TCC - Uso do AAS nas doenças cardiovasculares

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TCC - Uso do AAS nas doenças cardiovasculares

  1. 1. FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE FERNANDÓPOLIS FACULDADES INTEGRADAS DE FERNANDÓPOLIS JANAÍNA CARLA SENHA PAULO HENRIQUE VANZEA TOMAZ PRISCILA MARIA SOLER PASCHOALINI TATIANE DE OLIVEIRA SALVIONI USO DO ÁCIDO ACETILSALICÍLICO NA PREVENÇÃO DE DOENÇAS CARDIOVASCULARES FERNANDÓPOLIS 2012
  2. 2. JANAÍNA CARLA SENHA PAULO HENRIQUE VANZEA TOMAZ PRISCILA MARIA SOLER PASCHOALINI TATIANE DE OLIVEIRA SALVIONI USO DO ÁCIDO ACETILSALICÍLICO NA PREVENÇÃO DE DOENÇAS CARDIOVASCULARES Trabalho de conclusão de curso apresentado à Banca Examinadora do Curso de Graduação em Farmácia da Fundação Educacional de Fernandópolis como exigência parcial para obtenção do título de bacharel em farmácia. Orientador: Prof. MSc. Giovanni Carlos de Oliveira FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE FERNANDÓPOLIS FERNANDÓPOLIS – SP 2012
  3. 3. JANAÍNA CARLA SENHA PAULO HENRIQUE VANZEA TOMAZ PRISCILA MARIA SOLER PASCHOALINI TATIANE DE OLIVEIRA SALVIONI USO DO ÁCIDO ACETILSALICÍLICO NA PREVENÇÃO DE DOENÇAS CARDIOVASCULARES Trabalho de conclusão de curso aprovado como requisito parcial para obtenção do título de bacharel em farmácia. Aprovado em: 22 de novembro de 2012. Banca examinadora Assinatura Conceito Prof. MSc. Giovanni Carlos de Oliveira Prof. MSc. Reges Evandro Teruel Barreto Prof. MSc. Roney Eduardo Zaparoli Prof. MSc. Giovanni Carlos de Oliveira Presidente da Banca Examinadora
  4. 4. Dedicamos este trabalho primeiramente a Deus, pois sem Ele, nada disso se realizaria. Aos nossos pais e família, que sempre nos deram apoio, e estiveram presentes acreditando em nosso potencial, nos incentivando a cada passo, fazendo com que tivéssemos coragem pra nunca desistir.
  5. 5. AGRADECIMENTOS A muitos, o meu agradecimento seria necessário, mas há os que sem eles nada disso seria possível. Meus ternos agradecimentos, primeiramente ao meu gênio Criador, Deus, pela vida e pela fé que me trouxeram até aqui. Aos meus pais, Jair e Cleusmar, pela educação que me deram, pela visão sobre a vida de que sem luta e sem esforços nada acontece principalmente a minha mãe por ser a mais fiel das amigas, por segurar minha mão sem nunca me deixar cogitar a desistência de meus sonhos. Aos meus irmãos Júlio e James por, serem meus irmãos, os que me fazem rir mesmo nos momentos impróprios. A uma pessoa especial, Carlos, por me acompanhar nessa jornada e ficar ao meu lado me dando força e palavras de conforto e esperança. Minha tia Alessandra, por ter dito o orgulho que eu lhe dava e por isso ter me motivado a lutar. Também agradeço imensamente aos meus Amigos e parceiros de trabalho Paulo, Priscila e Tatiane por me aceitarem junto deles nessa jornada final, esses que estarão pra sempre no meu coração. Por último, mas não menos importante, á todos os meus mestres e professores, desde minha primeira educação até o final de minha jornada acadêmica, porque sem eles nada disso seria possível, meu eterno agradecimento por vossa vocação em ensinar. Janaína Carla Senha
  6. 6. AGRADECIMENTOS Primeiramente agradeço a Deus, pois Ele rege, guarda e guia todos os meus caminhos. Ao meu avô Luiz, agradeço por confiar, investir e me motivar nessa jornada. Por ser um pai, que sempre acreditou e apoiou. É o exemplo de homem de caráter e respeito, que me molda, fazendo com que esforço e empenho fizessem alcançar meus objetivos. À minha mãe, Estergiane, por sempre acreditar e me encorajar, mesmo nos momentos de maior dificuldade em minha vida e por me dar luz, mesmo nos momentos mais obscuros, me defendendo de tudo e todos. À Minha avó Maria Aparecida e a minha tia Josiane, por serem como mães para mim, que também me apoiam, educam e ajudam na minha formação. Ao meu tio José Luiz, por sempre me proteger do mundo e abrir meus olhos para a realidade da vida, me guiando por caminhos seguros para alcançar meus objetivos. Agradeço ao meu irmão, Tiago por ser um exemplo de superação, dedicação e esforço para ultrapassar os obstáculos que a vida o impôs e por ser além de irmão, um amigo leal e confidente para toda a vida. À minha prima Shamyra, por alegrar meus dias mesmo nos momentos de raiva e desesperança. À minha namorada e melhor amiga, Juliane, por ser uma pessoa muito especial em minha vida, que sempre quis meu melhor, tanto pessoal quanto profissional e por ser meu porto seguro, onde posso recorrer a qualquer hora, encontrar força e confiança para enfrentar os obstáculos ao decorrer de minha trajetória. Agradeço meus amigos de sala, que me ajudaram e acompanharam por toda essa jornada acadêmica, em especial minhas amigas Priscila, Janaína e Tatiane, que estiveram comigo na batalha para conclusão do curso e desta monografia. Aos meus professores, que me passaram conhecimentos, experiências de vividas e profissionais, durante esses quatro anos de curso. Muito obrigado a todos. Vocês fizeram toda a diferença para ser o que sou. Paulo Henrique Vanzea Tomaz
  7. 7. AGRADECIMENTOS Como já dizia o provérbio 16, “Confia suas obras ao Senhor e teus planos terão bom êxito”, foi exatamente o que fiz, entreguei todos os meus planos nas mãos do Criador e hoje estou aqui para agradecer, primeiramente, a Ele que tanto me deu forças e coragem para continuar e que nunca me deixou desistir. Agradeço também aos meus pais, Antonio e Roseli, que nunca saíram do meu lado e que sempre me incentivaram a lutar pelo meu sonho, que sempre me ajudaram a não desistir dessa luta. A todos os meus amigos, principalmente ao meu amigo Luiz que me incentivou e me apoiou, e a minha amiga Janaína que sempre me encorajou a tomar as decisões mais difíceis. Aos meus outros parceiros de trabalho Paulo e Tatiane, por estarem comigo nessa batalha. Aos meus professores e mestres por terem tanta paciência e dedicação para nos ensinar o que nos foi necessário. Enfim, obrigado por sempre estarem comigo e por participarem desta conquista, sem vocês eu não teria conseguido chegar até aqui. Priscila Maria Soler Paschoalini
  8. 8. AGRADECIMENTOS Primeiramente a Deus, meu porto seguro, nunca me deixou desanimar, sempre me deu forças e me capacitou em todos os momentos. Se não fosse por Ele, não conseguiria sozinha, pois, Ele é a base de toda conquista e cada sucesso que consegui conquistar e que ainda conquistarei. Aos meus pais, sempre me apoiando e me auxiliando nos momentos mais difíceis desta caminhada. Em especial, minha mãe, sem ela me dando forças e me ajudando a não desanimar e a não desistir, me falando palavras de encorajamento e sempre ao meu lado, sem dúvidas seria muito difícil chegar até aqui. A minha irmã que também teve papel importante, pois, sempre me apoiou e me ajudou. A meus amigos e colegas de sala que sempre serão lembrados e estarão guardados em meu coração. Especialmente, aos amigos e companheiros, Janaína, Priscila e Paulo, sempre estando junto a cada passo, sempre um apoiando o outro. A todos os professores que nos auxiliaram e nos ensinaram durante esses quatro anos de aprendizado. Cada um com seu importante papel para nossa formação. Obrigado a todos! Tatiane de Oliveira Salvioni
  9. 9. “Às vezes, a vida bate com um tijolo na sua cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me permitiu seguir adiante foi o meu amor pelo que fazia. Você tem que descobrir o que você ama. Isso é verdadeiro tanto para o seu trabalho quanto para com as pessoas que você ama. Seu trabalho vai preencher uma parte grande da sua vida, e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz.” Steve Jobs
  10. 10. RESUMO As doenças cardiovasculares (DCV) representam o primeiro lugar entre as causas de mortalidade no Brasil e são consideradas graves e de difícil recuperação que levam a pessoa a uma diminuição da qualidade de vida e sobrevida. As DCVs podem ser prevenidas, porém, em nosso país é mais valorizado o diagnóstico a partir de tecnologias e pouco é feito em relação à prevenção. Para a prevenção de eventos cardiovasculares utiliza-se antiagregantes plaquetários. Utilizou-se nesse trabalho o método de revisão literária e de artigos científicos, e observou-se que um dos fármacos mais utilizados é o ácido acetilsalicílico que é um anti-inflamatório não esteroidal comumente utilizado pelas suas propriedades analgésicas e antipiréticas. Sua ação primária é a inativação da ciclo-oxigenase por acetilação irreversível da prostaglandina sintase, enzima que catalisa a primeira fase da biossíntese da prostaglandina a partir do ácido araquidônico. Com isso, há inibição da síntese de prostaglandinas, as quais estão especialmente associadas com o desenvolvimento da dor que acompanha a lesão ou a inflamação. Baixam, também, a febre por dilatação dos vasos sanguíneos periféricos, aumentando a dissipação do calor por transpiração. Verificou-se que por muitos anos o ácido acetilsalicílico tem sido considerado como antiagregante plaquetário padrão da prevenção secundária de doenças vasculares, pois, sua eficácia independe de sexo, idade ou da presença de doenças associadas como, diabetes ou hipertensão, mesmo em relação a outros antiagregantes plaquetários. Na prevenção primária de doenças cardiovasculares, o ácido acetilsalicílico exerce benefício quando utilizado em baixas doses, porém não negligenciável ao risco de sangramento. Já na prevenção secundária de doenças cardiovasculares, o ácido acetilsalicílico reduz o risco de mortalidade e morbidade. Em meta-análise de ensaios clínicos demonstrou a eficácia do AAS na redução de 30% de infarto agudo do miocárdio (IAM) e 20% de acidente vascular cerebral (AVC), assim, parecendo ser mais efetivo que outros agentes plaquetários. As doses utilizadas variam entre 75mg e 325mg/dia, sendo melhor o uso da menor dose possível para limitar efeitos adversos. Sendo assim, o uso do ácido acetilsalicílico (AAS) em tratamento de doenças cardiovasculares como antiagregante plaquetário, tem se mostrado eficaz, além de possuir baixo custo, sendo assim, colocado como antiagregante de escolha. Palavras-chave: Doenças cardiovasculares. Ácido acetilsalicílico. Anti-inflamatório. Antiagregante plaquetário. Antipirético.
  11. 11. ABSTRACT Cardiovascular Disease (CVD) represent the first place between deaths causes in Brazil and they're considered serious and they have a hard recovery, lowering the quality of life and survival. CVDs can be prevented, but, in our country, the diagnostic from technologies is more valued and almost nothing is done for prevention. For prevention of cardiovascular events, antiplatelets are used. It was used in this study the method of literature review and scientific articles, of it was observed that one of the drugs most used is the acetylsalicylic acid that is a non-steroidal antiinflammatory commonly used by its analgesic and antipyretic properties. Its primary action is the inactivation of the cyclooxygenase by irreversible acetylation of prostaglandin synthase, enzyme that catalyses the first phase in the biosynthesis of prostaglandins from arachidonic acid. With that, there is a inhibition of the prostaglandin synthesis, that are specially associated with the development of pain that comes with injury or inflammation. They lower fever by dilatating peripheral blood vessels, raising heat dissipation by transpiration. It was concluded that for many years acetylsalicylic acid has been considered as an default antiplatelets of the cardiovascular secondary treatment, because its effectiveness doesn't depends on sex, age or the presence of diseases like diabets or hypertension, even if related with other antiplatelets. On the primary cardiovascular diseases prevention, the acetylsalicylic acid exercises benefit when used on little doses, but non-negligible about the risk of bleeding. From the secondary prevention of cardiovascular diseases, the acetylsalicylic acid lowers the mortality risk and morbid. In meta-analysis of clinical trials demonstrated efficacy of aspirin on lowering by 30% of acute myocardial infarction (AMI) and 20% of cerebrovascular accident (CVA), looking like its more effective than the others platelet agents. The used doses vary about 75mg and 325mg/day, being better using the lowest dose possible to limit adverse effects. So, the use of acetylsalicylic acid (ASA) in the treatment of cardiovascular diseases such as antiplatelet, has been proven effective, besides possessing low cost, so placed as antiplatelet of choice. Keywords: Cardiovascular Disease. acetylsalicylic acid. Anti-inflammatory. Antiplatelets. Antipyretic.
  12. 12. LISTA DE FIGURAS OU GRÁFICOS Figura 1 – Anatomia do coração .......................................................................... 17 Figura 2 – Corte Anatômico ................................................................................ 19 Figura 3 – Organização do Sistema Circulatório ................................................ 21 Figura 4 – Estrutura do Coração ........................................................................ 22 Figura 5 – Prevalência de uso da Aspirina.......................................................... 31
  13. 13. LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária. DCV - Doenças Cardiovasculares. AAS - Ácido acetilsalicílico. IAM - Infarto Agudo do Miocárdio. AVC - Acidente Vascular Cerebral. AVE - Acidente Vascular Encefálico. DCNT - Doenças Crônicas Não Transmissíveis. HAS - Hipertensão Arterial Sistêmica. FR - Fatores de Risco. SUS - Sistema Único de Saúde. RENAME - Relação Nacional dos Medicamentos Essenciais. DM - Diabetes mellitus. S.A. - Nodo Sinoatrial. RR - Risco Relativo.
  14. 14. SUMÁRIO INTRODUÇÃO ..........................................................................................................15 2 DESENVOLVIMENTO TEÓRICO ..........................................................................17 1.1 ANATOMIA CARDIOVASCULAR........................................................................17 1.1.1 Posição do coração.....................................................................................17 1.1.2 Anatomia do coração..................................................................................18 1.1.3 Vasos associados ao coração....................................................................19 1.1.4 Vasos do miocárdio ....................................................................................20 1.2 FISIOLOGIA CARDIOVASCULAR......................................................................20 1.2.1 Ciclo cardíaco..............................................................................................22 1.2.2 Músculo cardíaco ........................................................................................23 1.2.3 Regulação do bombeamento cardíaco......................................................24 1.2.4 Arritmias cardíacas .....................................................................................24 1.3 DOENÇAS CARDIOVASCULARES....................................................................25 1.3.1 Fatores de risco...........................................................................................26 1.2.2 Prevenção ....................................................................................................27 1.3.3 Diagnóstico..................................................................................................27 1.4 ÁCIDO ACETILSALICÍLICO (AAS) .....................................................................27 1.4.1 História.........................................................................................................27 1.4.2 Mecanismo de ação.....................................................................................28 1.4.3 Uso no tratamento das doenças cardiovasculares ..................................29 1.4.4 Comparação do aas com outros antiplaquetários ...................................35 2 MÉTODO................................................................................................................38 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................................39 REFERÊNCIAS.........................................................................................................40
  15. 15. ANEXOS ...................................................................................................................44
  16. 16. 15 INTRODUÇÃO As doenças cardiovasculares (DCV) são consideradas graves e de difícil recuperação, o que leva a pessoa a uma diminuição da qualidade de vida e sobrevida. As DCVs podem ser prevenidas, porém, em nosso país é mais valorizado o diagnóstico a partir de tecnologias e pouco é feito em relação à prevenção (CARVALHO, 1988). As DCVs representam o primeiro lugar entre as causas de mortalidade no Brasil, demonstrando significativa porcentagem de mortes na faixa etária de 30 a 69 anos de idade e sendo responsável por mais de 1,2 milhões de internações no Sistema Único de Saúde (SUS) (GODOY et al., 2006). Apesar de possível redução de morte por DCV no Brasil e no mundo, países de baixa e média renda indicam um aumento relativo dessas doenças, isso se dá pelo fato de que, existe maior exposição a fatores de risco que induzem ao aparecimento ou agravamento da doença (ISHITANIL et al., 2006). Para a prevenção de eventos cardiovasculares utiliza-se antiagregantes plaquetários. Um desses fármacos utilizados é o ácido acetilsalicílico, o principal foco desse estudo. Ele foi desenvolvido pela primeira vez em 1897, por Felix Hoffman (GABRIEL et al., 2006). Um dos motivos que gerou interesse em abordar o assunto foi o fato de ter sido observado durante o estágio realizado em rede pública no município de Fernandópolis a vasta utilização do medicamento ácido acetilsalicílico em pessoas portadoras de doenças cardiovasculares. O AAS possui perfil de segurança bem definido, ampla disponibilidade e baixo custo, por este motivo, encontra-se incluso na relação dos medicamentos essenciais (RENAME) de 2010, que o considera como o agente de primeira escolha para prevenir as doenças cardiovasculares isquêmicas, incluindo acidente vascular cerebral. Porém, apesar de seu uso ser frequente e de suma importância em pessoas portadoras de doenças cardiovasculares, ainda há poucas pesquisas destinadas a este assunto. Esse trabalho será dividido em quatro partes, sendo a primeira a anatomia cardíaca, logo após a fisiologia e os fatores de risco para pacientes com eventos cardiovasculares e por último será demonstrado o AAS e seu uso nesses eventos.
  17. 17. 16 O objetivo geral deste trabalho é demonstrar o uso do ácido acetilsalicílico com foco em doenças cardiovasculares. Tem como objetivos específicos demonstrar alguns estudos acerca do medicamento ácido acetilsalicílico, sendo sua história, mecanismo de ação e sua aplicação como antiagregante plaquetário de escolha em prevenções primárias e secundárias de doenças cardiovasculares através de pesquisas em livros e artigos científicos, evidenciando a eficácia do medicamento.
  18. 18. 17 1 DESENVOLVIMENTO TEÓRICO 1.1 ANATOMIA CARDIOVASCULAR Figura 1: Base do coração – vista posterior Fonte: NETTER, 2003. 1.1.1 Posição do coração Localizado entre os pulmões, num espaço denominado mediastino, o coração adulto é um órgão em forma de cone com o tamanho aproximado de uma mão fechada. Possui uma base, um ápice, face diafragmática e esternocostal, e quatro margens (bordas) (TORTORA, 2000). Não há delimitação nítida para a base do coração, pois esta corresponde à área ocupada pelas raízes dos grandes vasos da base do coração, através desses vasos que o sangue chega ou sai do coração (DANGELO E FATTINI, 2006). Sua base está voltada para cima, para trás e para a direita, ao nível da segunda e terceira costelas. Está formada principalmente pelo átrio esquerdo, parte do átrio direito, e a porção proximal dos grandes vasos que penetram pela parede
  19. 19. 18 posterior do coração. O coração parte da base, se projetando para baixo, para frente e para esquerda, terminando em um ápice arredondado, que ocupa o quinto espaço intercostal esquerdo, cerca de 8 cm da linha medioesternal. A região entre a base e o ápice é a face diafragmática, que repousa sobre o músculo diafragma, envolvendo o ventrículo esquerdo e ventrículo direito. Formada principalmente pelo ventrículo e átrio direito, a face anterior do coração é denominada face esternocostal (SPENCER, 1991). 1.1.2 Anatomia do coração O coração é um órgão muscular, que funciona como uma bomba contrátil propulsora, revestido por um tecido muscular estriado cardíaco e sua camada média é denominada miocárdio (DANGELO E FATTINI, 2006). Para o funcionamento do coração como bomba, este deve apresentar câmaras de entrada e saída, valvas para direcionar o fluxo sanguíneo através destas câmaras uma parede extremamente compressível a fim de proporcionar força suficiente para impelir o sangue, e vasos para conduzirem o sangue do coração e para o coração (SPENCER, 1991). O coração é constituído por quatro câmaras: átrio direito, átrio esquerdo, ventrículo direito e ventrículo esquerdo. Localizados na região superior do coração, os átrios são menores. Assim, constituindo o maior volume do órgão os ventrículos são maiores, localizados inferiormente formando o ápice do coração. A maior face do coração, a anterior, é formada pelo ventrículo direito, e o esquerdo forma a maior parte da face inferior e a margem esquerda. Os átrios são separados pelo septo interatrial, e os ventrículos, pelo septo interventricular (TORTORA, 2000). Ocorrendo a sístole ou contração ventricular, a tensão aumenta nesta câmara consideravelmente, podendo provocar a reversão da valva para o átrio e consequente refluxo de sangue para esta câmara, porém, isto não ocorre porque cordas tendíneas prendem a valva músculos papilares, os quais são projeções do miocárdio nas paredes internas do ventrículo (DANGELO E FATTINI, 2006).
  20. 20. 19 Figura 2: Corte Anatômico Fonte: NETTER, 2003. 1.1.3 Vasos associados ao coração Entram ou saem pela base e margem superior do coração vários vasos sanguíneos de grande calibre. Esses, por sua vez, são: A veia cava superior e veia cava inferior, que trazem o sangue venoso do corpo para o átrio direito. A artéria troncopulmonar, que se divide em artérias pulmonares direita e esquerda, e que levam o sangue do ventrículo direito para os pulmões. As veias pulmonares (duas direitas e duas esquerdas) que trazem o sangue do pulmão para o átrio esquerdo. A artéria aorta, que leva sangue do ventrículo esquerdo para o corpo (SPENCER, 1991).
  21. 21. 20 1.1.4 Vasos do miocárdio Surge a partir do ventrículo esquerdo a artéria aorta, inicialmente dirigindo-se para cima e depois para trás e para a esquerda, formado assim o arco aórtico (DANGELO E FATTINI, 2006). As artérias coronárias, direita e esquerda, se originam da aorta logo que esta atravessa a margem superior do coração, e é através dessas artérias que o miocárdio recebe um abundante suprimento sanguíneo vindo dos seios localizados atrás das válvulas semilunares da valva da aorta (SPENCER, 1991). Situada em uma depressão denominada sulco coronária que separam os átrios dos ventrículos, a artéria coronária direita se origina da superfície anterior da aorta e passa para a margem direita do coração, estendendo-se ao redor da margem do órgão até a face posterior, enviando ramos para o átrio e ventrículo direitos. Após percorrer uma curta distância, próximo à margem esquerda do coração, origina-se a artéria coronária esquerda vinda da superfície anterior esquerda da aorta, posteriormente ao tronco pulmonar; ela se divide nos ramos interventricular e circunflexo (TORTORA, 2000). Qualquer bloqueio ou o estreitamento das artérias coronárias interfere no suprimento de oxigênio do miocárdio, o que determina o aparecimento de regiões com células musculares mortas, condição que pode ser incapacitante ou fatal, é comumente conhecida como ataque cardíaco. Esse bloqueio pode ser temporário, resultando um suprimento inadequado de oxigênio para o miocárdio por somente alguns segundos, assim uma dor aguda no tórax é sentida, podendo se irradiar para o membro superior esquerdo. Esta dor é denominada angina pectoris (angina de peito) (SPENCER, 1991). Infarto é a morte de uma área de tecido pela interrupção do suprimento de sangue podendo resultar de um coagulo em uma das artérias coronárias. O tecido morre e é substituído por um tecido não-contrátil, que faz com que o músculo cardíaco perca a força (TORTORA, 2000). 1.2 FISIOLOGIA CARDIOVASCULAR O sistema cardiovascular é constituído por tubos de diferentes tipos de calibres, pelo qual é bombeado sangue para todo o corpo. Esse sistema é composto
  22. 22. 21 pelo coração, vasos sanguíneos (artéria, arteríola, veia, vênula e capilar), sangue e vasos linfáticos. Existem dois tipos de circulação: uma denominada Circulação Sistêmica ou Grande Circulação na qual, o sangue é mandado do coração para os órgãos rico em O2 e retorna ao coração como CO2; outra denominada Circulação Pulmonar ou Pequena Circulação na qual, o sangue rico em CO2 sai do coração e vai para os pulmões, onde acontece a troca de CO2 para O2, e volta para o coração (BOER; CAMPOS; PADILHA, 2007). Sua função primária é conduzir fluidos, ou seja, sangue, O2, nutrientes, metabolitos, detritos, fármacos e hormônios para toda parte do corpo. O sistema cardiovascular é responsável também por recolher os resíduos que são liberados pelas células. Alguns resíduos são transportados para os pulmões e rins (de onde serão excretados) e outros para o fígado, neste caso serão metabolizados antes de serem excretados na urina e fezes (SILVERTHORN, 2003). Figura 3. Organização do sistema circulatório Fonte: BOER; CAMPOS; PADILHA, 2007. O coração é formado por duas bombas distintas, sendo uma formada pelo átrio direito e ventrículo direito (responsável pelo bombeamento de sangue para os pulmões) e outra formada pelo átrio esquerdo e ventrículo esquerdo (responsável
  23. 23. 22 pelo bombeamento de sangue para os órgãos periféricos). Os átrios ou “bomba de escorva” recebem o sangue do corpo e transferem para o ventrículo. Os ventrículos ou “bomba de força” possui força principal para realizar o ciclo de bombeamento do sangue para os pulmões (ventrículo direito) e para os órgãos periféricos (ventrículo esquerdo), porém, o ventrículo esquerdo possui espessura três vezes maior que o direito, pois, necessita de mais força para bombear o sangue para todo o corpo (GUYTON; HALL, 2002). Figura 4: Estrutura do coração Fonte: BOER; CAMPOS; PADILHA, 2007. 1.2.1 Ciclo cardíaco O músculo cardíaco somente se contrai após estímulos elétricos que chegam até o miocárdio, ou seja, somente depois da geração desse potencial de ação que atinge o músculo, através do sistema de excito-condução cardíaca, que o coração vai se contrair (DOUGLAS, 2002). O ciclo cardíaco através das bombas de escorva e de força acontece pela contração (um movimento definido como sístole) e relaxamento (movimento definido
  24. 24. 23 como diástole) do músculo cardíaco. No ciclo normal, enquanto os dois átrios se contraem os dois ventrículos relaxam e quando os átrios relaxam os ventrículos se contraem. O ciclo se inicia com a contração dos átrios (sístole atrial) que impulsiona o sangue para os ventrículos, essa contração atrial acontece através dos batimentos do coração. Com a chegada e enchimento de sangue nos ventrículos, eles se contraem (sístole ventricular) e mandam sangue para fora do coração (GUYTON; HALL, 2002). O ciclo de bombeamento do coração acontece da seguinte maneira: o sangue chega ao átrio direito pela veia cava superior rico em CO2 e passa para o ventrículo direito através da válvula tricúspide saindo do ventrículo direito pela artéria pulmonar, chega aos pulmões onde ocorre a troca gasosa (de CO2 para O2), passa através da veia pulmonar para o átrio esquerdo rico em O2 e pela válvula bicúspide ou mitral para o ventrículo esquerdo saindo pela artéria aorta para irrigar toda a circulação sistêmica com sangue enriquecido de O2 onde, após a distribuição sanguínea pelo corpo o sangue volta para o coração rico em CO2 e retoma o ciclo novamente; o sangue rico em CO2 é transportado pelo plasma sanguíneo e o sangue rico em O2 é transportado pela hemoglobina (BOER; CAMPOS; PADILHA, 2007). 1.2.2 Músculo cardíaco O músculo do coração se contrai continuamente, descansando somente nos milissegundos dos batimentos cardíacos, para isso, torna-se necessário suprimentos contínuo de oxigênio e nutrientes para o músculo cardíaco adquirir a quantidade de energia necessária para realizar esse trabalho (SILVERTHORN, 2003). O coração possui três tipos de músculos, são eles: músculo atrial, músculo ventricular e fibras musculares excitatórias e condutoras. Os músculos atrial e ventricular possuem maior contração e maior duração de contração que as fibras excitatórias e condutoras, pois estas possuem poucas fibrilas contráteis e são responsáveis pela ritmicidade da contração cardíaca (GUYTON; HALL, 2002). Seu mecanismo é realizado por filamentos de actina e miosina, que encontram – se lado a lado se deslizando uns nos outros no momento da contração. Esses filamentos são parecidos com os do músculo esquelético (BOER; CAMPOS; PADILHA, 2007).
  25. 25. 24 No coração existem dois sincícios. Um é responsável pela formação da parede dos dois ventrículos e o outro pela formação da parede dos dois átrios. O músculo cardíaco é formado por várias células musculares cardíacas, essas células encontram – se interligadas de modo que, quando uma é excitada, o potencial se propaga entre as demais células. Os sincícios tem grande importância para a eficácia do bombeamento cardíaco (GUYTON; HALL, 2002). 1.2.3 Regulação do bombeamento cardíaco O Nodo Sinoatrial (S.A) (formado por corpos celulares de neurônios) possui frequência rítmica maior que o músculo atrial e ventricular humano, com isto, seus impulsos passam rapidamente para os átrios e ventrículos o que o faz ser o ritmo de todo o coração, ou seja, trabalha como um marcapasso cardíaco o que o torna como um marcapasso normal do coração (BOER; CAMPOS; PADILHA, 2007). Pode – se ter também marcapassos anormais, os quais são chamados de marcapasso ectópico. Esses marcapassos podem provocar enfraquecimento no bombeamento cardíaco devido a uma sequência anormal de contração de diferentes partes do coração (SILVERTHORN, 2003). Os mecanismos básicos do bombeamento cardíaco se dão pela regulação intrínseca do bombeamento cardíaco ou lei de Frank-Starling (variações do volume de sangue que flui para o coração) e pelo controle da frequência e da força do bombeamento cardíaco através do sistema nervoso (GUYTON; HALL, 2002). LEI DE FRANK-STARLING (Lei do Coração): O retorno venoso (sangue que chega ao coração) deve ser da mesma quantidade que o Débito cardíaco (sangue que sai do coração), ou seja, se uma grande quantidade de sangue vai para os ventrículos, o músculo cardíaco fica com maior comprimento, o que faz com que através dos filamentos de actina e miosina o músculo se contraia com mais força, assim, o ventrículo bombeia sangue extra para as artérias (BOER; CAMPOS; PADILHA, 2007). 1.2.5 Arritmias cardíacas Na maioria das vezes as disfunções cardíacas ocorrem pelo ritmo cardíaco anormal, ou seja, os batimentos dos átrios não encontram - se coordenados pelos
  26. 26. 25 batimentos dos ventrículos, assim, os átrios não conseguem funcionar como bombas de escorva para os ventrículos. Em geral, as causas das arritmias cardíacas são uma combinação de anormalidades no sistema de condução e ritmicidade do coração (GUYTON; HALL, 2002). 1.3 DOENÇAS CARDIOVASCULARES As doenças cardiovasculares (DCV), de um modo geral, são todas as doenças que afetam o coração e o sistema sanguíneo (artérias, veias e vasos capilares). É uma das principais causas de morte no Brasil e no mundo. Sua principal característica é a aterosclerose que vem se tornando forte epidemia, atingindo pacientes de várias idades começando muitas vezes na infância, determinando assim um amplo impacto médico-social e econômico (BRANDÃO et al., 2004). A aterosclerose é o acúmulo de gorduras na parede dos vasos sanguíneos o que impede a passagem do sangue. O corpo humano precisa de oxigênio para funcionar, isso acontece com a saída do sangue com oxigênio do coração para atingir todos os órgãos do corpo por meio das artérias; em seguida, o sangue volta ao coração para se reabastecer com oxigênio e repetir todo o procedimento. Quando ocorre o fechamento das artérias ocasionadas pelo acúmulo de placas de gorduras, causa infarto na região que não recebeu oxigênio, ou seja, basta simplesmente o não recebimento de oxigênio para que a região entre em colapso (BRASIL, 2010a). O aumento de idade da população eleva a morbidade associada a doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, representando assim, elevado custo humano e econômico, em níveis social e individual, por outro lado, o aumento de mortalidade pré-hospitalar demonstra deficiência nos tratamentos adotados (HOEFLER, 2004). Populações de baixa escolaridade e baixa renda tendem a maiores taxas de adoecimento e mortalidade por doenças cardiovasculares, apesar de poderem ser prevenidas, esse tipo de população muitas vezes não tem acesso aos benefícios de tratamento e prevenção. A Organização Mundial da Saúde confirma que nos países em desenvolvimento, estão grande parte do aparecimento das doenças cardiovasculares (GODOY et al., 2006). No Brasil, aproximadamente, um terço dos óbitos provocados por DCV ocorrem antecipadamente em adultos entre 35 a 64 anos de idade. As principais
  27. 27. 26 causas nessa faixa etária são as doenças isquêmicas do coração, as doenças cerebrovasculares e as doenças hipertensivas (ISHITANI et al., 2006). 1.3.1 Fatores de risco As doenças cardiovasculares podem ser provocadas por vários fatores de risco sendo eles alteráveis ou não. Estudos epidemiológicos mostram que a junção de fatores de risco tem significativo aumento de possibilidade do aparecimento de doenças cardiovasculares, isso acontece, pois, cada fator de risco reforça o outro aumentando assim, a morbimortalidade (BRANDÃO et al., 2004). Como fatores de risco que não podem ser alterados têm-se: idade, sexo, raça e histórico de doença coronária familiar; já como fatores de risco que podem ser alterados têm-se: hipertensão arterial, hiperlipidemia, diabetes mellitus, tabagismo, obesidade, estresse emocional e sedentarismo (CARVALHO, 1988). Fatores que influenciam no aparecimento de eventos cardiovasculares Tabagismo Relacionado à cerca de 50% de óbitos por doenças cardiovasculares, das quais, risco de acidente vascular cerebral, aparecimento da angina de peito, enfarte do miocárdio e da doença arterial periférica e aterosclerose. Obesidade Contribui para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, pois, se tem acúmulo de gorduras o que se dá muitas vezes pela falta de atividades físicas podendo desencadear o aparecimento de diabetes, hipertensão arterial e dislipidemias. Sedentarismo É considerado fator de risco por potencializar outros fatores susceptíveis a provocarem doenças cardiovasculares, como por exemplo, a hipertensão arterial, a obesidade, a diabetes e a hipercolesterolemia. Colesterol Essencial para o organismo, porém, quando temos valores elevados de colesterol ele se torna prejudicial. Portanto, tanto o excesso de colesterol LDL (colesterol ruim), quanto à falta de colesterol HDL (colesterol bom), aumenta-se o risco das doenças cardiovasculares Fonte: BRASIL, 2010a.
  28. 28. 27 1.3.2 Prevenção A prevenção das doenças cardiovasculares deve ser iniciada na infância, pois assim, as crianças cresceriam sem prováveis fatores de risco. A principal finalidade é prevenir possíveis desenvolvimentos de hipertensão arterial, dislipidemias, obesidade, diabetes e tabagismo, com medidas de promoção da saúde (BRANDÃO et al., 2004). No geral, as medidas adotadas para esta faixa etária concentram-se em melhores hábitos alimentares, na prática de atividades físicas e o não uso de fumo. Uma das tarefas mais importantes é a prevenção da obesidade através da atividade física e dieta, pois, evitam-se vários outros fatores de risco (BRANDÃO et al., 2004). 1.3.3 Diagnóstico O diagnóstico é feito mediante o quadro clínico apresentado pelo paciente observando, suas queixas, histórico médico e fatores de risco associados. Assim, através de exames específicos o médico cardiologista fará o diagnóstico final do paciente (BRASIL, 2010a). Deve-se ficar à alerta, principalmente em idosos, ao apresentar alguns sintomas, tais como: Dificuldade em respirar, podendo indicar uma doença coronária; Angina de peito, caracterizada por uma sensação de peso durante um esforço físico; Alterações do ritmo cardíaco; Enfarte do miocárdio, existência de dor prolongada no peito, muitas vezes em repouso; Insuficiência cardíaca acontece quando o coração, em repouso, não consegue bombear sangue suficiente para os órgãos do corpo causando, fadiga, falta de ar e pernas inchadas (BRASIL, 2010a). 1.4 ÁCIDO ACETILSALICÍLICO (AAS) 1.4.1 História Sua história iniciou-se no século V a. C. através de um médico e filósofo grego, Hipócrates, considerado na modernidade como o pai da medicina, hoje, com mais de 100 anos no mercado, o ácido acetilsalicílico, popularmente conhecido
  29. 29. 28 como Aspirina, é o medicamento mais conhecido e mais vendido no mundo (PINTO, s.d.). Foi sintetizado pela primeira vez no ano de 1829 (salicilina), com base na estrutura química da Salix Alba, substância natural extraída do salgueiro branco. Comercializado inicialmente (Ácido Salicílico) como medicamento eficaz para tratamento de febres reumáticas, artrites crônicas e gota, causava sérios transtornos estomacais e um desagradável gosto na boca, foi aí então que Felix Hoffman, um químico da empresa Bayer em 1893, decidiu acetilar o ácido salicílico, produzindo assim o Ácido Acetilsalicílico, batizado como Aspirina (PINTO, s.d.). 1.4.2 Mecanismo de ação O Ácido Acetilsalicílico (AAS) é um antiinflamatório não-esteroidal comumente utilizado pelas suas propriedades analgésicas e antipiréticas. Sua ação primária é a inativação da ciclo-oxigenase por acetilação irreversível da prostaglandina sintase, enzima que catalisa a primeira fase da biossíntese da prostaglandina a partir do ácido araquidônico. Com isso, há inibição da síntese de prostaglandinas, as quais estão especialmente associadas com o desenvolvimento da dor que acompanha a lesão ou a inflamação. Baixam, também, a febre por dilatação dos vasos sanguíneos periféricos, aumentando a dissipação do calor por transpiração (GOODMAN; GILMANN, 1995). Após ser administrado por via oral, o ácido acetilsalicílico é rápida e completamente absorvido pelo trato gastrintestinal. Durante e após a absorção, o ácido acetilsalicílico é convertido em ácido salicílico, seu principal metabólito ativo. Os níveis plasmáticos máximos de ácido acetilsalicílico são atingidos após 10 a 20 minutos e os de ácido salicílico após 30 minutos a 2 horas. Tanto o ácido acetilsalicílico, como o ácido salicílico, se ligam amplamente às proteínas plasmáticas e são rapidamente distribuídos a todas as partes do organismo. O ácido salicílico é eliminado principalmente por metabolismo hepático. Os metabólitos formados incluem o ácido salicilúrico, o glicuronídeo salicilfenólico, o glicuronídeo salicilacílico, o ácido gentísico e o ácido gentisúrico. A cinética da eliminação do ácido salicílico depende da dose, uma vez que o metabolismo é limitado pela capacidade das enzimas hepáticas. Desse modo, a meia-vida de eliminação varia de 2 a 3 horas após doses baixas, até cerca de 15 horas com doses altas. O ácido
  30. 30. 29 salicílico e seus metabólitos são excretados principalmente por via renal. O ácido acetilsalicílico inibe ainda a agregação plaquetária, fazendo o bloqueio do tromboxano A2 presente nas plaquetas, por esse motivo, ele é relacionado a doenças do sistema vascular (ASPIRINA, 2011). 1.4.3 Uso no tratamento das doenças cardiovasculares O Ácido Acetilsalicílico tem sido considerado, por muitos anos, como antiagregante plaquetário padrão da prevenção secundária de doenças vasculares, pois, sua eficácia independe de sexo, idade ou da presença de doenças associadas como, diabetes ou hipertensão. Com o passar do tempo, outros antiagregantes começaram a serem escolhidos como substituto do AAS ou adjuntos em determinados casos clínicos, porém, ainda assim, estudos demonstram que o ácido acetilsalicílico é o mais eficaz na redução de eventos cardiovasculares e mortalidade cardiovascular, assim como, angina recorrente, progressão para angina grave, enfarte do miocárdio recorrente e acidente vascular cerebral (AVC), podendo também ser utilizado associado a outros antiagregantes com a finalidade de melhorar sua ação farmacológica e diminuir seus efeitos adversos (BRASIL, 2010b). As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) são a principal causa de morte, incapacidade prematura e por um grande número de internações hospitalares. Por esse motivo, muitos esforços têm sido empregados para reduzir a morbimortalidade dessas doenças cardiovasculares, como a modificação do estilo de vida, com o incentivo à prática de atividade física, dieta saudável e a cessação do tabagismo, além do controle das principais doenças que atuam como fatores de risco, como hipertensão arterial sistêmica (HAS), diabetes mellitus e dislipidemia. Fora isso, alguns estudos demonstraram que o uso de ácido acetilsalicílico (AAS), tanto na prevenção primária (pessoas com idade acima de 40 anos com pelo menos dois fatores de risco: HAS, diabetes mellitus e/ou dislipidemia), quanto na prevenção secundária (pacientes com história de AVC isquêmico, infarto agudo do miocárdio e/ou com angina pectoris) pode levar a uma importante redução de eventos cardiovasculares, que pode ser de até 40% (VIANNA; GONZÁLEZ; MATIJASEVICH, 2012). Estima-se que 80% dos diabéticos morrerão devido a eventos cardiovasculares. Assim sendo, o tratamento dos fatores de risco (FR) é essencial
  31. 31. 30 na redução desses índices. Uma parte desse tratamento pode ser a utilização de antiagregantes plaquetários, nomeadamente, o ácido acetilsalicílico (AAS). Em estudos clínicos realizados com pacientes diabéticos não se observaram diferenças estatisticamente significativas entre os grupos aspirina e placebo relativamente à ocorrência de eventos cardiovasculares. Porém, observou-se uma redução significativa de enfarte de miocárdio nos homens e do acidente vascular cerebral nas mulheres, em estudos de populações aparentemente saudáveis, em que os subgrupos dos diabéticos tiveram igual beneficio (MACHADO, 2008). Durante um estudo realizado nos Estados Unidos, observou-se o aumento do volume de consultas ambulatoriais de pacientes classificados como sendo de alto risco para futuros eventos cardiovasculares, e também aqueles consideradas como situação de risco intermediário. O número de visitas de pacientes de alto risco aumentou em 33%, de 44,2 milhões em 1993-1994 para 58,8 milhões em 2001- 2002. O número de visitas de pacientes de risco intermediário em que um diagnóstico de DM foi observado mais do que duplicou, de 40,5 para 83,3 milhões, e para aqueles com múltiplos fatores de risco, o aumento foi de 57%, de 70,2 para 110,4 milhões. O número de visitas de pacientes de baixo risco aumentou 23%, passando de 975,4 milhões para 1,20 bilhões. Ao longo do tempo, esse estudo mostrou substancialmente a utilização da aspirina na categoria de risco mais elevado e intermédio, com uma melhoria nos quadros vista a partir de 1999-2000 (Figura 5). A probabilidade de uso de aspirina pelos pacientes em 1993-1994 foi de 21,7% para a categoria de alto risco, de 3,5% para os pacientes diabéticos e de 3,6% para a categoria de risco intermediário. As probabilidades para as três categorias de risco oscilaram, mas permaneceu essencialmente inalterada de 1999- 2000. Aumentos significativos foram notados em 2001-2002 e persistiu em 2003. A probabilidade de uso de aspirina em 2003 foi de 32,8% para a categoria de alto risco, 11,7% para o diabético, e de 16,3% para a categoria de risco intermediário. O uso da aspirina permaneceu entre 1% e 3% nas visitas de pacientes de baixo risco (STAFFORD; MA; MONTI, 2005).
  32. 32. 31 Figura 5: Prevalência de uso da Aspirina Fonte: STAFFORD; MA; MONTI, 2005. Este estudo documentou o aumento do uso de aspirina por pacientes portadores de DCV e classificados como categoria de risco nas visitas ambulatoriais. Algumas melhorias foram notadas ao longo desse estudo da utilização de aspirina para prevenção tanto secundária, como primária das DCV. No entanto, a magnitude dessas melhorias é relativa mínima para preencher o espaço que há entre a prática clínica e as recomendações baseadas em evidências. O uso de aspirina em pacientes de prevenção primária, incluindo aqueles com diabetes, parece ser o ideal, mas ainda gera incertezas. Esse estudo também mostrou que, apesar da aspirina ter uma relação custo-eficácia mais favorável, as estatinas têm sido priorizados frente da aspirina como tratamento para reduzir o risco de DCV. Enquanto ampla evidência atesta a subutilização de aspirina na redução dos riscos de doenças cardiovasculares, o uso de aspirina em regime ambulatorial dos EUA revela que as melhorias têm sido, na melhor das hipóteses, modesta. Em 2003, o uso da aspirina foi relatado em apenas um terço das visitas ambulatoriais de pacientes com doenças cardiovasculares, o que aponta para uma desvalorização da aspirina como uma terapia de prevenção eficaz e de baixo custo. O uso foi de 12%
  33. 33. 32 entre os diabéticos e de 16% entre as visitas de pacientes com múltiplos fatores de risco cardiovasculares. O aumento no uso de aspirina pode refletir a maior conscientização dos benefícios da aspirina na redução da morbidade e mortalidade cardiovascular, mediada através da divulgação intensificada de diretrizes norte- americanas e os resultados de ensaios clínicos (STAFFORD; MA; MONTI, 2005). Ao longo dos últimos anos, as publicações relativas unicamente ao papel do AAS na prevenção primária das doenças cardiovasculares foram escassas. Quando se restringe o tema ao estudo da população de diabéticos, a literatura é ainda mais insuficiente. Dois dos estudos clínicos aleatorizados, o PHS e o WHS, analisaram os efeitos de uma baixa dose de AAS na prevenção primária de doenças cardiovasculares, em homens e mulheres, respectivamente. Os resultados destes estudos, para a população de diabéticos, foram determinados através da análise deste subgrupo na população da amostra total. O PHS revelou, após 5 anos de seguimento, uma redução significativa de 61% do risco de Enfarto do Miocárdio entre os diabéticos utilizadores de AAS. O WHS mostrou, após 10 anos, reduções significativas do AVC em 54% e do AVC isquêmico em 58% das pacientes diabéticas tratadas com AAS. Por outro lado, as diferenças relativamente ao Enfarto do Miocárdio e aos eventos Cardiovasculares major não foram significativas entre os grupos de diabéticos (MACHADO, 2008). Conhecido por sua eficácia na redução do risco de doenças cardiovasculares, o uso do ASS tem sido recomendado regularmente, tanto na prevenção de coágulos já formados, quanto na possibilidade da formação de outros coágulos (STAFFORD; MA; MONTI, 2005). Estudos mostram que o ácido acetilsalicílico exerce benefícios, em baixas doses, na prevenção primária, que os benefícios superam os riscos na prevenção secundária, reduzindo morte e morbidade cardiovascular, podendo também ser empregado na prevenção secundária de acidente vascular encefálico e episódio isquêmico transitório (WANNMACHER, 2005). Como agente de primeira escolha na prevenção de doenças cardiovasculares isquêmicas e acidente vascular cerebral, principalmente em prevenções secundárias, utiliza-se doses de 50 mg a 325 mg/dia, isto por possuir alto índice de segurança, ampla disponibilidade, além de custo acessível e bem menor que outros antiagregantes plaquetários (BRASIL, 2010b).
  34. 34. 33 Em doses maiores que 325 mg/dia, o AAS muitas vezes apresenta um efeito contraditório, porque ele também inibe a síntese da prostaciclina nas células endoteliais e plaquetárias, substância que favorece a formação de trombos. Olhando do ponto de vista de pacientes diabéticos, ele se mostra importante porque os níveis de prostaciclina são reduzidos. Alguns estudos mostram que as doses mais utilizadas variam de 75 a 500mg/dia, porém as doses compreendidas entre 75 a 100mg/dia tem sido mais efetivas que em altas doses, pois causa menor toxicidade gastrointestinal (LIMA; GÓIS; NÓBREGA, 2005). Uma metanálise com quatro estudos realizada com mais de 48.000 pacientes, tendo entre 3 e 7 anos de seguimento, mostrou que doses entre 75 a 500 mg/dia de AAS reduziram os eventos cardiovasculares em 15% e infartos do miocárdio em 30%, mas não reduziram significativamente morte total e aumentaram complicações hemorrágicas em 69%. Os dois primeiros ensaios clínicos avaliaram efeitos de ácido acetilsalicílico em prevenção primária de cardiopatia isquêmica. Tiveram resultados discordantes quanto à eficácia e a tendência a maior incidência de AVEs hemorrágicos nos pacientes acompanhados. A maioria dos indivíduos estudados era do sexo masculino, ficando assim a ser definido o benefício do ácido acetilsalicílico na prevenção primária em mulheres (WANNMACHER, 2005). O estudo randomizado ISIS-2 (Second Internacional Study of Infart Survival), utilizou a dose de 162,5 mg de aspirina e doses de placebo, tendo a terapia iniciada até 24 horas do início dos sintomas do IAM suspeito e continuada diariamente por 5 semanas. O uso da aspirina diminuiu significativamente a incidência de mortalidade vascular em 23%, reinfarto não fatal em 43% e AVE não fatal em 46%, com redução da probabilidade de ocorrência de outros eventos de 30%. Não houve aumento na incidência de AVE hemorrágico ou sangramento gastrointestinal. Os pacientes que receberam placebo não tiveram resultados relativamente significativos (ISIS-2, 1988). Uma análise conjunta de cinco ensaios clínicos realizados com mais de 50.000 pacientes a respeito da prevenção primária de doença coronariana, mostrou que os benefícios do ácido acetilsalicílico estavam diretamente relacionados ao perfil de risco cardiovascular dos indivíduos. Indivíduos com risco aumentado de eventos coronarianos (acima de 3%) podem ter benefício clínico relevante com ácido acetilsalicílico em doses baixas. Já nos casos que o risco de evento cardiovascular anual for inferior a 1%, o benefício torna-se menor que o dano. Em pacientes de
  35. 35. 34 baixo risco, o ácido acetilsalicílico em doses baixas, influencia pouco ou nada nas mortalidades de todas as causas (WANNMACHER, 2005). Em um ensaio clínico que envolveu aproximadamente 4.500 indivíduos com pelo menos um fator de risco para doença aterosclerótica, o ácido acetilsalicílico, utilizado na dose de 100 mg/dia, reduziu significativamente eventos cardiovasculares totais (os riscos caíram de 8,2% para 6,3%), porém a redução de AVEs foi de menor magnitude e sem significância estatística (de 1,1% para 0,6%). Assim, seu uso profilático não se justifica em prevenção primária de AVEs (WANNMACHER, 2005). O ácido acetilsalicílico é mais eficaz no período de maior risco de eventos vasculares graves como, por exemplo, nas semanas posteriores à ocorrência de um infarto do miocárdio. As evidências dos ensaios clínicos mostra que todas as doses que inibem completamente a função plaquetária são eficazes na prevenção de coágulos. A organização “Antiplatelet Trialists Collaboration” (ATC) publicou uma metanálise de 145 ensaios clínicos randomizados no tratamento antiplaquetário, desses, quarenta e seis ensaios foram realizados com o uso isolado do ácido acetilsalicílico. Foram utilizados três regimes de dose: • <160 mg (principalmente 75 a 150 mg) (7 ensaios). • 160 a 325 mg (12 ensaios). • 500 a1500 mg/dia (30 ensaios). Os resultados para as reduções de risco para infarto do miocárdio, AVC ou morte vascular para estes três regimes foram de 26%, 28% e 21%, respectivamente, não apresentando diferenças que fossem significativas. Em outros três ensaios clínicos foram comparadas doses elevadas de ácido acetilsalicílico (500 a 1500 mg/dia) com doses mais baixas (75 a 325 mg/dia). Não houve diferenças significativas em eficácia entre estes regimes. Estes três ensaios forneceram evidência substancial de que as doses diárias de 75 mg/dia são efetivas (HOEFLER, 2004). Outra meta-análise que selecionou nove segmentos, compararam de forma randomizada o uso de AAS versus o uso de placebo ou controle em pacientes sem DCV clínica. Foram acompanhados um total de 710.053 pacientes por até 6,9 anos, desses, 359.709 eram do grupo que usou AAS e 350.344 placebo/controle. O uso de AAS foi associado com redução dos eventos cardiovasculares. Houve uma redução significativa de IAM, AVC e mortalidade por todas as causas. O uso de AAS, entretanto, também foi associado com maior incidência de AVC hemorrágico e risco
  36. 36. 35 de sangramento. O benefício do uso da medicação quanto ao risco de sangramento mostraram-se independente ao risco de eventos cardiovasculares, terapêutica de base, idade, sexo e dose do AAS. A decisão do uso do AAS para prevenção primária de IAM ou AVC ainda permanece complexa e controversa, entre o grupo de pacientes sem DCV clínica. Deve-se sempre individualizar cada decisão e considerar a relação entre risco e benefício para cada paciente a ser tratado (BERGER et al., 2011). Um estudo multicêntrico, duplo-cego, placebo-controlado randomizado do tratamento com aspirina 324 mg/dia acompanhou por 12 semanas 1266 homens com angina instável, 625 deles receberam aspirina e 641 receberam placebo. Observou-se que a incidência de morte ou enfarte do miocárdio agudo, foi de 51% mais baixa no grupo da aspirina do que no grupo do placebo. A redução da mortalidade no grupo da aspirina também foi de 51% embora não tenha sido estatisticamente significativa. Não foram observadas diferenças nos sintomas gastrintestinais ou evidência de perda de sangue entre os grupos de tratamento e de controle. Sendo assim, o estudo mostrou que a aspirina tem um efeito protetor contra o infarto agudo do miocárdio em homens com angina instável, e sugerem um efeito parecido sobre a mortalidade (LEWIS et al., 1983). Em prevenção secundária (após infarto do miocárdio e angina instável), baixas doses (50-325 mg/dia), uma revisão de seis estudos mostrou menos mortes, eventos vasculares combinados e infartos de miocárdio. No entanto, houve mais sangramento gastrintestinal, sem causar nenhuma morte. Os benefícios superaram os riscos. Avaliou-se que a cada mil pacientes em prevenção secundária comparados com os que não fizeram profilaxia, haveria menos 55 eventos vasculares (incluindo 27 infartos e 11 AVEs) e menos 15 mortes. Nesses mesmos pacientes, ocorreriam mais oito episódios de sangramento, metade dos quais poderiam ser graves (WANNMACHER, 2005). 1.4.4 Comparação do AAS com outros antiplaquetários Dipiridamol Responsável por inibir a fosfodiesterase plaquetária, o Dipiridamol, aumenta o AMP cíclico diminuindo a adesão das plaquetas. Apesar de poucos estudos, o dipiridamol isoladamente, não oferece benefícios relevantes, porém, quando
  37. 37. 36 associado a outros fármacos antiagregantes podem trazer benefícios clínicos. Sendo assim, o ácido acetilsalicílico se torna mais eficaz e fármaco de escolha (WANNMACHER, 2005). Ticlopidina Um ensaio clínico comparou o uso de ticlopidina e de ácido acetilsalicílico, isoladamente, em pacientes com acidentes cerebrais isquêmicos. Esse estudo mostrou que, inicialmente o uso de ticlopidina seria um pouco mais eficaz que do ácido acetilsalicílico, porém, seu uso constante traria mais riscos de efeitos adversos graves, como a supressão da medula óssea, causando neutropenia grave (WANNMACHER, 2005). O uso de ticlopidina associada ao ácido acetilsalicílico na prevenção de doenças cardiovasculares mostrou-se que, não houve diferenças significativas de sua eficácia e efeitos adversos (TICLOPIDINA, 1999). Contudo, a ticlopidina passa a ser utilizada como alternativa para pacientes com intolerância ao ácido acetilsalicílico, levando em conta seu custo elevado o AAS se torna o mais indicado. Já na associação da ticlopidina com o ácido acetilsalicílico não houve significativas diferenças em seu uso (OLIVEIRA, 2001). Clopidogrel Em uma análise comparativa do clopidogrel com o ácido acetilsalicílico na redução de acidentes cardiovasculares cerebrais, infarto do miocárdio e doença vascular periférica sintomática, o clopidogrel apresentou menor incidência para desfecho combinado de acidentes cardiovasculares. Na utilização do clopidogrel associado ao ácido acetilsalicílico na prevenção de eventos cardiovasculares de pacientes com potencial de grande risco para sangramento, constatou-se que, o risco de sangramento foi um pouco aumentado com a associação dos fármacos, não mostrando diferença na mortalidade (WANNMACHER, 2005). Sendo assim, o clopidogrel, isoladamente, se torna alternativa para a prevenção secundária de eventos vasculares em pacientes não tolerantes ao ácido acetilsalicílico e o uso do clopidogrel associado ao ácido acetilsalicílico se torna viável, porém, se administrado em baixas doses (OLIVEIRA, 2001).
  38. 38. 37 Varfarina A varfarina é responsável por inibir a ação da vitamina K nos hepatócitos, esse fator leva à diminuição dos fatores de coagulação dependentes destas e os fatores anticoagulantes da proteína C e S (ATIÉ et al.; 2001). Estudos demonstraram que, pacientes que receberam tratamento com ácido acetilsalicílico e varfarina, separadamente, a varfarina mostrou-se mais eficaz que o ácido acetilsalicílico, pois, o com o uso do AAS os resultados de morbidade e mortalidade em pacientes com insuficiência cardíaca foram maiores que os da varfarina (GOODMAN; GILMAN, 2003).
  39. 39. 38 2 MÉTODO A busca foi efetuada através de uma revisão literária sobre o uso do AAS no tratamento de doenças cardiovasculares. O conteúdo bibliográfico foi selecionado em bibliotecas através de livros, obras de referência, periódicos científicos, resumos disponibilizados na biblioteca da Fundação Educacional de Fernandópolis e na Internet nas bases de dados como Scielo, Pubmed, Organizações Pan-americanas, ANVISA, dentre outros com as palavras chave AAS, doenças cardiovasculares, aspirina, etc. A metodologia de pesquisa utilizada neste trabalho é caracterizada como pesquisa bibliográfica.
  40. 40. 39 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS No decorrer do trabalho percebeu-se que houve uma grande contradição entre artigos, demonstrando os lados positivos e negativos de se efetuar a realização do uso do ácido acetilsalicílico na prevenção de doenças cardiovasculares, por exemplo, alguns artigos afirmam que a maior eficácia do AAS na prevenção é em mulheres, enquanto outros artigos mostram que a eficácia é indiferente do sexo. Também constatou-se em artigos que a maior eficácia do ácido acetilsalicílico é em prevenções primárias, já em prevenções secundárias alguns demonstraram que não houve diferenças significativas. Contudo, na grande maioria dos artigos, foi observado que, o AAS pode sim ser utilizado como antiagregante plaquetário de escolha em alguns casos de doenças cardiovasculares, pois, além de custo acessível possui menos efeitos adversos que outros fármacos antiplaquetários. O uso do ácido acetilsalicílico (AAS) em tratamento de doenças cardiovasculares como antiagregante plaquetário, tem se mostrado eficaz independente de sexo, idade e outros fatores como: diabetes ou hipertensão, além de mais econômico que outros medicamentos utilizados para essa finalidade, sendo assim, colocado como antiagregante de escolha (HOEFLER; 2004). Apesar de poucos estudos serem realizados para avaliação do uso de AAS no Brasil, sua frequência de uso em nível hospitalar ou ambulatorial, é de 17,7% para prevenção primária e até 98% na prevenção secundária (VIANNA, GONZÁLEZ, MATIJASEVICH; 2011). Na prevenção primária de doenças cardiovasculares, o ácido acetilsalicílico exerce benefício quando utilizado em baixas doses, porém não negligenciável ao risco de sangramento. Já na prevenção secundária de doenças cardiovasculares, o ácido acetilsalicílico reduz o risco de mortalidade e morbidade (WANNMACHER, 2011). Uma meta-análise de ensaios clínicos demonstrou a eficácia do AAS na redução de 30% de infarto agudo do miocárdio (IAM) e 20% de acidente vascular cerebral (AVC), assim, parecendo ser mais efetivo que outros agentes plaquetários. As doses utilizadas variam entre 80mg e 325mg/dia, sendo melhor o uso da menor dose possível para limitar efeitos adversos (FURTADO, POLANCZYK; 2007).
  41. 41. 40 REFERÊNCIAS ASPIRINA: comprimidos. Responsável técnico Dra. Dirce Eiko Mimura, CRF-SP: 16.532. São Paulo – SP. Bayer S.A., 2011. Bula de remédio. Disponível em: <http://www4.anvisa.gov.br/base/visadoc/BM/BM[25345-1-0].PDF>. Acesso em: 31 ago. 2012. ATIÉ, J. et al. Anticoagulação em pacientes com arritmias cardíacas. Revista SOCERJ, V. XIV, n. 1. Jan / Fev / Mar 2001. Disponível em: <http://sociedades.cardiol.br/socerj/revista/ 2001 01/a2001 v14 n01 art12.pdf>. Acesso em: 10 out. 2012. BERGER, J. S. et al. Aspirin for the prevention of cardiovascular events in patients without clinical cardiovascular disease: A meta-analysis of randomized trials. American Heart Journal, V. 162, n. 2, New York, 2011. Disponível em: < http://www.sjhg.org/documents/JCAugust2011Aspirinforpreventionofcardiovascularev entsinpatientswithoutclinicalcardiovascula.pdf>. Acesso em: 28 ago. 2012. BOER, N. C. P.; CAMPOS, M. L.; PADILHA, M. C. Fisiologia Humana Básica Aplicada a Área de Saúde. Fernandópolis: Ferjal, 2007. BRANDÃO, A. A. et al. Prevenção da doença cardiovascular: a aterosclerose se inicia na infância? Revista da SOCERJ - Jan/Fev/Mar 2004, Vol 17 No 1. Disponível em: <http://sociedades.cardiol.br/socerj/revista/200401/a2004v17n01_art 05.pdf>. Acesso em: 02 set. 2012. BRASIL. Ministério da Saúde. Hospital do Coração. Sociedade Brasileira de Cardiologia. 2010a. Disponível em: <http://www.brasil.gov.br/sobre/saude/saude- do-homem/doencas-cardiovasculares> e <http://www.min- saude.pt/portal/conteudos/enciclopedia+da+saude/doencas/doencas+do+aparelho+c irculatorio/doencascardiovasculares.htm>. Acesso em: 05 ago. 2012. ______. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos. Relação nacional de medicamentos essenciais: Rename. 7. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2010b. CARVALHO, J. J. M. Aspectos preventivos em cardiologia. Arquivo Brasileiro de Cardiologia. 50/1: 59-67—Janeiro 1988. Disponível em: <http:qqwww.arquivosonline.com.br/pesq uisartigos/Pdfs/1988/V50N1/50010013.pdf>. Acesso em: 08 ago. 2012. DANGELO, J. G.; FATTINI, C. A. Anatomia Humana Sistêmica e Segmentar. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2006. DOUGLAS, C. R. Tratado de Fisiologia Aplicada à Saúde. 5 ed. São Paulo: Robe, 2002. FURTADO, M. V.; POLANCZYK, C. A. Prevenção Cardiovascular em Pacientes com Diabetes: Revisão Baseada em Evidências. Arquivo Brasileiro de Endocrinologia
  42. 42. 41 e Metabologia, 2007; 51/2. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/abem/v51n2/22.pdf>. Acesso em: 08 ago. 2012. GABRIEL, S. A. et al. Avaliação da agregação plaquetária e dosagem do fibrinogênio em pacientes com doenças cardiovasculares e sua correlação com o uso de aspirina e fatores de risco coronariano. Brazilian Journal of Cardiovascular Surgery, 2006; 21(3): 289-294. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/bjcvs/v21n3/a08v21 n3.pdf>. Acesso em: 02 set. 2012. GODOY, M. F. et al. Mortalidade por Doenças Cardiovasculares e Níveis Socioeconômicos na População de São José do Rio Preto, Estado de São Paulo, Brasil. Arquivo Brasileiro de Cardiologia, 2007; 88(2): 200-206. Disponível em: <http:// www.scielo.br/pdf/%0D/abc/v88n2/a11v88n2.pdf>. Acesso em: 02 set. 2012. GOODMAN, L. S.; GILMAN, A. As bases farmacológicas da terapêutica. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1995. ______. As bases farmacológicas da terapêutica. 10. ed. Rio de Janeiro: McGraw-Hill, 2003. GUYTON, A. C.; HALL, J. E. Tratado de Fisiologia Médica. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. HOEFLER, H. Ácido acetilsalicílico como antiagregante plaquetário: qual a conduta ideal? Boletim Farmacoterapêutica - Ano IX - Número 04 - jul/2004 - ago/2004. Disponível em: <http://www.cff.org.br/sistemas/geral/revista/pdf/79/14bolet imfarmacoterapeutica.pdf>. Acesso em: 08 ago. 2012. ISHITANI, L. H. et al. Desigualdade social e mortalidade precoce por doenças cardiovasculares no Brasil. Revista de Saúde Pública, 2006;40(4):684-91. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rsp/v40n4/19.pdf>. Acesso em: 02 set. 2012. ISIS-2 (Second International Study of Infarct Survival) Collaborative Group. Randomised trial of intravenous streptokinase, oral aspirin, both or neither among 17187 cases of suspect acute myocardial infarction. Journal of the American College of Cardiology, V. 12, n. 6, United States of America, 1988. Disponível em: <http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/0735109788926356#>. Acesso em: 28 out. 2012. LEWIS, H. D. et al. Protective Effects of Aspirin against Acute Myocardial Infarction and Death in Men with Unstable Angina — Results of a Veterans Administration Cooperative Study. The New England Journal of Medicine, Massachusetts, 1983. Disponível em: <http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJM198308183090703> Acesso em: 28 ago. 2012 LIMA, J. G.; GÓIS, L. T.; NÓBREGA, L. H. C. Diabetes Mellitus: Uso de ácido acetilsalicílico (AAS). Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia . 50/1: 59-67—Janeiro 1988. Disponível em: <http:qqwww.arquivosonline.com.br/pesq
  43. 43. 42 uisartigos/Pdfs/1988/V50N1/50010013.pdf>. Acesso em: 08 ago. 2012. MACHADO, R. Prevenção Primária das Doenças Cardiovasculares na Diabetes: o Papel do Ácido Acetilsalicílico. Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar/Centro Hospitalar do Porto, EPE, 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S000427302007000300015&script=sci_arttext> . Acesso em: 02 set. 2012. NETTER, F. H. Atlas de Anatomia Humana. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2003. OLIVEIRA, G. M. M. Antiagregantes Plaquetários. Revista SOCERJ. V. XIV, n. 1; Jan / Fev / Mar 2001. Disponível em: <http://sociedades.cardiol.br/socerj/revista/ 2001 01/a2001 v14 n01 art02.pdf>. Acesso em: 10 out. 2012. PINTO, A. C. Alguns aspectos da história da aspirina. Instituto de Química, Universidade federal do Rio de Janeiro, Centro de Tecnologia, Bloco A, Ilha do Fundão, Rio de Janeiro, RJ, 21945 – 970, Brasil. [s.d.]. Disponível em: <http://www.sbq.org.br/filiais/adm/Upload/subconteudo/pdf/Historias_Interessantes_d e_Produtos_Naturais05.pdf>. Acesso em: 22 ago. 2012. RIDKER, P. M. et al. A randomized trial of low-dose aspirin in the primary prevention of cardiovascular disease in women. The New England Journal of Medicine. 2005; 352:1293-1304. Disponível em: http://www.nejm.org/doi/pdf/10.1056/NEJMoa050613. Acesso em: 05 set. 2012. SILVERTHORN, D. U. Fisiologia Humana – Uma abordagem integrada. 2. ed. Barueri: Manole, 2003. SPENCE, A. P.; Anatomia Humana Básica. 2. ed. Tamboré -Barueri, SP, 1991. STAFFORD, R.S.; MONTI, V.; MA, J. Underutilization of aspirin persists in US ambulatory care for the secondary and primary prevention of cardiovascular disease. PLOS Medicine, V. 2, 12. ed., California, United States of America, December, 2005. Disponível em: http://www.plosmedicine.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pmed.00203 53 <http://www.plosmedicine.org/article/info:doi/10.1371/journal.pmed.0020353>. Acesso em: 27 ago. 2012. TICLOPIDINA: comprimidos. Farm. Resp.: Antonia A. Oliveira; CRF - SP 5.854. Rua Conde Domingos Papais, 413; Suzano – São Paulo CEP: 08613-010. Sanofi-Aventis Farmacêutica Ltda.; 1999. Bula de remédio. Disponível em: <http://www4.anvisa.gov.br/base/visadoc/BM/BM[26387-1-0].PDF>. Acesso em: 13 out. 2012. TORTORA, G. J.; Corpo Humano – Fundamentos de Anatomia e Fisiologia. 4ª Ed. Av. Jerônimo de Ornelas, 670 – Santana, Porto Alegre, RS; 2000. VIANNA, C. A.; GONZÁLEZ, D. A.; MATIJASEVICH, A. Utilização de ácido acetilsalicílico (AAS) na prevenção de doenças cardiovasculares: um estudo de base
  44. 44. 43 populacional. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, 28(6):1122-1132, jun, 2012. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/csp/v28n6/11.pdf>. Acesso em: 08 ago. 2012. WANNMACHER, L. Antiplaquetários: Ainda ácido acetilsalicílico? Organização Pan- Americana de Saúde/Organização Mundial de Saúde: Uso Racional de Medicamentos, v. 2, n. 3, Brasília, Fevereiro de 2005. Disponível em: <http://www.opas.org.br/medicamentos/site/UploadArq/HSE_URM_ANT_0205.pdf>. Acesso em: 07 ago. 2012. ______. Ácido Acetilsalicílico em Prevenção Primária e Secundária de Eventos Cardio e Cerebrovasculares: uma Atualização. Editora MS. Coordenação de Gestão Editorial SIA, trecho 4, lotes 540/610, 2011.Disponível em: < http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/Tema16-AAS.pdf>. Acesso em: 22 ago. 2012.
  45. 45. 44 ANEXOS São produzidas no mundo todos os anos aproximadamente 50 mil toneladas do princípio ativo da aspirina. Se toda essa produção fosse convertida em comprimidos de 500 mg (seriam 100 bilhões deles) e se eles fossem colocados em linha reta, a extensão (mais de 1 milhão de quilômetros) seria equivalente a duas vezes a distância entre a Terra e a Lua (NASA, sd). A Aspirina já foi tema de um filme brasileiro. Dirigido por Marcelo Gomes, "Cinema, Aspirinas e Urubus", de 2005 (UOL NOTÍCIAS, sd). De acordo com a Bayer, são vendidas por dia 216 milhões de comprimidos de aspirinas no mundo. Segundo os cálculos da empresa, com essa quantidade seria possível cobrir uma superfície de 2,4 quilômetros quadrados, ou seja, mais do que a extensão do Principado de Mônaco (BAYER, sd). A Argentina consome um quarto de todas as aspirinas tomadas no mundo. Os argentinos são os que mais utilizam o analgésico, estima-se que cada habitante toma, em média, 80 comprimidos por ano (AFP, sd) . Em 1950, a Aspirina recebeu menção no Guinness Book, o livro dos recordes, como o analgésico mais vendido do mundo (GUINNESS WORLD RECORDS, 1950).
  46. 46. 45 Em comemoração ao centenário da marca Aspirina, em 1999, a empresa BAYER "encapou" o prédio sede na Alemanha com a embalagem do produto (KNIPPERTZ, sd).

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