do Tigre............................................................................... 440 Figura 15.3  O rei Sahla Sellasé de Shoa.............................................................................. 443 Figura 15.4  O emir Ahmad ibn Muhammad do Harar, 1794­‑1821.................................... 451 Figura 15.5  O imperador Teodoro inspecionando o canteiro de obras de uma estrada....... 454 Figura 15.6  O grande canhão “Sebastopol” do imperador Teodoro..................................... 458 Figura 15.7  Eclesiásticos etíopes durante a década de 1840................................................ 459 Figura 15.8  Uma interpretação moderna da cena do suicídio do imperador Teodoro em frente a sir Robert Napier................................................................................. 466 Figura 15.9  O imperador Johannès IV................................................................................. 469 . Figura 16.1  Madagascar e seus vizinhos. ............................................................................. 479 Figura 16.2  Vista de Antananarivo nos anos 1850. ............................................................. 480 . Figura 16.3  Madagascar, 1800­‑1880.................................................................................... 483 Figura 16.4  A expansão do reino merina, 1810­‑1840.......................................................... 488 . Figura 16.5  Adrianampoinimerina, morto em 1810.. .......................................................... 491 Figura 16.6  O rei Radama I, 1810­‑1828.............................................................................. 491 Figura 16.7  A rainha Ranavalona I, 1828­‑1861................................................................... 491 Figura 16.8  O rei Radama II, 1861­‑1863............................................................................ 491 Figura 16.9  A rainha Rasoherina, 1863­‑1868...................................................................... 491 Figura 16.10  A rainha Ranavalona II, 1868­‑1883.................................................................... 491 Figura 16.11  palácio da rainha em Antananarivo, começado em 1839 por Jean O Laborde a pedido da rainha Ranavalona I.......................................................495 Figura 16.12  O palanquim da rainha Rasoherina diante de uma palhota venerada............. 507 Figura 16.13  Acampamento de Ranavalona II.................................................................... 511 . Figura 16.14  Fundição e forjamento do ferro em Madagascar, nos anos 1850.................... 512 Figura 16.15  Mulheres escravas tirando água e pilando arroz em Madagascar.................... 515 Figura 17.1  Interior da mesquita de Ketchawa (erguida em 1794), em Argel..................... 520 Figura 17.2  Uma escola corânica em Argel, 1830................................................................ 522 Figura 17.3  Membros do nizāmī [exército] tunisiano com uniformes de estilo europeu..... 539 Figura 17.4  O túmulo de Muhammad ben ‘Alī al­‑Sanūsi, fundador da Sanūsiyya.............. 544
  16. 16. XVI África do século XIX à década de 1880 Figura 17.5  Mulheres da alta sociedade argelina servidas por uma escrava negra................ 546 Figura 18.1  O sultão ‘Abd al-Rahmān (1822-1859) em 1832............................................. 550 Figura 18.2  As regiões históricas do Marrocos no século XIX............................................ 552 Figura 18.3  O sultão Hasan I (1873­‑1894)......................................................................... 560 . . Figura 18.4  Rial de prata cunhado em Paris em 1881 para Hasan I. .................................. 563 Figura 19.1  ‘Abd al­‑Kādir.................................................................................................... 579 . Figura 19.2  Soldados de ‘Abd al­‑Kādir: a infantaria............................................................ 580 Figura 19.3  Soldados de ‘Abd al­‑Kādir: a cavalaria.............................................................. 580 Figura 19.4  A guerra franco­‑marroquina: a batalha de Isly, 1844........................................ 581 Figura 19.5  A submissão de ‘Abd al­‑Kādir.......................................................................... 582 . Figura 20.1  O comércio nos confins do deserto................................................................... 605 Figura 20.2  A kasba [citadela] de Murzuk, no Fezzān, em 1869......................................... 606 Figura 20.3  A sociedade oasiana: mulheres no mercado de Murzuk, 1869.......................... 608 Figura 20.4  Os minaretes da mesquita de Agadès............................................................... 609 Figura 20.5  Artigos de marroquinaria tuaregue à venda em Tomboctou nos anos 1850..... 614 . Figura 22.1  O califado de Sokoto, o Borno e os seus vizinhos............................................ 643 Figura 22.2  Carta de Muhammad Bello, califa de Sokoto, 1817­‑1837................................ 648 Figura 22.3  Artigos do artesanato huassa colecionados por Gustav Nachtigal, em 1870.... 682 Figura 22.4  O xeque Muhammad al­‑Amīn al­‑Kānemi....................................................... 685 Figura 22.5  Um dos lanceiros kanembu do xeque al­‑Kanēmi.............................................. 689 Figura 22.6  Blusa bordada de uma mulher do Borno, feita nos anos 1870........................... 694 Figura 23.1  páginas iniciais de al­‑Idtirar, supostamente o único livro escrito por As Seku Ahmadu....................................................................................................702 . Figura 23.2  O Macina em seu apogeu, 1830. ...................................................................... 705 . Figura 23.3  Ruínas de uma torre de defesa do tatá [fortaleza] de Hamdallahi. .................. 707 Figura 23.4  Sepultura de Seku Ahmadu em Hamdallahi.................................................... 709 Figura 23.5  Império Torodbe em seu apogeu....................................................................... 717 Figura 23.6  De Dinguiraye a Hamdallahi............................................................................ 727 Figura 23.7  Entrada do palácio de Ahmadu, em Ségou­‑Sikoro........................................... 736 Figura 23.8  Ahmadu recebendo a corte do seu palácio......................................................... 740 Figura 24.1  Estados e povos da Senegâmbia e da Alta Guiné.............................................. 743 Figura 24.2  Chefes da região costeira de Mandinka na Gâmbia em 1805.. ........................ 748 . Figura 24.3  Vista de Timbo, capital de Futa Djalon, c. 1815............................................... 753 Figura 24.4  Barqueiros kru.................................................................................................... 761 Figura 24.5  Casas kru........................................................................................................... 761 . Figura 25.1  Povos e cidades da África Ocidental mencionados no texto............................. 773 Figura 25.2  A banqueta de ouro dos ashanti. ...................................................................... 774 . Figura 25.3  A corte das finanças, Kumashi, 1817................................................................ 781 Figura 25.4  primeiro dia da festa anual do Odwira, em Kumashi, 1817n Murray, O Londres..............................................................................................................782
  17. 17. Lista de Figuras XVII Figura 25.5  Personagens mascarados mossi, provavelmente “sacerdotes da terra” representando a autoridade aborígene, no início do século XIX....................... 786 . Figura 25.6  Mogho Naaba Sanem festejado pelos seus sujeitos em 1888. .......................... 786 Figura 25.7  Tipos de casa bambara, 1887............................................................................ 795 Figura 25.8  Um mercador ambulante mossi, 1888. ............................................................. 801 . Figura 25.9  Mapa de Kintampo, cidade comercial do interior da Costa do Ouro............... 802 Figura 25.10  Salaga em 1888............................................................................................... 803 Figura 25.11  Uma oficina de carpintaria da missão de Balê, em Christiansborg (Accra).... 810 Figura 26.1  Escultura representando um guerreiro sobre os ombros de um babalaô........... 815 Figura 26.2  O país iorubá-aja e o antigo Império Oyo (início do século XIX)................... 817 Figura 26.3  porta da cidade iorubá de Ipara, no país ijebu, aproximadamente A em 1855.............................................................................................................819 Figura 26.4  Vista de Ibadan, em 1854, em primeiro plano as instalações da Church Missionary Society.............................................................................................822 Figura 26.5  Altar no recinto do rei, Benin........................................................................... 829 Figura 26.6  Vista da cidade de Benin na época da invasão britânica, 1897......................... 830 Figura 26.8  Estátua de um homem em pé, braço direito levantado e esquerdo dobrado, considerada uma representação simbólica do rei Ghezo (1818-1858).............. 838 Figura 26.9  O rei Glélé (1858-1889), simbolicamente sob a forma de um leão.................. 838 Figura 27.1  O delta do Níger e Camarões no século XIX................................................... 844 Figura 27.2  Uma localidade itsekiri no rio Benin, nos anos 1890........................................ 846 Figura 27.3  Nana Olomu de Itsekiri.................................................................................... 847 Figura 27.4  O rei Jaja de Opobo.......................................................................................... 852 Figura 27.5  A casa do rei Bell, na década de 1840..................................................