FERNANDO CARDOSO




O EVANGELHO
INCLUSIVO E A
HOMOSSEXUALIDADE


         1ª edição



         São Paulo
      Clube de ...
Copyrith © 2010, Fernando Cardoso




                         Editor
                    Fernando Cardoso

              ...
A Bíblia não deve ser lida de forma literal, mas sim
levando-se em consideração o contexto histórico em que
       foi esc...
Agradecimentos




      Humildemente e com alegria quero expressar
minha gratidão a diversos teólogos cristãos aos quais
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Apesar de não ter tido apoio dos meus pais na
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diante de tanta seriedade, inveja, rancor, orgulho,
pretensão, ódio e soberba.
      Foi escrito para aqueles com almas pu...
SUMÁRIO




Introdução, 11
Conhecendo a homossexualidade, 15
Aspectos  históricos   da   condenação     aos
homossexuais, ...
Levítico 18. 22, 63
Levítico 20.13, 63
Deuteronômio 22.5, 68
Deuteronômio 23.17, 70
Juízes 19.22, 71
Romanos 1.26-27, 73
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INTRODUÇÃO




O éEvangelhoque suscita egrandes discussões, mas
    um tema
             Inclusivo a Homossexualidade

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reflexivo, me auto-analisava e, ao mundo ao meu
redor. Sentia que era diferente dos demais, mas não
entendia o porquê, ain...
Essa situação me matava aos poucos, como
certamente a você também não é diferente. Mas tudo
mudou a partir do momento que ...
atravessaram conflitos com a família e com a fé, pelo
fato da homossexualidade. Foi quando pensei que
deveria fazer algo a...
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  1. 1. FERNANDO CARDOSO O EVANGELHO INCLUSIVO E A HOMOSSEXUALIDADE 1ª edição São Paulo Clube de Autores 2010
  2. 2. Copyrith © 2010, Fernando Cardoso Editor Fernando Cardoso Formatação e Diagramação Fernando Cardoso Revisão ortográfica Fernando Cardoso __________________________________________________ Cardoso, Fernando O Evangelho Inclusivo e a Homossexualidade / Fernando Cardoso – São Paulo: Clube de Autores, 2010. 113p. 1. Evangelho Inclusivo 2. Homossexualidade. I. Fernando Cardoso. II. Título CDD: 230 __________________________________________________ Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610 de 19/02/1998. Nenhuma parte deste livro, sem autorização prévia por escrito do Autor poderá ser reduzida ou transmitida sejam quais forem os meios empregados: eletrônicos, mecânicos, fotográficos, gravação ou quaisquer outros.
  3. 3. A Bíblia não deve ser lida de forma literal, mas sim levando-se em consideração o contexto histórico em que foi escrita. Passagens bíblicas isoladas e fora de contexto foram usadas para justificar o racismo e a submissão das mulheres, assim como hoje são usadas para atacar os homossexuais. Mas todos somos iguais perante Deus, e é possível ser gay e ser religioso. Gene Robinson Amar a Deus é estudarmos sua palavra com afinco; É reconhecer a nossa perfeição ao sermos criados à sua imagem e semelhança; É ter fé na nossa própria existência, enxergando o propósito da criação; É nos aceitarmos sem questionamentos, pois os planos divinos são misteriosos, E não cabe a nós, ainda, a revelação. Fernando Cardoso Fevereiro, 2010.
  4. 4. Agradecimentos Humildemente e com alegria quero expressar minha gratidão a diversos teólogos cristãos aos quais recorri para uma percepção mais profunda do Evangelho da Graça aos homossexuais e dos pressupostos antagônicos da condenação bíblica à homossexualidade: Brennan Manning, Yvette Dube, Gene Robinson, Robin Scroggs, Victor Paul Furnis, John McNeill, William Countryman, John Boswell, Norman Pittenger, David Payne, André Sidnei Musskopf, Daniel A. Helminiak, Philip Yancey, Desmond Tutu, Peter Gomes, Jimmy Creech, Mel White, Brian Zachary Mayer, Leonardo Boff, Márcio Retamero, Bruno Lima, Marcos Gladstone, Luis Corrêa Lima, entre outros. E, ainda, a diversos outros escritores e críticos engajados no campo político-social da homossexualidade, por suas contribuições em minhas percepções, enquanto escritor estreante: Atila Iamarino, Bruno Bimbi, Daniel G. Karslake, Humberto Rodrigues, Luis Mott, Talissa Camara Tinoco de Siqueira, Danuza da Silva Crespo Bastos, Andrea Camperio Ciani, Bruce Bagemihl, Christopher Bagley, Pierre Tremblay, Deco Ribeiro, Paula Caplan, Ana Bock, entre outros.
  5. 5. Apesar de não ter tido apoio dos meus pais na elaboração deste trabalho, contei com o incentivo de alguns amigos mais próximos – cujo papel, foi fundamental na concretização –, através do suporte moral, análise crítica do conteúdo, revisão do texto e artes. Mas, principalmente, ao Vinicius de Souza pela dedicação constante, pela paciência, pelo companheirismo na formulação das idéias deste trabalho. Apesar dos vieses, foi grande a importância da tua presença na conclusão desta obra. Dispenso, pois, meu “obrigado” a você. Contudo, minha dívida mais profunda, ainda assim, é para com minha mãe, pelo amor dedicado não apenas materno, mas também enquanto cristã. Pelo abrir de seu coração e mente ao assunto homoafetividade, cujo desenvolvimento não foi fácil devido sua formação tradicionalista e conservadora. Ao meu pai pela garra e empenho despendido incondicionalmente em meu sustento, pelo amor dedicado a mim, à sua maneira, independente da minha identidade sexual. E, a ambos, pela educação, tanto pessoal quanto cristã, que me proporcionaram.
  6. 6. O F o c o D e s t e T r a b a l h o... O Evangelho Inclusivo e a Homossexualidade... Foi direcionado a um grupo específico de pessoas, cujas necessidades foram traduzidas através dos mesmos anseios que tive durante esta caminhada, cuja solidão somente não foi total devida a sensação de que tinha um Deus ao meu lado, mesmo diante de tantos anos de dúvidas advindas das afirmações descontextualizadas que a Igreja impunha, com sua tradicional hermenêutica. Este livro não foi escrito para cristãos fundamentalistas o considerarem uma afronta à Palavra de Deus. Não foi escrito para ser usado como uma saída alternativa nos debates contra a homofobia religiosa. Não foi escrito sob a forma de militância gay para refutar bravamente o que cristãos confusos vêm gritando falaciosamente aos sete ventos. Não foi escrito para tornar as Escrituras Sagradas relativistas e tampouco para andar lado a lado com o liberalismo moral que há em alguns guetos inclusivos que se denominam “cristãos”. Não foi escrito para cristãos que vivem constantemente em um pedestal apoiando-se na Bíblia e imaginando saber o que se passa dentro de um coração aflito e sedento por compreensão.
  7. 7. Não foi escrito para despertar soldados adormecidos e fanáticos, em busca da vitória justificada através da guerra. Não foi escrito para diplomar pessoas em um assunto que só é passível de entendimento através da santificação diária e compreensão através do Espírito Santo. Não foi escrito para se ter um álibi, justificativas pessoais ou um modo de vida a ter que viver seguindo o exemplo de Jesus aqui na terra. O Evangelho Inclusivo e a Homossexualidade... Foi escrito para os que crêem na Bíblia, como única fonte de fé; portanto, se você não crê no Deus Criador, pare a leitura por aqui. Foi escrito para iniciantes, e não para pesquisadores intelectualóides em busca de um divisor de águas. Foi escrito para pessoas angustiadas, cansadas, perseguidas, humilhadas, andando na contramão da vida, porém com determinação, humildade, gosto pelo viver, esperança no porvir, que buscam a justiça divina e se conforta com a revelação do amor incondicional de Jesus. Foi escrito para aqueles que sabem que são meramente pó e ao pó retornarão, e que não se contentam com um olhar de compaixão daqueles que crêem estarem salvos. Foi escrito para pessoas “alegres”, felizes, teatrais, espirituosas, expansivas, graciosas, únicas,
  8. 8. diante de tanta seriedade, inveja, rancor, orgulho, pretensão, ódio e soberba. Foi escrito para aqueles com almas puras, mesmo tendo o seu exterior pintado com extravagâncias. Aquelas criaturas que seguem o criador não apenas com exclamações verbais de fé, mas sim concomitantemente às obras. Foi escrito para aqueles que não têm medo de dizer “Eu Te Amo” e de erguer a bandeira – não do “orgulho” de uma única comunidade –, mas sim das comunidades de Cristo que são bem mais amplas. Foi escrito para os que não sentem mérito algum por merecer o amor e proteção de Deus diante das provas da vida. Foi escrito para pessoas providas de inteligência, mas que compreendem que suas mentes são limitadas; para servos fiéis que sabem que estão propensos a cair. O Evangelho Inclusivo e a Homossexualidade... Foi escrito para mim mesmo e para quem quer que tenha se sentido em pecado e afastado de Deus, cansado e sobrecarregado, mas almejam o alívio efetivo deste fardo ao longo do caminho estreito. Fernando Cardoso Autor
  9. 9. SUMÁRIO Introdução, 11 Conhecendo a homossexualidade, 15 Aspectos históricos da condenação aos homossexuais, 22 Mudança lenta, porém positiva, 27 O relacionamento familiar e social, 31 Algumas teorias sobre os homossexuais, 38 Assembléia de Deus, 38 Astrologia, 39 Budismo, 40 Hare krishnas, 40 Espiritismo, 41 Psicanálise, 42 Seicho-no-ie, 43 Umbanda e Candomblé, 43 Cura da homossexualidade – verdade ou mentira?, 44 A homossexualidade e o Cristianismo, 49 A homossexualidade e a Bíblia, 55 Gênesis 1.27, 58 Gênesis 2.24, 60 Gêneses 19.1-19, 61
  10. 10. Levítico 18. 22, 63 Levítico 20.13, 63 Deuteronômio 22.5, 68 Deuteronômio 23.17, 70 Juízes 19.22, 71 Romanos 1.26-27, 73 1 Coríntios 6.9-11, 76 1 Timóteo 1.10, 76 Uma incoerência ao citar Paulo, 80 A Aids é profética?, 82 Supostos personagens homossexuais, 85 Davi e Jônatas, 87 Noemi e Rute, 90 Daniel e Aspenaz, 91 Outras referências teológicas, 93 Exercendo o cristianismo, 96 A igreja inclusiva, 98 Conclusão do Assunto, 103 Considerações Finais, 105 Carta a uma Fundamentalista, 109 Bibliografia, 112
  11. 11. INTRODUÇÃO O éEvangelhoque suscita egrandes discussões, mas um tema Inclusivo a Homossexualidade ao final afirma a possibilidade da Inclusão Espiritual de todos em Cristo! Eu tenho esta certeza e você também a terá a partir do momento que abrir o coração para que a luz destas palavras transcenda as barreiras do entendimento humano. Segundo o teólogo Luís Corrêa Lima1 a Igreja nasceu rompendo as fronteiras do judaísmo no primeiro século, incorporando multidões de povos que não eram circuncidados. Hoje, pode também se conceber uma identidade simultaneamente Homossexual e Cristã, estimulando os grupos cristãos a acolherem as diversidades segundo a interpretação correta da Bíblia a cerca do tema. Tudo começou aos 5 anos. Foram as primeiras memórias que tive, enquanto homossexual ou gay, tanto faz. Desde pequeno, enquanto as outras crianças brincavam, aproveitando sua inocência, eu, 1 Padre jesuíta, Doutor em História pela Universidade de Brasília, Professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Coordenador de projeto de pesquisa sobre Homossexualidade e Religião.
  12. 12. reflexivo, me auto-analisava e, ao mundo ao meu redor. Sentia que era diferente dos demais, mas não entendia o porquê, ainda. Eu observava os meninos de longe com “admiração”, enquanto ficava sempre nos grupos de meninas, compartilhando os assuntos. A partir daí iniciaram os rótulos “bichinha”, “viadinho”, entre outros que ouvi durante a fase escolar, além das chacotas coletivas, com conotações negativas. Durante muitos anos de minha vida passei tentando criar teorias próprias, não para justificar a minha homossexualidade, como se fosse uma válvula de escape para descarga de conciência – como acreditam alguns –, mas sim para entender os motivos que me levavam a ser “diferente”, pois eu sabia e sentia, acima de tudo, que era amado e protegido por Deus. Contudo, mesmo eu tendo nascido e sido criado em um lar cristão, constantemente ao chegar na igreja, sentava-me no banco para ouvir os sermões e me deparava com a mesma situação, aquelas mesmas retóricas difamatórias pastorais que, segundo eles, são chamadas de mensagens “divinas” contra o homossexualISMO. A minha sensação era de estar “murchando”, despertava-me uma angústia, uma vontade de levantar e sair o mais rápido possível daquele lugar, mas em seguida me vinha o pensamento de que se o fizera, as pessoas perceberiam que eu estava encomodado e logo, perceberiam que eu era Gay.
  13. 13. Essa situação me matava aos poucos, como certamente a você também não é diferente. Mas tudo mudou a partir do momento que comecei a pesquisar as Escrituras Sagradas, não sob a minha perspectiva, mas sim à luz da palavra de Deus. Ao encontrar outras interpretações que me foram escondidas durante muito tempo, me dava conta do quanto a Igreja é complacente com as situações conflitantes que milhões de homossexuais enfrentam ao estar na casa de Deus, cujo objetivo deveria ser para todos. Dessa forma pude compreender melhor e me aceitar como gay – a parte mais difícil do processo –, e entender o mesmo amor de Cristo “pregado” em minha vida. Fazendo estas observações, não quero atenuar a importância da palavra de Deus contida na Bíblia ou contrariar sua autoridade e inspiração para a vida cristã. Ao contrário, amar a palavra de Deus é esforçar-se para entendê-la e não apenas aceitar o que é dito nos púlpitos por meio de pastores, ou seja, homens, assim como eu, suscetíveis a erros de interpretação. Tampouco defendo minhas crenças representadas por “placa de igreja”, mesmo porque a inclusão espiritual não necessita deste recurso. A idéia deste livro surgiu após analisar pessoas se surpreendendo ao saber que eu sou Homossexual e Cristão. Por qual motivo a minha identidade sexual me distanciaria de Deus? Isto não ocorre e você entenderá o porquê no decorrer da leitura. Além do mais, durante minha vida encontrei pessoas que
  14. 14. atravessaram conflitos com a família e com a fé, pelo fato da homossexualidade. Foi quando pensei que deveria fazer algo a esse respeito. Outra alavanca deste trabalho se deu após assistir alguns filmes baseados em fatos reais: “Tremendo diante de Deus”, documentário de 2001; “Assim me diz a Bíblia”, documentário norte- americano de 2007; e “Orações para Bobby”, filme norte-americano de 2009. Como toda nova idéia dita em voz alta, minha visão sob o assunto trará luz e esperança a alguns, e hostilidade a outros. Isto sempre acontece quando ensinamentos cristãos persuasivos e opressivos são refutados, principalmente daqueles que afirmam ser representantes de Deus aqui na terra.

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