Latin America - A community of destiny?

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Latin America - A community of destiny?

  1. 1. Global Dialogue. Volume 2, Issue 2, 2012. América Latina - uma comunidade de destino? Latin America – A Community of Destiny?*Por Paulo Henrique Martins, Universidade Federal de Pernambuco, Brasil, presidente da Associação Latino-Americana de Sociologia. A globalização está criando novos espaços de produção do conhecimento queestão mudando a tradicional divisão intelectual do trabalho dominada pela Europa comocentro privilegiado para o pensamento sobre a modernidade. Para alguns autores, comoArjun Appadurai, o “Terceiro Mundo” não funciona mais um moinho de dados para o"Norte", e, como resultado, o "Norte" perdeu a sua hegemonia como o produtor de ideiaspara o “Sul". Nessa nova visão, a globalização aparece como uma pluralidade de campos,construindo conhecimento sociológico através de complexos processos geográficos queatravessam fronteiras nacionais, sem eliminar as nações como um locus de produção deconhecimento. Pensando especialmente sobre a América Latina, a globalização do conhecimentoestá contribuindo para uma mudança importante nos fundamentos epistemológicos dasociologia acadêmica. No primeiro período, entre 1940 e 1980, o pensamento crítico foiem grande parte condicionado pela representação da globalização como dependênciaeconômica e política. Isto reflecte-se em duas principais correntes de pensamento daépoca. O primeiro foi o estruturalismo, inspirado pela Comissão Econômica para aAmérica Latina e o Caribe (CEPAL), uma instituição fundada em 1948 para pensar odesenvolvimento econômico regional. Entre seus principais teóricos estão doiseconomistas, o argentino Raúl Prebisch eo brasileiro Celso Furtado, que defenderam aimportância do Estado como agente de desenvolvimento para combater a deterioraçãode termos de comércio internacional que comprometeram países produtores dematérias-primas. A CEPAL trouxe a distinção centro-periferia para o debate sobredesenvolvimento. Uma segunda corrente, teoria da dependência, articulada por autorescomo Theotonio dos Santos, Marini RM, Fernando Henrique Cardoso, Enzo Faletto, entreoutros, desenvolveu os aspectos políticos da análise da CEPAL de relações centro-periferia. Eles argumentaram que a superação da dependência depende de aliançasparticulares entre burguesia nacional, burguesias internacionais e diversas classespopulares. Em tempos mais recentes, dos anos 1980 até o presente, a sociologia incorporoudiversas compreensões de globalização. Por um lado, há os neoliberais que argumentam* Disponível em <http://www.isa-sociology.org/global-dialogue/2012/03/latin-america-%E2%80%93- a-community-of-destiny/ >. Acesso em 24/03/2012.
  2. 2. Global Dialogue. Volume 2, Issue 2, 2012.que a globalização econômica eliminaria as diferenças entre "centro" e "periferia",levando ao declínio das sociedades nacionais e do fortalecimento de uniformidadeeconôica, financeira, tecnológica e cultural. Neste discurso de uniformidade, influenciadopor teorias econômicas abstratas, a sociologia negligencia a importância da política e dasdiferenças culturais, hiper-valorizando o consumo global. Para os neoliberais, o discursosobre a de dependência está desatualizado. Por outro lado, há teóricos pós-dependênciaos quais afirmam que as relações de dependência estão sendo re-organizadas como umaforma de "colonialidade" do poder e do conhecimento, repensando as contradições entre"sociedades ricas" e "sociedades pobres" do sistema mundial. Teóricos da"colonialidade" perceberam a impossibilidade de adotar teorias eurocêntricas semconsiderar as particularidades sociais, econômicas, políticas, culturais e religiosossociedades sulistas. Esta segunda tendência "pós-colonial" do pensamento latino-americano reconhece o confronto histórico de colonialismo e anti-colonialismo, mastambém traz à tona novos meios de controle e dominação em escala global. A teoria pós-colonial da América Latina não considera os termos "colonialismo" e"anti-colonialismo" como meros legados históricos do "Ocidente". Para eles, essasexpressões são os elementos de uma estratégia cognitiva e linguística, vinculado ao queBoaventura de Sousa Santos e outros chamam de "zona de contato", necessária paracompreender as experiências e ideias diversas dentro do sistema mundial. Colonialismoe anticolonialismo funcionam como duas superfícies no espelho da globalização,mediando a tradução de informações, imagens e idéias entre "Norte" e "Sul". Para essesautores, a globalização envolve um complexo processo de tradução operacional emfóruns globais e movimentos, em publicação internacional e em associaçõesinternacionais, como o ISA e ALAS. Nestes contextos, os elementos político, moral,estético, ético e linguístico da vida social prosperam gradativamente, avançando novasmodalidades de intercâmbio entre os diversos centros de produção de conhecimento. Oprestígio de autores latino-americanos como Casanova, Quijano, Lander, bem comofiguras do Norte como Immanuel Wallerstein demonstram que novas teorias docolonialismo estão ganhando terreno. Finalmente, devemos lembrar que as sociedades pós-coloniais não foram sujeitasa forças políticas, históricas e culturais uniformes dentro do processo colonial deglobalização. De fato, propomos que uma das particularidades da sociologia acadêmicana América Latina é uma expectativa, compartilhada por muitos intelectuais, de que estaregião pode se tornar uma possível “comunidade de destino” [NT: ou de sorte/futuro].Através desta lente, deve-se notar que a expressão "América Latina" é simbolicamenteincorreta, pois enfatiza uma comunidade linguística formada através do colonialismo, ouseja, "latinos", o que exclui outras comunidades de importância histórica como os povosindígenas, os ex-escravos de origem africana, não-latinos imigrantes europeus e
  3. 3. Global Dialogue. Volume 2, Issue 2, 2012.asiáticos. A compreensão da América Latina como uma possível “comunidade dedestino” é uma utopia ganhando força, estimulando o intercâmbio acadêmico e dandounidade a uma sociologia regional. Traduzido por Vanessa Souza Pereira. http://www.contornospesquisa.org

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