A comercialização do conhecimento

1.264 visualizações

Publicada em

1 comentário
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
1.264
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
2
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
11
Comentários
1
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

A comercialização do conhecimento

  1. 1. A comercialização do conhecimento: o Mercado e a Impressão Gráfica Valéria Machado PGIE - 2010/2
  2. 2. Uma história Social do Conhecimento Peter Burke Centro X Periferia Sociologia do Conhecimento O ofício do saber Consolidação do Conhecimento Classificação do Conhecimento Controle do Conhecimento Comercialização do Conhecimento Aquisição de Conhecimento Confiança e Desconfiança
  3. 3. Comercialização do Conhecimento <ul><li>A ideia do conhecimento como propriedade ( possessio ) foi formulada por Cícero (103-46 a.C.). </li></ul><ul><li>Roma Antiga – o termo plagiarius era inicialmente usado para o roubo de escravos. Mas foi aplicado pelo poeta Marcial ao roubo literário. </li></ul><ul><li>Séc. XIII – oposição entre o argumento legal tradicional de que o conhecimento era “um dom de Deus que não pode ser vendido” e o novo princípio segundo o qual os professores deviam ser pagos por seu trabalho. </li></ul>
  4. 4. Comercialização do Conhecimento <ul><li>Renascimento – disputas sobre plágio tornam-se comuns apesar da dificuldade de definir a propriedade intelectual . </li></ul><ul><li>Humanistas – roubo x “imitação” criativa </li></ul><ul><li>Séc. XVII – discussões sobre o assunto apareciam impressas. Escritores e impressores disputavam os direitos de propriedade dos textos. </li></ul>
  5. 5. Comercialização do Conhecimento Novas Ideias Individualismo Gênio Originalidade Nascimento do “autor”
  6. 6. Comercialização do Conhecimento <ul><li>No que diz respeito à propriedade intelectual, a Revolução Científica revela não só ambiguidade, mas ambivalência. </li></ul><ul><ul><li>O ideal de tornar público o conhecimento para o bem geral da humanidade era levado muito a sério. </li></ul></ul><ul><ul><li>Mas havia disputas ásperas sobre prioridades em descobertas que iam do telescópio (Galileu e Giambattista Della Porta) ao cálculo (Newton e Leibniz). </li></ul></ul>
  7. 7. Comercialização do Conhecimento <ul><li>Conhecimento acadêmico como mercadoria: </li></ul><ul><ul><li>Ensinar por dinheiro – escolas e universidades </li></ul></ul><ul><ul><li>Palestras públicas com ingressos pagos (comuns nos séc. XVII e XVIII). </li></ul></ul><ul><ul><li>Em Londres, no séc. XVIII, palestras sobre anatomia e cirurgia eram anunciadas nos jornais. Conferencistas descritos como “orientados para o mercado”. </li></ul></ul><ul><ul><li>A comercialização do conhecimento médico pode ser ilustrada pelo crescente destaque nos jornais de anúncios de “charlatães” (clínicos não oficiais que prometiam milagres). </li></ul></ul>
  8. 8. Comercialização do Conhecimento - Nascimento da Propriedade Intelectual <ul><li>Final da Idade Média em diante: </li></ul><ul><ul><li>Ênfase crescente na exploração do conhecimento para o ganho. </li></ul></ul><ul><ul><li>Necessidade de proteger os segredos do ofício como “propriedade intelectual valiosa”. </li></ul></ul><ul><li>Concessão de privilégios por papas, imperadores e reis. Eram monopólios temporários ou permanentes para proteger certos textos, impressores, novas fontes tipográficas. </li></ul><ul><li>Criação de áreas de “pirataria”. </li></ul><ul><li>As leis de Direito Autoral do séc. XVIII foram um desenvolvimento desse sistema. </li></ul>
  9. 9. Comercialização do Conhecimento - Nascimento da Propriedade Intelectual <ul><li>Concepção de texto ou imagem “coletivista” </li></ul><ul><li>Texto é visto como propriedade comum porque cada novo produto deriva de uma tradição comum. </li></ul><ul><li>Comum na Idade Média com os copistas que faziam acréscimos e alterações. </li></ul><ul><li>“ Novas” obras também incorporavam passagens das anteriores. </li></ul><ul><li>Concepção de texto ou imagem “individualista” </li></ul><ul><li>Texto como propriedade de um indivíduo porque foi obra de um cérebro individual. </li></ul><ul><li>Atitudes mais individualistas foram estimuladas pela impressão, que ajudou a fixar e difundir os textos. </li></ul>
  10. 10. Comercialização do Conhecimento - Comércio e Informação <ul><li>O comércio e a indústria - dependentes da “busca da informação que nos falta e proteção da informação que temos”. </li></ul><ul><li>Feiras internacionais eram centros de troca tanto de informação quanto de mercadorias. </li></ul><ul><li>“ Um bom mercador sempre tinha os dedos manchados de tinta” (Giovanni Rucellai, florentino do séc. XV). </li></ul><ul><li>No séc. XVI, as cartas escritas das cidades mais importantes para familiares constituíam “bancos de dados” virtuais. </li></ul>
  11. 11. Comercialização do Conhecimento - Comércio e Informação <ul><li>Segundo Burke, uma das razões do notório sucesso comercial de minorias étnicas e religiosas – judeus, parses, quakers etc. – pode ser relacionada à criação de redes de informação relativamente inacessíveis a estranhos. </li></ul>
  12. 12. Comercialização do Conhecimento - Comércio e Informação <ul><li>“ Em situações de competição acirrada, vantagens marginais em informações de mercado podiam ser imensamente lucrativas. Não por acaso, em 1478, alguns venezianos fizeram um buraco no teto do palácio do doge para descobrir as últimas notícias de Istambul. O grande comerciante do século XV Jacques Coeur fazia uso de pombos-correio, ao passo que no Japão os intermediários de Osaka no século XVII usavam fogos, bandeiras e pombos para enviar informações sobre preços de mercado. A informação sobre mercadorias é em si mesma uma mercadoria.” (p. 142) </li></ul>
  13. 13. Comercialização do Conhecimento - A informação e a Companhia das Índias Orientais <ul><li>Companhia das Índias Orientais </li></ul><ul><ul><li>“ Multinacional” com requisitos de informação não muito diferentes dos de um império. </li></ul></ul><ul><ul><li>Um dos itens do sucesso dessa companhia pode ser atribuído a sua “eficiente rede de comunicações”, sem igual entre suas rivais. </li></ul></ul><ul><ul><li>Seus mapas e informes eram constantemente atualizados. </li></ul></ul><ul><ul><li>Os produtores dos informes tinham que prestar um juramento diante do burgomestre de Amsterdã de que não imprimiriam as informações constantes desses informes e não as revelariam a ninguém que não fosse da Companhia. </li></ul></ul>
  14. 14. Comercialização do Conhecimento - A informação e a Companhia das Índias Orientais <ul><ul><li>Os informes emprestados aos pilotos deveriam ser entregues na volta da viagem. </li></ul></ul><ul><ul><li>Mesmo assim, às vezes eram vendidos: um documento holandês hoje num arquivo francês traz a inscrição “comprado de um piloto holandês”. </li></ul></ul><ul><ul><li>Grande importância dada aos relatórios regulares e coleta sistemática de informações, especialmente em forma de estatística . </li></ul></ul>
  15. 15. Comercialização do Conhecimento - A impressão e o comércio do conhecimento <ul><li>Impressão encorajou a comercialização de todos os tipos de conhecimento. </li></ul><ul><li>Impressores encomendavam novas edições de textos clássicos, traduções e obras de referência. </li></ul><ul><li>Freqüente publicação quase simultânea de obras diferentes sobre o mesmo assunto intensificava a concorrência entre impressores. </li></ul>
  16. 16. Comercialização do Conhecimento - A impressão e o comércio do conhecimento <ul><li>Era comum a reivindicação, nas folhas de rosto, de que a nova edição era mais acurada que as anteriores, ou incluía mais informação, ou que oferecia um sumário ou índice que faltava às outras. </li></ul><ul><li>Alguns impressores estavam pessoalmente comprometidos com movimentos intelectuais como o humanismo, a Reforma Protestante ou o Iluminismo. </li></ul><ul><li>Alguns perceberam a importância dos anúncios, isto é, da impressão de informações sobre bens e serviços para vendê-los. </li></ul>
  17. 17. Comercialização do Conhecimento - A impressão e o comércio do conhecimento <ul><li>As gazetas de notícias holandesas do século XVII anunciavam livros e os serviços de tutores privados. </li></ul><ul><li>Em Londres, por volta de 1650 – 6 anúncios em média. </li></ul><ul><li>100 anos depois – 50 anúncios em média. </li></ul><ul><li>Livros e revistas publicavam anúncios de outros livros e revistas. </li></ul><ul><li>Aumento do lucro potencial – aumento da urgência em proteger a propriedade literária e intelectual. </li></ul>
  18. 18. Comercialização do Conhecimento - Jornais e Revistas <ul><li>Dependiam das assinaturas (também usadas para os livros como forma de obter dinheiro adiantado). </li></ul><ul><li>Boletins manuscritos para informações impróprias para impressão eram comuns. </li></ul><ul><li>Conhecimentos de tipo acadêmico eram difundidos por revistas cultas, publicadas mensalmente ou a cada dois meses. </li></ul>
  19. 19. Comercialização do Conhecimento - Jornais e Revistas <ul><li>O ponto central da publicação de forma periódica era fornecer notícias da “República das Letras” ou “Comunidade do Saber”, expressão usada para designar a comunidade internacional dos estudiosos. </li></ul><ul><li>Também publicavam obituários de estudiosos importantes e, pela primeira vez, resenhas de livros recém-lançados. </li></ul>
  20. 20. Comercialização do Conhecimento - Surgimento das obras de referência <ul><li>O problema da “recuperação da informação”. </li></ul><ul><li>Livros/impressão </li></ul><ul><ul><li>Tornaram a informação mais fácil de ser encontrada desde que se achasse o livro certo. </li></ul></ul><ul><ul><li>Por outro lado, a impressão aumentou de maneira significativa o número de livros. </li></ul></ul><ul><ul><li>O surgimento das resenhas no final do século XVII foi uma resposta a esse problema. </li></ul></ul>
  21. 21. Comercialização do Conhecimento - Surgimento das obras de referência <ul><li>Outra tentativa de solucionar o problema foi a criação das obras de referência . </li></ul><ul><li>Surgimento de várias obras desse tipo no início do século XVIII. </li></ul><ul><ul><li>Enciclopédias - Almanaques </li></ul></ul><ul><ul><li>Dicionários - Herbários </li></ul></ul><ul><ul><li>Atlas - Cronologias </li></ul></ul><ul><ul><li>Bibliografias - Diretórios </li></ul></ul>
  22. 22. Comercialização do Conhecimento - Surgimento das obras de referência <ul><li>Obras de referência - produzidas para faixas específicas de público: </li></ul><ul><ul><li>Clero </li></ul></ul><ul><ul><li>Comerciantes </li></ul></ul><ul><ul><li>Médicos </li></ul></ul><ul><ul><li>Advogados </li></ul></ul><ul><ul><li>Mulheres </li></ul></ul><ul><ul><li>etc. </li></ul></ul>
  23. 23. Comercialização do Conhecimento - Enciclopédias <ul><li>Enciclopédias tornam-se mais numerosas, maiores, mais pesadas e mais caras. </li></ul><ul><li>Por outro lado, houve a necessidade de obras de referência “portáteis”. </li></ul><ul><li>Compilação de enciclopédias: estudiosos eram pagos pelos impressores para editar as Enciclopédias. </li></ul><ul><li>Propagação da pesquisa e da escrita coletivas dessas obras. </li></ul><ul><li>Enciclopédia como um “assunto de dinheiro”. </li></ul>
  24. 24. Comercialização do Conhecimento - Comparações e conclusões <ul><li>O mundo islâmico resistia à impressão tipográfica neste período, com muito poucas exceções, como a gráfica instalada em Istambul no começo do século XVIII, que durou apenas alguns anos. </li></ul><ul><li>No Japão, a partir do séc. XVII, há sinais de uma explosão da impressão gráfica junto com o aumento do número de livrarias. </li></ul><ul><li>Essa expansão no comércio de livros estava ligada ao surgimento de novos tipos de livros, os kana-zoshi, ou “livros para consumo”. </li></ul>
  25. 25. Comercialização do Conhecimento - Comparações e conclusões <ul><li>Eram romances ou conselhos para fazer fortuna e não eram impressos em ideogramas, mas em tipos silábicos mais simples, permitindo que essas publicações mais baratas atingissem novos tipos de leitores, especialmente as mulheres, que não tinham aprendido os caracteres chineses. </li></ul>
  26. 26. Comercialização do Conhecimento - Comparações e conclusões <ul><li>Um ponto interessante em relação às enciclopédias chinesas é que elas eram produzidas principalmente para servir às necessidades dos candidatos nos exames que levavam aos postos na burocracia imperial. </li></ul><ul><li>Os exames assumiam a forma de ensaios, e as obras de referência consistiam principalmente em citações ordenadas por tópicos. </li></ul><ul><li>Dessa forma, os candidatos podiam rechear seus textos com essas citações. </li></ul>
  27. 27. Comercialização do Conhecimento - Hoje <ul><li>E como se dá essa comercialização do conhecimento hoje com o advento da internet? </li></ul><ul><li>Como podemos pensar a questão dos Direitos Autorais e as novas tecnologias, notadamente a internet? </li></ul><ul><li>Como pensar o acesso livre aos textos científicos? </li></ul><ul><li>Como o professor pode se tornar um produtor de conteúdo sem infringir a Lei de Direito Autoral? </li></ul><ul><li>O recurso educacional aberto (REA). </li></ul><ul><li>Licenças flexíveis como o Creative Commons seriam a solução? Science Commons </li></ul>
  28. 28. Propriedade Intelectual PI – Lida com direitos de propriedade das coisas intangíveis oriundas das inovações e criações da mente humana Propriedade intelectual Propriedade industrial Direito Autoral Invenções, marcas, repressão da competição desleal Direito do autor (moral) irrenunciável Direito Patrimonial renunciável
  29. 29. O caso Disney <ul><li>Os primeiros desenhos animados eram cheios de plágios , de variações de temas interessantes e de novas versões de histórias antigas. A chave para o sucesso estava na magnitude das diferenças. Com Disney, era o som que dava à animação seu brilho. Mais tarde, foi a qualidade do seu trabalho comparado aos desenhos animados produzidos em massa com os quais ele competia. Mesmo assim, essas adições foram construídas sobre uma base que foi copiada . Disney adicionou novidades ao trabalho de outros antes dele, criando algo completamente novo, de algo levemente antigo. (LESSIG, 2004). </li></ul><ul><li>LESSIG, Lawrence. Cultura Livre. http://www.rau-tu.unicamp.br/nou-rau/softwarelivre/document/?view=144 </li></ul>
  30. 30. A invenção do ar <ul><li>“ Estes pensamentos, meu caro amigo, são muitos deles crus e apressados, e se eu estivesse meramente ambicioso de adquirir alguma reputação em filosofia, deveria guardá-los comigo, até que sejam corrigidos e melhorados pelo tempo e pela experiência. Mas como mesmo indicações sucintas e experimentos imperfeitos em qualquer novo ramo da ciência, sendo comunicados, têm freqüentemente um bom efeito, tornando-se a ocasião de discussões mais exatas (como observei antes) e descobertas mais completas, sinta-se livre para comunicar este artigo a quem desejar, sendo de mais importância que o conhecimento cresça do que vir este seu amigo a ser considerado um filósofo preciso. ” </li></ul><ul><li>- Joseph Priestley (séc. XVIII), em carta a Peter Collinson </li></ul>Mais em: http://www.amalgama.blog.br/12/2009/a-invencao-do-ar/

×