História do Porto - Igreja e Torre dos Clérigos

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Obra famosa pela sua torre e com a qual forma um conjunto arquitectónico muito conhecido na cidade do Porto, a Igreja dos Clérigos é um edifício barroco projectado pelo arquitecto Nicolau Nasoni.

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História do Porto - Igreja e Torre dos Clérigos

  1. 1. Cadeira de HISTÓRIA DO PORTO Coleção de Manuais da Universidade Sénior Contemporânea Professor Doutor Artur Filipe dos Santos
  2. 2. Igreja e Torre dos Clérigos
  3. 3. Igreja e Torre dos Clérigos •Obra famosa pela sua torre e com a qual forma um conjunto arquitectónico muito conhecido na cidade do Porto, a Igreja dos Clérigos é um edifício barroco projectado pelo arquitecto Nicolau Nasoni.
  4. 4. Igreja e Torre dos Clérigos •A história da Igreja dos Clérigos, remonta à Irmandade dos Clérigos, que havia chegado ao Porto. A Irmandade resultou da fusão de três instituições de beneficência: Confraria dos Clérigos Pobres de Nossa Senhora da Misericórdia, fundada em 1630; a Irmandade de S. Filipe de Nery, fundada em 1665; e por último, a Confraria dos Clérigos de S. Pedro. Foram criadas na cidade durante o século XVII, com a finalidade de socorrer clérigos em dificuldades.
  5. 5. Igreja e Torre dos Clérigos • A nova entidade acabaria logo por juntar capital próprio, mas faltava-lhes uma casa própria ou uma igreja, pois antes a instituição funcionava na Igreja da Misericórdia do Porto.
  6. 6. Igreja e Torre dos Clérigos •É, precisamente a 31 de Maio de 1731 que se realiza uma assembleia geral, presidida por D. Jerónimo Távora e Noronha, principal mecenas de Nasoni, com a finalidade de se decidir sobre a proposta da construção de uma nova igreja para a Irmandade dos Clérigos.
  7. 7. Igreja e Torre dos Clérigos •A Torre dos Clérigos é uma torre sineira que faz parte da Igreja dos Clérigos e está situada na cidade do Porto, Portugal. É um monumento considerado por muitos o ex libris da cidade do Porto.
  8. 8. Igreja e Torre dos Clérigos •A torre foi construída entre 1754 e 1763 com projecto do italiano Nicolau Nasoni sob encomenda de Dom Jerónimo de Távora Noronha Leme e Cernache a pedido da Irmandade dos Clérigos Pobres.
  9. 9. Igreja e Torre dos Clérigos •O seu arquitecto, Nicolau Nasoni, contribuiu durante muitos anos para a construção da grande torre dos clérigos sem receber nada em troca e só alguns anos depois isso aconteceu.
  10. 10. Igreja e Torre dos Clérigos •Está classificada como Monumento Nacional desde 1910.
  11. 11. Igreja e Torre dos Clérigos •A Torre dos Clérigos recebeu, em 2014, o Certificado de Excelência do TripAdvisor® . Esta distinção premeia a excelência no setor do turismo e distingue apenas os espaços, em todo o mundo, que recebem constantemente as melhores avaliações dos viajantes.
  12. 12. Irmandade dos Clérigos •A Irmandade dos Clérigos Pobres foi uma confraria, criada em 1707, na cidade do Porto, em Portugal.
  13. 13. Irmandade dos Clérigos •A Irmandade dos Clérigos Pobres resultou da fusão de três confrarias preexistentes que desenvolviam, na Santa Casa da Misericórdia do Porto, actividade paralela e similar em favor do clero pobre: a Confraria de São Pedro ad Vincula, a Congregação de São Filipe Néri e a Confraria de Nossa Senhora da Misericórdia.
  14. 14. Irmandade dos Clérigos •Após a fusão o nome da irmandade passou a ser o de Confraria de Nossa Senhora da Misericórdia, São Pedro e São Filipe Néri, mais tarde simplificando a designação para Irmandade dos Clérigos.
  15. 15. Irmandade dos Clérigos •Reunindo na Casa da Misericórdia, a nova irmandade, pretendendo ter sede própria, tratou logo de concretizar esse objectivo, quando lhe foi oferecido, em 1731, um terreno no chamado lugar da Cruz de Cassoa, junto ao Adro dos Enforcados (um terreno, já fora das Muralhas Fernandinas, perto do Olival, onde eram sepultados os criminosos sentenciados à forca e os que morriam fora da religião), onde seria construída, não sem alguma polémica, a casa e a Torre dos Clérigos.
  16. 16. Irmandade dos Clérigos •Por essa razão, aquele adro foi mudado para outro lugar, nos terrenos do actual Hospital de Santo António.
  17. 17. Breve noção do Barroco •Na opinião dos mais conceituados dicionaristas, a palavra barroco deve ser entendida como sinónimo de “extravagante, irregular, exagerado, estapafúrdio.” Morais, por exemplo, define o estilo barroco como “um género de arte irregular e extravagante”.
  18. 18. Breve noção do Barroco •Já para uma especialista da matéria, Natália Ferreira Alves, o barroco “é a arte dos contrastes onde dor e júbilo se misturam; se festeja a vida e a morte; se coloca lado a lado magnificência e horror; o barroco é a manifestação coletiva, grandiosa, a exaltação da glória, a apoteose sensorial…”
  19. 19. Breve noção do Barroco •Temos por conseguinte que a arte do barroco se distingue das demais pela animação das formas, pelo movimento, pelo gosto das cores e, também, pelo tipo de materiais que são usados na sua conceção.
  20. 20. Breve noção do Barroco •O barroco aparece, digamos assim, a seguir á contra-reforma. Faz abundante utilização da iconografia pintada e esculpida, como reação contra a iconoclastia da reforma protestante.
  21. 21. Breve noção do Barroco •Em Portugal o barroco floresceu entre os séculos XVII e XVIII e fez-se sentir na cidade do porto de um modo muito expressivo em inúmeros edifícios tanto de caráter civil como religioso.
  22. 22. Breve noção do Barroco •O barroco foi a expressão de Nicolau Nasoni no Porto, cidade onde deixou marca indelével e de que a Igreja dos Clérigos é o seu expoente máximo.
  23. 23. Nicolau Nasoni •Nicolau Nasoni (San Giovanni Valdarno, 2 de Junho de 1691 — Porto, 30 de Agosto de 1773) foi um artista, decorador e arquitecto italiano que desenvolveu grande parte da sua obra em Portugal, considerado um dos mais significativos arquitectos da cidade do Porto.
  24. 24. Nicolau Nasoni •A sua obra inclui uma parte importante da arte barroca e rococó (rocaille) nesta cidade, chegando a envolver alguns dos melhores e mais significativos edifícios do século XVIII do Porto e arredores.
  25. 25. Nicolau Nasoni •O pintor e arquiteto de origem italiana, Nicolau Nasoni nasceu a 2 de junho de 1691, na Toscana, e faleceu a 30 de agosto de 1773, no Porto, recebendo sepultura na sua Igreja dos Clérigos - obra- prima do Barroco nortenho.
  26. 26. Nicolau Nasoni •Discípulo do pintor Giuseppe Nasini, Nasoni inicia a sua carreira artísica na cidade de Siena.
  27. 27. Nicolau Nasoni •Após a sua estada em Siena, Nasoni dirige-se para Roma. A póxima etapa foi a Ilha de Malta. Em 1723 encontrava-se ao serviço do grão-mestre Frei António Manuel de Vilhena, incumbido de pintar algumas dependências do Palácio dos Grãos-Mestres em La Valetta.
  28. 28. Nicolau Nasoni •Aqui estabelece ligações com o portuense Frei Roque de Távora e Noronha, irmão do deão da Sé do Porto, conseguindo ser contratado para uma empreitada nas obras de renovação da Catedral portuense.
  29. 29. Nicolau Nasoni •Deste modo, em 1725, o artista estabelece-se definitivamente na cidade do Porto.
  30. 30. Nicolau Nasoni •No panorama da pintura portuguesa setecentista, Nasoni destaca-se como pintor ilusionista, dominando a técnica do trompe l'oeil e da perspetiva, conferindo profundidade cenográfica a superfícies planas.
  31. 31. Trompe-l'oeil •Trompe-l'oeil é uma técnica artística que, com truques de perspectiva, cria uma ilusão óptica que mostre objetos ou formas que não existem realmente. Provém de uma expressão em língua francesa que significa engana o olho e é usada principalmente em pintura ou arquitetura.
  32. 32. Nicolau Nasoni •Após a Sé do Porto, onde pinta a têmpera, Nasoni encarrega-se da pintura das abóbadas da Sé Catedral de Lamego, decorria o ano de 1737. Outros contratos são celebrados para efetivar pinturas na Igreja da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto, na Igreja de S. Pedro de Tarouca e ainda os tetos do Palácio do Freixo, no Porto.
  33. 33. Nicolau Nasoni •Como arquiteto, Nasoni marcaria o Barroco setecentista na cidade do Porto e seu termo. A sua primeira e emblemática obra foi a Igreja, enfermaria e Torre dos Clérigos, cujo projeto foi apresentado em 1731 e a sua construção iniciada em 1732, é considerada a obra-prima do Barroco portuense.
  34. 34. Nicolau Nasoni •No periodo compreendido entre os anos de 1743 e 1749, Nasoni encontra-se à frente das obras de remodelação da fachada da Igreja do Senhor Bom Jesus matosinhense, reedificando em 1745 a Igreja de Santa Marinha, em Vila Nova de Gaia, e estando ainda ativo em 1749 na reconstrução da Igreja da Misericórdia do Porto.
  35. 35. Nicolau Nasoni •O labor deste artista italiano estendeu-se à arquitetura civil.
  36. 36. Nicolau Nasoni •O historiador Robert Smith atribui-lhe a autoria do risco da Quinta do Ramalde, da Quinta do Viso, da Quinta da Prelada, de Santa Cruz do Bispo e ainda do Palácio do Freixo.
  37. 37. Nicolau Nasoni •Provavelmente, embora a documentação seja omissa a esse respeito, Nasoni terá sido o autor do Solar de Mateus, palácio nos arredores de Vila Real.O estilo arquitetónico de Nicolau Nasoni inscreve-se no universo de um Barroco de aparato e cenográfico, influenciado pela arquitetura italiana da Toscânia e de Roma.
  38. 38. Nicolau Nasoni •De volumetrias sólidas, linhas túrgidas e movimentadas, o seu Barroco decorativista estabeleceu escola no Norte de Portugal, influenciando decisivamente os artistas portugueses coetâneos.
  39. 39. Nicolau Nasoni •Além da sua vertente de pintor-arquiteto, Nasoni idealizou diversos desenhos para peças de ourivesaria, modelos de escultura e ainda ornatos e retábulos em talha dourada, influenciando também assim os artistas do Barroco português.
  40. 40. Igreja e Torre dos Clérigos •Para a construção da igreja, a Irmandade aceitaria uma doação de um terreno baldio situado no cimo de uma calçada que ia da Fonte de Arca (atual Praça da Liberdade) até ao Adro dos Enforcados (um terreno fora da antiga Muralha Fernandina, onde eram sepultados os criminosos sentenciados na forca e os que morriam fora da religião), também chamado de Campo das Malvas
  41. 41. Igreja e Torre dos Clérigos •É desta toponímia que surge a expressão popular “mandar para as Malvas”, que significa, literalmente, “mandar para o cemitério”.
  42. 42. Igreja e Torre dos Clérigos •Foi nomeada, igualmente, uma comissão de quatro irmãos para administradores dessa obra. As propostas para o título de padroeira da igreja foram três: Senhora do Socorro, Senhora das Necessidades ou Senhora da Assunção. Escolheram a última.
  43. 43. Igreja e Torre dos Clérigos •Devido à nova construção da igreja e torre dos Clérigos, aquele adro foi mudado para outro lugar, junto aos terrenos do Hospital de Santo António.
  44. 44. Igreja e Torre dos Clérigos •A primeira pedra da igreja é lançada no dia 23 de Junho de 1732, justamente na presença do arquitecto Nicolau Nasoni, tocando todos os sinos dos diferentes templos da cidade ao mesmo tempo para comemorar esse facto.
  45. 45. Igreja e Torre dos Clérigos •As obras começaram a seguir a bom ritmo, mas ao fim de algum tempo ficaram totalmente paradas. A razão deveu-se provavelmente a várias intrigas movidas pelo pároco a Igreja de Santo Ildefonso, preocupado com a concorrência que o novo templo vinha estabelecer.
  46. 46. Igreja e Torre dos Clérigos •A expulsão do mestre pedreiro António Pereira, aliado do referido pároco e a sua substituição por Miguel Francisco da Silva não alterou grandemente o estado das obras. Em 1745, numa vistoria, não foram aprovados os alicerces da frontaria e decidiu-se então que tudo se desfizesse e fosse tudo refeito de novo com a grandeza que a obra parecia merecer.
  47. 47. Igreja e Torre dos Clérigos •A 28 de Julho de 1748, mesmo sem que o edifício estivesse totalmente terminado, a igreja seria aberta ao culto. Só dois anos depois é que a fachada principal estaria pronta. A escadaria que antecede a igreja foi principiada em 1750 e as suas obras demorariam cerca de 4 anos.
  48. 48. Igreja e Torre dos Clérigos •Concluído o templo, a irmandade começou a pensar na necessidade de se construir um hospital e enfermaria para que se recolhessem e curassem os irmãos doentes e pobres; mas as obras só começariam em 1753 com a doação de um outro terreno que ficava por detrás da igreja.
  49. 49. Igreja e Torre dos Clérigos •Devido às modificações radicais e ampliação de que foi alvo, em relação ao projecto primitivo, a capela-mor teve de ser totalmente reconstruída; de 1767 até 1773 procedeu-se à referida reconstrução da capela-mor, seguindo-se outros pequenos arranjos, vindo as obras a ser dadas como inteiramente concluídas em 1779, com a sagração da igreja no dia 12 de Dezembro desse ano, pelo bispo do Porto D. Frei João Rafael de Mendonça.
  50. 50. Igreja e Torre dos Clérigos •Nasoni foi enterrado nesta igreja, à qual dedicou muito tempo e dedicação.
  51. 51. Igreja e Torre dos Clérigos •A torre, se bem que mais considerada pelos habitantes do Porto, foi a última construção do conjunto dos Clérigos, dos quais fazem parte a igreja e uma enfermaria. Foi iniciada em 1732, tendo em conta o aproveito do terreno que sobrara para a instalação da enfermaria dos Clérigos.
  52. 52. Igreja e Torre dos Clérigos •O projeto inicial de Nasoni previa a construção de duas torres, e não apenas de uma. A torre é decorada segundo o estilo barroco, com esculturas de santos, fogaréus, cornijas bem acentuadas e balaustradas.
  53. 53. Igreja e Torre dos Clérigos •Tem seis andares e 75 metros de altura, que se sobem por uma escada em espiral com 240 degraus. Era, na altura da sua construção, o edifício mais alto de Portugal.
  54. 54. Igreja e Torre dos Clérigos •No primeiro andar apresenta uma porta encimada pela imagem de São Paulo, tendo por debaixo, inserido num medalhão, um texto de São Paulo, na Carta aos Romanos. A espessura das paredes do primeiro andar, em granito, chega a atingir os dois metros. Destacam-se as janelas abalaustradas do último andar, mais comprimido e decorado, e os quatro mostradores de relógio.
  55. 55. Igreja e Torre dos Clérigos •Os materiais utilizados na construção da Torre dos Clérigos foram, principalmente, o granito e o mármore.
  56. 56. Igreja e Torre dos Clérigos •Foi editado em 2013 o livro A Igreja e a Torre dos Clérigos: Um livro com história, no âmbito das Comemorações dos 250 anos dos Clérigos, com a colaboração da Associação Comercial do Porto, da Câmara Municipal do Porto, da Santa Casa da Misericórdia do Porto e da Douro Azul, e está disponível em quatro línguas: português, inglês, francês e espanhol. Esta iniciativa decorreu precisamente um ano depois do anúncio das comemorações dos 250 anos e antecedeu o início das obras de reabilitação do edifício, previstas para janeiro de 2014.
  57. 57. Bibliografia •http://www.torredosclerigos.pt/pt/historia/o-barroco •http://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_dos_Cl%C3%A9rigos •http://pt.wikipedia.org/wiki/Torre_dos_Cl%C3%A9rigos •http://www.torredosclerigos.pt/pt/noticias/79-a-igreja-e-a- torre-dos-clerigos-um-livro-com-historia •http://www.infopedia.pt/$nicolau- nasoni;jsessionid=LrlKSCzVe5IYP6L9hBIPKQ__ •http://pt.wikipedia.org/wiki/Trompe-l'oeil •http://lazer.publico.pt/monumentos/6496_igreja-e-torre- dos-clerigos

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