Amante Liberto 2

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Amante Liberto 2

  1. 1. Capítulo 2 Meia hora e um sanduíche de peru depois, V. materializou-se na varanda desua cobertura no centro da cidade. A noite estava feia, com o frio de março e aumidade de abril, e o vento fazia barulho como um bêbado inquieto. Em pé diante dapaisagem de cartão postal das pontes gêmeas de Caldwell, as luzes da cidade oentediaram. E a possibilidade de divertir-se e jogar naquela noite perdeu a graça. Ele pensou ser parecido com um viciado em cocaína inveterado. O ápice játinha passado, mas agora ele só mantinha o vício, sem entusiasmo. Era só necessidade,não havia mais a emoção. Apoiando as mãos na mureta, inclinou-se para frente e sentiu uma rajada devento gelado no rosto, e seus cabelos voaram para trás como naqueles comerciais dexampu com modelos exuberantes. Ou talvez... como nos gibis de super-heróis. É, seriauma metáfora melhor. Mas ele não podia ser um vilão, certo? Ele percebeu que acariciava a pedra lisa na qual se apoiava. A mureta tinha ummetro e vinte de altura e circundava a construção como o rebordo de uma bandeja. Aborda era uma estante de um metro de largura, implorando para se jogar dos novemetros de vazio do outro lado, a brisa perfeita para o prelúdio da morte. Aquela, sim, era uma vista que lhe interessava. Ele conhecia por experiência própria a suavidade de uma queda livre. Como aforça do vento contra seu peito dificultava a respiração. Como os olhos lacrimejavam eas lágrimas escorriam pelas têmporas, e não pelas bochechas. Como o chão seapressava a saudá-lo, um anfitrião pronto para recebê-lo para a festa. Não tinha certeza se havia tomado a decisão certa ao se salvar na primeira vezem que pulara. Mas, no último instante, desmaterializou-se de volta para a varanda. Devolta... para os braços de Butch. Maldito Butch. Ele sempre voltava para aquele filho da mãe, não é? V. procurou afastar a vontade de saltar de novo e destrancou uma das travascom a mente. As três paredes de vidro da varanda eram à prova de balas, mas nãofiltravam a luz do sol. Não que ele ficasse ali durante o dia, mesmo que eles sim. Aquilo não era um lar. Quando entrou, o local e o motivo pelo qual ele usava aquele lugarcomprimiram seu peito como se a força da gravidade fosse diferente ali. As paredes, oteto e o piso de mármore do espaçoso loft eram negros. Bem como as centenas develas que ele poderia acender a um comando. A única coisa que poderia ser classificadacomo móvel era uma cama king-size que nunca usara. O resto era equipamento: amesa com as proteções. As correntes presas à parede. As máscaras e as bolas, chicotes,chibatas e as correntes. O armário repleto de argolas para mamilos, clipes de aço eferramentas de aço forjado. Tudo para as fêmeas. Ele retirou a jaqueta de couro e a jogou na cama, e então tirou a camisa.Sempre ficava de calça durante as sessões. Os outros nunca o viam completamente nu.Ninguém o via, além de seus Irmãos nas cerimônias na Tumba, e apenas porque nãohavia outra escolha durante os rituais.
  2. 2. A aparência de seu corpo da cintura para baixo não era da conta de ninguém. As velas se acenderam quando ele ordenou, com as luzes brilhando no chãoantes de serem sugadas pelo domo escuro do teto. Não havia nada de romântico no ar.O local era uma caverna onde as coisas profanas eram feitas à vontade, e a luz sóservia para que fossem distinguidos couro, metal, mãos e presas. Além disso, as velas podiam ser usadas para outras coisas, além de iluminar. Aproximou-se do bar, encheu um copo com alguns centímetros de Grey Goosee recostou-se no curto balcão. Havia aquelas entre a espécie que acreditavam quemanter relações sexuais com ele naquele lugar era um rito de passagem. E também asque só conseguiam se satisfazer com ele. E algumas outras, ainda, que queriamexplorar a combinação de dor com sexo. As do tipo Lewis-e-Clark* eram as que menos despertavam seu interesse.Geralmente, não aguentavam o tranco e tinham de usar um código ou o sinal de mãoque ele lhes durante o ato. Ele sempre permitia que fossem embora assim quequisessem, mas tinham de parar de chorar sozinhas, não com a ajuda dele. Nove a cadadez vezes, elas queriam tentar de novo, apesar de lhe ser broxante. Se desistiam tãofacilmente uma vez, provavelmente o fariam de novo, e ele não tinha interesse algumem dar palestra sobre o assunto.*Meriwether Lewis e William Clark formaram um dupla de exploradores que lideraram a primeira grande expediçãoexploratória do continente norte-americano. [N.T.] As que suportavam chamavam-no de dhono e o adoravam, ainda que nãodesse a mínima para aquela atitude. Ele precisava aparar suas arestas internas, e ocorpo delas servia como pedra que ele usava para se amolar. Fim de papo. Ele caminhou até a parede, pegou uma das correntes de aço, e permitiu queela escorregasse pela palma de sua mão, elo por elo. Apesar de ser um sádico pornatureza, não sentia prazer algum em ferir suas subordinadas. Seu lado sádico erasatisfeito matando redutores. Para ele, ter controle das mentes e dos corpos delas era o mais importante. Ascoisas que ele fazia com elas, sexualmente ou não, aquilo que dizia, o que pedia queelas vestissem... tudo era cuidadosamente calculado. Sim, havia dor presente, e sim,talvez elas chorassem por vulnerabilidade e medo. Mas imploravam por mais. E ele lhes dava mais, se sentisse vontade. Olhou para as máscaras. Ele sempre cobria os rostos delas com máscaras, eelas só podiam tocá-lo onde, como e com o que ele mandasse. Era incomum que tivesseorgasmos ao longo de uma sessão, o que seria motivo de grande orgulho para elas. Ese ele se alimentava, era porque tinha de fazer isso. Nunca humilhava quem quer que estivesse ali, jamais as submetia às coisasterríveis que sabia muito bem que alguns Dons preferiam. Mas também não asconfortava no começo, no meio ou no fim, e as sessões aconteciam conforme seustermos. Ele lhes dava as ordens, dizia onde e quando, e, se tentassem ser dominadoras,eram expulsas. Para sempre. Ele olhou para seu relógio e ergueu o mhis que cercava a cobertura. A fêmeaque estaria ali naquela noite conseguiria rastreá-lo porque ele havia sugado de sua veia
  3. 3. alguns meses antes. Quando terminasse, ele daria um jeito para que ela não selembrasse de onde estivera. Mas, ela saberia o que tinha acontecido. O sinais do sexo ficariam marcados portodo seu corpo. Quando a fêmea se materializou na varanda, ele se virou. Pelas cortinas, elaera uma sombra enorme de curvas vestindo um top preto de couro e uma saia larga,igualmente preta. Seus cabelos escuros estavam enrolados no topo da cabeça, como elehavia exigido. Ela sabia que tinha de esperar. Sabia que não podia bater. Ele abriu a porta com a mente, mas ela também sabia que não devia entrarsem ser convocada. Ele olhou para ela e sentiu seu cheiro. Estava totalmente excitada. As presas dele se alongaram, mas não porque ele estava interessado no sexoúmido entre as pernas dela. Precisava se alimentar, e ela era uma fêmea, com todo tipode veia aguardando uma presa sedenta. Simples biologia, nada de encanto. V. estendeu o braço e fez um sinal com o dedo para chamá-la. Ela deu umpasso à frente, tremendo, da melhor maneira que conseguiu. Ele estava num humorespecialmente afiado naquela noite. – Afrouxe essa saia – ele disse. – Não estou gostando. Imediatamente ela desceu o zíper e permitiu que a saia caísse ao chão,formando um monte de cetim. Por baixo, ela vestia um espartilho de renda. Nada decalcinha. Hum... é. Ele ia arrancar aquela lingerie de seu quadril com uma adaga. Emalgum momento. V. se aproximou da parede e pegou uma máscara com apenas uma abertura.Ela teria de respirar pela boca se quisesse ar. Jogando-a para ela, ele disse: – Use-a. Agora. Ela cobriu o rosto sem nada dizer. – Suba na minha mesa. Ele não a ajudou enquanto se arrumava, apenas observou, sabendo queencontraria um modo de se virar. Elas sempre encontravam. Fêmeas como ela sempredavam um jeito. Para passar o tempo, ele pegou uma cigarrilha de seu bolso de trás, colocou-aentre os lábios e apanhou uma vela preta de um dos castiçais. Ao acender o fumo,olhou para o amontoado de cera líquida aos pés da chama. Verificou como a fêmea estava se saindo. Pronto. Ela havia se posicionado debarriga para cima, braços erguidos e pernas abertas. Depois de prendê-la, sabia exatamente por onde começar. Mantinha a vela na mão conforme se aproximava. Sob a luz da academia da Irmandade, John Matthew assumiu a posição econcentrou-se em seu oponente de treino. Os dois combinavam como um par de hashis,ambos magros e sem muita carne, frágeis. Como eram todos os pré-transição.
  4. 4. Zsadist, o Irmão que ensinaria o mano a mano naquela noite, assoviou entredentes, e John e seu colega trocaram reverências. Seu oponente disse o agradecimentoadequado no Idioma Antigo, e John traduziu tudo para a Língua de Sinais Americana. Eentão eles começaram. Mãos pequenas e braços ossudos se encontravam, sem grandesconsequências; chutes eram lançados ao ar como aviões de papel; esquivavam-se demodo grosseiro. Todos os movimentos e posições eram sombras do que deveriam tersido, ecos de trovão, não o estrondo em si. O trovão veio de outro canto na academia. No meio do round, ouviu-se um forte TUMP!, como se um corpo sólido atingisseos tatames azuis feito um saco de areia. John e seu oponente se viraram para olhar... eentão abandonaram suas tentativas ruins de artes marciais mistas. Zsadist estava trabalhando com Blaylock, um dos dois melhores amigos deJohn. O ruivo era o único aprendiz que tinha passado pela transformação até aquelemomento, portanto, tinha o dobro do tamanho de todas as outras pessoas da sala. E Z.havia acabado de derrubar o cara. Blaylock ficou em pé e mais uma vez encarou a situação de frente, mas estavaclaro que seria derrubado de novo. Por maior que fosse, Z. era tão gigantesco quantoele, além de ser membro da Irmandade da Adaga Negra. Então, Blay estava encarandoum tanque de guerra com muita experiência em briga. Cara, Qhuinn tinha de estar ali para ver aquilo. Onde estaria ele? Os onze aprendizes exclamaram com um “Uau!” quando Z. calmamente fezBlay perder o equilíbrio e o lançou de lado em cima dos tatames, colocando-o emposição de submissão. Assim que Blay caiu, Z. saiu de cima dele. Em pé diante do garoto, Zsadist disse-lhe de modo caloroso: – A cinco dias da transição, você está se saindo bem. Blay sorriu, apesar de seu rosto estar amassado no tatame como se houvessesido grudado ali. – Obrigado... – ele disse de modo ofegante. – Obrigado, senhor. Z. estendeu o braço e puxou Blay do chão, quando o som de uma porta sendoaberta ecoou pela academia. John arregalou os olhos ao ver o que estava ali. Bem... caramba... aquiloexplicava onde Qhuinn estivera toda a tarde. O macho que atravessou os tatames lentamente tinha um metro e noventa euns cento e trinta quilos, ao tipo de cara que dificilmente estaria pesando no diaanterior pouco mais de um saco de ração para cachorro. Qhuinn havia passado pelatransição. Caramba, não era de surpreender por que ele não havia enviado mensagensdurante o dia. Estava ocupado criando um corpo novo. Quando John ergueu a mão, Qhuinn fez um meneio de cabeça como seestivesse com torcicolo ou, talvez, com a cabeça latejando de dor. O cara parecia estardetonado e se movia com muita dificuldade, como se o corpo inteiro doesse. Tambémremexia na gola de sua nova blusa extra-extra-extra grande como se a sensação delacontra sua pele o incomodasse, e não parava de arrumar a calça, fazendo careta. Seuolho roxo foi uma surpresa, teria se chocado contra alguma coisa no meio da transição?Diziam que você se debate pra caramba durante a transição. – Que bom que você apareceu – Zsadist disse.
  5. 5. A voz de Qhuinn soou profunda quando ele respondeu, uma cadênciatotalmente diferente da anterior. – Eu quis vir, apesar de não poder malhar. – Fez bem. Pode relaxar ali. Enquanto Qhuinn ia para as laterais, seus olhos se cruzaram com os de Blay eos dois sorriram lentamente. E então se direcionaram para John. Usando a Língua de Sinais Americana, as mãos de Qhuinn disseram Depois daaula, vamos à casa do Blay. Tenho muito a contar a vocês. Quando John assentiu, a voz de Z. ressoou na academia. – O recreio terminou, meninas. Não me obriguem a dar um tapinha nobumbum de vocês, ok? John olhou para seu pequeno parceiro e se colocou em posição de ataque. Apesar de um dos aprendizes ter morrido na transição, John mal podia esperarpela dele. Sim, estava morrendo de medo, mas era melhor morrer do que ficar presoem um mundo como um ser assexuado à mercê dos outros. Ele estava mais do que pronto para se tornar macho. Tinha assuntos de família a tratar com os redutores. Duas horas depois, V. estava mais do que satisfeito. Não era de surpreenderque a fêmea não estivesse em condições de se materializar em sua casa, por isso, elefez com que ela vestisse um robe, hipnotizou-a para que entrasse em transe e desceucom ela pelo elevador de carga do prédio. Fritz esperava perto da calçada no carro, e ovelho doggen não fez perguntas depois que o endereço foi dado. Como sempre, aquele mordomo era um enviado dos céus. Sozinho novamente na varanda, V. se serviu de um pouco de Goose e sesentou na cama. O local ficara coberto de cera endurecida, sangue, as secreções dela eos resultados dos orgasmos dele. Foi uma sessão que deixou bastante sujeira. Mas eraassim que terminavam as sessões satisfatórias. Ele deu um gole demorado. No silêncio profundo, depois de suas perversões,no frio de sua realidade nua e crua, uma série de imagens sensuais lhe ocorria. O queele vira semanas atrás e de que agora se lembrava tinha sido absorvido por engano,mas apanhou a cena como um batedor de carteiras, inserindo-a no lobo frontal apesarde não lhe pertencer. Semanas atrás, ele havia flagrado Butch e Marissa... juntos na cama. Ocorrerano período de quarentena do tira, na clínica de Havers. Uma câmera de vídeo estavainstalada no canto do quarto do hospital, e V. vira os dois pelo monitor do computador:ela de camisola laranja-vibrante, ele com o avental do hospital. Os dois se beijavamlonga e ardentemente; seus corpos ansiando por sexo. V. acompanhara com o coração na boca Butch virando-se e subindo em cimadela, com o avental abrindo e revelando seus ombros, costas e quadril. Enquanto elecomeçava a entrar no ritmo, suas costas se flexionavam e relaxavam à medida que asmãos dela percorriam suas nádegas e ela fincava as unhas. Vê-los juntos... havia sido bonito. Não tinha nada do sexo selvagem que V.participara sua vida toda. Amor, intimidade e... gentileza estavam presentes. Vishous soltou o corpo no colchão, o copo quase entornando o líquido ao sedeitar. Caramba, queria saber como era fazer sexo daquele jeito. Seria que gostaria
  6. 6. daquilo? Talvez se sentisse preso. Não se lembrava de ter sentido as mãos de alguémsobre seu corpo daquela maneira, e não conseguia se imaginar totalmente nu. Mas ele pensou em Butch e decidiu que provavelmente isso apenas dependeriada pessoa com quem estivesse. V. cobriu o rosto com a mão boa, desejando ardentemente que aquelessentimentos desaparecessem. Odiava-se por possuir tais pensamentos, por ter essafixação, e a vergonha contínua, tão familiar, trouxe-lhe uma onda de fadiga. Sentindo-se exausto da cabeça aos pés, lutou contra aquela sensação, sabendo que ela eraperigosa. Dessa vez, não deu certo. Passou longe de conseguir. Fechou os olhos quandoo medo começou a percorrer suas costas, transformando sua pele num acolchoado decalafrios. Oh... droga. Ele estava adormecendo... Em pânico, tentou abrir os olhos, mas era tarde demais. Estavam pesados. Pormais que tentasse se libertar, já estava envolvido e era levado. Ele soltou o copo e escutou ao longe quando o vidro se espatifou no chão. Aúltima coisa em que pensou foi em como era igual àquele copo de vodca, estilhaçada eesparramada, incapaz de se conter.

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