Cinema e Literatura

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Slide contendo técnicas usadas na transgreção entre cinema e literatura. Produzido pelo professor Cristiano Leal.

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Cinema e Literatura

  1. 1. Cinema e Literatura Prof. Cristiano Leal
  2. 2. Cinema e Literatura <ul><li>De um modo geral, há coisas que estavam no romance e não estão mais no filme ( Redução ). </li></ul><ul><li>Há coisas que estão no filme e que não estavam no romance ( Adição ). </li></ul><ul><li>Há coisas que estão nos dois, porém, de modo diferente ( Deslocamento , Transformação ). </li></ul><ul><li>O que complica, porém, a relativa simplicidade do esquema é que essas reduções, adições e transformações acontecem em vários níveis que precisam ser distinguidos. </li></ul>
  3. 3. Cinema e Literatura <ul><li>Cortar passa a ser praticamente obrigatório na adaptação, o que já é feito na etapa pré-fílmica chamada de roteirização. </li></ul><ul><li>A roteirização é a primeira forma não-literária que um romance, ou peça, adquire, antes de virar imagem cinematográfica. </li></ul><ul><li>Normalmente num roteiro já estão feitos os cortes sobre o texto original, embora no ato da filmagem, ou se for o caso, na montagem, o diretor possa operar outros tantos cortes que julgue necessários para a viabilidade do filme. Essa é a Redução . </li></ul>
  4. 4. Cinema e Literatura <ul><li>Menos freqüente que a redução, a Adição tem um papel decisivo no processo adaptativo, dando ao filme a sua essência de obra específica. </li></ul><ul><li>Assim é que, em muitos casos, um elemento inexistente no livro é adicionado ao filme para compensar efeitos verbais perdidos em outras instâncias. </li></ul><ul><li>em Uma rua chamada pecado, n a cena em que Kowalski estupra Bianche Dubois, a câmera se retira do recinto do estupro para mostrar uma mangueira desgovernada esporrando água sobre a rua, cena que não existe na peça em que foi baseado o filme. </li></ul>
  5. 5. Cinema e Literatura <ul><li>No Deslocamento , tanto no romance quanto no filme, os elementos são os mesmos, só que postos em outra ordem. </li></ul><ul><li>Não é nada incomum que uma cena intermediária no tempo da estória do romance, seja antecipada para o começo do filme, ou simplesmente, postergada para perto do seu final. </li></ul><ul><li>Às vezes os elementos deslocados são apenas trechos dos diálogos, ou meramente palavras, ou se for o caso, uma única imagem, mas de todo jeito a remontagem influi grandemente na composição do filme e na sua significação final. </li></ul>
  6. 6. Cinema e Literatura <ul><li>Exemplo de Deslocamento: </li></ul><ul><li>Em Lolita, de Stanley Kubrick, adaptação do romance homônimo de Nabokov, o desenvolvimento dos acontecimentos é invertido e a estória do filme começa pelo final, com o assassinato de Quilty, sem contar que o ponto de vista narrativo é mudado de onisciente para limitado. </li></ul>
  7. 7. Cinema e Literatura <ul><li>Entre cortar, adicionar e deslocar, fica um procedimento mais sutil, ao mesmo tempo mais genérico, mas também mais difícil de caracterizar, que aqui estamos chamando, por conta própria, de Transformação . </li></ul><ul><li>Na maior parte das vezes ele consiste em dar aos recursos verbais da literatura uma forma não-verbal, icônica, cinematográfica. </li></ul><ul><li>Como acontece com a tradução de um texto para uma língua estrangeira, a adaptação implica perdas inevitáveis e, em muitos casos a transformação procura compensar essas perdas com recursos substitutivos. </li></ul>
  8. 8. Cinema e Literatura <ul><li>Em Lolita, Kubrick escolhe matar Quiltry entre quadros de pintores famosos fazendo uma metáfora da crueldade das artes que, em termos plásticos, não seria viável dentro dos códigos verbais do romance. </li></ul><ul><li>Em Razão e sensibilidade, Ang Lee &quot;transforma&quot; a moça feita Margareth numa garota pequena e, com isso, consegue arrancar muito mais humor de suas travessuras, compensando de algum modo as perdas da ironia no discurso de Austen. </li></ul><ul><li>Amor sublime amor ( West Side story ) de Robert Wise, reconta, em estilo musical, a estória de Romeu e Julieta numa Nova York de 1960, onde as famílias Capuleto e Montequio se transformam em duas gangues de rua, e até os protagonistas têm nomes diferentes, ainda que o esqueleto de enredo seja o mesmo. </li></ul>
  9. 9. Cinema e Literatura <ul><li>Nem sempre as transformações são óbvias. Em muitos casos, como em alguns dos citados, elas são micro-estruturais e subreptícias e precisam de atenção para serem detectadas e avaliadas. </li></ul><ul><li>Quando um personagem masculino no romance vira feminino no filme, ou quando uma paisagem rural passa a ser urbana, ou quando a profissão do protagonista muda de arquiteto para tenista, tais mudanças dão na vista. </li></ul>
  10. 10. Cinema e Literatura <ul><li>Como uma variação da transformação propriamente dita, o procedimento em estudo pode ser de Simplificação , ou, ao contrário, de Ampliação . </li></ul><ul><li>Não é raro que dois ambientes de um romance sejam, no filme, “resumidos&quot; num único cenário, que passa a ter as qualidades ou ressonâncias semânticas dos dois originais. (Simplificação) </li></ul><ul><li>Ou inversamente, pode acontecer de um personagem muito complexo no livro ser desdobrado em, digamos, dois no filme. (Ampliação) </li></ul>
  11. 11. Cinema e Literatura <ul><li>Simplificação: No livro de Graciliano Ramos, Fabiano vai à cidade em duas ocasiões completamente diferentes, uma vez sozinho, outra vez com a família, e contudo, no filme de Nelson Pereira essas duas visitas se resumem numa única. </li></ul>
  12. 12. Cinema e Literatura <ul><li>Ampliação: no filme A última tempestade, de Peter Greenaway, que adapta a peça A tempestade, de Shakespeare. </li></ul><ul><li>O enredo, como quase sempre no gênero teatral, nos chega pelas palavras dos personagens, pouco objetivas e empanturradas de figurações, onde se atropelam metáforas, metonímias e figuras de toda ordem. </li></ul><ul><li>A operação da adaptação aqui consistiu em, sistematicamente, simplificar o enredo e, ao mesmo tempo, ampliar as figurações , de tal modo que, de repente, o tempo e espaço de tela despendido com, digamos, uma simples metáfora é dez vezes maior que os dedicados a todo um episódio da estória. </li></ul>
  13. 13. OPERAÇÃO Descrição REDUÇÃO Elementos que estão no texto Literário (romance, conto ou peça) e que não estão no filme. ADIÇÃO Elementos que estão no filme sem estar no texto literário. DESLOCAMENTO Elementos que estão em ambos, filme e texto Literário, mas não na mesma ordem cronológica, ou espacial. TRANSFORMAÇÃO PROPRIAMENTE DITA Elementos que, no romance e no filme, possuem significados equivalentes, mas em configurações diferentes. SIMPLIFICAÇÃO Transformação que, no filme, diminui a dimensão de um elemento que, no romance, era maior. AMPLIAÇÃO Transformação que, no filme, aumenta a dimensão de um ou mais elementos do romance.
  14. 14. Conclusão <ul><li>Ao contrário da crença comum, o filme adaptador, se bem realizado, não depende do texto literário adaptado. </li></ul><ul><li>Se porventura a comparação pode lançar luz sobre os dois – e esse é o pressuposto neste ensaio – por outro lado, cada um, texto literário e filme, constitui uma obra autônoma que funciona, ou deveria funcionar, sem a muleta do outro. </li></ul>

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