Pedro das Malasartes     E 1 de Seixo Alvo – Olival      B            2012/ 2013
Pedro das Malasartes       Autora: Luísa Ducla Soares     Ilustrações: Alunos do 2º ano      EB1 de Seixo Alvo - Olival   ...
Uma viúva morava num monte com o seuúnico filho, chamado Pedro. Por ser tonto, tontoe para nada mostrar jeito ou arte, tod...
Na manhã seguinte, a mãe mandou-o trazerumas garrafas de vinho.     Pedro foi à adega, atou um cordel a cadagarrafa e assi...
De manhã à noite a mãe trabalhava nacostura para ganhar o sustento de ambos mas,a dada altura, faltaram-lhe as agulhas.Pre...
Sem nada que fazer, resolveu o patetarefrescar-se numa poça de lama. Deitou-se ládentro, rebolou-se, rindo à gargalhada co...
Por cuidar que algum banhista se afogava,atirou-se o pescador pela borda fora para osalvar.   Quando chegou ao pé do moço ...
Não tardou muito que encontrasse umterreiro onde os feirantes estavam a montar osseus toldos de lona e a espalhar asmercad...
Para evitar mais críticas, protestos daspessoas, meteu-se pelo mato. Ao menos abicharada não implicava com ele. Para seuaz...
Como o barulho dos disparos não lheagradava, rapidamente desandou dali.Só parou na vila. Aí o rebuliço era grande.   Dois ...
No largo tudo era finalmente paz. Os sinostocavam e da igreja saía um cortejo decasamento. Como os convidados vinhamcumpri...
“ Muitos destes é que fazem falta, é quefazem falta…”   Estava certo de que a frase não mais lhesairia da memória.   Rumou...
Seguiu até ao jardim, sentou-se num banco,à sombrinha, a ver quem passava.   Não teve muito que esperar. Nessa mesmatarde ...
Quando chegou a casa, ao pôr do Sol, exaustode tantas aventuras, já a roupa lhe tinha secadono corpo.    - Estás muito lim...
Projeto de Literacia Infantilrealizado pelos alunos do 2º ano  da EB1 de Seixo Alvo – Olival                              ...
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Pedro das Malasartes - EB1 de Seixo Alvo

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Livro digital realizado pelos alunos do 2º ano, da EB1 de Seixo Alvo - Olival, no âmbito das AEC de Literacia Infantil.

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Pedro das Malasartes - EB1 de Seixo Alvo

  1. 1. Pedro das Malasartes E 1 de Seixo Alvo – Olival B 2012/ 2013
  2. 2. Pedro das Malasartes Autora: Luísa Ducla Soares Ilustrações: Alunos do 2º ano EB1 de Seixo Alvo - Olival 2012/2013
  3. 3. Uma viúva morava num monte com o seuúnico filho, chamado Pedro. Por ser tonto, tontoe para nada mostrar jeito ou arte, todos oconheciam por Pedro das Malasartes. Certo dia, ela pediu-lhe que fosse buscar umporco à quinta dos vizinhos. - Trá-lo com muito cuidado. Vê lá, que ele nãote fuja. Passaram horas, mais horas e o rapaz semvoltar. Meteu-se a mãe ao caminho, aflita, paraver se o encontrava. Achou-o estendido no chão,a meio da estrada, com o porco enorme em cimada barriga. - Então, que te aconteceu? - Trouxe o bicho ao colo para não se cansar.Mas não aguento tanto peso. Ela ajudou-o a levantar-se, atou uma cordinhaà pata do animal, conduzindo-o assim até casa. - Aprendeste como deves fazer? Fixastemesmo? - Com uma cordinha, com uma cordinha…- repetia o moço para o ensinamento não lhe sairda cabeça. 
  4. 4. Na manhã seguinte, a mãe mandou-o trazerumas garrafas de vinho. Pedro foi à adega, atou um cordel a cadagarrafa e assim as foi arrastando, aos safanões,por entre as pedras. Claro que quando entrou nacozinha as garrafas estavam todas partidas. Dovinho… nem sinal! A podre mulher levou as mãos à cabeça. - Ai, que parvoíce! P ara a próxima vezpõe as garrafas num cesto com palha paranão se partirem. - Nunca mais me vou esquecer! – prometeu ofilho obediente.
  5. 5. De manhã à noite a mãe trabalhava nacostura para ganhar o sustento de ambos mas,a dada altura, faltaram-lhe as agulhas.Prestável como era, o rapaz imediatamente seofereceu para ir comprar meia dúzia delas àaldeia. Dessa vez foi num pé e veio no outro. - Fiz tudo direitinho, não tem que sepreocupar, querida mãe. Aqui estão as agulhasnum cesto cheio de palha para não separtirem. Perdeu a desgraçada a tarde inteira aremexer na palha, picou os dedos e, mesmoassim, só conseguiu encontrar uma. - O melhor é não contar com ele para osrecados – concluiu desiludida.
  6. 6. Sem nada que fazer, resolveu o patetarefrescar-se numa poça de lama. Deitou-se ládentro, rebolou-se, rindo à gargalhada com abrincadeira. Quando a mãe o viu todo sujo, começou abarafustar. - Que porcaria! Vai já ao rio lavar essaroupa nojenta! Só te quero de volta quandoestiveres limpo… - Mas como é que eu vou saber se a roupaestá bem lavada? - Ora, pergunta a alguém que vá a passar… Despiu-se o rapaz na praia, ajoelhou-se naareia e começou a esfregar com quanta forçatinha a camisa, as calças, as cuecas, as meias,as botas. Já estava farto de esfregar quando surgiu,junto à outra margem, um barquinho de pesca. - Ó do barco, acudam-me, acudam-me, queestou numa aflição! - pôs-se o rapaz a gritar,entrando pelo rio dentro até ao pescoço.
  7. 7. Por cuidar que algum banhista se afogava,atirou-se o pescador pela borda fora para osalvar. Quando chegou ao pé do moço e este lheperguntou se a roupa estava bem lavada, ohomem até espumou de raiva. - Atiro-me eu à água, vestido, para isto?!Vou obrigar-te a dar um mergulho, para verescomo é bom! Vais-me pagar! - Ai, ai, ai! Não posso pagar-lhe de outramaneira? Tenho medo de mergulhos… - Deseja-me muito vento para navegar à velae não criar calos a remar – disse o pescador,compreendendo que o jovem tinha umparafuso a menos. -M uito vento! Que nunca lhe falte ovento! Vento, vento e mais vento! Pedro das Malasartes vestiu a roupa a pingare deitou pernas à estrada.
  8. 8. Não tardou muito que encontrasse umterreiro onde os feirantes estavam a montar osseus toldos de lona e a espalhar asmercadorias. - Viva! – exclamou o rapaz, louco por feirase, para ser simpático, acrescentou – “ Que selevante muito vento! Que nunca falte o vento!” As ciganas, que acreditavam em pragas,receando ver os seus montes de camisolasvoarem pelos ares, ficaram furiosas. Umvendedor de loiça, um pouco mais calmo,explicou-lhe: - Não percebes que o vento atira abaixo ostoldos e a mercadoria? O que tu deves dizer é oseguinte: “ É preciso que não caia nada.” O nosso rapazola prometeu fixar a lição.
  9. 9. Para evitar mais críticas, protestos daspessoas, meteu-se pelo mato. Ao menos abicharada não implicava com ele. Para seuazar, sendo época de caça, deu com umgrupo de caçadores. Educado como era,dirigiu-lhes logo a palavra. - Ora muito bom dia! Só desejo que “ hojenão caia nada” . - O quê? – irritaram-se os homens. –Merecias um tiro… É preciso que caiampatos, perdizes, coelhos. A quem vem à caçadeve desejar-se “ muito sangue” . - Não me esqueço – assegurou o rapaz. –“M uito sangue! M uito sangue!”
  10. 10. Como o barulho dos disparos não lheagradava, rapidamente desandou dali.Só parou na vila. Aí o rebuliço era grande. Dois matulões estavam a jogar à pancadae ninguém era capaz de os separar. Curioso, Pedro aproximou-se. Como nãoconseguia ficar calado, papagueou a últimacoisa que lhe tinham ensinado. - O que é preciso é muito sangue! Muitosangue! Muito sangue! Um polícia agarrou-o por uma orelha,ameaçador: - Queres ir para a prisão por convite àviolência? O que deves dizer é: “ Que seseparem depressa!” Com medo de ser levado para a esquadra,o moço largou a correr.
  11. 11. No largo tudo era finalmente paz. Os sinostocavam e da igreja saía um cortejo decasamento. Como os convidados vinhamcumprimentar os noivos, ele não quis ficaratrás. Aproximou-se do parzinho recém-casado, feliz por apresentar também os seusvotos. - “ Que se separem depressa! Que seseparem depressa!” A noiva, furiosa, atirou-lhe com o ramo derosas à cara. Foi preciso os convidadosagarrarem o noivo para ele não lhe pregarduas bofetadas. Um dos convidados, que já o conhecia,pretendeu dar-lhe uma lição. - Para a outra vez dizes: “ Muitos destesé que fazem falta, principalmente paraa gente nova.”
  12. 12. “ Muitos destes é que fazem falta, é quefazem falta…” Estava certo de que a frase não mais lhesairia da memória. Rumou então pela rua principal, por ondeia a passar um enterro. Os acompanhantesvinham todos muito chorosos pois o mortoera um soldado que perdera a vida, na florda idade, numa batalha. Pedro não deixou escapar a oportunidadede ter uma palavra amável para quem tantatristeza mostrava. - “ Muitos destes é que fazem falta.Principalmente para a gente nova.” Os outros soldados por pouco não deramcabo dele. Valeu-lhe o padre que acalmou a multidãoe procurou ensiná-lo: - O que deves desejar é: “ Que Deus oleve para o céu e depressa!” - Nunca mais me engano! – prometeu opató.
  13. 13. Seguiu até ao jardim, sentou-se num banco,à sombrinha, a ver quem passava. Não teve muito que esperar. Nessa mesmatarde celebrava-se um batizado. Que lindobebé, corado e gordinho ali chegou, todobem vestido, ao colo da madrinha! O nossomoço aproximou-se, deu-lhe um beijo natesta, exclamando com entusiasmo: - “ Que Deus o leve para o céu e depressa!” A mãe da criança desmaiou, o pai ficouverde, a madrinha desatou a tremer. Com aconfusão, o bebé tanto berrava que ninguémsabia o que lhe havia de fazer. Foi essa asorte de Pedro das Malasartes pois assim sóum miúdo correu atrás dele à pedrada.
  14. 14. Quando chegou a casa, ao pôr do Sol, exaustode tantas aventuras, já a roupa lhe tinha secadono corpo. - Estás muito limpinho. Hoje portaste-mebem. – alegrou--se a pobre viúva, sem calcularo que se tinha passado. E abraçou-o. - Gosto de ti! – disse ela. Ele sorriu, repetindo: - Gosto de ti! 
  15. 15. Projeto de Literacia Infantilrealizado pelos alunos do 2º ano da EB1 de Seixo Alvo – Olival         Professora: Virgínia Ferreira 2012/2013  

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