Revista Oftalmo em Evidências 2

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ENTREVISTA - Dr. Cleber Godinho
Síndrome do olho seco: alternativas para o tratamento e uso de lentes de contato.

ARTIGO - Dr. Sérgio Felberg
A importância da lágrima artificial: olho seco, suas causas e tratamentos.

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Revista Oftalmo em Evidências 2

  1. 1. VOLUME 2 NÚMERO 2 AGOSTO DE 2013 ENTREVISTA Dr. Cleber Godinho ARTIGO Dr. Sérgio Felberg Síndrome do olho seco: alternativas para o tratamento e uso de lentes de contato A importância da lágrima artificial: olho seco, suas causas e tratamentos
  2. 2. Barreira microporosa1 Evita o uso de conservantes memBrana filtrante de 0,2µ1 tuBo flexível e ergonômico1 gotas caliBradas (30µl)1 Doses precisas Até 2 meses de utilização após aberto2 ReferênciasBibliográficas:1)PatentedeLaboratoiresThéa.2)Buladoproduto:Hyabak.RegistroMSnº8042140002. HYABAK® .Soluçãosemconservantesparahidrataçãoelubrificaçãodosolhoselentesdecontacto.FrascoABAK® .COMPOSIÇÃO:Hialuronatodesódio0,15g.Cloretodesódio,trometamol,ácidoclorídrico,águaparapreparaçõesinjetáveisq.b.p.100mL.NOMEEMORADADOFABRICANTE:LaboratoiresThéa,12rueLouis Blériot,63017CLERMONT-FERRANDCEDEX2-França.QUANDOSEDEVEUTILIZARESTEDISPOSITIVO:HYABAK® contémumasoluçãodestinadaaseradministradanosolhosounaslentesdecontato.Foiconcebido:•Parahumedecimentoelubrificaçãodosolhos,emcasodesensaçõesde securaoudefadigaocularinduzidasporfatoresexteriores,taiscomo,ovento,ofumo,apoluição,aspoeiras,ocalorseco,oarcondicionado,umaviagemdeaviãoouotrabalhoprolongadoàfrentedeumecrãdecomputador.•Nosutilizadoresdelentesdecontato,permitealubrificaçãoea hidrataçãodalente,comvistaafacilitaracolocaçãoearetirada,eproporcionandoumconfortoimediatonautilizaçãoaolongodetodoodia.GraçasaodispositivoABAK® ,HYABAK® permitefornecergotasdesoluçãosemconservantes.Pode,assim,serutilizadocomqualquertipodelente decontato.Aausênciadeconservantespermiteigualmenterespeitarostecidosoculares.ADVERTÊNCIASEPRECAUÇÕESESPECIAISDEUTILIZAÇÃO:•Evitartocarnosolhoscomapontadofrasco.•Nãoinjetar,nãoengolir.Nãoutilizeoprodutocasooinvólucrodeinviolabilidade estejadanificado.MANTERFORADOALCANCEDASCRIANÇAS.INTERAÇÕES:Éconvenienteaguardar10minutosentreaadministraçãodedoisprodutosoculares.COMOUTILIZARESTEDISPOSITIVO:POSOLOGIA:1gotaemcadaolhoduranteodia,semprequenecessário. Nosutilizadoresdelentes:umagotaemcadalenteaocolocareretiraraslentesetambémsemprequenecessárioaolongododia.MODOEVIADEADMINISTRAÇÃO:INSTILAÇÃOOCULAR.STERILEA-Paraumautilizaçãocorretadoprodutoénecessárioteremcontadeterminadas precauções:•Lavarcuidadosamenteasmãosantesdeprocederàaplicação.•Evitarocontatodaextremidadedofrascocomosolhosouaspálpebras.Instilar1gotadeprodutonocantodosacolacrimalinferior,puxandoligeiramenteapálpebrainferiorparabaixoedirigindooolharpara cima.Otempodeapariçãodeumagotaémaislongodoquecomumfrascoclássico.Taparofrascoapósautilização.Aocolocaraslentesdecontato:instilarumagotadeHYABAK® naconcavidadedalente.FREQUÊNCIAEMOMENTOEMQUEOPRODUTODEVESERADMINISTRADO: Distribuirasinstilaçõesaolongododia,conformenecessário.EFEITOSNÃOPRETENDIDOSEINCÔMODOS(EFEITOSINDESEJÁVEIS):Rarapossibilidadedeligeirasirritaçõesoculares.CONSERVAÇÃODEDISPOSITIVO:NÃOEXCEDEROPRAZOLIMITEDEUTILIZAÇÃO,INDICADO NAEMBALAGEMEXTERIOR.PRECAUÇÕESESPECIAISDECONSERVAÇÃO:Conservaraumatemperaturainferiora25ºC.Depoisdeaberto,ofrasconãodeveserconservadomaisde8semanas.DATADEREVISÃODESTEFOLHETOINFORMATIVO:04/2009.RegistroMSnº80424140002. Material dirigido exclusivamente a profissionais habilitados a prescrever e/ou dispensar medicamentos. uso compátivel com lentes de contato2 facilita a colocação e a retirada, e proporciona conforto imediato Produzidoem:Abril/2013
  3. 3. Editorial Prezado Leitor O entrevistado dessa edição da revista Oftalmo em evidências é o Dr. Cleber Godinho, que fala sobre a síndrome do olho seco e as alternativas de tratamento, inclusive com o uso de lentes de contato. Na seção artigo, o Dr. Sergio Felberg, descreve a importância da lágrima artificial no tratamento e causas do olho seco, onde o uso dos lubrificantes representa a medida isolada mais eficaz para o alívio dos sintomas. Acreditamos que essa edição, em que nossos convidados tem a oportunidade de compartilhar seus conhecimentos, será de grande utilidade aos oftalmologistas. Boa leitura ! VOLUME 2 NÚMERO 2 AGOSTO DE 2013 Material de distribuição exclusiva à classe médica. Os anúncios veiculados nesta edição são de inteira responsabilidade do anunciante. O conteúdo desta publicação reflete, exclusivamente, a opinião dos autores e não necessariamente a opinião da Editora Omnifarma Ltda. SUMÁRIO ENTREVISTA 4 Síndrome do olho seco: alternativas para o tratamento e uso de lentes de contato Dr. Cleber Godinho ARTIGO 10 A importância da lágrima artificial: olho seco, suas causas e tratamentos Dr. Sergio Felberg EDITORA OMNIFARMA LTDA. Rua Capitão Otávio Machado, 410 São Paulo, SP - CEP 04718-000. PABX: 55.11.5180-6169. E-mail: atendimento@editoraomnifarma.com.br. Diretor Executivo: Marcelo Valente. Diretor: José Eduardo Valente. Gerente Administrativa: Karina Pinheiro. Assistente Administra- tivo: Ellison Kleber Forner. Contato: Magali de Souza. Coordenador de Produção: Edson Honorio. Diagramação: Fernando F. dos Santos. Revisão: Thais Naufel. Jornalista: Daniela Almeida. © 2013 Editora OMNIFARMA Ltda. Todos os direitos reservados e pro- tegidos pela Lei 9.610 de 19/02/98. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida, sem autorização prévia, por escrito da Editora OMNIFARMA Ltda., sejam quais forem os meios empregados: eletrôni- cos, mecânicos, fotográficos, gravação ou quaisquer outros. Cód. da Publicação: 4011.2013.
  4. 4. 4 Volume 02 | No 02 | agosto/2013 Síndrome do olho seco Alternativas para o tratamento e uso de lentes de contato Quando se olha para um indivíduo,é pos- sível notar a cor dos seus olhos. Essa cor percebida pertence à íris. Mais anterior a ela,existe a córnea,como se fosse o vidro de um relógio, sendo a íris o seu mostrador. Ela é transparente, pois não há irrigação sanguínea em seu interior.Trata-se de um órgão segregado. Toda célula viva do organismo humano pre- cisa buscar o oxigênio de alguma fonte. No caso da córnea,que não é irrigada,é neces- sário encontrar uma alternativa. Quando o indivíduo pisca os olhos, ele re- nova o filme lacrimal por toda a córnea. Este é rico em oxigênio, proveniente do ar; dessa forma, a camada mais superficial da córnea “respira” por meio do oxigênio at- mosférico pelo ato de piscar. Por isso que o Dr. Cleber Godinho, Chefe do Serviço de Lentes de Contato do Instituto de Olhos de Belo Horizonte (MG),professor de lentes de contato da Fundação Hilton Rocha (BH) e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Lentes de Contato e de Córnea (SOBLEC), afirma que piscar é um ato importantíssi- mo, fisiológico, sendo necessário realizá-lo, em média, de 15 a 17 vezes por minuto. Isso tudo descrito previamente é o processo observado em um olho saudável. Dr. Go- dinho concedeu uma entrevista à revista Oftalmo em Evidência na qual discorre sobre a síndrome do olho seco e as alter- nativas de tratamento, inclusive com o uso de lentes de contato. Dr. Cleber Godinho CRM-MG 7383 Chefe do Serviço de Lentes de Contato do Instituto de Olhos de Belo Horizonte (MG), Professor de Lentes de Contato da Fundação Hilton Rocha (BH) eVice-Presidente da Sociedade Brasileira de Lentes de Contato e de Córnea (SOBLEC). ENTREVISTA
  5. 5. O QUE É XEROFTALMIA? TRATA- -SE DE UM SINÔNIMO PARA O OLHO SECO? Não, pois a xeroftalmia é o olho seco ocasionado pela de- ficiência nutricional de vita- mina A. Ela é muito comum em países com alto índice de desnutrição, como África, e também no sertão brasileiro, por exemplo. O olho desses pacientes tem como caracte- rística um olhar parado, res- secado e esbranquiçado. Ele perde a sua transparência. QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS SIN- TOMAS DA SÍNDROME DO OLHO SECO? A síndrome do olho seco é ex- tremamente desagradável. Os principais sintomas incluem uma sensação de areia nos olhos, ressecamento, cocei- ra e queimação. Os pacientes relatam a vontade de colocar uma toalha úmida nos olhos para aliviar os incômodos. Os portadores dessa sín- drome também sofrem de fo- tofobia, pois a córnea é afeta- da e o olho fica hiperemiado. Nos estágios mais avançados, o indivíduo pode ter, concomi- tantemente, uma conjuntivite filamentosa. Esses filamentos são ligados à mucosa, o que leva ao aparecimento de cros- tas, embaçamento visual e um desconforto significativo. Quando o indivíduo passa muito tempo em um ambiente refrigerado por ar condicio- nado, os olhos podem resse- car. A baixa umidade relativa do ar também desencadeia os episódios, assim como a ex- posição ao vento em excesso. Os casos mais graves de olho seco podem surgir ao Volume 02 | No 02 | agosto/2013 5 O QUE É A SÍNDROME DO OLHO SECO? O olho seco é um grupo de si- nais e de sintomas que o pa- ciente começa a sentir pela falta de lubrificação da cór- nea. Isso pode acontecer por diversos fatores, como pela qualidade da lágrima ou do piscar. Desse modo, é impor- tante aprender a piscar. Quando o paciente usa o computador, por exemplo, ele pisca, em média, cinco vezes por minuto. Isso deixa o olho ressecado, pois falta oxigena- ção para lubrificar e nutrir a córnea. Consequentemente, surgem os sintomas de olho seco, como a ardência e o próprio ressecamento. Outra causa da síndrome do olho seco é a deficiência na produção de lágrimas. A lágrima é composta por três camadas: mucina (muco), li- pídeos (gordura) e água (Fi- gura 1). A síndrome afeta mais as mulheres, em função da sua complexidade hormo- nal, e indivíduos com defici- ências nutricionais. Filme lacrimal Camada de mucina Camada aquosa Camada lipídica Glândula lacrimal Glândula de Meibomus Conjuntiva Figura 1. Composição lacrimal.
  6. 6. 6 Volume 02 | No 02 | agosto/2013 mesmo tempo que outras enfermidades. A síndrome de Sjögren (autoimune), que acomete alguns pacien- tes com reumatismo, é uma grande causa do olho seco. A síndrome leva ao não re- conhecimento de determina- da estrutura do organismo, e este começa a se auto agre- dir. Nós também recebemos muitos pacientes que foram submetidos à cirurgia plás- tica palpebral. A pálpebra passa a não fechar comple- tamente e, à noite, durante o sono, os olhos ficam semi- cerrados. Ao amanhecer, o paciente apresenta fotofo- bia e dor, pois o olho passou a noite exposto, tornando-se ressecado. Qualquer fato que acontece no epitélio corne- ano, que é muito inervado e irrigado, desencadeia os sin- tomas desagradáveis da foto- fobia. O paciente submetido à cirurgia refrativa pode re- latar sintomas de olho seco. COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO? Quando o paciente refere es- ses sintomas supracitados, é preciso avaliar alguns fato- res, com a possível falta de algum dos componentes da lágrima. Nesse caso, realiza- mos o teste de Schirmer, que avalia a sua parte aquosa. O exame clínico associa- do às queixas do paciente permite avaliar se o quadro é mais grave ou transitório. No aparelho oftalmológico, é possível fazer um diagnós- tico, pois, quando o pacien- te pisca, pode-se avaliar a estabilidade do filme lacri- mal (BUT – break up time). Quando ele está rompendo a intervalo rápido, ajuda o diagnóstico. Alguns corantes podem ser pingados na córnea para fazer a citologia de impres- são (clearence) e avaliar o seu estado. QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS MEDI- DAS A SEREM ADOTADAS QUANDO A SÍNDROME É DIAGNOSTICADA? Em primeiro lugar, é preciso ensinar o paciente a piscar. A maneira correta de fazê-lo é fechar o olho completamente, de tal forma que a pálpebra superior encoste na inferior. Piscar é um ato reflexo, mas, se o indivíduo pensar sobre ele, fazendo-o de forma cons- ciente, é possível avaliar se pisca corretamente ou não e, se preciso, corrigir-se. Outra coisa a ser avaliada é se o paciente pisca 15 ve- zes por minuto, número su- ficiente para hidratar a cór- nea. Para que isso ocorra, ele deve piscar, contar até três, piscar novamente, e assim sucessivamente. Inclusive, eu desenvolvi um aparelho que estimula o paciente a piscar 15 vezes por minuto. Ele se chama PISC (Figura 2) e foi publi- cado recentemente em um periódico da Inglaterra como inovação científica. Um co- lega desenvolveu a sua tese Figura 2. PISC.
  7. 7. Volume 02 | No 02 | agosto/2013 7 com o PISC em pacientes com Parkinson, que tendem a piscar menos. Com o PISC, eles piscaram mais e, conse- quentemente, melhoraram os sintomas de olho seco. O apa- relho condiciona o reflexo de piscar a cada “piscada” do instrumento (na realidade, é emitida uma luz, um som ou uma vibração). Quando ele pisca, o paciente “imita” o ato. Por exemplo, o indiví- duo mantém o PISC em fren- te ao computador. Enquanto trabalha, ele é lembrado por ele a piscar, por meio de cada sinal emitido. E O TRATAMENTO MEDICAMENTOSO? Nós indicamos o uso de al- guns colírios e lágrimas ar- tificiais para oferecer o con- forto ocular ao paciente. Atualmente, existe também uma cirurgia que consiste na transposição de glându- las salivares para a lubrifi- cação dos olhos. QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS CON- SEQUÊNCIAS PARA OS INDIVÍ- DUOS COM OLHOS SECOS NÃO TRATADOS? Isso é quase impossível de acontecer, pois o paciente sofre tanto com os sintomas que, cedo ou tarde, busca o auxílio médico. Mas, quan- do não tratada, pode evoluir para uma córnea que entra em sofrimento, conjuntivi- te filamentar que leva à ce- ratite filamentar, e também pode ocorrer formação de placas sobre a córnea ade- ridas ao globo ocular. Todos esses fatores geram sintomas significativos. Quando o olho está em so- frimento, ele pode criar vasos no interior da córnea como forma de suprir o oxigênio, só que isso faz com que fique cada vez mais opaco, dificul- tando a visão do paciente. O quadro pode evoluir para úl- cera de córnea bacteriana ou rotura do epitélio. Por isso a importância de iniciar o tra- tamento antes dessas conse- quências surgirem. OS PORTADORES DESSA SÍNDRO- ME PODEM UTILIZAR LENTES DE CONTATO? Sim. Se o indivíduo tem uma síndrome de olho seco inicial ou com filamentos, ele pode utilizar determinados tipos de lentes. Existem algumas lentes gelatinosas que pos- suem um menor volume de água. A lente busca a água do filme lacrimal, portanto, se o paciente usa uma len- te que vai proteger a córnea e que possui um volume de água menor, ela irá respeitar melhor a fisiologia da córnea. As lentes esclerais são grandes, rígidas e ocupam toda a face anterior do olho. Elas criam entre a córnea e o meio interior uma camada de líquido, o que a protege. Elas podem ser utilizadas, in- clusive, com fins terapêuticos nos casos mais graves de sín- drome do olho seco. QUAL É O MANEJO CLÍNICO DO PACIENTE COM SÍNDROME DO OLHO SECO? Basicamente, é o uso das lá- grimas artificiais. Por exem- plo, o colírio à base de hia- luronato de sódio (0,15%) ajuda o paciente a manter o olho lubrificado. Quase to- das as substâncias das lá- grimas artificiais são base- adas na reposição aquosa do olho. Alguns colírios con- tém, também, óleo de rícino para manter a camada lipí- dica do olho. Os melhores colírios são aqueles que não têm conservante, pois estes agridem os olhos. O hialuronato de sódio é o componente de algumas lágrimas artificiais. Estudos demonstram que ele pode promover a cicatrização do epitélio corneano, portanto, é muito indicado na presença de um sofrimento corneano grande. O hialuronato está presente na composição da
  8. 8. 8 Volume 02 | No 02 | agosto/2013 lágrima, sendo, dessa forma, essencial lançar mão de um colírio onde ele é o compo- nente principal, já que, as- sim, melhoram os sintomas do paciente. É muito importante quan- do conseguimos determinar o fator principal que está cau- sando o olho seco para então fazer a indicação correta do tratamento. Eu sou especializado em lentes de contato. Quando percebo que o paciente usu- ário de lente está com o olho seco, indico o Hyabak® , pois ele age satisfatoriamente e é bem tolerado. Ele é compos- to somente pelo hialuronato de sódio. ESTUDO COMPARATIVO ENTRE O HIALURONATO DE SÓDIO 0,15% VERSUS ÁLCOOL POLIVINÍLICO NO TRATAMENTO DE OLHO SECO Pesquisadores espanhóis condu- ziram um estudo para avaliar a eficácia de duas lágrimas artifi- ciais no tratamento da síndrome do olho seco: hialuronato de só- dio 0,15% e o álcool polivinílico. O estudo incluiu 30 pacien- tes, totalizando 60 olhos secos. Quinze deles foram tratados com o hialuronato de sódio 0,15% e 15 com o álcool polivinílico. Os pacientes de ambos os grupos receberam cinco gotas de colírio por dia, durante um mês. Foram avaliados os seguintes parâme- tros: acuidade visual, teste de Schirmer, clearence, sintomas do olho seco (via questionário), tingimento da superfície ocu- lar com corante Rosa Bengala e fluoresceína, sensibilidade da córnea, hiperemia, detritos lacri- mais, eritema da pálpebra e ede- ma antes e após o tratamento. Os sintomas de olho seco re- portados no questionário, assim como o tingimento da superfície ocular com corante Rosa Ben- gala e fluoresceína, melhoraram com o uso do hialuronato de só- dio 0,15%. Os pacientes trata- dos com álcool polivinílico não demonstraram melhora signifi- cativa em qualquer parâmetro. Desse modo, conclui-se que o hialuronato de sódio 0,15% foi mais eficaz do que o álcool po- livinílico no tratamento dos pa- cientes com síndrome do olho seco. Referência. Vico E, Quereda A, Benítez-Del-Castillo JM, Fernández C, García-Sánchez J. A comparative study of 0.15% sodium hyaluronate versus polyvinyl alcohol in the treatment of dry eyes. Arch Soc Esp Oftalmol. 2005 Jul;80(7):387-94. QUAL É A POSOLOGIA DA LÁGRI- MA ARTIFICIAL? Geralmente, a bula indica quatro vezes ao dia. Mas, dependendo da gravidade do quadro de olho seco, faz- -se necessário aumentar essa dose. Isso acontece sem pre- juízo algum, pois a ausência de conservantes não agride o olho. O QUE É O SISTEMA ABAK, PRE- SENTE NO HYABAK® ? O ABAK é um sistema paten- teado que permite disponi- bilizar 300 gotas de colírio sem conservantes, preser-
  9. 9. Volume 02 | No 02 | agosto/2013 9 vando, assim, a superfície ocular. Aparentemente seme- lhante a um colírio normal com conservantes, o sistema ABAK contém uma tecnologia inovadora que filtra o colírio tanto na instilação como após a instilação, conservando o conteúdo esterilizado duran- te dois meses (oito semanas). O CONSUMO DE ÔMEGA 3 PODE MELHORAR O QUADRO DE OLHO SECO? Existem duas fontes de ôme- ga 3: a proveniente da gor- dura do peixe (salmão, sar- dinha) e a vegetal, como a linhaça. O ômega 3 animal é produzido pelo organismo humano. Eu recomendo aos pacientes com síndrome do olho seco o consumo de cáp- sulas de óleo de linhaça. O efeito é observado 15 dias após o início do tratamento, sendo importante a posologia de dois a três gramas diárias. Referências. Investigação ao serviço da oftalmologia. Disponível em: http://www.thea.pt/rad/rad. Iyer JV, Lee SY, Tong L. The dry eye disease activity log study.ScientificWorldJournal. 2012;2012:589875. Mon- tagni G. Intrasubject tear osmolarity changes with two different types of eyedrops.Optom Vis Sci. 2013 Apr;90(4):372-7
  10. 10. 10 Volume 02 | No 02 | agosto/2013 A importância da lágrima artificial Olho seco, suas causas e tratamentos FILME LACRIMAL: ESTRUTURA E FUNÇÕES O filme lacrimal apresenta cons- tituição complexa e dinâmica, sendo formado pelo produto da secreção de diversas glândulas. Seu volume distribuído na superfície ocular é cerca de 5 mL a 10 mL, sendo completamente substituído, em condi- ções normais, na velocidade de 1 mL a 2 mL por minuto1-3 . Fazem parte da sua composição proteínas e glicoproteínas, como albumina, lisozima, lactoferrina, betalisina, transferrina, ceruploplas- mina, imunoglobulinas, mucinas, en- tre outras. Também estão presentes complemento, fatores de crescimento (EGF, FGF, HGF, KGF, TGF-beta), ci- tocinas (interleucinas 1, 2, 6 e o fator de necrose tumoral), lipídios, eletróli- tos (como sódio, potássio, cálcio, mag- nésio, cloreto, bicarbonato, entre ou- tros), hormônios (insulina e prolactina) e nutrientes (lactato e glicose). O filme lacrimal contém, ainda, o produto do metabolismo das células epiteliais da córnea e conjuntiva, como ureia e gás carbônico4,5 . As glândulas de Meibomius, cer- ca de trinta em cada pálpebra, assim como as de Zeiss (localizadas anterior- mente às de Meibomius), são as prin- cipais responsáveis pela produção do componente lipídico da lágrima. Essa camada oleosa é a mais externa do fil- me, contendo ésteres de ácidos graxos e de colesterol, triglicérides e lípides polares e não polares ainda não total- mente identificados. Sua principal fun- ção é a de retardar a evaporação da camada aquosa subjacente6,7 . O conteúdo aquoso é formado pelo produto da secreção das glândulas la- ARTIGO Dr. Sergio Felberg CRM-SP 92504 Chefe da Seção de Córnea e Doenças Externas – Departamento de Oftalmologia da Santa Casa de São Paulo. Preceptor do Ambulatório de Superfície Ocular e Lágrima (SOL) - Departamento de Oftalmologia da Santa Casa de São Paulo. Doutor em Ciências pela UNIFESP.
  11. 11. Volume 02 | No 02 | agosto/2013 11 crimais principais (uma em cada hemiface, localizada na fossa lacrimal do osso frontal) e acessórias de Krause (cerca de vinte e cin- co localizadas no fórnice superior e cinco no inferior) e Wolfring (cerca de dez, presentes principalmente na face interna da pálpebra superior), todas com organização histológi- ca semelhante. Corresponde à porção mais espessa do filme lacrimal e a mais de 99% do seu volume. Nessa camada, estão difun- didos sais minerais, fatores de crescimento, proteínas, nutrientes, catabólitos e moléculas glicoproteicas. Além de permitir a lubrifica- ção da superfície ocular, a camada aquosa cria uma interface translúcida e lisa, essen- cial à visão1,4,5 . Por fim, a porção mucinosa do filme é oriunda, em sua maior parte, da secreção das células caliciformes localizadas por toda a conjuntiva, porém, concentradas na região da prega semilunar. A principal glicoprote- ína produzida é a MUC 58,9 . A camada de mucina está difundida por toda a camada aquosa, no entanto, sua concentração e vis- cosidade aumentam em direção ao epitélio da córnea, onde adquire consistência gela- tinosa. A mucina produzida pela célula ca- liciforme é responsável pela regularização da interface epitélio-lágrima, permitindo a distribuição laminar e contínua do filme por toda a superfície ocular9-11 . A lágrima permite, ainda, a oxigenação dos tecidos da superfície ocular, o transpor- te de nutrientes, hormônios e catabólitos, a remoção de detritos e micro-organismos, a atenuação do atrito das pálpebras com o bulbo ocular durante o ato de piscar, além de contribuir com as propriedades ópticas da córnea ao proporcionar maior regulari- dade da superfície epitelial1 . Seu papel con- tra a adesão e penetração microbiana é fun- damental para reduzir o risco de infecções oculares12,13 . OLHO SECO: DEFINIÇÃO ATUAL A reunião de renomados pesquisadores espe- cialistas em olho seco em 2007, a qual culmi- nou com a publicação do Dry Eye WorkShop (DEWS), manuscrito que analisa os principais aspectos relacionados ao diagnóstico e tra- tamento relacionados ao olho seco, originou a definição mais aceita atualmente para a doença: “olho seco é uma doença multifato- rial, da lágrima e da superfície ocular, que resulta em sintomas de desconforto, distúr- bios visuais e instabilidade do filme lacrimal e que pode, potencialmente, desencadear dano à superfície ocular. É acompanhado do aumento da osmolaridade do filme lacrimal e da inflamação da superfície ocular”14 . O ressecamento ocular ocasionado pelas diversas causas de olho seco podem dar ori- gem a queixas como ardor, queimação, foto- fobia, sensação de corpo estranho, turvação e oscilação visual, intolerância ao uso de lentes de contato, desconforto para ativida- des diárias como a leitura, uso de televisão, smartphones e computadores, insegurança para dirigir automóveis, caminhar na rua, entre outros, apresentando importante im- pacto na queda da qualidade de vida. Os sintomas, geralmente, pioram em ambientes secos, poluídos, com correntes de ar ou ar condicionado. Já as consequências do olho seco para a superfície dependerão da sua etiologia, gravidade, tempo de duração e da natureza do tratamento estabelecido. Cera- tite de intensidade variável (Figuras 1 e 2), filamentos de muco aderidos à superfície, úlceras de córnea (Figura 3) e até perfu-
  12. 12. 12 Volume 02 | No 02 | agosto/2013 Figura 1. Ceratite moderada (cortesia Dr. S. Felberg). Figura 2. Ceratite intensa (cortesia Dr. S. Felberg). Figura 3. Úlcera de córnea por olho seco (cortesia Dr. S. Felberg).
  13. 13. Volume 02 | No 02 | agosto/2013 13 rações oculares poderão ocorrer nos casos mais graves14 . CAUSAS DE OLHO SECO A classificação etiológica de olho seco pro- posta pelo “Report of National Eye Institute/ Industry Dry Eye Workshop”, em 199515 , ex- posta na Figura 4, ainda é a mais aceita, em- bora tenha sofrido, posteriormente, algumas adaptações pelo grupo do DEWS (Figura 5). Com relação à classificação etiológica, as causas de olho seco podem ser divididas em dois grupos maiores: olho seco por deficiên- cia na produção do componente aquoso e por excessiva evaporação do filme lacrimal. No olho seco aquoso-deficiente, a falta de produção lacrimal poderá ocorrer tanto pela destruição ou disfunção acinar como também pelas alterações neurossensoriais do estímu- lo ao lacrimejamento. Também podem estar incluídas no grupo as condições nas quais ocorre obstrução à drenagem do fluido lacri- mal14 . O grupo de olho seco aquoso-deficiente foi dividido em dois subgrupos: síndrome Figura 4. Classificação etiológica do olho seco: Report of National Eye Institute/Industry Dry EyeWorkshop, 1995. Olho seco ou ceratoconjuntivite sicca Deficiência de lágrima Evaporativo S.de Sjögren Não Sjögren Primária Secundária Artrite reumatóide Lupus e.sistêmico G.deWegener Esclerose sistêmica Cirrose biliar primária Poliarterite nodosa Doença mista do tecido conectivo Outras Doença lacrimal Primária Alacrima congênita Doença primária da glândula lacrimal Secundária Sarcoidose Xeroftalmia, HIV,GVHD Tracoma Queimadura alcalina Eritema multiforme Penfigóide cicatricial Obstrução da secreção lacrimal Reflexa Infecção Cirurgia Medicações Diabetes mellitus Envelhecimento Ceratopatia neuroparalítica Lesão do nervo trigêmeo Deficiência de lípides Ausência de glândulas Distiquiase Blefarite posterior Disfunção de G.de Meibomius Blefarite anterior Alterações do piscar Alterações da fenda palpebral Alteração da superfície Xeroftalmia Relacionada a pálpebra Lentes de contato Incongruências da pálpebra
  14. 14. 14 Volume 02 | No 02 | agosto/2013 DRY EYE Environment Milieu Interieur Low blink rate behavior, VTU, microscopy Wide lid aperture gaze position Aging Low androgen pool Systemic Drugs: antihistamines, beta-blockers, antispasmodics, diuretics, and some psychotropic drugs Milieu Exterieur Low relative humidity High wind velocity Occupational environment Aqueous-de cient Sjogren Syndrome Dry Eye Primary Secondary Non-Sjogren Dry Eye Lacrimal Re ex Block Lacrimal Gland Duct Obstruction Systemic Drugs Evaporative Extrinsic Meibomian Oil Intrinsic Vitamin A- Topical Drugs Preservatives Low Blink Rate Drug Action Accutane Contact Lens Wear Disorders of Lid Aperture Ocular Surface Disease eg, Allergy Fonte: International Dry EyeWorkShop (DEWS)14 Figura 5. Classificação etiológica do olho seco: International Dry EyeWorkShop (DEWS) - 2007. de Sjögren e não síndrome de Sjögren. Do subgrupo síndrome de Sjögren, fazem parte as doenças de etiologia multifatorial, com envolvimento do sistema autoimune e pro- dução de autoanticorpos contra as glându- las lacrimais, caracterizadas pela infiltração linfoplasmocitária progressiva das glândulas exócrinas e consequente substituição do te- cido acinar secretor por material fibroso16 . Podem estar acompanhadas de alguma doen- ça do colágeno, como a artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico, esclerodermia, poliarterite nodosa, entre outras (síndrome de Sjögren na forma secundária), ou existir isolada, sem mesenquimopatias associadas (síndrome de Sjögren na forma primária)16 . Todas as demais causas de olho seco aquo- so-deficiente são, então, classificadas como não síndrome de Sjögren e incluem a ausên- cia congênita das glândulas lacrimais, pro- cessos infecciosos, traumáticos ou tumorais que lesam o parênquima secretor, disauto- nomias nervosas que comprometem o lacri- mejamento reflexo, uso de medicamentos tó- picos ou sistêmicos cujos efeitos colaterais reduzem a produção lacrimal, obstruções dos ductos excretores das glândulas e, ainda, de acordo com o grupo do DEWS, a involução senil das glândulas secretoras14 . Já o olho seco classificado como “evapo- rativo” pressupõe excessiva evaporação do filme lacrimal como origem do ressecamen- to, porém com a produção do componente aquoso ocorrendo em quantidade normal.
  15. 15. Volume 02 | No 02 | agosto/2013 15 De acordo com o DEWS, pode ser induzido por doenças que afetam a produção lipídica em quantidade ou qualidade, como as mei- bomites (Figura 6), ou ainda que compro- metam a dinâmica do filme lacrimal, como as disfunções e alterações anatômicas das pálpebras (todas, nesse caso, classificadas como olho seco evaporativo “intrínsecas”). Causas externas, como a toxicidade pelo uso de medicamentos tópicos, uso de len- tes de contato ou doenças carenciais, são classificadas como causas de olho seco eva- porativo “extrínsecas”14 . O TRATAMENTO CLÍNICO DO OLHO SECO O tratamento do olho seco pode ser tão com- plexo quanto a patogênese da doença, pois envolve diversas modalidades terapêuticas e sua estratégia deve ser individualizada, levando-se em consideração particularida- des de cada caso. Em algumas situações, o tratamento é capaz de curar o olho seco; em outras, alivia os sintomas e minimiza ou evita as consequências, melhorando, dessa maneira, a qualidade de vida dos portado- res. O controle clínico das doenças sistêmi- cas apresenta impacto positivo no quadro da secura ocular. Como medidas gerais, os pacientes de- vem ser orientados a evitar locais poluídos, secos ou com correntes de ar. O trabalho com computador e as leituras prolongadas devem ser feitos com intervalos frequentes de descanso. Umidificadores ambientais es- tão disponíveis comercialmente para elevar a umidade relativa do ar no recinto no qual o paciente desenvolve suas atividades17 . Nos casos mais avançados, óculos especiais com protetores laterais podem criar uma câmara úmida, reduzindo a taxa de evaporação do filme lacrimal. Todas as condições oculares que possam colaborar para causar ou agra- var o olho seco devem ser diagnosticadas e tratadas, como as inflamações palpebrais e conjuntivais, as deformidades anatômicas da margem palpebral, a presença de cílios anô- Figura 6. Meibomite (cortesia Dr. S. Felberg).
  16. 16. 16 Volume 02 | No 02 | agosto/2013 malos, entre outras. Os usuários de lentes de contato deverão ser reorientados com rela- ção à necessidade da interrupção do uso ou, então, nos casos mais leves e compensados, para a utilização de lentes mais adequadas à sua condição ocular17 . O controle da inflamação ocular nos casos moderados e graves é parte fundamental do tratamento do olho seco, especialmente na- queles associados às disfunções do sistema imune.17 Formulações tópicas derivadas dos anti-inflamatórios hormonais, como a metil- prednisolona ou a dexametasona, podem ser utilizadas. Devido aos potenciais efeitos adver- sos locais (dentre eles, aumento da pressão intraocular, opacidade do cristalino, reativa- ção de infecções herpéticas e persistência de defeitos epiteliais da córnea), devem ser sem- pre prescritos na menor dose e concentração necessárias e, se possível, por curto período de tempo, cabendo ao oftalmologista decidir entre os riscos e benefícios do tratamento18 . Os imunomoduladores, como a ciclos- porina A e19 , mais recentemente, o tacroli- mus20 , têm sido empregados em diferentes concentrações no controle da inflamação ocular por meio de formulações tópicas. Atuam inibindo a ação dos linfócitos T e, consequentemente, a liberação de mediado- res inflamatórios que promovem a ativação e recrutamento de células do sistema imune para o local da inflamação20 . Os colírios derivados do soro autólogo são muito utilizados nos casos graves de olho seco, com intensa supressão da secreção lacrimal, principalmente quando há defeitos epiteliais persistentes e úlceras tróficas da córnea. As maiores limitações ao uso incluem, além da necessidade da retirada de sangue, o risco da contaminação dos frascos e, consequentemente, a possibilidade de infecções oculares21 . Medicamentos sistêmicos também podem ser prescritos em casos selecionados para o tratamento do olho seco. A tetraciclina e seus derivados são utilizados como adjuvan- tes no controle das meibomites moderadas e graves. Tornam a secreção lipídica mais fluida por atuarem nas lípases. Seus efeitos sobre colagenases também fazem com que sejam prescritas quando os portadores de olho seco apresentam úlceras de córnea de difícil cicatrização17 . Alguns estudos sustentam que a suple- mentação alimentar com ácidos graxos es- senciais, dos grupos do ômega 3 e ômega 6, podem desempenhar ação anti-inflamatória e mudar o curso de diversas doenças crônicas. Nos casos de olho seco associado a doenças autoimunes ou a disfunções das glândulas de Meibomius, essas substâncias demons- traram reduzir a inflamação da superfície ocular e melhorar a fluidez do filme lacrimal por modificações na composição lipídica22,23 . Os secretagogos são substâncias capazes de induzir a produção dos componentes do filme lacrimal e podem ser administrados tópica ou sistemicamente. Não são con- siderados parte do tratamento de primeira linha nos casos de olho seco, principalmente pelos efeitos adversos descritos quando pres- critos sistemicamente ou pela fraca ação das formulações tópicas. Diversas drogas com ação secretagoga, principalmente sobre as glândulas exócrinas, já foram testadas, como a pilocarpina, a cevimelina, a bromexina e o ambroxol16 . AS LÁGRIMAS ARTIFICIAIS A lubrificação ocular com colírios lubrifican- tes artificiais continua sendo a modalidade de tratamento mais utilizada no controle do olho seco e das suas consequências. Além disso, na maioria dos casos da prática clínica
  17. 17. Volume 02 | No 02 | agosto/2013 17 diária e do consultório, o uso dos lubrifican- tes representa a medida isolada mais eficaz para o alívio dos sintomas. É também mo- dalidade essencial na estratégia terapêutica dos casos moderados e graves, geralmente em associação com algum dos tratamentos descritos anteriormente. A variedade de formulações disponíveis comercialmente é vasta e elas diferem ba- sicamente no seu mecanismo de ação, com- posição e viscosidade, pH, osmolaridade e duração da ação lubrificante, sendo o hia- luronato de sódio, a carboximetilcelulose, a hipromelose e o álcool polivinílico os lubri- ficantes mais utilizados17 . Os lubrificantes oculares repõe o volume de lágrima na su- perfície, estabilizam o filme lacrimal, restau- ram a função refrativa do filme, reduzem a osmolaridade lacrimal e protegem a super- fície do atrito palpebral durante o piscar24 . O ácido hialurônico ou hialuronato é um mucopolissacarídeo de elevado peso molecu- lar, com propriedades viscoelásticas, encon- trado naturalmente na matriz extracelular de diversos tecidos, como na epiderme, no líquido sinovial, no humor vítreo, na córnea, na conjuntiva e na própria lágrima25 . Para fins comerciais, o hialuronato biocompatível pode ser obtido através da técnica do DNA recombinante a partir de bactérias, principal- mente Streptococcus. Estudos relacionaram o hialuronato à atividade anti-inflamatória, à proteção contra danos oxidativos pela ini- bição de radicais livres, à promoção da mi- gração de células epiteliais e à umidifica- ção e hidratação de tecidos em função da sua propriedade retentora de água. Desse modo, colabora com a redução de feridas na superfície ocular nos casos de ressecamen- tos moderados e graves, auxilia no rápido alívio dos sintomas, aumenta a estabilidade do filme lacrimal, reduz sua evaporação ao aumentar o break-up time e, em função da sua viscosidade, seu efeito é relativamente prolongado. Nas formulações tópicas ocula- res, a viscosidade ideal deve proporcionar ação prolongada e conforto no alívio dos sin- tomas, não devendo ser muito aumentada a ponto de causar borramento visual ou pre- cipitações nos cílios e pálpebras26 . Alguns produtos possuem conservantes considerados mais tóxicos para as células da superfície ocular, como o cloreto de benzalcô- nio; outros contém conservantes considera- dos menos prejudiciais, como o perborato de sódio. Algumas das desvantagens dos conser- vantes é que podem desencadear toxicidade epitelial e reações de hipersensibilidade, co- laborar para o aumento do processo inflama- tório na superfície ocular e reduzir a viabili- dade celular, muitas vezes gerando sintomas similares aos causados pelo olho seco. Por esses motivos, a presença de conservantes nas formulações pode limitar a frequência do uso e a duração do tratamento24,27 . Finalmente, estão disponíveis comercial- mente produtos livres de conservantes, ideais para serem utilizados em todo tipo de olho seco, principalmente quando a lubrificação frequente é necessária. Os colírios sem con- servantes são armazenados na forma de fla- conetes para uso único ou então em frascos de colírios contendo mecanismos altamente especializados capazes de garantir a esterili- dade do produto durante o período de uso27 . CONSIDERAÇÕES FINAIS Em grande parte das vezes, o uso dos colí- rios lubrificantes será recomendado de ma- neira contínua, geralmente com instilações diárias, fato que pode contribuir para a des- continuidade do tratamento com abandono da recomendação médica. Tratamentos per- sonalizados, capazes de proporcionar signi-
  18. 18. 18 Volume 02 | No 02 | agosto/2013 ficativamente o alívio dos sintomas, com co- modidade na administração do medicamento e ausência de efeitos adversos associados à droga ou aos conservantes colaboram para a maior fidelidade do paciente ao tratamen- to proposto. REFERÊNCIAS 1. Tomlinson A, Khanal S. Assessment of tear film dynamics: quantification approach. Ocul Surf. 2005 Apr;3(2):81-95. 2. Rocha EM, Rocha FJ, Kara-José Jr N, Aguilar AJ. Olho seco. In: Gomes JAP, Alves MR. Superfície ocular. Rio de Janeiro: Cultura Médica;2006. p.57-68. 3. Paschides CA, Stefaniotou M, Papageorgiou J, Skourtis P, Psilas K. Ocular surface and environmental changes. Acta Ophthalmol Scand. 1998 Feb;76(1):74-7. 4. Tiffany JM. The normal tear film. Dev Ophthalmol. 2008; 41:1-20. 5. Tiffany JM. Tears in health and disease. Eye (Lond). 2003 Nov;17(8):923-6. 6. Sullivan DA, Yamagami H, Liu M, Steagall RJ, Schirra F, Su- zuki T, et al. Sex steroids, the meibomian gland and evapo- rative dry eye. Adv Exp Med Biol. 2002;506(Pt A):389-99. 7. Khanal S, Tomlinson A, Diaper CJ. Tear physiology of aqueous deficiency and evaporative dry eye. Optom Vis Sci. 2009 Nov;86(11):1235-40. 8. Argueso P, Balaram M, Spurr-Michaud S, Keutmann HT, Dana MR, Gipson IK. Decreased levels of the goblet cell mucin MUC5AC in tears of patients with Sjogren syndrome. Invest Ophthalmol Vis Sci. 2002 Apr;43(4): 1004-11. 9. Gipson IK, Inatomi T. Cellular origin of mucins of the ocu- lar surface tear film. Adv Exp Med Biol. 1998;438:221-7. 10. Nichols BA, Chiappino ML, Dawson CR. Demonstration of the mucous layer of the tear film by electron micros- copy. Invest Ophthalmol Vis Sci. 1985 Apr;26(4):464-73. 11. Berry M, Ellingham RB, Corfield AP. Human preocular mucins reflect changes in surface physiology. Br J Oph- thalmol. 2004 Mar;88(3):377-83. 12. deLuise VP, Tabbara KF. Quantitation of tear lysozyme levels in dry-eye disorders. Arch Ophthalmol. 1983 Apr; 101(4):634-5. 13. Janssen PT, Muytjens HL, van Bijsterveld OP. Nonlyso- zyme antibacterial factor in human tears. Fact or fiction? Invest Ophthalmol Vis Sci. 1984 Oct;25(10):1156-60. 14. The definition and classification of dry eye disease: report of the Definition and Classification Subcommittee of the International Dry Eye WorkShop (2007). Ocul Surf. 2007 Apr;5(2):75-92. 15. Lemp MA. Report of the National Eye Institute/Industry workshop on Clinical Trials in Dry Eyes. Clao J. 1995 Oct; 21(4):221-32. 16. Felberg S, Dantas PE. Síndrome de Sjögren: diagnóstico e tratamento. Arq Bras Oftalmol. 2006 Nov-Dec;69(6): 959-63. 17. Management and therapy of dry eye disease: report of the Management and Therapy Subcommittee of the In- ternational Dry Eye WorkShop (2007). Ocul Surf. 2007 Apr;5(2):163-78. 18. Calonge M. The treatment of dry eye. Surv Ophthalmol. 2001 Mar;45 Suppl 2:S227-39. 19. Foulks GN. Topical cyclosporine for treatment of ocu- lar surface disease. Int Ophthalmol Clin. 2006 Fall; 46(4):105-22. 20. Wyrsch S, Thiel MA, Becht CN. [Safety of treatment with tacrolimus ointment for anterior segment inflam- matory diseases]. Klin Monbl Augenheilkd. 2009 Apr; 226(4):234-6. 21. Geerling G, Maclennan S, Hartwig D. Autologous serum eye drops for ocular surface disorders. Br J Ophthalmol. 2004 Nov;88(11):1467-74. 22. Ramos-Casals M, Brito-Zeron P. New approaches in Sjo- gren’s syndrome therapy. Expert Rev Clin Immunol. 2007 Mar;3(2):195-204. 23. Roncone M, Bartlett H, Eperjesi F. Essential fatty acids for dry eye: A review. Cont Lens Anterior Eye. 2010 Apr; 33(2):49-54; quiz 100. 24. Asbell PA. Increasing importance of dry eye syndrome and the ideal artificial tear: consensus views from a roundta- ble discussion. Curr Med Res Opin. 2006;22:2149–2157. 25. Gaffney J, Matou-Nasri S, Grau-Olivares M, Slevin M. Therapeutic applications of hyaluronan. Mol Biosyst. 2010 Mar;6(3):437-43. 26. Rah MJ. A review of hyaluronan and its ophthalmic ap- plications. Optometry. 2011 Jan;82(1):38-43. 27. Tong L, Petznick A, Lee S, Tan J. Choice of artificial tear formulation for patients with dry eye: where do we start? Cornea. 2012 Nov;31 Suppl 1:S32-6.
  19. 19. DRUSOLOL® –cloridratodedorzolamida,maleatodetimolol.SoluçãoOftálmicaEstéril.IDENTIFICAÇÃODOPRODUTO:FORMAFARMACÊUTICAEAPRESENTAÇÃO:SoluçãoOftálmica2,0%+0,5%:embalagemcontendofrascocom 5mL.VIAOFTÁLMICA.USOADULTO.COMPOSIÇÃO:CadamLcontém:cloridratodedorzolamida...22,26mg(equivalentea20mgdedorzolamida),maleatodetimolol...6,83mg(equivalentea5mgdetimolol).Veículo:hietelose,cloretodebenzalcônio, manitol,citratodesódio,hidróxidodesódio,ácidocloridrícoeáguaparainjetáveis.INDICAÇÕES:Estemedicamentoéindicadoparaotratamentodapressãointraocularelevadadepacientescomhipertensãoocular,glaucomadeânguloaberto,glaucoma pseudoesfoliativoououtrosglaucomassecundáriosdeânguloabertoquandoaterapiaconcomitanteforapropriada.CONTRAINDICAÇÕES:Estemedicamentoécontraindicadoparapacientescom:•asmabrônquicaouhistóricodeasmabrônquicaoudoença pulmonarobstrutivacrônicagrave;•bradicardiasinusal,bloqueioatrioventriculardesegundoouterceirograus,insuficiênciacardíacamanifesta,choquecardiogênico;•hipersensibilidadeaqualquercomponentedoproduto.Essascontraindicaçõestêmcomo baseoscomponentesenãosãoespecíficasdaassociação.MODO DE USAR:Posologia:Adoseédeumagotadestemedicamentono(s)olho(s)afetado(s)duasvezesaodia.Quandoestemedicamentoforsubstituiroutro(s)agente(s)oftálmico(s) antiglaucomatoso(s),descontinueooutroagenteapóssuaadministraçãoapropriadaemumdiaecomeceaadministrarestemedicamentonooutrodia.Seoutroagenteoftálmicotópicoestiversendousado,estemedicamentoeooutroagentedevemseradmi- nistradoscomumintervalode,pelomenos,10minutos.ADVERTÊNCIASEPRECAUÇÕES:Reaçõescardiorrespiratórias:aexemplodoqueocorrecomoutrosagentesoftálmicostópicos,essemedicamentopodeserabsorvidosistemicamente.Otimolol éumβ-bloqueador.Dessemodo,osmesmostiposdereaçõesadversasobservadascomaadministraçãosistêmicadosβ-bloqueadorespodemocorrercomaadministraçãotópica.Porcausadapresençadomaleatodetimolol,insuficiênciacardíacadeveser adequadamentecontroladaantesdeseiniciaraterapiacomestemedicamentoEmpacientescomhistóricodedoençacardíacagrave,deve-sepesquisarsinaisdeinsuficiênciacardíacaeverificarafrequênciacardíaca.Reaçõesrespiratóriasecardíacas,incluindo morteporbroncoespasmoempacientescomasmaeraramentemorteemassociaçãocominsuficiênciacardíacaforamrelatadasapósaadministraçãodasoluçãooftálmicademaleatodetimolol.Disfunçãorenalehepática:Estemedicamentonãofoiestuda- doempacientescomdisfunçãorenalgrave(clearancedecreatinina<30mL/min).Umavezqueocloridratodedorzolamidaeseusmetabólitossãoexcretadospredominantementepelosrins,estemedicamentonãoérecomendadoparaessespacientes.Este medicamentonãofoiestudadoempacientescomdisfunçãohepática,portanto,deveserusadocomcautelanessespacientes.Imunologiaehipersensibilidade:aexemplodoqueocorrecomoutrosagentesoftálmicostópicos,essemedicamentopodeser absorvidosistemicamente.Adorzolamidaéumasulfonamida;portanto,osmesmostiposdereaçõesadversasobservadasduranteaadministraçãosistêmicadesulfonamidaspodemocorrercomaadministraçãotópica.Casoocorramsinaisdereaçõesgravesou hipersensibilidade,ousodapreparaçãodevesersuspenso.Emestudosclínicos,efeitosadversosoculareslocais,principalmenteconjuntiviteereaçõespalpebrais,foramrelatadoscomaadministraçãocrônicadesoluçãooftálmicadecloridratodedorzolamida. Algumasdessasreaçõestiveramaparênciaecursoclínicodereaçõesdotipoalérgicasedesapareceramcomasuspensãodotratamentomedicamentoso.Reaçõessimilaresforamrelatadascomestemedicamento.Setaisreaçõesforemobservadas,deveser consideradaasuspensãodotratamentocomestemedicamento.Enquantoestiveremrecebendoβ-bloqueadores,pacientescomhistóricodeatopiaoureaçõesanafiláticasgravesaumavariedadedealérgenospodemsermaisreativosàestimulaçãorepetidaaci- dental,diagnósticaouterapêuticacomtaisalérgenos.Essespacientespodemnãoapresentarrespostaàsdosesusuaisdeepinefrinausadasparatratarreaçõesanafiláticas.Terapiaconcomitante:existeapossibilidadedeefeitoaditivosobreosefeitossistêmicos conhecidosdainibiçãodaanidrasecarbônicaempacientesquerecebeminibidoresoraisetópicosdaanidrasecarbônicaconcomitantemente.Aadministraçãoconcomitantedestemedicamentoedeinibidoresdaanidrasecarbônicaporviaoralnãofoiestudada enãoérecomendada.Pacientesquejáestãorecebendobloqueadoresβ-adrenérgicossistêmicosecomeçamautilizarestemedicamentodevemserobservadosquantoaopossívelefeitoaditivosobreapressãointraocularousobreosefeitossistêmicosconheci- dosdobloqueioβ-adrenérgico.Ousodedoisbloqueadoresβ-adrenérgicostópicosnãoérecomendado.Outros:ocontroledepacientescomglaucomaagudodeângulofechadorequeroutrasintervençõesterapêuticasalémdeagentesoculareshipotensores. Estemedicamentonãofoiestudadoempacientescomglaucomaagudodeângulofechado.Foirelatadodescolamentodacoroidecomaadministraçãodeterapiasupressoradehumoraquoso(porexemplo,timolol,acetazolamida,dorzolamida)apósprocedi- mentosdefiltração.Usodelentesdecontato:estemedicamentocontémoconservantecloretodebenzalcônio,quepodedepositar-senaslentesdecontatogelatinosas;portanto,estemedicamentonãodeveseradministradoquandoessaslentesestiveremsendo utilizadas.Aslentesdevemserretiradasantesdaaplicaçãodasgotasesódevemserrecolocadas15minutosdepois.Gravidez:CategoriaCdegravidez:Estemedicamentonãodeveserutilizadopormulheresgrávidassemorientaçãomédicaou docirurgião-dentista.Nãoexistemestudosadequadosebemcontroladosemgrávidas.Estemedicamentodeveserusadoduranteagravidezsomenteseosbenefíciospotenciaisjustificaremospossíveisriscosparaofeto.Nutrizes:Nãosesabeseocloridrato dedorzolamidaéexcretadonoleitehumano.Omaleatodetimololaparecenoleitehumano.Umavezquereaçõesadversasgravespodemocorreremlactentes,deve-sedecidirentredescontinuaroaleitamentooudescontinuaramedicação,levando-seemcon- sideraçãosuaimportânciaparaamãe.USOEMIDOSOS,CRIANÇASEOUTROSGRUPOSDERISCO:Pacientesidosos:Donúmerototaldepacientesdosestudosclínicoscomestemedicamento,49%tinham65anosoumais,enquanto13%tinham75 anosoumais.Nogeral,nenhumadiferençanaeficáciaounasegurançafoiobservadaentreestespacientesepacientesmaisnovos,masasensibilidadeindividualaumentadaemalgunsidososnãopodeserdesconsiderada.UsoPediátrico:Asegurançaea eficáciaemcriançasnãoforamestabelecidas.INTERAÇÕESMEDICAMENTOSAS:EstudosdeinteraçõesmedicamentosasespecíficasnãoforamrealizadoscomestemedicamentoEmestudosclínicos,estemedicamentofoiusadoconcomitantementecom asseguintesmedicaçõessistêmicas,semevidênciadeinteraçõesadversas:inibidoresdaECA,bloqueadoresdoscanaisdecálcio,diuréticos,anti-inflamatóriosnãoesteroides,incluindoaspirinaehormônios(porexemplo,estrogênio,insulina,tiroxina).Entretanto, épossívelocorreremefeitosaditivosehipotensãoe/oubradicardiaacentuadaquandoasoluçãooftálmicademaleatodetimololforadministradaconcomitantementecombloqueadoresdoscanaisdecálcio,medicaçõesdepletorasdecatecolaminaoubloqueado- resβ-adrenérgicosporviaoral.Foirelatadapotencializaçãodoβ-bloqueiosistêmico(porexemplo,reduçãodafrequênciacardíaca)durantetratamentocombinadocomquinidinaetimolol,possivelmenteporqueaquinidinainibeometabolismodotimololpormeio dosistemaenzimáticodocitocromoP-450,viaCYP2D6.Ocomponentedorzolamidadestemedicamentoéuminibidordaanidrasecarbônicae,emboraadministradotopicamente,éabsorvidosistemicamente.Emestudosclínicos,asoluçãooftálmicadeclori- dratodedorzolamidanãofoiassociadaadistúrbiosácido-base.Entretanto,essesdistúrbiosforamrelatadoscominibidoresoraisdaanidrasecarbônicae,algumasvezes,resultarameminteraçõesmedicamentosas(porexemplo,toxicidadeassociadaàterapiacom altasdosesdesalicilato).Portanto,apossibilidadedetaisinteraçõesmedicamentosasdeveserconsideradaempacientesqueestejamrecebendoestemedicamento.Agentesbloqueadoresβ-adrenérgicosoraispodemexacerbarahipertensãoderebotequepode ocorrerapósasuspensãodeclonidina.REAÇÕESADVERSAS:Emestudosclínicos,aassociaçãoentredorzolamidaetimololfoigeralmentebemtolerado;nãoforamobservadasreaçõesadversaspeculiaresaessacombinação.Asreaçõesadversasforamlimi- tadasàquelasrelatadasanteriormentecomcloridratodedorzolamidae/oumaleatodetimolol.Emgeral,asreaçõesadversasforamlevesenãorequereramadescontinuaçãodaterapia.Duranteosestudosclínicos,1.035pacientesforamtratadoscomaassociação entredorzolamidaetimolol.Aproximadamente2,4%detodosospacientesdescontinuaramaterapiacomaassociaçãoentredorzolamidaetimololporcausadereaçõesadversasoculareslocais.Aproximadamente1,2%detodosospacientesdescontinuarama terapiaemrazãodereaçõesadversaslocaissugestivasdealergiaouhipersensibilidade.Asreaçõesadversasrelacionadasàmedicaçãorelatadascommaisfrequênciaforam:ardoredoragudaoculares,alteraçãodopaladar,erosãocorneana,hiperemiaconjuntival, visãoembaçada,lacrimejamentoepruridoocular.Urolitíasefoiraramenterelatada.Apósacomercialização,foramrelatadasasseguintesreaçõesadversas:dispneia,insuficiênciarespiratóriaedermatitedecontato,bradicardia,bloqueiocardíacoedescolamentodo coroideseguidodefiltraçãocirúrgica.NºdoLote,DatadeFabricaçãoePrazodeValidade:videcartucho.VENDASOBPRESCRIÇÃOMÉDICA.RegistroMS:1.0497.1281.UNIÃOQUÍMICAFARMACÊUTICANACIONALS/A. CONTRAINDICAÇÕES: Este medicamento é contraindicado para pacientes com asma brônquica ou histórico de asma brônquica ou doença pulmonar obstrutiva crônicagrave.INTERAÇÕESMEDICAMENTOSAS:Distúrbiosácido-base,foramrelatadoscominibidoresoraisdaanidrasecarbônicae,algumasvezes,resultaramem interaçõesmedicamentosasportanto,apossibilidadedetaisinteraçõesmedicamentosasdeveserconsiderada. Materialdestinadoexclusivamenteàclassemédica. Maior queda da PIO obtida com a associação, quando comparada às drogas isoladas1 Combinando, é possível simplificar, com eficácia e segurança!1 ReferênciasBibliográficas:1.BoyleJE,GhoshK,GieserDKetal.TheDorzolamide-TimololStudyGroup.ArandomizedtrialComparingtheDorzolamide-TimololcombinationgiventwicedailytomonotherapywithTimololandDorzolamide. Ophthalmology1998;105(10):1945-1951.2.NoeckerR.EffectsofCommonOphthalmicpreservativesonOcularHealth.AdvancesinTherapy.2001;vol.18-205-215.3.BuladoProduto(posologia). Apresentação Frasco com 5 mL contendo: cloridrato de dorzolamida 2% e maleato de timolol 0,5% Posologia 1 gota 2 vezes ao dia3
  20. 20. O cuidado com seus olhos pode mudar Referência Bibliográfica: 1) Bula do produto: Blephagel® . SE PERSISTIREM OS SINTOMAS, O MÉDICO DEVERÁ SER CONSULTADO. Informações adicionais disponíveis à classe médica mediante solicitação. ® RondaPropaganda UNIÃO QUÍMICA FARMACÊUTICA NACIONAL S/A Divisão GENOM BLEPHAGEL® Gel hipoalergênico.Higiene diária das pálpebras e dos cílios.Tubo de 40 g.Conteúdo: Gel para a higiene das pálpebras e dos cílios.Tubo de 40 g e 100 compressas.Composição: Aqua, poloxamer 188, PEG-90, sodium borate, carbomer, methylparaben.Indicações: BLEPHAGEL® , gel hipoalergênico, demaquilante, cuida suavemente da limpeza da área dos olhos.Pode ser recomendado aos utilizadores de lentes de contato.Propriedades:BLEPHAGEL® , hipoalergênico (formulado para minimizar os riscos de reação alérgica), sem perfume, não é gorduroso, limpa de forma adequada as pálpebras. A sua fórmula: • Facilita a aderência do produto; • Produz uma agradável sensação de frescor, descongestionando as pálpebras e respeitando o pH da pele;• Não deixa resíduos.Precauções de utilização:• Produto destinado a aplicação sobre as pálpebras e cílios, não aplicar no olho; • Não utilizar em crianças. NÃO USAR EM PELE LESIONADA OU IRRITADA.Modo de usar: Em média duas vezes por dia, de manhã e à noite, ou quantas vezes seja necessária a limpeza das pálpebras. 1) Aplicar uma pequena quantidade de BLEPHAGEL® sobre uma gaze limpa e macia.2) Frente ao espelho, aplicar com delicadeza a gaze sobre as pálpebras e a base dos cílios com o olho fechado. 3) Passar suavemente, várias vezes a gaze com o BLEPHAGEL® sobre as pálpebras e a base dos cílios, friccionar com pequenos movimentos circulares a fim de retirar todos os resíduos. 4) Eliminar o BLEPHAGEL® restante com a ajuda de uma gaze limpa. 5) Repetir cada etapa para o outro olho utilizando sempre gazes limpas.Reg.M.S.nº 2.5203.0006.Importado por: UNIÃO QUÍMICA FARMACÊUTICA NACIONAL S/A. Rua Cel. Luiz Tenório de Brito, 90 – Embu-Guaçu – SP – CEP 06900-000 – SAC 0800 11 1559 – CNPJ 60.665.981/0001-18 – Farm.Resp.:Daniela Batista Paiva – CRF-MG nº 20617.Fabricado por:LABORATOIRES THÉA – 12, rue Louis Blériot – 63017 CLERMONT-FERRAND Cedex 2 – FRANCE / FRANÇA. ProduzidoemJunho/20125000935-REVISTAOFTEVIDENCIAS4-AGOSTO13

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